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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Para onde vai o homem branco?

Este vai ser provavelmente o último post que faço sobre raça (o tema parece conduzir ao bitolamento). Segundo recentes estudos, apenas 27% das criancinhas californianas são brancas. A grande maioria são de origem latina, isto é, mestiços hispano-ameríndios mexicanos (51%). Criancinhas negras são apenas 6% (os mexicanos afastam os negros?), o que é compensado pelo aumento de asiáticos, indianos, etc. Em todos os EUA, o número de crianças brancas está diminuindo proporcionalmente em relação à população total. Crianças são o futuro, certo?

Na Europa, os muçulmanos e outros imigrantes "escurinhos" ainda são minoria (não chegam a 10%), mas têm uma fertilidade maior do que os brancos nativos, continuam imigrando a mil, e é provável que repitam o que já ocorreu nos EUA. Alguns dizem que "não devemos nos alarmar", mas, ora, alguém nos anos 50 imaginaria que os EUA teriam maioria não-branca em poucas décadas? Na Inglaterra, uma em cada seis crianças em idade escolar já não tem o inglês como primeira língua. Eu já disse que as crianças são o futuro?

Situação difícil

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Os gritos do silêncio

No fim de semana da Páscoa, uma família de fazendeiros sul-africanos foi morta a tiros, incluindo uma bela garota de apenas 14 anos. Não é um caso isolado: desde o fim do apartheid, mais de 3165 fazendeiros "boer" brancos sul-africanos foram mortos por negros. Na maior parte das vezes, não há roubo algum, apenas execução sumária, em alguns casos precedidos de tortura e violência sexual.

Marthela Steenkamp (RIP, 1997-2012)
Seria genocídio? Alguns dizem que se tratam apenas de vítimas de crime e, neste caso, o número de vítimas negras de crime (por outros negros) na África do Sul seria ainda maior. Porém, é claro que está tendo lugar uma perseguição aos fazendeiros brancos, querendo intimidá-los e expulsá-los de suas terras, como já aconteceu no Zimbabwe. Os "boer" resistem, mas, até quando?

É muito curioso que hoje ninguém fale da África do Sul. É quase como se o país de repente tivesse desaparecido do mapa. O fato é que a tal "nação arco-íris" prometida jamais se concretizou, e hoje o país está em situação bem pior do que durante o apartheid, seja para os brancos, seja para os negros.

Sim, os negros detém o poder, mas pode-se dizer que tenham um nível melhor de vida agora, quando a África do Sul virou a capital mundial dos estupros?

O apartheid era desigual, sem dúvida, mas observem uma coisa curiosa: durante essa época, em pleno apartheid, milhares de imigrantes africanos de outros países do continente migraram para lá. Pelo jeito, não faltavam negros querendo ser "oprimidos" pelos brancos safados. Hoje em dia, é o contrário. Não são apenas os brancos que estão emigrando da África do Sul, como até mesmo os negros mais qualificados, que acreditam ter melhores opções em outros lugares. O país virou um antro de violência e corrupção. Mas ninguém se importa...

É verdade que naquela época os brancos tinham uma posição privilegiada, e agora boa parte deles, sem ter mais o privilégio por lei, está vivendo na pobreza. Mas também é verdade que, salvo alguns negros que se deram bem como os mostrados nesse mesmo documentário do link, a situação ficou pior para quase todos. Eis aqui um blog documentando em fotos a decadência arquitetônica de Johannesburgo. Cry the beloved country...

A jornalista Ilana Mercer, sul-africana de nascença, fala um pouco sobre a situação atual de seu país no seu blog e no livro "Into the Cannibal's Pot".  A destruição da África do Sul ocorreu em nome da tal "igualdade". Ou seja, a busca utópica de uma sociedade na qual todas as raças, culturas, etnias, "orientações sexuais" e religiões tenham o mesmo nível de vida, numa delirante igualdade, não de oportunidade, mas de resultados. É a ideologia em voga hoje no Ocidente, fazer o quê. Igualdade total, não de oportunidade ou perante a lei, mas de resultados. E nenhum esforço é medido nessa luta absurda.

Mas tal igualdade de resultados não é possível. Tal "fim do racismo" e "sexismo" não é possível, pois o fato de negros, índios, mamelucos e cafuzos terem em geral nivel de vida pior do que os brancos e asiáticos não tem NADA a ver com a escravidão, a opressão, ou o racismo brancos, assim como há uma explicação perfeitamente lógica para a diferença salarial entre homens e mulheres que nada tem a ver com o "sexismo". As pessoas e as culturas e as etnias e os sexos são diferentes e têm interesses diferentes e apresentam resultados diferentes, é apenas isso. E, salvo intervenção divina ou uma equalização forçada através da manipulação genética, ou então em um Estado Totalitário ao estilo de Harrison Bergeron, jamais serão todos de todo iguais. É isso. Se não acreditam, então esperem sentados pela igualdade, ou vocês irão cansar...

No mais, a morte de fazendeiros continua, é como cantava o pacifista Nelson Mandela: "matem os Boer."

domingo, 8 de abril de 2012

Nunca diga que o rei está nu

O colunista John Derbyshire acaba de ser demitido da National Review, mais conhecida revista conservadora americana, por ter escrito em outra publicação um artigo considerado racista (nota, o artigo parece estar fora do ar agora). Um artigo no qual fala, basicamente, que é perigoso para brancos (ou asiáticos) andarem em bairros negros, ou frequentarem locais de maioria negra.

John Derbyshire é britânico mas mora há anos nos EUA. É casado com uma asiática e já foi figurante em um filme do Bruce Lee. Escrevia boas colunas, mas, desta vez, parce que resolveu chutar o balde. Talvez por ter recentemente sido diagnosticado com câncer. Seu artigo, afinal, é bem mais direto do que o que normalmente se vê na grande mídia por colunistas conhecidos.

O artigo tem, de fato, alguns trechos desagradáveis e não é nenhuma obra prima. Certamente não deve ser a melhor coisa que o Derbyshire escreveu. O argumento cínico de se ter um amigo negro para não ser considerado racista é uma piada de mau gosto, realmente até ofensivo, e alguns dos dados apresentados são discutíveis (de onde ele tirou os dados, não sei). Dito isso, o que mais incomodou os leitores parece que foi mesmo o fato de ter dito algo que todo mundo sabe e que não passa de bom senso -- se você é branco, é perigoso para você andar em um bairro negro e pobre.

O fato é que mesmo o mais radical esquerdista se cuida muito bem de passar longe do gueto, e em geral mora nos bairros mais bacanas e mais brancos da cidade. Então por que o escândalo com a coluna de Derbyshire? Acredito que a resposta esteja em uma antiga fábula, aquela na qual o rei andava pelas ruas com um suposto vestido invisível. O que Derbyshire disse não pode ser dito, não porque seja falso, mas porque todos temem que seja verdade. Se Derbyshire tivesse escrito que é perigoso andar por um bairro asiático, ou por um bairro indiano, seria igualmente considerado racista, mas todos apenas ririam dele. Afinal, o nível de crimes nesses bairros é bem menor, e não há uma hostilidade contra brancos, ao menos não tão forte como a que se vê nos bairros negros e pobres.

Pessoas que não moram nos EUA não entendem o nível de ódio existente dos negros contra os brancos, nem a incrível segregação que existe. No Brasil a situação é bem diferente, talvez devido à maior miscigenação. Claro, você se cuida de não entrar na Vila Cruzeiro ou no Complexo do Alemão, mas pode argumentar que o problema não é de raça, mas de pobreza. Bem, talvez seja, realmente não sei. Mas, nos EUA, os bairros mais perigosos são quase que exclusivamente os bairros negros (e talvez também alguns bairros latinos nos quais operam gangues). Diga-se que são perigosos tanto para brancos quanto para negros. Uma vez o ativista negro Al Sharpton respirou aliviado ao ver que os dois jovens que caminhavam atrás dele eram brancos...

