quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Frozen e as heroínas feministas da Disney

Chega de PT, chega de Dilma. Vamos falar sobre coisas importantes, vamos falar sobre "Frozen, uma aventura congelante". Assisti o filme ontem e gostaria de comentar um pouco. (Quem não viu, saiba que irei contar o final.)

O filme vai na linha das princesas feministas da Disney, algo no qual a empresa tem se especializado nos últimos vinte anos, desde Mulan, Pocahontas, etc. Na realidade, só consigo lembrar de "O Rei Leão" como filme com um bom protagonista masculino, mas confesso que não tenho assistido tanto os filmes da Disney (prefiro o Miyazaki, que, aliás, também prefere heroínas, ainda que raramente princesas, e em geral com uma complexidade bem maior - assistam A Viagem de Chihiro, por exemplo). Bem, mas "Frozen" arrecadou não sei quantos bilhões de dólares, portanto parece que a estratégia deu certo. A roteirista e co-diretora, por sinal, é uma mulher.

Digo princesas "feministas", pois a linha nos últimos tempos tem sido de personagens femininas rebeldes, fortes e independentes que não precisam de homem nenhum. Já em "Brave", da Pixar, isso podia ser notado, embora o filme seja muito bom e até tradicionalista sob certos aspectos. "Frozen", que tampouco é mau filme, embora a meu ver bem mais fraco que "Brave", vai um pouco além no feminismo. Já veremos como.

"Frozen" é supostamente inspirado no conto "A Rainha da Neve", de Hans Christian Andersen, mas a similaridade é praticamente zero, seria como dizer que "Batman" foi inspirado em "Drácula" por ter morcegos. Sério, leiam o conto original. É sobre um menino que é sequestrado pela Rainha da Neve (a qual, apesar de dar o título, pouco aparece na história), e sobre a menina é "quase uma irmã" que faz uma perigosa viagem indo até a Lapônia para salvá-lo. Parece que existe uma versão soviética de 1957 que é fiel a essa história, mas eu não assisti.

Em "Frozen" a Rainha da Neve não é a vilã, mas uma princesa, Elsa, que, por motivos não explicados, tem o superpoder de criar gelo e neve com suas mãos. Por acidente, ela acaba acertando a sua irmã Anna, que é a real protagonista do filme. O incidente faz com que Elsa cresça com medo de seus poderes e isolada de sua irmã Anna. Os pais de Elsa e Anna morrem de repente para sair do caminho, Elsa cresce vira rainha e Anna se apaixona no dia da coroação da irmã por um príncipe encantado. Tudo isso nos primeiros trinta minutos.  

A grande virada do filme é que o príncipe encantado, Hans, é o vilão da história. Ou melhor, ele é parece bonzinho e sincero até quase o final do filme, quando de repente transforma-se num cínico manipulador de corações, interessado em Anna apenas para poder obter o trono, e logo vira um maníaco homicida ao tentar matar Elsa.

A virada é pouco convincente, já que não existe antes nenhum tipo de indicação de que ele seria do mal, e mesmo seus motivos e suas ações, caso ele fosse mau desde o começo, não fazem muito sentido no contexto do filme, pois se fosse mesmo um vilão poderia ter resolvido tudo muito antes.

Na realidade, se formos pensar, ele até demonstra ser um líder mais convincente do que as duas irmãs histéricas: uma abandona o reino para sair construindo castelos de gelo e deixando o povo à míngua, a outra também larga o reino nas mãos de um desconhecido e sai correndo sem qualquer tipo de agasalho ou proteção à procura da irmã em plena floresta invernal, só conseguindo chegar a algum lugar ao ser ajudada pelo segundo personagem masculino da história, o caipira Kristoff. Mesmo assim, os dois fracassam na tentativa de recuperar Elsa, enquanto Hans, mais eficiente, consegue fazê-lo.

O outro problema do vilão é que ele nem é quem faz as maiores vilanias no filme: de certa forma, a grande vilã, ainda que por acidente, é Elsa, que é afinal quem congela o coração da irmã e coloca seu próprio reino sob um inverno eterno, depois abandonando a população. Hans, ao contrário, até aparece distribuindo cobertores aos pobres, algo que a Rainha jamais sequer pensou em fazer. Na realidade, a presença de Hans é até dispensável, não fosse pela necessidade dos roteiristas de querer ridicularizar o mito do "príncipe encantado que beija e salva a princesa no final". 

