sábado, 16 de maio de 2015

Como ser feliz

Será que a psicologia pode mesmo ajudar o indivíduo a ser mais feliz? Pode a psicologia curar? Ou será que adaptar-se a um mundo doente, é, na realidade, tornar-se doente também?

Alguém certa vez falou que no século XXI vivemos em uma sociedade que no seu dia-a-dia nos torna imensamente infelizes, e depois nos dopa para nos fazer mais "felizes".

(Lembra aquelas pessoas que passam o dia indo de carro de casa ao trabalho ao ginásio para poder caminhar por uma hora na esteira... Realmente curioso... Ainda mais sabendo que esteiras são muito perigosas...)

Mas bem, dizem que o exercício físico nos ajuda. E tomar remédio para depressão, adianta? Será que realmente nos torna mais felizes?

Um fato que não tem sido muito divulgado é que quase todos os atiradores de escola recentes estavam utilizando algum tipo de medicamento "anti-depressivo". O piloto suicida alemão que jogou o avião nos Alpes, também...

Alguns colocaram a culpa na depressão. Porém, eu, quando fico deprimido, nunca penso em matar ninguém. Ao contrário: penso que gostaria de ajudar mais os outros, por empatia com o sofrimento universal. Há uma diferença entre ser deprimido e ser um psicopata.  (Aliás, ouvi dizer que os psicopatas raramente sofrem de depressão, que psicopatia e depressão são justamente estados inversos e mutualmente excludentes). 

Os remédios seriam piores do que a doença, transformando depressivos em psicopatas? Em um mundo em que cada vez mais crianças e adolescentes já começam a tomar anti-depressivos antes dos 12 anos, parece ser algo preocupante... O Peter Hitchens (irmão mais conservador do falecido Christopher) parece ser bem contrário a eles.

Porém, além dos casos extremos, há evidências que eles melhorem a vida de muitas pessoas. Conheço mais de uma pessoa que toma e é feliz.

E a psicoterapia, será que adianta?

Minha experiência com psicólogos e psiquiatras não foi muito boa. Nunca fui mais de três ou quatro vezes ao mesmo psicólogo, talvez por não acreditar.

A primeira foi uma Reichiana que fazia massagens no pescoço que causavam uma sensação prazerosa, próxima ao orgasmo. A parte da massagem era boa. Ela era uma jovem loira de vinte e poucos anos, recém formada. Será que escolheu a profissão errada? Talvez devesse ser massagista ou prostituta, pois a parte da terapia era decepcionante. Tinha que pegar um objeto, como uma pena, ou um chocalho, e ficar discorrendo sobre ele. Achei algo tolo e idiota. Fui apenas a quatro sessões.

A segunda era uma Lacaniana que fazia perguntas idiotas e parecia mais interessada no meu dinheiro do que nas minhas respostas. Fui apenas duas vezes.

O terceiro era um psiquiatra que receitou algo parecido com Prozac, que no entanto só me deu dor de cabeça e sono e parei de tomar. e depois mandava eu fechar os olhos e ficar meditando por 50 minutos. Não queria nem me escutar. Se eu tentava explicar meu problema, ele desconversava e falava sobre a importância da meditação. Pensei que podia meditar em casa sem pagar tanto dinheiro, e parei de ir. Ele ficou bravo.

Depois disso, desisti de vez dos psicólogos, psiquiatras e seus medicamentos. Na minha experiência, o problema passava sozinho após alguns meses, então, para que gastar dinheiro com terapias ou drogas?

Será que tive apenas azar? Não acredito que todos os psicólogos sejam picaretas. Na realidade, considero a psicologia uma ciência extremamente interessante, gostaria de estudá-la se pudesse voltar no tempo e fazer outra carreira. E acho até que psicólogos podem ser úteis, e que alguns remédios possam ajudar. Porém, infelizmente, é um meio no qual é muito fácil ser uma fraude.

A psicologia não pode trazer a "felicidade", pois, como bem sabem os filósofos, a felicidade não existe. Existem no máximo alguns momentos de alegria e prazer. A tal "busca da felicidade" deveria ser renomeada "fuga da infelicidade".

Não me considero uma pessoa deprimida, apesar da tendência exagerada à melancolia e a achar que o mundo e a vida humana são um lixo. Porém, sou o primeiro a admitir que a maioria de meus problemas e tristezas na vida, foi devido a decisões estúpidas que tomei. Não é a "depressão", e sim, fatos concretos que tornaram minha vida mais complicada do que deveria ser.

Porém, será que não é assim pra todo mundo? Why should not old men be mad?

De qualquer modo, é verdade que anteriormente estive deprimido e preocupado, mas agora tomei minha dose de soma, e sou feliz. Tão feliz que decidi que largarei tudo, e utilizarei meu tempo livre para me dedicar à apicultura, à meditação trascendental, e à plantação de batatas.

Seja feliz você também!

(Dica: adote um cachorro. 
São melhores e mais felizes do que a maioria dos humanos.)

sexta-feira, 15 de maio de 2015

O fim do jornalismo

A Internet, apesar de todas as praticidades que nos trouxe, gerou algo um pouco triste: o fim do jornalismo tradicional.

Eu gostava de folhear jornais, aqueles de papel. Ainda gosto, nas raras ocasiões em que um cai nas minhas mãos. A leitura de noticias na Internet não parece ser a mesma coisa; os textos precisam ser todos curtos, diretos, sem detalhe, afinal a leitura nos computadores ou mesmo nos tablets é mais cansativa.