É preciso esclarecer uma coisa. Não é preciso ser paranóico. Há negros que andam pacificamente pelas ruas, pelos mesmos lugares que brancos, amarelos e pardos. Hoje mesmo cruzei com várias famílias e grupos de afro-americanos, sem problema nenhum. Porém, o gueto negro é outra coisa, e um show de rap freqüentado quase que exclusivamente por negros, provavelmente também. O problema não são as famílias, mas são jovens negros entre 14 e 24 anos, que são 1% da população mas cometem 28% dos homicídios. Os dados são de um artigo de 1999, vai em inglês mesmo:


Blacks make up 12 percent of the population, but accounted for 58 percent of all carjackers between 1992 and 1996. (Whites accounted for 19 percent.) Victim surveys -- and most victims of black criminals are black -- indicate that blacks commit almost 50 percent of all robberies. Blacks and Hispanics are widely believed to be the blue-collar backbone of the country's heroin- and cocaine-distribution networks. Black males between the ages of 14 and 24 make up 1.1 percent of the country's population, yet commit more than 28 percent of its homicides.
O artigo não é do Derbyshire nem de nenhuma webzine de direita, mas, acredite, o próprio New York Times, em um artigo assinado por um tal Goldberg! Só posso concluir que, à medida que os EUA ficam mais diversos, mais difícil e mais complicado fica se falar sobre qualquer coisa que seja relacionada com possíveis diferenças de comportamento entre os grupos étnicos e raciais que formam o país. 


Resta o consolo de que, no futuro, com a total transformação dos EUA, não será perigoso andar apenas nos bairros negros. Também será perigoso andar nos bairros muçulmanos onde estarão todos os radicais, nos bairros mexicanos onde operarão os Zeta e outras gangues da droga, nos bairros salvadorenhos onde opera a MS-13, etc, etc...

O Rei pode até estar nu, mas é melhor não dizer isso para ninguém. Bye-bye, Derb!

quarta-feira, 28 de março de 2012

A verdadeira tragédia da América negra

(Eu tinha tirado este post do ar por não estar muito satisfeito com ele -- demasiado prolixo, demasiado enrolado e sem dizer a que veio. Queria modificá-lo, mas realmente não tenho tempo. Porém, a pedidos, recoloco-o no ar assim como está.)

A histeria está tomando conta dos EUA devido ao caso de um jovem negro desarmado que foi morto por um vigia residencial latino. A princípio veiculado como um caso de racismo e violência gratuita, de um jovem negro morto walking while black, novas informações parecem mostrar uma situação mais complexa.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Brancofobia, Cristianofobia, Heterofobia

Existe a islamofobia (ódio aos muçulmanos). Existe o antisemitismo (ódio aos judeus). Existe o racismo (que quase sempre é entendido como ódio aos negros). Existe a homofobia (ódio aos homossexuais). Porém, não lembro que exista em termo específico para "ódio aos brancos". Parece que até existe um termo, albofobia, mas é tão pouco conhecido que até a wikipedia deletou o artigo. Outros termos sugeridos foram anti-caucasianismo e anti-branquismo, mas não pegaram.

Da mesma forma, termos como "cristianofobia" e "heterofobia" inexistem no discurso tradicional.

Acho que a razão não é necessariamente nenhuma conspiração silenciosa, mas simplesmente que a cultura européia é a cultura ocidental por default. A heterossexualidade e o cristianismo são as normas tradicionais. Portanto todos os antiocidentais são antibrancos, anticristãos e antihéteros, e nem poderia ser diferente, já que os revolucionários pretendem acabar com o Ocidente, ou ao menos transformá-lo em alguma coisa bem diversa... (Por outro lado, Revolução Francesa, marxismo e feminismo são certamente criações ocidentais. O Ocidente está em constante guerra consigo mesmo, entre os utopistas e os realistas).

Bem, eu não tenho ódio a ninguém e em geral tive e tenho uma boa convivência com pessoas de todas as raças, cores, religiões e origens. Até andei censurando por aqui alguns que ficaram promovendo o ódio. Porém, acho que se os outros têm direito a reclamar de discriminação, acho que nós caras-pálidas também teríamos. E o fato é que vivemos em tempos tristemente brancofóbicos, misândricos, heterofóbicos e anticristãos.

Por exemplo, estes jovens atacaram uma indefesa mulher branca com problemas mentais (se bem que seus atacantes pareciam ter problemas mentais mais graves), e pegaram apenas 240 dias de cadeia, sendo liberados antes. Recentemente dois outros jovens tocaram fogo em um colega branco dizendo "é o que você merece, white boy", mas segundo a polícia não houve crime racial. Da mesma forma, ataques contra cristãos são comuns em diversas partes do globo, sem que ninguém fale muita coisa. Os coptas do Egito podem mesmo desaparecer em breve. O homem branco heterossexual cristão não pode sequer se queixar: é considerado sempre o vilão da História.

Para nossa sorte, alguns cientistas estão trabalhando na pílula contra o racismo, leis antihomofóbicas estão sendo aprovadas em todos os cantos do globo, e os crucifixos estão sendo retirados dos tribunais. Assim todos finalmente serão iguais e felizes.



quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O que é permitido falar?

Com esse negócio de "politicamente correto", cada vez pode-se falar menos. A situação está russa. Epa! Será que, ao dizer isso, estarei cometendo uma injúria ao povo russo? (Se bem que parece que o termo correto é "ruça", que seria algo como "enevoada, grisalha, desbotada".)

Na língua inglesa, há uma expressão corrente: "chink in the armor", que poderia ser traduzida como "fissura na armadura". No outro dia, a ESPN utilizou a expressão em relação ao time de basquete do asiático-americano Jeremy Lin, de origem chinesa. Bem, o que ocorre é que "chink" também é uma expressão pejorativa para chineses! Portanto, houve grande tumulto, e a ESPN teve que se retratar. O responsável pela manchete foi demitido, e nem ser casado com asiática o salvou. Em virtude do caso, a Associação dos Jornalistas Asiático-Americanos publicou uma lista de palavras e expressões ofensivas aos asiáticos que deveriam ser evitadas. Além de "chink", não dá mais para dizer "Me love you Lin time"! Nem mencionar os "biscoitos da sorte" chineses em relação ao jogador!


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Pausa para reflexão

Caros amigos, vou dar uma pausa no blog. Não sei bem por quanto tempo, talvez só por algumas semanas. Já tinha planos de não postar até janeiro mesmo, pois este é um período naturalmente complicado, mas agora também surgiu uma certa confusão sobre o destino do blog.

O fato é que não sei mais o que quero dizer, e tenho que pensar um pouco e decidir em qual caminho seguir.

É o seguinte: recentemente, o tema racial tem sido objeto de polêmica aqui no blog. Eu mesmo, confesso, nunca soube bem como abordar o tema. Não tivesse ido morar nos EUA, e provavelmente jamais teria falado sobre o assunto. Porém, nos EUA, essa discussão racial é bem mais direta, e de certo modo é bom que seja assim. Impossível ignorar totalmente o assunto, por mais politicamente correto que se seja. Além disso, de fato estão acontecendo mudanças que definirão o destino do mundo nas próximas décadas, talvez séculos. Um desses temas certamente é a imigração. Podemos ignorar as diferenças raciais e culturais, e tentar fingir ou esperar que tudo vai dar certo e que tudo vai de algum modo se ajeitar. Mas e se não fosse bem assim? E se realmente existissem diferenças que não podem ser resolvidas de modo tão simples, só com mais "conscientização" e dinheiro público?

No outro dia, um marroquino matou cinco pessoas na Bélgica com granadas e um fuzil. No mesmo dia, um grupo de congoleses protestava contra as eleições do Congo -- não no Congo, mas em pleno centro londrino. Causaram confusão e atacaram pessoas que nada tinham a ver com a história. E, também na mesma semana, na Itália, dois imigrantes senegaleses foram mortos por um aparente militante neonazista, que depois se suicidou. Independentemente do que você pense sobre essas notícias e sobre a questão das diferenças raciais, religiosas e culturais, uma coisa é certa -- se não houvesse imigração, nenhum desses problemas estaria acontecendo.

Então é realmente um assunto urgente. O futuro do ocidente depende disso. Mas a verdade é que me sinto desconfortável ao tratar de certas questões. Até tenho curiosidade de ler sobre o assunto, mas não tenho vocação para porta-voz da "causa branca". Alguns leitores me acusam de não ir mais fundo na discussão de temas raciais, e querem pautar o blog. Acreditam que eu fique em cima do muro para não causar polêmica, ou para não descontentar os leitores que não acreditam em diferenças raciais, ou por não ter as ideias bem formadas ainda. Talvez eles tenham razão. Talvez eu não tenha estômago (certamente me incomoda quando algumas pessoas se expressam de forma extremamente desagradável, ou quando negam a dignidade básica humana de outros apenas por pertencerem a certo grupo racial.) Talvez outra pessoa deveria escrever sobre isso no meu lugar.