A moral do filme parece ser, as aparências enganam, não case com o primeiro que aparece, ou, talvez, mais especificamente: não case com um aristocrata, mas sim com um camponês musculoso de bom coração, afinal não é que ela tenha muito maiores informações sobre Kristoff. (O qual, aliás, é também meio abobado e também fracassa em salvar a sua amada e sequer chega a enfrentar o vilão, é uma irmã que salva a outra, mais um ponto feminista.)

Enfim, no fim das contas o filme não é também o bicho-papão misândrico a favor de lesbianismo e bestialismo que alguns disseram, é apenas um filme normal da Disney, meio bocó.  

Acredito que o filme seja mais interessante para meninas do que para meninos, já que é basicamente  um filme sobre duas irmãs emocionalmente complicadas, uma que não consegue controlar seus poderes, e outra que não consegue controlar seus desejos, e hesita entre dos homens. Porém, os temas de redenção, de passagem da infância à idade adulta, da luta do bem contra o mal, e a alegoria cristã presentes no conto original não estão ali. 



O mundo maravilhoso dos gays

Tim Cook, o CEO da Apple após a morte de Steve Jobs, confessou ser gay. Parece que todo mundo do meio já sabia, de qualquer modo, ele agora assumiu publicamente e ainda disse que "ser gay foi o maior presente que Deus me deu."

Achei a frase curiosa, já que o Deus da Bíblia não parecia ser muito a favor dos gays, ao menos na interpretação corrente dos evangélicos, mas enfim, tudo muda nesta vida, por que Deus não poderia mudar de opinião também.

De fato, uma coisa interessante é como a visão sobre o mundo gay mudou em pouco menos de 30 anos. Hoje a idéia entre as classes bem-pensantes é que eles podem formar um casal como qualquer outro, e até uma família com filhos, tudo o que eles querem é amor. Dar o cu ou a buceta é detalhe, o que importa é ser feliz e formar uma família como todo mundo, menos é claro casais hetero estéreis brancos de alto QI.

Porém, até os anos 80, antes da era da AIDS, o gay era visto como alguém alternativo, fora do mainstream, contrário ao status quo. O que ele menos queria era casar e formar família. Ser gay era mais do que tudo sair em clubes, cheirar todas e fazer sexo com dezenas de estranhos. Segundo um frequentador da época, nostálgico daqueles tempos, "hoje perdeu a graça, antes era só você entrar no clube e em poucos minutos já estava fudendo no chão mesmo."

Mudou o pensamento ou mudaram os gays? Sei de mais de um casal gay monogâmico de longa duração, portanto não é algo impossível, especialmente depois que a testosterona baixa, porém, continuo achando estranho e equivocado que possam adotar crianças. Até o Reinaldo Azevedo acha que as crianças adotadas estão melhor com um casal gay do que num orfanato. Pode até ser, porém às vezes eu penso no caso do celebrado casal gay multiracial australiano que adotou um menino russo e passou a abusar dele e logo alugá-lo para outros gays pedófilos, e pergunto-me se ele não teria sido mais feliz no orfanato mesmo.

A verdade é que alguns gays também tendem a ter problemas psicológicos e alto nível de psicopatia. Nos anos 80, teve o caso de uma jovem virgem de 23 anos que foi contaminada de AIDS pelo dentista aidético. Morreu pouco depois. Por muito tempo considerou-se um acidente, hoje porém se sabe que foi assassinada, na verdade vários pacientes foram contaminados propositalmente pelo dentista, um gay aidético revoltado que narcotizou as vítimas e depois injetou seu sangue infecto nelas, em um aparente protesto contra o governo que não estaria fazendo muito para controlar o vírus da AIDS.

Enfim, não se trata de demonizar os gays, acredito que o Tim Cook seja até uma pessoa decente, não vou julgar sem conhecer, trata-se apenas de não romantizá-los como vítimas indefesas, eles são como todo mundo, e acho que não deveriam adotar crianças. E vocês, o que acham?



terça-feira, 28 de outubro de 2014

Um país dividido

O mapa do resultado das eleições mostrou uma imagem muito interessante, de um país praticamente dividido ao meio: Norte e Nordeste com Dilma, Sul, Sudeste e Centro-Oeste com Aécio.

