terça-feira, 29 de julho de 2014

A guerra invisível

Não vou falar aqui da infindável guerra, se é que se pode chamar assim, entre Israel e palestinos, mas sim de uma guerra que está ocorrendo às portas da Europa, em plena Ucrânia, sem que quase ninguém fale nada - exceto para culpar Putin, por ora sem provas, pela derrubada de um avião.

Sem contar as vítimas do avião malaio (que ainda não se sabe qual dos dois lados derrubou, e nem sei se um dia descobriremos), você sabia que mais de 800 civis ucranianos do leste já morreram em bombardeios das forças ucranianas contra os rebeldes?

Pessoas como esta moça aqui e seu bebê:



Confesso que não é bem claro para mim o que está acontecendo. Parece ser claro que há uma luta pelo controle da Ucrânia, ou ao menos do leste do país, entre "pró-ocidentais" e russos. Mas o que há por trás disso? O controle do gás que aquece a Europa? Ou algo mais?

Sobre o avião, segundo fontes russas, teria sido avistado um caça ucraniano nas proximidades do avião antes da queda. Isso é compatível com o depoimento de alguns moradores, que dizem ter ouvido o ruído de turbinas de jatos antes da explosão.

Há uma explicação plausível para isso: os rebeldes tentaram acertar o caça, e acertaram por acidente o avião civil.

Fora isso, há as teorias de conspiração. Alguns até acham que se trata do mesmo avião que sumiu há um mês atrás, e dizem até que os corpos encontrados pareciam já estar em estado de decomposição. Há quem lembre que nos anos 60, a CIA tinha um plano, Operação Northwoods, que descrevia a idéia de seqüestrar um avião e utilizá-lo para simular sua derrubada por rebeldes cubanos..

É fantasia, mas seria algo assim: um avião é seqüestrado. Desaparece sem deixar rastros em alguma ilha do Pacífico. Seus tripulantes, já mortos, são congelados. Depois um outro avião, muito similar, parte. Este avião, na verdade, é pilotado por controle automático e contém apenas os corpos congelados do avião anterior... O avião é derrubado. Fazem-se fotos e mostram-se para a mídia, e acusam-se os rebeldes pró-russos de o terem derrubado.

Bizarro, eu sei. Mas faz mais sentido do que querer atacar a Rússia nuclear de Putin porque ele é "homofóbico" e "não gosta do casamento gay"...

P. S.  Ah, e tem outra. O avião, parece, estava lotado de "especialistas em AIDS". Taí outra teoria da conspiração. Afinal, há alguns cientistas respeitáveis que até dizem que a AIDS é um mito, e que não é causada pelo vírus HIV.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

7 x 1: Anatomia de um massacre

Muito está sendo dito e escrito sobre a vexatória surra que o Brasil recebeu da Alemanha. Ver aquela sucessão de gols, um atrás do outro, em plena Copa do Brasil, deu pena. Quase parecia estar assistindo um estupro ao vivo, ou uma criança sendo espancada por um adulto. Nunca antes na história deste país viu-se um time tão perdido em campo quanto o Brasil naquele primeiro tempo.

Alguns artigos falam da lógica e frieza germânica versus o excessivo emocionalismo do brasileiro. Clichês, decerto, e talvez haja um pouco de exagero, mas também algo de razão. Os jogadores brasileiros em geral pecam por se deixar levar demais pelas emoções. A Alemanha quando jogou contra Gana, chegou a estar perdendo em um momento: 2 x 1. E foram, também, gols feitos em relativamente rápida sucessão: empataram com a Alemanha apenas três minutos do primeiro gol alemão, e depois fizeram mais um, virando o jogo, oito minutos depois. Um time brasileiro se desesperaria: "Meu Deus, estamos perdendo para Gana!" Mas os alemães continuaram fazendo o que fazem calmamente, e pouco depois empataram.

O problema do Brasil nesta Copa, a meu ver, foi que investiram de mais em estádios e de menos em criar um time. Aparência versus essência. O importante era dar uma boa impressão para os gringos, mas ter um time com chances de ser campeão, deixa disso. O poder mágico da torcida brasileira se encarregaria dessa parte. Fred? Hulk? Jamais tinha ouvido falar dessas criaturas. É verdade que não acompanho muito o futebol brasileiro ultimamente, mas parece que não perdi muito.

Faltou organização ao Brasil, não para sediar o evento, mas para jogar futebol. É como se tivessem cuidado todos os detalhes possíveis para impressionar os gringos, e esquecessem do principal. É como gastar milhares comprando um um cálice de ouro, e depois enchê-lo com o mais vagabundo vinho sangue-de-boi. 

Deixemos de lendas. Há tempos que o Brasil não é mais o "país do futebol". O melhor time brasileiro, o apogeu do tal "futebol arte", talvez tenha sido o de 1982, aquele time que não ganhou a Copa, quem sabe se também por motivos emocionais. Mas era inegavelmente um bom time. O de 2014 não era.

O Brasil vive só do nome. Não tem, há tempos, uma seleção verdadeira. Tem um que outro talento individual, mas não tem um plano, não tem um jogo coletivo, não tem nada a não ser o pensamento mágico de que "somos os melhores do mundo". Não somos, não. Não mais.