Outra coisa que a notícia na era da Internet precisa é chocar, escandalizar, de preferência já na manchete. É o que se chama de "clickbait journalism". Isso porque, na era da Internet, o que conta para a publicidade são os acessos de página, então se a pessoa só clica para ver a manchete, mesmo que não leia nada, já está valendo.

Por isso a maioria das matérias hoje em dia é bem superficial, além de, naturalmente, seguir quase sempre a cartilha politicamente correta. 

Finalmente, a Internet desempregou muitos jornalistas e abaixou os seus salários, pois agora concorrem com blogueiros anônimos. Isso pode ter as suas vantagens, mas acredito também que algumas desvantagens: o jornalismo certamente perdeu prestígio.

E outra: o jornalismo se feminizou. Se você assistir filmes antigos como o ótimo "The Front Page" (filmado nos anos 70 mas passando-se nos anos 20-30), ou ler romances de Júlio Verne, o jornalismo era uma profissão feita para aventureiros ou intelectuais, formada quase que exclusivamente por homens.

Hoje é o contrário: as mulheres são maioria no jornalismo. Embora isso não seja necessariamente um defeito, talvez tenha marcado a diferença de um jornalismo cada vez mais interessado nas fofocas, nos relacionamentos, no status do que em fatos e análises mais objetivas.

Mas a principal mudança a meu ver foi a causada pelos comentários. Antes ninguém podia "comentar" uma notícia de jornal, só se fosse na mesa do bar, entre amigos. Agora você pode colocar sua opinião ao pé da matéria, para todo mundo ler.

É uma faca de dois gumes. Às vezes, é uma coisa boa: tem matérias nas quais o mais interessante são mesmo os comentários. E às vezes é o contrário, especialmente quando o público é tomado pela sanha linchadora moralizante politicamente correta que tomou conta de grande parte da população.

Um tema bem complicado é o da homossexualidade. Outro é raça. 

Seguem dois exemplos extremos opostos:

Um, faz uns meses atrás, de um colunista gaúcho crucificado por observar que "não há negros em Punta del Este". Foi duramente criticado nos comentários à matéria e também, não surpreendentemente, no Uruguai. (Nem tanto pela questão dos negros, como por chamar o Uruguai de "inferno", o que realmente foi desconcertante.)

O outro, uma matéria em inglês com título tolo, "Será que a África produzirá o novo Einstein", que foi invadida por racistas reclamando de coisas que não tinham muito a ver com a matéria em si.

Veja bem meus caros, o discurso de que todo negro seja ruim e todo branco seja bom é tolo, quando não ridículo. A nível individual, ninguém é necessariamente melhor do que ninguém.  Conheci brancos ruins e negros bons. Asiáticos burros e mestiços inteligentes. Porém, a nível coletivo, precisamos entender que existem diferenças sim. Se bem que em breve elas irão acabar.

Então, nada disso importa.

De qualquer forma, o problema é que nessas discussões, em geral os extremos se tocam, e o discurso civilizado acaba. Certos temas terminam ficando muito difíceis de se escrever para o grande público.

Enfim, o jornalismo morreu. Bem, talvez já vá tarde. Bye bye. 


terça-feira, 12 de maio de 2015

A raça branca não morreu, foi ao Inferno e voltou...

No outro dia falei sobre genocídio caucasiano, mas acho que o tema não foi bem exposto. Na realidade, talvez genocídio não seja bem a palavra. O que está ocorrendo, é uma nova forma de organização socio-étnico mundial. 

Faz um tempo saiu um vídeo humorístico do SNL falando sobre o "adeus da raça branca". O vídeo até que era engraçadinho, e de certa forma, revelador.  Fico pensando: será que a raça branca é mesmo uma raça especial?

De acordo com o vídeo, brancos tem certos estereótipos: gostam de acampar, de caminhar, de andar de bicicleta na ciclovia, de abraçar o pai, de ir à Lua.

Bem, o vídeo não se referia literalmente à morte do último homem branco, mas o fim de sua maioria demográfica e a perda do controle do poder nos EUA. Afinal, de acordo com as projeções demográficas, os EUA em poucas décadas não serão mais um país de maioria branca.

Sim, é possível que isso aconteça, ainda que projeções demográficas possam estar sujeitas a mudanças imprevistas. 

Mas, mesmo que isso acontecer, será mesmo que os latinos, árabes e outros irão tomar conta do pedaço?

Parece bem improvável.

A verdade é a seguinte, amigos. Tudo isso é papo furado. Tanto os que clamam a "diversidade igualitária" quando os que acreditam que há um "genocídio branco" estão equivocados. O futuro dos EUA, e quem sabe do mundo, é simplesmente um sistema de castas.

Nos anos 60, Aldous Huxley foi convidado para dar uma palestra na Universidade de Berkeley para falar sobre seu livro "Admirável Mundo Novo". O livro é um clássico da ficção científica no qual as pessoas são geradas por meios artificiais e catalogadas desde o nascimento em castas: Alfa, Beta, Gama, etc. Eles têm direito a sexo livre ("orgy porgy") e a uma droga que dá felicidade ("soma").  

Mal sabia Huxley que o interesse pelo livro não era literário: o que o pessoal de Berkeley queria era utilizar aquilo como um manual, um plano para traçar o futuro. (Aqui tem o áudio de um discurso de Huxley em Berkeley sobre o tema, e aqui a transcricão do texto, ambos em inglês).

