Domingo, 5 de Julho de 2009

Bolcheviques e reacionários

Vergonhosa a posição (quadrúpede) de Barack Hussein O'bama apoiando o chavista hondurenho. Jamais um presidente norte-americano desceu tão baixo, isto é, se não contarmos quando o mesmo curvou-se ao rei saudita. Mas, na verdade, Obama não é norte-americano. Quero dizer, mesmo que tenha realmente nascido na América (o que não é 100% certo, só acredito com o certificado original na mão), ele não se considera americano, considera-se um "cidadão do mundo", perceba que sempre fala em nome da "comunidade internacional" e passou o 4 de julho em Moscou. Daria um excelente presidente - da ONU. Mas não defende os interesses norte-americanos, apenas os do seu governo (como o PT, confunde governo com Estado) e/ou os do progressismo internacional. Sad, but true.

Daniel Ortega, Zapatero, Chávez, Evo, o Casal K, os irmãos Castro, Obama, e toda a corja neo-bolchevique internacional unem-se contra as decisões de um minúsculo país da América Central. Covardia pouca é bobagem. (Update: avião do ex-presidente foi impedido de pousar; parece que a vitória final será hondurenha).

Mas precisamos entender os esquerdistas. Lenin e Stalin podem ser acusados de tudo, menos de serem idiotas. Suas lições valem até hoje. Para enfrentar os bolcheviques, é preciso tenacidade. Eles não hesitam em usar todas as armas, legais ou ilegais, para obter o que desejam. Não hesitarão em matar milhões se assim for necessário. Não hesitarão em mentir, difamar, fraudar eleições, esquartejar, torturar, ao mesmo tempo em que acusam suas atônitas vítimas de estarem fazendo justamente isso. "Acuse-os do que você faz", etc.

O problema da direita é que é demasiado bem-comportada, mas não há jeito. Estes dias estava lendo o blog de um certo Mencius Moldbug (pseudônimo, lógico), que parece ser uma figura de culto na blogosfera, uma espécie de Spengler ainda mais radical. Escreve posts quilométricos com teorias complicadíssimas e praticamente ilegíveis (só consegui ultrapassar alguns parágrafos), é radical demais até para o vosso ocasionalmente delirante Mister Équis, já que declara-se abertamente antidemocrático (ele diz que esse negócio de democracia é frescura de mero "conservador" - ele diz ser um reacionário). Mas, no meio das loucuras, afirma uma coisa interessante:

The difference between Right and Left is that, since Left is antinomian and Right pronomian (*), political crime generally works for the Left. (...) For exactly this reason, political crime only rarely works for the Right. Therefore, as a practical and objective matter, leftists are advised to be as devious and ruthless as they can get away with. Whereas rightists should make a habit of rigorous obedience to the law - not only because it is more righteous, but also because it is more effective.

Political murder, creepy stonewalling, mass demonstrations, personality cults, popular elections, crusading journalism, mob intimidation, mendacious pseudohistory, revolutionary cells, direct mail and academic mafiosi: for left against right, all are threads in the great pageant of revolution. For right against left, all but the last are sewage in the great cabernet of reaction.


(*) An.ti.no.mi.an.ism:
  1. Theology. The doctrine or belief that the Gospel frees Christians from required obedience to any law, whether scriptural, civil, or moral, and that salvation is attained solely through faith and the gift of divine grace.
  2. The belief that moral laws are relative in meaning and application as opposed to fixed or universal.
Resumindo: como a esquerda não acredita na lei e na moral (ou ao menos em uma lei e uma moral fixa e universal), pode permitir-se tudo. Tudo mesmo, do fuzilamento de burgueses à morte de bebês. A direita, constrangida pelas leis e pela moral, não pode - ou deixaria de ser "direita". Faz sentido?

Vale tudo.

Poema do domingo

Whose woods these are I think I know.
His house is in the village, though;
He will not see me stopping here
To watch his woods fill up with snow.

My little horse must think it queer
To stop without a farmhouse near
Between the woods and frozen lake
The darkest evening of the year.

He gives his harness bells a shake
To ask if there's some mistake.
The only other sound's the sweep
Of easy wind and downy flake.