Lemos agora que a Alemanha preparou-se por 14 anos para esta Copa, desenvolvendo as suas categorias de base.

Nesse sentido, é claro, seleções como Espanha e Alemanha tem a vantagem de que seus jogadores jogam em times locais, e muitas vezes até no mesmo time. A seleção da Espanha que ganhou em 2010 era basicamente o time do Barça. O time alemão atual é pouco mais do que o Bayern de Munique.

Talvez o melhor plano para o Brasil tivesse sido, em vez de gastar bilhões em estádios, ter usado esse dinheiro para retirar os melhores jogadores brasileiros dos times europeus por, sei lá, um ano de licença, de forma a que tivessem dedicação exclusiva para a seleção. E colocá-los para jogar e treinar como nunca. Impossível, eu sei.

Isso tudo, é claro, não explica o 7 x 1. Nada explica. Nem a Zâmbia perderia de 7 x 1. Acho que foi, acima de tudo, pânico. Certamente a perda de Neymar na partida anterior, bem como a ausência de Thiago Silva, foram sentidas bem fundo por um time inexperiente e, a bem da verdade, medíocre. Acho que aí faltou ter um jogador mais veterano em Copas para ser líder e acalmar os ânimos. Os alemães não hesitaram em colocar o Klose, que até superou o recorde de gols do Ronaldo.

Enfim, não foi bonito, e não sei se há muitas lições para se tirar disso tudo, a não ser aceitar com humildade que, no futebol como na construção de uma sociedade, raramente há milagres.



segunda-feira, 7 de julho de 2014

Gordofobia


Hoje fui na piscina e vi duas gordas enormes de biquini. Não nadavam, mas estavam na parte mais funda da piscina, segurando na borda e mexendo os pezinhos para se “exercitar” enquanto tagarelavam. Não creio que percam muito peso assim. Mergulhei e pude ver suas pernas gordas balançando desde o fundo. Fiquei imaginando que se estivéssemos no mar e eu fosse um tubarão, iria pensar, “Humm, que bocado mais apetitoso!”

Há muitos gordos mórbidos nos EUA, mas saiu a notícia este mês que o México acaba de superar os EUA na categoria de “país mais gordo do mundo.” Considerando que existem também muitos mexicanos nos EUA que estão, ahem, engordando as estatísticas americanas, temos o povo mexicano como o mais gordo de todos os povos. Genética ou cultura?


As gordas que vi na piscina eram brancas, de procedência desconhecida. Certamente o padrão alimentar americano ajuda a aumentar a gordura, em especial das classes baixas, mas há muitos brancos de classe média também. Acredito que parte disso é a cultura americana de comer muita porcaria, e em grande quantidade. As porções servidas nos restaurantes americanos são descomunais. Some-se a isso a cultura sedentária do americano médio, e temos a explicação. Porém, o que explica o México?


Ao contrário do que os fundamentalistas da genética acreditam, não pareceria que a genética tenha tanto a ver quanto o ambiente neste caso. A lista de países com maior número de gordos é bem curiosa, sem seguir um padrão muito definido: México, EUA, Síria, Venezuela, Iraque… O primeiro país europeu a aparecer, recém em 12, é a República Tcheca. A única coisa certa é que os países asiáticos não são gordos. O Japão é o último da lista, o país mais “magro” do mundo. Porém, tampouco aqui a genética parece dar a resposta definitiva, já que o menino de 4 anos mais gordo do mundo, ao menos até há pouco, era um pequeno chinês. Os melanésios, se é que contam como asiáticos, também tendem a ser gordos acima da média.


Qual o país mais “gordo” da Europa? Pela minha impressão do que vi, seria a Alemanha. Não tem gordos mórbidos, mas tem vários fofinhos e fofinhas, alimentados exclusivamente à base de cerveja, salsicha e batata. Porém, os italianos, que comem muita massa e pizza, raramente são muito gordos. Pavarotti é exceção. (Nota: por que os cantores de ópera são em muitos casos gordos? Neste caso, a genética pode ser explicação: um bom cantor lírico precisa ter uma larga caixa toráxica com pulmões descomunais, portanto as pessoas de corpo robusto são favorecidas). Os franceses, apesar de todos os quiches e suflês, tendem a ser magros. Espanhóis, gregos e escandinavos, acho que também.  

Outro mistério é o seguinte, porque as gordas são em geral consideradas pouco atraentes pela maioria dos homens? Afinal, do ponto de vista biológico, indicariam uma criatura bem-alimentada, com grandes glândulas mamárias otimais para alimentar a prole. No entanto, a gordura é para a maioria dos homens um fator de atração negativa quase tão grande quanto a nerdice nos homens é para as mulheres. 

Bem, de qualquer modo, nada temam, pois os progressistas já tem a solução. Segundo eles, os gordos estão sendo discriminados pelo “padrão ocidental patriarcal vigente” com seu “padrão de beleza meramente cultural promovido pela mídia”, e portanto os gordos estão se agilizando e criando suas próprias associações de direitos. Da próxima vez que você chamar alguém de gordinho ou gordinha, cuide-se, pois poderia estar comentendo um ato de discriminação gravíssimo, passível de processo e até de prisão.



sexta-feira, 4 de julho de 2014

Povo asiático, povo superior?