Algumas exceções: Minas e Rio de Janeiro votando com Dilma (por algum motivo, jamais gostei muito de cariocas, talvez pelo sotaque antipático: acho que deviam transferir o Estado para o Nordeste do país), Acre e Roraima votando no Aécio (talvez por popularidade da Marina?).

O Rio Grande do Sul deu maioria a Aécio, mas pouca, foi quase empate. E a maioria dos votos do Aécio estava centrada em Porto Alegre e demais grandes cidades: no interior, deu Dilma. É um dos mistérios: porque o mesmo povo que rejeitou Tarso apoiou Dilma?

No Nordeste, não muita surpresa, todo para Dilma, com alguns estados chegando a dar apoio de 78%. O que explicaria isso? Apenas o bolsa-família? Ou algo mais? Alguns afirmam que a presidenta teria ajudado a desenvolver o Nordeste, por isso o sucesso. Não tenho condições de investigar, porém, uma informação anedótica talvez seja contrária a essa estimativa. O município que mais votos deu a Dilma, Belágua, no Maranhão (92% para Dilma, apenas 2% para Aécio), é também um dos mais miseráveis e desgraçados. E Dilma, em geral, tem o voto do pobre e do analfabeto (falando nisso, que coisa mais absurda o voto do analfabeto, não é? Como alguém que nem sabe ler poderia ter qualquer noção de política?) 

Já as grandes capitais e centros industriais deram o voto a Aécio. Parece ser clara uma divisão econômica. Ou será que seria apenas econômica?

Em uma análise superficial, isso mostraria a divisão entre "pobres" e "ricos", mas não acho que seja isso.  É realmente uma divisão étnico-cultural.

Com o fim das eleições, surgiu de novo o debate sobre a divisão do país. Alguns, mais ponderados, pedem um federalismo efetivo, com cada estado ficando com aquilo que produz. Já outros querem a separaçào física do sul e sudeste do norte e nordeste. Outros dedicam-se a atacar os nordestinos.

O Brasil é um país grande e disfuncional, seria realmente melhor dividi-lo em duas ou mais partes. Por que não? O único problema é que talvez seja tarde, o momento de fazer isso era um século atrás, quando a população era menor e os grupos étnicos mais diferenciados.

De qualquer modo, mesmo hoje em dia, um Sul e Sudeste sem a carga do Norte e Nordeste poderia se tornar um país um pouco menos problemático. Não digo que chegaria a ser uma Suiça, na realidade jamais chegaríamos a lugar nenhum, mas talvez melhorasse um pouco.

Aliás, o futuro dos EUA segue provavelmente pelo mesmo caminho, eles não duram mais cem anos.


segunda-feira, 27 de outubro de 2014

O futuro é vermelho

Dilma ganhou. Por pouco, por muito pouco, mas ganhou. A corja petista uiva feliz, com a perspectiva de roubar mais 10 bilhões de dólares da Petrobras e outras empresas.

Dez bilhões! Uma coisa que acho curiosa é o seguinte, salvo exceções, a maioria de meus amigos do do Brasil não mudou de opinião mesmo ao longo de 12 anos de PT. Se nem dez bilhões de dólares desviados são suficientes para convencê-los que há algo de podre no reino do petismo, o que chegará a convencê-los?

Alguns insistem ainda, com lágrimas nos olhos, que o PT seria o partido dos "pobres", e o PSDB o partido dos "ricos".

De fato, graças ao PT, algumas pessoas enriqueceram muito, saíram da pobreza para a riqueza. É o caso por exemplo de Lulinha, que de um salário mensal de 600 reais limpando jaulas de um zoológico, tenha criado uma empresa-fantasma e ganho 5 milhões em um contrato da Oi/Telecom, que, por coincidência, logo depois obteve um benefício exclusivo de Lula. Eu nunca vi um caso mais descancarado de enriquecimento ilícito de parentes, porém, o caso jamais foi sequer investigado.

É verdade que filho de político sempre vai obter algumas vantagens. O filho de Joe Biden, por exemplo, descolou um emprego como consultor de uma firma de energia ucraniana logo depois do golpe apoiado pelos EUA. Porém, o caso de Lulinha é espetacular.

Na época, Lula afirmou que seu filho era um gênio dos negócios. Será que existe algum político mais cara de pau do que o Lula, em todo o planeta?

Eu aponto esses fatos para os colegas petistas, mas eles apenas respondem que o PSDB também rouba, falam do aeroporto de Aécio, etcétera e tal.

