terça-feira, 10 de maio de 2011

Nome de rico, nome de pobre

Estou com preguiça de abordar temas mais sérios e complexos, portanto sigo com temas frívolos ou sem grande importância para o leitor. Uma discussão no blog tradicionalista View from the Right chamou a atenção para o tema dos nomes.

Sabe-se que muitas vezes os pobres costumam escolher nomes bem "criativos" para seus filhos: Valdisney, Francisleidy, Avagina, Uéliton, etc. O mesmo ocorre, com variações, entre as classes baixas americanas, seja no gueto negro (Shaquanda), seja na fazenda redneck (Winchester).

Porém, o curioso é que também entre os ultra-ricos, em especial entre as celebridades da mídia, os nomes bizarros estão se tornando cada vez mais comuns. Como já estamos em 2011, fica difícil colocar a culpa nos velhos hippies e suas drogas alucinógenas.

Já tínhamos a Suri do Tom Cruise e a Apple da Gwinnet Paltrow, entre tantos outros. Robert Rodriguez não perdoou nenhum de seus quatro filhos: são Rocket, Rebel, Rogue e Racer. No Brasil, temos a Sasha da Xuxa, e Zaion e Krizia, filhos de Fábio Júnior.

Agora a Alicia Silverstone resolveu dar a seu filho o nome de Bear Blu (algo como urso azul).

O que explica esses nomes? Imagino que a idéia de torná-los únicos e originais e, por extensão, afirmar que a criança também será única e original -- não um João ou William qualquer.

O problema é que um nome "criativo", além de submeter o indivíduo a uma vida de gozações, também termina limitando as suas possibilidades. Bear Blu talvez seja um ator, um decorador de interiores ou um cantor de rock; mas provavelmente não será um gênio das matemáticas ou um famoso homem de negócios.

Será que os nomes condicionam destinos? O que há de diferente, afinal, em um nome inventado como Zaion e um nome comum como Paulo? Chamar alguém de "Maçã" (fruta) é tão diferente de chamar alguém de "Rosa" (planta)?

Acho que a diferença é a tradição. Associamos certos nomes com certas personalidades históricas ou biblicas, com nossos antepassados, com certas categorias étnicas ou até classes sociais. Um nome revela o futuro que você imagina para a criança a partir do passado associado a esse nome. Nomes "originais" e "criativos" apenas refletem uma idéia superficial do momento, seja um jogo de palavras ou uma homenagem de gosto duvidoso, além de mostrar incapacidade de imaginar o futuro. Um bebê chamado Bear Blu é uma gracinha; um quarentão com o mesmo nome, não tanto. É um ato de vaidade dos pais, que transformam o próprio destino da criança em uma cruel brincadeira.

Porém, talvez o fim do tradicionalismo conservador indique o fim dos nomes tradicionais. Antigamente, imigrantes costumavam modificar o seu nome para adaptá-los ao novo país. Hoje, essa não é mais a regra: o nome mais comum em Londres é Mohammed. Mesmo em Hollywood, atores de origem estrangeira ou de pronúncia difícil costumavam americanizar seus nomes. Hoje eles preferem dar a seus rebentos nomes multiculturais. Sinal dos tempos.

Qual nome você vai dar ao seu filho?

"Bear Blu o caralho! Agora meu nome é Zé Pequeno!"

18 comentários:

maisvalia disse...

Duro mesmo é usneive, do navio ou anderson claitom, hehehe
1 2 3 oliveira 4

Rafa Guerra disse...

Tenho 2 filhos: João Rodrigo e Pedro Henrique. Beeeeem tradicionais :)

Anônimo disse...

"Qual nome você vai dar ao seu filho? "

Augusto Nascimento.

Anônimo disse...

Brincadeira, gente.

rs

Chesterton disse...

conheci um que foi nomeado em homenagem a uma estrada (qual?)

Brioi.

Brancaleone disse...

Na madeireira eu tinha empregados com nomes como Cridence, Chebert Ebert, Josilânia, Disvaline etc...

