quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Inferno III, 22-51

Quivi sospiri, pianti e alti guai
risonavan per l’aere sanza stelle,
per ch’io al cominciar ne lagrimai. 
24

Diverse lingue, orribili favelle,
parole di dolore, accenti d’ira,
voci alte e fioche, e suon di man con elle 
27

facevano un tumulto, il qual s’aggira
sempre in quell’aura sanza tempo tinta,
come la rena quando turbo spira. 
30

E io ch’avea d’error la testa cinta,
dissi: "Maestro, che è quel ch’i’ odo?
e che gent’è che par nel duol sì vinta?". 
33

Ed elli a me: "Questo misero modo
tegnon l’anime triste di coloro
che visser sanza ’nfamia e sanza lodo.
36

Mischiate sono a quel cattivo coro
de li angeli che non furon ribelli
né fur fedeli a Dio, ma per sé fuoro. 
39

Caccianli i ciel per non esser men belli,
né lo profondo inferno li riceve,
ch’alcuna gloria i rei avrebber d’elli". 
42

E io: "Maestro, che è tanto greve
a lor che lamentar li fa sì forte?".
Rispuose: "Dicerolti molto breve. 
45

Questi non hanno speranza di morte,
e la lor cieca vita è tanto bassa,
che ’nvidïosi son d’ogne altra sorte. 
48

Fama di loro il mondo esser non lassa;
misericordia e giustizia li sdegna:
non ragioniam di lor, ma guarda e passa". 





sexta-feira, 13 de maio de 2016

Hope Springs Eternal

Por que escrevo este blog? Não sei, ou melhor, não sabia até que o tal Agente Smith me informou, que é para tentar entender algo sobre o mundo que nos cerca.

É isto mesmo, nunca quis informar ou convencer ninguém, nem fundar um movimento político ou uma religião, só tentar entender algumas coisas por mim mesmo. Mesmo não tendo entendido quase nada ainda, aliás, parece que fico cada vez mais confuso.

E por isso este blog mudou bastante, de um neocon clássico, a um paleocon, a um questionador de tudo e todos. E já se vão quase nove anos.

Será que é tempo de acabar? Talvez. Já quase acabei uma vez, depois voltei. Talvez acabe de novo. E volte de novo. Ou não. O importante é se renovar e não cair na mesmice.

Claro que um blog acaba criando vida própria, então, acaba tornando-se uma compulsão por sempre escrever. Uma costume incessante e inquieto, uma tentativa de descobrir o que pode existir por trás de tudo o que se vê, mesmo sabendo que tal busca será sempre infrutífera.

Além disso, existem os leitores. Alguns terminaram virando algo próximo da amizade, já que não acredito que uma verdadeira amizade possa ser apenas virtual. Ou será que é possível? Calculo que hoje em dia 90% de nossas interações são virtuais, via telefone, email, mídias sociais, serviços de mensagens e de vídeochamadas, e isto mesmo com familiares ou amigos que moram longe, então talvez estejamos assistindo a um novo fenômeno.  

Às vezes assalta-me a nostalgia. Confetti, Chesterton, por onde andarão? E Bárbara? Casou, teve filhos, morreu? Sim, talvez tenha morrido ou parido. Pena.

Não acredito em quase nada, e nem sei se há algo em que se acreditar.  Às vezes penso que Schopenhauer tinha razão, às vezes penso que vivemos no pior dos mundos possíveis. A humanidade é um lixo, e é difícil acreditar que algum dia poderá mudar para melhor. No fundo, se não sou "progressista", é apenas por isso: não acredito em progresso nenhum.

Não quer dizer no entanto que tudo seja sempre terrível, ou que não seja possível encontrar alguma beleza mesmo no efêmero. Aliás, é exatamente o contrário, a beleza é o efêmero. O que é bom dura pouco.

Mas as pessoas precisam acreditar, e alguns acreditam nas bandeiras, nas falsas utopias, nas rebeldias bem-comportadas que são vendidas pela televisão e redes sociais, enquanto a elite ri.


E por isso assistimos a eternos ciclos, de "direita" e "esquerda", de "nacionalistas" a "comunistas", de "revolucionários" a "reacionários", um pêndulo que sempre se move de um extremo ao outro (e jamais parando no meio moderado), causando terror e destruição ao seu redor.

Mas vez por outra há momentos de paz. Eis-me aqui desejando que seja possível chegar a algum lugar, que o bom e velho "ocidente" não tenha sido apenas mais um sonho. 


segunda-feira, 9 de maio de 2016

Globofobia

Qual o melhor sistema político? De certo, não é o socialismo que matou milhões. Por outro lado, tampouco não gosto mais tanto assim do capitalismo atual, onde tudo é mercadoria, e as grandes multinacionais prosperam terceirizando para a Chine e as Filipinas enquanto o trabalhador local se ferra. 

