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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Pausa para reflexão

Caros amigos, vou dar uma pausa no blog. Não sei bem por quanto tempo, talvez só por algumas semanas. Já tinha planos de não postar até janeiro mesmo, pois este é um período naturalmente complicado, mas agora também surgiu uma certa confusão sobre o destino do blog.

O fato é que não sei mais o que quero dizer, e tenho que pensar um pouco e decidir em qual caminho seguir.

É o seguinte: recentemente, o tema racial tem sido objeto de polêmica aqui no blog. Eu mesmo, confesso, nunca soube bem como abordar o tema. Não tivesse ido morar nos EUA, e provavelmente jamais teria falado sobre o assunto. Porém, nos EUA, essa discussão racial é bem mais direta, e de certo modo é bom que seja assim. Impossível ignorar totalmente o assunto, por mais politicamente correto que se seja. Além disso, de fato estão acontecendo mudanças que definirão o destino do mundo nas próximas décadas, talvez séculos. Um desses temas certamente é a imigração. Podemos ignorar as diferenças raciais e culturais, e tentar fingir ou esperar que tudo vai dar certo e que tudo vai de algum modo se ajeitar. Mas e se não fosse bem assim? E se realmente existissem diferenças que não podem ser resolvidas de modo tão simples, só com mais "conscientização" e dinheiro público?

No outro dia, um marroquino matou cinco pessoas na Bélgica com granadas e um fuzil. No mesmo dia, um grupo de congoleses protestava contra as eleições do Congo -- não no Congo, mas em pleno centro londrino. Causaram confusão e atacaram pessoas que nada tinham a ver com a história. E, também na mesma semana, na Itália, dois imigrantes senegaleses foram mortos por um aparente militante neonazista, que depois se suicidou. Independentemente do que você pense sobre essas notícias e sobre a questão das diferenças raciais, religiosas e culturais, uma coisa é certa -- se não houvesse imigração, nenhum desses problemas estaria acontecendo.

Então é realmente um assunto urgente. O futuro do ocidente depende disso. Mas a verdade é que me sinto desconfortável ao tratar de certas questões. Até tenho curiosidade de ler sobre o assunto, mas não tenho vocação para porta-voz da "causa branca". Alguns leitores me acusam de não ir mais fundo na discussão de temas raciais, e querem pautar o blog. Acreditam que eu fique em cima do muro para não causar polêmica, ou para não descontentar os leitores que não acreditam em diferenças raciais, ou por não ter as ideias bem formadas ainda. Talvez eles tenham razão. Talvez eu não tenha estômago (certamente me incomoda quando algumas pessoas se expressam de forma extremamente desagradável, ou quando negam a dignidade básica humana de outros apenas por pertencerem a certo grupo racial.) Talvez outra pessoa deveria escrever sobre isso no meu lugar.

Nos EUA, há blogs moderados que tratam do assunto. No Brasil, é mais complicado, até porque é um tema que, me parece, tem menos relevância. Quero dizer que o Brasil, ao contrário de EUA e Europa, é e sempre foi uma nação mestiça, de maioria não-branca. Se houvesse uma pureza racial original perdida, seria aquela dos indígenas. Até acho um pouco de mau gosto falar sobre essa questão quando, sei lá, 70% da população é de raça mista. (EUA e Europa são diferentes pois até há poucas décadas tinham 90% de população branca européia).

Por um tempo achei que o Dextra fosse ser essa voz moderada no Brasil, mas me enganei. Talvez um dia surja outra pessoa mais preparada. Talvez essa pessoa seja algum leitor atual.

(Porém, dica: se você quer falar sobre temas raciais e ter mais do que três leitores, não chame os negros de macacos, não chame os cristãos de babacas, e não cante loas a Adolf Hitler. Pega mal! Ou, quer saber? Faça como achar melhor, afinal vai ser seu blog e não o meu!)

Este blog já tem quase quatro anos, e mudou bastante desde o seu começo. Alguns leitores fiéis ainda estão aí: Chesterton, Gunnar, Brancaleone e, muito de vez em quando, a Confetti. Outros chegaram, foram, e deixaram só saudades: RW, Augusto Nascimento, Pax, Tiago. Agradeço a todos pela constante leitura. A temática, originalmente libertária, depois virou meio neocon e mais adiante flertou com os paleocons. Mas no fundo jamais teve uma linha política muito definida, talvez porque nem eu mesmo saiba o que pensar sobre certas coisas. O blog, era, mais do que tudo, um contraponto ao onipresente discurso progressista que está aí. Um local contrário ao politicamente correto que impera em quase todo o mundo atualmente. Porém, para se escrever sobre algo com convicção é preciso ter as idéias mais claras. Não basta apenas ser do contra.

Por isso, acho que realmente eu preciso definir qual caminho seguir. Certamente vou continuar escrevendo, afinal é uma espécie de vício. Sempre com liberdade, tanto para mim quanto para os leitores. (Na realidade, quase nunca censurei ninguém, por mais nazista ou stalinista que fosse, e a única coisa que me irrita é quando tentam pautar o blog, ou quando a discussão civilizada dá lugar a xingamentos). Se quiser falar sobre raça, também vou falar. Mas estou sentindo que falta mesmo um embasamento maior, e para isto talvez seja preciso ler mais e escrever menos.

(Enquanto isso, comprem o livro, à venda na Amazon e CreateSpace).

Mais uma vez, desejo um Feliz Natal a todos. Nos vemos em 2012.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sem religião não há solução?

Às vezes tenho a impressão que o único "way out" para o Ocidente seria com alguma forma de ressurgimento religioso. Afinal, para contrapor-se ao Islã, é preciso alguma outra religião. Para lutar contra uma força, precisa-se de outra contrária, não é mesmo? Lei de Newton aplicada às relações humanas.

Porém, assim como a esquerda odeia o cristianismo mais do que os vampiros, também há uma parte da extrema-direita que o odeia. Acredita ser uma "conspiração judaica" que "enfraqueceu o Ocidente" e "acabou com seu espírito guerreiro". Ah, e que "Jeus era bicha"...

