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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Para onde vai o homem branco?

Este vai ser provavelmente o último post que faço sobre raça (o tema parece conduzir ao bitolamento). Segundo recentes estudos, apenas 27% das criancinhas californianas são brancas. A grande maioria são de origem latina, isto é, mestiços hispano-ameríndios mexicanos (51%). Criancinhas negras são apenas 6% (os mexicanos afastam os negros?), o que é compensado pelo aumento de asiáticos, indianos, etc. Em todos os EUA, o número de crianças brancas está diminuindo proporcionalmente em relação à população total. Crianças são o futuro, certo?

Na Europa, os muçulmanos e outros imigrantes "escurinhos" ainda são minoria (não chegam a 10%), mas têm uma fertilidade maior do que os brancos nativos, continuam imigrando a mil, e é provável que repitam o que já ocorreu nos EUA. Alguns dizem que "não devemos nos alarmar", mas, ora, alguém nos anos 50 imaginaria que os EUA teriam maioria não-branca em poucas décadas? Na Inglaterra, uma em cada seis crianças em idade escolar já não tem o inglês como primeira língua. Eu já disse que as crianças são o futuro?

Situação difícil

sábado, 28 de abril de 2012

O papel das mulheres e do feminismo na crise da civilização ocidental


Exhibit A - No outro dia, em um hotel perto de onde moro, percebi um enxame de mulheres adolescentes acampadas, aguardando ansiosamente alguma coisa enquanto trocavam gritinhos excitados e mensagens de celular. Pouco depois, um grupo de jovens homens de alguma (para mim) totalmente desconhecida boy band saiu à porta do hotel, acenando. Caos e confusão seguiram-se, enquanto as jovens se atropelavam tentando aproximar-se e tirar fotos com seus ídolos.  

Exhibit B - Um dia antes da premiere de Twilight, com presença do ator principal, centenas de mulheres de todas as idades mas principalmente adolescentes faziam fila na frente do cinema. Iam passar a noite na rua em um dos dias mais frios do ano, tudo pela chance de chegar perto de seu amor.

Exhibit C - Em um trote que talvez poderia ser melhor definido como um experimento científico, um jovem americano, graças a um esperto estratagema, conseguiu fingir-se de famoso. Chegando sendo filmado e trazendo consigo uma claque de admiradores (na verdade, um grupo de amigos), e tendo espalhado rumores que se tratava do "famoso Thomas Elliot", supostamente ator em Spiderman e The Hunger Games, quase parou as compras em um shopping enquanto mulheres excitadas o seguiam, pediam autógrafo e tiravam fotos com ele.

O que estaria acontecendo? O comentário mais votado no vídeo do trote diz o seguinte:

O que estamos vendo em essência é o sistema LEK de acasalamento (mulheres competindo por alfas). É por isso que o patriarcado e a restrição na escolha sexual feminina é necessária. Se as mulheres são as que escolhem, a maioria escolhe trepar com très per cento dos homens, com o resultado que a maioria dos homens param de investir em filhos e na posteridade, e assim as sociedades que não restringem a escolha sexual feminina tendem a desaparecer. 

É fato que 90% das mulheres estão interessadas em 10% dos homens - os mais bonitos, os mais ricos, os mais poderosos ou então os mais fortes e agressivos. Por algum motivo, que deve ter a ver com a pré-história onde o importante era caçar mamutes e proteger a mulher de outros homens violentos, as mulheres são atraídas mais pela força do que pela inteligència, ainda que na sociedade atual a inteligència seja um fator mais importante para o sucesso do que a força bruta. Não importa - os nerds são universalmente desprezados pelas mulheres, e a única inteligência que é apreciada é aquela que se traduz em um gordo contracheque. (Isso também está por trás do emburrecimento coletivo do Ocidente).

Não é segredo para ninguém que as mulheres gostam de bad boys. Vejam aqui esta jovem que viajou da Alemanha para a Noruega e tentou invadir o tribunal para chegar perto do seu ídolo, de quem dizia ser namorada. Quem era o superstar por quem ela estava tão interessada? Isso mesmo, Anders Breivik, assasino de dezenas de adolescentes...

O problema é que o feminismo exacerbou essas tendèncias negativas femininas. Hoje grande parte das mulheres não depende mais financeiramente de homem nenhum, podendo então deixar de lado o casamento (que basicamente sempre foi um contrato, as mulheres davam sexo e filhos, os homens em troca proviam o seu sustento) e aproveitar a independência para caçar alfas. A série Sex and the City era mais ou menos sobre isso.