No outro dia li um artigo meio tolo sobre um sujeito que decidiu largar tudo e vivia basicamente prestando pequenos serviços comunitários em troca de comida. Não era um mendigo ou sem teto propriamente, pois pagava aluguel de um pequeno quartinho, mas não trabalhava nem tinha qualquer pretensão material.

Os comentários no Foice (onde a notícia fora postada) foram cruéis. Chamaram de "loser", de vagabundo, de comunista, de petralha e de safado que se aproveitava dos serviços públicos sem contribuir.

Por que tanta raiva? Acho que compreendo, quem precisa trabalhar oito horas por dia em um trabalho cansativo ou estressante pode que tenha certa raiva de quem preferiu sair do sistema e viver de forma bem mais frugal, desfrutando de (alguns) serviços públicos sem ter que pagar o preço exigido pela sociedade. 

Curioso; a mim não incomoda tanto que um mendigo receba alguns benefícios, mas me incomoda que banqueiros, políticos, juízes e outros parasitas vivam cercados de regalias. 

Que mal há a sociedade ajudar quem está na pior? Vejo todo dia mendigos (na maior parte brancos, mas também alguns latinos ou de raça indefinida, e uma vez vi um judeu) dormindo nas praças ou metrôs. Muitos são loucos ou drogados, é verdade, e alguns outros são meros vagabundos. Não acho que esse tipo de comportamento deva ser estimulado, e acho correto que sejam na medida do possível retirados de propriedade privada e de lugares freqüentados pelo grande público.

Porém, tampouco acho tão ruim ajudar. O problema dos europeus (e americanos, até certo ponto) não é o de ter um sistema que ajude os mais pobres, mas o de importar milhões de pobres estrangeiros sobrecarregando o sistema. Até Milton Friedman concordava que o estado do welfare não podia existir com imigração ilimitada. É um contra-senso.

"Direita" e "esquerda" conforme entendidas como na época da guerra fria não existem mais. Não é capitalismo versus socialismo, mas globalismo contra todos.

Tenho um conhecido "direitista", "libertário", que vive postando tolices a favor da imigração. Já criticou os europeus do leste por querer controlar o fluxo, e agora vive criticando o Trump por falar mal dos coitadinhos dos mexicanos.

O libertarianismo, supostamente de "direita", e o progressismo, supostamente "socialista", no entanto promovem ambos apenas aspectos de uma ideologia idêntica: o globalismo.

Ambos são a favor de cada vez mais poder na mão de poucos - a única diferença é que a "esquerda" acha que o controle deve ser feito pelo governo, e a "direita", pelas multinacionais. Na imigração também são parecidos, a "direita" em nome da "liberdade" e para atrair mais consumidores e trabalhadores a baixo custo, a "esquerda" em nome do coitadismo.  

Já eu tenho cada vez mais horror ao globalismo. Diversidade, grandes empresas monopolistas, arquitetura moderna, mídias sociais, fim da privacidade, etc. Mas em especial detesto o fim das identidades nacionais. Sofro de um mal sem cura. Só de ver estas famílias muçulmanas ou mexicanas numerosas andando pela rua me causa ânsia e pavor.

O cineasta Jean Luc-Godard, que é um comunista de carteirinha, em uma crítica à União Europeia deixou escapar certa vez algo assim, "eu gostava quando a França era a França, a Alemanha a Alemanha, a Inglaterra a Inglaterra", etc.

Concordo com ele. Gostava e ainda gosto de países que mantém uma certa identidade. Se tudo vira uma babel cheia de muçulmanos, negros, mexicanos, asiáticos, com arquitetura moderna e um McDonalds em uma esquina e um Starbucks na outra, e todos olhando para seus telefones, qual interesse pode haver sequer em viajar?

Mas vejo agora que eu sou o errado, eu sou quem sofre de "globofobia". A maioria das pessoas está bem de acordo com este admirável mundo novo. A notícia do muçulmano que virou prefeito de Londres foi apoiada tanto pelos meus amigos esquerdos quando pelo libertário, todos deram curtidas.

Eles também gostaram da vitória na Escócia do "Partido Nacional Escocês", que, ao contrário do que o nome diz, é abertamente pró-imigração, e tem como líder uma mulher. Naturalmente, todos também adoram este Papa progressista e não-católico, e são a favor de um mundo cada vez mais global, e idêntico em quase todos os seus cantos.

Já eu tendo a ficar deprimido com estas coisas, o que não é normal. 

Preciso me tratar. Alguém conhece um bom psiquiatra?


sexta-feira, 6 de maio de 2016

Altruísmo patológico, ou mera burrice?