Enfim, o que entristece realmente nem é a vitória apertada de Dilma, mas que a maioria de meus amigos de juventude, hoje já chegando na meia-idade, continuem incomprensivelmente com as mesmas opiniões de quinze anos atrás. Nenhuma evolução?

"Minha dor é perceber,
que apesar de termos feito tudo,
tudo que fizemos,
ainda somos os mesmos e vivemos...
como nossos paiscomo quando éramos adolescentes!"

O Brasil tem solução? Acho difícil. O problema mesmo é sua população. Não temos um capital humano muito bom, somado ao tamanho demasiado grande do país e as diferenças regionais. Mas o modelo político petista, que beneficia o apadrinhamento das subclasses e o martírio da classe média, é pior ainda. A herança real do petismo será vista daqui a 20, 30 anos, e não será bonita.

Diziam que na antiga África do sul o sistema político era "fascismo para os pobres, socialismo para a classe média, e capitalismo para os ricos".

No Brasil, o sistema está mais para "feudalismo para os pobres, fascismo para a classe média, e estatismo para os ricos."


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Poema do Outono

Canção de Outono

Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando aqueles
que não se levantarão...

Tu és folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
E vou por este caminho,
certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...

Cecília Meireles

sábado, 4 de outubro de 2014

Poeminha das eleições

Em quem você vai votar
Na eleição que se aproxima?
Tentarei instruir vocês
Com esta pequena rima

O candidato Eduardo Jorge
Tem um sucesso certeiro:
Pena que seja apenas
Entre jovens maconheiros  

Luciana Genro é louca
Com seu olho arregalado
Ela quer comunismo
E casamento entre viados

O tal Fidelix, não conheço
Mas parece que é doutor
Ele estudou muito a fundo
O aparelho excretor

Marina Silva, um paradoxo:
Evangélica ambientalista?
Tem o rosto do Brasil
É a musa dos globalistas!

Aécio é PSDB
E tem um jeito de otário
Nem direita nem esquerda
Muito antes pelo contrário...

Dilma é a continuidade
Do projeto do PT
De roubar a mais de metro
E expandir o seu poder

Vote em um ou vote em outro
Não difere em qualquer maneira:
Pois quem comanda o mundo
É a elite financeira! 

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Muito além do jardim

Confetti voltou; era o meu objetivo. Posso agora descansar em paz.

Antes de outros posts, no entanto, gostaria de falar algumas palavras de otimismo. Muitas vezes temos a impressão que o mundo vai de mal a pior; pode ser que sim, mas, na verdade, também pode ser que não. Não sabemos o que irá acontecer daqui a 10, 20 anos, que dirá 200 ou 300. A Europa e suas fronteiras mudou muitíssimo nos últimos 100 anos; poderá mudar ainda mais nos próximos 100.

Imigração, colonização ou invasão, chame como quiser, é um processo recorrente e antigo na história humana; às vezes pacífica, às vezes não. A tecnologia e a globalização aumentaram esse processo terrível que talvez não tenha volta, ou, talvez, sim. Talvez vejamos uma Reconquista, ou uma guerra, ou, o mais provável na minha opinião, uma volta ao conceito de cidade-Estado. Países são abstrações; mas etnias, culturas e religiões sempre continuarão a existir.

Penso que retornaremos a esse conceito, ou então a um retorno do feudalismo a nível global.

Ciborgues estatais?

A tecnologia avança; trará coisas boas, mas também muitas ruins. Às vezes penso que talvez, na verdade, quem sabe, o Unabomber tinha razão e que a tecnologia é que é o problema. Da pílula ao avião, do telégrafo à Internet,  do rifle à bomba atômica, ela mudou o mundo muito mais do que qualquer ideologia. O Unabomber (Theodore Kascinzki), em seu ensaio, famosamente criticou os esquerdistas. Porém, também criticou os conservadores, ao dizer que eram trouxas por tentar defender valores tradicionais mas apoiar a mesma tecnologia que selaria nosso fim: ele via os homens tornando-se indistinguíveis das máquinas, ou até misturados com elas, ciborgues escravos de corporações ou de um Estado opressor. Não duvido que um dia possa acontecer.

