Foi Bertolt Brecht quem disse certa vez que o pior analfabeto era o analfabeto político. Lamentavelmente, o que ele queria dizer com analfabeto era "não doutrinado na ideologia socialista". Para Brecht, o alfabeto era o beabá marxista.
Hoje, não há mais esse problema. Todos, desde criancinhas, são educados pela mídia, pelas escolas, pelo establishment enfim, a repetir os dogmas políticos esquerdistas da atualidade. Não há quem não aprenda desde os tenros seis anos a importância da "justiça social" e da "saúde pública e gratuita para todos".
O problema é que essa doutrinação não torna as pessoas menos analfabetas, ao contrário. Se eu ensinar que 2+2 = 5 não estarei educando ninguém.
Ou, como disse certa vez Reagan: o problema dos esquerdistas (liberals no dialeto local) não é que eles sejam ignorantes, é que que eles 'sabem' muitas coisas erradas.
Eles acham que saúde pública é "de grátis", que Stalin matar 20 milhões de pessoas de fome em nome da coletivização é bacana, que todas as culturas são iguais e podem ser substituídas umas pelas outras, que tudo o que basta para que os povos convivam em paz é a boa-vontade, e que qualquer problema pode ser resolvido com aumento de impostos.
A loucura é tanta que é possível que hoje em dia um caipira ignorante esteja melhor informado sobre como o mundo real funciona do que um estudante de marxniversidade.
Não é à toa que os Governos persigam tanto aqueles que querem realizar homeschooling*.
* Foi Hitler quem promulgou as leis contra homeschooling na Alemanha que ainda valem e foram utilizadas contra as famílias dos links acima. Lenin ("dê-me uma criança por 4 anos e farei dela um Bolchevique para sempre") tornou o ensino caseiro ilegal na Rússia em 1919, a proibição durou até 1992.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Poema do domingo
SEYTON
MACBETH
She should have died hereafter;
There would have been a time for such a word.
To-morrow, and to-morrow, and to-morrow,
Creeps in this petty pace from day to day,
To the last syllable of recorded time;
And all our yesterdays have lighted fools
The way to dusty death. Out, out, brief candle!
Life's but a walking shadow, a poor player
That struts and frets his hour upon the stage
And then is heard no more. It is a tale
Told by an idiot, full of sound and fury
Signifying nothing.
Macbeth (Act 5, Scene 5, lines 17-28)
William Shakespeare (1564-1616)
The queen, my lord, is dead. MACBETH
She should have died hereafter;
There would have been a time for such a word.
To-morrow, and to-morrow, and to-morrow,
Creeps in this petty pace from day to day,
To the last syllable of recorded time;
And all our yesterdays have lighted fools
The way to dusty death. Out, out, brief candle!
Life's but a walking shadow, a poor player
That struts and frets his hour upon the stage
And then is heard no more. It is a tale
Told by an idiot, full of sound and fury
Signifying nothing.
Macbeth (Act 5, Scene 5, lines 17-28)
William Shakespeare (1564-1616)
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Life's but a walking shadow
Em tempos em que ninguém mais parece preocupar-se com o Irã, e os EUA obâmicos já admitem aceitar a realidade de um Irã atômico - é bacana ler a incrível história de Totsumo Yamaguchi, o homem que sobreviveu a DOIS ataques nucleares. Sim: ele estava em Hiroshima em uma viagem de negócios no dia 6 de agosto de 1945. Surpreendido pela bomba americana, sofreu apenas queimaduras leves, e depois de ser tratado retornou no dia seguinte para sua cidade natal - Nagasaki.
Totsumo também sobreviveu ao segundo bombardeio - embora desde então reclamasse de uma ligeira surdez - e viveu até os 94 anos. Morreu recém agora em janeiro de 2010.
Se estão corretas as previsões de que ao menos uma bomba nuclear vai explodir em algum lugar do planeta nos próximos dez anos, é bom saber de alguém que sobreviveu não apenas a um, como a dois ataques.
Destino? Sorte (ou azar) incrível? Ou desígnio de Deus?
Existe também a história de Juliane Köpcke, única sobrevivente de um avião que explodiu em pleno ar ao ser atingido por um raio. O avião, que então sobrevoava a floresta amazônica, partiu-se em vários pedaços. A moça, ainda presa ao assento, caiu de uma altura de mais de três mil metros. No entanto, de modo inexplicável, sofreu apenas ligeiras escoriações, a quebra da clavícula, e um ferimento no braço que terminou infectado por larvas. Depois disso, ainda teve que caminhar durante dez dias pela selva amazônica, sem comida, até encontrar um povoado. Perdeu a família no acidente, mas está ainda viva e trabalha em um zoológico.
