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domingo, 8 de abril de 2012

Nunca diga que o rei está nu

O colunista John Derbyshire acaba de ser demitido da National Review, mais conhecida revista conservadora americana, por ter escrito em outra publicação um artigo considerado racista (nota, o artigo parece estar fora do ar agora). Um artigo no qual fala, basicamente, que é perigoso para brancos (ou asiáticos) andarem em bairros negros, ou frequentarem locais de maioria negra.

John Derbyshire é britânico mas mora há anos nos EUA. É casado com uma asiática e já foi figurante em um filme do Bruce Lee. Escrevia boas colunas, mas, desta vez, parce que resolveu chutar o balde. Talvez por ter recentemente sido diagnosticado com câncer. Seu artigo, afinal, é bem mais direto do que o que normalmente se vê na grande mídia por colunistas conhecidos.

O artigo tem, de fato, alguns trechos desagradáveis e não é nenhuma obra prima. Certamente não deve ser a melhor coisa que o Derbyshire escreveu. O argumento cínico de se ter um amigo negro para não ser considerado racista é uma piada de mau gosto, realmente até ofensivo, e alguns dos dados apresentados são discutíveis (de onde ele tirou os dados, não sei). Dito isso, o que mais incomodou os leitores parece que foi mesmo o fato de ter dito algo que todo mundo sabe e que não passa de bom senso -- se você é branco, é perigoso para você andar em um bairro negro e pobre.

O fato é que mesmo o mais radical esquerdista se cuida muito bem de passar longe do gueto, e em geral mora nos bairros mais bacanas e mais brancos da cidade. Então por que o escândalo com a coluna de Derbyshire? Acredito que a resposta esteja em uma antiga fábula, aquela na qual o rei andava pelas ruas com um suposto vestido invisível. O que Derbyshire disse não pode ser dito, não porque seja falso, mas porque todos temem que seja verdade. Se Derbyshire tivesse escrito que é perigoso andar por um bairro asiático, ou por um bairro indiano, seria igualmente considerado racista, mas todos apenas ririam dele. Afinal, o nível de crimes nesses bairros é bem menor, e não há uma hostilidade contra brancos, ao menos não tão forte como a que se vê nos bairros negros e pobres.

Pessoas que não moram nos EUA não entendem o nível de ódio existente dos negros contra os brancos, nem a incrível segregação que existe. No Brasil a situação é bem diferente, talvez devido à maior miscigenação. Claro, você se cuida de não entrar na Vila Cruzeiro ou no Complexo do Alemão, mas pode argumentar que o problema não é de raça, mas de pobreza. Bem, talvez seja, realmente não sei. Mas, nos EUA, os bairros mais perigosos são quase que exclusivamente os bairros negros (e talvez também alguns bairros latinos nos quais operam gangues). Diga-se que são perigosos tanto para brancos quanto para negros. Uma vez o ativista negro Al Sharpton respirou aliviado ao ver que os dois jovens que caminhavam atrás dele eram brancos...

É preciso esclarecer uma coisa. Não é preciso ser paranóico. Há negros que andam pacificamente pelas ruas, pelos mesmos lugares que brancos, amarelos e pardos. Hoje mesmo cruzei com várias famílias e grupos de afro-americanos, sem problema nenhum. Porém, o gueto negro é outra coisa, e um show de rap freqüentado quase que exclusivamente por negros, provavelmente também. O problema não são as famílias, mas são jovens negros entre 14 e 24 anos, que são 1% da população mas cometem 28% dos homicídios. Os dados são de um artigo de 1999, vai em inglês mesmo:


Blacks make up 12 percent of the population, but accounted for 58 percent of all carjackers between 1992 and 1996. (Whites accounted for 19 percent.) Victim surveys -- and most victims of black criminals are black -- indicate that blacks commit almost 50 percent of all robberies. Blacks and Hispanics are widely believed to be the blue-collar backbone of the country's heroin- and cocaine-distribution networks. Black males between the ages of 14 and 24 make up 1.1 percent of the country's population, yet commit more than 28 percent of its homicides.
O artigo não é do Derbyshire nem de nenhuma webzine de direita, mas, acredite, o próprio New York Times, em um artigo assinado por um tal Goldberg! Só posso concluir que, à medida que os EUA ficam mais diversos, mais difícil e mais complicado fica se falar sobre qualquer coisa que seja relacionada com possíveis diferenças de comportamento entre os grupos étnicos e raciais que formam o país. 


Resta o consolo de que, no futuro, com a total transformação dos EUA, não será perigoso andar apenas nos bairros negros. Também será perigoso andar nos bairros muçulmanos onde estarão todos os radicais, nos bairros mexicanos onde operarão os Zeta e outras gangues da droga, nos bairros salvadorenhos onde opera a MS-13, etc, etc...

O Rei pode até estar nu, mas é melhor não dizer isso para ninguém. Bye-bye, Derb!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A mão boba do assédio sexual

Os EUA tem muito do que se orgulhar como nação. Agora, em certos aspectos, o país é um atraso de vida. Uma de suas peculiaridades é a obsessão com o "assédio sexual", termo criado pelas feministas recalcadas e esquerdistas satânicos para atazanar a vida do cidadão.

Vejam que curioso: vivemos em um mundo repleto de imoralidade, putaria e sacanagem. Mulheres criam filhos de pais múltiplos com a ajuda do contribuinte. Gays beijam-se no horário nobre e querem até casar. Quase ninguém mais se escandaliza se uma dupla de lésbicas decide adotar uma criança e fazê-la "trocar de sexo"; acham até bonitinho. Mas eis que um homem encosta um fio de cabelo em uma mulher sem pedir licença, e pronto: parece que o mundo caiu.  

Quão sérias são as acusações contra Herman Cain? Não sei detalhes, e ele pode até ser culpado. (Ele tampouco é meu candidato preferido.) Mas não é suspeito que essas mulheres tenham aparecido logo agora, quando ele é candidato e está em alta? Onde é que essas peruas estavam anos atrás?

A acusação de uma delas é a seguinte: Cain fez uma proposta indecente acompanhada de gestos vulgares. Ela recusou. Depois... Bem, nada. Tudo acabou aí. Outra o acusa de ter tentado agendar um jantar com uma moça que o interessava. Ela se recusou. O jantar não aconteceu...

Não são acusações de estupro como a de Dominique, que aliás também revelou-se uma fraude, ou mesmo de sexo consumado. São meras acusações de... O que mesmo? O que diabós é "assédio sexual"?

Ora, meus amigos. A resposta, na verdade, é muito simples. Este vídeo educativo explica tudo. Assédio sexual é simplesmente uma cantada ou proposta sexual feita por alguém que a moça não julga atraente. Na maior parte dos casos, é simples assim.


Digam o que quiserem sobre o Berlusconi, ao menos ele jamais foi politicamente correto e jamais se curvou às feministas. Não quer dizer que seu comportamento seja recomendável, mas ao menos é um antídoto contra grade parte da estupidez reinante. Herman Cain, por enquanto, também nega as acusações. Seu caso, aliás, é parecido com o do (também negro) juiz Clarence Thomas, que terminou sendo inocentado dez anos atrás.


Não quer dizer que não haja casos de abusos de poder, de trocas de favores sexuais por empregos ou coisa pior. Ocorre todo dia no mundo da televisão! Mas a verdade é que grande parte disso aconteceu porque as feministas queriam ser "iguais aos homens" em todos os postos de trabalho; agora reclamam que esses mesmos homens sintam atração por elas. Recentemente li sobre não lembro qual escândalo sexual no exército: um certo número de mulheres reclamava sofrer assédio sexual de marmanjos estacionados em postos de combate isolados... Realmente inconcebível! (E imagine a confusão agora que os gays assumidos entraram também na jogada).

É verdade que certos homens podem abusar de suas posições de poder para obter favores sexuais; mas nisso, não são tão diferentes de mulheres que usam sua beleza e sedução para subir na vida. A diferença é que, no segundo caso, ninguém reclama. Você jamais vai encontrar um homem reclamando de ter sido usado sexualmente. É uma das diferenças entre homens e mulheres.