Foi efetivamente o que aconteceu. Além da liberação sexual e das drogas, bem como da cultura da "felicidade" permanente, temos nos EUA já várias castas:

Alfas plus - Elite. São os anglos protestantes e judeus (junto com uma minoria multiétnica de origem variada) que estudam em Harvard e outras universidades da Ivy League, e basicamente dominam a política e a cultura norte-americana, bem como a academia e determinam o que pode e o que não pode na vida intelectual.

Alfa minus - Fazem parte desta casta as ditas "celebridades", que vivem em sua bolha em meio a festas e excessos; ainda que eles sejam inferiores à elite real e no fundo não sejam mais do que bobos da corte escolhidos a dedo, com a função de propagar idéias e modas de comportamento ao povão.  

Betas - Classe média-alta. São os brancos e asiáticos responsáveis pela maioria do trabalho criativo e/ou de engenharia, computação, etc, mas sem grande poder político ou midiático. Divididos novamente em plus (trabalho mais criativo) e minus (trabalho mais técnico).

Gamas - Classe média-baixa. Brancos, asiáticos, latinos e outras raças em trabalhos "proles", não necessariamente braçais, porém de menor prestígio e exigência intelectual, ainda que exijam certa formação (enfermeiros, encanadores, professores etc).

Deltas - Classe serviçal - Formada majoritariamente por mexicanos e outros latinos, bem como alguns negros (que com a imigração foram substituídos pelos mexicanos e passados para a casta de baixo) e outras de raças indefinidas que vivem basicamente prestando serviços, seja a nível governamental, seja a nível privado.

Epsilons - Subclasse - Negros do gueto, mexicanos e filipinos mais pobres, terroristas árabes e brancos "white trash" - Classe utilizada apenas para quebra-quebra, bucha de canhão em guerras ou revoluções, e para fins de limpeza étnica de bairros. Funciona assim, coloque alguns deles em uma vizinhança, logo a população nativa apavorada vai embora, os preços das casas caem, aí alguém compra tudo a preço baratinho, o bairro se gentrifica, os pobres são expulsos, a vida é bela.

Qual a diferença entre um sistema de classes e um sistema de castas? Simples. Em teoria, no sistema de classes você pode passar de uma classe a outra, seja enriquecendo, seja empobrecendo. O sistema de castas é hereditário e você não pode passar de uma casta a outra, salvo através da reencarnação. O sistema atual, mascarado como sistema de classes, é na realidade um sistema de castas, apenas dando a ilusão de mobilidade social



O novo "sonho americano".

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Desejo de morrer

Você já teve desejo de morrer? Eu já. Calma, amigos, não é que pense em suicídio. Nada está tão mal assim.

Mas algumas vezes já pensei que quisera, como dizia um dos maiores poeta da língua inglesa, “cessar, à meia-noite, sem mais dor”.

Como todo o mundo, é claro, ao menos alguma vez na vida. "Quem nunca quis morrer, nunca viveu", não foi o Vinícius quem disse? 

Quando passa-se de certa idade, entende-se que a vida é acima de tudo sofrimento e desilusão. Para todos, ou quase todos. Talvez para um ou outro que não tem isso, vai saber?

Ouvi dizer que existe uma tribo em Shangri-Lá na qual todos são felizes, do começo ao fim da vida. Um dia quem sabe me mudarei para lá. (Ou seria Pasárgada?)

E, no entanto, mesmo minha inútil vida é provavelmente melhor do que a vida de 90% das pessoas neste planeta, ou vá lá, 70%. Tem todos aqueles que vivem na miséria, na guerra ou na desgraça. Ao menos posso estar feliz de não ter morrido num terremoto no Nepal.

Ou será que não? A felicidade é subjetiva. Há quem seja trilionário e viva e morra na tristeza. E há quem seja pobre e viva a sambar. Aliás acho mesmo que os pobres, em geral, são mais felizes. Porém, prefiro ser um rico infeliz. (Agora, chato mesmo é ser pobre e infeliz.) 

Um tempo atrás estive em NY e vi um mendigo no meio da rua, durante um frio infernal, enrolado no cobertor. Era branco, aparência normal, não falava sozinho, não parecia louco ou drogado, não deveria ter muito mais do que minha idade: apenas alguém que se ferrou. Pensei, esse aí está pior do que eu. Não dei dinheiro, pois jamais dou esmola a mendigos (ocasionalmente, a músicos; para ganhar dinheiro acho que a pessoa precisa fazer algo, nem que seja malabarismo, ou cantar mal! Mas também não vale ser flanelinha, que isso é extorsão com ameaça velada de violência e não trabalho), mas comprei-lhe um café e um muffin. Ele agradeceu, acho que um pouco surpreso. Mas às vezes temos que pensar naqueles que estão pior que nós.

Se bem que, será que ele está pior mesmo? De certa forma, ele tem menos preocupações... 

Bem, mas não é desse desejo de morrer banal que eu queria falar, desse ocasional cansaço com a vida também mencionado por Shakespeare no famoso monólogo hamletiano. Mas sim do desejo de morrer coletivo do Ocidente, algo bem mais difícil de entender. 

O homem branco de classe média deseja sua extinção. Não há outra explicação para seu comportamento bizarro de valorizar mais invasores, doidos ou criminosos do que sua própria existência coletiva.