Há os que achem que a História seja apenas um acúmulo de eventos sem sentido. E há os que, no caos, tentam adivinhar algum tipo de ordem secreta.
Talvez as nossas mentes estejam criadas (ou tenham evoluído) para procurar um sentido em tudo, e por isso nos custa tanto aceitar que a vida não tenha - ou tem? - sentido algum.
Há os que acham que nada serve a coisa nenhuma. E há os que acreditam que tudo tem algum papel no Universo, até mesmo a menor das pedrinhas.
Tendo as duas possibilidades, prefiro - à maneira de Pascal - acreditar nessa segunda hipótese. Mas eu realmente não sei.
Totsumo também sobreviveu ao segundo bombardeio - embora desde então reclamasse de uma ligeira surdez - e viveu até os 94 anos. Morreu recém agora em janeiro de 2010.
Se estão corretas as previsões de que ao menos uma bomba nuclear vai explodir em algum lugar do planeta nos próximos dez anos, é bom saber de alguém que sobreviveu não apenas a um, como a dois ataques.
Destino? Sorte (ou azar) incrível? Ou desígnio de Deus?
Existe também a história de Juliane Köpcke, única sobrevivente de um avião que explodiu em pleno ar ao ser atingido por um raio. O avião, que então sobrevoava a floresta amazônica, partiu-se em vários pedaços. A moça, ainda presa ao assento, caiu de uma altura de mais de três mil metros. No entanto, de modo inexplicável, sofreu apenas ligeiras escoriações, a quebra da clavícula, e um ferimento no braço que terminou infectado por larvas. Depois disso, ainda teve que caminhar durante dez dias pela selva amazônica, sem comida, até encontrar um povoado. Perdeu a família no acidente, mas está ainda viva e trabalha em um zoológico.
Há os que achem que a História seja apenas um acúmulo de eventos sem sentido. E há os que, no caos, tentam adivinhar algum tipo de ordem secreta.
Talvez as nossas mentes estejam criadas (ou tenham evoluído) para procurar um sentido em tudo, e por isso nos custa tanto aceitar que a vida não tenha - ou tem? - sentido algum.
Há os que acham que nada serve a coisa nenhuma. E há os que acreditam que tudo tem algum papel no Universo, até mesmo a menor das pedrinhas.
Tendo as duas possibilidades, prefiro - à maneira de Pascal - acreditar nessa segunda hipótese. Mas eu realmente não sei.
Der prozess
O artigo para se ler sobre o julgamento de Geert Wilders, que começa hoje, sob quase total silêncio midiático, ainda que dele talvez dependa o futuro de nossa civilização.
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
O que é o mercado?
O Lula falou no outro dia uma coisa assim:
Observo que isso ocorre especialmente na esquerda. Às vezes tenho a impressão que os esquerdistas acham mesmo que o mercado é uma espécie de deus. Na sua primitiva ignorância, acreditam que dinheiro cai das árvores, que é possível ter um almoço grátis, e que princípios tão básicos como a lei da oferta e demanda respondem a desígnios divinos impossíveis de compreender pelos comuns mortais.
Ora, mas o que é o tal "deus-mercado" de que tanto falam? Estou muito longe de entender de economia, mas, como serviço de utilidade pública, coloco aqui alguns breves vídeos de animação que achei no Youtube explicando alguns princípios básicos que toda criancinha de oito anos deveria saber.
O primeiro é uma breve explicação sobre o livre mercado, comparando com o Estado autoritário. Também há um cartoon bacana de 1948 explicando a diferença entre o capitalismo e o socialismo. E uma instigante versão em quadrinhos, também dos anos 40, explicando "A Road to Serfdom" do Hayek em 5 minutos. E ainda tem esta série mais longa que dá toda uma aula de economia em forma de cartum para crianças. Finalmente, o pessoal do South Park explica a recente crise econômica.)
Se uma criancinha de oito anos pode entender, porque Lula e Obama - que está novamente propondo aumento de impostos e gastos trilionários do governo - não podem?