Saiu um bom artigo, quem diria, logo no site Vox, com uma crítica ao estilo presunçoso dos progressistas, isolados das políticas danosas que dizem defender, e como passaram de ajudar os pobres a prejudicá-los (e em contrapartida a ajudar os bilionários).

Dizem alguns que o progressista (e por extensão, o branco) teria mais empatia com o sofrimento alheio, enquanto o conservador seria mais egoísta.

Já outros dizem que a raça branca é mais "boazinha" do que as outras e terminará por cometer suicídio étnico por dar prioridade aos refugiados e pessoas de outras raças. Até chamam este fenômeno de "altruísmo patológico", veja você.

Já acreditei isso, mas não acredito mais. Não creio que seja bondade ou empatia, ou mesmo "altruísmo patológico".

É patológico, sem dúvida, mas nâo é altruísmo.

Qual empatia os liberais brancos têm com o branco redneck pobre que perdeu seu emprego devido à invasão mexicana ou à terceirização chinesa, com o trabalhador de classe-média infeliz que foi morto pelo criminoso favelado que foi liberado no Natal?

Qual empatia eles têm com os próprios negros se matando entre si no gueto, quando não foram mortos por um policial? E qual empatia eles têm com os policiais? 

Será que é "bondade" mesmo?

Não. É puro cinismo, egoísmo e hipocrisia. 

Sim, em parte é o resultado de manipulação por décadas de uma elite globalista e cruel, mas isso tampouco explica tudo, afinal, raramente as pessoas agem contra seu próprio interesse, ou o que julgam ser seu interesse. Então, qual seria esse interesse?   

Em muitos casos, mera competição doentia para parecer mais "virtuoso", virtude esta sendo definida como apoiar as causas "certas" - casamento gay, apoio aos refugiados, direitos dos transsexuais, etcétera. O não-branco é só um instrumento, uma peça utilizada por alguns brancos para causar inveja/ódio/problemas a outros.

Alguns finlandeses estão deixando suas filhas pré-adolescentes tirarem fotos abraçando refugiados muçulmanos. Alguns até dizem que são suas namoradas, o que é meio bizarro, mesmo considerando a predileção dos muçulmanos por novinhas.

Onde estão os pais, pergunta você? Ora, sorrindo enquanto sua filha senta no colo de um dos simpáticos estrangeiros.

Demência? É possível. Movimentos políticos tendem a atrair pessoas com problemas mentais. Vide a professora esquerdista que defecou em público ou o branquelo nazista que matou velhotas negras em uma igreja.

Ou será simplesmente que os branquelos adoram utilizar as outras raças para sua própria diversão?

Parece ser o caso de muitos liberais mais calminhos, que não chegam a defecar ou cuspir ou atirar nos outros, mas que adoram pavonear sua "bondade" com negros, latinos ilegais e rapefugiados em público - desde que estes não venham morar na sua vizinhança.

Em Londres elegeram um prefeito muçulmano paquistanês. A mídia e as elites celebram, e o progressista celebra também. Mas por quanto tempo irão comemorar? Obama já não agrada aos liberais tanto quanto outrora.

De qualquer forma, duvido que isto dure muito, só que, quando acabar, espere ainda mais lutas entre os próprios brancos, antes de uma expulsão geral. 

Quanto apostam que um dia os alemães e ingleses vão encher o saco de ser "bonzinhos" e vão despejar todos esses imigrantes que acolheram "de braços abertos" nos "desorganizados" sul europeus, ou nos untermenschen do leste europeu?

De fato, vi que a União Européia (leia-se Alemanha e França) já está dando um jeito de obrigar todos os países a "abrigarem sua cota" de rapefugiados... 

Dividir para conquistar. Funciona sempre!

Muitas vezes tinha me perguntado como o branco poderia passar de um extremo a outro, do nazismo ao liberalismo atual.

Mas o fato é que, em alguns aspectos, são dois lados da mesma moeda. O progressismo tem um lado "fascista" também, e, de fato, já naquela velha canção dos Dead Kennedys, "California Über Alles", isso era satirizado.

O branco, se morrer (o que duvido), não vai morrer por ser "bonzinho", vai morrer por ser burro mesmo.

E o branco dança.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Crescei e multiplicai-vos

Eu tinha escrito este post mas decidi reescrevê-lo um pouco pois é um tema bem esquisito e, na verdade, não sei bem o que dizer sobre isso. Não tenho a menor idéia!

Um casal evangélico branco* jovem, não contente com já ter adotado duas crianças negras, decidiu também impregnar o útero da mulher com três embriões negros. Até onde sei, o casal não teve ainda filhos biológicos (ou adotados) brancos, não se sabe se por escolha ou outro problema.