Eu não sei. Embora não seja realmente religioso, boa parte de minha família é cristã praticante. Acredito que sejam pessoas melhores e mais felizes por isso. São com certeza melhores e mais felizes do que eu. A religião, na maior parte dos casos, é motivo de felicidade, ou ao menos de consolo. O cristianismo é uma boa religião. Tende a ser positiva. Existem estudos de caso bem claros: pense nas pessoas da favela, quem se comporta melhor, os "crentes" evangélicos ou os outros?

(Além disso, para os preocupados exclusivamente com questões demográficas, as famílias brancas cristãs tendem a ter mais filhos do que as seculares.)

Mas aí aparece alguém e diz que a religião é apenas um mecanismo de controle social. É o "ópio do povo". Bem. O ópio do povo é o ópio mesmo, ou ao menos o crack. O controle social se dá de modo mais eficaz pela mídia. A religião é uma necessidade humana. Precisamos crer. Em algo.

Disse Chesterton que "quem não acredita em Deus, acaba acreditando em qualquer coisa." É verdade. Na cultura ocidental atual, isso se dá de várias formas. Uma dessas formas é a idolatria dos animais. Ei, adoro animais e sou contrário à sua morte gratuita. Porém, tenho a impressão que hoje certas pessoas se preocupam mais com uma galinha morta para virar sanduíche no McDonalds do que com uma jovem estuprada, torturada e morta por facínoras. No Facebook, chovem fotos e frases sobre animaizinhos em perigo. Acabo de descobrir, por exemplo, que jogar chiclete no chão pode ser perigosíssimo: certos passarinhos podem comer o chiclete e morrer sufocados. E eu que achava que não se devia jogar no chão só para não sujar as ruas... Mas jamais vi alguém postando no Facebook com indignação sobre algum crime cometido por minorias.

(Falando em idolatria de animais, a última moda em Los Angeles parece ser a de levar cães e até gatos para passear, não na coleira, mas em carrinhos de bebê. Essa moda já chegou aí? Não se preocupem, vai chegar.)

O progressismo só evoluiu tanto graças à decadência da religião na esfera pública, aliás, o progressismo hoje é uma forma de religião. Observem aqui Antônio Cândido, ainda sonhando com o triunfo do comunismo. Se Churchill dizia que "quem não é socialista antes dos 30 não tem coração, quem é socialista depois dos 30 não tem cabeça", o que pensar de um comuna de 93 anos? E não é o único, o Oscar Niemeyer já tem mais de 100, Eric Hobsbawn tá com 95, Fidel Castro ainda não bateu as botas, etc. Comunista vive muito! Qual será o segredo?

Para outros, a alternativa à religião é o consumismo desenfreado. A sociedade americana é de fato muito materialista. Compensa-se o vazio existencial e moral com a compra de um carro ou uma televisão de 80 polegadas. Curiosamente, as classes baixas são às vezes as mais ávidas. Traficante e negão do gueto adora roupa de marca. Favelado pode não ter um banheiro decente, mas tem uma boa televisão. Nas recentes compras de fim de ano, mexicanos-americanos literalmente lutaram entre si aos chutes e pontapés pelos produtos nas prateleiras. Uma senhora até usou spray de pimenta contra os outros compradores. Mas sejamos sinceros, pobres, classe média e ricos, todos são extremamente materialistas e consumistas, só muda a qualidade daquilo que podem adquirir. Até entendo a busca de conforto e qualidade de vida, mas muitos, ou provavelmente a maioria, querem apenas símbolos de status, além de qualquer utilidade. É uma forma de tentar se diferenciar. Vanitas vanitatum, omnia vanitas.

Qual a solução?

Talvez não haja solução nenhuma. No fundo, o que eu gosto no cristianismo é que diz que "meu Reino não é deste mundo", e que aceita que a humanidade é falha e imperfeita. Não está a nós querer mudar o mundo e transformá-lo numa utopia impossível. Devemos apenas tentar ser boas pessoas. É só.

Enfim. Apenas pensamentos desconexos em uma tarde um pouco inútil. Feliz Natal a todos, e bom 2012.


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Multas reduzem acidentes?

Não é um post, é só uma pergunta mesmo. No outro dia fui multado por ter atendido o telefone celular enquanto dirigia. Durou uns trinta segundos, com azar suficiente para ser observado por um policial. Certamente a multa diminuirá o meu uso do aparelho no carro. Mas será que diminuirá a probabilidade que eu me envolva em acidentes de trânsito em geral?

Um recente estudo nos informa que novas leis banindo o uso do aparelho celular no carro não reduziram em nada o número de acidentes em vários estados americanos. Será que utilizar o celular não é assim tão perigoso, ou que a polícia simplesmente não está fiscalizando o suficiente? (Detalhe: falar ao telefone com bluetooth ou fone de ouvido, embora em geral permitido, distrai igualmente, tanto quanto segurar o telefone com a mão; mas há muitas outras atividades que também podem distrair tanto quanto telefones, como mudar a estação de rádio, olhar para o GPS, discutir com o companheiro do lado, etc, e que no entanto não são reguladas por lei.)

É claro que o uso do celular é uma questão menor. O que dizer de atitudes mais graves, como ir além da velocidade permitida, ou dirigir embriagado? Com a curiosidade atiçada, fui verificar os dados sobre a recente "lei seca" no Brasil, instituída em 2008. Para minha surpresa, descobri que ela não reduziu o número de mortes em acidentes de trânsito, ou, melhor: reduziu-os um pouco durante o primeiro ano, mas depois os números em quase todas as capitais voltaram ao seu nível "normal".

O que poderia significar isso? Que a lei relaxou, ou que as pessoas relaxaram? Que a polícia passou a ser menos eficiente, ou que, após o susto tomado pelo surgimento de uma lei mais rígida, as pessoas se habituaram ao "novo normal", e passaram novamente a beber e dirigir, embora o preço a pagar fosse maior? A segunda alternativa é possível, condiz com o comportamento humano observado em outras instâncias. Mas a primeira opção não pode ser descartada enquanto não tivermos outros dados.  Por exemplo, alguns observam que, nesse mesmo período de três anos, o número geral de automóveis circulando nas estradas aumentou. Outros observam como as redes sociais passaram a ser utilizadas para identificar onde estão ocorrendo as blitze, e evitá-las.