Isso tudo me faz pensar o seguinte: o ódio dos esquerdistas é o ódio impotente contra a realidade. Os comunistas odeiam que alguns sejam mais ricos do que outros, mas isso é inevitável. As feministas odeiam que homens sejam diferentes das mulheres, mas isso sempre será assim. Os gays odeiam não ser aceitos no mesmo nível dos casais heterossexuais, mas uma coisa jamais será igual à outra. No fim das contas, não adianta tentar reengenharia social. O feitiço sempre se volta contra o feiticeiro.

Nota: na legislação americana, há diferença entre "sexual harassment" e "sexual assault". "Sexual assault" inclui contato físico. Passar a mão na bunda, por exemplo, pode configurar "sexual assault." Mesmo se o contato for indireto, por exemplo cutucando com um objeto, também pode ser considerado "sexual assault", que é crime federal. Já "sexual harassment" pode ser simplesmente dizer uma palavra que não agrada, um gesto ou até um olhar que causa desconforto...


sábado, 15 de outubro de 2011

Machado de Assis era branco ou negro?

Machado de Assis era branco ou negro? Um polêmico comercial levantou de novo a questão. A primeira versão do comercial, com um branco de aparência claramente européia no papel do escritor, foi duramente criticada por muitos espectadores, que acusaram o comercial de "racista", já que Machado era mulato.

Em seguida, o governo brasileiro entrou em ação mais uma vez (parece que a especialidade do governo Dilma é a propaganda!). Sob pressão do público e da Secretaria da Igualdade Racial, o comercial foi retirado e substituído por um outro em que o velho Machadão é interpretado por um ator mais escuro do que o Muçum. Se foi um erro colocar Machado no comercial como caucasiano, também acho que o segundo ator foi uma escolha equivocada, que acentua demais a cor da pele. Era tão difícil encontrar um mulato claro que atuasse decentemente?  

Confesso: na escola, para mim, Machado sempre tinha sido "branco", ou, ao menos, ninguém tinha chamado a atenção para a sua composição racial. Essa moda começou bem depois, quando eu já estava na universidade e o "politicamente correto" funcionava a todo vapor. Era então necessário chamar a atenção para a raça dos escritores, talvez até mais do que para a sua literatura. (Pergunto-me se algum desses críticos leu algum livro do Machado. Será que a própria secretária de inclusão racial já o leu?)

Machado de Assis era português por parte da mãe (50% branco), e seu pai era pelo menos metade branco, se não mais. Digamos que fosse meio-meio, o que daria 25% para Machado de Assis. Portanto, Machado de Assis era ao menos 75% branco, talvez um pouco mais, talvez um pouco menos, já que não sabemos muito sobre o seu pai. Isso importa? Provavelmente não. Gênio é gênio e é raro em qualquer raça ou país. Abaixo está a foto de Machado de Assis que encontrei na qual ele parece mais "afro". Se não poderia ser confundido com o Pelé, tampouco é europeu.

O curioso é o seguinte: embora a sociedade do período fosse mais "racista", isto é, acreditasse abertamente em diferenças raciais (leiam "Os Sertões", por exemplo, ou Silvio Romero), Machado de Assis chegou ao topo da sociedade de seu tempo. Autodidata e pobre, subiu na vida por seu próprio esforço e tornou-se um homem extremamente bem-sucedido, um intelectual reconhecido e celebrado por todos, podemos mesmo dizer que um membro da elite (ao menos intelectual) do período.

Paradoxalmente, hoje ninguém o faria esquecer que era "negro". Estudaria pelo sistema de cotas ou seria convidado a morar em um quilombo. Talvez, ao invés de escrever romances inspirados no melhor da literatura inglesa e francesa do período, se dedicasse a criar letras de funk e rap (inspirado no que se faz nos EUA, é claro). 

Talvez o verdadeiro problema então seja mesmo a incrível decadência dos ideais e da cultura brasileira (e mundial, pois somos apenas macaquitos copiões). Na época havia outros talentosos escritores mestiços: Lima Barreto, Mario de Andrade, Cruz e Sousa. Hoje, o que temos?

Mesmo se ficarmos na cultura popular, até há poucas décadas tínhamos pessoas como o Cartola, sambista que apesar da baixa instrução escreveu letras sentimentais primorosas (outro exemplo seria o Lupicínio Rodrigues). Hoje? O grande sucesso no Brasil das classes baixas e nem tão baixas é uma canção que, pelo que entendo, se chama "Dou o c* até de cabeça para baixo". Tem inclusive uma dança associada, como se pode ver no vídeo, que ainda celebra a harmonia multiracial políticamente correta, com uma garota branca e outra japonesa realizando a "performance". É o Brasil atual! 

Dentro do seu túmulo, Brás Cubas sorri feliz: "Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria!" 

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Educação sim, censura não!

Uma das maiores desgraças causadas pelo "politicamente correto", que nada mais é do que a aplicação prática dos princípios ultra-igualitários esquerdistas ao discurso, é ter tornado as pessoas extremamente sensíveis à mais ligeira provocação.

Além da censura midiática que proíbe a discussão honesta sobre certos assuntos, há a censura (ou até autocensura) que se cria entre os indivíduos, que cada vez ficam com mais medo de ter problemas, ou até mesmo um processo nas costas, devido a alguma frase infeliz dita ou escrita por aí. Isto até piorou com a Internet: às vezes, até uma frase inocente publicada no Facebook ou Twitter pode gerar infinitas dores de cabeça.  

Um exemplo, já mencionado aqui, foi o caso do ator brasileiro Rodrigo Lombardi, que foi criticado por ter elogiado o dançarino e cantor negro Sammy Davis Jr., só que de uma forma considerada preconceituosa pelos bem-pensantes. A intenção do ator não apenas era a de elogiar, como Sammy Davis está morto e não se importa mais sobre o que disserem sobre ele. Isso, naturalmente, não impediu muitos progressistas de quererem a cabeça do "racista".

Toda hora há casos novos. Agora tem o comercial de lingerie com a Gisele Bündchen, que o governo quer proibir. Antes, um humorista foi censurado por fazer piada com King Kong e teve que se retratar. Uma jovem acusada de criticar os nordestinos no Twitter teve que abandonar a faculdade. Vez por outra um jogador de futebol é acusado de "racista" por chamar outro de "negão" ou de "macaco". Segundo um jornalista do Globo, "todo castigo é pouco para os racistas": ele chega a afirmar que seria preferível que o racista tivesse agredido o outro jogador com um soco do que chamá-lo de "macaco", que hoje em dia parece ser a maior ofensa jamais criada contra qualquer pessoa de cor. (Também o saudoso Clodovil uma vez foi processado por racismo por ter chamado uma deputada negra de "macaca de tauilleur"). O que é estranho é que, no tempo dos Trapalhões, não lembro que houvesse tanto escândalo com palavras como "macaco", "cabeça-chata", "fresco", e por aí vai. 

Hoje no Canadá, ocorreu o oposto: um jogador de hóquei negro está sendo criticado por ter chamado um adversário de "bicha" ou "viado" (faggot). Detalhe: parece que o adversário é mesmo viado, ou ao menos está empenhado na causa do casamento gay. Outro detalhe: o jogador que realizou o insulto já tinha por sua vez recebido insultos racistas anteriormente, o que não impediu que agora seja criticado por ser homofóbico.

Isso nos leva a uma importante questão filosófica: o que é pior nestes dias, ser "racista" ou ser "homofóbico"? Se um gay ataca um negro e vice-versa, quem leva a pior? Nos EUA, um violento caso de negros que agrediram um branco no McDonald's foi ocultado pela mídia, até que se descobriu que a vítima branca era um travesti. Sendo, portanto, um ataque "homofóbico" (e não simplesmente contra um branquelo que merecia mesmo apanhar), o ataque passou a ser registrado e mesmo criticado. O que parece provar que: a) os gays venceram a batalha e a "homofobia" é mais forte do que o "racismo, e b) que o único grupo que não tem direito a reclamar são os brancos heterossexuais cristãos. Apanhem calados!). 