Não é de hoje que as pessoas são orientadas a não serem racistas, e o círculo se fecha mais e mais.  Por exemplo segundo este site, um branco "pegar uma pessoa de raça negra" pode ser racista, pois poderia se tratar de exploração de "xotas pretas". (Nada é dito sobre essas mulheres (ou homens) de cor negra que se sujeitam à dominação pelo pênis branco heteronormativo patriarcal. Seria sadomasoquismo?)

Porém, segundo o mesmo site, se você for um gay negro que só se relaciona com brancos, isto pode ser um problema, porém, você terá tempo para refletir. Como você é negro, isso não é racismo, porém, cuidado, você poderia estar ajudando um branquelo a se livrar do seu complexo de branquitude

Realmente não entendo tudo isso. Deve ter algo de muito errado com a mente humana, e, em especial, a mente branca europeia.
Quer dizer, até gosto de alguns músicos negros como Miles Davis, Nina Simone, Milton Nascimento, e estou ciente de alguns bons atores ou escritores negros, mas, fora isso, sigo muito pouco o que eles fazem ou deixam de fazer "enquanto raça". Não entendo essa obsessão maluca, que provavelmente seria considerada doentia se aplicada a qualquer outro grupo. 

Muitos reclamam da baixa natalidade européia, mas, de que adianta, se sua filha irá terminar desta forma aqui, no belo mundo progressista-liberal?




Estamos falando de casos extremos, é verdade, mas a verdade é que a maioria das pessoas atualmente está contaminada por ideias bem estapafúrdias. Não é só lavagem cerebral: até esta tem os seus limites. É algo mais profundo, e mais radical. 

Por isto não concordo com aqueles que dizem que a solução seria aumentar de novo a natalidade branca europeia. Alta ou baixa natalidade não é o problema, é a conseqüência. O problema é a insanidade mental que parece ter tomado conta de grande parte dos ocidentais. As ideias são mais importantes do que os bebês (escreverei mais sobre isso em breve, ou não).

Mas ainda assim, tudo tem limites. Até entendo uma pessoa como Rachel Dolezal, que cresceu meio confusa e virou uma espécie de Michael Jackson ao contrário. Mas esse casal dos embriōes?

Aqui tem mais fotos deles. Parecem felizes, mais felizes do que eu, então quem sabe não sejam eles que tem razão? 

Por que o fato causa estranheza? Adotar é algo normal. Crianças brancas são minoria no mundo da adoção, portanto é normal um casal branco adotar crianças africanas, ou, se conseguirem, chinesas. O estranho mesmo está em ter ido além do normal e implantado embriōes abandonados no próprio útero levando-os à gestação. Isto realmente parece passar os limites do bom senso.

O objetivo foi obviamente o de gerar um debate. São um casal "pro-life". Então, se a vida começa na fecundação, se o feto é um ser vivo, por que não adotar um feto?

A razão para os embriões serem negros também parece clara, ou seria escura, enfim, mera questão de oferta e demanda. Ainda assim, causa certa estranheza. É como dizer, no linguajar progressista, que "corpos brancos" são o mero conduto para as "vidas que importam". 

E se fossem embriōes brancos? Para mim seria esquisito do mesmo jeito, mas talvez menos para outros. Todo o processo de gerar uma vida, seja geneticamente próxima ou distante, para mim é confuso.

Nunca entendi direito nada disso. Para mim a vida é um mistério e um absurdo, e a gestação mais ainda. Se como dizia o Édipo de Sófocles "o melhor é não ter nascido", e que a vida não é tão maravilhosa ou sagrada assim, e então, para que inflingir numa criatura a vã ilusão e o sofrimento? 

Mas isto tmbém é pensar de forma errada. Deus disse, crescei e multiplicai-vos. Os motivos, não sabemos, mas pode bem ser que exista um plano por trás de tudo.

Talvez este casal encontrou um sentido para a sua vida desse jeito, e quem seria eu para culpá-los? 

Talvez quem sofra de insanidade temporária seja eu? Juro que não entendo mais nada. Nem sei se essa história é real, ou uma tentativa a mais de confundir as pessoas. Sei lá.

Crescei e multiplicai-vos! E, se não conseguirem por vias ditas naturais, implantem embriões negros, asiáticos, aborígenes, melanésios ou escandinavos (brancos puros!! puríssimos!!!) nos úteros de suas esposas. 

O importante é se multiplicar, do jeito que der.


domingo, 24 de abril de 2016

Novas categorias de pena de morte

Alguns acreditam que a pena de morte não deveria existir. Já eu cada vez mais acredito que não só deveria existir, como seu uso deveria ser bem menos restrito do que hoje, aplicando-se não apenas a casos de morte violenta, como a muitos outros crimes menores. Aqui vai uma lista meramente provisória. 