O povo asiático é muito inteligente. Dizem que tem o QI médio mais alto do planeta, se não contarmos o judeu asquenazi como categoria à parte. É claro que QI não é tudo e talvez até seja super-valorizado em detrimento de outras qualidades, mas mesmo assim. Burros eles não são.

Gosto em especial do povo japonês. Eles são educados e fazem ótimos filmes de animação. Tenho menos admiração pela cultura chinesa, mas não nego que sejam certamente um povo de inteligência e cultura milenar.

Pois bem, os asiáticos estão lentamente dominando a costa oeste americana e canadense. Não em termos numéricos, é certo (esse troféu pertence aos mexicanos), porém aparecem em números cada vez mais expressivos nas estatísticas do ensino superior e no quadro funcional das empresas do vale do silício como Google e Facebook. Embora o que tenha chamado a atenção da mídia tenha sido a escassa participação de negros e latinos, ninguém mencionou que os asiáticos estão super-representados, formando quase 35% do total de empregados. E em algumas importantes universidades da costa oeste americana, os asiáticos já são mais de 50% dos estudantes.

Cultura exemplar, muito legal, etc e tal. 

Uma coisa, no entanto, me intriga. Os asiáticos, e em especial os chineses (nota: nunca vi nada de semelhante nos japoneses, que por sinal amam os gatos), tendem a ser cruéis e insensíveis com os animais, e às vezes, até com as crianças.

Com os animais, bem, eu nem falo do hábito de comer cachorro ou outros animais que para nós são domésticos, mas da tendência em alguns casos de comer animais vivos ou recém-mortos, ou até de excitar-se com seu sofrimento. Também não vou falar do hábito de caçar impiedosamente os rinocerontes para fazer com seu chifre uma poção erótica de efeito duvidoso. Mas o que dizer, por exemplo, dos vídeos de crush? (Atenção, imagens fortes). Tais barbaridades parecem ocorrer em especial na China e Coréia, mas também houve algumas Filipinas envolvidas. E como explicar os cachorros perdidos mortos a pauladas em público, em vez de serem levados a um canil? 

Quanto às crianças, bem, o vídeo da criança morta numa fábrica da China sem que ninguém desse bola foi viral há um tempo atrás, mas nem é disso que falo: mas sim do tradicional hábito supostamente asiático de ser ultra-exigente com as crianças e forçá-las a estudar matemática e praticar violino oito horas por dia, como a famigerada "Tiger Mom" Amy Chua. Pode ser que o método tenha sua valia, mas, considerando que inteligência e talento tem em grande parte origem genética, parece uma crueldade inútil. Afinal, a maioria dos pianistas famosos começou muito cedo quando criança, mas, quase sempre, por interesse próprio, e já demonstrando grande talento desde o início (Aliás, outra curiosidade interessante: os maiores compositores musicais da história são certamente os germânicos, com segundo lugar para os italianos, mas a maioria dos melhores pianistas são judeus ou eslavos; ultimamente tem surgido músicos asiáticos bons, mas parecem preferir o violino e outros instrumentos de corda). E, além disso, a criança também deveria ter o tempo de brincar e desenvolver a sua criatividade, não?    

Enfim, apenas um post besta, pensando no que acontecerá quando os EUA forem de vez para a cucuia com seu multiculturalismo, e a China se tornar a principal potência mundial.


segunda-feira, 23 de junho de 2014

Sobre homens, mulheres e a Copa

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Acredito que a Copa do Mundo esteja sendo um sucesso no Brasil. Nunca duvidei. Nunca achei que o Brasil fosse tão ruim a ponto de não ser capaz de sediar um evento de porte internacional. Alguns reclamam da corrupção e do desvio de dinheiro, o que é lamentavelmente verdade, porém, isso não é prerrogativa exclusiva do Brasil. Dos EUA à China tem muita corrupção também, e a própria FIFA é provavelmente uma das entidades mais corruptas do mundo.  

Outros falam que se o Brasil ganhar pode ajudar a reeleger a Dilma, mas esse risco hediondo existe com Copa ou sem Copa. E, depois, se for pela qualidade do time quem deve ganhar mesmo é Holanda ou Alemanha. 

Outros dizem, "o dinheiro da Copa poderia ter sido usado para educação e saúde". Será? Primeiro que duvido que fosse mesmo, no máximo iria igualmente parar no bolso de algum político, e, segundo, sou bem cético de que investimentos em "saúde" e "educação" resolvam alguma coisa no Brasil. A educação não é a panacéia que muitos acham que seja e, quanto à saúde, o mais saudável para o Brasil seria provavelmente uma boa campanha de planejamento familiar. 

