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sexta-feira, 25 de março de 2011

A fúria das elites

Leio no New York Times a notícia sobre um artista da moda. Sua última obra consiste em um monte de sal, ao redor do qual ele passa oito horas por dia arrastando-se de joelhos. O objetivo, segundo a descrição, tem a ver com a "paz no mundo". Não se sabe como ele vai obter a paz do mundo dessa forma, mas talvez imagine que os líderes mundiais fiquem comovidos e parem de guerrear entre si. Ou talvez seja uma forma de autopenitência pela sua própria imbecilidade: o artista pune a si mesmo por degradar a arte ocidental. A performance é ao mesmo tempo uma crítica da própria performance. Genial!

Se você achou essa "obra de arte" ridícula, é apenas por que não conhece as obras anteriores desse Sakamoto das artes plásticas. Segundo a reportagem, o artista:

"[e]specializa-se em instalações brancas envolvendo chocolate branco, açúcar e seu próprio sêmen. Suas esculturas já incluíram seus próprios excrementos folheados a ouro".

Quem gosta de freqüentar galerias de arte moderna é a elite e a classe média aspirante a sofisticada, não o povão nem a classe média trabalhadora. O fato de que esse artista que expõe o próprio cocô seja promovido e consumido pelas atuais elites ocidentais demonstra que há algo de malcheiroso no reino da Dinamarca, e dos EUA também. 

Não sei se vocês seguem o meu raciocínio. A cultura popular, quem nega, degradou-se. Os ritmos da moda são o funk e o rap, que promovem a sexualidade irrestrita e a violência. Quem acha que isso não se traduz em violência real, que assista à recente premiação do DMV Awards, onde a negadinha do rap botou pra quebrar - literalmente. Ou comparem as letras do funk com as letras do Cartola.

De forma simétrica, também a alta cultura, que antes produzia Michelangelos e Velásquez, hoje tornou-se uma mera busca inútil do choque e do niilismo mais gritante. Mas a classe alta o consome como se fosse caviar.

Ora, a função da elite ao longo da história era dar o bom exemplo para o povaréu. Hoje, é o contrário. O mau exemplo começa de cima.

A elite quer sexo, drogas e roquenroll. A elite é socialista. A elite promove cirurgia plástica, anorexia, tatuagem, amputações sexuais e modificações corporais. A elite é a favor de complicados e caros programas de engenharia social.

Sobre este último ponto, alguns comentários. Sim, a elite política, financeira e cultural é quem investe pesadamente em experimentos sociais, mas quem paga o preço final disso é a classe média e os pobres -- as cobaias do experimento. Isolada das conseqüências de seus atos, a elite não se dá conta ou não se importa com os problemas que cria e cujo custo é pago pela população. Pago no sentido figurado, mas também no literal, já que é a classe média que com os impostos financia a sua própria destruição.

A arte moderna, afinal, é apenas um detalhe. Mais preocupantes são as políticas de substituição populacional através da imigração massiva, a procura da extinção das diferenças entre os sexos através da promoção do "transgênero" e do casamento gay, o coitadismo com os criminosos que só gera mais crime e violência, a incessante busca de uma "igualdade geral de resultados" ou de uma "sociedade justa" que é impossível e que só gera desgaste. 

Na Austrália, por exemplo, existe uma "Secretaria de Divisão Equitativa do Trabalho", que se dedica a fiscalizar quantas mulheres e minorias trabalham em cada empresa e multar aquelas que ficam abaixo da cota. Recentemente, ganhou mais 12 milhões anuais para esa tarefa inútil. Hoje eles contam quantas mulheres são empregadas, amanhã contarão quantos travestis. Aqui nos EUA, toda instituição governamental, educacional ou mesmo privada tem uma "Divisão de Diversidade", bem como uma "Secretaria de Prevenção do Assédio Sexual", outra absurda mania americana.

Você já parou para pensar quanto dinheiro é gasto nessas loucuras politicamente corretas?

Em época de crise, tanto dinheiro é gasto em algo perfeitamente inútil e mesmo contra-producente, que só gera mais conflitos. É cocô folheado a ouro, como o do nosso artista.