Assaltantes de velhinhos. 
Predadores que atacam as vítimas mais frágeis e fisicamente indefesas causam nojo e revolta, ainda mais quando atacam pessoas de idade que contribuiram a vida inteira, apenas para sofrer violentamente nas mãos de um marginal. Você pensaria, mas será que este tipo de marginal não pensa, "e se fosse minha mãe, minha avó?". E pensaria errado, pois estas pessoas são tão psicopáticas que provavelmente também assaltariam seus próprios familiares. Câmera de gás neles. 

Pessoas que acham que as regras se aplicam aos outros mas não a elas.
No outro dia fui a um concerto, e a apresentadora foi bem clara ao introduzir o espetáculo: não é possível tirar fotos nem gravar. Como se não bastasse, um cartaz bem à vista do público também indicava as regras bem claramente. Porém, mal começou o concerto, já saiu um casal atrás de mim fotografando, e não discretamente com o celular, mas com uma maquininha fazendo barulho de click-click. Já outra mulher filmou tudo com o seu iphone sem sequer pestanejar. Estas pessoas, cada vez mais comuns pelo planeta, pensam da seguinte forma, "se for sómente eu, não vai atrapalhar". Ou quem sabe, "as regras são para os trouxas". Injeção letal neles.

Pessoas que discutem violentamente por política. 
Xingamentos, cusparadas, tapas. Coxinha, petralha. Ladrão, safado, torturador. Machista, homófobo, feminazi. Seja à direita seja à esquerda, nota-se uma virulência cada vez maior nas brigas entre as pessoas. Começa nas famigeradas redes sociais, e termina nos restaurantes da cidade. Onde irá parar? Sou daqueles à moda antiga que ainda acham que deveria existir um mínimo de convivência e aceitação de opiniões diversas. Briga entre torcidas de futebol, tudo bem. Mas por política? Que fuzilem todos.

Corruptos e fraudulentos.
Dante os coloca no último círculo do Inferno, e com razão. A corrupção é uma praga que tudo destrói. O exemplo mais recente foi o dessa ciclovia que desabou no Rio, vítima de uma onda, três meses após sua inauguração. Pessimanente planejada, mal construída, superfaturada e ainda beneficiando uma construtora de amigos do Secretário de Turismo no Rio, é apenas o mais recente exemplo de que nesse país, seja com "esquerda", seja com "direita", nada nunca vai dar certo. Guilhotina em todos.

Idiotas que vivem reclamando de tudo.
Eles acham que o Ocidente está em crise, que a raça branca está desaparecendo, que acabaram com a moral e os bons costumes, que tudo está indo para o lixo, que a música que os jovens escutam hoje não presta, que todo mundo deveria ser executado devido a crimes menores. São uns velhos ranzinzas, recalcados e fracassados. Cadeira elétrica neles! 


quinta-feira, 14 de abril de 2016

Por um mundo melhor

Muitos jovens militantes vivem nos dizendo que lutam "por um mundo melhor".

Mas melhor para quem?

Isto, eles não dizem, ou talvez não saibam. Mas o mundo está ficando pior, bem, pior, justamente para eles, esses mesmos jovens tolos e ingênuos. Nada me irrita mais nos progressistas do que sua empáfia em dizer que "lutam por um mundo melhor". 

Será que não percebem que estão lutando contra si mesmos? Ou seria uma ânsia suicida, a tal pulsão de morte? A "luta contra o sistema" é, de certo modo. a luta contra o futuro. É de fato a luta contra a mediocridade da vida de classe média e a meia-idade que virá. Rebeldes sem causa, e, muitas vezes, sem calça.

"Eu vi as melhores mentes de minha geração destruídas pela loucura, seres famélicos histéricos nus, arrastando-se pelos bairros negros ao amanhecer na fissura de um pico", escreveu em 1955 Allen Ginsberg, que era um gay pedófilo drogado e repulsivo, mas enfim, o verso captou bem a essência do que seria a degradação posterior da América nas décadas seguintes. 

Não vivi naquele período, evidentemente, e muito menos no anterior, mas penso que em quase todos os aspectos da vida cotidiana, a vida nos anos 50-60 parecia ser melhor.

Arte, arquitetura, medicina (refiro-me à qualidade do atendimento médico, não à tecnologia), sociedade, cinema, tudo parece ter decaído bastante, em especial nas últimas décadas. E não digo apenas nos EUA ou na Europa. No Brasil, na Argentina, também. A queda foi total.

As pessoas eram melhor vestidas e mais bonitas. Havia certamente menos crime. Havia muito mais otimismo. Certamente não havia essa constante sensação de ansiedade no ar.

Sério, existe alguma coisa que melhorou, de lá para cá?