Mas pensando bem, eu acho até que entendo por quê.

Civilizações são como pessoas, nascem, crescem e morrem. Tudo são ciclos.

A civilização indo-europeia está morrendo, mas um dia, vai renascer. Como um fênix.

No Brasil, a classe média é que é a verdadeira classe oprimida, prensada entre uma classe política parasitária e cruel, que suga o resultado do trabalho dos outros com impostos e corrupção, e uma massa pobre e muitas vezes violenta, que pode assaltá-la ou matá-la em cada esquina.

E, no entanto, essa mesma classe média vive preocupada com os pobres e humildes, não quer diminuir a maioridade penal, e parece que procura mesmo a sua própria aniquilação. Uma pessoa morre assassinada a cada dez minutos no Brasil. Em termos de números, estamos até pior do que o México, onde um prefeito de esquerda associado com cartéis de traficantes mandou massacrar estudantes.

No outro dia alguém no meu Facebook falou, "gosto da Dilma porque ela está do lado dos pobres, dos índios, dos negros e dos humildes, pela primeira vez em 500 anos de história deste país." Deu-me tristeza. Não entendeu que ser "pelos pobres" é ser pela pobreza, é transformar o Brasil inteiro em um imenso Nordestão. Ajudar os pobres, tudo bem: mas para que aumentar o número de pobres? Por que não condicionar a ajuda ao planejamento familiar, à educação, à responsabilidade financeira?

Veja bem, nem acho o Bolsa-Família o pior dos males. O que são alguns poucos reais por mês em relação às generosas bolsas-ajuda que juízes e deputados recebem? (É, pensando por esse lado, é realmente bastante pior. Deixem o Bolsa-Família em paz, e cortem a ajuda para deputados e juízes.)

E o crime, o que há de errado em tratar criminoso com dureza? Ninguém é forçado a cometer crimes, isso é romantismo esquerdista. O criminoso é alguém que opta por tirar dos outros através da força, então é através da força que deverá ser contido.

A mesma pessoa também denunciou uma página de "Orgulho Branco" criada por um outro usuário. Curiosamente, não denunciou as páginas, também existentes, de "Orgulho Negro", "Orgulho Índio", e até "Orgulho Português" (Curiosamente, para o europeu ou euro-descendente, o orgulho nacional étnico é permitido, pode-se falar em "Orgulho Italiano" e "Orgulho Irlandês", porém quando se fala em "branco" como conceito geral, internacional, isso é mal-visto como se fosse o fim do mundo.)

Na Europa e EUA é a mesma coisa, ou inclusive pior. Nem falo da questão da imigração, da qual j;a falei em outros posts, mas do esquerdismo inútil que toma conta das pessoas. É até mais bizarro, pois é um esquerdismo sem sentido, viciado num masoquismo sem tamanho, de auto-culpar-se por tudo o que há de errado no mundo.

Num outro post falei sobre arquitetura moderna. Edifícios bizarros ou esculturas hediondas hoje já enfeiam cidades antes belas como Roma, Londres ou Paris.

Bem, em Paris há alguns meses um artista americano colocou na Place Vendôme uma escultura na forma de um plugue anal gigante. Era um artista famoso por obras de cunho sexual, incluindo uma escultura de George Bush transando com um porco. Ao menos aqui houve uma reação: o povo parisiense não gostou da brincadeira, e dois dias depois a escultura foi atacada e desinflada por "vândalos". Vândalos? Mas não seriam também vândalos, e vândalos ainda maiores, os que autorizaram e pagaram por essa estupidez?

Bem, talvez não. Se as pessoas gostam, que mal há? 

De qualquer forma, a culpa é mesmo do homem branco, que é um tolo. Se ele quer morrer, quem somos nós para impedir? Tudo faz parte de um grande ciclo, apenas isso.

"Todas as coisas desabam e são reconstruídas, e aqueles que as reconstroem são alegres".  

Eu quero mais é ser feliz, e o resto que se exploda. Estou indo para Shangri-La. Adeus!

domingo, 26 de abril de 2015

Genocídio caucasiano

Estes dias foi o aniversário do genocídio armênio. Pouco antes, tivemos as comemorações do holocausto judeu. Porém, curiosamente, ninguém lembra dos genocídios de brancos que ocorreram ao longo da história.

Séculos atrás, parece que grande parte da Ásia Central era branca, até que milhões de caucasianos indo-europeus foram exterminados pelas tropas mongóis de Gengis Khan e posteriormente pelos turcos otomanos (Gengis e seux exércitos mataram 11% da população mundial do período). 

Como se não bastasse, também foram os turcos e os mongóis os que trouxeram a peste negra para a Europa, que dizimou quase metade da população branca.

Mais recentemente, na Ucrânia, tivemos o Holodomor, a morte massiva de kulaks ucranianos organizada pelos nossos simpáticos amigos bolcheviques.

E mais milhões morreram na I e a II Guerra, embora neste caso tenha sido mais um fratricídio do que um genocídio. Europeu contra europeu.

(Não, os europeus não são nem santos, nem inocentes. Os europeus também mataram milhões.)

Hoje temos um novo tipo de genocídio, causado pela migração de milhões de árabes e africanos e, nos EUA, de latinos.  Um genocídio lento, não-violento (por ora), quase poderíamos dizer "benigno", não fosse que no fim das contas dá quase na mesma: substituição populacional.