O mais curioso de tudo é que há almas delicadas até no campo de hóquei. Bater até quebrar ossos pode, o que não pode é insultar... 

De acordo com a Associacão Canadense de Gays e Lésbicas contra a Difamação (sim, existe isso), "o discurso de ódio e insultos homofóbicos não têm lugar no campo de hóquei."

Pôrrameu, são jogadores de hóquei, o esporte mais violento do mundo! Se um jogador de hóquei não pode nem chamar o outro de "viado", onde diabos iremos parar?!?

Isso tudo parece um tema menor e sem importância, mas não é mesmo. Todas essas novas leis anti-racismo e anti-homofobia, bem como a simples existência do "politicamente correto", tem uma função bem clara no projeto progressista:  a censura.

Sim, a esquerda, que tanto chora sobre a "censura" que sofreu durante a "horrível ditadura militar", é a maior censuradora hoje em dia!

Atenção, isso não quer dizer que eu seja a favor de insultos. A ética comanda que, por uma questão de civilidade, os insultos (raciais, sexuais ou de qualquer outra ordem) sejam evitados; mas, em certos ambientes como o esportivo, eles são bastante comuns, e não deveriam ser objeto de qualquer tipo de ação legal. Jogador de futebol e torcedor estão ali para xingar e serem xingados mesmo: só falta agora quererem proteger de insultos a mãe do juiz... 

Faz tempo que casos de injúria e difamação são corretamente levados em conta pela lei, e não pareceria haver necessidade de leis novas. Observe ainda que a censura esquerdista vai muito além disso, não permitindo nenhum tipo de discurso que seja sequer contrário aos grupos protegidos pelo progressismo mundial.

Por exemplo: um cidadão foi acusado de "racismo" por sugerir em artigo de jornal (mas sem usar qualquer insulto) que a cultura branca européia fosse mais avançada do que a cultura indígena nativa brasileira. O que parece algo óbvio -- afinal, os povos europeus eram ou não mais avançados tecnologicamente, artisticamente, etc? --  hoje virou caso de polícia. (O acusado também afirmou que os índios enterrariam ossos em certas propriedades para dizer depois que estas seriam "terras indígenas"; isso, lamentavelmente, também não é mais do que a verdade, já comprovada em vários casos). 

Não sei como acabou o caso: o Ministério Público queria do pobre homem uma indenização inicial de 30 milhões de reais.

Quanto aos gays, é ainda pior, e acontece no mundo todo. No outro dia, um estudante inglês foi suspenso por simplesmente dizer que "o homossexualismo é errado." Percebam que ele não insultou ninguém nem disse nada de extraordinário: o mero fato de achar que atos homossexuais sejam pecado já é um crime ou ao menos uma falta em muitos países. 

Até mesmo ser contrário ao "casamento gay", o que há pouco era apenas questão de opinião, está virando um discurso proibido. E isso que o "casamento gay" é uma questão que afeta, segundo estatísticas, 0.55% da população americana (é o número de parceiros do mesmo sexo que vivem juntos). Tempestade num copo d'água?

Essa censura toda termina tendo também, acredito, um efeito psicológico nefasto. Impedida de se pronunciar de forma civilizada, a crítica às minorias termina se transformando em ódio e rancor. Mesmo eu, que tenho contato com pessoas de todas as cores, religiões e orientações sexuais sem jamais ter insultado ninguém, toda vez que ouço alguma proibição politicamente correta, tenho vontade de urrar insultos racistas e homofóbicos aos quatro ventos. Imagine então alguém que foi suspenso da escola ou perdeu o emprego por ter dito alguma frase proibida: será que o seu ódio vai ser maior ou menor?

Com mil raios e trovões! Deixem o mundo se expressar em paz! Seus sacripantas, pândegos, anacolutos, embusteiros, antropopitecos, antropófagos, babuínos, ungulados, psicopatas, piromaníacos, sodomitas, bucaneiros, cabeçudos, colocintos, carcamanos, chucrutes, tecnocratas, terroristas, zapotecas, visigodos, iconoclastas, selvagens, astecas, esquizofrênicos, ornitorrincos, frouxos, macacos, parasitas, otomanos, ruminantes, canalhas, covardes, mercenários, ectoplasmas, doríferos, coleópteros, zulus!!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O dilema do multiculturalismo

Há poucos anos atrás, o sociólogo Robert Putnam fez um estudo sobre o multiculturalismo e assustou-se com o que viu. Tanto que nem quis publicar todos os resultados. Basicamente, a sua conclusão foi que nas sociedades multiculturais há menos confiança entre as pessoas. Porém, o mais curioso é que isso não ocorre apenas entre grupos diversos, como seria de esperar, mas também dentro dos próprios grupos étnicos.

Los Angeles é uma das cidades mais multiculturais do mundo. É também uma das mais segregadas, ao menos em termos de divisão geográfica: asiáticos moram com asiáticos, mexicanos com mexicanos, negros com negros, brancos com brancos, iranianos com iranianos, armênios com armênios. Fora os campus universitários (e já falo sobre esse tema), e sobre os brancos que casam cada vez mais com asiáticas (tema para outro post) ninguém se mistura muito com ninguém.

Robert Putnam também é o autor do livro "Bowling alone" (Jogando boliche só), onde mostra como os americanos se tornaram menos sociais, com famílias menores, menor número de amizades, menor participação em clubes e associações comunitárias, etcétera. O título do livro faz alusão ao fato de que há cada vez mais pessoas jogando boliche nos EUA, mas cada vez menos clubes de boliche.

Estariam os dois fenômenos (crescente solidão do homem americano contemporâneo, crescente multiculturalização da sociedade) relacionados? 

Não sei. Aconteceram mudanças demais desde os anos 60 nos EUA, e o multiculturalismo foi apenas uma delas. Na verdade, acho que todos os fenômenos radicais dos anos 60, como a luta contra os valores tradicionais, o extremismo político, o feminismo, a perda da religião, a revolução sexual, bem como a própria urbanização desordenada e a imigração cada vez maior causaram essa desagregação social. Não dá para colocar tudo na conta do multiculturalismo, embora este crie sim os seus problemas.

Celebrado até há pouco, hoje o multiculturalismo sofre uma chuva de críticas. Ângela Merkel, Nicolas Sarkozy, David Cameron, mas também vozes à esquerda começam a perceber que há alguma coisa errada, que o paraíso prometido da integração pacífica não aconteceu. Por quê?

Tenho a impressão que, como tantas coisas, algumas positivas mas muitas negativas, a idéia da sociedade multicultural surgiu nos campus universitários americanos. De fato, as universidades americanas são templos do multiculturalismo. Pessoas de todos os países, raças e religiões se misturam e convivem quase sempre em paz. Daí deve ter surgido a idéia de que, se isso funcionava na universidade, por que não deveria funcionar na sociedade como um todo?

Acho que a diferença é a seguinte: a universidade é um ambiente bem diverso da sociedade como um todo. Em primeiro lugar, as pessoas que habitam esse mundo são filtradas pelo QI e pelo nível social, quer dizer, estão ao menos um pouco acima da média no que se refere à inteligência e classe. Em segundo lugar, são pessoas mais abertas ao convívio e à troca cultural, ou nem estariam em uma instituição de nível superior. E, em terceiro lugar, convivem apenas algumas horas por dia e por um período específico da juventude.

Já na sociedade a integração pacífica entre grandes grupos de origens diversas é mais difícil. Vejam a triste história desta lojista francesa, arriscando a própria vida (já foi estuprada, roubada, apedrejada) para manter a sua lojinha em uma "zona sensível", isto é, em um bairro exclusivamente muçulmano de Paris. Locais onde até mesmo a polícia e os bombeiros evitam ir. Será o futuro da França a guerra civil? 

