quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Educação sim, censura não!
Além da censura midiática que proíbe a discussão honesta sobre certos assuntos, há a censura (ou até autocensura) que se cria entre os indivíduos, que cada vez ficam com mais medo de ter problemas, ou até mesmo um processo nas costas, devido a alguma frase infeliz dita ou escrita por aí. Isto até piorou com a Internet: às vezes, até uma frase inocente publicada no Facebook ou Twitter pode gerar infinitas dores de cabeça.
Um exemplo, já mencionado aqui, foi o caso do ator brasileiro Rodrigo Lombardi, que foi criticado por ter elogiado o dançarino e cantor negro Sammy Davis Jr., só que de uma forma considerada preconceituosa pelos bem-pensantes. A intenção do ator não apenas era a de elogiar, como Sammy Davis está morto e não se importa mais sobre o que disserem sobre ele. Isso, naturalmente, não impediu muitos progressistas de quererem a cabeça do "racista".
Toda hora há casos novos. Agora tem o comercial de lingerie com a Gisele Bündchen, que o governo quer proibir. Antes, um humorista foi censurado por fazer piada com King Kong e teve que se retratar. Uma jovem acusada de criticar os nordestinos no Twitter teve que abandonar a faculdade. Vez por outra um jogador de futebol é acusado de "racista" por chamar outro de "negão" ou de "macaco". Segundo um jornalista do Globo, "todo castigo é pouco para os racistas": ele chega a afirmar que seria preferível que o racista tivesse agredido o outro jogador com um soco do que chamá-lo de "macaco", que hoje em dia parece ser a maior ofensa jamais criada contra qualquer pessoa de cor. (Também o saudoso Clodovil uma vez foi processado por racismo por ter chamado uma deputada negra de "macaca de tauilleur"). O que é estranho é que, no tempo dos Trapalhões, não lembro que houvesse tanto escândalo com palavras como "macaco", "cabeça-chata", "fresco", e por aí vai.
Hoje no Canadá, ocorreu o oposto: um jogador de hóquei negro está sendo criticado por ter chamado um adversário de "bicha" ou "viado" (faggot). Detalhe: parece que o adversário é mesmo viado, ou ao menos está empenhado na causa do casamento gay. Outro detalhe: o jogador que realizou o insulto já tinha por sua vez recebido insultos racistas anteriormente, o que não impediu que agora seja criticado por ser homofóbico.
Isso nos leva a uma importante questão filosófica: o que é pior nestes dias, ser "racista" ou ser "homofóbico"? Se um gay ataca um negro e vice-versa, quem leva a pior? Nos EUA, um violento caso de negros que agrediram um branco no McDonald's foi ocultado pela mídia, até que se descobriu que a vítima branca era um travesti. Sendo, portanto, um ataque "homofóbico" (e não simplesmente contra um branquelo que merecia mesmo apanhar), o ataque passou a ser registrado e mesmo criticado. O que parece provar que: a) os gays venceram a batalha e a "homofobia" é mais forte do que o "racismo, e b) que o único grupo que não tem direito a reclamar são os brancos heterossexuais cristãos. Apanhem calados!).
O mais curioso de tudo é que há almas delicadas até no campo de hóquei. Bater até quebrar ossos pode, o que não pode é insultar...
De acordo com a Associacão Canadense de Gays e Lésbicas contra a Difamação (sim, existe isso), "o discurso de ódio e insultos homofóbicos não têm lugar no campo de hóquei."
Pôrrameu, são jogadores de hóquei, o esporte mais violento do mundo! Se um jogador de hóquei não pode nem chamar o outro de "viado", onde diabos iremos parar?!?
Isso tudo parece um tema menor e sem importância, mas não é mesmo. Todas essas novas leis anti-racismo e anti-homofobia, bem como a simples existência do "politicamente correto", tem uma função bem clara no projeto progressista: a censura.
Sim, a esquerda, que tanto chora sobre a "censura" que sofreu durante a "horrível ditadura militar", é a maior censuradora hoje em dia!