O maior problema do Brasil é mesmo o da violência urbana. Uma coisa, até tolerável, é você ter um povo pobre, burro e inculto que gosta de novela e funk; outra bem diferente é ter um grande número de pessoas violentas e cruéis. O Brasil não é um país de todo ruim para se viver, nem os países estrangeiros são aquela maravilha toda. Canadá e Suécia podem ter instituições melhores, mas são frios para cacete, e, além disso, lá vocêr não passa de mais um cucaracha a ser explorado pela elite. Se o problema da violência urbana pudesse ser resolvido, acredito que grande parte dos brasileiros morando no exterior retornaria a seu país. Porém, na verdade o problema da violência está ligado mesmo ao problema das drogas, já que 90% dos assaltantes estão drogados e usam o que foi roubado para comprar "pedra", e os que não estão trabalham para o tráfico.

Mas estou me distraindo, pois não era nada disso que eu queria falar. Eu queria falar de algumas matérias que saíram recentemente na mídia brasileira, sobre garotas brasileiras excitadas com a presença de vários torcedores europeus e australianos, e o ressentimento que isso está causando nos machos locais. De fato, alguns até tentaram se passar por estrangeiros para conseguir mulher.

Bem, a excitação das moças é compreensível, eu também ficaria se o Brasil sediasse um encontro de patinação artística no gelo e o país fosse invadido por multidões de mulheres escandinavas a fim de se divertir. 

Cada um que faça o que quer e eu nada tenho com isso. O que eu achei engraçado apenas é que a defesa das mulheres, quando criticadas, é aquela velha que "o homem quando come muitas é garanhão, mas a mulher quando dá para muitos é vadia", como se houvesse medidas diferentes para homem e para mulher. De fato, existem medidas diferentes, mas não é por injustiça. 

Quem controla o acesso ao sexo é a mulher.  A mulher apenas escolhe entre os diversos pretendentes. Quanto mais atraente a mulher, mais fácil seu acesso ao sexo, afinal terá zilhões de homens atrás. Porém, mesmo uma moça menos atraente pode facilmente obter sexo se assim quiser, afinal o homem tende a ser bem menos exigente em termos de sexo do que a mulher.  Se não tem a gostosa, vai a gordinha mesmo.

(Alguém observou uma coisa curiosa, não sei se é verdade: que o homem tende a ser pouco exigente para a farra ou o sexo de uma noite só, e mais exigente com a moça com quem vai namorar ou casar; já a mulher é o contrário, extremamente exigente com aquele para quem vai dar na balada, mas menos exigente com quem termina casando).

De qualquer modo, para a mulher, a não ser que seja muito gorda ou velha ou exigente, conseguir sexo é portanto muito fácil, ainda mais se se tratam de estrangeiros enlouquecidos com a fama da “mulher sexy brasileira”. Já o homem, para conseguir uma noite de sexo que seja, tem que lutar contra feras e dragões. Portanto, há um certo legítimo mérito no “garanhão”, que teve que suar a camisinha para conseguir várias mulheres (*) enquanto que a mulher que deu para todos, apenas abaixou o seu preço.

(*) Na verdade, isto também é relativamente falso, já que há alguns homens que, seja pela beleza, pela riqueza ou pela fama, não precisam fazer esforço algum para conseguir mulher, pois estas se atirarão sobre ele sem dó.

Em resumo, é uma questão de oferta e demanda, e, na verdade, quem mais hostiliza as mulheres “vadias” não são os homens, mas as outras mulheres, afinal trata-se de uma forma de “concorrência desleal”. Homem não oprime mulher por ser vadia, aliás, é discutível que o homem "oprima" de qualquer forma a mulher (Aqui uma boa entrevista com, quem diria, um historiador militar falando sobre isso). 

De qualquer modo, não culpo as jovens que estão se divertindo com estrangeiros, apenas seguem seu instinto. E viva a Copa do Mundo no Brasil.



segunda-feira, 16 de junho de 2014

Morte por Facebook

Até onde você iria para obter "curtidas" no Facebook? 

Um caso bastante curioso e até horrendo tem chamado a atenção da mídia americana. Ou melhor, na verdade não tem chamado tanta atenção assim, tanto que fiquei sabendo só recentemente por acaso. Mas é uma história que deveria chamar a atenção, pois nos faria questionar vários aspectos da nossa vida moderna, e em especial o uso das tais mídias sociais. 

Em resumo: uma moça, mãe solteira de 26 anos, postava as fotos de seu pequeno filho doente no Facebook e em seu blog pessoal, ganhando a simpatia e as preces de milhares de pessoas. Era foto atrás de foto, até quando o filho já estava em coma. A criança finalmente morreu aos cinco anos de idade.

Pouco depois, descobriram que a criança, na verdade, não tinha doença nenhuma: era a mãe, ex-enfermeira, quem estava lentamente envenenando a criança com doses maciças de sódio, assimilado por via intra-venosa.

O que emerge então é o retrato de uma mulher desequilibrada e mentirosa compulsiva, disposta a tudo para chamar a atenção. De acordo com a reportagem, ela sofreria de "síndrome de Munchausen",  pessoas que machucam a si mesmos ou a outros com o intuito de despertar pena ou simpatia.

Tudo começou antes do nascimento de seu filho: a moça publicava suas fotos com uma criança que dizia ser seu próprio filho. Mentira: era apenas o filho de uma vizinha, de quem ela às vezes cuidava.

Depois, a moça engravidou. Publicou um post dizendo que o pai da criança havia morrido tragicamente. Nova mentira: o pai estava vivo, e ela mentira também a ele, dizendo que a criança não era filho dele, mais de um outro.