Devemos diferenciar o multiculturalismo da imigração. A imigração sempre existiu, o multiculturalismo é algo relativamente novo. (Embora gregos e romanos tenham convivido em sociedades relativamente multiculturais, mas isso também seria tema para outro post). Anteriormente, havia na maior parte dos casos a expectativa de que o imigrante se adaptaria ao país ao qual emigrou, adotando a sua língua e seus costumes. Isso não acontecia em todos os casos, mas na maior parte. Hoje, a expectativa é exatamente a oposta: que o imigrante mantenha sua própria cultura, e que esta seja "respeitada" pela sociedade que o acolhe, mesmo que se trate de um hábito bárbaro como a extirpação do clitóris das mulheres.

Hoje o multiculturalismo é a política oficial em quase todas as capitais ocidentais. Em parte é o mero resultado de mudanças tecnológicas e sociais, mas em parte também foi forçado, contra os desejos da maioria da população, por governos e políticos mais interessados em votos do que no bem-estar social. Mas, assim como um pêndulo, as modas e as sociedades mudam. É bem provável que, assim como o dinheiro do welfare state está acabando rapidamente e levando a crises e conflitos em tudo que é lugar, também haja uma violenta reação contra o multiculturalismo nos próximos anos. E aí, salve-se quem puder.

 

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Praga americana

Os americanos, devo admitir, são um povo muito estranho. Em sua música pop, as cantoras referem-se a si mesmas todo o tempo como "bitches", os negros dirigem-se entre si como "nigga", e os palavrões voam a torto e a direito.

Mas eis que alguém fala alguma dessas palavras fora de contexto, e pronto, parece que o mundo caiu. Jamais vi um povo que se ofenda tão facilmente quanto o povo americano -- ou, ao menos, uma mídia que faça tanto escândalo por questões tão menores. Não esqueçamos que a praga do Politicamente Correto teve origem aqui.

No outro dia, um professor de Estudos Africanos quase foi linchado por chamar duas alunas (que chegaram atrasadas a uma conferência) de "black bitches". Bem, de acordo com a notícia, ele disse, "When you came in late, I thought, 'who are these black bitches?'"

Inadequado, com certeza, embora seja bastante óbvio que ele estava brincando. O professor, originário da África do Sul, provavelmente quis dar uma de "cool", imitando o dialeto dos African-Americans, e se deu mal. (Percebam ainda que, sendo ele também negro, ou ao menos mulato, não foi acusado de "racista", mas sim de "sexista", e não foi demitido, apenas repreendido.)

Meses antes, um outro professor (branco) não teve tanta sorte, e foi demitido no mesmo dia por referir-se a si mesmo como "nigger". A palavra, para quem não sabe, é proibida nos EUA, apesar de um clássico da literatura como "As Aventuras de Huckleberry Finn" estar repleto dela. (O que ainda hoje causa polêmica).

Não é apenas raça. Religião, sexo, preferência sexual ou nacionalidade, tudo virou motivo para declarar-se ofendido. Theodore Dalrymple observou como agora a palavra "mankind" está sendo reescrita em toda parte como "humankind", para não incomodar as pobres feministas. Igualmente, a cidade de Sacramento gastou milhares de dólares para mudar o nome dos "manholes" (bueiros) para "mainteinance holes", de modo a não ofender essas bitches.

(Nada disso é coincidência. É parte do plano de dominação globalista. É a mesma estratégia das ditaduras comunistas, como informa Dalrymple. Controle o discurso e você controlará as pessoas.)

Além disso, o caso é que ofender-se, nos EUA, às vezes paga muito bem. Há quem tenha ganho vários milhares de dólares em processos por "racismo", "machismo", "islamofobia", "antisemitismo", ou até "gordofobia". Eis aqui o caso de um@ transexual que está processando um Hospital Católico que recusou fazer uma operação de implante de seios. E por que procurou logo um hospital católico? "Sou católic@ desde criancinh@", afirma.

Talvez os advogados é que sejam a verdadeira praga americana. Eles, de fato, são os maiores beneficiários do "politicamente correto" e outros processos ridículos, como o famoso caso da mulher que se queimou com um copo de café e processou o McDonald's. Agora, para resguardar-se de processos, o McDonald's coloca avisos em seus copos de café informando que o conteúdo é quente, e quase todas as empresas são obrigadas a incluir longas mensagens ao fim de seus comerciais de televisão, indicando todos os efeitos colaterais do produto, ou avisando para não tentarem isso em casa. Certas lojas também já não perseguem os "shoplifters", pois temem processo dos criminosos por maus tratos. E eis aqui um imigrante ilegal que fez um processo por ter sido chamado de "criminoso", e ganhou.

No Brasil, que está seguindo os mesmos passos com suas leis raciais e politicamente corretas, logo vamos ter uma situação parecida. Chamou o amigo de "negão" ou "viado"? Processo! Epa, mas não foi o que quase aconteceu com um apresentador do CQC, por culpa de uma piadinha cretina colocada no twitter?

Qualquer dia, vão querer censurar até o grande Miles Davis, e mudar o título do seu disco.

sábado, 7 de novembro de 2009

Politicamente correto até morrer

Por que tanta hesitação de parte do governo e da mídia chique americana em dizer o óbvio, isto é, que o atirador que matou 13 soldados em um quartel era um muçulmano que gritava "Allahu akbar"? Nem duas horas após o atentado, a Casa Branca já saiu anunciando que "não se tratava de terrorismo". O nome do atirador só foi divulgado pelos jornais muito depois de ter sido conhecido. Por que, sempre que ocorre algum ataque muçulmano, a primeira reação dos progressistas é tentar negar que tenha sido um ataque muçulmano? Afinal, eles não são a favor dos palestinos e tais? Não deveriam estar felizes?

Em alguns casos a razão é o medo. Vejam o caso do diretor Roland Emmerich, autor das "bombas" Independence Day e Godzilla, e que agora tem um novo filme desastre na área, 2012. No filme, dezenas de símbolos arquitetônicos do cristianismo são destruídos. O próprio diretor afirma "ser contrário à religião organizada". Mas aí depois de explodir meio mundo cristão e até o Cristo do Corcovado, o diretor poupa do massacre a Qaba islâmica. Nem uma única mesquita aparece sendo destruída no filme. Por quê? A resposta do diretor é surpreendentemente honesta: tem medo de levar uma fatwa no rabo.

(Isso significa que, na prática, o multiculturalismo é uma mentira: o que vale - como sempre, aliás - é a lei do mais forte.)

Mas o medo não é uma explicação total. No caso do atirador, não havia razão nenhuma para a mídia não divulgar que se tratava de um fanático islâmico, isto é, ninguém sofreria represália por causa disso. Portanto, a razão é outra: é que tais atos negam os maiores ideais progressistas, que todas as religiões e culturas são iguais, que a imigração de estrangeiros não é um problema, e que o único jeito de acabar com a violência é com um rigoroso controle de armas.

Aliás, o mais surpreendente do atentado é o seguinte: a razão pela qual houve tantas vítimas (13 mortos e 31 feridos) é que, no quartel americano, soldado não pode andar armado. Sim, acredite. Soldados americanos - que irão em breve para a guerra se massacrar - não podem carregar armas no quartel, que é uma gun-free zone. Afinal, todos sabem que armas são muito perigosas.

quarta-feira, 18 de março de 2009

A guerra contra as palavras (2)


O governo Obama acabou com o terrorismo. Isso mesmo, o terrorismo não existe mais. Agora a administração não utiliza mais o termo "terrorismo" para se referir a massacre de civis ou atentado-bomba, mas apenas o termo "man-caused disasters", ou "desastres causados pelo homem".

A explicação da ministra obâmica para a mudança é que "Isso demonstra que estamos preparados para abandonar a política do medo e nos concentrarmos na política de enfrentar riscos."