Atenção, isso não quer dizer que eu seja a favor de insultos. A ética comanda que, por uma questão de civilidade, os insultos (raciais, sexuais ou de qualquer outra ordem) sejam evitados; mas, em certos ambientes como o esportivo, eles são bastante comuns, e não deveriam ser objeto de qualquer tipo de ação legal. Jogador de futebol e torcedor estão ali para xingar e serem xingados mesmo: só falta agora quererem proteger de insultos a mãe do juiz...
Faz tempo que casos de injúria e difamação são corretamente levados em conta pela lei, e não pareceria haver necessidade de leis novas. Observe ainda que a censura esquerdista vai muito além disso, não permitindo nenhum tipo de discurso que seja sequer contrário aos grupos protegidos pelo progressismo mundial.
Por exemplo: um cidadão foi acusado de "racismo" por sugerir em artigo de jornal (mas sem usar qualquer insulto) que a cultura branca européia fosse mais avançada do que a cultura indígena nativa brasileira. O que parece algo óbvio -- afinal, os povos europeus eram ou não mais avançados tecnologicamente, artisticamente, etc? -- hoje virou caso de polícia. (O acusado também afirmou que os índios enterrariam ossos em certas propriedades para dizer depois que estas seriam "terras indígenas"; isso, lamentavelmente, também não é mais do que a verdade, já comprovada em vários casos).
Não sei como acabou o caso: o Ministério Público queria do pobre homem uma indenização inicial de 30 milhões de reais.
Quanto aos gays, é ainda pior, e acontece no mundo todo. No outro dia, um estudante inglês foi suspenso por simplesmente dizer que "o homossexualismo é errado." Percebam que ele não insultou ninguém nem disse nada de extraordinário: o mero fato de achar que atos homossexuais sejam pecado já é um crime ou ao menos uma falta em muitos países.
Até mesmo ser contrário ao "casamento gay", o que há pouco era apenas questão de opinião, está virando um discurso proibido. E isso que o "casamento gay" é uma questão que afeta, segundo estatísticas, 0.55% da população americana (é o número de parceiros do mesmo sexo que vivem juntos). Tempestade num copo d'água?
Essa censura toda termina tendo também, acredito, um efeito psicológico nefasto. Impedida de se pronunciar de forma civilizada, a crítica às minorias termina se transformando em ódio e rancor. Mesmo eu, que tenho contato com pessoas de todas as cores, religiões e orientações sexuais sem jamais ter insultado ninguém, toda vez que ouço alguma proibição politicamente correta, tenho vontade de urrar insultos racistas e homofóbicos aos quatro ventos. Imagine então alguém que foi suspenso da escola ou perdeu o emprego por ter dito alguma frase proibida: será que o seu ódio vai ser maior ou menor?
Com mil raios e trovões! Deixem o mundo se expressar em paz! Seus sacripantas, pândegos, anacolutos, embusteiros, antropopitecos, antropófagos, babuínos, ungulados, psicopatas, piromaníacos, sodomitas, bucaneiros, cabeçudos, colocintos, carcamanos, chucrutes, tecnocratas, terroristas, zapotecas, visigodos, iconoclastas, selvagens, astecas, esquizofrênicos, ornitorrincos, frouxos, macacos, parasitas, otomanos, ruminantes, canalhas, covardes, mercenários, ectoplasmas, doríferos, coleópteros, zulus!!
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Tristes pressentimentos do que há de acontecer
Hoje em dia, todos querem tudo de graça. Pior: todos acham que tem "direito" a ter tudo de graça, na mão, e pra já. Tanto os saqueadores londrinos quanto os estudantes chilenos certamente achavam que tinham toda razão em agir como agiram. Afinal, se roubaram um iPhone foi porque foram "injustiçados na distribuição de riquezas", se educação e saúde custam caro é porque o capitalismo é malvado.
Quanto mais benefícios o Estado dá, mais se quer. Quanto mais os países se endividam e precisam cortar gastos, mais a população protesta, e mais o Estado gasta em contrapartida. A dívida? Que importa! Esse é um problema para as futuras gerações...