O filho, de fato, parece ter sido gerado apenas como um apetrecho para que a mãe pudesse obter atenção. Desde o nascimento até os cinco anos de idade, o pobre Garnett era constantemente fotografado e mostrado no Twitter, Facebook e Blogger, dando à sua mãe a atenção que ela tanto queria.

A exposição à mídia social tornou-se um vício. Depois de um tempo, só mostrar fotos do filho brincando não foi mais suficiente. As curtidas começaram a escassear, e a mãe tomou uma decisão radical: fazer passar o filho por doente. Isso certamente garantiria maior atenção. E, de fato, foi o que aconteceu por um tempo. Porém, o comportamento obsessivo da mãe começou a gerar suspeitas. Nem no hospital, com o filho à beira da morte, ela parava de tirar fotos da criança.

Descobriu-se depois em sua casa uma bolsa com água e sal, comprovando que a mãe estaria envenenando a criança com sal e água através de um tubo.

O mais monstruoso: no hospital, em seus últimos dias, o filho reclamava de constante sede, e a mãe dava a ele água de uma garrafinha que ela mesma trouxera. Suspeita-se que a água também continha sódio.

Enfim, se for realmente verdade, trata-se do caso de uma doente mental que não nos deve levar a conclusões definitivas sobre as mídias sociais. Porém, é fato que a dependência excessiva a essa forma de exposição pública está causando muitos transtornos. Eu jamais gostei dessas pessoas que postam cada instante da vida de seus filhos online. Para quê? A quem interessa isso? E será que essa exposição toda é boa para a criança?

Os pais que colocam vídeos "engraçadinhos" de seus filhos no Youtube também, me parece, deveriam sofrer recriminação. Um filho não é um gato para ser exibido assim publicamente para que os outros façam piada.

A tecnologia moderna tem suas vantagens, é verdade. Mas também tem seu lado escuro. Onde será que isto vai nos levar? 

P. S. Naturalmente, não dá para colocar a culpa de tudo nas mídias sociais. Embora estas estimulem o mau comportamento de algumas pessoas doentes, é possível que esta desvairada tivesse feito mal a seu filho com ou sem mídia social. Eis o caso de Marybeth Tinning, que matou não um, não dois, mas nove de seus filhos biológicos ao longo dos anos, e sempre com a desculpa de doenças ou acidentes. Afinal, quem iria suspeitar de uma mãe? De todas as formas de assassinato, a de uma mãe que mata seus próprios filhos pequenos nos parece a mais anti-natural, a que vai mais contra os instintos mais básicos. Mas é, na verdade, relativamente comum.


segunda-feira, 9 de junho de 2014

A humanidade pós-humana

A executiva mulher mais bem-paga dos EUA (38 milhões de dólares por ano) é um homem. Ou melhor, um transsexual, para maior bônus multicultural, casado/a com uma mulher negra. Antes da "mudança de sexo", que não sei se incluiu ou não o corte do pênis, eles tiveram quatro filhos, um deles chamado Jenesis, com J mesmo. Acho que é menina, mas não tenho certeza. Um outro de seus filhos é candidato a senador.  É meio parecido com o Obama; talvez vire presidente um dia.

Martine (nascido Martin), além de ser CEO de uma empresa farmacêutica e militante em favor do transsexualismo, tem interesse na robótica e quer criar uma sociedade pós-humana, na qual os cérebros de seres humanos seriam escaneados e copiados para máquinas e robôs, permitindo a "vida eterna". Ele/a quer criar também uma "transreligião". Não sei bem o que é, mas seus lemas são "Eternidade Prazeirosa", "Unidade na Diversidade" e "A Beleza da Vida". 


Se você achava que as mudanças do mundo paravam em "casamento gay", prepare-se, pois vem muito mais por aí.

Talvez o sonho da elite seja o de construir uma raça "pós-humana", na qual todas as diferenças antes existentes (entre raças, entre preferências sexuais, entre homem e mulher, entre o parto natural e o artificial, entre a família biológica e a família de dois gays com bebê de barriga alugada,  entre o ser humano e a máquina) são eliminadas através de processos sociais e tecnológicos. Alguns desses processos estão acontecendo hoje, agora, em especial nos Estados Unidos da América, e no chamado Vale do Silício em especial.  

O que para alguns é sonho, para outros é pesadelo.

Eu, pessoalmente, talvez por ter lido muita ficção científica quando adolescente e saber que quase nenhuma utopia termina bem, fico quase feliz que provavelmente não vou estar mais aí para ver esse "admirável mundo novo" (por sinal, parcialmente previsto por Huxley) que vem aí.

Vocês que são jovens e inocentes, divirtam-se.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

#Yesallwomen e a cultura machista

Em geral tenho muito pouco interesse em entender a psiquê de assassinos. Parece-me uma perda de tempo. O caso de Elliot Rodgers foi uma exceção, pois acho que toca em muitos temas interessantes relacionados com o mundo contemporâneo. Não li sua autobiografia (meu interesse não chegou a tanto), porém acompanhei os posts do Lion citando alguns dos trechos mais interessantes, e gostaria de escrever mais sobre o assunto quando tiver tempo.