Nos EUA, há blogs moderados que tratam do assunto. No Brasil, é mais complicado, até porque é um tema que, me parece, tem menos relevância. Quero dizer que o Brasil, ao contrário de EUA e Europa, é e sempre foi uma nação mestiça, de maioria não-branca. Se houvesse uma pureza racial original perdida, seria aquela dos indígenas. Até acho um pouco de mau gosto falar sobre essa questão quando, sei lá, 70% da população é de raça mista. (EUA e Europa são diferentes pois até há poucas décadas tinham 90% de população branca européia).

Por um tempo achei que o Dextra fosse ser essa voz moderada no Brasil, mas me enganei. Talvez um dia surja outra pessoa mais preparada. Talvez essa pessoa seja algum leitor atual.

(Porém, dica: se você quer falar sobre temas raciais e ter mais do que três leitores, não chame os negros de macacos, não chame os cristãos de babacas, e não cante loas a Adolf Hitler. Pega mal! Ou, quer saber? Faça como achar melhor, afinal vai ser seu blog e não o meu!)

Este blog já tem quase quatro anos, e mudou bastante desde o seu começo. Alguns leitores fiéis ainda estão aí: Chesterton, Gunnar, Brancaleone e, muito de vez em quando, a Confetti. Outros chegaram, foram, e deixaram só saudades: RW, Augusto Nascimento, Pax, Tiago. Agradeço a todos pela constante leitura. A temática, originalmente libertária, depois virou meio neocon e mais adiante flertou com os paleocons. Mas no fundo jamais teve uma linha política muito definida, talvez porque nem eu mesmo saiba o que pensar sobre certas coisas. O blog, era, mais do que tudo, um contraponto ao onipresente discurso progressista que está aí. Um local contrário ao politicamente correto que impera em quase todo o mundo atualmente. Porém, para se escrever sobre algo com convicção é preciso ter as idéias mais claras. Não basta apenas ser do contra.

Por isso, acho que realmente eu preciso definir qual caminho seguir. Certamente vou continuar escrevendo, afinal é uma espécie de vício. Sempre com liberdade, tanto para mim quanto para os leitores. (Na realidade, quase nunca censurei ninguém, por mais nazista ou stalinista que fosse, e a única coisa que me irrita é quando tentam pautar o blog, ou quando a discussão civilizada dá lugar a xingamentos). Se quiser falar sobre raça, também vou falar. Mas estou sentindo que falta mesmo um embasamento maior, e para isto talvez seja preciso ler mais e escrever menos.

(Enquanto isso, comprem o livro, à venda na Amazon e CreateSpace).

Mais uma vez, desejo um Feliz Natal a todos. Nos vemos em 2012.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O problema são os mexicanos

No outro dia conversei com um taxista. Simpático. Era negro, vinha da Somália. Muçulmano. Morava nos EUA desde os 10 anos de idade. Falou sobre a cidade, sobre o emprego, e finalmente perguntei sobre a sua família.

Resposta: era casado e tinha sete filhos. Todos nascidos nos EUA e, portanto, cidadãos legítimos do país.

Como ele parecia relativamente jovem, é possível que pudesse ter ainda mais sete. Considerando que os americanos nativos tem em média dois filhos (os europeus tem 1), acho que é perdoável o primeiro pensamento que me passou pela cabeça: "America is fucked".


Bem, outro pensamento poderia ser de alívio: "não faltarão taxistas na América", ou algo assim.

Maldade minha. É possivel que algum de seus filhos estude muito e vire físico nuclear, ou ao menos presidente dos EUA. De qualquer modo, casos como esse mostram que a imigração seguida da reprodução bem mais rápida do que a dos nativos poderá ser um problema bastante grave nos países ocidentais nas próximas décadas. (A Europa está no mesmo barco).

Porém, devemos também ver as coisas com clareza. A maioria dos blogueiros autodenominados "racialistas" são obcecados pela raça negra. Vivem postando notícias sobre as disfunções e problemas dessa comunidade. Mais afro-obcecados do que eles, só o Olodum.

Mas a verdade é que a população afro-americana permanece estável, tendo até diminuído proporcionalmente. E os seus elementos perigosos estão cada vez mais na cadeia (um em quatro jovens homens negros está na cadeia nos EUA; aliás, os afro-americanos que estão na prisão vivem mais tempo do que os que estão fora dela). Por isso, black flash mobs à parte, o crime violento diminuiu nos bairros negros, tanto que muitos estão se gentrificando.

Portanto, o problema mesmo para os EUA serão os mexicanos. Esses sim estão lentamente substituindo a população caucasiana, já sendo maioria em alguns estados. Provavelmente tornar-se-ão maioria da população total dos EUA em algumas décadas, e transformarão o país totalmente, de forma irreversível. Se a razão pelas diferenças é cultural ou genética, já nem importa: os EUA se mexicanizarão.

Arriba, arriba! Faz algum tempo passei uns dias no México, em Tijuana. O contraste entre esta cidade e a vizinha San Diego do outro lado da fronteira é imenso. Tijuana é pobre, feia e perigosa. San Diego, apesar de uma quantidade grande de homeless, é uma cidade com um centro bonito e locais repletos de turistas.

No entanto, indo para os subúrbios próximos a San Diego, já se nota a mexicanização. É como se eu ainda estivesse em Tijuana.

Mas o que me preocupa sobre a invasão mexicana não é que grande parte deles sejam violentos, perdendo apenas para os afro-americanos. Não é que muitos de seus jovens participem de gangues extremamente violentas, e matem pesoas a esmo.

Tampouco preocupa tanto que nos dados policiais eles sejam chamados de "brancos", confundindo as estatísticas -- este homem que matou uma criança de dois anos, de acordo com a polícia, é um homem branco

Também não é tão preocupante assim que, do mesmo modo que há uma diferença nos resultados escolares de brancos e afro-americanos, haja uma diferença inexplicável, ainda que menor, entre os resultados dos brancos e asiáticos com os dos hispânicos.  

Não importa que os hispânicos tenham aprendido bem a lição do vitimismo, e acusem a sociedade americana de maltratá-los, explorá-los ou não dar oportunidade aos "sin papeles", quando eles não querem voltar ao México de jeito nenhum e até garantem que as terras do sul dos EUA lhes pertencem.

E muito menos me preocupa o fato de que muitos dos membros dos cartéis mexicanos vivam cruzando a fronteira, e que mesmo este jovem decapitador de 14 anos treinado a matar desde criança pelos traficantes seja um cidadão americano legítimo.

Não, nada disso importa. Meu problema mesmo com essa invasão é o seguinte: as mexicanas são feias! Desculpem, não quero ser preconceituoso (peço perdão se há algum leitor mexicano aqui). Há algumas bonitas. A recepcionista do hotel em que fiquei (mestiça, acho que com traços não só indígenas como africanos) certamente era. Não teria me importado se ela tivesse me dado bola. Mas, em geral, o que dizer de um país cujo maior sex symbol é a Frida Kahlo? É claro que isso tem a ver com o gosto pessoal. Gosto de loiras nórdicas, de eslavas esguias ou então de mediterrâneas curvilíneas. Até acho algumas africanas e mulatas atraentes; mas as mexicanas, na minha opinião, são raras as bonitas. (Antes que alguém mencione Salma Hayek, observo que ela é de origem libanesa).

Bem, o fato é que isto vai ser um grave problema para os Estados Unidos no futuro, quando eles quiserem repor suas equipes de cheerleaders.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Esclarecendo a questão racial

Eu queria esclarecer aqui algumas de minhas posições em relação à questão racial para evitar mal-entendidos. Não sou um "nacionalista branco" e não sei se é correto falar em raças como categorias estanques, já que existem muitas outras subdivisões étnicas que além disso também se misturaram entre si. Tampouco sou um cientista e não posso dar definições corretas, apenas fazer observações de um leigo sobre os grupos mais conhecidos.