Os mesmos progressistas americanos e europeus que dizem ser a favor da ecologia e da redução do aquecimento global são a favor da imigração de terceiro-mundistas que aumentarão seu padrão de consumo e portanto a queima de carbono, além de terem sete filhos e fazerem aumentar as cidades e diminuir os espaços naturais. Os mesmos que acreditam em "igualdade social" fazem o mais que podem para tornar as sociedades cada vez mais desiguais, em nome da diversidade.
Recentemente vi uma exibição das gravuras de Goya. São imagens terríveis de guerra e violência. Não há conflito racial aqui: são franceses contra espanhóis, ou espanhóis contra os considerados hereges de seu próprio país. Todos brancos. Mesmo o maior apologista das "glórias da raça branca" há de convir que são cenas terríveis. De minha parte, vendo as gravuras vem me à mente uma observação de Mark Twain: "Não tenho preconceito de raça, cor, casta ou credo. Tudo o que preciso saber é que alguém é um ser humano -- isso é suficiente para mim, não se pode ser algo pior."
A questão é que, com a balcanização da Europa em linhas étnicas ou religiosas, esses conflitos tendem apenas a aumentar. Se membros de uma mesma etnia e religião lutam entre si, o que dizer de etnias ou religiões diferentes? Alguns acreditam que no futuro haverá integração e assimilação. Mas quem se asimilará a quem? Os muçulmanos ao secularismo, ou os pós-cristãos ao Islã?
Outros afirmam mesmo que com a mistura de raças e culturas em um "melting pot" geral os conflitos terminarão. (Na Europa, e especialmente na França, há cada vez mais casamentos inter-étnicos, de brancas e brancos com árabes ou africanos.) Lamentavelmente, parece-me uma utopia digna do "Imagine" do John Lennon (está tocando agora no café em que escrevo). O Brasil é o país mais miscigenado do mundo e, se (por ora?) temos menos conflitos abertamente raciais do que nos EUA, por outro lado, não quer dizer que não haja preconceito dos mais claros contra os mais escuros e vice-versa, e conflitos não faltam: temos 50 mil assassinatos por ano…
Uma das gravuras de Goya, reproduzida abaixo, chama-se "Tristes presentimientos de lo que ha de acontecer". Goya era pessimista quanto à humanidade. Acreditou no iluminismo francês e em seus valores de liberté, egalité e fraternité. Queria que os franceses trouxessem tais idéias à Espanha, que ele considerava bárbara, atrasada e supersticiosa. Porém, quando as tropas de Napoleão invadiram o país, Goya horrorizou-se com as atrocidades cometidas em nome da liberdade, muitas delas retratadas em seus desenhos.
Da mesma forma, o mundo de hoje não dá muita margem para o otimismo. A maioria das pessoas tem ideais utópicos e contraditórios entre si. Acreditam em paz global, igualdade total, harmonia entre os povos, fadas e unicórnios. A decepção será grande. E algum novo Goya talvez pinte os futuros desastres que ocorrerão.
terça-feira, 10 de maio de 2011
Nome de rico, nome de pobre
Sabe-se que muitas vezes os pobres costumam escolher nomes bem "criativos" para seus filhos: Valdisney, Francisleidy, Avagina, Uéliton, etc. O mesmo ocorre, com variações, entre as classes baixas americanas, seja no gueto negro (Shaquanda), seja na fazenda redneck (Winchester).
Porém, o curioso é que também entre os ultra-ricos, em especial entre as celebridades da mídia, os nomes bizarros estão se tornando cada vez mais comuns. Como já estamos em 2011, fica difícil colocar a culpa nos velhos hippies e suas drogas alucinógenas.
Já tínhamos a Suri do Tom Cruise e a Apple da Gwinnet Paltrow, entre tantos outros. Robert Rodriguez não perdoou nenhum de seus quatro filhos: são Rocket, Rebel, Rogue e Racer. No Brasil, temos a Sasha da Xuxa, e Zaion e Krizia, filhos de Fábio Júnior.
Agora a Alicia Silverstone resolveu dar a seu filho o nome de Bear Blu (algo como urso azul).
O que explica esses nomes? Imagino que a idéia de torná-los únicos e originais e, por extensão, afirmar que a criança também será única e original -- não um João ou William qualquer.