Mas o que eu queria falar agora é que acompanhei também o fenômeno #Yesallwomen e uma série de artigos informando que a "cultura machista" e a "cultura do estupro" é que eram as verdadeiras culpadas e coisa e tal.

O paradoxal é o seguinte: a maioria desses artigos cita o estupro e as cantadas na rua como alguns dos principais males que afetam as mulheres vítimas da tal "cultura machista". Porém, o problema de Elliot era exatamente o oposto: vítima de uma timidez patológica, é pouco provável que pudesse abordar uma mulher na rua, ainda mais com cantadas vulgares. Seu problema era que, longe de ser um machista que tratava as mulheres como objetos, ele era um "loser" que mesmo com um BMW e família pseudo-hollywoodiana, conseguiu ser rejeitado por 100% das mulheres.

É verdade que, tendo crescido em meio a uma cultura superficial baseada nas aparências e no status, e não tendo tido bons modelos nos adultos ao seu redor (tudo indica que seus pais divorciados e sua madrastra não eram os melhores adultos-modelo), terminou tendo um complexo monstruoso, que o fazia acreditar ter direito a sexo com mulheres loiras, quando, claramente, essa era uma impossibilidade técnica para alguém como ele. Por muito que se diga que muitas mulheres são materialistas só preocupadas com riqueza, minha impressão é que carisma e atração física (que não é necessariamente beleza, mas masculinidade) contam mais do que dinheiro, no fim. A um empresário rico mas sem demasiado charme como o Bill Gates, 9 entre 10 mulheres prefeririam o Brad Pitt, ou até um gordinho careca mas carismático como o Louis C.K. Ou não? Mas Elliot, coitado, achava que era só ter dinheiro que iria chover mulher, sem que ele precisasse fazer mais nada. 

A outra coisa paradoxal é que, por todo o seu suposto ódio contra as mulheres, ele matou quatro homens e apenas duas mulheres. As mulheres, aparentemente, esqueceram totalmente esse fato, ou talvez as vítimas do sexo masculino nem importem. É aliás bem provável que, se ele tivesse matado apenas seus três colegas de quarto chineses, o evento nem teria saído de uma nota de rodapé no jornal, tão insignificantes tornaram-se os coitados.

Eu não sei se vocês notaram isso também, ou é um fenômeno apenas norte-americano, mas parece estar dando a impressão que, quanto mais a sociedade se feminiza, e quanto mais as mulheres avançam em termos de direitos, mais elas reclamam da "cultura machista". Se eu fosse machista, ou um psicólogo freudiano, diria que elas estão querendo mesmo é "um macho de verdade" que lhes dê um cala-te-boca.  Como não sou nem um nem outro, fico meio sem entender esse ódio feminista cada vez maior, ao mesmo tempo em que mais aumenta a presença feminina em tudo.

Isso não quer dizer, é claro que o rapaz não fosse (ou não tivesse se tornado) misógino, ou até misantropo, já que odiava os homens que transavam com mulheres também.

Será que era inevitável que ele tivesse virado um monstro? Ao contrário de outros esquizofrênicos como Adam Lanza ou o maníaco do cinema, eu acho que, se ele tivesse tido melhores modelos adultos, uma educação longe da subcultura materialista hollywoodiana, e se tivesse desenvolvido amizades e hobbies, e um tratamento psicológico adequado, nada disso precisaria ter acontecido. Mas vai saber.

Rejeição é uma coisa difícil, mas raramente de todo traumática. Todo mundo passou por isso. Mas parece-me que as mulheres (ou as feministas de hoje) adoram ver-se como vítimas, mas parecem não entender que o homem também sofre - não com estupro, mas com o abandono, com a rejeição, com o bullying, com o ostracismo social, com a traição, com a perda de guarda de filhos, com as mentiras, etc, etc, etc.

Eis um quadrinho desonesto, do tipo "todo homem é um assassino e estuprador em potencial":



De todos os ismos, o feminismo sempre me pareceu o mais falso de todos, simplesmente porque tendo crescido cercado por mulheres fortes (que eram as que realmente mandavam na família), parecia-me absurdo conseguir enxergar as mulheres como meras vítimas indefesas dos homens malvados.

Tem um livro, escrito nos anos 70 por uma mulher, chamado "O Homem Domado" (acho que existe versão em português em pdf) que tem um argumento interessante: tudo isso é truque. A mulher manipula constantemente o homem para obter benefícios e para ser sustentada.  Talvez o livro seja um pouco exagerado, mas tem alguns momentos válidos. Quem jamais foi manipulado por alguma namorada, ou até por uma mulher desconhecida querendo um drinque gratuito em troca da vã (e quase sempre falsa, nesses casos) promessa de sexo?

Talvez o problema dos dias de hoje seja que, não existindo demasiados casos de real preocupação para as mulheres no primeiro mundo (não, ao menos, da mesma forma que existe opressão e até perigo de vida em países como a Arábia Saudita, o Iêmen ou a Índia), elas tendam a exacerbar "first world problems".