Se não existissem multas de trânsito de qualquer tipo, será que o número de acidentes aumentaria ou permaneceria igual? Na Alemanha, em muitas estradas não há limite de velocidade; o país tem menor número de acidentes mortais do que muitos outros.

Ninguém quer ter acidentes, afinal danificam a propriedade ou a vida da pessoa. Naturalmente, portanto, mesmo sem qualquer tipo de multa, a probabilidade é que os acidentes jamais passem de um certo patamar. Porém, todos sabemos que existe um número -- por ora indeterminado -- de motoristas imprudentes, agressivos, desrespeitosos, imbecis, em suma, barbeiros filhos da puta. Eles são os responsáveis por 90% dos acidentes e, como parecem imunes a qualquer tipo de punição, os acidentes continuam a acontecer.

Alguns falam em educação como meio alternativo de redução de acidentes. Pode ser. Porém, como educar toda uma população? Uma questão curiosa é a da faixa de segurança, sobre a qual sempre há campanhas educativas, as quais no entanto não parecem surtir muito efeito. Parar ou não à sua frente para permitir a passagem de pedestres parece ser algo cultural, relativo ao caráter de um povo, independente do país ser de Primeiro ou Terceiro Mundo. Na Espanha, recentemente, observei que quase todos páram. Na França e na Itália, te atropelam. Nos EUA tendem a parar. Ouvi dizer uma vez que em Brasília uma campanha educativa teria conseguido o milagre de fazer motoristas brasileiros se deterem à frente da faixa, mas talvez sejam só boatos.

Multas reduzem acidentes? E, se não reduzem, mas são apenas meios para aumentar a caixinha do Estado, então qual seria o melhor meio para reduzi-los?

terça-feira, 13 de julho de 2010

A Internet é do mal?

Desde os anos 90, a grande moda entre os educadores é colocar mais e mais computadores nas escolas. Segundo reportagem recente, o governo brasileiro planeja colocar computadores com internet banda larga em 55 mil escolas até o final de 2010, e "Lula disse que sonha em dar um computador para cada uma das 34 milhões de crianças da rede pública do país." É computador pra burro (perdão pelo duplo sentido). Até a favela do Morro Santa Marta já tem wi-fi grátis (isto é, paga pelo contribuinte não-favelado).

Todos, naturalmente, assumem que é uma coisa positiva, já que o computador ajuda ao desenvolvimento intelectual e cultural da criança. Quer dizer... E se não fosse bem assim? 


domingo, 11 de abril de 2010

Poema do domingo (com prefácio)

Normalmente publico aqui os poemas sem explicação nenhuma, já que a única leitora é a Confetti. No entanto, o presente poema tem a ver com a temática do blog - política e tal - e portanto ofereço uma espécie de explicação. O poema é "The Gods of the Copybook Headings", de Rudyard Kipling. Ou, "Os deuses dos cabeçalhos dos cadernos", algo assim. É que nos tempos de escola de Kipling, os estudantes praticavam a caligrafia repetindo antigos ditados que apareciam no cabeçalho da página: "Deus ajuda quem cedo madruga", "Quem não trabalha não come", essas coisas.

O poema de Kipling é, então, uma alegoria sobre o bom senso, sobre como podemos até ser enganados por algum tempo por utopias que prometem "saúde grátis" ou "justiça social", mas que no fim das contas o bom senso é que sempre têm razão, puxando-nos de novo para o duro chão da realidade.

É claro que os falsos deuses utópicos também aparecem às vezes na Direita, prometendo "liberdade total" ou "prosperidade imediata com o livre mercado" ou "democracia perfeita no Iraque, em Bangladesh e no Cazaquistão". Ilusões, tudo ilusões. Os pedestres deuses do bom senso sempre vencem.

(Notem entretanto que quando ele fala em "Gods of the Market Place" nada tem a ver com os "deuses do livre-mercado", seria melhor traduzido como "Deuses à venda no mercado", isto é, ele se refere às idéias da moda em cada época que enganam os otários - socialismo, comunismo, nazismo, feminismo, obamismo etc etc etc.)

* * *

The Gods of the Copybook Headings

AS I PASS through my incarnations in every age and race,
I make my proper prostrations to the Gods of the Market Place.
Peering through reverent fingers I watch them flourish and fall,
And the Gods of the Copybook Headings, I notice, outlast them all.

We were living in trees when they met us. They showed us each in turn
That Water would certainly wet us, as Fire would certainly burn:
But we found them lacking in Uplift, Vision and Breadth of Mind,
So we left them to teach the Gorillas while we followed the March of Mankind.

We moved as the Spirit listed. They never altered their pace,
Being neither cloud nor wind-borne like the Gods of the Market Place,
But they always caught up with our progress, and presently word would come
That a tribe had been wiped off its icefield, or the lights had gone out in Rome.

With the Hopes that our World is built on they were utterly out of touch,
They denied that the Moon was Stilton; they denied she was even Dutch;
They denied that Wishes were Horses; they denied that a Pig had Wings;
So we worshipped the Gods of the Market Who promised these beautiful things.

When the Cambrian measures were forming, They promised perpetual peace.
They swore, if we gave them our weapons, that the wars of the tribes would cease.
But when we disarmed They sold us and delivered us bound to our foe,
And the Gods of the Copybook Headings said: "Stick to the Devil you know."

On the first Feminian Sandstones we were promised the Fuller Life
(Which started by loving our neighbour and ended by loving his wife)
Till our women had no more children and the men lost reason and faith,
And the Gods of the Copybook Headings said: "The Wages of Sin is Death."

In the Carboniferous Epoch we were promised abundance for all,
By robbing selected Peter to pay for collective Paul;
But, though we had plenty of money, there was nothing our money could buy,
And the Gods of the Copybook Headings said: "If you don't work you die."

Then the Gods of the Market tumbled, and their smooth-tongued wizards withdrew
And the hearts of the meanest were humbled and began to believe it was true
That All is not Gold that Glitters, and Two and Two make Four
And the Gods of the Copybook Headings limped up to explain it once more.

As it will be in the future, it was at the birth of Man
There are only four things certain since Social Progress began.
That the Dog returns to his Vomit and the Sow returns to her Mire,
And the burnt Fool's bandaged finger goes wabbling back to the Fire;

And that after this is accomplished, and the brave new world begins
When all men are paid for existing and no man must pay for his sins,
As surely as Water will wet us, as surely as Fire will burn,
The Gods of the Copybook Headings with terror and slaughter return!