O problema é que um nome "criativo", além de submeter o indivíduo a uma vida de gozações, também termina limitando as suas possibilidades. Bear Blu talvez seja um ator, um decorador de interiores ou um cantor de rock; mas provavelmente não será um gênio das matemáticas ou um famoso homem de negócios.
Será que os nomes condicionam destinos? O que há de diferente, afinal, em um nome inventado como Zaion e um nome comum como Paulo? Chamar alguém de "Maçã" (fruta) é tão diferente de chamar alguém de "Rosa" (planta)?
Acho que a diferença é a tradição. Associamos certos nomes com certas personalidades históricas ou biblicas, com nossos antepassados, com certas categorias étnicas ou até classes sociais. Um nome revela o futuro que você imagina para a criança a partir do passado associado a esse nome. Nomes "originais" e "criativos" apenas refletem uma idéia superficial do momento, seja um jogo de palavras ou uma homenagem de gosto duvidoso, além de mostrar incapacidade de imaginar o futuro. Um bebê chamado Bear Blu é uma gracinha; um quarentão com o mesmo nome, não tanto. É um ato de vaidade dos pais, que transformam o próprio destino da criança em uma cruel brincadeira.
Porém, talvez o fim do tradicionalismo conservador indique o fim dos nomes tradicionais. Antigamente, imigrantes costumavam modificar o seu nome para adaptá-los ao novo país. Hoje, essa não é mais a regra: o nome mais comum em Londres é Mohammed. Mesmo em Hollywood, atores de origem estrangeira ou de pronúncia difícil costumavam americanizar seus nomes. Hoje eles preferem dar a seus rebentos nomes multiculturais. Sinal dos tempos.
Qual nome você vai dar ao seu filho?
sexta-feira, 25 de março de 2011
A fúria das elites
Se você achou essa "obra de arte" ridícula, é apenas por que não conhece as obras anteriores desse Sakamoto das artes plásticas. Segundo a reportagem, o artista:
"[e]specializa-se em instalações brancas envolvendo chocolate branco, açúcar e seu próprio sêmen. Suas esculturas já incluíram seus próprios excrementos folheados a ouro".
Quem gosta de freqüentar galerias de arte moderna é a elite e a classe média aspirante a sofisticada, não o povão nem a classe média trabalhadora. O fato de que esse artista que expõe o próprio cocô seja promovido e consumido pelas atuais elites ocidentais demonstra que há algo de malcheiroso no reino da Dinamarca, e dos EUA também.
Não sei se vocês seguem o meu raciocínio. A cultura popular, quem nega, degradou-se. Os ritmos da moda são o funk e o rap, que promovem a sexualidade irrestrita e a violência. Quem acha que isso não se traduz em violência real, que assista à recente premiação do DMV Awards, onde a negadinha do rap botou pra quebrar - literalmente. Ou comparem as letras do funk com as letras do Cartola.
De forma simétrica, também a alta cultura, que antes produzia Michelangelos e Velásquez, hoje tornou-se uma mera busca inútil do choque e do niilismo mais gritante. Mas a classe alta o consome como se fosse caviar.
Ora, a função da elite ao longo da história era dar o bom exemplo para o povaréu. Hoje, é o contrário. O mau exemplo começa de cima.
A elite quer sexo, drogas e roquenroll. A elite é socialista. A elite promove cirurgia plástica, anorexia, tatuagem, amputações sexuais e modificações corporais. A elite é a favor de complicados e caros programas de engenharia social.
Sobre este último ponto, alguns comentários. Sim, a elite política, financeira e cultural é quem investe pesadamente em experimentos sociais, mas quem paga o preço final disso é a classe média e os pobres -- as cobaias do experimento. Isolada das conseqüências de seus atos, a elite não se dá conta ou não se importa com os problemas que cria e cujo custo é pago pela população. Pago no sentido figurado, mas também no literal, já que é a classe média que com os impostos financia a sua própria destruição.
A arte moderna, afinal, é apenas um detalhe. Mais preocupantes são as políticas de substituição populacional através da imigração massiva, a procura da extinção das diferenças entre os sexos através da promoção do "transgênero" e do casamento gay, o coitadismo com os criminosos que só gera mais crime e violência, a incessante busca de uma "igualdade geral de resultados" ou de uma "sociedade justa" que é impossível e que só gera desgaste.