Eles venderam a lógica de que o Estado não prestava para nada, de que o Estado não podia nada e que o ‘deus mercado’ é que iria desenvolver os países, é que iria fazer justiça social. Esse ‘deus mercado’ quebrou. Quebrou por irresponsabilidade, quebrou por falta de controle, quebrou por causa da especulação.Não sei quem são esses "eles" a quem o Lula se refere, provavelmente os banqueiros loiros de olhos azuis. E não acredito que ninguém tenha jamais dito que o "mercado" faria "justiça social", afinal não é sua função. Tampouco "quebrou", pois empresas - ou governos - podem quebrar, mas o "mercado" em si não quebra. Mas não importa o que o Lula falou porque ele é muito inguinorante. O problema mesmo é que muitas outras pessoas - mesmo pessoas com estudo e até PhD - tampouco têm a menor noção dos fundamentos mais básicos da ciência econômica.
Observo que isso ocorre especialmente na esquerda. Às vezes tenho a impressão que os esquerdistas acham mesmo que o mercado é uma espécie de deus. Na sua primitiva ignorância, acreditam que dinheiro cai das árvores, que é possível ter um almoço grátis, e que princípios tão básicos como a lei da oferta e demanda respondem a desígnios divinos impossíveis de compreender pelos comuns mortais.
Ora, mas o que é o tal "deus-mercado" de que tanto falam? Estou muito longe de entender de economia, mas, como serviço de utilidade pública, coloco aqui alguns breves vídeos de animação que achei no Youtube explicando alguns princípios básicos que toda criancinha de oito anos deveria saber.
O primeiro é uma breve explicação sobre o livre mercado, comparando com o Estado autoritário. Também há um cartoon bacana de 1948 explicando a diferença entre o capitalismo e o socialismo. E uma instigante versão em quadrinhos, também dos anos 40, explicando "A Road to Serfdom" do Hayek em 5 minutos. E ainda tem esta série mais longa que dá toda uma aula de economia em forma de cartum para crianças. Finalmente, o pessoal do South Park explica a recente crise econômica.)
Se uma criancinha de oito anos pode entender, porque Lula e Obama - que está novamente propondo aumento de impostos e gastos trilionários do governo - não podem?
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Eutanásia ou morte!
Na Inglaterra, dois casos recentes chamam à atenção sobre o problema da eutanásia. Os dois são casos de mães que mataram os próprios filhos.
A primeira mãe matou o filho com doses maciças de heroína comprada na rua, pois estava convencida que ele sofria imensamente após um acidente que causou sérios danos cerebrais. Não houve pedido algum do filho (a reportagem não deixa claro se ele podia mesmo se comunicar). A mãe é que parecia extremamente interessada em livrar-se do filho-problema.
No outro caso, uma mãe também matou a própria filha, mas livrou-se da acusa de assassinato. Aqui parece ter havido um desejo expresso da filha de acabar com a própria vida, ao qual a mãe respondeu com carinho, amor, e injeções de ar para causar embolia.
Por outro lado, a doença da filha - encefalomielite miálgica, também conhecida como "fadiga crônica" - é debilitante, mas raramente mortal. Além disso, o paciente está em plena consciência de suas faculdades.
Digamos que a filha sofresse de depressão - que, como sabe todo aquele que já passou por isso, também pode tornar a vida um inferno. Seria lícito também nesse caso matar um filho deprimido, ou ao menos incentivar o suicídio que ele tanto deseja, em vez de tentar salvá-lo?
Qual a linha que separa a compaixão do egoísmo? E a eutanásia do assassinato?
É curioso que haja hoje tanta ênfase no "direito de morrer". (Eu preferiria que alguém lutasse pelo direito de sermos imortais.) Será isso causado pela crise religiosa do Ocidente?
Afinal, por um lado, a tecnologia médica permite uma vida muito mais longa do que antigamente. Por outro lado, ao menos uma terça parte dessa "vida mais longa" vai ser passada na sofrível velhice. (A fonte da juventude ainda ninguém descobriu).
Somando-se a isso, a crise do cristianismo parece estar gerando o fim de qualquer idéia de que a vida seja "sagrada", de que o destino esteja "nas mãos de Deus". Segundo a narrativa pós-cristã, somos apenas matéria, órgãos, átomos, ou, como a própria Bíblia diz, pó. O importante é curtir a vida enquanto podemos com muito sexo, drogas e roquenrol, e depois, bye bye.
A obsessão com a morte é tanta que o escritor inglês Martin Amis já quer que sejam instaladas "cabines de suicídio" nas esquinas das ruas londrinas, para maior facilidade de velhinhos esclerosados e jovens com problemas mentais.