Rudyard Kipling (1865-1936)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O que é o mercado?

O Lula falou no outro dia uma coisa assim:

Eles venderam a lógica de que o Estado não prestava para nada, de que o Estado não podia nada e que o ‘deus mercado’ é que iria desenvolver os países, é que iria fazer justiça social. Esse ‘deus mercado’ quebrou. Quebrou por irresponsabilidade, quebrou por falta de controle, quebrou por causa da especulação.

Não sei quem são esses "eles" a quem o Lula se refere, provavelmente os banqueiros loiros de olhos azuis. E não acredito que ninguém tenha jamais dito que o "mercado" faria "justiça social", afinal não é sua função. Tampouco "quebrou", pois empresas - ou governos - podem quebrar, mas o "mercado" em si não quebra. Mas não importa o que o Lula falou porque ele é muito inguinorante. O problema mesmo é que muitas outras pessoas - mesmo pessoas com estudo e até PhD - tampouco têm a menor noção dos fundamentos mais básicos da ciência econômica.

Observo que isso ocorre especialmente na esquerda. Às vezes tenho a impressão que os esquerdistas acham mesmo que o mercado é uma espécie de deus. Na sua primitiva ignorância, acreditam que dinheiro cai das árvores, que é possível ter um almoço grátis, e que princípios tão básicos como a lei da oferta e demanda respondem a desígnios divinos impossíveis de compreender pelos comuns mortais.

Ora, mas o que é o tal "deus-mercado" de que tanto falam? Estou muito longe de entender de economia, mas, como serviço de utilidade pública, coloco aqui alguns breves vídeos de animação que achei no Youtube explicando alguns princípios básicos que toda criancinha de oito anos deveria saber.

O primeiro é uma breve explicação sobre o livre mercado, comparando com o Estado autoritário. Também há um cartoon bacana de 1948 explicando a diferença entre o capitalismo e o socialismo. E uma instigante versão em quadrinhos, também dos anos 40, explicando "A Road to Serfdom" do Hayek em 5 minutos. E ainda tem esta série mais longa que dá toda uma aula de economia em forma de cartum para crianças. Finalmente, o pessoal do South Park explica a recente crise econômica.)

Se uma criancinha de oito anos pode entender, porque Lula e Obama - que está novamente propondo aumento de impostos e gastos trilionários do governo - não podem?


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A mente revolucionada

Olavo de Carvalho escreveu vários artigos interessantes sobre a mente revolucionária. Porém, ultimamente tenho pensado mais nas mentes, não dos líderes revolucionários, que são uma minoria esperta de cínicos mentirosos, mas dos meros seguidores, isto é, nas mentes revolucionadas: mentes completamente deturpadas pelo liquidificador do marxismo.

Aquelas ovelhas que meramente seguem e repetem, lobotomizadas, os slogans de seus corruptos líderes. Há alguns que costumam aparecer por aqui (será que preciso citar nomes?), mas eles estão por muitos outros lugares. Seu nome é legião.

Será que têm cura? O ex-agente da KGB Bezmenov acredita que não. Uma vez que o sujeito se torna um true believer, é muito difícil que retorne para a realidade.

E, no entanto, no entanto... Muitos direitistas de hoje foram esquerdistas em seu remoto passado. Mesmo Olavo de Carvalho e Reinaldo Azevedo. Nos EUA, David Horowitz e Mark Steyn.

Talvez a questão seja a seguinte: muitas pessoas repetem os slogans do esquerdismo/progreçismo [decidi grafar sempre assim] apenas porque é a "filosofia" da moda. Igualmente repetiriam mantras do nazismo, do anarquismo ou do positivismo se um número suficiente de pessoas o seguisse. É uma mera questão de aceitação social. Ser de direita é ser racista, egoísta, capitalista - uncool. Ser de esquerda é ser solidário, descolado, alternativo - cool.

Isso está mudando, e vai mudar mais à medida que o preço das políticas de esquerda ficar mais claro. Se bem que, se para alguns não ficou claro após 70 anos de comunismo puro e duro, será que vai ficar alguma vez?

Marxismo.

sábado, 14 de novembro de 2009

Is there a plan?

Às vezes me pergunto se o caos atual do mundo é resultado de um plano preciso, ou se é mero resultado de uma estupidização coletiva. As utópicas idéias progressistas subiram à cabeça das melhores mentes de uma geração, ou há elites maquiavélicas com um plano secreto por trás de tudo?

Vejam o caso dos muçulmanos. Há um plano para islamizar a Europa e, se há, qual sua razão? Afinal, como se não bastasse a imigração descontrolada, a União Européia e EUA fazem pressão para que a Turquia entre na Europa e traga ainda mais muçulmanos. Por quê? A Sérvia foi rotulada de vilã da história e bombardeada por Europa e EUA devido à sua guerra com os albaneses muçulmanos, e uma parte original de seu país, Kosovo, foi extraída e dada de presente aos mesmos muçulmanos, que cometeram tantos ou mais crimes de guerra do que os sérvios. Por quê?

Nos EUA, está proibido sequer sugerir que possa ser perigoso ter muçulmanos nas Forças Armadas, mesmo tendo ocorrido um bem-sucedido ataque que matou 13 militares. Por muito menos, na Segunda Guerra, civis japoneses foram internados em campos de relocação em pleno solo americano. Em 1942, sabotadores alemães que nem chegaram a realizar um atentado foram executados 30 dias após a descoberta do plano.

Mas agora treze soldados morrem e continua-se falando em aumentar o número de muçulmanos nos quartéis, afinal, como disse o General Casey, "seria uma tragédia ainda pior se isto tudo acabasse com a diversidade". E o governo Obama não só cometeu a palhaçada de decidir realizar um julgamento-show para KSM, como apontou um "muçulmano devoto" para trabalhar com a vigilância contra o terrorismo no Departamento de Segurança Nacional. É como colocar a raposa para cuidar do galinheiro, só para provar que não se tem preconceito contra as raposas...

Quantos mais ainda precisarão morrer sacrificados no altar das boas intenções desses canalhas?