Sim, sim, eu sei, coitados dos imigrantes que morrem em navios ou atravessando o deserto. Eles só querem uma vida melhor, e eu também. Tenho pena deles, pois os entendo, também sou um imigrante imundo, maltratado por uma elite cruel. Ainda assim...

Os EUA estão se latinizando, e a Europa arabizando e africanizando. Bom? Ruim? Igual?

O triste é o seguinte: não adianta nada. Nada. Nem para os povos que migram nem para os que ficam. Quantos é que Europa e América podem acolher? Um milhão? Dois milhões?

9.6 bilhões?

(Nota divertida: de acordo com as estimativas do link acima, se tudo seguir no mesmo ritmo, em 2050, as populações da Rússia, Alemanha e Japão encolherão em aproximadamente 15%. A da Nigéria aumentará 176%). 

A questão é: a longo prazo, estariam mesmo os migrantes melhorando de vida, ou estariam eles apenas piorando a vida do nativo e a de si mesmos?

E, se era para ficar perto do homem branco, não valia mais a pena então ter continuado sendo colonizado?

Em outras palavras: será que não valia mais o europeu e o norte-americano recolonizarem a África e a América Latina, do que tentar receber milhões que não podem sequer ajudar, mas que também não parecem poder querer ou poder se virar por si mesmos?

Os brancos são poucos, e os não-brancos são cada vez mais. Isso é bom? Isso é ruim? É indiferente?

Somos todos iguais? Em muitos aspectos, sim. Na capacidade civilizacional, pareceria que não.

Vejam bem, nada há contra ter alguns milhares (milhões?) de árabes, negros, mexicanos e porto-riquenhos. Muitos são gente boa (eu sei, os conheci) e apenas querem melhorar de vida. E eu também quero. Quem não quer? Se pudesse, eu migraria para a Lua, que é feita de queijo. A vida na Terra anda difícil demais. Tem seres humanos em demasia!

Porém, é também uma questão ambiental. Quantas tribos diferentes podem ocupar o mesmo espaço sem dar confusão? Mas os Neandethais não foram já genocidados pelo homo sapiens? Queremos mesmo que haja mais briga?

Precisamos preservar o mico-leão dourado. E o homem branco? Também? Ou não?

O homem branco é tolo. Ele nem pensa nisso. Ele pensa: "sou superior, e daí? essa gentalha nunca me ameaçará. Venha, meu tesouro."

E no entanto, pouco a pouco tudo vai mudando, e o homem branco na mesma. Às vezes parece até que ele quer mesmo é morrer.

Bem, de certa forma, eu até entendo. Como alguém em crise de meia-idade, o homem branco está em crise também.

Conseguirá ele sobreviver aos desafios deste novo milênio?

Não devemos desesperar, afinal, ainda é cedo. E o europeu já passou por coisa pior.

Porém, seria bom pensar um pouco mais antes de abrir as porteiras completamente. Sei lá, eu acho. Vocês não?

Não esqueçam de Genghis Khan.




"Yo soy tú".

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Inteligência não é tudo

Saiu no outro dia um estudo afirmando que os progressistas tendem a ser mais inteligentes do que os conservadores.

Pode até ser verdade, porém, não pelas razões que os liberais gostariam, ou seja, de que ser liberal signifique ter maior inteligência.

A razão, na minha humilde opinião, é outra.

O conservadorismo é algo instintivo, natural. Até os animais são "conservadores" se formos pensar. Até os índios em suas sociedades tribais. Já o esquerdismo é uma abstração, por vezes bastante ilógica, que requer constante pensamento e policiamento mental.

Não é preciso ser muito inteligente para ser conservador. Para entender que 2 + 2 são 4, ou seja, basta uma inteligência mediana. Porém, para "entender" que 2 + 2 = 5, é preciso realmente pensar mais, criar razões, por vezes muito sofisticadas, para tal.

Isso não quer dizer que os progressistas sejam necessariamente mais inteligentes do que os conservadores. Seria prova de "inteligência" seguir como um zumbi todos os ditames da mídia, aplaudir o "casamento gay", o "anti-racismo", e tudo o mais que eles assistem na televisão? Ao contrário, é prova apenas de submissão, de falta de independência mental.

Sendo assim, a maior inteligência do progressista é mera ilusão. Esta ocorre apenas nas suas elites.

Isso nos leva a pensar nos diversos tipos de inteligência que existem, ou que podem existir. Na blogosfera HBD, que frequento desde alguns anos, o QI é rei. Tudo é explicado com base a um número de um teste, que supostamente reflete "g", ou a inteligência de cada indivíduo ou grupo.

É um conceito útil, porém, é equivocado acreditar que tudo seja QI, ou mesmo inteligência (não são a mesma coisa). Pessoalmente, acredito que a personalidade do indivíduo diz muito mais sobre como ele será na vida do que seu QI,

Há o gênio, que pode ou não ter um QI super alto, em geral tem, mas sua marca principal é uma inteligência desordenada, muito forte em algumas áreas e mais fraco em outras. Não é bom na sociabilidade nem nos aspectos práticos da vida (O famoso estereótipo do gênio distraído ou desajeitado).

Há personalidades psicopáticas de alto funcionamento e QI razoavelmente alto, mas nem tanto assim, que são os que se dão melhor na vida, e provavelmente fazem parte da maioria da elite. Altamente sociáveis e manipuladores, sabem como esfaquear os outros pelas costas com um sorriso gentil.