No outro dia, por exemplo, alguma moça no meu Facebook reclamou sobre artigos de jornal que falavam sobre o penteado da atriz X ou o vestido da cantora Y, e disse que tais artigos de "machistas". Observei que tais artigos não podiam ser "machistas" já que, além de raramente serem escritos por homens, o público que tinha interesse em saber sobre o penteado ou o vestido de mulheres famosas, era formado por 90% de mulheres (e os outros 10% de gays). Ela ficou sem saber o que responder. Acho que me deletou do Facebook.

Mas é verdade que, como informam as notícias, os casos de (homens) perdedores no mercado sexual matando mulheres parece ser um triste fenômeno em aumento, e nesse sentido não posso criticar de todo as feministas pela sua preocupação. De fato, trata-se de uma preocupante reação de homens (de alguns homens) contra o feminismo. 

Minha interpretação, no entanto, não é que isso tenha a ver com o "patriarcado" (ou tais assassinatos seriam bem mais comuns nos anos 50 ou antes, época de "patriarcalismo" maior), ou nem mesmo com o ódio as mulheres ou à desigualdade tendo crescido na sociedade, mas com o fato de que, após o fim do tal "patriarcado" e da revolução feminista, existem alguns homens que saíram ganhando, e outros que saíram perdendo. Quando antes o normal era que quase todo o mundo terminasse casando, ainda que não com a mulher ou os homens dos sonhos (salvo os muito esquisitos, mas esses seriam internados, ou talvez encontrariam consolo na religião), hoje em dia existem alguns homens de maior sucesso que obtém mais mulheres, e outros que ficam sem nenhuma. Sempre foi assim, na verdade; tanto que algumas culturas, como a islâmica, até são polígamas, e alguns acreditem que a poligamia seja mais "natural" para o ser humano do que a monogamia (certamente a poligamia é comum no reino dos primatas).

Sempre vai existir esse desequilíbrio. A vida é injusta, etcétera e tal. Algumas culturas solucionaram esse problema com os casamentos arranjados, que ainda são comuns na Ásia ou na Índia. O Ocidente europeu foi quem introduziu a idéia do amor romântico, a idéia de que, para toda pessoa, existe uma alma gêmea, da busca do amor como ideal, associado ao casamento monogâmico.

Talvez agora estejamos migrando para algum outro modelo, quem sabe?

segunda-feira, 26 de maio de 2014

A vingança dos nerds

Santa Bárbara. Belíssimo lugar. Estive mais de uma vez. Estive também no campus da UCSB. Não é tão bonito quanto o de outras universidades americanas (arquitetura moderna, feia), mas a faculdade tem fama de ser uma das melhores dos EUA -- não academicamente, mas para festas, sexo e drogas.

Alguns falam em controle de armas, outros em doença mental, mas poucos discutem o fato de que a sociedade americana de hoje seja um lugar difícil para jovens homens brancos (se bem que ele era filho de mãe asiática e pai branco, como tantos casais hoje na Califórnia), ou ao menos, certo tipo de jovem homem mais nerd (e brancos e asiáticos são os mais nerds), e de que há algo terrível na sociedade moderna que leva a um aumento cada vez maior destes casos.

Falarei mais sobre este caso em breve, pois é representativo de uma mudança terrível. Fiquem por ora com esta boa descrição dos eventos e comentário sobre o perfil do assassino, ou leiam o iSteve e o Lion of the Blogosphere, onde estão os melhores textos sobre o assunto.


P. S. Só pra esclarecer. Sempre que ocorre um desses casos de tiroteio, já saem as pessoas declarando que "foi por causa de x" ou "foi por causa de y", como se pudesse existir uma causa única que, se resolvida, acabaria com futuros tiroteios no instante. A esquerda fala em "ódio racista, sexista, etc" e a falta de controle de armas, já a direita critica a crise de valores, a violência nos videogames, etc.

Não é bem assim, é claro. O mero fato de existirem possantes armas de fogo e indivíduos perturbados já garante que eventos desse tipo poderão acontecer. Quanto ao motivo, bem, os loucos ou paranóicos tendem a aderir à moda do momento e seus motivos declarados não devem ser levados tão a sério. 

Eu não estou dizendo que seja por causa do "feminismo". Porém, tendo lido um artigo que declarou que a culpa era da "sociedade patriarcal", confesso que me irritou. Pois afinal, se a culpa fosse da "sociedade patriarcal", então pela lógica tais eventos seriam muito mais comuns nos anos 1950 do que hoje, quando a tal sociedade patriarcal estava no auge na América. Só que é o contrário: eram extremamente raros nessa época, e hoje acontecem a cada semana.

Tudo bem, não há uma causa única, mas seria demais imaginar que a desintegração da família, o aumento dos divórcios, a liberação sexual, a diversidade, e todos os problemas criados pelo radicalismo dos anos 60 (e que continua até hoje) não teriam nenhuma influência em tudo isso que vemos aí?

Eu não li a sua autobiografia, mas o Lion leu e publicou uns trechos. O jovem tinha pais divorciados que não deram muita bola para ele; uma família problemática, uma madrastra estúpida e um pai ausente; era bi-racial (asiático com europeu) e sentia-se conflituado por isso; era viciado em videogames. Etc, etc. 