Há um plano por trás de toda essa loucura? E, se há, é um plano suicida?

sábado, 10 de outubro de 2009

Blogueiro interrompido

No filme "Garota interrompida", Winona Ryder interpretava um garota que era internada em um hospício. Ela estava uma gracinha no filme, mas depois, na vida real, revelou-se também uma maluquete. Apesar dos milhões que ganhava, era cleptomaníaca e roubava roupas de marca em lojas de Beverly Hills. Também utilizava drogas tarja preta sem receita e dizia-se "aquafóbica". Foi internada em uma clínica. A vida imita a arte, e vice-versa.

Depois do Nobel para Obama e outras ignobilidades recentes, o blogueiro aqui também anda em dúvida se foi ele ou o mundo que enlouqueceu.

Por outro lado, será que essa loucura do mundo é novidade mesmo? A contemporaneidade nos faz pensar que esta época seja mais bizarra do que as anteriores, mas talvez isso seja só um efeito ilusório. Temos muito mais informação sobre o presente, enquanto do passado filtramos só alguns fatos que permaneceram e foram registrados pelos historiadores.

Mas a verdade é que não é de hoje que o comitê de noruegueses apronta. Em 1929, um outro político americano, Frank B. Kellogg, ganhou o prêmio Nobel da Paz. Não por ter inventado os sucrilhos (esse foi outro Kellogg), mas por ter criado o Pacto Kellogg-Briand, documento que "abolia a guerra como instrumento de política nacional". Infelizmente, esqueceram de avisar a Hitler, Hirohito, Mussolini e Stalin, bem como o próprio Roosevelt, e as boas intenções perderam-se na noite dos tempos.

Tudo bem. Mas uma das definições da loucura é "repetir os mesmos erros esperando um resultado diferente". Temo que, a julgar pelo ocorrido em situações similares no passado, nos encaminhemos para uma nova guerra mundial ou coisa pior.

Esta época pode até não não ser a mais maluca da História, mas tem o agravante de ser a época na qual estamos vivendo. Como disse uma vez Jorge Luis Borges, "le tocó, como a todos los hombres, malos tiempos en que vivir."

Mr X vai se internar por alguns dias e volta depois. Ou não.




quinta-feira, 17 de setembro de 2009

EUA não quer, Brasil não pode

Dica do Chesterton, via Tibiriçá, um excelente artigo do Carlos Montaner diz que o Brasil não tem vocação para ser líder regional na América Latina. Eu poderia reproduzir um trecho aqui, mas acho melhor lerem todo o artigo, é curto e interessante. (Está em espanhol, não achei tradução.)

O artigo aponta dois fenômenos interessantes. O primeiro é a quase total retirada dos Estados Unidos do campo de jogo na América Latina. Afinal, ter a Rússia vendendo armas e tecnologia nuclear a comunistas venezolanos seria impensável poucos anos atrás. Hoje, causa bocejos nos EUA. E nem foi Obama quem decidiu isso, pois já com Bush a política era quase a mesma (Obama só é mais radical e chega a apoiar os chavistas em Honduras). Os EUA decidiram simplesmente esquecer este continente perdido, e preocupar-se mais com seus próprios problemas, que são muitos.

Mas o mais interessante do artigo é sua segunda parte, quando fala sobre o Brasil. Gigante por sua própria natureza, o Brasil vive sonhando em expandir seu poder a nível regional ou até mundial. Lula quer porque quer sua cadeira dourada na ONU. Celso Amorim lambe a sola do sapato de qualquer ditador em troca de afagos. Mas o artigo murcha a bola dos nacionalistas e afirma que não basta isso para ser líder. Em primeiro lugar, há o problema cultural: o fato é que, como bem observa Montaner, Brasil e Hispanoamérica cresceram de costas um para o outro e há mútua desconfiança. Em segundo lugar, o Brasil não tem capacidade para liderar ninguém, pois tem os mesmos problemas que o resto da América Latina. Se liderar, vai ser só em direção a mais atraso. Por ora, a única coisa que o Brasil consegue liderar na América Latina é nos números da violência.

Mas o que esperar de um país em que o Presidente fala o seguinte:

“Pela primeira vez, não vamos ter um candidato de direita na campanha. Não é fantástico isso? Vocês querem conquista melhor do que, numa campanha, neste país, a gente não ter nenhum candidato de direita? Uns podem não ser mais tão esquerda quanto eram. Não tem problema. A história e a origem dão credibilidade para o presente das pessoas. Era inimaginável até outro dia que chegássemos a esse momento no Brasil. Antigamente, a campanha era o candidato de centro-esquerda ou de esquerda contra os trogloditas de direita. Não tem um candidato que represente a direita. É fantástico."
O pior é que Lula tem razão. Não há qualquer pluralidade de idéias, não há qualquer defesa do livre-mercado, do conservadorismo fiscal, da cultura do trabalho ou dos valores tradicionais na política brasileira. Em resumo, não há qualquer seriedade, só projetos utópicos, estatismo, demagogia ou roubalheira aideológica. É fantástico.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Guerras inúteis

Já que estamos falando em guerra, vou dizer uma coisa que vai ser antipática até para os "neocons" que costumam freqüentar este bucólico espaço. Acho que, a esta altura, os EUA deviam voltar para casa e deixar o Afeganistão e o Iraque entregues à própria sorte.

Há oito anos ocorriam os atentados de 11 de setembro e os EUA, em represália, invadiam o Afeganistão. Retrospectivamente, teria feito mais sentido ter jogado um Boeing 747 contra Meca. Teria sido bem mais barato e, creio, teria tido mais sucesso em evitar futuros atentados.

Recentemente, alguns militares americanos morreram no Afeganistão devido às novas regras militares que tentam salvar a vida de civis afegãos, mas colocando em maior risco a vida de soldados. Segundo as regras obamianas, o soldado só pode atirar quando tiver certeza que o fundamentalista à sua frente está mesmo armado e vai atirar. Ou seja, para o governo Obama, a vida de civis afegãos é mais importante do que a de soldados americanos. Ora, não dá para se ganhar uma guerra assim. Está certo que se deve minimizar ao máximo a perda de civis, mas guerra não é piquenique. Se é para lutar assim, melhor ir para casa. Afinal, se os Aliados tivessem lutado a II Guerra de forma politicamente correta, hoje se falaria alemão em Londres.