The woods are lovely, dark and deep,
But I have promises to keep,
And miles to go before I sleep,
And miles to go before I sleep.

Robert Frost (1874-1963)

Sábado, 4 de Julho de 2009

4 de Julho: EUA na encruzilhada

Um estranho 4 de julho, hoje. Uma América dividida: Obama ainda tem bastante apoio popular, mas o número dos que se desapontam não pára de aumentar. Tem a ver, provavelmente, menos com a política externa covarde (que se recusa até a apoiar sanções ao Irã) e mais com a economia: desemprego em 10%, crise na bolsa, previsões de queda do dólar, trilhões em dívida. E qual a solução de Obama? Aumentar impostos e gastar ainda mais trilhões em um impopular sistema de saúde pública. Curiosamente, o presidente socialista vai passar o 4 de julho na Rússia, provavelmente em busca de inspiração. É a América rumo ao sovietismo, e à conseqüente ruína. Ou, como diz a piadinha que coloquei lá abaixo:

Recession is when your neighbour loses his job.
Depression is when you lose your job.
Recovery is when Obama loses his job.

Do outro lado, estão em aumento movimentos populares contra o gasto público como as Tea Parties, mas sem qualquer líder reconhecível. De fato, os maiores críticos de Obama, até agora, foram o radialista Rush Limbaugh e o ex-vice Dick Cheney, que não são exatamente as figuras centrais do Partido Republicano. Sarah Palin, que surpreendeu ontem com sua renúncia ao governo do Alasca, promete concorrer em 2012, e talvez se una às vozes discordantes. Mas por ora os Republicanos andam mais perdidos que cego em tiroteio, sem força e sem voz.

De qualquer modo, é possível que os EUA estejam mudando, quer dizer, tenham já mudado. Obama não é causa, é sintoma. O fato de que ele tenha sido eleito mostra que a população americana mudou, que não é mais um país de maioria conservadora mas sim progressista. Vejam por exemplo esta nota sobre uma escola privada, das mais caras da Califórnia, em que os alunos decoram murais com símbolos comunistas e com a folha da marihuana. O que estão ensinando a essas crianças?

Não apenas isso, como também demograficamente os EUA estão mudando radicalmente, como mostra o mapa interativo aqui.

Some-se a isso uma crise econômica mundial, um panorama externo ameaçador (Kim Jong Il promete trazer seus próprios fogos de artifício para o 4 de julho), e um momento de transformação mundial, em modos que sequer conseguimos compreender agora, e tem-se uma situação bem preocupante. O que acontecerá?

United we stand, divided we fall.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Um tosco blog esquerdista às sextas

Por Marcelo Augusto

O blog tosco da semana possui um nome que talvez diga muito sobre as entranhas mentais de seus idealizadores: Cloaca News. A cloaca, para os que não sabem, é a câmara onde se abrem o canal intestinal, o aparelho urinário e o aparelho genital das aves, dos répteis, e dos peixes cartilagíneos.. Algo próprio dos quadrúpedes, dos animais com barbatanas ou daqueles que rastejam -- ou, ainda, esquerdistas voadores.

A suposta missão do blog é desmascarar a máfia midiática que infesta nosso país. Dar nome aos ratos e aos sabujos. Hum... talvez esse tipo de jornalismo siga a linha idelberiana de pensamento: Calar-se diante dos fatos que lhes são mais convenientes.

Esse foi o blog que protagonizou um triste episódio contra a jornalista judia Renata Malkes.

Ela foi acusada de ser a favor do movimento sionista; de celebrar o Eretz Israel (engraçada essa gente: crucificaram a moça por, supostamente, celebrar isso, mas dão apoio incondicional a presidentes de autocracias teocráticas de cunho messiânico e que esperam o retorno do Imame); de auê belicista; intenso racismo anti-árabe; de que serviu ao Exército israelense; e coisas tais.

É uma situação interessante, pois o Cloaca News fez a mesma coisa de que acusa a tal da "mídia golpista": Mentir. Coitada da jornalista que se viu rodeada por acelomados políticos.