Muitos conhecem os vários romances e textos de Alexander Solyenitzin criticando o comunismo soviético, do qual foi uma das mais famosas vítimas. Menos conhecido é o seu discurso em Harvard apontando as falhas do Ocidente, já em 1978 apontando alguns problemas que hoje só aumentaram. 

Talvez pareça que com este texto estou dando uma de petralha e colocando toda a culpa "na zelite". Não é bem isso. Acredito apenas que as elites ocidentais dos dias de hoje não estão cumprindo o seu dever de desenvolver o país, liderar, ensinar e formar. Não sei se é insanidade temporária, não sei se é tentativa de suicídio devido à "culpa branca", não sei se é devido à perda dos valores morais tradicionais, não sei se é culpa da falta de uma formação cultural elevada (os novos ricos são muitas vezes profundamente ignorantes), não sei se é desejo megalomaníaco de mudar o mundo por alguns bilionário, não sei se é apenas tudo por dinheiro ou se é alguma macabra conspiração global que inclui o "Clube Bilderberg" e o "projeto eurasiano". Não sei de nada. Só sei que ultimamente, por via das dúvidas, prefiro ficar longe das galerias de arte moderna.

"Está ouvindo este som, Gafanhoto? É o som da civilização implodindo, incapaz de suportar seu próprio peso!"


Se a mídia diz que é bom, deve ser bom.

sábado, 8 de agosto de 2009

Why so serious?


Dezenas de posteres de Obama com maquiagem de Coringa e a palavra "socialismo" abaixo começaram a aparecer em alguns cantos da cidade de Los Angeles. O artista é desconhecido, mas a imagem virou "viral", sendo estampada por toda a web e posteriormente em camisetas. Cópias do poster começaram a aparecer em Atlanta também. As autoridades declararam-se preocupadas. Os blogueiros de esquerda foram rápidos em denunciar o ato como "racista" (supostamente por pintar Obama de branco, mas isso tornaria Michael Jackson o maior racista de todos os tempos).

"Some men just like to watch the world burn", dizia-se sobre o Coringa no filme. "Alguns homens simplesmente gostam de ver o mundo pegar fogo." Acho que isso explica a mentalidade de Obama e de muitos outros socialistas, e por isso o poster funciona tão bem. No outro dia, por exemplo, encontrei-me perplexo ao observar professores agitadores autoproclamadamente radicais que queriam colocar justiça social até na matemática. Quer dizer, o aluno vai aprender besteira socialista em vez de matemática de verdade, vai se ferrar no SAT (Vestibular local), vai virar um subempregado e perder sua única chance real de realmente subir na vida - ei, mas ao menos vai saber o que é "justiça social"...

Já Obama afirma querer "cortar os gastos" com a saúde pública - criando uma reforma que gastaria trilhões a mais. Todas as reformas de Obama até agora custam trilhões sem trazer benefício visível algum. O remédio de Obama? Gastar ainda mais. Obama é mesmo parecido com o Coringa, ambos torraram pilhas de dinheiro e ainda ficam rindo. Não é por acaso que já são 42% dos americanos que consideram sua presidência medíocre, ruim ou péssima.

Não obstante, os malucos continuam tentando apagar fogo com gasolina. A única explicação possível para essa atitude é que esses palhaços querem mesmo é ver o circo pegar fogo.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Cultura de castas

Leio em um recente artigo de Theodore Dalrymple uma interessante observação sobre como o relativismo moral e estético (tudo é igual a tudo, nada vale mais do que nada), longe de criar mobilidade, tende a manter os ignorantes na ignorância, os pobres na pobreza e os oprimidos na opressão. Nivela-se tudo por baixo. Se tudo é igual, pra que evoluir? Infla-se apenas o ego daquele que está mais abaixo de todos: dessa forma, ele continua abaixo, tudo o que muda - talvez - é a sua autoestima. Diz Theodore:

To suggest that a basketball player can be compared with Mozart is to put all human activities on the same level; and since some activities come easier and more naturally than others, it has the effect of reducing, indeed making quite pointless, any form of cultural aspiration. If what comes easily is as good as what comes only with deep effort, thought and intelligence, why go to any trouble? There is a Gresham’s law of culture: without a scale of values, the bad will always drive out the good.
Thus the intelligent flatter the unintelligent, without, in their hearts, meaning a word of what they say. What seems at first sight progressive is in fact deeply reactionary, in the worst possible sense: it does not permit or encourage social ascent, and changes class societies (such as capitalist democracies have always been) into caste societies.