Podemos dizer que a tecnologia, mas mesmo esta, não é claro se mudou as nossas vidas para muito melhor. Quero dizer, antes você comprava um aparelho e ele poderia durar por décadas, enquanto a tecnologia moderna precisa ser trocada a cada ano.

É uma vantagem para os fabricantes, mas será que é tão vantajoso assim para os usuários?

O que mais mudou? A Internet revolucionou o mundo, é verdade, e permite o acesso fácil a grande parte da sabedoria acumulada a longo dos séculos -- mas a maioria das pessoas a utiliza apenas para ver pornografia gratuita, publicar fotos engraçadas ou perder tempo nas redes sociais.

E no mais, o que é que os militantes realmente entendem por "mundo melhor"? Não uma suposta melhora que possa ser quantificada, mas apenas um vago "progresso" em direção a um igualitarismo absurdo e impossível.

Casamento gay, multiculturalismo, feminismo, direitos humanos, ecologia, etc etc. Meros fogos de artifício. E, em muitos casos, falsos.

A vida dos negros na América melhorou de lá para cá? Tem certeza? Com o número de mães solteiras negras passando de 14% em 1950 para 72% hoje em dia? Com o crack, o rap, os tiroteios? 

E no Brasil? Será que melhorou?

A vida das mulheres melhorou? Será mesmo? Trabalhando mais, ganhando menos, e tendo menos filhos, e menos tempo e condições de criá-los?

A vida dos gays melhorou? Bem, essa tendo a concordar que talvez tenha melhorado mesmo. Mas só essa.

A vida dos brancos melhorou? Esta foi a que mais piorou. A imigração massiva de não-europeus para países de maioria européia transformou horrivelmente algumas das cidades mais belas do mundo em guetos imundos. 

E a vida da classe trabalhadora? Aliás, alguém ainda se importa com ela?

Uma das maiores traições da dita esquerda -- e pela qual, curiosamente, ninguém sequer a censura, quase como se tivessem esquecido completamente o discurso anterior -- é como traiu a classe trabalhadora, e hoje sequer se importa por seus direitos, preferindo apoiar CEOs gays e imigrantes ilegais. Trocou sem pestanejar a guerra econômica pela guerra cultural.

O mundo repleto de problemas reais, graves e sérios, mas qual a queixa do progressista? O número de falas femininas nos diálogos dos filmes da Disney. Isto, segundo eles, é algo "urgente" e "imprescindível". E enquanto isso, Roma pega fogo.

Eles dizem que "lutam por um mundo melhor". Mas melhor para quem? Para quem, cara pálida?

Melhor talvez para Dontavius Smith e Zé Pequeno, que podem tocar terror e matar outros membros de gangues impunemente.

Melhor talvez para Chiquito González, que pode viver ilegalmente nos EUA sem ser perseguido e ter apartamento pago pelo Tio Sam.  

Melhor talvez para Simon Goldsachstein, diretor de finanças Goldman Sachs, que não precisa pagar tantos impostos.

Melhor com certeza para Chelsea Plinton e Júnior Bush, herdeiros do trono e membros permanentes da elite.

Melhor para Hammad Hussain, que pode planejar atentados colocando os custos das bombas na conta do contribuinte.

Mas para o resto das pessoas, a vida está ficando cada vez mais difícil. 

E o progressista? E a esquerda? Onde está? Como é que não vê toda essa injustiça?

Ah, ela está lutando por "um mundo melhor" (para os 1%), incapaz de compreender que com cada um de seus atos só está causando problemas para si e para seus filhos.

Um mundo melhor! Prefiro o mundo horrível dos anos 50, deixem-me ir para lá, Marty McFly, Doc, aceito uma carona no seu DeLorean! 

Ele também lutava por um mundo melhor.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Saindo da Matrix

Eu não sei mais como definir o progressismo, a não ser como uma forma de doença mental irreversível. Uma espécie de Alzheimer social, que faz às sociedades esquecerem seus princípios, e aos indivíduos, o próprio bom senso.

Ora, pode até ser que a mídia nos cause lavagem cerebral, que a elite nos manipule, etcétera etcétera, mas, para poder acreditar nas coisas que a mídia vende, você precisa ao menos inicialmente ter um parafuso solto, não é possível. Ou então as pessoas são bem mais facilmente manipuláveis do que pensamos e, ao contrário do que em "1984", onde era preciso tortura para convencer alguém que 2 + 2 = 5, nos dias de hoje é feito de forma bem mais simples. 