É uma gente que não passa de uma cambada de intelectualóides tagarelas que consideram seus "talentos" subaproveitados pela sociedade em que vivem e lhes nega posições de maior prestígio, daí que necessitam derrubar a ordem social vigente e seus valores mais fundamentais, como a liberdade de expressão e, por consequência, de imprensa, para obter aquilo que seus méritos pessoais são incapazes de atingir.

No fundo, no fundo, é uma gente frustrada, sem autoestima e autorrespeito, que projetam o ódio em causas impossíveis (derrubar a liberdade de imprensa, por exemplo) o fato de serem indivíduos medíocres e que, muito dificilmente, farão algo de prático na vida. Quando uma pessoa não possui méritos pessoais ou sequer procura progredir para obtê-los, a liberdade se torna um fardo, daí que é muito mais conveniente tagarelar sobre supostas grandiosidades futuras (e, muitas das vezes, assassinas e inatingíveis) a ter que se dedicar a tarefas mais simples. O ódio fanático e passional é capaz de dar significado e próposito à uma pessoa que tem uma vida estéril e vazia.

Parece que os redatores do Cloaca News são deuterostômios
e, nesse caso, o blastóporo não dá origem à boca, mas, sim ao ânus -- no caso deles, à cloaca.

P.S: Renata Malkes, até hoje, ainda não recebeu nenhum pedido de desculpas dessas pessoas. E nem vai receber! Pessoas sem discernimento são incapazes de análisar uma dada situação e concluir que precisam se desculpar.

O incrível fim da civilização européia


Houve uma civilização que, nos últimos 500 anos, espalhou-se pelo globo dominando quase todas as outras culturas, da Ásia à América à África. Muitas vezes seu domínio foi impiedoso e cruel, outras vezes iluminado e emancipador. Tal civilização ainda tinha em si os ecos da cultura greco-romana, mas era fundamentalmente monoteísta, seguindo um culto originado entre os hebreus. Talvez mais do que uma única civilização deveríamos falar em um conjunto de povos, que no entando tinham certas características que os uniam, e formavam de fato algo que podemos chamar uma "civilização". Havia três características que se mantinham sempre uniformes. Essa civilização era:

Européia.
Branca.
Cristã.

Não critico, não elogio, não julgo, apenas observo: tal civilização está hoje desaparecendo. Ou, se não desaparecendo, ao menos em evidente decadência. Recuou de praticamente todas as posições coloniais em que dominava (em uma das últimas, a África do Sul, onde por anos ainda dominou com o injusto apartheid, hoje os brancos fogem, assediados pela violência e pela perseguição governamental. A África do Sul e sua desgraça post-apartheid, o fim da promessa da "democracia racial", aliás, daria um outro post).

Mas se fosse só isso, tudo bem. O problema é que em seus próprios países de origem a cultura européia encontra-se assediada por outras culturas. A seguir a tendência demográfica, em vários países, nas próximas décadas, os brancos europeus serão minoria na própria Europa (nos Estados Unidos, ex-colônia européia, já quase são).

O curioso é que foi a própria civilização branca européia cristã que impingiu esse destino a si mesma, em nome da diversidade cultural, do estado de bem-estar, do aborto, da eutanásia, do homossexualismo, do ecologismo, do ateísmo, do esquerdismo, etc etc etc. Parece que estou falando de coisas díspares, mas não estou não: a "diversidade" é obtida com a imigração massiva de muçulmanos, africanos e asiáticos, que em geral têm mais filhos do que os nativos, e vão suplantando a população local. O estado de bem-estar social se encarrega de sustentar os imigrantes e suas crianças, ao mesmo tempo em que paralisa a economia. O aborto, a eutanásia e o homossexualismo, não importando seus possíveis méritos, conduzem todos a uma taxa de natalidade cada vez menor. Ecologismo, ateísmo e esquerdismo também levam, por motivos diferentes, a uma tendência a ter menos filhos, ao menos segundo pesquisas recentes que mostram que os religiosos e conservadores reproduzem-se mais.

A continuar nesse ritmo, a Europa não chega ao fim do século como tal.

Não é incrível que se tenha chegado a tal ponto?