Na Austrália, por exemplo, existe uma "Secretaria de Divisão Equitativa do Trabalho", que se dedica a fiscalizar quantas mulheres e minorias trabalham em cada empresa e multar aquelas que ficam abaixo da cota. Recentemente, ganhou mais 12 milhões anuais para esa tarefa inútil. Hoje eles contam quantas mulheres são empregadas, amanhã contarão quantos travestis. Aqui nos EUA, toda instituição governamental, educacional ou mesmo privada tem uma "Divisão de Diversidade", bem como uma "Secretaria de Prevenção do Assédio Sexual", outra absurda mania americana.
Você já parou para pensar quanto dinheiro é gasto nessas loucuras politicamente corretas?
Em época de crise, tanto dinheiro é gasto em algo perfeitamente inútil e mesmo contra-producente, que só gera mais conflitos. É cocô folheado a ouro, como o do nosso artista.
Muitos conhecem os vários romances e textos de Alexander Solyenitzin criticando o comunismo soviético, do qual foi uma das mais famosas vítimas. Menos conhecido é o seu discurso em Harvard apontando as falhas do Ocidente, já em 1978 apontando alguns problemas que hoje só aumentaram.
Talvez pareça que com este texto estou dando uma de petralha e colocando toda a culpa "na zelite". Não é bem isso. Acredito apenas que as elites ocidentais dos dias de hoje não estão cumprindo o seu dever de desenvolver o país, liderar, ensinar e formar. Não sei se é insanidade temporária, não sei se é tentativa de suicídio devido à "culpa branca", não sei se é devido à perda dos valores morais tradicionais, não sei se é culpa da falta de uma formação cultural elevada (os novos ricos são muitas vezes profundamente ignorantes), não sei se é desejo megalomaníaco de mudar o mundo por alguns bilionário, não sei se é apenas tudo por dinheiro ou se é alguma macabra conspiração global que inclui o "Clube Bilderberg" e o "projeto eurasiano". Não sei de nada. Só sei que ultimamente, por via das dúvidas, prefiro ficar longe das galerias de arte moderna.
"Está ouvindo este som, Gafanhoto? É o som da civilização implodindo, incapaz de suportar seu próprio peso!"
domingo, 30 de janeiro de 2011
Poema do domingo
The Moving Finger writes; and, having writ, Moves on: nor all your Piety nor Wit Shall lure it back to cancel half a Line, Nor all your Tears wash out a Word of it
Omar Khayam (1048-1131)
* na tradução/recriação de Edward Fitzgerald (1809-1883)
segunda-feira, 22 de março de 2010
Bye bye Miss American pie
O Obamacare passou, ao menos no voto inicial. Os Democratas celebram, mas mal sabem eles (ou sabem e não se importam) que estão praticamente assegurando o fim dos EUA como superpotência mundial. It's over, è finito, c'est fini.
O país está à beira da bancarrota, e este trambolho que acaba de passar vai custar mais alguns trilhões. Não haverá dinheiro para inovação em tecnologia médica, e muitas companhias de seguro médico irão falir, deixando o caminho livre para o futuro monopólio estatal, que encherá o bolso de alguns políticos, mas custará mais para todos os outros a uma qualidade cada vez pior.
Naturalmente, a saúde "gratuita" beneficiará prioritariamente aqueles que vivem no welfare, os que recebem pouco e não pagam imposto de renda, e os ilegais. A saúde de todos estes grupos será paga pela classe média que trabalha, graças a um fenomenal aumento de impostos. O aumento de impostos gerará mais desemprego, o que colocará mais pessoas no welfare, o que gerará maiores impostos, etc.
Depoi de ferrar com a saúde, o próximo passo de Obama será aprovar o plano "antiaquecimento global", que vai ferrar com a economia, e o plano de "reforma de imigração", permitindo a legalização imediata de vinte milhões de ilegais no país - o que, em tempos de desemprego, também não vai ser muito bem recebido pela classe média. O que não importa, já que os agradecidos novos legalizados votarão nos Democratas, e a fraude fará o resto.