O Ocidente está em crise, não resta dúvida. Não há maior indicação disso do que a gritante presença de tantos indivíduos que se preocupam mais em morrer do que em viver - ou em dar à luz novas crianças.
Lamentavelmente, depois que o último velhinho europeu morrer e apagar a luz, o continente ainda vai estar repleto de jovens muçulmanos que não vão querer acabar com a própria vida com injeções de morfina em um hospital, mas sim explodindo-se com bombas em um bar ou um supermercado. Ou quem sabe até em um hospital.
A primeira mãe matou o filho com doses maciças de heroína comprada na rua, pois estava convencida que ele sofria imensamente após um acidente que causou sérios danos cerebrais. Não houve pedido algum do filho (a reportagem não deixa claro se ele podia mesmo se comunicar). A mãe é que parecia extremamente interessada em livrar-se do filho-problema.
No outro caso, uma mãe também matou a própria filha, mas livrou-se da acusa de assassinato. Aqui parece ter havido um desejo expresso da filha de acabar com a própria vida, ao qual a mãe respondeu com carinho, amor, e injeções de ar para causar embolia.
Por outro lado, a doença da filha - encefalomielite miálgica, também conhecida como "fadiga crônica" - é debilitante, mas raramente mortal. Além disso, o paciente está em plena consciência de suas faculdades.
Digamos que a filha sofresse de depressão - que, como sabe todo aquele que já passou por isso, também pode tornar a vida um inferno. Seria lícito também nesse caso matar um filho deprimido, ou ao menos incentivar o suicídio que ele tanto deseja, em vez de tentar salvá-lo?
Qual a linha que separa a compaixão do egoísmo? E a eutanásia do assassinato?
É curioso que haja hoje tanta ênfase no "direito de morrer". (Eu preferiria que alguém lutasse pelo direito de sermos imortais.) Será isso causado pela crise religiosa do Ocidente?
Afinal, por um lado, a tecnologia médica permite uma vida muito mais longa do que antigamente. Por outro lado, ao menos uma terça parte dessa "vida mais longa" vai ser passada na sofrível velhice. (A fonte da juventude ainda ninguém descobriu).
Somando-se a isso, a crise do cristianismo parece estar gerando o fim de qualquer idéia de que a vida seja "sagrada", de que o destino esteja "nas mãos de Deus". Segundo a narrativa pós-cristã, somos apenas matéria, órgãos, átomos, ou, como a própria Bíblia diz, pó. O importante é curtir a vida enquanto podemos com muito sexo, drogas e roquenrol, e depois, bye bye.
A obsessão com a morte é tanta que o escritor inglês Martin Amis já quer que sejam instaladas "cabines de suicídio" nas esquinas das ruas londrinas, para maior facilidade de velhinhos esclerosados e jovens com problemas mentais.
O Ocidente está em crise, não resta dúvida. Não há maior indicação disso do que a gritante presença de tantos indivíduos que se preocupam mais em morrer do que em viver - ou em dar à luz novas crianças.
Lamentavelmente, depois que o último velhinho europeu morrer e apagar a luz, o continente ainda vai estar repleto de jovens muçulmanos que não vão querer acabar com a própria vida com injeções de morfina em um hospital, mas sim explodindo-se com bombas em um bar ou um supermercado. Ou quem sabe até em um hospital.
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Quarto mundo
Falamos recentemente sobre a praga do "terceiromundismo", mas há lugares do mundo que ficam além dessa explicação. Lugares tão inóspitos que, francamente, é ver para crer.
Se você achou o Haiti o fim da picada, é porque não conhece a Libéria.
A VBS TV é um site bacana que descobri recentemente. É uma rede de televisão online especializada em documentários curtos. O diretor criativo é Spike Jonze. Os documentários que assisti até agora são bem interessantes, ainda que algo superficiais. A série sobre a Libéria está atualmente na parte 6 de 8. Cada episódio dura menos de dez minutos. Se você não puder assistir tudo, tente assistir ao menos a parte 1 (abaixo), que faz um breve apanhado histórico, ou então a incrível parte 3, que é a mais grotesca e apavorante de todas, e pergunte-se que tipo de salvação pode haver para essa pobre gente.
(Vendo essas cenas, parece-me que os europeus cometeram um grave erro ao colonizar a África; talvez fosse melhor ter deixado os locais com suas tribos e seus tambores. Ao menos, antes eles se matavam com lanças, e não com AK-47s.)