Há personalidades criativas porém nerds e anti-sociais, que talvez não tenham o QI mais alto mas sim maior índice de criatividade (ainda que isto não possa ser medido objetivamente, eu acho).

E há personalidades pouco inteligentes e pouco criativas, mas estáveis e conformistas, que porém são as que talvez mais satisfeitas estejam com suas vidas. Formam as massas humanas em quase todas as sociedades. Sem elas, formiguinhas operárias contentes com seu destino, a civilização não seria possível.

Finalmente, temos personalidades de alto QI, que porém pouco tem a oferecer além disso. São por exemplo os "mensaleiros", quer dizer os membros do Mensa e grupos similares, cuja única característica que os une é a de ter pontuado alto em um teste de QI. Isso vale algo? Talvez sim, talvez não.

Como eu disse, inteligência não é tudo, personalidade e criatividade valem mais.

Muitas pessoas de alto QI e em especial as criativas, são dadas à depressão e à falta de confiança, enquanto pessoas de baixo QI tendem a ter uma elevada opinião de si mesmos, por vezes beirando a megalomania. Pense no Pelé, no Kanye West. E pense nos gênios depressivos.

Sempre me perguntei o que acontecia com os meninos "superdotados", que por vezes aparecem em notícia de jornal. Porém, anos depois, será que viraram gênios, ou personalidades de renome, ou ao menos, pessoas bem sucedidas?

Nem sempre é o caso

Li faz um tempo a história de um garoto que tinha sido notícia de jornal devido ao seu talento precoce e alto QI. Havia pontuado 150 ou mais, e demonstrado grande talento para a matemática.

Foi inscrito por seus pais precocemente na universidade. Mostrou grande talento para os estudos, tirando sempre nota alta.

Porém, socialmente, sua vida não ia bem. Tinha dificuldade em fazer amigos, talvez pela diferença de idade. Terminou caindo nas drogas.

Morreu, de suicídio ou overdose, aos 20 anos, antes mesmo de concluir o curso. Meros 10 anos depois de ter sido identificado como "superdotado".

Triste, triste demais.

Talvez hoje os pais se culpem de tê-lo inscrito precocemente na universidade, porém, é pouco provável que essa seja a causa de seus problemas. É mais provável que, como quase tudo no comportamento mental mais básico, tenha origem genética. A alta inteligência e a depressão estão ligadas, como eu disse.

(Não que o ambiente não seja importante. Digamos que a sua genética é seu potencial. O ambiente (e o acaso) determinam se você vai atingir esse potencial ou não.)

O que é "inteligência"? Acredito que não seja algo perfeitamente mensurável nem igual para todos, mesmo os que supostamente estão na mesma faixa de QI.

Há os que tem uma inteligência mais "redonda", medianamente superior em todas as facetas, e há os que tem mais alta em alguns aspectos e menor em outras. (Eu por exemplo, tenho QI verbal alto e QI matemático baixo). Há os savants que tem um e apenas um aspecto altamente desenvolvido, e são péssimos em todo o resto.

De qualquer forma, nada disso importa tanto. No fim das contas, talvez seja como diz Fernando Pessoa no Livro do Desassossego, a verdadeira inteligência é mostrada de forma prática, na ação (e no entanto Pessoa, que quase só viveu dentro da própria mente, era certamente um gênio):

Às vezes, quando ergo a cabeça estonteada dos livros em que escrevo as contas alheias e a ausência de vida própria, sinto uma náusea física, que pode ser de me curvar, mas que transcende os números e a desilusão. A vida desgosta-me como um remédio inútil. E é então que eu sinto com visões claras como seria fácil o afastamento deste tédio se eu tivesse a simples força de o querer deveras afastar.

Vivemos pela acção, isto é, pela vontade. Aos que não sabemos querer — sejamos génios ou mendigos — irmana-nos a impotência. De que me serve citar-me génio se resulto ajudante de guarda-livros? Quando Cesário Verde fez dizer ao médico que era, não o Sr. Verde empregado no comércio, mas o poeta Cesário Verde, usou de um daqueles verbalismos do orgulho inútil que suam o cheiro da vaidade. O que ele foi sempre, coitado, foi o Sr. Verde empregado no comércio. O poeta nasceu depois de ele morrer, porque foi depois de ele morrer que nasceu a apreciação do poeta.

Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se o não fizerem ali?



quarta-feira, 25 de março de 2015

Um tempo

Time present and time past
Are both perhaps present in time future
And time future contained in time past.
If all time is eternally present
All time is unredeemable.
What might have been is an abstraction
Remaining a perpetual possibility
Only in a world of speculation.
What might have been and what has been
Point to one end, which is always present.
Footfalls echo in the memory
Down the passage which we did not take
Towards the door we never opened
Into the rose-garden. My words echo
Thus, in your mind.
                                   But to what purpose
Disturbing the dust on a bowl of rose-leaves
I do not know.

T. S. Elliot

quarta-feira, 18 de março de 2015

O que é ser branco?

Faz um tempo, um post divertido no Steve Sailer falava sobre música, notadamente sobre canções de cantores alternativos brancos que teriam uma conotação depressiva ou auto-depreciativa, e sobre se isso seria uma característica "branca".

Não tenho certeza. De fato, se nos atermos aos estereótipos, as letras dos rappers estão cheias de sexo e violência, mas raramente tendem à introspecção, à depressão ou ao remorso.