O blog passa sempre por várias fases. Se antes era o islamismo, ultimamente estive interessado na imigração e nas diferenças raciais e genéticas, mas será que isso me torna um "racista" (seja lá o que isso significar)? Confesso que hesitei muito até tocar nesse tema, por razões bastante óbvias. No outro dia apareceu um leitor falando que não gosta de pretos, nem de árabes, nem de judeus. Tudo bem, cada um é livre para ter suas preferências. Não tenho esse problema. No dia a dia, convivo em ambientes bastante multiculturais, sempre tento ser educado e não posso dizer que tenha tido qualquer problema com quem quer que seja, branco, negro, indígena, esquimó ou judeu. É verdade que estou em um ambiente acadêmico mais sofisticado e que tampouco fui passear pelo gueto negro da cidade para conferir se é mesmo tão ruim quanto dizem, nem tentei fazer amizade com uma gangue de mexicanos ilegais. Por isso todas as discussões aqui são apenas ao nível teórico e, sinceramente, espero que continuem assim... Mas seria lamentável se a única utilidade deste blog terminasse sendo a de tornar mais popular a troca de insultos raciais.

De qualquer modo, o fato básico é que, devido provavelmente ao seu desenvolvimento em separado em diversas regiões do planeta, cada povo ou etnia apresenta diferenças genéticas: algumas físicas como cor da pele, altura, musculatura etc, e outras psicológicas, como inteligência, agressividade, etc.

Isso não quer dizer que todos os membros de uma certa etnia sejam iguais: a variação entre os indivíduos dentro de cada grupo é muito grande. 

Por outro lado, hoje em dia está proibido falar em raça. Quer dizer, só se você for branco, ou se for falar em raça branca.

Negros tem dezenas de movimentos de defesa dos seus direitos. Índios têm regiões inteiras onde cara-pálida não entra, e a nova moda no Brasil são os quilombos, onde branco tampouco entra. Nos EUA, mexicano-americanos (mestiços hispânicos) têm até movimento supremacista, "La Raza" - o caráter racial aparece até no nome e nos cartazes:


"Are land?". Enfim. A raça, banida do discurso civilizado desde as loucuras de "Rítler", está novamente - por bem e por mal - voltando à tona.

(Abro um parênteses. A discussão a seguir poderá ofender alguns leitores. Brancos, negros, mulatos, asiáticos, indígenas, cafuzos, mamelucos e australopitecos: peço perdão a todos; não é minha intenção causar dano psicológico a ninguém. Tampouco tenho opinião plenamente formada sobre o tema: relato os fatos, nada mais. Não é nada que não possa ser encontrado na Wikipedia. Dito isso, vamos adiante.)

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Devemos falar sobre raça?

Falar sobre raça é um tema desagradável. Há poucos temas mais difíceis de abordar sem ofender ninguém; talvez apenas religião se compare.

Eu realmente não sei se deveria falar sobre esse assunto, mas está tão presente nos blogs que costumo ler ultimamente que não é possível evitar.

Por exemplo, no outro dia uma tal ministra da "Igualdade Racial" (sic) no Brasil afirmou que "não podemos deixar que haja espaço reservado às pessoas brancas". Branco não entra! 

E, no último fim de semana, ocorreram dezenas de eventos nos EUA com violência de minorias que tornaram ainda mais atual a discussão.

No outro dia, houve um arrastão em plena Manhattan, no bairro bacana de Greenwhich Village. A notícia falava em "roubo em grupo realizado por adolescentes". Mas basta assistir o vídeo para observar que são todos negros.
Eles roubaram donuts e refrigerantes, atiraram cadeiras e destruíram uma máquina de café de 2.000 dólares. Tal comportamento não tem explicação. Pobreza? Ora, será que não tinham dinheiro nem para comprar um donut? Então como conseguiram dinheiro para comprar o celular da moda? Usam mochilas e roupas da marca, parecem estudantes. E por que precisavam demolir a loja? Será ainda ódio pela escravidão?

No feriado de Memorial Day, houve novas confusões raciais, em um festival de rap. A desculpa dos progressistas? Tinha polícia demais no evento, e isso "gerou tensão". Certo, tirem a polícia e vamos ver a calma que não vai ser...

Alguns acham que o preconceito contra os negros americanos do gueto seja devido à "cor da pele". Nada mais equivocado. O preconceito é devido a casos como os acima. Afinal, eventos assim estão longe de ser únicos, e parecem estar aumentando. Recentemente houve muitos arrastões similares (Neste aqui, curiosamente, tinha uma única garota branca participando também). Ou a constante violência entre gangues com tiroteios, que ocorre sempre que multidões de rapeiros se reúnem.

Não que outras raças ou povos não sejam violentos. Basta observar o México, onde a violência extrema entre gangues é corriqueira, com civis esquartejados e decapitados a torto e direito, e mesmo em Los Angeles as gangues mexicanas começam a aprontar. O brancos também podem ser violentos, não há dúvida. Eu mesmo, em Londres, escapei por pouco de ser espancado por um bando de hooligans bêbados brancos como a neve que acabavam de sair de uma partida de futebol e bateram minha carteira. E os jovens chavs estão por trás de grande parte do comportamento antisocial. Há nos EUA até gangues de vietnamitas (asiáticos são em geral o grupo menos violento). Mas casos como o acima, em que se destroem lojas ou atacam pessoas sem qualquer motivo, apenas por "diversão", parecem predominar em um único grupo.

Aliás, os próprios negros de classe média sabem que esse é um problema, e se envergonham. O Chris Rock fez até piada sobre a diferença entre "black people" e "niggas."

Confesso que não sei o que se deveria fazer a respeito. Sou fã da música americana negra dos anos 30-50. Não acho que fatos como esses nos devam levar ao preconceito contra todos os negros, pois há muitos que são gente boa. Mas que tudo isso causa depressão, causa. Pareceria que grupos de jovens como esse querem mesmo provocar, querem ser odiados e desprezados. Qual o sentido dessa violência insana?

E a grande mídia, em vez de falar às claras o que todo mundo sabe, fala em "jovens urbanos". Assim como chama de "jovens franceses" os muçulmanos que queimam carros em Paris, sem indicar jamais sua origem ou religião.

É verdade que a decadência é geral, e não devemos nos fixar num determinismo biológico. O relaxamento do sistema judiciário, a cultura do vale-tudo progressista, a degradação da sociedade, o fim da família (75% dos negros americanos crescem sem os pais!), a dependência estatal, a promoção do vitimismo e da irresponsabilidade, tudo isso tem causado um desastre de proporções calamitosas na sociedade como um todo, especialmente entre as classes mais baixas (de todas as raças e etnias).

Talvez a classe média e alta tenham se beneficiado com o progressismo, obtendo maior liberdade de comportamento. Este, no entanto, foi um verdadeiro desastre para as classes mais baixas, que se ferraram e afundaram de vez no crime, nas drogas, na dependência e na indolência.

Enquanto isso, Obama decide atacar, não o crime, mas os policiais que seriam preconceituosos contra negros e latinos, afinal há muito mais negros e latinos nas prisões...

O mais engraçado de tudo é que recentemente estudantes brancos (e um asiático!) foram suspensos numa escola americana por usar camisetas brancas. A acusação é que eram "nacionalistas brancos"...

Não está longe o dia em que os donos da OMO serão presos por vender um produto que "lava mais branco", e que ainda por cima parece fazer alusão aos homossexuais...


segunda-feira, 16 de maio de 2011

O problema racial na América

Em 1944, um economista sueco (e portanto supostamente neutro) foi convidado para estudar o problema racial na América. O resultado foi o livro "Um Dilema Americano", que colocou a culpa na opressão e na injustiça e na herança maldita da escravidão e abriu caminho para os direitos civis, a ação afirmativa, e Obama na presidência.

Mais de 65 anos depois, as coisas melhoraram de um lado e pioraram de outro. A classe média negra está melhor. Há até negros milionários como Oprah, Denzel Washington ou os vários atletas de sucesso. Há vários políticos negros, alguns muito bons como o Allen West, e o próprio Obama que, apesar das minhas discordâncias com sua ideologia, é inegavelmente um habilíssimo político, que provavelmente será reeleito.

Porém, para os negros do "gueto", isto é a classe mais baixa, as coisas pioraram. Alguns colocam a culpa no welfare, outros no liberalismo progressista, outros na desestruturação da família, outros em características hereditárias e raciais. O fato é que o número de mães solteiras nessa classe é de 75%, a dependência da ajuda estatal é onipresente, metade não termina o segundo grau, a gravidez adolescente é sabe-se lá de quanto e grande parte de seus jovens vive uma vida regada a drogas e crime violento. 