Outro documentário interessante é o sobre a Coréia do Norte. Acho que o Tiago vai gostar deste. É um pouco menos impactante e mais aborrecido por não poder sair jamais do tour propagandístico traçado pelos zelosos nortecoreanos. Mesmo assim, a impressão que passa de Pyongang é de uma cidade-fantasma. Há também um documentário sobre as condições de trabalho semi-escravo em Dubai.
Para os mais interessados na alta cultura brasileira, eles fizeram um curta sobre a mulher-melancia.
Se você achou o Haiti o fim da picada, é porque não conhece a Libéria.
A VBS TV é um site bacana que descobri recentemente. É uma rede de televisão online especializada em documentários curtos. O diretor criativo é Spike Jonze. Os documentários que assisti até agora são bem interessantes, ainda que algo superficiais. A série sobre a Libéria está atualmente na parte 6 de 8. Cada episódio dura menos de dez minutos. Se você não puder assistir tudo, tente assistir ao menos a parte 1 (abaixo), que faz um breve apanhado histórico, ou então a incrível parte 3, que é a mais grotesca e apavorante de todas, e pergunte-se que tipo de salvação pode haver para essa pobre gente.
(Vendo essas cenas, parece-me que os europeus cometeram um grave erro ao colonizar a África; talvez fosse melhor ter deixado os locais com suas tribos e seus tambores. Ao menos, antes eles se matavam com lanças, e não com AK-47s.)
Outro documentário interessante é o sobre a Coréia do Norte. Acho que o Tiago vai gostar deste. É um pouco menos impactante e mais aborrecido por não poder sair jamais do tour propagandístico traçado pelos zelosos nortecoreanos. Mesmo assim, a impressão que passa de Pyongang é de uma cidade-fantasma. Há também um documentário sobre as condições de trabalho semi-escravo em Dubai.
Para os mais interessados na alta cultura brasileira, eles fizeram um curta sobre a mulher-melancia.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Últimos estertores do chavismo
Lembram, há poucos anos atrás, quando ainda tantos na esquerda celebravam Chávez e suas "conquistas", e falavam em como ele estaria resolvendo os problemas sociais da Venezuela, e sua influência política ameaçava se espalhar por todo o continente? Mesmo celebridades como Sean Penn, Oliver Stone e Naomi Campbell abraçavam-se ao tirano (claro que depois tomando um bom banho e voltando para suas mansões em Bel Air e Beverly Hills).
Hoje o povo liderado por Chavito enfrenta o amargo resultado de suas políticas: escalada de crime, crise energética, inflação de 60%, banhos de três minutos, censura na TV, racionamento de água e alimentos.
Chavez também perdeu de goleada a disputa em Honduras e sua influência continental começa a minguar. No Chile, a direita ganhou as eleições; é provável que a essa se sigam outras derrotas. Mesmo em Caracas, sua popularidade não é sombra do que era. Nem acusar os EUA de ter uma máquina de criar terremotos ajuda o pobre coitado.
De fato, os problemas são tantos que os ratos já começam a fugir do navio. (Cadê o Sean Penn agora? Cadê Naomi Campbell?)
Tudo isso, é claro, não é uma surpresa para este blog, e todos os que sabiam que o tal "socialismo do século XXI" era tão ruim quanto o do século XX.
Mas não espere por isso que os fãs do socialismo desistam, e finalmente entendam que tentar esse caminho é burrada. Já estão eles gritando que é tudo culpa do "imperialismo" em seu novo Fórum Social Mundial.
Da próxima vez, eles garantem, vai dar certo.
Enquanto isso, na América, o Obamismo também começa a degringolar.
Hoje o povo liderado por Chavito enfrenta o amargo resultado de suas políticas: escalada de crime, crise energética, inflação de 60%, banhos de três minutos, censura na TV, racionamento de água e alimentos.
Chavez também perdeu de goleada a disputa em Honduras e sua influência continental começa a minguar. No Chile, a direita ganhou as eleições; é provável que a essa se sigam outras derrotas. Mesmo em Caracas, sua popularidade não é sombra do que era. Nem acusar os EUA de ter uma máquina de criar terremotos ajuda o pobre coitado.
De fato, os problemas são tantos que os ratos já começam a fugir do navio. (Cadê o Sean Penn agora? Cadê Naomi Campbell?)