E digo mais: a troco de que gastar tanto dinheiro e vidas em uma empresa que, de qualquer modo, é impossível? Alguém acha mesmo que o Afeganistão vai virar uma Suiça da noite para o dia? Mais valeria os EUA invadirem a Amazônia, que tem riquezas naturais. O Iraque ao menos tinha a desculpa do petróleo. No Afeganistão, só tem pedra e papoula. Salvo que o governo dos EUA tenha interesse em dominar o tráfico de heroína, sua presença lá tem pouco sentido econômico.

Além disso, não se entende porque os EUA devam continuar a ser polícia do mundo em plena crise mundial. Convenhamos: ninguém gosta de polícia, mesmo os que mais são ajudados por ela. Apesar da implantação de uma espécie de democracia, o Iraque não virou aliado dos EUA. Fui a favor de ambas as guerras e, sim, o Iraque atual é, sem dúvida, uma melhora sobre o Iraque de Saddam Hussein. Ótimo. Mas ainda está muito longe de virar um país decente. E xiitas, sunitas e curdos continuam matando-se, e continuarão até o final dos tempos, ou até a chegada do décimo-segundo imam, o que vier primeiro. Então, vale a pena?

Eu não sei. Em qualquer guerra deve-se ter uma estratégia e um objetivo claro, o que não é o caso do que ocorre agora no Afeganistão. Qual é o objetivo de Obama nesta "guerra estúpida"? (Foi ele mesmo quem anteriormente a chamou assim). Ou os EUA lutam pra ganhar, ou caem fora. Ou dá ou desce. Não há meio-termo. O resto é desperdício de dinheiro e vidas. E nem mesmo impede que outro atentado contra os EUA possa estar sendo gestado em algum outro lugar, como Paquistão, Bósnia, Kosovo, Irã ou até mesmo o México.

"Pessoal, tenho uma idéia, que tal esquecermos esse negócio de guerra e irmos tomar uma cervejinha? O amigo Mohammed aqui paga."

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Obama não leu Bastiat

O governo Obama implantou um programa de "estímulo econômico" chamado "Cash for Clunkers", no qual o governo compra (com dinheiro do contribuinte) carros velhos que em alguns casos não valem nem 1000 dólares, por 3500 a 4500 dólares, destruindo completamente seu motor para que não voltem a entrar em circulação. A idéia é tirar os carros velhos de circulação e "estimular a economia" com a venda de carros novos.

Não que eu tenha lido muito Bastiat, mas parece-me uma repetição da falácia da janela quebrada.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A culpa é das facas

Primeiro o governo britânico acabou com a possibilidade dos civis ingleses terem armas de fogo em casa. Curiosamente, a violência não diminuiu. Ao contrário. Nos últimos anos vem ocorrendo uma série de ataques de gangues e homicídios e ataques violentos com facas. A reação do governo inglês? Culpar as facas, é claro.

Depois de várias medidas fracassadas tentando proibir a posse de canivetes e similares, agora os ingleses estão lançando a "faca anti-esfaqueamento". Isso mesmo. Uma faca de ponta redonda que, se os inventores conseguirem seu desejo, será obrigatória em toda cozinha inglesa.

Segundo a reportagem, o "revolucionário" design levou quatro anos (!) para ser desenvolvido. Quatro anos para inventar uma faca de ponta redonda? Curiosamente, embora não possa esfaquear, pode perfeitamente ser usada para degolas, mas isso poderá ser resolvido com a futura revolucionária invenção de uma faca sem fio.

(Ah: há boatos de que, como medida auxiliar, o governo inglês também está pensando em oferecer descontos no preço da faca para membros de gangues ou psicopatas... Como diria o Garrincha, a idéia da faca não-letal até que é boa, mas faltou combinar com Jack the Ripper.)

É um pouco deprimente observar a insanidade que tem tomado conta das elites políticas ocidentais. Observem que, entre os recentes assassinatos por motivo fútil ocorridos na Inglaterra, dois dos mais chocantes não envolveram facas: em um caso, um garoto de 16 anos foi morto com uma bandeja de vidro; em outro, um homem foi morto por adolescentes a meros pontapés. Deveria o governo proibir bandejas e coturnos? (Ah, em ambos os casos os assassinos eram imigrantes ou descendentes de imigrantes, mas ninguém vai sugerir proibir a imigração, isso não. Tampouco a impunidade e a leniência cada vez maior com os crimes violentos tem algo a ver. É tudo culpa das malditas facas.)

Em notícia aparentemente não relacionada, mas que tem tudo a ver, informa-se que a polícia inglesa está parando e revistando brancos sem motivo algum, ou melhor, com um motivo preciso: tornar mais politicamente corretas as estatísticas, para que ninguém pense que esse negócio de terrorismo tem a ver só com muçulmanos.

O aumento do progressismo a nível mundial coincide com o aumento do crime a nível mundial. Será mera coincidência?

Quando a realidade não confirma a delirante visão de mundo do progressista, não é que ele mude a sua visão de mundo: ao contrário, tenta desesperadamente mudar a realidade. Mas com esse exercício inútil só consegue torná-la ainda pior.

A incrível faca anti-esfaqueamento.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Professores de suicídio

Imagine que um professor português viesse ensinar no Brasil e disesse em suas aulas que os brasileiros são todos travestis ou viados, que o Carnaval é uma pouca vergonha, que a coisa mais avançada da cultura nacional é o funk carioca, e que os portugueses brancos é que são os legítimos donos do país, mas perderam a possse da terra à qual tinham direito com a famigerada independência do Brasil.

Ridículo? Impossível? Talvez. No entanto isso ocorre toda hora nos Estados Unidos.

Em uma universidade não muito distante, há um professor mexicano que, na sua aula de História, afirma que os americanos são genocidas, que sua cultura não presta, que eles exterminaram os índios, que as próprias reservas indígenas e os direitos que deram posteriormente a eles foi apenas uma forma de humilhá-los ainda mais, que a Califórnia pertence ao México e foi "roubada" pelos americanos, que os mexicanos são vítimas do imperialismo, colonialismo, que tudo é culpa da propaganda capitalista que pinta os mexicanos como "preguiçosos" e "vagabundos" e blablablá.