Os EUA se tornarão um país de minoria branca, com uma maioria formada por uma maioria desunida de todos os credos e cores. E, assim, ao desemprego se juntará o ressentimento étnico e racial. Aos altos impostos se juntarão a inflação e a desvalorização da moeda, garantindo a pobreza de milhões. Os EUA deixarão de investir em tecnologia militar e limitarão enormemente os gastos com a defesa, deixando o país à mercê de ataques, que, cedo ou tarde, acontecerão, causando ainda maior caos e crise econômica. A China cobrará suas dívidas e tomará o lugar anteriormente ocupado pelo colosso americano, ou talvez o controle passe para a tal Nova Ordem Global.
Depois disso, é possível até mesmo uma guerra civil e a secessão do país em diversos novos Estados, como sugeriu há algum tempo um maluco russo que já não parece tão maluco assim.
Naturalmente, tudo isso não acontecerá imediatamente, mas aos poucos, ao longo de várias décadas. Mas é o caminho que foi escolhido pelos Democratas.
Há mais de dois mil anos atrás, Marco Túlio Cícero advertia os romanos:
O orçamento nacional deve ser equilibrado. As dívidas devem ser reduzidas. A arrogância das autoridades deve ser moderada e controlada. Os pagamentos a governos estrangeiros devem ser reduzidos se a nação não quiser ir à falência. As pessoas devem, novamente, aprender a trabalhar, em vez de viver da assistência pública.Roma não ouvi os conselhos, e caiu. Seguirão os EUA pelo mesmo caminho?
segunda-feira, 15 de março de 2010
Genocídios, inc.
Parece-me curioso. Por que não assumir? Muito mais ofensivo seria afirmar, "Sim, cometemos um genocídio e, quer saber? Faríamos tudo de novo, seus bastardos armênios!" É um pouco como os malucos neonazistas, que afirmam que o Holocausto não existiu, que é tudo uma mentira dos malditos judeus, os quais, aliás, devem ser exterminados. Afinal, qual é que é? (Idem os fanáticos islâmicos que negam estar por trás do 9/11, ao mesmo tempo em que celebram seus heróis)
De qualquer modo, o caso é puramente simbólico. Salvo possíveis questões financeiras (pedidos de reparações?), o fato de que a morte de 1.2 milhão de armênios seja considerada "genocídio" ou meramente "massacre" (ou o termo preferido dos turcos, "só uma brincadeira que passou um pouco dos limites") muda pouca coisa.
No mais, o "genocídio" (ou extermínio de povos) nada mais é do que o conceito darwinista de sobrevivência das espécies aplicado à sociedade humana. De fato, Darwin acreditava piamente que os grupos superiores eventualmente eliminariam os inferiores:
"At some future period, not very distant as measured by centuries, the civilised races of man will almost certainly exterminate, and replace, the savage races throughout the world. At the same time the anthropomorphous apes, as Professor Schaafhausen has remarked, will no doubt be exterminated. The break between man and his meanest allies will be wider, for it will intervene between man in a more civilised state, as we may hope, even than the Caucasian, and some ape as low as a baboon, instead of as now between the negro or Australian and the gorilla."Darwin estava errado: não foram precisos séculos, mas apenas algumas décadas. Pouco depois da publicação da "Origem das espécies", armênios, judeus e ucranianos sentiram na pele as idéias materialistas da nova ciência biológica (1).
Isso não quer dizer, é claro, que Darwin fosse um genocida. Embora, como se vê no texto acima, acreditasse que a raça branca era superior (isso não era novidade alguma no século XIX, nem foi idéia dos nazistas, que aliás consideravam apenas a suposta raça germânica superior, tendo também massacrado com prazer milhões de brancos eslavos), Darwin criticou a escravidão, era abolicionista e aliás jamais disse que o genocídio seria aconselhável: apenas afirmou que este aconteceria cedo ou tarde. E mesmo esta afirmação estava apenas dentro do contexto da explicação sobre a não-existência de um "elo perdido" (segundo Darwin, este teria sido eliminado pelas espécies superiores, por isso jamais fora encontrado... Boa desculpa).