Em alguns casos, essa atitude das mulheres chega próxima da prostituição. Conheço uma jovem que está saindo com uma espécie de sheik árabe que a leva para passear em seu iate. O sheik é feio, mas seu dinheiro o torna bonito...

De qualquer modo, as mulheres parecem ter maior atração por estrangeiros do que os homens, e portanto tendem também a ser maiores fãs da imigração ilimitada, assim como tendem a ser mais de esquerda do que os homens. Já vi muitas louras esfregando-se luxuriosamente em negros e árabes nos nightclubs da cidade, mas o oposto - homens em busca de negras e árabes - é bem mais raro. Os homens Beta, desprezados pelas brancas, procuram são as asiáticas, vistas como mais submissas e tradicionais.

O feminismo e a revolução sexual foram assim, em resumo - ótimos para os alfas, péssimos para os betas, e para as mulheres uma vitória pírrica. Sim, enquanto há beleza e juventude a mulher bonita pode fazer o que quiser, mas e depois? Não sei se já aconteceu com você, mas comigo sim. Mulheres gostosas que quando eu tinha vinte anos não me davam nem a hora, quando passam dos trinta e ainda não casaram começam finalmente a se interessar. Quanto às mulheres beta, terminam solteiras e gordas sem jamais ter filhos, ou em muitos casos como maes solteiras sustentadas pelo Estado.

O problema é especialmente grave na América, onde as mulheres atingiram uma independência extrema e ao mesmo tempo, graças ao consumismo, são de uma superficialidade e de uma vapidez cultural sem igual, dando origem a um movimento masculinista e uma série de blogs chamados coletivamente de "manosphere". Recentemente tais blogs foram acusados pelo grupo esquerdista SPLC de serem "instigadores do ódio", o que significa que estão chamando a atenção. O famoso blog do Heartiste é um dos mais interessantes, mas também tem o Whiskeys Place, que observa a atual degradação do sistema como um todo. Um outro site de defesa do homem Beta é o Spearhead.

O problema principal é que com a hipergamia feminina a maioria dos homens perde mesmo o interesse em preservar o sistema. Preservar o quê, afinal? Para que ele vai trabalhar como um cão se ele não vai comer ninguém, ou se seu salário vai servir para pagar o welfare de estrangeiros que comerão as loiras gostosas enquanto ele fica na mão?

Qual a solução? Não acho que seja fazer com que as mulheres voltem à cozinha e percam a sua independência, mas claramente alguma coisa precisaria mudar para que os homens Beta, que são no fundo aqueles que mantém o status quo, voltem a se interessar na preservação da sociedade. Ou então a crise demográfica do Ocidente vai continuar.

Ou então, as culturas poligâmicas e machistas (como o islamismo) vencerão.



segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Amores suicidas

Uma certa melancolia me invade às vezes, especialmente quando contemplo as relações amorosas e seus ocasionais resultados trágicos.

O blogueiro Sérgio de Biasi suicidou-se.

Nunca conheci o Sérgio, mas há tempos acompanhava O Indivíduo, desde quando ainda era uma parceria com o Pedro Sette, outro excelente escritor. Ele era pouco mais velho do que eu, fazia praticamente parte da mesma geração e, acho, tínhamos certas coisas em comum. 


terça-feira, 2 de agosto de 2011

Mulheres violentas

Chega de falar de raça, assassinos em massa e outros temas desagradáveis. Let's talk about sex, baby! Vamos falar sobre sexo e relações humanas. A pergunta do dia é: Será que a sociedade contemporânea está tornando as mulheres mais loucas e mais violentas?

Três casos recentes aqui na Califórnia de mulheres violentas chamaram a atenção da mídia. O mais comentado foi certamente o da mulher que cortou o pênis do marido e, pra não dar nem chance de reposição cirúrgica, jogou o órgão no triturador. Não se sabe o motivo, mas aparentemente tinha a ver com uma briga fútil sobre receber ou não visitas em casa. O casal já estava anteriormente em processo de divórcio e não tinha filhos. Eram casados há pouco mais de um ano, aliás. A mulher, aparentemente descontente com o divórcio, colocou uma droga no jantar do marido, o amarrou na cama e cortou o seu bilau. Para que tanta maldade? Vejam que doce de esposa:



Mas esse caso não é o único de uma mulher violenta causando graves danos ao marido ou parceiro. Recentemente, uma outra moça atropelou o namorado, duas vezes, simplesmente porque este ousou falar mal da mãe dela. Credo, agora é preciso gostar da sogra? Olhem a cara da queridinha:


E, finalmente, houve uma mulher que empurrou o marido da janela do décimo-sétimo andar após uma discussão. Ela estava grávida. Ele morreu. Segundo a reportagem, ela já batia no marido há algum tempo. Sim, ela era a violenta na relação. Pela foto, ela mais parece um anjinho incompreendido:


Alguns estudos parecem apontar que a violência feminina contra seus parceiros está aumentando. As estatísticas não mentem: há muito mais homens apanhando das mulheres do que há anos atrás. Vejam por exemplo o que anda acontecendo na Inglaterra, onde a violência feminina aumentou 400%, representando já quase a metade dos casos de violência doméstica. 

Mas qual o motivo? Tensão pré-menstrual permanente causada pelos hormônios inseridos nos alimentos processados? A mídia que mostra mulheres franzinas dando uma surra em homens fortões? Os videogames com heroínas como Lara Croft? Ou seria tudo culpa do feminismo? 

O feminismo certamente tornou as mulheres mais exigentes e mais chatas, mas não as tornou necessariamente mais felizes. Talvez essa frustração seja parte da causa da violência feminina. Ou será que haveria outras razões? A verdade é que a sociedade como um todo parece ter se tornado mais violenta nas últimas décadas, e portanto é possível que isso tenha terminado por contaminar também as mulheres. 

O problema é que o homem é por default quase sempre considerado o culpado, e portanto termina sendo discriminado nos tribunais. Nos divórcios e nas brigas pela guarda dos filhos, quase sempre quem sai ganhando é a esposa, mesmo que esta seja uma víbora sem coração. Como a mulher já não precisa de um homem para sustentá-la, ser mãe solteira pode ser um ótimo negócio.

É por isso que, ao menos nos EUA, surgiu um movimento e uma série de blogs e sites antifeministas para lutar pelos direitos do homem. Um deles é o Spearhead, mas há muitos outros. 

O fato é que, especialmente nos países mais desenvolvidos (onde, não por coincidência, o feminismo mais avançou) há um número cada vez maior de homens insatisfeitos, seja porque não conseguem uma esposa, seja porque esta o trai com um aluno, ou se divorcia em dois anos levando as crianças e todo o seu dinheiro, seja porque simplesmente as coisas não estão fáceis nas relações.

Já falamos sobre a questão dos homens "alfa" e "beta", mas não falamos sobre a hipergamia, que seria uma constante na psiquê feminina, exacerbada pela revolução sexual e pela independência financeira feminina. Basicamente, 80% das mulheres estão interessadas em 20% dos homens. Mas e os outros 80% dos homens, fazem o quê? Viram gays? Ah, acho que começo a entender o gayzismo...

A situação é especialmente terrível na China, onde a política estatal de permitir um só filho por casal gerou um grave desequilíbrio entre os sexos, já que as famílias preferem ter um filho homem e abortam as meninas. Hoje há apenas 40% de mulheres para 60% de homens. Mas, repito, essas poucas mulheres só estão interessadas em uma minoria desses muitos homens. Recentemente houve uma série de casos de homens solitários na China que mataram crianças em jardins de infância. Os casos, apesar de bárbaros, têm uma explicação: são homens que não se reproduziram que estão matando, por raiva, as crias dos outros. Acontece muito no mundo animal, por que não poderia acontecer no mundo humano também?

Por outro lado, não sou partidário de que a mulher volte ao tanque e à cozinha. Para mim o feminismo foi relativamente bom (afinal, sou alfa e estou entre os 20% de sortudos, ah ah): como diz o Chesterton, "It's Miller time!". A mulher trabalha e ajuda com as despesas, o homem pode descansar mais. Está certo que ainda não casei, e estaria mais do que na hora, mas aqui nos EUA com as überfeministas a situação está bem complicada para quem quer alguma coisa duradoura. Se a leitora Bárbara prometer não cortar o meu pênis, será que ela aceitaria ser a mãe dos meus filhos? 