Como não lembrar do Brasil, onde jogadores de futebol são vez por outra considerados "gênios"? Nada contra certos jogadores de futebol que foram ou são brilhantes, mas parece-me notar sempre uma certa condescendência, uma tentativa de compensar a sua falta de cultura com a genialidade em algum outro aspecto.

É como a celebração da "cultura da periferia" por certas almas nobres e caridosas da esquerda, que transformam o linguajar ignorante dos rappers dos guetos em alta poesia, ou a arte de vândalos grafiteiros em imagens de Boticcelli.

Não vejam aqui elitismo algum. Pessoalmente, a arte contemporânea, criada em sua maioria por uma elite social e cultural, cheia de referências pós-moderninhas, causa-me em geral apenas repulsa; e vejo em muitos casos maior valor em obras populares (e não esqueçamos, depois de tudo, que mesmo Shakespeare foi um plebeu autodidata e um autor popular - e até mesmo "comercial" - em sua época).

O que ocorre é que os parâmetros mudaram. Hoje, não havendo mais o que se considere uma "alta cultura" à qual aspirar, o pobre é incentivado a manter a sua (falta de) cultura, isto é, não tentar se elevar acima das suas possibilidades de berço. Machado de Assis, filho de mulato que ascendeu socialmente adquirindo de forma autodidata a cultura literária "européia, branca e patriarcal", hoje provavelmente seria um traficante, um jogador de futebol, ou quem sabe - estimulado pelo Ministério da Cultura - um rei das letras do funk carioca.

Futebol-arte.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Gays vs. negros vs. latinos, ou: Papel, pedra, tesoura

Faz um tempo escrevi um post sobre a Proposition 8 e como negros e latinos haviam votado contra os gays, que são na maioria brancos, mostrando uma divisão entre a chamada "coalizão arco-íris" que vota Democrata. Hoje leio que Perez Hilton, o militante gay e drama queen que detonou Miss Califórnia, levou um soco de um cantor negro e terminou chorando. Curiosamente, o mesmo público esquerdista que apoiou sua guerrinha particular contra Carrie Prejean, a Miss Califórnia cristã, hoje o critica por ter se metido com um rapper da moda.

Andrew Breitbart explica que tudo na sociedade liberal de hoje funciona como um jogo de papel, pedra e tesoura:

"Negro ganha de branco. Gay ganha de branco. Negro ganha de gay."

Poderíamos continuar infinitamente: Judeu ganha de cristão. Palestino ganha de judeu. Palestino ganha de gay. Mulher branca perde de homem negro (vide o caso Hillary). Mulher negra ganha de homem negro. Pobre ganha de rico. (O coringa é uma mulher, negra, lésbica, muçulmana, abortista e pobre).

Mas e os latinos? Os latinos, ou melhor dizendo os mexicanos mestiços indígenas, também estão na parada, e lutam violentamente contra os negros. Sim, violentamente é a palavra certa. Gangues de um e de outro grupo disputam território na cidade. Mas, mesmo fora do ambiente das gangues, um povo não tolera o outro. Em muitos casos, odeiam-se e desprezam-se mutuamente.

E, de fato, ambos competem pelos mesmos benefícios estatais. Os negros vêem os latinos como usurpadores que estão começando a roubar as regalias às quais antes só eles, membros da principal minoria oprimida americana, tinham direito. (Os negros são totalmente contrários à imigração ilegal, como indica este excelente artigo do City Journal). Já os mexicanos, que não se sentem culpados por escravidão nenhuma (há poucos negros no México), vêem os negros americanos como um empecilho na sua luta para obter as vantagens da ação afirmativa.

No momento em que a minoria não-branca em breve se tornará maioria nos EUA, é interessante - ou assustador, dependendo do ponto de vista - observar o que poderá acontecer.