Enquanto isso, a União Européia baniu os termos considerados discriminatórios de gênero como "senhora", "senhor", "senhorita", e até mesmo - contradizendo Obama - "causados pelo homem" (deve-se utilizar a palavra "sintético", afinal poderiam ser desastres "causados pela mulher".)

Às vezes me pergunto se existe uma epidemia de retardamento mental no mundo que ainda não foi descoberta pelos cientistas.

De qualquer modo, em termos de política externa, o governo Obama está cometendo tantas gafes, que já começa a ser apelidado de governo ostra.

Os trapalhões.

Ceci n'est pas Obama.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Gran Torino e a imigração


Não sei se o filme "Gran Torino", de e com Clint Eastwood, já estreou no Brasil. Talvez tenha um título diverso, como "Gran Torino - Comunidades em conflito" (a moda hoje no Brasil é manter o título original e acrescentar algum subtítulo explicativo, tipo "Milk, a voz da igualdade", ou "Pulp Fiction, tempos de violência", etc).

A pedido do Nei, comento aqui alguns aspectos do filme que achei interessantes. Vou tentar não revelar aspectos da trama para aqueles que não viram o filme. O filme, como todos sabem, ou não, fala de um americano durão e supostamente xenófobo e racista que vive em um bairro decadente onde agora moram apenas imigrantes. Um garoto vietnamita (ou hmong) tenta roubar seu carro "Gran Torino" como rito de iniciação em uma gangue. A partir daí, estabelece-se uma relação entre os dois, e Clint Eastwood (ou seu personagem no filme) o ensina a trabalhar, a ser responsável, etc. É, de certa forma, uma fábula sobre a assimilação.

Não acho que seja um filme contra a imigração, e nem mesmo diria que é um filme necessariamente conservador, ainda que fale de valores supostamente conservadores. Mas não é anti-imigração, ao contrário, é até liberal, quase esquerdista nesse aspecto. O filme trata a questão da imigração como algo inevitável, e sua mensagem é, no fundo, de aceitação do diferente. Os que saem pior representados no filme nem são os imigrantes, mas os filhos americanos do Clint Eastwood - abobalhados obamistas que renegam o pai, isto é, os valores tradicionais americanos. É, de certa forma, um filme sobre o que os EUA foram e o que são.

Hoje a palavra "xenofobia" é excessivamente usada. Hoje é "xenófobo" até quem meramente ousa mencionar a palavra imigração. Basta alguém sugerir que deva haver algum tipo de controle sobre quem entra e sai no país, e pronto - já virou xenófobo. A Suiça inteira, nos últimos dias, virou um país de xenófobos. Curiosamente, nos EUA, e acredito que na Europa também, há inumeravelmente mais ataques realizados por imigrantes ilegais contra brancos nativos do que crimes de brancos nativos contra imigrantes ilegais. Não seriam esses crimes também "xenofobia" ou hate crimes?

É sintomático, no entanto, que no filme tenha-se escolhido membros da comunidade asiática para representar os "diferentes". A comunidade asiática é, em geral, bem-vista. São pessoas inteligentes e esforçadas. Aqui na Califórnia há muitos asiáticos. Na universidade, são alguns dos melhores estudantes. Se o imigrante fosse latino ou árabe, acredito que o filme ficaria mais forçado. Se fosse brasileiro então, ficaria definitivamente inverossímil, ao menos nestes tempos que correm.

Talvez o filme, no fundo, seja uma metáfora sobre um processo mais amplo, que seria a transição de pólo econômico e cultural mundial da América e Europa para a Ásia. Embora o triunfo da Ásia esteja ainda longe de acontecer, a verdade é que hoje basicamente os EUA pagam aos chineses para construir praticamente tudo o que é feito no mundo. O filme, não por acaso, é situado em Detroit, cidade antigamente famosa pela sua indústria automobilística. A época do carro "Gran Torino", no começo dos anos 70, marcaria seu auge e início de decadência. Hoje a indústria automobilística americana está em uma crise tremenda, com as três grandes montadoras de pires na mão.

Uma curiosidade: o roteirista do filme, Nick Schenk, trabalhava como caminhoneiro e escrevia o roteiro nas horas vagas. Talvez isso explique por que, com todos os seus possíveis defeitos, é um roteiro que soa mais autêntico do que grande parte dos filmes atuais de Hollywood. Apesar de ter sido um sucesso de público, fazendo mais dinheiro do que os dois maiores vencedores do Oscar, Slumdog Millionaire e Benjamin Button, o filme foi totalmente esnobado pela Academia, não recebendo nem uma única nominação - politicamente incorreto demais, talvez.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Quando o Politicamente Correto mata

Uma mulher, branca, rica, 40 e tantos anos, decidiu mostrar seu apartamento de luxo à venda por 2.5 milhões de dólares a um jovem negro de 22 anos que encontrara por acaso na rua e que dissera estar interessado na compra.

Deixando de lado o fato de que um jovem - negro, branco ou amarelo - de 22 anos ter todo esse dinheiro na mão seria pouco provável, o mais terrível ocorreu a seguir.

Quando o jovem chegou no edifício, o vigia perguntou à dona se não queria que os acompanhasse na visita (o apartamento, com terraço, ficava no último andar).

"Não, tudo bem," ela respondeu. "Não quero que ele pense que não confiamos nele."

Famosas últimas palavras. Uma vez lá em cima, o jovem, que já havia estado na prisão três vezes por assalto, bateu repetidamente na cabeça da mulher com um objeto contundente até matá-la. Roubou seu anel, 68 dólares e os cartões de crédito, como era óbvio que aconteceria. Mas para a mulher, mais importante era não parecer racista. O Politicamente Correto pode matar.

* * *

Outro exemplo: Bill Gates, em recente conferência, lançou mosquitos sobre seu público, afirmando que estavam contaminados com a malária, e disse: "Não é justo que apenas pessoas pobres fiquem doentes." Depois de um minuto de tensão, revelou ao público que os mosquitos não estavam contaminados. Os assistentes aplaudiram enfaticamente.

Bill Gates pode ser um gênio do marketing ou da informática, não sei. Mas o que fez nessa conferência foi uma asneira sem tamanho. Não é justo que apenas os pobres fiquem doentes? Não, e não é justo que alguns sejam mais feios do que outros. Não é justo que Bill Gates tenha bilhões de dólares e eu não. Mas culpar os ricos pelo fato de que os pobres tenham malária, ou indicar que contaminar os ricos seria uma forma de justiça social, mostra uma maneira torta de pensar, o tipo de pensamento que justifica o terrorismo. De fato, não duvido que um atentado terrorista biológico não possa vir a ser defendido com exatamente as mesmas palavras.

O Politicamente Correto mata.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

James Bond contra a Máfia Gay

Assisti o último film do tal 007, Quantum of Solace. Não percam seu tempo, o filme é medíocre, mesmo para quem - não é meu caso - gosta do Daniel Craig.

O vilão é um nerd panaca, tão assustador quanto uma professora de jardim de infância; falta uma cena de abertura impactante e o filme aliás tem uma série de perseguições pouco emocionantes, variando apenas o meio de transporte: carro, barco, avião. O roteiro não faz sentido algum: aparentemente o vilão, sob a cobertura de uma falsa ONG ecologista, organiza um golpe na Bolívia (contra Evo Morales?) para instalar uma junta militar de direita, roubar a água do deserto e revendê-la a preços extorsivos a não sei quem. O clímax dá sono. James não come a Bond girl. Não tem nenhum gadget. Bond não fala uma única vez "My name is Bond, James Bond."

Mas o que eu queria falar aqui era sobre a máfia gay de Hollywood.

Como se sabe, antigamente os judeus dominavam Hollywood. Na época dos grandes estúdios, nos anos 40 e 50, os produtores Samuel Goldwin, David O. Selznick e outros mandavam e desmandavam. Curiosamente, queriam apenas ganhar dinheiro e não tentavam colocar mensagens nos seus filmes; os vários filmes tratando do Holocausto nazista começaram a ser realizados tempos depois. Samuel Goldwyn famosamente disse que "se eu quisesse mandar uma mensagem, usaria um fax". (Bem, a frase original é um pouco diferente; na época não existia o fax).

