John Derbyshire é britânico mas mora há anos nos EUA. É casado com uma asiática e já foi figurante em um filme do Bruce Lee. Escrevia boas colunas, mas, desta vez, parce que resolveu chutar o balde. Talvez por ter recentemente sido diagnosticado com câncer. Seu artigo, afinal, é bem mais direto do que o que normalmente se vê na grande mídia por colunistas conhecidos.
O artigo tem, de fato, alguns trechos desagradáveis e não é nenhuma obra prima. Certamente não deve ser a melhor coisa que o Derbyshire escreveu. O argumento cínico de se ter um amigo negro para não ser considerado racista é uma piada de mau gosto, realmente até ofensivo, e alguns dos dados apresentados são discutíveis (de onde ele tirou os dados, não sei). Dito isso, o que mais incomodou os leitores parece que foi mesmo o fato de ter dito algo que todo mundo sabe e que não passa de bom senso -- se você é branco, é perigoso para você andar em um bairro negro e pobre.
O fato é que mesmo o mais radical esquerdista se cuida muito bem de passar longe do gueto, e em geral mora nos bairros mais bacanas e mais brancos da cidade. Então por que o escândalo com a coluna de Derbyshire? Acredito que a resposta esteja em uma antiga fábula, aquela na qual o rei andava pelas ruas com um suposto vestido invisível. O que Derbyshire disse não pode ser dito, não porque seja falso, mas porque todos temem que seja verdade. Se Derbyshire tivesse escrito que é perigoso andar por um bairro asiático, ou por um bairro indiano, seria igualmente considerado racista, mas todos apenas ririam dele. Afinal, o nível de crimes nesses bairros é bem menor, e não há uma hostilidade contra brancos, ao menos não tão forte como a que se vê nos bairros negros e pobres.
Pessoas que não moram nos EUA não entendem o nível de ódio existente dos negros contra os brancos, nem a incrível segregação que existe. No Brasil a situação é bem diferente, talvez devido à maior miscigenação. Claro, você se cuida de não entrar na Vila Cruzeiro ou no Complexo do Alemão, mas pode argumentar que o problema não é de raça, mas de pobreza. Bem, talvez seja, realmente não sei. Mas, nos EUA, os bairros mais perigosos são quase que exclusivamente os bairros negros (e talvez também alguns bairros latinos nos quais operam gangues). Diga-se que são perigosos tanto para brancos quanto para negros. Uma vez o ativista negro Al Sharpton respirou aliviado ao ver que os dois jovens que caminhavam atrás dele eram brancos...
É preciso esclarecer uma coisa. Não é preciso ser paranóico. Há negros que andam pacificamente pelas ruas, pelos mesmos lugares que brancos, amarelos e pardos. Hoje mesmo cruzei com várias famílias e grupos de afro-americanos, sem problema nenhum. Porém, o gueto negro é outra coisa, e um show de rap freqüentado quase que exclusivamente por negros, provavelmente também. O problema não são as famílias, mas são jovens negros entre 14 e 24 anos, que são 1% da população mas cometem 28% dos homicídios. Os dados são de um artigo de 1999, vai em inglês mesmo:
Blacks make up 12 percent of the population, but accounted for 58 percent of all carjackers between 1992 and 1996. (Whites accounted for 19 percent.) Victim surveys -- and most victims of black criminals are black -- indicate that blacks commit almost 50 percent of all robberies. Blacks and Hispanics are widely believed to be the blue-collar backbone of the country's heroin- and cocaine-distribution networks. Black males between the ages of 14 and 24 make up 1.1 percent of the country's population, yet commit more than 28 percent of its homicides.
Resta o consolo de que, no futuro, com a total transformação dos EUA, não será perigoso andar apenas nos bairros negros. Também será perigoso andar nos bairros muçulmanos onde estarão todos os radicais, nos bairros mexicanos onde operarão os Zeta e outras gangues da droga, nos bairros salvadorenhos onde opera a MS-13, etc, etc...
O Rei pode até estar nu, mas é melhor não dizer isso para ninguém. Bye-bye, Derb!