Gays, negros, e latinos.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Ready for his close-up

Michael Jackson morreu há poucas quadras do meu atual apartamento. Ontem, helicópteros, carros e multidões faziam um barulho insuportável, e perguntei-me o que estava acontecendo. Só então descobri que o autor de "Thriller" havia morrido no hospital da UCLA.

Foi estranho ligar a televisão e ouvir centenas de personalidades e jornalistas falando sobre as grandes qualidades de Michael Jackson, sobre o seu incrível talento para a dança e a música. Está certo que é justo respeitar os mortos e a tradição é só falar bem deles, mas no caso de Michael Jackson soou um pouco falso. O sujeito, afinal, mesmo para os parâmetros da stardomship americana, tinha se tornado uma lamentável e grotesca figura de circo. A Norma Desmond da música pop.

Talvez a morte de Michael Jackson represente o fim de uma era. Hoje, afinal, não há mais superstars, ou se os há eles duram apenas um par de anos, logo sendo ofuscados pelas novas estrelas do momento. Pense nas maiores estrelas de cinema há meros cinco anos atrás, e tente saber onde elas estão hoje. A segmentação de público gerada pelas novas tecnologias também está acabando com a longevidade e ubiquidade das stars. Curiosamente, foi a própria Internet (o site de fofocas TMZ) que deu a exclusiva sobre a morte, com 45 minutos de antecedência sobre a grande mídia. Mais um "fim de uma era" aí.

Mas será que Michael Jackson não é, no fundo, a vítima dessas mesmas mudanças que ocorreram? Incapaz de manter-se no estrelato apenas com a sua música (para a qual de fato tinha inegável talento), apelava para transformações e comportamentos cada vez mais radicais. Isso sem falar no bizarro aspecto de sua relação com as crianças, nunca definitivamente explicado. Pedófilo ou Peter Pan freak?

Sou daqueles que acompanharam o fenômeno ao longo de suas várias transformações: quando eu estava na escola, Michael, ainda negro, era uma figura cool que fazia sucesso com "Bad" e "Thriller", e todos queriam imitar os seus passos. Quem poderia imaginar naquele momento que tudo terminaria tão mal?

O dinheiro não traz felicidade, diz o ditado, mas não sei se é bem isso. Acho que é o seguinte: o dinheiro (e a fama) aumentam a infelicidade dos infelizes, pois estes procuram compensar com bens materiais aquilo que não podem ter. Sei de um sujeito que, ao ganhar uma insuspeitada herança, abandonou a mulher (namorada desde a adolescência) e os filhos, foi morar com uma garota de 16 anos, entupiu-se de cocaína, comprou dezenas de carros e motos, foi fazendo gastos cada vez mais estrambóticos até acabar com todo o dinheiro, foi finalmente abandonado pela adolescente e terminou suicidando-se. Se Michael Jackson não tivesse todos esses milhões para realizar todo e qualquer capricho, não teria se transformando na figura bizarra que se tornou. Talvez fosse igualmente infeliz, mas não de modo tão público e grotesco. Que a terra lhe seja leve.

You know it's thriller, thriller night.

Atualização: Pronto. Tinha que acontecer: já saíram as piadinhas cretinas sobre a morte de Michael.

Atualização 2: RW lembra da morte de Farrah Fawcet, que ocorreu no mesmo dia, poucas horas antes.


terça-feira, 21 de abril de 2009

Uma bicha às terças

É impressão minha ou ultimamente o movimento gay está se tornando mais antipático?

Recentemente, aqui na Califórnia, militantes do casamento gay frustrados com a aprovação popular e democrática da Proposition 8 realizaram:
a) passeatas com quebra-quebra;
b) invasão de altares de igrejas;
c) pixações em templos mórmons;
d) divulgação pública de nomes e endereços dos adversários do "casamento gay";

E, agora, Miss Califórnia perdeu na final do concurso Miss USA por ter respondido de modo politicamente incorreto à pergunta de um membro do júri (que por sinal era militante do movimento gay), afirmando que para ela casamento deve ser entre homem e mulher.