Isso não quer dizer que não haja boas músicas tristes escritas por negros. Cartola e Lupicínio Rodrigues, por exemplo, escreveram belas canções sobre tristeza, dor e traição. "Vingança" é minha preferida. Mas existem várias outras boas.

Mas peraí, e os asiáticos? Conheço pouco as suas músicas, portanto ficarei devendo essa a vocês.

Porém, além da música, o tipo de melancolia existencial, mais abstrata, parece ser algo mais branco mesmo. Por alguma razão Hamlet foi criado como um príncipe dinamarquês e e não congolês. Já o ciumento e impulsivo Otelo era negro (ou árabe).  Seria Shakespeare racista?

Ou seria uma questão de clima? Adoro os filmes de Bergman. Belíssimos, porém lentos e depressivos. A depressão existencial seria algo escandinavo? Teria a ver com a personalidade, ou com o clima? Afinal, o inverno e a falta de sol realmente podem deprimir uma pessoa.

Imagine os personagens de "Através do Espelho" ou "Persona", filmados no panorama desolado de Faroe, transportados para uma paradisíaca ilha do Caribe. Será que em vez de pensar em angústias existenciais, os personagens não esqueceriam tudo e passariam a dançar a conga e a macarena?

Mas o que tudo isso tem a ver com as raças?

Raças existem? Sim, e não.

De modo geral, poderíamos pensar o ser humano como um gradiente, um espectro de cores, que às vezes se superpõe. 

Existem raças porque existem diferenças entre grupos, porém, como bem disse o blogueiro Santoculto,  um negro e um branco, de mesma estatura, inteligência similar, etc, poderão ser mais parecidos geneticamente do que um branco baixinho, gordo e de baixo QI e outro branco alto e inteligente. Indivíduo > Raça. A raça, na verdade, é apenas uma classificação meio arbitrária por similaridade genética e ancestral.

Mas não era nada disso que eu queria falar. Eu queria perguntar, o que é ser branco?

Alguns puristas definem o branco como alguém 100% europeu, e, alguns ainda, selecionam ainda mais, definindo o branco apenas como o nórdico. Para eles, o italiano do sul, o grego, o sírio-libanês, não seriam brancos. Branco, só o "puro". Como a Caninha 51.

Mas a pureza racial não existe. É um conceito equivocado. A mistura entre povos e tribos diferentes sempre aconteceu. Genes mutam, genes variam, genes se misturam. Povos isolados e endogâmicos, de fato, terminam por se "depurar", tendo maior similaridade entre si do que com povos estrangeiros. Por outro lado, as migrações sempre aconteceram. Somos todos (menos os africanos) um pouco Neandertais. E os próprios nórdicos não se misturaram com os mongóis?

E eu acho que nem devíamos falar em "brancos", mas sim, nas diversas sub-etnias, pois é um povo com muita variação. Agora, se formos falar em "branco" como um conceito mais geral, parece-me que meramente a cor da pele, mas sem olhos puxados, seja uma boa medida. Isso incluiria armênios, turcos, judeus, libaneses, tártaros, e pessoas mistas com 80-90% de ascendência européia. Pra mim, tudo isso vale.

E tem uma medida ainda mais fácil: ser branco é seguir a cultura e o comportamento europeu.

Ser branco é apenas agir como branco.


domingo, 15 de março de 2015

Intervenção militar, sim ou não?

Para meus "amigos" do Face (eis um oxímoro da era moderna), pessoas protestando em favor da "intervenção militar" são a camada mais baixa da humanidade. Querer a "ditadura militar" em vez da "democracia" é uma demonstração de ignorância, baixeza, maldade e estupidez. 

Porém, às vezes me pergunto: será que para o povo mais pobre, ou até para a classe média, uma volta da ditadura seria algo tão ruim assim?

Noto que os pobres, no que se refere ao aspecto social, tendem a ser mais conservadores, e até reacionários, do que os de classe mais alta: são contra aborto, a favor da pena de morte, homofóbicos e muitos até, acredite, racistas. E acho que muitos deles pouco se importariam se o governo não fosse mais "democrático", desde que continuassem a ganhar algum tipo de ajuda financeira ou alimentar.

Mas também grande parte da classe média, parece-me que pouco perderia ou ganharia com um governo militar. Para o cidadão comum que trabalha e paga seus impostos, e que não está interessado em questões políticas, a forma de governo e de eleição de seus representantes, não muda tanto assim o seu dia-a-dia. A tal democracia, no fundo, é apenas uma ilusão: a ilusão de que você pode "escolher" alguma coisa, quando, na verdade, o que é que você escolhe? Quem vai te roubar?

Uma "ditadura militar" afetaria principalmente o intelectual e o militante de esquerda, preocupado com "censura". Uma preocupação até válida, concordo. Mas será que a "censura" é algo tão ruim assim? (Não estou afirmando, estou perguntando). O "período dourado" de Hollywood foi justamente durante a vigoração do código Hays, que vetava certos tipos de temas ou imagens, mas dando maior margem à imaginação do roteirista ou diretor. Pode-se afirmar também que Chico Buarque compôs suas melhores canções durante a censura, justamente por ter de se esforçar mais para burlá-la?

E, por falar nisso, não temos também censura hoje em dia, ainda que de outro tipo? (Censura ou auto-censura de tudo que não for considerado "politicamente correto" por grupos militantes).