O que explica o sucesso anterior da Europa, e o seu atual fracasso?

Alguns acreditam que o grande segredo do êxito da civilização européia tenha a ver com o fato de ser branca, ou seja, a raça (segundo as teorias racialistas). Mas não acredito muito nisso. Meu principal contra-exemplo é a Argentina. Eis um país que acabou com quase todos seus índios e negros, que é 90% europeu (espanhóis, italianos e ingleses), e no entanto, é hoje uma das mais incríveis histórias de desastre da América Latina. E, além disso, é a própria elite branca quem está implantando essas políticas suicidas na Europa. Fariam isso se fossem espertos?

Outros acreditam que o motivo seja a religião. De fato, apogeu e decadência de um e outro coincidem. O cristianismo está em franco retrocesso na Europa, com cada vez menos seguidores e importância. Será que a morte de Deus equivale à morte de uma civilização?

Outros ainda acreditam que o culpado seja o marxismo, que criou uma geração que odeia os próprios valores tradicionais ocidentais europeus - ou seja, quer destruir-se a si mesma.

Alguns acham que é simplesmente a exaustão: duas guerras mundiais com milhões de mortos, guerras que trucidaram os melhores jovens de uma geração, de fato, não são de se menosprezar. É possível que a civilização européia esteja morrendo de cansaço e de culpa.

Ou talvez seja apenas um ciclo. As civilizações, como as plantas, como as estrelas, nascem e morrem.

O fato é que é um fenômeno deveras surpreendente, se pensarmos que há meros cem anos os europeus e seus descendentes ainda dominavam completamente o mundo, ainda que a ferro e fogo e exploração.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Obamanabucodonosor

O Not Tupy tem uma teoria interessante: Obama é inimpichável:
Se O. J. Simpson, um troglodita imbecil, fez negros e brancos quase cerrar fileiras de guerra pelo fato de ser julgado por matar sua mulher, imagine o que ocorreria com a queda do profeta?
De fato, mesmo apenas nos seus primeiros seis meses, Obama já fez coisas que a nenhum outro comum mortal seriam permitidas, muito menos a um branquelo qualquer. Por exemplo, na sua campanha, prometeu que JAMAIS aumentaria os impostos de qualquer um que ganhasse menos de 250.000 dólares ao ano. Está aqui, a sua frase de 2008:

"I pledge to you that under my plan, no one making less than $250,000 a year will see any form of tax increase. Not income tax, not capital gain taxes, not any kind of tax."

Bem... Hoje seu governo já está desconversando, nega-se a afirmar que a classe média não vá receber novos impostos, já criou um imposto novo sobre os cigarros e pensa mesmo criar novos impostos sobre a eletricidade, a gasolina e até sobre a Internet.

O grande truque, verdadeiramente genial, é o seguinte: tais impostos não vão ser chamados de "impostos", mas de "contribuições provisórias" (epa!), ou "fundo verde de prevenção ao aquecimento global", etc.

Em um país tradicionalmente avesso a aumento de impostos, não é um feito menor.


Atualização: Uma piadinha obamiana:

Recession: When your neighbor loses his job.
Depression: When you lose your job.
Recovery: When Obama loses his job.

Sem moral

Idelber, que não fez UM ÚNICO POST SOBRE AS ATROCIDADES NO IRÃ, está apavorado com o que está ocorrendo em Honduras, onde nenhum manifestante pró-Zelaya foi morto ou sequer ferido. Aliás a imensa maioria dos manifestantes são pacíficos e contrários a Zelaya: vejam fotos de tais manifestações pró-"golpe" em dois interessantes blogs hondurenhos, este e este. Violência? Se houve, está bem escondida pela "mídia golpista".

Já Lula, que elogiou a democracia iraniana, desconversou a fraude e disse que o massacre era mero fla x flu, agora pede "democracia" em Honduras. Ao lado de Khadafi, que está há meros... 40 anos no poder.


Por que deveríamos dar ouvidos a essa gente? Que moral eles têm para falar?