Hoje os judeus continuam produzindo, mas já não dominam nem na crença popular; dizem que quem manda mesmo em Hollywood hoje é a máfia gay. E a máfia gay não quer ganhar dinheiro, quer é vender pontos de vista, mesmo que os filmes não façam sucesso. (Todos os filmes contra a guerra do Iraque encalharam nas bilheterias, mesmo assim foram produzidos às dezenas).

Os gays representam apenas entre 2% e 5% da população, no entanto na indústria do entretenimento eles ocupam uma proporção muito maior. (Na indústria da moda, então, devem corresponder a uns bons 90%.)

Existe mesmo uma máfia gay? Bem, segundo Michael Ovitz, existe sim. Todo sitcom televisivo que se preze tem pelo menos um personagem gay. A temática gay está cada vez mais presente nos filmes de Hollywood, e onipresente na televisão. Os atores mais em voga ultimamente - Leonardo di Caprio, Tom Cruise, Brad Pitt - são meio afeminados ou, pelo menos, metrossexuais.

Outra preocupação dos gays é com o Politicamente Correto. De fato, quem impõe a cultura "politicamente correta" são, ao menos segundo este blogueiro, principalmente as mulheres e os gays. Segundo ele, em áreas do entretenimento onde não há muitas mulheres nem gays, como no hip hop, o "politicamente correto" não impera.

Mas no cinema e na TV, sim. Este ano a série 24 parece ter sido remodelada pelos roteiristas para a Era Obama (vem depois da Era de Aquário). Agora Jack Bauer, em vez de lutar contra terroristas nos EUA, vai para a África ajudar as criancinhas famintas. Depois será julgado por "tortura" em Washington.

E o James Bond gay, quando é que virá?


Atualização: Dez pensamentos politicamente incorretos de Victor Davis Hanson.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Férias obâmicas

Este blog vai tirar alguns dias de férias na semana que vem. Um pouco porque ando cansado de falar de política depois de toda essa novela das eleições, um pouco porque tenho a impressão de estar perdendo muito tempo que poderia estar utilizando em coisas mais interessantes ou úteis.

Além disso, decidi uma coisa que talvez surpreenda muitos leitores, mas é o seguinte: vou dar uma chance ao Obama. É isso aí, vamos ver o que o negão novo presidente vai aprontar. ;-)

Ele é certamente inteligente - tem que ser, pra chegar aonde chegou - e quem sabe não aprende alguma coisa e se revela um líder competente e eficaz?

Duvido muito, é óbvio. Quase todas as suas conexões prévias são com tipos estranhos ou até criminosos, e as idéias que apresentou até agora são demasiado coletivistas para o meu gosto. Tem carisma, OK. Mas Hitler, Stalin e Mussolini também tinham.

Mas confesso que achei divertido que as suas primeiras nomeações já incomodaram os esquerdistas mais afoitos: para Chefe de Gabinete, um certo Rahm Emmanuel, judeu-americano que serviu no Exército de Israel e é filho de um ex-membro do Irgun. Para Secretário do Tesouro, ainda não é certo, mas o nome mais cotado é Larry Summers, que havia perdido o cargo de diretor de Harvard por uma frase políticamente incorreta sobre as mulheres. Claro que são elementos acessórios que nada tem a ver com a função que eles vão desempenhar, e que não indicam de modo algum que a política de Obama vá ser anti-minorias ou pró-Israel (aliás podem ser apenas cobertura para cargos mais importantes dados a sujeitos mais radicais).

De qualquer modo, já poder ver blogueiros pró-árabes e feministas irritados com Obama não tem preço... Ah ah ah!

Tenho a impressão que os que mais vão terminando por odiar Obama são os radicais marxistas com estrelinha vermelha no chapéu que querem a Revolução agora e já, eh eh eh. (Isso sem falar em certos comentaristas panacas do Weblog do PD).

Já do lado estatista, as notícias não são boas. Obama acaba de anunciar que em seu governo estudantes secundaristas e universitários serão obrigados a realizar cem horas por ano de serviços comunitários. É, você leu bem: obrigados. Parece que Michele Obama tinha razão, "Obama will demand you to work"...

Enfim: por pior que Obama seja (e pode ser muito ruim) não sou americano e existem poucas coisas que ele possa fazer no seu mandato que me afetem diretamente - salvo arrebentar de vez com a economia (mas isso, parece, vai acontecer de qualquer jeito, faça ele o que faça), ou então realizar uma c***da tão grande na política externa que a Al-Qaeda e o Putin detonem uma bomba nuclear na Califórnia nos próximos dois anos. E isso, embora possível, não parece ainda muito provável.

Vamos aguardar novas informações. E, enquanto Obama não me obriga a trabalhar para ele de graça, saio de férias.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Feliz Halloween


Nos blogs locais, os obamistas costumam chamar seus rivais politicos de "haters" ou "racists". Notem bem: nao os tratam como pessoas que simplesmente tem ideias diferentes, mas pessoas odiosas, criminosas ou imbecis.

Curiosamente, quem mais parece espalhar o odio em seus comentarios sao os Democratas.

No outro dia, um obamista enforcou a efigie da Sarah Palin. Consequencias? Nenhuma. Pensando que todos sao iguais, alguns estudantes decidiram fazer o mesmo com Obama. Consequencias? Escandalo da midia, e a Universidade garantindo que vai punir severamente os racistas responsaveis...

Uma das coisas curiosas da esquerda e' o duplipensar. Nas palavras de Orwell, manter dois pensamentos contraditorios ao mesmo tempo.

Tudo o que e' considerado errado ou odioso se vem da direita, pode ser celebrado pelos esquerdistas se vem da esquerda. Basta lhe dar um nome que signifique exatamente o oposto do que o ato representa.

Um exemplo: ha projetos de lei para controlar a midia sob o governo Obama que vao muito alem do que o governo Bush jamais sonhou. Tem alguem reclamando? Claro que nao, os unicos censurados serao os conservadores. O nome da Lei? "Fairness Act"...

A presidencia Obama tem tambem planos de acabar com o voto secreto dos trabalhadores para a filiacao em sindicatos. Hoje, isso e' realizado por voto secreto. Obama quer que seja votacao aberta, o que daria um imenso poder de pressao aos sindicatos e, e' claro, terminaria com a liberdade de escolha do trabalhador. O nome desse projeto? "Employee free choice act"...

Se eu nao soubesse que esquerdistas nao tem o menor senso de humor, acharia que estao de gozacao.

Feliz Halloween a todos.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Historinha americana

Há um mendigo que mora na biblioteca da Universidade. Bem, não exatamente: mora pela cidade, pedindo trocados. Dorme na rua. Mas vai ao banheiro da Universidade para se lavar, realizar as suas necessidades e para utilizar os computadores.

No outro dia estava lá, usando os computadores da biblioteca para assistir filmes pornô hardcore na Internet.

Ninguém falou nada, ninguém o expulsou. Por quê? "Liberdade de expressão", disseram. Não se pode censurar o que ele vê. Tampouco se pode expulsá-lo ou impedir que use o espaço, afinal, a universidade é "pública", mantida parcialmente pelos impostos da população (mendigo paga imposto?).

(O que não entendi é como tem acesso aos programas, que requerem senha só disponível para estudantes ou pessoal da universidade; mas talvez seja um mendigo hacker).

Não é o único homeless que de vez em quando vai ao campus; há mais de um. Causam certo transtorno para os estudantes, é verdade; um sujeito barbado assistindo filmes pornô entre as estudantes calouras é, para dizer o mínimo, algo embaraçoso. E se for um estuprador? Mas não pode ser preso até não realizar nada que seja contra a lei.