A própria "violência" de um governo militar, me parece que afetaria mais apenas certos grupos do que a população em geral. E, se um governo de direita combatesse mais duramente o crime urbano, que é o que realmente afeta a maioria da população, poderia mesmo diminuir o número de mortes.

Fica a questão ainda de que o governo militar de 1964-1983 nem foi assim tão terrível quanto a esquerda insiste em nos dizer. Oficialmente, morreram ou desapareceram 434 pessoas, durante 20 anos. Acho que morre mais gente num fim de semana em acidente de carro hoje em dia.

Isso não quer dizer, naturalmente, que eu seja a favor de qualquer tipo de "invervenção militar" ou volta da ditadura. Na verdade, acho que preferiria um governo democrático, porém sensato, o que é raro de acontecer.

Na verdade, acho que não existe nenhum tipo de governo perfeito. Mas existem governantes menos ruins do que outros.


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Advogado do Diabo

Eu vou dizer agora o oposto do que disse antes, já que prefiro ser esta metamorfose ambulante. Ou melhor, não é que pense isto realmente, mas estou tentando dar uma de advogado do Diabo e ver o futuro com outros olhos. De olhos bem fechados.

Fiquei pensando, e se o mundo global for, mais do que uma distopia da qual devemos fugir a qualquer custo, apenas o curso natural dos eventos, resultantes do crescimento tecnológico,  das mudanças sociais e demográficas, e do caráter imperial global?

Nesse caso, o negócio não seria tanto fugir para a Antárctica ou tratar de reconstruir um passado mítico nacionalista-tradicionalista, mas descobrir como melhor se adaptar ao fluxo dos tempos. Sobreviver na escuridão.

Pense da seguinte forma: o Ocidente é um Império. O mundo global de um governo único não é o futuro, é já uma realidade. Como todos os impérios, o Ocidente invade outros países, mas também recebe em seu seio estrangeiros que vêm em busca de fortuna, ou então trazidos como escravos. Roma foi igual. Os impérios ibéricos também. E Hitler não queria a mesma coisa, dominando os eslavos e expandindo-se para o leste? O império Ocidental é apenas maior. E mais ambicioso.

Império. Quem disse que é uma estratégia de todo falha? Pense em Roma. Pense no Islã. Pense em Hollywood. Nos anos 70, 80, o cinema europeu ainda tinha certa relevância. Criaram um cinema de arte, e até comercial, que nada tinha a dever ao cinema da era dourada americana.

Hoje, Hollywood venceu. Tem praticamente um monopólio da produção audiovisual mundial, com exceção parcial do cinema asiático, que tem cotas e uma certa diferença cultural, mas mesmo assim o cinema de Hollywood arrebenta até na China. Isso aconteceu porque o mundo se globalizou.

O mundo globalizado, ao contrário do que parece, não é um mundo todo igual, não é um mundo onde todos se desenvoldem da mesma maneira. Isso é balela. O mundo global basicamente é um mundo onde algumas poucas cidades (New York, Londres, Berlim, San Francisco, Los Angeles, Shangai etc.) centram toda a produção, seja cultural, industrial ou digital, e o resto do mundo apenas consome, como porcos na manjedoura. Isso será cada vez mais extremo. Algumas cidades morrerão (como Detroit) para que outras possam renascer.

O preço a se pagar pelo lucro de alguns é a imigração continuada, que tem dois propósitos: a) aumentar o número de trabalhadores mais facilmente explorável e reduzir o custo da mão de obra, e b) aumentar o número de consumidores de mídia e quinquilharias.

De acordo com recentes estatísticas, haverá 11 bilhões de seres humanos no planeta em 2100. Destes, 4.5 bilhões serão asiáticos (incluindo aí Índia, etc) e 4 bilhões serão africanos. A África é o único continente que cresce hoje em termos populacionais. O resto do mundo praticamente parou. Nesse mundo de 11 bilhões, apenas 1 bilhão será de brancos. Os africanos serão trazidos para Europa, EUA e Oceania. Isto também é uma repetição do passado, quando os escravos foram trazidos para a América, do norte e do sul.

Bem, isso é o que dizem. Porém, na verdade, não temos porque ser tão pessimistas demograficamente. É pouco provável que chegue-se a esse número de 4 bilhões de africanos, e há vários sinais que tanto a fertilidade quanto a imigração apresentarão mudanças significativas para os europeus. 

A tecnologia também terá seu lado bom e ruim. Uma empresa sueca recentemente passou a abandonar os crachãs magnéticos em troca de micro-chips subcutâneos para seus empregados. Minha teoria é que a popularização de tatuagens e piercing nada mais é do que uma tentativa da mídia para nos acostumar às manipulações corporais cada vez maiores. No futuro, todos seremos meio cyborgs. A tecnologia invadirá nossos corpos e nossas mentes. O vício nos smartphones é apenas o começo. No futuro, como advertia o Unabomber, já não poderemos diferenciar o homem da máquina.

A manipulação genética também se tornará mainstream. Teremos uma classe alta eugenista, pois no começo isso será apenas para quem pode pagar. Mas o preço tenderá a cair, e logo a classe média também terá acesso. Muitas maravilhas e horrores daí surgirão.

O mundo do futuro não será nem Elysium nem Mad Max nem Blade Runner, mas tampouco será o de Ela ou 2001. 

Como dizia Oscar Wilde, não se deve profetizar, especialmente sobre o futuro. Porém, uma coisa e apenas uma coisa é certa: tudo será bem diferente do que pensamos.

Será que o Diabo teria razão?