Tudo isso, é claro, não é uma surpresa para este blog, e todos os que sabiam que o tal "socialismo do século XXI" era tão ruim quanto o do século XX.
Mas não espere por isso que os fãs do socialismo desistam, e finalmente entendam que tentar esse caminho é burrada. Já estão eles gritando que é tudo culpa do "imperialismo" em seu novo Fórum Social Mundial.
Da próxima vez, eles garantem, vai dar certo.
Enquanto isso, na América, o Obamismo também começa a degringolar.
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domingo, 24 de janeiro de 2010
Poema do domingo
Sensation
Par les soirs bleus d'été, j'irai dans les sentiers,
Picoté par les blés, fouler l'herbe menue :
Rêveur, j'en sentirai la fraîcheur à mes pieds.
Je laisserai le vent baigner ma tête nue.
Je ne parlerai pas, je ne penserai rien :
Mais l'amour infini me montera dans l'âme,
Et j'irai loin, bien loin, comme un bohémien,
Par la Nature, - heureux comme avec une femme.
Arthur Rimbaud (1854-1891)
Par les soirs bleus d'été, j'irai dans les sentiers,
Picoté par les blés, fouler l'herbe menue :
Rêveur, j'en sentirai la fraîcheur à mes pieds.
Je laisserai le vent baigner ma tête nue.
Je ne parlerai pas, je ne penserai rien :
Mais l'amour infini me montera dans l'âme,
Et j'irai loin, bien loin, comme un bohémien,
Par la Nature, - heureux comme avec une femme.
Arthur Rimbaud (1854-1891)
Terceiromundismo
Uma coluna interessante de um sujeito que eu não conhecia, Robert Weissberg, fala sobre as características do terceiro mundismo. Como identificar um país de terceiro mundo?1) O lixo. Sempre há lixo jogado pelas ruas dos países de terceiro-mundo (normalmente sendo vasculhados por cães vira-latas, gatos e/ou mendigos). Todos jogam o papel da bala que acabaram de comer no chão, ou mesmo atiram latas de coca-cola pela janela do carro. Associado a esse fenômeno, está a apatia: ninguém limpa a própria calçada, "esperam que o governo venha resolver".
2) O trânsito caótico. Ninguém respeita o sinal vermelho, e tanto faz atravessar na faixa de segurança ou não: o risco de ser atropelado é o mesmo. De fato, os pedestres ignoram a faixa tanto quanto os carros, atravessando a rua em qualquer lugar. Estacionamento em fila dupla, limpadores de vidros e flanelinhas são outros sinais claros de terceiromundice.
3) Empregos de faz-de-conta. Em sua maioria empregos públicos em que as pessoas fingem que trabalham, como é o caso do Brasil, onde o grande negócio é ser funcionário público federal. Mas também a existência de empregos idiotas, como por exemplo ascensorista. Uma pessoa que é paga para apertar botões. Sempre me espantei que isso existisse no Brasil (e ainda existe, ao menos nas repartições públicas: é o modo que o governo tem de "diminuir o desemprego").
4) Insegurança. Ricos vivendo atrás de muros em casas ultraprotegidas, tendo que pagar vigias privados, em casos extremos usando carros blindados, etc; mas insegurança também afetando pobres, que são assaltados no ônibus ou mortos por gangues.
5) Incompetência geral. Telefones públicos que nunca funcionam e que ninguém conserta. Estradas esburacadas idem. Lojas e restaurantes com serviço demorado e péssimo atendimento. Atenção: aqui a incompetência não é apenas a (esperada) do serviço público, mas das empresas privadas também.
Como se vê, primeiromundismo e terceiromundismo não têm a ver apenas com riquezas materiais. É uma questão de modo de pensar, eu quase diria de estado de espírito. O curioso é que, embora a terceiromundice seja facilmente exportável para os países de primeiro mundo (e, de fato, já há bairros de terceiro mundo em várias capitais americanas e européias), a recíproca não é verdadeira. Levar aos países de terceiro mundo o primeiromundismo (i.e. o oposto das características acima: limpeza, respeito às leis do trânsito, trabalho produtivo, segurança) é bem mais difícil.
Isso nos leva a pensar uma coisa. Considerando que a maioria do planeta é de "terceiro mundo", será que o terceiromundismo não é, na verdade, o default da humanidade, e que o primeiromundismo foi apenas uma aberração histórica e geográfica momentânea, que logo será eliminada e esquecida?
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