Não sei ainda se contar isso como um aspecto positivo ou negativo: não sei se é um exemplo do grande valor que é dado aqui à liberdade, ou um exemplo da atual loucura politicamente correta...

É o país como ele é.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Links sobre minorias

O discurso que Sarah Palin foi impedida de fazer no protesto contra o presidente iraniano anti-semita: "Iran is responsible for attacks not only on Israelis, but on Jews living as far away as Argentina. Anti-Semitism and Holocaust denial are part of Iran's official ideology and murder is part of its official policy. Not even Iranian citizens are safe from their government's threat to those who want to live, work, and worship in peace. Politically-motivated abductions, torture, death by stoning, flogging, and amputations are just some of its state-sanctioned punishments. It is said that the measure of a country is the treatment of its most vulnerable citizens. By that standard, the Iranian government is both oppressive and barbaric. Under Ahmadinejad's rule, Iranian women are some of the most vulnerable citizens."

Lula e o enfático apoio ao casamento gay, surpreendentemente ignorado pela mídia.

O racismo no Brasil, ou como um país miscigenado pode estar virando mais racista graças às políticas identitárias: "Em coisa de 6 anos, desde a ascenção ao poder dessa mistura de Partido Democrata com Partido Comunista da União Soviética que é o PT, os "pardos" desapareceram alegremente numa ilusão de carnaval. Um genocídio conceitual, temos agora um país 50% preto, 50% branco, e já pouco importa que 80% dos brancos sejam algo pretos - como eu - e o evidente vice-versa."

Aliás, Thomas Sowell também fala sobre racismo e cotas racias em sua última coluna. "Part of the problem is the "multicultural" ideology that says all cultures are equally valid. It is hard even to know what that means, much less take it seriously as a guide to living in the real world. Will time and energy spent on rap music and wearing low-riding baggy pants like guys in prison— as badges of identity— provide as good a future for young people as learning math, computers and the English language?"

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Loucademia universitária

Antigamente as universidades eram consideradas templos do saber. Hoje mais parecem usinas de produção de loucura. Abaixo, trechos de uma dissertação de mestrado de Antropologia sobre a "sexualidade camponesa". Está disponível online para quem quiser ler, mas não cito a fonte diretamente para não embaraçar ainda mais seu autor (erros de português em vermelho):

Rapidamente já éramos oito homens no meio da caatinga. Neste ínterim, começaram todos a se tocar, a se acariciar, em silêncio, ouvi-se apenas os sussurros, os insetos e os pássaros nas moitas. Corpos suados, homens despidos, naquela penumbra da noite, em que não dava para saber, pois a intenção era experimentar o acontecimento, quem era o “ativo” ou o “passivo” no intercurso sexual, quem era André, Tadeu, Juca, Joaquim, Ivo, Mário etc. Apenas corpos, exalando um cheiro intenso de esperma. Pura criação. Ao término, quando os pais-de-família ejacularam, André finalmente quebra o silêncio e diz: vão na frente. Depois eu, Tadeu, Mário, Ivo e Paulo [antropólogo] vamos depois!

Nesse contexto, quanto mais mal-dito eu ia me tornando, via rumores, mais os homens goiabeirenses me procuravam, na maioria das vezes, excitados, falando sobre o tamanho dos seus pênis e de suas performances sexual para com as mulheres e animais.

Não se trata de identidade homossexual, não se trata de identidade cultural, mas das infinitas possibilidades do corpo. Os mal-ditos viados de Goiabeiras, é válido ressaltar que eles não assumem nada, engendram uma máquina de guerra estética, alicerçada por uma ética e por uma estética dos afectos, que faz ricochetar os ditames do parentesco, como veremos. Este corpo-receptáculo para o gozo, receptor do sêmen do Outro, faz acontecer ritos iniciático, no âmbito das sexualidades, com muitos jovens imberbes no vilarejo. Gerações passam por este corpo-receptáculo mal-dito. Meninos-homens que experimentam os prazeres da carne com o mesmo e concomitantemente com suas esposas e animais.

Por que o camponês no Brasil parece cumprir uma missão divina (cristã e acadêmica) em que a sexualidade, na grande maioria das pesquisas, é para a reprodução da espécie? Esta dissertação tem como principal propósito da vazão ao corpo, fazê-lo gozar.

O que explica esse disparate pornográfico, entremeado com citações a Barthes e Foucault?

O problema é a educação. Uso essa frase feita com um outro sentido: o problema não é a falta, mas o excesso de educação. De um certo tipo de educação, é claro.

Parafraseando Rousseau, o homem não nasce esquerdista. É a sociedade que o transforma. Ninguém nasce acreditando na necessidade da "justiça social" e na vilania da cultura branca ocidental judaico-cristã; são as escolas, mídia e universidades que transmitem essa ideologia às pessoas. Imagino o professor que corrigiu o trabalho. Citar o "Outro", assim mesmo em maiúsculas? Confere. Utilizar expressões bacanas mas sem sentido como "máquina de guerra estética"? Confere. Criticar a moral cristã ou burguesa? Confere. Falar sem pudores sobre o homossexualismo ou até a pedofilia (meninos-homens) e o bestialismo (animais)? Confere. Citar intelectuais franceses? Confere.

Não tenho dúvidas que o aluno que escreveu a dissertação acima tirou nota máxima, com louvor. Repetiu a cartilha à perfeição.

domingo, 13 de julho de 2008

Notícias bizarras da Europa

1.
A Inglaterra, país com área menor do que a do Rio Grande do Sul, contém 20% das câmeras de circuito fechado (CCTV) de todo o mundo. Agora o governo quer instituir câmeras "falantes". O monitor poderá berrar através da câmera munida de alto-falantes ao sujeito que comete atos "anti-sociais", como jogar lixo na calçada.

Isso quando estudos indicam que as câmeras são ineficientes para impedir o crime, e que medidas mais simples e econômicas, como iluminar melhor as ruas, contribuem cinco vezes mais para a diminuição do roubo e da violência do que as fatídicas câmeras.

Não ocorre a ninguém que os fatores que impulsionam o crime na Inglaterra são a impunidade (o articulista inglês Theodore Dalrymple falou várias vezes sobre isso), e a cultura de leniência do mesmo Labour que impõe as CCTVs. De fato, muitos criminosos violentos são soltos com ligeiras admoestações, e agora há um movimento para que os ladrões não sejam presos, mas apenas realizem trabalho comunitário, afinal, nas palavras de um desses famigerados especialistas, "estatísticas provam que a prisão não conduz a mudança de comportamento, e após serem libertados eles tornam a roubar". Tá certo: melhor nem prender, então...

2.
Na Alemanha, alguns políticos querem dar direito de voto a crianças e bebês, afinal, estes grupos são "excluídos" e "discriminados" por não poderem votar. É o politicamente correto transformado em doença mental. Como diz um blogueiro aí, pena que não tenham pensado em extender o direito aos fetos, assim ao menos se acabaria com o aborto...

3.
Na Espanha, foi votado um projeto que daria proteção de "direitos humanos" aos macacos. Um ativista afirmou que "Este será sem dúvida lembrado como um momento chave na defesa de nossos companheiros de evolução".

* * *

Que mal pergunte... o que há de errado com a Europa? Será que é algo na água?

quarta-feira, 2 de julho de 2008

O direito de se explodir

No post abaixo sobre a ditadura do politicamente correto, não me dei conta que ele talvez possa ser usado contra os próprios politicamente corretos.

Vejam esta bizarra notícia, segundo a qual as feministas da Al-Qaeda reclamam que o grupo terrorista não aceita mulheres-bomba em suas fileiras, pois segundo Al-Zawari as mulheres "devem apenas ficar em casa cuidando da casa e dos filhos dos gloriosos lutadores da Al-Qaeda".

De acordo com a Associated Press, é uma atitude discriminatória da Al-Qaeda, pois "num mundo árabe modernizado em que as mulheres podem trabalhar mesmo em vários países muçulmanos conservadores, a decisão da Al-Qaeda poderia prejudicar seus esforços para obter apoio popular entre as massas"...