Peguemos um site progressista moderno qualquer. Por exemplo, este aqui, "Everyday Feminism". Temos só entre os artigos em destaque:
- Um artigo com dicas sobre como manter sua "identidade queer" ao iniciar uma relação hétero.
- Outro sobre uma feminista branquela que usava dreadlocks mas depois parou porque descobriu que isso era "apropriação cultural" e "racismo implícito".
- Uma  história em quadrinhos explicando o que é "privilégio branco" e por que todos os brancos têm que pedir perdão por existir.
- E finalmente uma outra história em quadrinhos na qual um esquizofrênico explica que prefere ser chamado "esquizofrênico" antes de "pessoa com esquizofrenia" pois esta é a "sua verdade" e outros termos o deixam muito louco.

Enfim, é certo que muitos desses autores são pessoas com problemas mentais de verdade, muito além do progressismo. Mas o fato é que tais artigos são lidos e compartilhados por milhares de pessoas "normais".

E nem falemos sobre o tema da imigração, a ideia absurda de que os europeus e americanos brancos devam aceitar sem sequer reclamar a inundação em um mar de latinos, árabes, chineses e negros, por quê? Porque não aceitar seria "racista".  Loucura? Menos doida era minha tia Anastácia que morreu em um asilo, mas sabia que 2 + 2 eram 4.

As igrejas supostamente seriam um local de refúgio espiritual de toda esta desgraça, correto? Errado! Fui visitar uma igreja tradicional da cidade e já no folheto e cartaz informativo na entrada garantiam que realizavam casamentos de gays, lésbicas e divorciados, que não aceitavam preconceito social, sexual, etário ou racial, além de outras mensagens progressistas. Ao lado da cruz, havia um arco-íris. Só faltou afirmar que realizavam abortos no altar. As igrejas também são as primeiras em apoiar refugiados muçulmanos e imigrantes ilegais mexicanos que transformam a vida dos nativos num inferno.

"É preciso sair da matrix", dizem. Mas e quando os próprios criadores do termo fazem parte da "matrix", e são aliás propagadores desta?

Os irmãos Wachowski, diretores do filme "Matrix" de 1999, hoje são duas "mulheres". Ou seriam travestis? Bem, de qualquer forma, o primeiro fez sua transição anos atrás, o segundo recentemente. Agora vestem-se como mulheres e criaram peitos artificiais. Duvido que seja coincidência. Tudo foi planejado cuidadosamente. A matrix controla tudo!

Quanto a mim, pretendo sim sair em breve da matrix, só que aos poucos, lenta mas definitivamente.

Primeiro abandonarei a mídia. Não tenho televisão já faz muitos anos, e não sinto falta.

Filmes? Quase só vejo filmes antigos hoje em dia. Não tenho nem Netflix.

Em breve deletarei minha conta no Foicebook. Que me importa se uma "amiga" fez lipoaspiração e casou com um equatoriano, e um "amigo" comeu sushi de cachorro num restaurante na Cochinchina?

Um dia jogarei meu smartphone no vaso, e puxarei a descarga.

Quebrarei meu computador a marteladas.

Mudarei-me para o campo, longe de tudo e todos. Viverei do cultivo de plantas, tendo por única companhia uma vaca leiteira e um fiel cão.

Não falarei com mais ninguém, só talvez com meu cachorro e com as plantas.

Dedicarei-me a escrever poemas e um tratado filosófico para as futuras gerações. Mas antes de concluir, mudarei de ideia e colocarei fogo em tudo.

Finalmente, quando estiver bem velhinho e cansado, comprarei uma pistola e darei um tiro no meio da testa.

E, ainda assim, não estou completamente certo que depois da morte não nos aguarde outra dimensão, ainda mais corrupta e diabólica. ("For in that sleep of death, what dreams may come", etc.)

Você pode até sair da matrix, mas a matrix nunca sai de você!!



quinta-feira, 31 de março de 2016

Os brancos também erram

Fiquei triste pelos pais de Jean Charles ao ler que a Corte Européia de Direitos Humanos rejeitou o recurso da família. Nada mais ocorrerá, e nada mais resta à família a não ser continuar a chorar. 

A morte do brasileiro Jean Charles pela polícia inglesa foi um erro patético, e no entanto, ninguém foi punido. Nenhum policial chegou a ser investigado individualmente e o máximo que ocorreu foi que a Scotland Yard foi multada em 100 mil libras, quantia certamente irrisória para o governo inglês.

Incapazes de diferenciar entre um etíope escuro e um mestiço indígena claro, os policiais deram 13 tiros no eletricista, sendo que 7 na cabeça. Atiraram primeiro e perguntaram depois. 

Acidentes acontecem, é verdade, mas pergunto-me se as coisas teriam tido o mesmo rumo se, em vez de um imigrante brasileiro, a vítima tivesse sido um inglês branco, quem sabe o filho de algum político. Quem pode, pode, e quem não pode, vocês já sabem (rima com pode).