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Gays vs. negros vs. latinos, ou: Papel, pedra, tesoura

Faz um tempo escrevi um post sobre a Proposition 8 e como negros e latinos haviam votado contra os gays, que são na maioria brancos, mostrando uma divisão entre a chamada "coalizão arco-íris" que vota Democrata. Hoje leio que Perez Hilton, o militante gay e drama queen que detonou Miss Califórnia, levou um soco de um cantor negro e terminou chorando. Curiosamente, o mesmo público esquerdista que apoiou sua guerrinha particular contra Carrie Prejean, a Miss Califórnia cristã, hoje o critica por ter se metido com um rapper da moda.

Andrew Breitbart explica que tudo na sociedade liberal de hoje funciona como um jogo de papel, pedra e tesoura:

"Negro ganha de branco. Gay ganha de branco. Negro ganha de gay."

Poderíamos continuar infinitamente: Judeu ganha de cristão. Palestino ganha de judeu. Palestino ganha de gay. Mulher branca perde de homem negro (vide o caso Hillary). Mulher negra ganha de homem negro. Pobre ganha de rico. (O coringa é uma mulher, negra, lésbica, muçulmana, abortista e pobre).

Mas e os latinos? Os latinos, ou melhor dizendo os mexicanos mestiços indígenas, também estão na parada, e lutam violentamente contra os negros. Sim, violentamente é a palavra certa. Gangues de um e de outro grupo disputam território na cidade. Mas, mesmo fora do ambiente das gangues, um povo não tolera o outro. Em muitos casos, odeiam-se e desprezam-se mutuamente.

E, de fato, ambos competem pelos mesmos benefícios estatais. Os negros vêem os latinos como usurpadores que estão começando a roubar as regalias às quais antes só eles, membros da principal minoria oprimida americana, tinham direito. (Os negros são totalmente contrários à imigração ilegal, como indica este excelente artigo do City Journal). Já os mexicanos, que não se sentem culpados por escravidão nenhuma (há poucos negros no México), vêem os negros americanos como um empecilho na sua luta para obter as vantagens da ação afirmativa.

No momento em que a minoria não-branca em breve se tornará maioria nos EUA, é interessante - ou assustador, dependendo do ponto de vista - observar o que poderá acontecer.

Gays, negros, e latinos.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Ditocracias e demoduras

Uma coisa estranha está acontecendo na América Latina. Os ex-revolucionários esquerdistas estão utilizando elementos da "democracia" (referendos, compra de votos, fraude, decisões judiciais, etc.) para modificar a constituição de seus países e aumentar seus poderes ou permanecer mais tempo no poder ou realizar políticas transformativas inéditas. Do outro lado, um presidente é deposto por militares por desrespeitar a Constituição do país. Quem é ditador, quem é democrata?

Argumento que existem - ou deveriam existir - valores que devem permanecer invariáveis às modas ou desejos do momento. Se El Presidente organiza um referendo de forma anti-constitucional, deve naturalmente ser impedido, tenha ou não apoio popular. Como pergunta o leitor Chesterton, pode um presidente fazer um plebiscito para eliminar a propriedade privada? Bem, poder, pode. A questão é se deve.

Além disso, a democracia é importante, mas não é tudo. Afinal, mesmo mantendo-se dentro dos limites democráticos, um líder pode muito bem fazer grandes estragos em um país. Nossa história que o diga.

Dito isso, tecnicamente o que ocorreu em Honduras tampouco foi exatamente democrático, afinal encerrou precocemente o mandato de um presidente antes do seu término legal. Foi um golpe ou não? Há margem para dúvidas. Não estou muito por dentro do panorama hondurenho, mas, se a descrição do Wall Street Journal estiver correta, não me parece haver tanto motivo para escândalo.

Enquanto isso, Obama, na contramão do povo hondurenho que apoiou em maioria a decisão, criticou bastante o golpe e disse que "não foi legal". Curiosamente, o mesmo presidente albino parece ter criticado Álvaro Uribe por pensar em uma extensão de mandato. Ué. Mas não é o mesmo que o Zelaya queria, de modo muito mais explícito, e contando ainda com perigosa influência externa (chavista)?