O que se nota nos EUA também é um ressentimento enorme dos negros contra os brancos, que não vi ainda em nenhum outro país, o que me faz pensar que seja, ao menos em parte, cultural. Muitos afro-americanos são rudes com os brancos, e em alguns casos chega-se à violência de caráter claramente racial, como quando hordas de negros atacam brancos (ou asiáticos) pelo único fato de serem brancos (ou asiáticos). Esse esporte praticado por gangues tem até nome: "caça ao urso polar"...

Embora existam sim diferenças raciais, até onde sei não existe um "gene da violência". Há países africanos que tem um nível de violência muito baixo, similar ao da Suiça. Por exemplo, o Madagascar, que é pobre mas não é violento. Então parece que o ressentimento dos negros americanos contra os brancos teria outras razões. Seria herança da escravidão?

Mas o fato é que a escravidão acabou há um século e meio. A discriminação legal contra os negros no Sul acabou há décadas. Os jovens de hoje mal conhecem essa história e, se existiu algum crime, os brancos que nasceram depois de 1964 nada tem a ver com isso.

Não se pode alegar tampouco que exista discriminação contra os negros hoje em dia nos EUA. Ao contrário: se há discriminação, é a favor deles. Os vários programas de ação afirmativa facilitam sua entrada em universidades e empregos. Há até em alguns casos uma superproteção a eles. Por exemplo, recentemente, afro-americanos ganharam alguns milhões de dólares depois de um processo contra a cidade de Chicago, por não terem sido selecionados para um emprego de bombeiros. O que aconteceu?

Quem fizesse mais de 64 pontos passaria no teste para bombeiro, mas seriam contratados apenas aqueles que fizessem mais de 89 pontos. Como apenas 11% dos negros obtiveram tal pontuação, alegaram "discriminação".

Ora, mas espera aí. Fora o fato de que um teste deveria escolher os melhores não importando se são brancos, negros, pardos ou azuis, 11% de negros é uma percentagem bem próxima à da população geral afro-americana nos EUA, que é de 13%. Ou seja, eles processaram por não terem uma representação MAIOR do que a esperada para a sua população! Discriminação? Discriminados hoje são os brancos, que por exemplo são proibidos de participar da bolsa de estudos do Bill Gates. (E que tal o caso da cheerleader que foi obrigada pela escola a aplaudir o seu próprio estuprador?)

Porém, nada é para sempre. Com a chegada dos milhões de mexicanos ilegais, a situação está ficando preta para os negros. Não somente as gangues mexicanas os estão expulsando dos seus bairros tradicionais, como estão perdendo o emprego para esses mesmos mexicanos. É pouco provável que exista solidariedade racial entre as várias minorias, que aliás em breve serão maiorias e dominarão o país. 

Por outro lado, observemos o seguinte: enquanto negros e latinos (e até asiáticos) se vêem a si mesmos como grupos raciais ou culturais diferenciados com interesses próprios (a chamada "identity politics"), o mesmo não ocorre com os brancos, que se parecem procurar sua identidade em grupos menores: vêem se como irlandeses, ítalo-americanos, eslavos, armênios, etc. Tais grupos muitas vezes nem mesmo se dão bem entre si.

E no Brasil? Hoje lemos que "a população no Brasil deixa de ser predominantemente branca", o que é uma rematada bobagem. A população é igual, o que mudou foi que mais pessoas admitem sua herança africana, talvez na esperança de obter benefícios de ação afirmativa. (No Brasil da "lei de Gérson", tudo é feito para se obter alguma vantagem, por pequena que seja).

Sempre me pareceu que uma das coisas mais agradáveis do Brasil era o convívio amigável entre as várias culturas e raças. Não havia brigas nem ressentimento ao estilo americano, ninguém tinha problema em ser chamado carinhosamente de "negão", e a mulata era a tal. Agora parece que querem acabar com isso, através das cotas raciais que geram confusão, da desapropriação de terras para falsos quilombolas, da promoção do ódio de classe, dos movimentos negros cada vez mais radicais.

Parece que alguns só ficarão felizes quando no Brasil houver conflitos raciais a céu aberto como o que ocorreu em 1992 em Los Angeles. Aí sim, eles comemorarão: "Finalmente chegamos ao Primeiro Mundo!"...

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Afinal, as raças existem?

O deputado Bolsonaro corre o risco de ser processado por racismo pela Preta Gil.  É por ter chamado a Preta Gil de "preta"? Não, mas por ter respondido de forma um pouco confusa a uma pergunta no programa CQC. Ela perguntou se ele deixaria seu filho namorar com uma negra. Ele respondeu:
"Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro este risco e meus filhos foram muito bem educados. E não viveram em ambientes, como lamentavelmente é o teu."
Há duas interpretações sobre sua frase. A primeira é que, como o próprio Bolsonaro alega, tenha sido um equívoco. Ele diz ter entendido que a pergunta era sobre homossexualidade. Bolsonaro, afinal, diz ser casado com uma afro-brasileira: "Meu sogro é negão", ele diz. (Só falta agora o sogro processá-lo também por racismo...)

Mas haveria uma interpretação literal da resposta, que é a que Preta Gil alega: que, segundo Bolsonaro, os filhos "foram muito bem educados" e portanto "não correm o risco" de namorar negras...

É provável que Gil tenha um bom caso nas mãos, mas não vejo tanto motivo para tanta polêmica. Em primeiro lugar, pelo que pesquisei os dois filhos de Bolsonaro são maiores de idade, um já tem até 30 anos, portanto podem fazer o que bem entenderem sem seguir os conselhos do pai. Em segundo lugar, agora não se pode nem manifestar uma preferência? Será que um dia vai ser "homofobia" declarar que você prefere que seu filho namore uma mulher?

No mais, como o Janer Cristaldo observa, o problema mesmo é quando um "branco de direita heterossexual" fala alguma coisa. Os outros não tem problema algum em manifestar sua preferência racial ou sexual. No outro dia mesmo li o artigo de uma afro-americana que estava preocupada com um bebê negro adotado por um casal gay filipino. Tinha medo de que a criança virasse homossexual? Não, estava preocupada com a futura "identidade racial" da criança... 

O curioso disso tudo é o seguinte. No Brasil, tanto a direita quanto a esquerda afirmam que "não existe raça". Aliás, nos EUA também. "Isso é que nem chifre, é só uma coisa que colocaram na sua cabeça", dizem. Mas então, como pode existir "racismo", se não há "raças"? Evidentemente, há algo de errado aí.

O que significa "raça"? Talvez seja a palavra equivocada, mas é fato que diversos grupos humanos apresentam caracteres físicos e até psicológicos diversos, os quais são transmitidos geneticamente de geração para geração. Daí, pode haver debates sobre o que exatamente constitui uma "raça", especialmente em um país como o Brasil em que praticamente todos, eu inclusive, têm uma origem bastante "misturada". Agora, dizer que as diferenças entre os pigmeus africanos e os escandinavos são só uma "ilusão" ou uma "construção social" é negar quase todos os estudos realizados até agora a respeito.

Mas há uma razão para a polêmica, e para a proibição, ao falar em raça ou mesmo em genética: o medo, relativamente compreensível, da volta a uma sociedade segregada por raças, na qual a raça A oprime a raça B ou C ou D. 

Descendentes de negros e índios costumam ter menor presença nas elites do Brasil, e maior presença entre a massa dos pobres. Para a esquerda, a explicação é simples: herança do racismo e da opressão, triste resultado da escravidão e colonização de negros e índios por imperialistas europeus. Pode ser, mas -- tabu! -- e se fosse o contrário? E se fosse que tais grupos nativos foram dominados, escravizados e colonizados tão facilmente pelos europeus malvados justamente por terem menores habilidades intelectuais ou civilizacionais?

Tal era a visão "racista" até meados do século XX, e se tal visão hoje mudou foi menos devido a estudos científicos e mais devido ao mau uso que certas ideologias totalitárias fizeram deles, gerando até um temor em se discutir a mera possibilidade de diferenças raciais.  

Vejam bem, estou longe de querer propor o ódio racial, e acho que, como religião ou sexo, raça é um tema muito complicado de discutir, talvez o mais complicado de todos. Talvez por isso hoje a direita prefira mesmo não mexer nesse vespeiro e dar a todos o benefício da dúvida, querendo apenas leis iguais para todos os indivíduos, independentemente de sua religião ou raça, no que estou de acordo. A esquerda é que parece empenhada em reerguer esse fantasma e criar uma nova sociedade baseada em conceitos raciais.