Concluo com uma cena do filme mais doente já feito sobre a "vingança das feministas":

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Pais idiotas, filhos tristes

No outro dia falamos sobre a questão dos nomes de bebês. Pois aqui há um caso ainda mais curioso: não apenas o bebê teve a infelicidade de receber o nome "Storm" (Tempestade), como ainda por cima seus pais decidiram que ele crescerá "sem gênero definido". Não dirão seu sexo nem a ele, nem a quem perguntar, para que ele "possa escolher por si mesmo".

A coisa vem de família. Os outros irmãos já se vestem como meninas. Um tem até trancinha.

Os pais? Hippies tardios, progressistas full-time, moram no Canadá mas estiveram no México com os zapatistas e em Cuba com os comunistas. Dizem que não querem interferir nas escolhas dos filhos, e que os pimpolhos devem decidir tudo por si mesmos, mesmo antes de aprender a falar.

Muitos progressistas vivem dizendo o que os outros devem fazer, mas são suficientemente espertos para não fazer experimentos com a própria vida ou a de seus filhos. Por exemplo, a colunista canadense de esquerda Heather Mallick, que comenta positivamente o caso admirando a "coragem" dos pais em transformar os próprios filhos em cobaias, faz uma curiosa admissão:
Moro em um bairro todo branco, onde as pessoas fazem abertamente comentários antisemitas, pasta é considerada uma comida estrangeira e o alcoolismo afoga o desespero. As crianças aqui seguem as regras.
Mallick, que é branca, WASP de alta classe (Paquistanesa muçulmana? Ver comentários), despreza os brancos com quem mora mas não se muda para um bairro "multicultural" nem a pau. A mesma colunista antes criticou Sarah Palin pelos nomes dados a seus filhos e chamou-a de "white trash". Curiosamente, ela acha Storm, Kio e Jazz nomes bonitos. Pelo jeito, se você foi a Cuba e morou entre os zapatistas, jamais será "white trash"...

Isso nos leva à velha discussão se os progressistas fazem o que fazem por status (para mostrar aos outros que são superiores, mais bondosos, etc.), ou se o fazem por realmente acreditar que suas atitudes idiotas nos levarão a um mundo melhor. Dirigir um carro híbrido, comprar em caros supermercados exclusivamente orgânicos e beber café de "comércio solidário" são claras marcas de status entre os brancos de classe média e média alta americana, mas outras atitudes mais suicidas não são tão praticadas.

Como eu disse antes, a maioria prega uma coisa e faz outra. Vez por outra, no entanto, alguns pais de QI menos elevado decidem que não basta dizer aos outros o que devem fazer, mas também participar. Foi o caso há alguns anos atrás do casal que matou o seu bebê forçando-o a uma dieta estritamente vegan.

Agora, Storm provavelmente levará uma vida sexualmente confusa, apanhará na escola, virará gay aos 15 e começara a usar drogas aos 16. Mas os pais poderão dizer ao mundo que lhes deram "toda a liberdade do mundo"...

E assim caminha a humanidade.


"Tô ferrado..."

terça-feira, 17 de maio de 2011

Um socialista estuprador?

Um caso bem curioso sacudiu a França e no mundo. (Será que a nossa correspondentena França, Confetti, poderia dar maiores informações?)

Dominique Strauss-Khan, diretor do FMI e provável candidato presidencial na França pelo Partido Socialista, foi preso em Nova York, acusado de tentativa de estupro de uma camareira de hotel.

Por que digo que o caso é curioso? Bem, o sujeito era uma figura muito conhecida e ficou num quarto que custava 3 mil dólares por noite; segundo as acusações, decidiu em um impulso estuprar a camareira que acabara de entrar para limpar o quarto, uma imigrante de Gana de 32 anos que morava há seis anos nos EUA. Não seria mais fácil ter contratado um prostituta?

Embora Kahn tivesse fama de Don Juan e já pesassem sobre ele algumas acusações de assédio sexual, o caso em questão seria mais grave, configurando tentativa de estupro (não fica bem claro se o ato foi consumado ou não; segundo algumas informações, o socialista teria mostrado a dita dura para a representente do proletariado, forçado a moça a realizar sexo oral). Foi encontrado sangue na cama e DNA dele na moça.

Tudo indica que eles tiveram sim algum tipo de relação; Dominique, porém, argumenta que foi consensual.

Alguns afirmam que tudo poderia ser uma armação política, talvez do seu arqui-inimigo Sarkozy. De fato, não custaria muito pagar uma camareira de hotel para oferecer seus serviços sexuais e depois acusar a vítima de estupro. Não seria a primeira vez que acusações falsas aparecem. 