(O Unabomber era louco, mas tinha um QI de 140 e era gênio das matemáticas, antes de sofrer experimentos do MK ULTRA da CIA em Harvard)

O retorno da religião

Talvez tenhamos um renascimento da religião no mundo: os religiosos (de qualquer religião) são os que se reproduzem mais. Talvez porque o ateu ou liberal viva mais no presente e na busca da satisfação, o religioso para o futuro e para o estoicismo. Viver é sofrer. Entre os brancos, os sobreviventes serão os amish e mórmons (e, quem sabe, um renascimento católico ou protestante, não está descontado); entre os judeus, os ortodoxos; entre os não-brancos, os evangélicos, e os muçulmanos que pelo jeito, lamentavelmente, continuarão a crescer até explodir. Os liberais, embora em teoria mais inteligentes, definharão. Está provado que os mais inteligentes (e em especial as mulheres inteligentes) têm menos filhos (E são mais felizes! Porém, não deixam descendência). E os progressistas também. De certa forma, até dá pena. Será um mundo mais conservador e quadrado, menos criativo. Os mais liberais e inteligentes morrerão!

Talvez o retorno da religião dê lugar a novas guerras religiosas, mas elas nunca pararam de acontecer, e guerra acontece por muitos outros motivos também: nacionalismo e racismo, por exemplo. 

Ideologia e caráter

É curioso: gosto da idéia de manter os antigos países europeus e suas etnias, mas, ao mesmo tempo, se examinarmos a história, ou mesmo os mapas, podemos ver que na verdade tudo esteve sempre em fluxo constante. Nada é permanente, e a migração tampouco. No fundo, somos fruto de imigrantes que vieram da África e copularam com Neandertais! Talvez por isso, nunca me identifiquei muito com o ultra-nacionalismo; nazismo, extremismo, etc. Implica um coletivismo que não fecha muito com meu individualismo e cosmopolitismo, bem como com meu pacifismo. Em especial, não gosto do anti-cristianismo de muitos  elementos da extrema direita, provavelmente devido ao sentimentalismo pelo meu catolicismo da infância. Mas, fora isso, vários outros motivos me lembram a razão. É que alguns são pessoas muito ruins! 

Ideologia (ou até religião) é menos relevante do que pensamos: seria estranho julgar uma pessoa pelo que ela acredita, ou pensa acreditar. Não acredite no que uma pessoa diz, veja o que ela faz. Isto vale para qualquer um, do mais nobre ao mais calhorda.

É, antes de tudo, uma questão de caráter. Há pessoas conservadoras boas, mas há também liberais progressistas de bom coração. Acreditam e propagam bobagens, é verdade, mas na sua vida individual são cidadãos de bem, e isso é o que importa, no fundo. Muitos cristãos tendem a ser pessoas relativamente boas, talvez não tanto pela índole pessoal como por seguir um código que as orienta; mas é verdade que religião em si não é sinônimo de bom caráter, e há também religiosos (ou supostamente religiosos) do mal, como o Elixir Macedo. Por outro lado, acho que há vários ateus bons. No fundo, independe de religião: também há quem use a religião como cobertura para praticar atrocidades.

Psicopatas e otários

Mas há pessoas que tem o mal em si; que matam e estupram e agridem ou falam em extermínio de massa como se fala em trocar de camiseta, que fazem apologia da violência e cujo aparente único código de moralidade é um tipo de darwinismo levado ao extremo, a sobrevivência do mais forte. Psicopatas, em resumo. Não necessariamente os que matam, mas que usam os outros para seus próprios fins. São mais numerosos do que pensamos.

Por outro lado, é verdade tampouco suporto esses branquelos idiotas que falam assim, como alguém me disse outro dia, indignado: "Ah, a classe média branca fica apavorada quando tem tiroteio num bairro branco rico, mas não fala nada quando morre gente na favela, nem sai no jornal!" Eu perguntei, "Poxa, mas quem é que faz tiroteio no bairro rico? É você e seus amigos?".

Ele ficou fulo. Não quis responder, desviou o discurso para a homofobia da classe média, da qual, aliás, ele faz parte. 

Mas de fato, quem são os que fazem tiroteio no bairro rico, são os brancos de classe média, brigando pela vaga de estacionamento? Claro que não, são os mesmos favelados que se matam a rodo na favela! Esse coitadismo irracional branco também precisa acabar.

Etnomasoquismo?