Toda a opinião da tal "comunidade internacional", isto é, na verdade, um seleto grupo de políticos palpiteiros na União Européia e nos EUA e na AL, parece ser contrária à demissão do ex-mandachuva hondurenho, o que pode indicar a volta de Zelaya. Mas será mesmo que ele poderia voltar?

É um pouco bizarro que tantos se metam nas decisões da Suprema Corte e o Congresso de Honduras, quando os mesmos tanto hesitaram em criticar algo bem mais nefasto que ocorria no Irã. Pareceria que o ocorrido em Honduras incomoda bastante os progressistas internacionais. Pergunto-me por quê.

Honduras no tempo da democracia Maia.

As velhas abertas da América Latina

Presidente removido em Honduras. Golpe, ou, ao contrário, defesa da Constituição contra atos ilegais? A melhor explicação dos eventos. A resposta de Chávez: cão que late não morde? Obama, aparentemente contrário à remoção do presidente, insiste no diálogo. Enquanto isso, na Argentina, o casal K - amiguíssimo de Chávez - leva pau nas eleições legislativas. Estamos vivendo uma repetição de velhos temas, ou algo novo?

Open thread sobre a América Latina.

Zelaya pede dicas de democracia ao amigo Fidel.

Os gays e o fim da amizade

Li um artigo bem interessante que afirma que o casamento gay é um equívoco e um sintoma da decadência ocidental, quando leis e direitos submetem-se a caprichos da hora. O autor faz uma comparação com a decadente Roma antiga, quando imperadores como Nero e Elagábalus casaram-se com seus escravos. Para o autor, o problema não são as relações homossexuais, que sempre existiram e sempre existirão, mas a destruição do conceito tradicional de casamento em nome de uma fictícia "igualdade". Não sei se concordo, mas o artigo faz refletir.

Mas mais interessante ainda foi a teoria que encontrei em meu passeio diurno pelos lugares mais recônditos da blogosfera, e quem a afirma é justamente uma leitora lésbica: segundo ela, a aceitação do homossexualismo acabou com a amizade masculina. Hein? Explico.

Em "Dom Casmurro" de Machado de Assis, há várias páginas em que o personagem Bentinho comenta a sua grande amizade por Escobar. Hoje já há críticos que vêem aí uma suposta atração sexual, e há mesmo teses de Doutorado sobre o tema, como esta:

Resumo: A partir de uma perspectiva queer desenvolvo uma análise do romance Dom Casmurro centrada no triângulo amoroso Bento-Capitu-Escobar. A ênfase é na homossociabilidade masculina em que o elo entre Bento e Escobar permite compreender as relações nas quais se assentava o patriarcalismo brasileiro da segunda metade do século XIX. A relação triangular permite explorar os limites que marcavam a compreensão das identidades de gênero masculina e feminina e, sobretudo, o temor e a recusa violenta da transgressão da ordem patriarcal da época, quer por uma mulher supostamente adúltera quer por um homem enamorado do provável amante de sua esposa. O vértice do triângulo é sempre um/a Outro/a e por mais que o identifiquemos com uma personagem ela é apenas o simulacro do que sua época e sociedade rejeitavam como desestabilizador da ordem vigente das relações amorosas.
(Esse deve ter tirado 10 só por ter usado a palavra "simulacro". Mas continuemos.)

Montaigne, em seus famosos ensaios, escreveu muitas páginas sobre grande sua amizade com Étienne de la Boetie, em frases tão exaltadas que também há hoje quem o considere um autor gay, não obstante fosse Montaigne conhecido em sua época por ser um mulherengo de marca maior.

Eram tais autores ou personagens realmente homossexuais? É claro que não. É que hoje, a amizade masculina tornou-se problemática. "Aí tem", pensam as pessoas ao ver dois homens que andam sempre juntos. A inocência acabou.

Mas acredito que a leitora lésbica não esteja de todo correta, pois o problema não se restringe à questão homossexual, mas encompassa todas as relações da vida moderna. Tudo é visto como sexual, mesmo o que não é.

Por exemplo, antigamente era natural que um adulto acariciasse a cabeça ou o rosto de crianças estranhas em sinal de afeto. Hoje, se alguém faz isso em um parque e não é o pai da criança, é bem capaz de ser visto como um maníaco sexual.