O jurado, uma bicha tresloucada que atende pelo nome de Perez Hilton, ficou tão irritado que divulgou um vídeo chamando a moça de "dumb bitch" (Perdão pela homofobia, prestes a ser proibida pelo Governo Lula, mas se ele chamou a moça de dumb bitch, acho que posso chamá-lo de bicha tresloucada).

O bizarro é o seguinte: em grande parte da mídia liberal americana, a notícia é apresentada sob a seguinte temática: "Miss California stirs controversy" (Miss Califórnia gera controvérsia). Ora, a moça apenas respondeu a uma pergunta que lhe foi feita, portanto se tem alguém responsável pela "controvérsia" foi o jurado que fez uma pergunta movida por interesses claramente políticos.

Além disso, a resposta da moça, de que o casamento na sua opinião é entre homem e mulher, não tem absolutamente nada de polêmica. Até há poucos anos atrás, o casamento sempre foi exclusivamente entre um homem e uma mulher, salvo em alguns locais remotos da Índia onde parece que os homens podem casar-se com cães, cabras ou galinhas. O que está havendo aqui é uma tentativa de inversão da lógica: defender o casamento tradicional que tem séculos de existência virou "suscitar polêmica"; ser a favor do casamento gay é que é o "normal e o correto".

Tudo bem: a questão do casamento gay é complexa e há motivos válidos tanto para ser a favor quanto contra. Não tenho uma opinião definitiva sobre o assunto. Mas acho que os gays correm o sério risco de perder a simpatia do público com a sua radicalização.

Atualização: O trocadilho do título foi algo infame, admito. Perdão aos leitores, fazer o quê? Aliás, deve-se também afirmar que há gays (como a radialista Tammy Bruce) que criticaram a conduta de Perez Hilton e manifestaram-se a favor da liberdade de expressão, ainda que de pontos de vista contrários.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Simbolismo

Deu no NYT:
Os tons elegíacos antes do juramento do Presidente Obama na inauguração de terça-feira vieram dos instrumentos de Yo-Yo Ma, Itzhak Perlman e dois colegas. Mas o que os milhões assistindo ao vivo ou pela televisão escutaram foi na verdade uma gravação, feita dois dias antes pelo quarteto, com os músicos apenas mimando as notas em seus instrumentos.
Tudo nesta presidência é fake.

Obama e Michele.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Europa, Entropa

Já critiquei bastante aqui os artistas (pós) modernos, mas não dá para negar que o artista tcheco David Cerny tem, se não talento, ao menos senso de humor e um quê de coragem.

Convocado pela Repúplica Tcheca para realizar uma escultura em homenagem à União Européia, prometeu realizar uma obra coletiva chamada "Entropa", na qual um artista de cada país europeu realizaria uma parte do objeto. Na verdade, os nomes dos artistas eram todos falsos, bem como os seus currículos e suas declarações: Cerny realizou o projeto sozinho com a ajuda de dois amigos.

Mas isso é só o começo. Em vez de realizar uma obra politicamente correta celebrando a Europa e suas grandezas, fez uma escultura do mapa europeu na qual cada país é representado por um estereótipo diverso, um mais ofensivo do que o outro. A Dinamarca é representada por uma caricatura de Maomé feita de legos; a Holanda aparece inundada, somente as cúpulas das mesquitas aparecendo sob a água; a Bulgária é representada por um vaso de banheiro estilo turco (aparentemente uma referência ao período que o país esteve sob domínio otomano); a Romênia, como um parque temático em homenagem a Drácula; a França, um país em greve; a Alemanha, com uma rede de estradas que, em análise mais detalhado, parecem (segundo alguns) formar uma suástica.

Mau gosto? Talvez. Mas causou um choque e tanto nos políticos europeus. Se David Cerny não for degolado por algum fanático islâmico, talvez o seja por algum euro-burocrata...

Seja lá como for, a brincadeira custou 373 mil euros. Cerny prometeu devolver o dinheiro.

Bulgária: banheiro turco

Holanda: minaretes e inundação

Alemanha: suástica?