Será que existe raça mais masoquista do que a branca? Nunca vejo nenhum outro grupo chorar tanto pelos oprimidos de outras etnias. O último branco progressista europeu, depois de ser estuprado por um africano e decapitado por um muçulmano, sua cabeça rolando no pavimento, ainda vai ter tempo de dizer, "Desculpem, irmãos, pela escravidão e pelas cruzadas!" (Dúvida: por que será que os muçulmanos gostam tanto de decapitar? Deve haver uma explicação freudiana, vejam o último caso, em Oklahoma mesmo, no link anterior).

Eu sei, eu sei, na maior parte dos tempos esse chororô é falso. Branco que é esperto não se mistura com gentalha, só acusa os outros de racismo. Porém, é algo curioso. Até os asiáticos são mais francos nesse aspecto. É verdade que alguns já aderiram ao espírito de picaretismo, como a chinesa-americana líder de uma organização de defesa das faxineiras (em sua maioria, mexicanas), que acaba de ganhar 625 mil dólares de uma fundação que supostamente premia "gênios". Porém mesmo ela, que hoje defende mexicanas (e ganha bastante dinheiro com isso!), antes já era presidente do "Comitê Contra a Violência Anti-Asiática" (não sabia que existisse violência exclusiva contra asiáticos. E o Comitê contra a Violência Anti-Branca, cadê?). 

Enfim, tudo que sobe, um dia desce. No fundo, não vejo mais o futuro com tanto pessimismo, ou melhor, vejo com o pessimismo realista de quem sabe que, se nunca vai melhorar muito, tampouco vai piorar de todo. A História sempre foi um pesadelo do qual tentamos acordar, como disse Joyce.

Enquanto isso, na TV

No fundo, a humanidade é podre em si mesma. Por exemplo, uma coisa que precebi foi como a maioria dos programas de televisão, em especial shows de calouros e reality shows, servem mesmo para mostrar pessoas sendo humilhadas. O povo adora assistir isso! Tem um programa novo, acho que britânico, mas que logo deve ter versão brasileira, é sobre empreendedores que apresentam seus projetos ou invenções para um júri de supostos investidores, bem, é claro que tudo é em grande parte atuação, mas como em outros programas similares a regra é ridicularizar aquele que tem uma idéia tola ou irrealizável, humilhá-lo na frente do espectador, que goza delirante. Também chama a atenção o extremo materialismo do júri, "não interessa se sua idéia vai beneficiar a humanidade, eu quero é ganhar dinheiro pôha!", esse é o pensamento martelado pela nossa amada televisão. Obedeça, compre, gaste, coma, foda e MORRA!! 

Psicopatas versus altruístas: seria esse o dilema?

Há psicopatas na direita e na esquerda; Deus nos livre deles e nos dê um mundo com mais betas e nerds. Por quê? Bem, um curioso acontecimento recente, publicado em artigo científico, informa que certos macacos, ao terem perdido por envenenamento acidental seus machos-alfa (os mais violentos e psicopáticos, por assim dizer), evoluíram para uma sociedade mais igualitária e harmoniosa. Poderia o mesmo acontecer com humanos? (Há quem diga que já aconteceu no norte da Europa, devido às guerras que mataram os mais alfas e à religião que fez crescer mais os de comportamento mais moral; não sei se é verdade, acho que não, mas é uma teoria interessante.)

Cultivar o jardim

Não importa: tudo continuará mudando, e pouco podemos fazer a respeito a não ser ser boas pessoas em nossas vidas individuais. Dar o exemplo a filhos, netos e parentes. Fazer nossa pequena parte para o bem da coletividade, em nosso pequeno círculo social.

É preciso cultivar nosso jardim, como dizia Voltaire.

Mas, cuidado! É um jardim com constantes pragas e gafanhotos, ervas daninhas e ventanias. Não é o Jardim do Éden, do qual há muito saímos: a humanidade caída não tem solução! Do pau torto da humanidade, nada pode ser criado de direito!

Epa, mas eu não disse que ia fazer um post otimista? Perdi-me no caminho. Já confundi demais o leitor com esta lenga-lenga sem sentido; queria falar muito, e disse pouco; fico por aqui. Adeus, Confetti. Aproveite a vida em Paris enquanto as burcas não tomarem conta. 


terça-feira, 16 de setembro de 2014

Estamos todos loucos

Theodore Dalrymple disse uma vez que grande parte do objetivo da propaganda durante o comunismo soviético, bem como hoje em dia durante o politicamente correto, não era de convencer, mas apenas de humilhar: forças as pessoas a repetir mentiras absurdas, como que a coletivização funcionou, preto é branco, acima é abaixo, e dois mais dois é igual a cinco (como no romante 1984 de Orwell).