Não acredito nem na segregação racial nem na ação afirmativa. Conheci pessoas negras fabulosas aqui nos EUA. Admiro várias figuras da cultura negra americana, de Miles Davis a Thomas Sowell. Isso sem falar no recentemente descoberto Walter Williams, que é contra as cotas e que pode ser visto aqui em excelente entrevista com legendas em português (lamentável apenas o despreparo do repórter global, branco e imbecil).  

Acho mesmo que uma sociedade "racialmente cega" que não discrimina (nem negativamente, nem positivamente) seja melhor. E por isso mesmo admiro o trabalho do Demétrio Magnoli, embora ache curioso que hoje seja a direita quem fala que "não existem raças", e a esquerda quem fala em "sangue negro", "sangue branco" e "patrimônio genético dos mestiços". Uma inversão de papéis: hoje é a esquerda quem promove o racismo no Brasil, ainda que seja um racismo ao contrário, dos outros grupos contra os brancos.

Ah, mas ia esquecendo: racismo contra brancos não é racismo, como bem explicou uma ex-Ministra de Inclusão Social.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Colonos judeus e nacionalistas brancos

O assassinato por um palestino de uma família de colonos israelenses a facadas, incluindo uma criancinha de três anos e um bebê de três meses, causou escândalo na comunidade internacional.

Não, que digo? Salvo um que outro editorial, causou bocejos nos EUA e Europa e comemorações em Gaza, com palestinos distribuindo doces. Os colonos israelenses, afinal, "ocupam território ilegalmente", são comumente comparados aos "nazistas", e portanto merecem morrer (aqui uma matéria sobre o massacre: aviso, há fotos gráficas das vítimas).

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Quem é mais racista?

Às vezes a esquerda vai tão, mas tão à esquerda que termina indo parar na direita.

Pensei nisso lendo o artigo de um certo Stephen Kinzer, no jornal comuno-chique The Guardian. O artigo se chama "O imperialismo dos direitos humanos".

O artigo até que começa bem, criticando as organizações de Direitos Humanos. Só que seu argumento não é que não façam bem o serviço, ao contrário: é que estas seriam demasiado exigentes com governos do Terceiro Mundo, querendo noções universais de direitos humanos que não se adequariam as realidades locais. A partir daí, Kinzer delira, e passa a afirmar que a noção de Direitos Humanos é uma "arma imperialista" criada por "homens brancos em New York" para infernizar a vida de africanos, árabes e indígenas exigindo-lhes tarefas impossíveis.

Kinzer cita o exemplo do presidente de Ruanda, Paul Kagame, que é acusado de matar opositores, entre outras medidas não muito amigáveis, embora tenha com essas medidas (segundo Kinzer) impedido um novo genocídio. (Pelo descrito, até que Paul Kagame não parece ser tão ruim para o padrão de governos africanos. E, tendo proibido candidatos de oposição de participarem nas últimas eleições, venceu com 93% dos votos - mais popular do que o Lula! E quase tanto quanto Saddam Hussein, que costumava ganhar eleições com 99% de "apoio popular"...)

A questão  é que, para o articulista, parece ser que querer respeito total aos direitos humanos e às liberdades políticas seria exigir demais dos pobres africanos. Ele acredita que deveriam existir dois tipos de "direitos humanos", um para as sociedades desenvolvidas, e outro de segunda mão para o Terceiro Mundo. 

Curiosamente, saiu recentemente um outro artigo no mais conservador Wall Street Journal, este escrito por um certo Brett Stephens e argumentando que a África no fundo estava melhor sob os colonialistas brancos, e que talvez o continente deveria ser recolonizado. (Tudo bem, os Chineses estão chegando lá). Embora a conclusão seja a oposta à de Kinzer, ambos têm uma visão similar sobre a incapacidade da África de se organizar sob os mesmos moldes de uma sociedade ocidental. 

A direita americana não é racista, bem longe disso. Mas existe uma pequena parte da direita americana que é racista, ou, melhor dizendo, racialista. Não, não são os Tea Parties, que se esforçam para incluir negros e latinos em suas manifestações. Nem os Republicanos, que vivem cortejando os latinos, ainda que sem sucesso. É uma minoria. Sim, alguns são ligados ao movimento White Power ou até a neonazistas, mas não falaremos aqui desta corja.

Refiro-me ao movimento HBD, ou Human Biodiversity, que não pretende exterminar ou segregar ninguém e é "racista" apenas no sentido de que não compra isso de que "não existam raças", mas acredita que existem diversos grupos humanos, cada um com características próprias, seja biológicas, seja culturais. Negros são bons no esporte e na música, asiáticos são bons na matemática, brancos são bons em arte e medicina, etcétera. Longe de serem apenas mitos, tais diferenças estariam justificadas por diferenças biológicas e culturais entre os grupos.

Já a esquerda (e a maior parte da direita) afirma que não existem raças. Mas suas ações são exatamente contrárias a essa suposta crença. Por exemplo, as cotas. Se não existem raças, para que cotas raciais? Se não existem raças, para quê quilombos e reservas indígenas exclusivas para membros de tais, hum, raças? As próprias minorias articulam-se sob o conceito de raça: há mais de uma revista afro chamada "Raça", o movimento mexicanista nos EUA se chama La Raza, etc.

Além disso, a esquerda sempre tem uma atitude paternalista com as minorias, como se estas não fossem capazes de ser julgados pelas mesmas regras do que os outros. Então, a verdade é que tanto a esquerda quanto a direita mais radicais acreditam no fundo que negros, índios, latinos e terceiromundistas em geral são um pouco mais burros, incompetentes, violentos e/ou preguiçosos. A diferença é que a direita radical acredita que tal se deve a diferenças inatas, culturais ou até genéticas. Já a esquerda radical acha que é tudo culpa do homem branco e seu imperialismo malvado (que pelo jeito age até por telepatia, influenciando sociedades do outro lado do mundo).

Assim sendo, também a solução proposta é diferente: a direita isolacionista concorda com Kinzer que esses povos devem ser deixados em paz para criarem seus próprios "direitos desumanos" e viverem ou se matarem como quiserem. A direita "neocon" acha que os brancos devem ajudar os povos menos civilizados através do colonialismo ou da imposição da democracia. Como diz Stephens, "os colonizadores de antanho podiam até ser intolerantes, mas eles também faziam as coisas. Suas colônias eram lugares melhores do que os países-desastre que temos hoje." (Mas essa idéia de um colonialismo altruísta, que visa elevar os menos favorecidos já estava presente até no "velho" colonialismo: recordem o poema White Man's Burden.)

Para a esquerda, entretanto, é anátema sugerir que os brancos ricos se metam a tentar controlar sociedades não-brancas pobres, mesmo que isso possa ser melhor para elas, mas negros, pobres e pardos se oprimindo entre si não são um problema. A recente Guerra do Congo matou mais de 5 milhões de pessoas em 4 anos, você ouviu algum protesto? Nem eu. Mas para essa mesma esquerda, querer que africanos, árabes e indígenas sejam menos violentos ou que respeitem democracia e direitos humanos seria exigir demais dos coitadinhos. Melhor ainda se essas minorias, em vez de brigarem tanto entre si, puderem se vingar do "demônio branco" e ajudar a destruir a sociedade ocidental. Ou seja, além de desprezar negros, indígenas e árabes, eles também odeiam os brancos. 

Quem é mais racista?

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Homem, branco, heterossexual, cristão: espécie em extinção?

Tem lei que protege negro, tem lei que protege índio, tem lei que protege gay, tem lei que protege mulher, e tem lei que protege o mico-leão dourado. Existe uma única categoria que, hoje em dia, não tem direito a qualquer proteção especial. É o homem branco heterossexual e cristão.

Se fazem uma propaganda que  estereotipa os negros (ou os docinhos de chocolate, mas aparentemente é a mesma coisa), todos reclamam. Se fazem uma propaganda tirando sarro do homem branco, não há a quem reclamar.