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A civilização ocidental e seus descontentes

Não sei quem é o Mauro Santayana, mas só pode se tratar de um imbecil. Não precisei ler nem um único artigo seu para descobrir isso: li apenas o título de um artigo seu sobre Gaza, e tanto me bastou. O artigo chama-se "Toda a cultura do ocidente é um crime".

Hein?

O mais bizarro foi que o artigo foi encontrado em um blog que supostamente trata de "cultura, arte e poesia"; que cita regularmente bandas de rock e filmes ocidentais. . Não era tudo "um crime"?

Acho que todos os apologistas pró-palestinos deveriam ser obrigados a viver em Gaza sob a administração do Hamas. Talvez quando descobrissem que os fundamentalistas hamasianos odeiam o rock e a Internet, voltariam rapidinho para as suas confortáveis casas.

Quais serão as razões para tanto ódio de certos supostos ocidentais contra o Ocidente?

Afinal, não é como se a história dos povos não-ocidentais fosse lá muito melhor, de fato, é bem pior. Escravidão, tortura, opressão, massacre de inocentes, tudo isso existe em quantidades extremamente maiores no mundo islâmico do que no chamado "mundo ocidental".

Observando que tais pessoas odeiam a própria cultura na qual cresceram ao mesmo tempo em que idealizam culturas primitivas e longínquas, poderíamos chegar à conclusão de que tais pessoas, no fundo, se odeiam a si mesmas. E quem poderá negar que, nesse caso, elas têm toda a razão?

Hi-hon.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O culto ao primitivismo

Tem um fenômeno atual sobre o qual quero falar há tempos, mas não sabia muito bem como. É sobre o que eu chamaria de "culto ao primitivismo". Acho que o interesse dos intelectuais de esquerda pelos muçulmanos tem um pouco disso: o interesse pelas culturas exóticas em detrimento da alta cultura ocidental, considerada "careta" ou "ultrapassada" ou demasiado ligada ao "patriarcalismo" ou ao "cristianismo" ou a "brancos europeus mortos". O Harold Bloom já criticava essa visão distorcida no seu livro "O Cânone Ocidental".

Eis aqui um poeta palestino que nunca vai aparecer no nosso poema aos domingos:
You're blinded by our differences.
My life makes no sense to you.
I'm the persecuted Palestinian.
You're the American red, white and blue.


You blame me for defending myself
Against the ways of Zionists.
I'm terrorized in my own land
And I'm the terrorist
?
Bem, ele até que consegue rimar "zionist" com "terrorist", mas não é exatamente um Auden ou Yeats que digamos...

Mas o fenômeno se dá também dentro das culturas nacionais. Hoje no Brasil Machado de Assis é um "burguês reacionário", o negócio é estudar as letras de funk ou celebrar a "cultura da periferia"...

Curiosamente, ao mesmo tempo em que os ocidentais abandonam o "cânone Ocidental", os orientais o estudam ao máximo. Aqui nas universidades americanas sei de estudantes asiáticos que escrevem teses sobre Shakespeare e Milton, não sobre a poeta comunista feminista Ling Ching Ping. O Spengler observa que o número de chineses estudando e praticando música clássica hoje é 6 vezes superior ao número de americanos, embora as melhores escolas de música ainda estejam nos EUA (ainda que hoje com cada vez mais orientais).

Enquanto os ocidentais estudam a "grande poesia palestina" e escrevem teses sobre letras de rap, os chineses estudam o melhor de Shakespeare e praticam Mozart oito horas por dia.

Adivinhe quem vai sair em vantagem no final?

Uga-buga.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Betty Boop para presidente



Um velho desenho animado de 1928 representa perfeitamente a eleição de 2008: Betty Boop (Sarah Palin?) contra "Mr. Nobody"(Obama?).

terça-feira, 29 de julho de 2008

Mozz em Tel-Aviv

E continuando com os posts sobre temas vários e irrelevantes: o cantor Morrissey (ex-Smiths) chegou ontem em Israel, para um show hoje à noite em Tel Aviv. Entidades palestinas, pra variar, protestaram pois queriam um boicote, mas quando é que esses caras não protestam?

"Why do you come here
When you know you make things hard for me?"
I'm soooo sorry
...