Por outro lado, o garoto tinha certamente problemas psicológicos profundos e, em algum momento, virou um monstro do egoísmo. Criticava a mãe por não ter tido um segundo casamento com um homem rico; culpava o pai por não ser um figurão maior de Hollywood em vez de gastar dinheiro em um documentário medíocre; criticava as mulheres loiras por "rejeitá-lo", como se ele tivesse direito a elas apenas por existir e dirigir um BMW.

O que sim acho que é parte do problema é essa mentalidade vitimista (gerada em parte pelo politicamente correto) em que todo mundo se vê como vítima inocente de um mundo injusto e cruel. Ele sofreu bullying, é verdade, e pode não ter tido uma vida ideal, mas quem é que teve? Comparado à maioria de nós, ele era um privilegiado, mesmo que não pudesse ver isso. Enfim, de forma alguma é um modelo para o que quer que seja.

Porém, o fato de que estejam acontecendo tiroteios com extrema freqüência, e quase sempre por homens jovens ou adolescentes perturbados e socialmente isolados, leva a pensar que existe algo de errado na sociedade que os leva a isso. Talvez num passado nem tão remoto, a religião ocuparia o vazio de suas vidas. Ou talvez ser virgem aos 22 anos não seria algo tão terrível, considerando que ser virgem até o casamento era comum para muitas pessoas. Ou talvez ele apenas se mataria, sem sentir a necessidade de levar junto outros consigo. Eu não sei, realmente. Sei que antes não acontecia, e agora acontece com assustadora freqüência, e isso é um sintoma de uma sociedade claramente doente. E dizer que é culpa das "armas" ou do "patriarcado" (ou, está certo, do "feminismo") é simplificar demais tudo.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Putinhas feministas, ou: Quantidade versus qualidade

Com vocês, as "Putinhas aborteiras", novo sucesso feminista-progressista nas paradas:




Nem vou comentar do conteúdo, bizarro além de propositalmente ofensivo, uma tentativa pobre e atrasada de imitar as "Pussy Riot" ou as "Femen", coisa tão batida que nem as feministas aguentam mais. Porém, se analisarmos apenas a música, o ritmo, a dança e as vestimentas das moças, enquanto elementos estéticos ou artísticos, dá uma tristeza imensa.

Um leitor abaixo observou que quantidade e qualidade são em geral opostos, e que com o aumento da quantidade de pessoas no mundo, a qualidade do que é produzido tende a piorar. É verdade: a grande mídia apela para o mais baixo denominador comum.

Esse não é apenas um problema do Brasil. Digo até que, em termos de lixo cultural, a TV brasileira não é muito pior do que a americana ou européia de hoje. (Existe uma TV de maior qualidade feita em canais exclusivos como HBO ou BBC, para um público um pouco mais seleto, mas é em quantidade infinitamente menor à maioria do lixo e "reality shows".)

Com a crescente "terceiromundização" do "primeiro-mundo" (acho, aliás, que esses termos estão completamente defasados e deveriam ser substituídos), somado ao emburrecimento progressivo da população, é provável que isso continue a piorar ainda mais.

Veja bem, as massas sempre foram ignorantes. Houve tempos em que o pessoal se divertia queimando gatos ou assistindo briga de gladiador.

Porém, por mais baixo que fosse o povo, havia ao menos uma busca da beleza por parte das elites e daqueles mais inteligentes. Hoje nem a elite procura mais a beleza, e a arte virou lixo, tanto que, vez por outra, surge alguma notícia sobre alguma faxineira que jogou fora uma "obra de arte" contemporânea. Ué, se foi confundida com lixo, então será que não seria mesmo lixo? Nenhuma faxineira jamais pensou em jogar fora a Vênus de Boticelli. Esse é o problema da arte moderna: quando Duchamp colocou um urinol no museu, ele achou que estava transformando o urinol em arte, mas na verdade estava, ao mesmo tempo, fazendo o contrário: transformando a arte em urinol. (Sobre esse assunto, assistam a "Por que a beleza importa", do Roger Scruton, aqui com legendas em português).   

Mas a arte, moderna ou clássica, Bela ou anti-Bela, é um jogo para poucos. A cultura pop massiva é o que realmente influi na população. 

Eu não sei se o gosto popular já foi melhor. Eu acho que foi. Vendo a lista dos vídeos mais populares do Youtube, não dá muita esperança. Gangnam Style em primeiro, e até o melhorzinho. Os outros são Justin Bieber, Miley Cyrus, Lady Gaga, e até (em décimo primeiro lugar) o brazuca Michel Teló.

Penso no Brasil: houve um tempo em que no morro fazia-se samba com letras românticas. Hoje faz-se funk. O que mudou? Não acho que foi o povo quem perdeu o bom-gosto, pois o povo apenas imita, mas a classe média e as elites.

Fico por aqui. Ainda não decidi o que fazer com o blog, mas contarei pra vocês, mas é que eu precisava compartilhar as "Putinhas aborteiras" (P. S.  Achei mais divertida esta versão paródica que alguém fez; nos links há também um outro funk feminista que, acredito, seja paródico. Chama-se "Vou cortar sua pica".)

Divirtam-se, e até um outro dia, se Deus quiser.