Não coloco a culpa da maldade humana em Darwin. Porém, tenho para mim que foi em parte essa visão tão fria e "científica" dos seres humanos como meras espécies em luta que permitiu o extermínio de milhões de seres humanos no século vinte: os nazistas, em nome da "ciência racial"; os comunistas, em nome da "ciência econômica".
Afinal, imaginemos que realmente ficasse cientificamente demonstrado que o grupo A fosse "superior" (intelectualmente, fisicamente ou culturalmente) ao grupo B. Será que isso justificaria o genocídio deste último? Bem, em termos puramente científicos (e portanto amorais), é possível que sim. Afinal, as idéias nazistas de melhoria da espécie não pareceriam tão loucas se fossem aplicadas apenas a vacas e ovelhas.
Essa é a questão. Queremos crer que somos mais do que vacas e ovelhas. Queremos crer que somos mais do que um mero amontoado de matéria flutuando em um universo sem sentido, e que toda vida humana tem uma certa dignidade. Mas será que tem mesmo?
(1) Ainda que os turcos tenham realizado o genocídio por motivos religiosos (turcos são muçulmanos, armênios são cristãos ortodoxos) e nacionalistas / políticos, é possível que tenha sido influenciado pelas idéias que estavam então no ar. Por outro lado, os fanáticos muçulmanos continuam tendo idéias genocidas, então é possível que neste caso não tenha nada a ver. Curiosamente, Darwin também considerava os turcos inferiores (e por isso ele não é ainda hoje bem visto na Turquia):
"The more civilized so-called Caucasian races have beaten the Turkish hollow in the struggle for existence. Looking to the world at no very distant date, what an endless number of the lower races will have been eliminated by the higher civilized races throughout the world."
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Últimos estertores do chavismo
Hoje o povo liderado por Chavito enfrenta o amargo resultado de suas políticas: escalada de crime, crise energética, inflação de 60%, banhos de três minutos, censura na TV, racionamento de água e alimentos.
Chavez também perdeu de goleada a disputa em Honduras e sua influência continental começa a minguar. No Chile, a direita ganhou as eleições; é provável que a essa se sigam outras derrotas. Mesmo em Caracas, sua popularidade não é sombra do que era. Nem acusar os EUA de ter uma máquina de criar terremotos ajuda o pobre coitado.
De fato, os problemas são tantos que os ratos já começam a fugir do navio. (Cadê o Sean Penn agora? Cadê Naomi Campbell?)
Tudo isso, é claro, não é uma surpresa para este blog, e todos os que sabiam que o tal "socialismo do século XXI" era tão ruim quanto o do século XX.
Mas não espere por isso que os fãs do socialismo desistam, e finalmente entendam que tentar esse caminho é burrada. Já estão eles gritando que é tudo culpa do "imperialismo" em seu novo Fórum Social Mundial.
Da próxima vez, eles garantem, vai dar certo.
Enquanto isso, na América, o Obamismo também começa a degringolar.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Ataque dos quilombolas selvagens

O que faríamos sem a Internet? Sem ela, não teríamos a deliciosa ironia de que, no mesmo dia em que um comentarista publica neste blog seu "manifesto quilombola ameríndio", leio uma notícia sobre quilombolas atacando, esfaqueando e estuprando brasileiros no Suriname no recente período natalino (Mais detalhes aqui).
Ao contrário do que ocorreu no Brasil, os quilombos do Suriname não foram efetivamente destruídos, tendo realizado um acordo com os colonizadores holandeses e sobrevivido como comunidades relativamente independentes até os dias de hoje.
No caso em questão, irritados com a morte de um dos seus em uma briga de bar com um garimpeiro brasileiro, os quilombolas surinamenhos saíram em um arrastão, atacando e estuprando tudo o que viam pela frente. Há relatos escabrosos como os de uma mulher grávida que teve sua barriga aberta. Não só brasileiros como chineses e outros estrangeiros foram atacados com facões e machados, e vários estabelecimentos foram incendiados.
[Atualização: notícias mais recentes dão conta que os relatos iniciais foram algo exagerados e não houve mortes. Ver comentários.]