Eis uma foto triste: uma índia que mais parece versão carnavalesca de uma filha da tribo navajo entregando o prêmio "motosserra dourada" à deputada Kátia Abreu. Coisa de ONG internacional que nem sabe como são os índios locais. A foto tenta requentar o velho mito de que os índios preservariam a Natureza melhor do que o homem branco. Mentira. Os índios antigos foram os que inventaram a queimada e colocaram animais em extinção, eram nômades porque ficavam em um pedaço de terra até exaurir todos os seus recursos naturais, e uma vez esgotados, se mandavam para outro canto da floresta. Já os índios de hoje terceirizam: preferem alugar ou vender ilegalmente suas terras ao homem branco para que este possa cortar a madeira.

O fato é que a civilização ocidental foi criada em sua maior parte por homens, brancos, heterossexuais e cristãos. Sim, houve muitas mulheres que contribuíram para o avanço da sociedade, da tecnologia, da cultura e das artes, e certamente muito homossexuais também. Houve judeus e muçulmanos que tiveram contribuições inestimáveis e invejáveis, e não falemos das milenares civilizações asiáticas e hindus, que também influenciaram o Ocidente. Mas, convenhamos, a maior contribuição é mesmo a de dead white men como Shakespeare e Newton.

Porém, hoje vivemos em uma época em que esse tal Ocidente é visto com desprezo pela grande maioria dos próprios ocidentais. O HBHC não só não tem proteção, como é visto como o culpado por tudo. Mas quem mais odeia o Ocidente são os próprios ocidentais: é um forma de suicídio. Eis uma frase do marxista e pós-modernista (mas me repito) francês Guy Debord: "Meu otimismo se baseia na idéia de que esta civilização cedo ou tarde desmoronará".

Ora, se a civilização realmente desmoronar, o que virá a seguir não é o paraíso socialista, mas o caos, o terror, a violência, a miséria, a morte e a fome. Não dá para entender o entusiasmo desse pessoal. Será que eles acham que continuarão tendo a sua coluninha de jornal quando tudo for para o brejo?

As coisas (perdão pelo trocadilho infame) estão pretas. A raça branca ou caucasiana constitui apenas 10% da população terrestre e parece diminuir cada vez mais devido à sua baixa taxa de natalidade, somada à alta taxa de natalidade de imigrantes de outras extrações. O número de heterossexuais, embora maioria, vive acuado por leis cada vez mais restritivas contra quem ousa criticar o homossexualismo. E os cristãos são violentamente perseguidos em dezenas de países e, mesmo nos países ainda nominalmente cristãos, também estão acuados pelo secularismo, encontrando-se atualmente em plena decadência.

Segundo alguns estudos, o cristianismo será superado pelo islamismo na Europa em 2050, e o homem branco será minoria nos EUA em 2024. E os gays? Bem, segundo recentes pesquisas (quero crer que falsas ou exageradas), já quase 20% dos homens no Rio de Janeiro são viados (e depois falam dos gaúchos...) e há uma troca de sexo a cada 12 dias no Brasil.

A coisa está dura (com o perdão novamente pelo trocadilho infame). Este blog vai terminar lançando um Movimento pela Preservação do Homem Branco Hetero Cristão! Salvem as baleias, e a nós também...

domingo, 7 de novembro de 2010

Paulistas que odeiam nordestinos e brancos que odeiam brancos

Sou provavelmente um dos poucos que acha que esse negócio de crime de racismo (e a planejada lei anti-homofobia) é uma estupidez.

No outro dia, por exemplo, chamou a atenção da imprensa internacional o caso da pobre moça paulista, Mayara Petruso, que pode ser condenada a até dois anos de prisão por uma mensagem tola contra os nordestinos no Twitter e Facebook. Nem a família ficou do seu lado! (E, como ela esteve longe de ser a única a escrever mensagens do tipo, tampouco fica claro porque foi escolhida como única vilã). Vai aqui minha solidariedade a ela. O Reinaldo Azevedo fez um bom texto sobre o tema, embora ele não discuta a questão da injustiça da lei anti-racismo em si. Lei que não deveria existir.

Os nordestinos, diga-se, contribuíram muitíssimo para a cultura do Brasil e o crescimento de São Paulo, e a visão destes como meros ignorantes mortos de fome está muito longe da atual realidade.

Porém, que uma jovem possa ser presa e ter problemas por toda a vida devido a uma mensagem cretina enquanto tantos outros matam e roubam e não são punidos, é um absurdo. Imagine que, aqui nos EUA, todos os que escrevessem mensagens racistas contra os "rednecks" fossem presos. Não haveria cadeia que bastasse!

Não entendo esse preconceito dos paulistas contra os nordestinos, mas as rivalidades regionais existem em todo e qualquer país, Itália, EUA, França, Alemanha. E o preconceito contra gaúchos, acusados de homossexuais? Vamos prender todos os que contam piadas de português também?

Além disso, há racistas e há "anti-racistas" que são ainda mais chatos. O positivista aqui da casa no blog vive incomodando sobre os supostos brancos americanos que odiariam o negro Obama. De acordo com ele, um presidente negro deveria ser intocável. A mim mais chama a atenção o caso dos brancos que odeiam os brancos, ou melhor, que odeiam a si mesmos.

Eis por exemplo aqui um branquelo "anti-racista" americano que está pregando alegremente o genocídio de brancos. Torce para que o seu país fique logo pardo e mexicano, e os malditos brancos racistas desapareçam. 

Sou contra as leis anti-racismo por que, se você pensar bem, são na verdade leis que protegem apenas certos grupos, tidos como vítimas, e não outros, tidos como opressores. São leis contra os paulistas, contra os brancos, contra os asiáticos, contra os heterossexuais, contra os cristãos.

E, além disso, já existe uma lei que protege nos casos de injúria e difamação. Para que é necessária outra específica para cada grupo étnico ou cada preferência sexual?

 Um presente para Mayara.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Afro-americanos e afro-brasileiros

Os americanos, como já observei há algum tempo atrás, são obcecados com a questão racial, e este blog, um pouco por influência disso, começou a tratar do problemático e politicamente incorretíssimo tema. Sei que no Brasil isso dá até cadeia, mas fazer o quê?

Muitos, mesmo na direita, prefeririam nem tocar nesse espinhoso tema. Porém, como os próprios leitores em recente pesquisa pediram para o Blog do Mr X "ser ainda mais politicamente incorreto e chutar o pau da barraca", vou nessa direção. (Já adivinho o Bitt me acusando de racista, reacionário e canalha, dane-se: 60% dos leitores não podem estar errados.)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Malditos racistas!

O governo Obama finalmente encontrou uma razão para criticar os terroristas muçulmanos: a Al-Qaeda é racista.

Seria hilário, se não fosse trágico. Ou será o contrário? Agora só falta Obama processar a Al-Qaeda por eles discriminarem os homossexuais, as lésbicas, os vegetarianos, e não se importarem com o aquecimento global.

Será que ser racista é pior do que ser terrorista?

Um dos nomes mais engraçados que a esquerda dá a si mesma, ao menos aqui nos EUA, é "reality-based community", ou "comunidade baseada na realidade". É delírio demais. Mas a verdade é que a esquerda não só não entende o mundo, como não entende que não o entende. Pode um louco ser convencido de que ele não é Napoleão?

Os EUA são um país obcecado com o racismo, como mostram vários eventos ocorridos nas últimas semanas. A maior acusação na América, hoje, é chamar alguém de "racista" e, de fato, os progressistas usam e abusam do método para silenciar seus oponentes. Quase sempre funciona. Mas a palavra já não tem qualquer sentido. O que é ser racista? Ninguém sabe, como mostra este documentário aqui.

Antes diziam que Obama jamais seria eleito presidente, pois os EUA eram um país "fundamentalmente racista". Agora que o homem foi eleito, as acusações continuam. Se você é contrário a Obama, você é racista. E, de fato, os afro-americanos são os únicos que continuam apoiando Obama em quase 90%, o mesmo nível desde sua posse. Já a cotação entre hispânicos e brancos despencou.

O fato é que a divisão racial no país só está aumentando com Obama e suas desastradas políticas. O negócio é rezar para que esta tensão fique apenas nas acusações de racismo, e não termine descambando para a violência real. 

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Por que tanto ódio no coração?

Ultimamente tem aparecido um comentarista muito chato que odeia os judeus. Especialmente os judeus americanos. Considera-os uma quinta coluna disposta a tudo para trair e destruir o país.

Porém, ele não é o único. Surpreendentemente (ou não) há muitas pessoas nos EUA que desejariam ver os judeus pelas costas. Tanto à esquerda quanto à direita. A diferença talvez seja que a esquerda quer os judeus fora de Israel, e a direita (bem, alguns direitistas paleocons, como Pat Buchanan) quer os judeus fora da América.