O próprio Idelber, também professor estrangeiro nos EUA, vive espinafrando o país. Não tanto quanto espinafra Israel, mas enfim, já falou até no peru de Thanksgiving como símbolo de genocídio.

São apenas alguns exemplos entre milhares. Com efeito, é difícil é encontrar um professor que não seja esquerdista. Os mesmos que reclamaram por anos da "tirania" de Bush ficam silenciosos em frente ao que está acontencendo em uma tirania muito mais real, seja no Irã, no Sudão ou em Burma.

Sei que tal postura tem a ver mais com ideologia do que com nacionalidade ou cultura - afinal, há professores americanos que criticam violentamente os EUA, há professores judeus que criticam incessantemente Israel. Mas uma coisa é o sujeito fazer propaganda antiamericana em um cursinho pré-vestibular em Mogi das Cruzes. Agora, quando um sujeito desanca injustamente com calúnias o país estrangeiro no qual ganha seu dinheiro e que lhe deu a oportunidade de trabalhar e progredir, parece-me, além da questão ideológica, no mínimo uma falta de educação intolerável.

Ou estou errado?

Enfim, cada um tem seu gosto.

O problema disso tudo é que um dia no futuro os alunos vão ficar com o cérebro tão lavado pela propaganda esquerdista que terminarão por eleger para a presidência do próprio país um queniano de origem muçulmana formado em Harvard que vai implantar políticas socialistas no país, levando a economia para o ralo...

Talvez os esquerdistas locais acreditem que, uma vez que os Estados Unidos não forem mais os fortões prepotentes do mundo, as pessoas vão amá-los mais. Mas não acredito nisso de jeito nenhum. Vejam que, mesmo com Obama no comando, o Irã continua gritando "morte à América", e os ditos países emergentes apostam contra o dólar, na esperança de ferrar com a economia americana ainda mais.

Quando a cow americana for para o swamp, ninguém vai ter peninha dos EUA não. Vai todo mundo passar por cima, e ainda dizer bem-feito, seus imperialistas safados.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Battlestar Galactica, feminismo e felicidade

Por indicação do Bruno, estou assistindo à recente série "Battlestar Galactica" (a série na verdade acabou recentemente, assisto em DVD). Quando pré-adolescente, ainda peguei as reprises da série original dos anos 80, e gostava bastante. Decidi assistir esta versão nova também, embora seja completamente diferente da série original, que tinha um formato mais cômico.

A nova série é interessante, não obstante algumas curiosidades. Uma delas é a implausibilidade de certas storylines: por exemplo, a raça humana está sendo dizimada, morrem milhões, e o pessoal da nave Galactica está preocupado com eleições e com os direitos humanos de prisioneiros... É o mesmo tipo de discurso que se faria em uma administração Obama, mas, se começassem a cair bombas atômicas em todas as cidades americanas, com mortes aos milhões, duvido que qualquer um nos EUA se preocupasse muito com isso. Acho que até o Obama mudaria o discurso. (Quando a própria sobrevivência está na reta, a preocupação com esse tipo de coisa torna-se infinitamente menor.)

Bom, mas a maior diferença da série nova é mesmo a questão do feminismo, se é que podemos chamar assim. Na série original, Starbuck, o melhor piloto da frota, era um homem; aqui virou uma mulher. O presidente da federação das colônias é uma mulher. Um dos sargentos mais durões é uma mulher. Até a principal "vilã" cylon é uma mulher. Enfim, praticamente todos os personagens mais "machos" da série, ao menos até o momento, são mulheres.

O ator Dirk Benedict, que fazia o papel principal no seriado original, escreveu um divertido comentário sobre isso. Para ele, isso é o resultado do feminismo: hoje, o único modo de colocar um personagem realmente macho na TV é transformando-o em mulher.

Mas será que o feminismo foi bom para as mulheres?

Nelson Rodrigues, na mesma célebre entrevista em que diz que "mulher gosta de apanhar", observa:

Eu acho mulher tá vivendo completamente errada e nunca, e realmente ela nunca foi tão infeliz, nunca experimentou uma angústia, angústia tão forte. Se nós compararmos a mulher de agora, mulher moderna, emancipada, com liberdade sexual, com liberdade econômica, nós verificamos que realmente essa liberdade, essas liberdades, não a fazem feliz e, pelo contrário, essas liberdades frustram. É muito difícil encontrar uma mulher feliz, uma equilibrada, uma mulher tranqüila.

Estávamos nos anos 60, pleno auge do feminismo. Hoje, apesar de todas as conquistas que se seguiram, ocorre algo paradoxal: segundo uma pesquisa recentemente divulgada, as mulheres de hoje consideram-se bastante mais infelizes do que há 30, 40 anos atrás. E não só isso: pela primeira vez, revertendo tendência, as mulheres consideram-se mais infelizes do que os homens (a pesquisa completa, realizada aliás por duas mulheres perplexas, pode ser baixada aqui).

O que explicaria isso?

Eu não tenho uma resposta, até porque não sou de modo algum misógino - au contraire - ou antifeminista, e sou mesmo a favor de liberdade total para as mulheres. Mas talvez aí alguém possa saber. Enquanto vocês discutem, concluo aqui com duas histórias curiosas.

Uma doutoranda feminista israelense, com a ajuda do seu professor esquerdiota - o qual, vejam a coincidência, foi mais tarde acusado de abuso sexual - escreveu uma tese afirmando que os soldados israelenses seriam racistas por não estuprarem mulheres árabes. Isso mesmo. Isto é, teriam tanto preconceito racial que nem mesmo as veriam como objetos de desejo sexual... O estupro, do ponto de vista da estudante, seria mais positivo. Feminista que gosta de estupro?

Mais estranho ainda é o caso da holandesa Joanie de Rijke. Vejam que loucura: a moça, jornalista esquerdófila, feminista, decidiu ir ao Afeganistão para entrevistar os talibãs - sozinha. Naturalmente, foi seqüestrada, estuprada repetidas vezes, e finalmente liberada em troca de alguns milhares de dólares. Mas, em vez de ter aprendido alguma coisa, o que a idiota fez ao retornar? Insistiu que "os talibãs não eram monstros", que eram apenas uma cultura diferente, que "a respeitaram" e que, apesar de tê-la estuprado, não o fizeram por mal, mas apenas porque "não conseguiam controlar sua testosterona". (?!?)