No Brasil, há um grande mito construído em cima da figura de Zumbi e do Quilombo de Palmares. Mas tudo isso é, em grande parte, uma invenção. Em primeiro lugar, não é verdade que os quilombos fossem "sociedades igualitárias", como sonham os comunistas. Eram sociedades que repetiam as sociedades africanas e coloniais da época, isto é, utilizavam escravos. Não só isso: qual era a principal atividade econômica dos quilombos? A plantação? A mineração? A produção de açúcar? Nada disso, tinham uma pequena produção agrícola de subsistência, mas sua principal atividade era mesmo o saque das propriedades vizinhas. Eram uma espécie de pré-MST.
Mas a maior mitologia é a criada em cima de Zumbi dos Palmares, sobre o qual, de concreto, se sabe muito pouco. Pode nem mesmo ter existido. Alguns acham que Zumbi não seja um nome, mas uma mera forma de tratamento entre os africanos; nesse caso, existiriam muitos zumbis. Se um certo Zumbi dos Palmares existiu, é certo que tinha escravos para uso pessoal (que os africanos se escravizavam entre si muito antes que os europeus iniciassem a fazê-lo, é sabido por todos os estudiosos), e em vez de herói, é possível que tenha sido prejudicial à causa negra. Afinal, ele teria selado a destruição de Palmares com seu rompimento do acordo com os luso-brasileiros realizado pelo tio (*) Ganga Zumba, que tinha obtido a liberação de todos os negros nascidos em Palmares, podendo assim ter replicado o que ocorreu no Suriname. Zumbi achou pouco, matou o tio, atacou os inimigos brancos (e índios - não esqueçamos que os índios colonizados e mamelucos lutavam ao lado dos brancos nessa), e perdeu tudo o que havia sido conquistado no tratado. É racista discutir o heroísmo de Zumbi? (ler comentário crítico ao final da página linkada)
O Brasil não é uma sociedade puramente indígena ou africana, e é bem possível que seja melhor assim. Convenhamos, sem o homem branco europeu, o que teria sido destas terras? As sociedades indígenas e africanas terão lá as suas vantagens, mas se os portugueses não tivessem vencido a guerra e ocupado o país à força, hoje não teríamos por aqui nem mesmo a roda, quanto menos a Internet. E os quilombolas ameríndios teriam que publicar seu manifesto em folhas de bananeira, isto é, se tivessem inventado uma linguagem escrita própria.
Atualmente os quilombos são um verdadeiro problema social no Suriname. E - adivinhem! - o governo Lula, sempre copiando maus exemplos, já autorizou o reestabelecimento de quilombos em território nacional. Sim, terras privadas serão desapropriadas para colocar ali uma favela rural de supostos descendentes de escravos.
Em vez de evoluir, estamos regredindo no tempo. Aguardo com ansiedade o decreto reinstituindo o direito aos tupis de devorarem seus inimigos. Suriname, lá vamos nós!
domingo, 18 de outubro de 2009
Poema do domingo
Young romantic readers
Skip this part of the book
If you want a glimpse of life
You're free to take a look
Shit machine shit machine
I'm an incredible shit machine
Piss machine Piss machine
Inexhaustible piss machine
Piss & shit machine
That's the Golden Mean
Whether young or old
Move your bowels of Gold
Piss & shit machine
It always comes out clean
Whether you're old or young
Never hold your tongue
Chorus
Shit machine piss machine
I'm an incredible piss machine
Piss machine piss machine
Inexhaustible shit machine.
Brown or black or green
everything will be seen
hard or soft or loose
shit's a glimpse of truth
Babe or boy or youth
Fart's without a tooth
baby girl or maid
Many a fart in laid
Shit piss shit piss
fuck & shit & piss
Fuck fart shit Piss
It all comes down to this
Beautiful male Madonnas
Wrathful Maids of Honor
To be frank & Honest
Stink the watercloset
Shit machine piss machine
Much comes down to this
Piss machine shit machine
Nature's not obscene
Shit piss shit piss
How'll I end my song?
shit piss shit piss
Nature never wrong
Allen Ginsberg (1926-1997)