É isso mesmo, mas o objetivo é ainda maior.

No outro dia, em algum lugar no sul do Brasil, alguém teve a idéia de celebrar um casamento gay num CTG (centro de tradições gaúchas). Anunciaram o evento aos quatro ventos na mídia. Pouco depois, na calada da noite, o CTG foi incendiado por alguns descontentes.

A mídia ficou chocada. Saíram vários debates no jornal sobre a intolerância do gaúcho tradicional. Ora, mas o objetivo do evento era esse mesmo: provocar a violência. Causar conflito, acusar o tradicionalista de homofóbico. O que era o ato se não uma provocação? Os gays são apenas massa de manobra numa luta muito mais ambiciosa e mais antiga.

O objetivo do casamento gay não é nem nunca foi o de permitir que os casais gays pudessem ter uma relação socialmente aceita ou direitos legais. Isso talvez poderia ser resolvido com outras leis e outras medidas. O objetivo do casamento gay, bem como das estrambóticas "paradas do orgulho" (para quê existem essas paradas? São financiadas com dinheiro púbico, digo, público? Se o objetivo delas é afirmar que "gays são como todo mundo", porque passam justamente a imagem contrária, de que gays só pensam em sexo e em estar pelados o tempo todo?) é justamente o de dividir a sociedade e de, em última análise, causar violência, ódio e discriminação. Ou seja, justamente o contrário do que dizem querer.

Vejam aqui: depois de uma menina ser humilhada em público e ter a casa apedrejada e queimada por dizer uma palavra em um jogo de futebol, agora o Coríntians quer proibir seus torcedores de pronunciarem a palavra "bicha". Tal insulto seria "homofóbico". Ora, ninguém chama um jogador de "bicha", ou um juiz de "filho da puta", por saber algo sobre a sua orientação sexual. São insultos genéricos. Como "puta" é sexista, "bicha" é homofóbico, "macaco" é racista, e "retardado" é preconceituoso com os sofredores de Down, o que ficará? Talvez os torcedores possam chamar o odiado rival de "bobo", "chato" e "feio".

(Não que eu seja a favor de palavrões e violência nos estádios; acho tudo isso vulgar. Porém, uma coisa que também me confundiu foi o seguinte: durante a Copa do Mundo no Brasil, quando outro tipo de público encheu os estádios, vi mais de um articulista reclamando que as torcidas eram "brancas demais", "educadas demais", que eram "frias" e que não gritavam palavrão a não ser contra a Dilma.) 

Outra loucura. Agora a moda é afirmar que alguém pode "trocar de sexo". Curiosamente, por motivos que talvez a psicologia possa explicar, a maioria dessas pessoas que "trocam de sexo" são homens de meia-idade que "viram mulher". Porém, não passam a gostar de homem, ou de passar roupa e comprar sapato. Muitos nem mesmo cortam o pênis, apenas colocam seios postiços mas, estranhamente, continuam casados com mulheres. É o caso, por exemplo, de "Martine" Rothblatt, o travesti biônico bilionário de quem falei outro dia, que é casado com uma negra loira, e de "Lana" Wachowski, co-diretor da série Matrix, que é casado com uma dominatrix sadomasoquista do mundo pornô.

O objetivo é o de confundir. O objetivo é obrigar você a chamar esses malucos de "mulheres", enquanto eles riem depositando mais um bilhão no banco.

Porém, quem é mais louco? Aquele que coloca um chapéu na cabeça e diz ser Napoleão, ou aquele que acredita?

O fato é que grande parte da população está mesmo insana.

Conheço jovens nos EUA que aderiram a um movimento radical vegano-animalista. Eles vão aos restaurantes da cidade com cartazes e gritos denunciando o "especiecismo". Afirmam que os animais "são indivíduos como nós" e que "carne não é comida, é violência".

Olhem, eu gosto de animais, sou a favor que sejam bem tratados, mas isto é ridículo. Até porque um leão, um tigre ou um crocodilo faminto não vai ter remorso nenhum em comer um humano sem pensar em seus "direitos". Comer e ser comido é a lei da Natureza (e às vezes eu penso e acho isso triste: por que tem que ser assim, a vida sempre se alimentando da vida? Um ser vivo tem sempre que tirar a vida de outro para obter energia? Que Deus cruel inventou esse sistema? Não podíamos tirar energia, sei lá, do gás carbônico ou de pedras e outros objetos inanimados?)