A liberação sexual, paradoxalmente, transformou tudo em sexo, mesmo o que não era, e assim envenenou as relações não-sexuais entre as pessoas. Ai de você se elogiar sua secretária ou sorrir para sua aluna: é assédio sexual. Nos Estados Unidos, ao menos, chegou-se a um nível de paranóia tal que qualquer olhar ou toque pode ser motivo de processo.

Acredito que o Brasil vai pelo mesmo caminho, embora em sentido inverso: por exemplo, dois juízes, em casos diferentes, já decretaram que um adulto que transa com crianças de doze anos, seja a garota sua "namorada" ou uma prostituta infantil, não é crime. Essa aceitação da pedofilia gera, paradoxalmente, uma paranóia cada vez maior com as relações não-sexuais: qual o pai que em sã consciência vai deixar um adulto estranho chegar perto de seu filho ou filha, sabendo que hoje no Brasil tá tudo liberado?

Batman e Robin: só amizade?

Atualização: o post ficou meio confuso; não tinha um ponto específico, mais citar várias idéias e artigos lidos recentemente sobre a sexualidade na sociedade contemporânea e as mudanças que estão ocorrendo, mas terminou misturando alhos com bugalhos. Aqui o Victor Davis Hanson fala sobre uma questão parecida. Quanto ao casamento gay, parece-me que não é uma questão de "igualdade", esse é apenas o discurso, o que se busca é alavancar minorias com direitos superiores aos demais e destruir os alicerces da sociedade tradicional. Outros se perguntam: será que depois dos direitos dos gays, virão os direitos dos pedófilos, como as notícias linkadas dão a entender? Ou o dos polígamos? Esse é o argumento da "slippery slope". Aqui a La Shawn Barber explica. Links, links, links. E afinal, Batman e Robin são gays?

Alienígenas controlam a Terra

Às vezes penso que é tudo um plano maligno. Que uma raça alienígena substituiu os líderes dos países mais poderosos da Terra por completos imbecis, com o intuito de enfraquecer mortalmente a humanidade, de modo a que não ofereça resistência quando a invasão chegar. É a única explicação possível.

Por exemplo, esse pensamento mágico que todos hoje parecem depositar no "diálogo", mesmo nos momentos mais esdrúxulos.

O Javier Solana, presidente da União Européia, no mesmo dia em que os iranianos acabam de seqüestrar embaixadores britânicos, continua dizendo que "não vai interromper o diálogo". Como pode alguém ser tão burro? O que o Irã precisaria fazer para que o tal diálogo fosse interrompido? Estuprar sua mulher? Imaginemos por um momento que os mulás radicalizassem ainda mais e cortassem as cabeças dos diplomatas ingleses. Quais terríveis medidas os europeus poderiam impor? Ahmadinejad sabe que estão blefando, por isso deita e rola.

Lamentavelmente, hoje os "dialoguistas" não estão só na Europa. Eis aqui o que diz o panaca maligno Axelrod, assessor e mentor de Obama:

"We are not looking to reward Iran. We are looking to ... sit down and talk to the Iranians and offer them two paths. And one brings them back into the community of nations, and the other has some very stark consequences,"

De qual "comunidade de nações" esse idiota está falando? Ela inclui Sudão, Coréia do Norte, Arábia Saudita e Rússia? E quais serão as "dramáticas conseqüências" que se seguirão se o Ahmadinejad continuar espancando o próprio povo e insultando os EUA? Mais outro discurso amoroso de Obama?

Não que eu ache que o diálogo com nações inimigas seja de todo impossível, mas isto é ridículo.

Domingo, 28 de Junho de 2009

Poema do domingo

[De Safo a uma jovem inculta que não aprecia a poesia]

E morta jazerás: de ti não restará lembrança alguma, em tempo algum,
e nem mesmo compaixão despertarás:
nas rosas de Piéria não tiveste parte. Desconhecida até na casa de Hades
errante esvoaçarás em meio a obscuros mortos.

Safo de Lesbos (612 b.C. ? - 570 b.C.?)