Meus filhos? Ana Luiza 4 anos, Pietra 12 anos e Lawrence 23 anos...

Mr X disse...

Cridence era homenagem à banda Creedence Clearwater?

Gunnar disse...

Acho importante diferenciar entre nomes excêntricos e nomes inventados. O meu, por exemplo, por mais estranho que soe no Brasil, data do século IX e até hoje é muito comum no norte da Europa - de onde descende meu povo.

Ou seja, existe e é coerente. Mas não deixa de causar estranheza nas caixas de loja ou porteiros de balada, que invariavelmente, mesmo soletrando, conseguem errar.

Isso é bem diferente de uma Valdisleine, que é totalmente inventado.

Da mesma forma, existem certas modificações que não fazem o menor sentido. Giselle, por exemplo, é a versão francesa do que em português seria Gisela ou Gisele. O que leva um sujeito a chamar a filha de Gihselly? Isso não existe! O H e o duplo L cumprem funções fonéticas em diversas línguas (Gunnar tem 2 N para tornar a vogal U curta e forte), mas o pobre acha que é pra bonito e enche o nome dessas coisas, assim, como se fosse um penduricalho pra enfeitar.

Anônimo disse...

Brancaleone,e as mães são: brasileira, italiana e inglesa, respectivamente?

Vitor disse...

João Miguel, se for um varão.

Ana Júlia (ou só Júlia) se for uma gatinha de olhos azuis (vai puxá-los da mãe, claro).

Mas tive um professor chamado Markciley.

Dom Moleiro disse...

Tem um cara no meu bairro chamado Juvenil .Só que agora ele é o "seu" Juvenil ,pois está com setenta anos .E o pessoal fica gozando da cara dele por isso .

marcos mozkha disse...

Se você quiser ver uma curiosidade procure o Site da Morroida (www.morroida.com.br) .É de um campineiro bebedor de vodka e gozador.
Ele criou um programinha chamado Gerador de nome de pobre.É simplesmente hilário .
Abraços

Brancaleone disse...

Quanto ao nome dos meus filhos.
Lawrence foi aposta - Se fosse menina minha esposa daria o nome. É menino e eu dei o nome - escrachada homenagem a Lawence da Arábia -Pietra foi o mesmo caso, mas é menina e ela deu o nome.
Ana Luiza. Homenagem a minha Tia-avó, a pessoa mais maravilhosa que eu já conheci. Este foi consenso.

Mr X disse...

A porcaria do Blogger teve problemas e apagou alguns dos comentários... :-( Enfim, parece que agora voltou ao normal, mas os comentários sumiram. Sorry. Culpa do Blogger.

Felipe Flexa disse...

Marisa Monte batizou seu filho de Mano Vladimir.

Felipe Flexa disse...

Tinha um jogador do Guarani de Campinas que se chamava Creedence Clearwater. Assim mesmo.

Didi Iashin disse...

Uai, e não tem o Richarlyson? Trabalhando em uma micro-empresa de monitoração de mídia, tenho o "prazer" de topar com nomes que serviriam como atenuante no caso de assassinato da mãe, do pai, do tabelião que assinou o registor de nascimento ... Eu já vi um ladrãozinho com o nome de William Bonner. Legal, né? O crinha do Freakanomics tem um capítulo sobre nomes e o futuro sucesso - ou não - da criança. E, concordo: é vaidade dos pais. Imagina um quarentão chamado Mano Vladimir ...

Kct disse...

MrX, meu véio, há muito venho discutindo sobre o tema. Concluo que certas pessoas tem mesmo a "cara" de seu nome.
Experiência:
Se você colocar numa fila lado a lado, mulheres de uma mesma etnia, e perguntar para alguém "Identifique aí quem é a Patrícia", com certeza ela vai acertar.
É incrível, mas as pessoas tem mesmo a cara de seus nomes!
Bem, meu nome favorito é Maicol... ^^