Curiosamente, muitos dos praticantes dessa nova luta são mulheres jovens e solteiras. O leitor também terá notado isso: o veganismo e a luta pelos direitos dos animais atrai principalmente mulheres solteiras ou mal-comidas sem filhos. Talvez seja uma transferência do instinto maternal. Ou talvez seja apenas que mulheres em média são mais emocionais e mais facilmente manipuláveis.Ou talvez os homens gostem mais de carne, só isso.

Feminismo, gayzismo, especiecismo, coloque aqui seu ismo, nada disso precisa ser levado a sério por si mesmo: são, em sua maioria, meras distrações, truques de magia, ou então tem o objetivo de semear o caos social.

Digo até mais: nada impede que o que é "bacana" hoje vire ilegal amanhã; que a elite global passe a discriminar os negros e os gays quando isso for do seu interesse. A esquerda, um dia, já defendeu os "direitos do trabalhador", você acredita? Pois hoje a maioria de seus líderes partidários e apoiadores são milionários, bilionários ou até trilionários, e estão lutando pela expoliação da classe trabalhadora através de impostos, imigração massiva e baixos salários.

É por isso que eu não levo mais nada a sério. É tudo um grande teatro, e eu tenho mais o que fazer.  

Dizem que sou louco, por pensar assim.

Mais louco é quem acredita. 

Mais louco é quem me diz, que não é feliz, feliz.


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Quero ignorado, e calmo
Por ignorado, e próprio
Por calmo, encher meus dias
De não querer mais deles.

Aos que a riqueza toca
O ouro irrita a pele.
Aos que a fama bafeja
Embacia-se a vida.

Aos que a felicidade
É sol, virá a noite.
Mas ao que nada espera
Tudo que vem é grato.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Os gays e o fim da amizade masculina

Um artigo muito bem escrito (mas bem longo, e em inglês) adverte para um problema no qual eu jamais tinha pensado, mas que faz sentido: a propagação da cultura gay tem tido um efeito negativo sobre a amizade masculina.

O argumento é o seguinte: a aceitação pública dos gays mudou o sentido de certos comportamentos, antes comuns. Ao ver dois homens abraçados na rua, já pensamos: "é viado", embora poderiam ser apenas irmãos, ou amigos próximos. 

Pense na sua infância ou adolescência: talvez você tivesse algum amigo bem próximo com o qual passava grande parte do tempo, e aí, algum outro coleguinha invejoso, ou até alguma menina, insinuou: "esses aí são gays". E vocês, temerosos, afastaram-se um do outro, embora não houvesse absolutamente nada de remotamente sexual na relação.

Pense também nos filmes, na literatura. Quantas vezes agora dois personagens amigos homens (i.e. Frodo e Bilbo, Asterix e Obelix, Sherlock Holmes e Watson) já são interpretados como "gays" pelo simples fato de serem amigos próximos. Ver "gays" em tudo virou a nova norma; e a amizade masculina, com isso, sofreu um baque.  (Isso foi parodiado também naquele episódio de Seinfeld em que George e Seinfeld eram vistos como gays, "not that there's anything wrong with that")

O autor adverte também para um outro perigo: imagine, por exemplo, que o incesto e a pedofilia fossem liberados. Isso também mudaria a linguagem das relações humanas. Ao ver um pai abraçando a filha, já pensaríamos que pode ter algo mais aí do que o mero afeto filial. Ora, argumenta o autor, é justamente a proibição do incesto o que permite a proximidade familiar, assim como (antes) a proibição ou ao menos censura do comportamento gay é que permitia a amizade maior entre dois homens, sem que ninguém pensasse que um deles dava o cu. 

De fato isso já aconteceu um pouco: nos EUA, por exemplo, um homem que se aproxima mais de dois metros de crianças ou jovens desconhecidos já é visto como um tarado em potencial e chama-se a polícia, muito embora possa ser apenas um simpático vizinho. Mais de um fotógrafo já foi preso por ter tirado fotos de crianças em público, confundido com pedófilo. No Brasil, um pai e um filho podem ser agredidos ao ser confundidos com casal gay. Perdeu-se a sensação de inocência que antes havia; tudo agora é ou pode ser sexual. E portanto a amizade inocente de outros tempos também acabou. 

 Batman e Robin são gays, é claro.