Mas a América não seria a América sem os judeus.

Como entender a América sem Billy Wilder, sem Albert Einstein, sem Richard Feynman, sem Philip Roth, sem Saul Bellow, sem Bashevis Singer, sem os irmãos Marx, sem Larry Page e Sergey Brin, sem Lauren Bacall, sem Hedy Lamarr, sem Woody Allen, sem Bob Dylan, sem Spielberg, sem Seinfeld?

Vejamos o caso de Billy Wilder. Nascido na Áustria, foi para Berlim, tendo que fugir com a chegada do nazismo. Sua mãe, sua avó e seu padrastro terminaram mortos em Auschwitz. Mesmo assim, Wilder, já cidadão americano, virou um dos melhores diretores de cinema da história, autor de dezenas de clássicos da "era de ouro de Hollywood" (o tempo em que os americanos ainda faziam filmes para adultos).

(É claro que também existem figuras como Bernie Madoff, mas qual grupo não tem seu vilão?)

A mesma coisa acontece com os negros. Há quem os critique, citando testes de QI, apontando a pobreza e degradação moral dos hoods, e observando que coletivamente cometem sete vezes mais crime do que o resto da população.

Mas a América não seria a América sem os negros.

Como entender a América sem Billie Holiday, Nina Simone, Ella Fitzgerald, Cab Calloway, Muhammad Ali, Louis Armstrong, James Brown, James Baldwyn, Richard Pryor, Gary Coleman, Sammy Davis Jr, Michael Jordan, Martin Luther King, Samuel Jackson, Ralph Ellison, Thomas Sowell?

(Como contra-exemplo infame, temos o O. J. Simpson)

O primeiro filme sonoro americano, "The Jazz Singer", curiosamente não era nenhuma história de WASPs. Tratava de um judeu que queria cantar jazz, que na época era considerada "música de negros". O ator escolhido para o filme, Al Jolson, foi um dos primeiros astros judeus, e é também famoso por ter ajudado colegas músicos negros como Cab Calloway, o verdadeiro inventor do "moonwalk".

Se os judeus fossem expulsos, a América seria muito mais pobre. Se os negros fossem expulsos, a América perderia muito de sua cultura e vitalidade.

É por isso que eu digo, os únicos que devem ser expulsos são esses malditos cucarachas latinos, que não contribuem em nada.

(brincadeira, pessoal).

* * *

E este sujeito aqui? Yisrael Campbell (nome original Chris), americano da Pensilvânia, metade irlandês, metade italiano, portanto católico da gema,  já adulto decidiu converter-se ao judaísmo, não uma vez, mas três (primeiro ao judaísmo reformista, depois ao conservador, e finalmente ao ortodoxo). Mora há sete anos em Israel onde é um comediante. Mais um quinta-coluna safado, que provavelmente se converteu apenas pelo humor - afinal, todos sabem que os comediantes católicos não costumam ter tanto sucesso.

* * *

"Por que vês o argueiro que está no olho de teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho?" - Jesus H. Christ

terça-feira, 20 de abril de 2010

Coesão social em sociedades multiculturais


No post anterior falei sobre uma sociedade que não parece andar muito coesa, a sociedade sul-africana. O que faz a coesão de uma nação? Apenas a raça? Na verdade, não. Esse é apenas o método mais primário, podíamos até dizer mais primitivo. É o mesmo princípio pelo qual se organizavam as tribos de cavernícolas a centenas de milhares de anos.

Tanto os supremacistas brancos quanto os supremacistas negros (eles existem, na África) querem o retorno a uma organização social coesa, baseada na coexistência entre semelhantes da mesma "tribo". Ei, não há nada de necessariamente errado em sociedades monoraciais ou monoculturais (desde que não envolvam genocídio ou outras formas de violência). Elas são, de fato, mais estáveis do que as sociedades multiculturais.

Mas há outros métodos para manter a coesão, especialmente nesta época em que, até por razões tecnológicas, as distâncias globais diminuíram. A religião, por exemplo. Se toda uma nação segue uma mesma orientação religiosa, é possível que sejam de grupos étnicos ou origens diversas, mas manterão a harmonia por acreditarem nos mesmos princípios básicos. (Por outro lado, as sociedades que se dividem significativamente em religiões diferentes tendem ao conflito interno, mesmo que sejam da mesma origem étnica ou racial - pensem nas antigas perseguições religiosas entre católicos e protestantes em vários países europeus).

Na Europa, a coesão social era dada pelo nacionalismo (tribos de espanhóis, alemães, franceses, etc.) e pela religião. Em um momento em que a religião está quase que totalmente diluída pelo secularismo, e o nacionalismo é atacado pela imigração e pelo fim das fronteiras internas, a sociedade inicia a perder a coesão. O que tem em comum um francês católico do interior da Bretagne com um imigrante muçulmano dos banlieues?

Bem, há outra forma de manter a coesão social - através do autoritarismo. O Estado Superpoderoso que impede conflitos internos através da força bruta, ou da ameaça de força bruta. Foi assim que a União Soviética pôde se manter coesa, bem como a Iugoslávia comunista, ambos "países" formados por vários povos de etnias e religiões diversas. Sintomaticamente, ambos modelos ruíram com o fim do comunismo. (Não sei se a Europa escolherá esse caminho autoritário, que é o que quer a esquerda, ou se retornará ao velho nacionalismo étnico, que é o que quer a direita).

Os EUA não são como a Europa. Aqui o que segura a sociedade é outra coisa -- a Constituição. Sim, a maioria de religião cristã é também importante (o país não funcionaria da mesma forma se tivesse, digamos, 20% de muçulmanos), mas o fato é que aqui existe uma porção numerosa de judeus, hindus, católicos e protestantes, sem que hajam conflitos religiosos de marca maior. E as "tribos" que o formam são numerosíssimas. Nem raça nem religião (ainda que, atenção, ambos sejam importantes, e não é nem um pouco certo que um EUA de minoria branca e cristã siga coeso): porém, a Constituição Americana é que é o documento que é citado de forma quase religiosa por quase todos os americanos, e é um dos principais fatores de coesão no país. Por isso os ataques de Obama à Constituição, sobre a qual afirmou que seria "defeituosa" por não prever a distribuição de renda, são tão perigosos. Parece que os Democratas preferem o método de coesão do "Estado superpoderoso".

E o Brasil? Aqui não tem religião única, muito menos raça única, e a Constituição é pouco mais do que uma piada. O que explica a sua manutenção como país? Eu diria que a grande idéia sobre a qual o Brasil se organizou é justamente a mestiçagem. Existem pessoas de todos os lugares no país. Todos somos misturados e, se não somos, certamente parte de nossos amigos e parentes o são. A religião, através do sincretismo religioso, segue o mesmo modelo (que só agora, com a chegada dos evangélicos, parece estar dando os primeiros sinais de conflito). Se há divisão, é acima de tudo entre classes sociais e, secundariamente, entre regiões. A raça aparece apenas como terceiro fator (ainda que a própria divisão social tenda a gerar uma divisão parcialmente étnica).

Por isso também a idéia de Lula de separação racial - dar "terras indígenas" para índios que nem mesmo são mais índios, mas descendentes, e expulsar os fazendeiros "brancos" (que tampouco são exatamente brancos, mas misturados -- o próprio presidente da Associação de Arrozeiros de Roraima é de origem japonesa) - é estúpida e contraproducente, criando uma divisão e um ressentimento que não existiam antes no país, além de ter sido péssimo para a economia da região, como bem aponta o Reinaldo Azevedo. Tendo vivido tanto no Brasil como nos EUA e na Europa, posso dizer com certeza que o Brasil é o menos "racista" e "xenófobo" desses países (uso os termos entre aspas porque são termos que de tão abusados quase perderam seu sentido hoje em dia), ainda que tenha também seus problemas. Mas medidas demagógicas como essa não ajudam à coesão social.

Se os índios podem ter suas terras exclusivas em Roraima, isso quer dizer que alguns colonos de origem alemã em Santa Catarina poderão finalmente criar seu volkstaat? E, se não, por que não? Como mostra a situação na África do Sul, o pêndulo da divisão racial e social pende para os dois lados. Lula e seus amigos deveriam pensar melhor no tipo de Brasil que desejam criar. Poderão se arrepender amargamente de suas escolhas.