Embora haja certamente muitos anglos geniais, nunca gostei muito deles como coletividade. Um povo arrogante, esnobe, imperialista. Conquistaram o mundo inteiro mas juram que foi na base do "fair play". Algo dessa mentalidade pegou nos americanos, que herdaram seu império e hoje fazem "bombardeios humanitários" com meros "danos colaterais".

O etíope muçulmano que cometeu os atentados era considerado um cidadão inglês. Jean Charles era um mero residente de legalidade duvidosa. Um era um terrorista encostado no welfare, o outro um trabalhador manual.

Mas não seria a elite inglesa quem mais deveria ser punida por trazer milhares de etíopes e assemelhados para viver no Reino Unido e atormentar o cidadão local?

Os ingleses já dominaram todo o subcontinente indiano e partes da África, tratando os locais como cidadãos de segunda classe. Modernizaram tais países, não resta dúvida; mas o preço foi salgado e, hoje em dia, pouco resta do que foi construído. Será que, no fim das contas, o legado do colonialismo não foi no fim das contas ruim para ambos os lados? Não era melhor que tivessem deixado a África em seu estado pré-civilizado, ou, então, que assumissem de vez o tal "fardo do homem branco" em vez de abandoná-los depois de dar-lhes as "benesses da civilização" como granadas e fuzis?

"Africa Addio" é um filme sobre o fim do colonialismo europeu na África. Muito embora tendo sido produzido por cineastas italianos premiados (um deles inclusive havia até sido indicado ao Oscar), o filme hoje é bem difícil de encontrar. Existem na verdade várias versões. Foi lançado nos EUA apenas um uma vesão bastardizada e censurada, renegada por seus autores. Mas há mais de um corte da versão europeia também. (Tem uma versão italiana de com 140 minutos no Youtube, acredito que seja próxima do original).

O filme virou tabu. Nunca assisti o filme inteiro, e não sei se o recomendaria. É, por um lado, horrível. Tem matanças indescritíveis de humanos e de animais. Não poupa os negros, mas tampouco os brancos, que em algumas cenas também são mostrados cometendo violências atrozes. Porém, tem cenas de relevância histórica e está muito bem filmado. As cenas mostrando os milhares de corpos dos árabes massacrados pelos revoltosos negros no Zanzíbar é impactante. Mas também as da África do Sul durante o apartheid com jovens mulheres loiras correndo em câmera lenta e pulando em uma cama elástica. Para quem gosta do gênero "cinema-chocante", o filme é um prato cheio.

Uma história engraçada sobre a produção: ao filmar uma revolução na Tanzânia, os cineastas foram presos e condenados à execução. Mas aí alguém gritou, "espere aí, eles não são brancos, são ITALIANOS!" E eles foram imediatamente liberados e puderam concluir os trabalhos. (Porém, foram posteriormente presos na Itália, sob a acusação de que algumas mortes no filme teriam sido realizadas para as câmeras; foram também finalmente absolvidos).

Outro filme interessante sobre a colonização, este na África do Norte, é a "Batalha de Argel", do também italiano Gillo Pontecorvo. O filme é tão realista que muitas vezes foi confundido com um documentário, mas é ficção. Mostra atrocidades de ambos os lados, franceses e árabes.

Os italianos são (ou eram) bons em fazer filme sobre a África: "Conseguirão nossos heróis encontrar o seu amigo misteriosamente perdido na África?", do recentemente falecido Ettore Scola, é outra exame da (pós-)colonização, mas sob uma ótica mais ligeira e cômica, com uma performance como sempre magistral de Alberto Sordi, e uma mensagem ambígua: quem é o "civilizado", e quem é o "selvagem"? É o que parecem perguntar-se "nossos heróis" ao final. 

A mesma mentalidade colonialista da velha elite é a que se revela hoje em dia no seio dos próprios países europeus, a única diferença é que, em vez de ir para a África atormentar/educar os nativos, agora eles estão importando-os da África para dentro da Europa para "ajudá-los", com conseqüências nefastas para todos. 


sábado, 26 de março de 2016

L'Infinito

Sempre caro mi fu quest'ermo colle,
E questa siepe, che da tanta parte
Dell'ultimo orizzonte il guardo esclude.
Ma sedendo e mirando, interminati
Spazi di là da quella, e sovrumani
Silenzi, e profondissima quiete
Io nel pensier mi fingo; ove per poco
Il cor non si spaura. E come il vento
Odo stormir tra queste piante, io quello
Infinito silenzio a questa voce
Vo comparando: e mi sovvien l'eterno,
E le morte stagioni, e la presente
E viva, e il suon di lei. Così tra questa
Immensità s'annega il pensier mio:
E il naufragar m'è dolce in questo mare.

G. Leopardi