Fiquei encucado. Será que Joanie gosta de apanhar?

Starbuck, por outro lado, é sexy e não leva desaforo pra casa.

terça-feira, 5 de maio de 2009

A esquerda gosta de morte

Dica do Daniel: A visita de Amilksheikjihad ao Brasil foi cancelada. O Idelber deve estar triste. Pode parecer inacreditável, mas o nosso velho conhecido até há pouco estava desejando-lhe boas-vindas ao Brasil e, em total desrespeito aos costumes islâmicos (o horror, o horror!) ainda convidou-o a tomar umas cachacinhas e dançar com as mulatas.

Mas falando sério: juro que não consigo entender essa gente.

Quer dizer, sei que a esquerda gosta de ditadores: Stalin, Mao, Fidel, Saddam, _______ (preencha a lacuna como quiser), etc. Mas daí a ver-se na obrigação de celebrar todo e qualquer ditadorzinho de meia-tigela, que nem exatamente de esquerda é?

Será que o Idelber sabe que o regime iraniano matou ou prendeu centenas de comunistas?

Eu não entendo mesmo. Começo a desconfiar que seja o seguinte: para esse pessoal Ultra-Sofisticado, puxar o saco de um fanático islâmico iraniano é hype. Mesmo que o regime tenha torturado e executado milhares de esquerdistas, estudantes, homossexuais e mulheres - ou seja, seu próprio público-alvo. Mesmo que tenha realizado atentados à bomba em vários países de terceiro mundo (e, portanto, "do bem"). Não me pergunte por quê - é hype. (Bem, certamente é mais chique usar uma keffiyah do que uma kipá.)

Ou será que tem alguma outra explicação? Se alguém souber, por favor, me diga.

Terrorism is the new black.

Atualização: O Irã acaba de atacar acampamentos curdos dentro do Iraque, e de executar Delara Darabi. Vou aguardar os elogios do Idelber.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Careful what you wish for

Há uma preocupante onda de sentimento "anti-capitalista" no mundo, na verdade propagada pela mídia e pelos políticos.

Com a crise econômica, banqueiros, empresários e investidores de Wall Street são os vilões. Em Londres, protestos contra a reunião do G20 terminaram com confrontos com a polícia. Curiosamente, a maioria dos manifestantes usava celulares, iPods, roupas da moda. Em resumo, filhos mimados do capitalismo que se rebelam contra o pai.

A propaganda do aquecimento global também coloca misteriosos empresários e industriais capitalistas como vilões, que estupram o planeta em nome da "ganância". Nada é dito sobre o fato de que regimes socialistas e países subdesenvolvidos são os que menos preservam e mais destróem o ambiente natural.

Nota-se no rosto dos jovens manifestantes o ódio e a rebeldia, o desejo de confronto. Embora não seja certo que a Europa se torne islâmica (levaria ao menos cem anos), é muito provável que antes disso - e na América Latina já estamos lentamente a caminho - surjam novos governos autoritários para conter o crescente caos social. Afinal, depois de toda grave crise econômica costumam surgir governos autoritários. Se não acredita, pense nas crises de 1929 e 1973 e lembre o que veio depois.

Então esses jovens finalmente poderão receber as pauladas que tanto desejam.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Tá tudo dominado

Que os alunos de uma universidade americana sejam simpatizantes do socialismo é até compreensível. São jovens e ignorantes, e quase só receberam instrução marxista na escola e na mídia. Mas quando há professores comemorando abertamente a vitória do FMNL em El Salvador, consolidando a neocomunização da América Latina, é preciso parar e pensar. Epa. Onde diabos fui me meter?

Festa comunista: Marx rebola, levantando o dedinho.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Obamistas arrependidos

Houve recentemente uma discussão interessante no Belmont Club sobre certos obamistas que agora estão surpreendidos com a política de Barack Obama e começam a ter dúvidas sobre o seu voto.

Por que as pessoas votaram em Obama? É simples. É a mesma razão pela qual as pessoas ainda caem em contos de vigário. Por que querem algo em troca de nada. Ou, como dizia aquela velha canção dos Dire Straits, "money for nothing and chicks for free". Obama prometeu mundos e fundos, e todos caíram.

Se algo parece bom demais para ser verdade, em geral é mesmo. Mas quem disse que o pessoal aprende?

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O fim do império americano?

Em mais um interessante artigo, Caroline Glick observa que os vários poderes mundo afora já estão testando Obama. Como notei alguns posts abaixo, a liberação do "cientista" A. Q. Khan, que vendeu segredos nucleares à Coréia do Norte e possivelmente ao Irã, foi um teste dos paquistaneses para ver a reação de Obama. Por enquanto, esta foi nula.

Da mesma forma, os russos já mandaram o presidente do Kirguistão fechar a base americana lá, no que foram prontamente atendidos. Isso, obviamente, compromete a continuação da presença americana no Afeganistão. Os terroristas islâmicos também já aumentaram a pressão e hoje explodiram alguns soldados americanos no Iraque, no atentado mais sério em meses.

O governo Obama exala fraqueza de todos os poros.

Mais preocupante é o fato que Obama esteja querendo fazer um acordo para reduzir os arsenais nucleares de EUA e URSS Rússia em 80%, o que provavelmente selaria o fim dos EUA como potência militar maior. Não apenas a Rússia conta com centenas de estoques nucleares não-declarados, como a China, como observa este artigo, graças à sua rede de espiões conseguiu em apenas uma década ter um arsenal nuclear de tecnologia similar à dos dois contendentes da Guerra Fria.

Obama e os "sofisticados" que acreditam na "força da diplomacia" e no "desarmamento" são meros amadores. Acostumados a lidar apenas com os "inimigos" do Partido Republicano - que são provavelmente os únicos a quem consideram de fato "inimigos" (com todos os outros se pode dialogar) - não tem idéia que no mundo real a coisa pega pra valer.

Colocar Obama na frente de Putin, chineses e terroristas islâmicos é como mandar uma professora de jardim de infância para negociar com a máfia.