Parece que ser terrorista suicida agora é uma forma de trabalho... Será que tem férias pagas?

Talvez devêssemos explorar essa polêmica a nosso favor, fazendo as mulheres terroristas se voltarem contra os homens. Prevejo que em breve as pobres moças discriminadas estarão queimando burkas na rua pelo direito de se explodir.

Feministas do novo grupo terrorista, TPM (Terror Por Mulheres).

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Ocidente versus Ocidente

O colunista canadense Mark Steyn está sedo processado por “islamofobia” no Canadá por uma tal Corte dos Direitos Humanos. Seu crime? Ter escrito um livro, “America Alone”, no qual fala que o terrorismo muçulmano está ligado ao Islã. Não se sabe como ele poderia ter chegado a tão bizarra conclusão. Terá sido porque os homens-bomba gritam “Alahu akbar”? Não se sabe. O que se sabe é que os imams que gritam palavras de ordem nas mesquitas não são processados por “infidelofobia”. Afinal, isso seria “racista”.

Para Mark Steyn, curiosamente, o problema não é o Islã. O problema é o próprio Ocidente, que está em guerra consigo mesmo. É o Ocidente que pune o próprio Ocidente por querer ser “branco, cristão, ocidental” em vez de “multicultural”. Islamitas, naturalmente, tem o direito de criticar o Ocidente. A recíproca nãoé verdadeira. Todas as culturas são iguais, menos a cultura ocidental que é opressora, maligna, imperialista, assassina, injusta, etc.

Mark Steyn está sendo censurado, não pelo Islã, mas por seus próprios colegas canadenses, que acreditam ser os eleitos que podem decidir qual discurso é aceitável e qual não.

Curiosamente, é apenas a prosperidade ocidental que permite que a opinião anti-ocidental em seu seio cresça. Os maiores críticos do Ocidente estão nas suas melhores universidades, na sua mída, são prestigiosos intelectuais, famosas estrelas, empresários milionários ou poderosos políticos.

Se morassem em países comunistas ou islâmicos, não poderiam criticar o regime sob o qual moram com tanta impunidade.Portanto, paradoxalmente, suas críticas ao Ocidente só são possíveis enquanto o Ocidente for livre e próspero. É a liberdade e prosperidade que permite que tais pessoas tenham chegado ao topo e possam cuspir no prato em que comeram.

Há quem argumente que a esquerda é uma espécie de HIV do Ocidente. Enfraquece o sistema imunológico, comprometendo sua defesa. Nesta metáfora de relativo mau gosto, agressores externos como o Islã ou o comunismo seriam apenas as doenças oportunistas como a pneumonia ou o sarcoma de Kaposi, que meramente se aproveitam de um mal-estar já existente.

Sobreviverá o Ocidente a si mesmo? Ou morrerá vítima de suas contradições? E os seus críticos, se arrependerão no derradeiro momento da extinção, quando não mais poderão impor suas idéias, que tão bem os fazem sentir?

domingo, 4 de maio de 2008

Os guardiães de nosso bem

Você certamente já os viu por aí. Estão na esquerda, na direita. No PT, no PSDB, no DEM. Alguns são religiosos, outros ateus. Nas repartições públicas, são milhares. Na mídia, então, nem se fala. Na política, correspondem a 99% do total.

São os guardiães do nosso bem.

As pessoas que nos dizem o que é melhor para nós. Nos dizem que não devemos fumar, beber, nem comer demais. Sabem o que e como devemos estudar, como devemos nos comportar, como devemos pensar, e qual a leitura correta dos fatos que ocorrem no mundo.

Avançam sobre cada vez maiores áreas. Após terem transformado o fumo no oitavo pecado capital, hoje querem acabar com a bebida. Na Inglaterra, tradicional país de beberrões, um plano do Labour Party (recentemente humilhado nas eleições municipais mas ainda no poder geral) quer reduzir o consumo alcóolico dos ingleses. Um articulista local ironizou, exaltando as virtudes da bebedeira desregrada.

Who are they? The people who decide how we should run our lives. The busybodies who say that we can’t smoke foxes or smack our children. The nitwits who say that we should have a new bank holiday to celebrate traffic wardens and social workers. Where do they meet? Who pays their wages? And how do they get their harebrained schemes into the statute books?

Honestly? I haven’t a clue. But I do know this. It’s very obvious that their new target is people who drink alcohol – ie, everyone over the age of eight.

We are told that alcohol rots your liver, makes you impotent, gives you stomach ulcers and turns your skin into something that looks like a used condom’s handbag.

The BBC says that if you drink too much your brain stem will break and you will die. The British government tells us that if a man drinks more than two small glasses of white wine a day he will catch chlamydia from the barmaid in the pub garden after closing time. Rubbish. If a man drinks two small glasses of white wine every day it’s the barman he needs to worry about.

Eu disse que eles estão à esquerda e à direita, entre os "progressistas" e os "conservadores". De fato, embora os motivos e métodos variem. Por exemplo, para os conservadores, o problema é que beber em excesso é imoral. Para os progressistas, que não conhecem o conceito de moral, o que importa é o seu impacto na saúde. Por isso também os planos são diversos: enquanto os conservadores tendem a simplesmente limitar ou proibir seu uso (nos EUA em muitos Estados só se pode beber depois dos 21, não se pode estar com bebida na rua, etc), os progressistas tendem a aumentar monstruosamente os impostos sobre a bebida (esse era o plano do Labour), para assim amealhar mais recursos.

Até na nossa vida sexual querem se meter. No Equador, uma deputada quer instituir na nova Constituição do país uma cláusula que diga que "toda mulher tem direito ao prazer sexual". Não se sabe como isso seria cumprido e verificado. Irá a Polícia do Orgasmo visitar os casais? Prenderá os maridos que não cumpram com seu dever?

O homossexualismo e as drogas também são temas de discussão. Só que aqui, curiosamente, ocorre o contrário: os progressistas, que querem proibir cigarro e bebida, tendem a querer liberar as drogas e todo tipo de comportamento sexual. Pode parecer contraditório, mas na verdade se explica facilmente: as drogas legalizadas seriam nova fonte de impostos, e não há nada que um progressista goste mais do que novos impostos. Já os conservadores não gostam das drogas nem do homossexualismo pois os consideram imorais.

Nesse sentido, na direita, os libertários são mais parecidos aos esquerdistas do que aos conservadores: também querem liberar o homossexualismo e as drogas. Mas há uma diferença. Os libertários são da política do "não se meta com a vida do indivíduo", diminuindo a ação do Estado e sua capacidade de proibir ou coibir qualquer tipo de comportamento. Os progressistas, ao contrário, querem ter o maior poder estatal possível para justamente promover os comportamentos que lhes parecem justos, para se meter na nossa vida e nos dizer o que é bom e o que é mau. Assim ensinam homossexualismo nas escolas e promovem o aborto entre os adolescentes. Tiram as armas de circulação para que não nos machuquemos. Nos dizem quantas calorias devemos comer por dia e quantas horas de televisão podemos assistir.

Os esquerdistas, então, são parecidos com os conservadores na sua sanha moralizante, mas, de novo, há uma diferença. Enquanto os conservadores se baseiam na moral religiosa e na tradição, ou seja, na experiência de vida acumulada ao longo de centenas ou milhares de anos - a depuração, em suma, daquilo que demonstrou funcionar em uma sociedade - os progressistas querem criar uma Nova Moral, que não se baseia na religião nem no conceito de "certo" ou "errado" e nem mesmo na experiência, mas em achismos erráticos, naquilo que eles acham que é melhor para nós em base às modas do momento. Até onde pude entender, seus novos deuses são a "saúde", a "ecologia" e a "liberdade de opção sexual". Mas seria necessário um estudo mais aprofundado.

Viva os guardiães do nosso bem!

Bonecos malvados que fumam, bebem e usam armas.