Alguns detalhes parecem indicar que as acusações sejam verdadeiras; por outro lado, foi o próprio Khan quem revelou a sua localização no avião ao hotel, tendo sido assim preso pela polícia. 

Culpado ou inocente?

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Sexo e morte

Um louco matou vários adolescentes ou mais bem pré-adolescentes em uma escola do Rio de Janeiro. Como já é norma nesta era de quinze minutos de fama para psicopatas, ele mandou para os jornais uma carta de caráter aparentemente religioso, mas que chama a atenção mais do que tudo pela aparente frustração sexual. O assassino era virgem e matou principalmente meninas, provavelmente de forma intencional: das 24 pessoas baleadas, 20 eram meninas com idade entre 9 e 14 anos.

A carta pode ser lida aqui na matéria do Globo a respeito. Um leitor observa que a letra da assinatura, mal desenhada, quase infantil, contrasta com as palavras até elaboradas utilizadas no texto, e questiona se ele teria mesmo escrito a carta de próprio punho. Realmente, o contraste é grande. Por outro lado, a carta denota grande confusão mental, e é possível que ele tenha copiado trechos de sítios online que costumava visitar. Nesse sentido, ele é parecido com o atirador americano que tentou matar a senadora Democrata no Arizona e que também escreveu um confuso manifesto, complexo na forma mas incoerente no conteúdo.

A frustração sexual pode ser um sentimento bastante poderoso. É certamente o que motiva muitos dos terroristas suicidas islâmicos, a maioria deles virgens que esperam conseguir 72 mulheres no paraíso (alguns chegam mesmo ao extremo de envolver seu pênis em metal para protegê-lo intacto da explosão). Na sociedade islâmica polígama, baseada no dote e nos casamentos arranjados, mas onde também a prostituição ou o sexo pré-conjugal são vistos como crimes, não é fácil para muitos jovens conseguir sexo. Isso, aliás, também explica o alto número de homossexuais nesses países, muito embora este tipo de relação também seja proibida pela onipresente religião.

Mas também no Ocidente a frustração sexual ocorre, e talvez de modo ainda maior, pois, ao contrário do que ocorre nas puritanas sociedades islâmicas, nos países ocidentais somos constantemente bombardeados com imagens eróticas, da propaganda de cerveja ao baile de Carnaval.

Também foi a frustração sexual o que motivou o atirador americano George Sodini a matar quatro mulheres desconhecidas em um ginásio, por não ter namorado ninguém nos últimos 5 anos. Também ele escreveu uma longa carta na qual explica em detalhes sua frustração por não pegar nenhuma mulher (acho que já fiz anteriormente um post sobre esse pobre imbecil).

Esses atiradores não tinham antecedentes criminais, e, embora fossem mentalmente perturbados, aparentemente o escondiam bem, sem ter manifestado atos de violência alarmante com antecedência. São monstros que cometeram atos monstruosos, e, embora sua ação psicopática seja incompreensível, pode-se comprender vagamente a força da frustração e da alienação. 

No caso do atirador brasileiro, que era pobre e feio e alvo de brincadeiras, em um primeiro momento pensou-se que fosse islâmico (aparentemente tinha Bin Laden como um de seus ídolos). Porém, agora a esquerda está deitando e rolando com o fato de que cite Deus e Jesus em sua carta: seria portanto um exemplo do famoso "fundamentalista cristão".

Não creio que seja o caso. Parece ser apenas um jovem transtornado que pegou idéias do ar, ou da Internet. Embora o cristianismo tenda para a repressão ou sublimação da sexualidade, seu objetivo é justamente o oposto: disciplinar o desejo, não exacerbá-lo. 

De qualquer modo, é um caso que provavelmente tem mais a ver mesmo com a influência das notícias de tiroteios similares nos EUA e em outros países do que com sexo, religião, ou qualquer pensamento profundo. As mentes simples imitam o que vêem na TV ou lêem na Internet.

Não sei o que poderia ser feito a respeito, além de melhorar a segurança nas escolas e tentar impedir os loucos de terem acesso a armas de fogo (e armar os sãos - mas é claro que a tragédia será utilizada para promover o desarmamento dos cidadãos de bem).

Doze crianças, doze famílias destruídas por um imbecil. Verdadeiramente lamentável!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Homem, o novo oprimido?

Um post curtinho, mas divertido. Um comercial da Bombril com a Marisa Orth parece estar causando polêmica no Brasil. No comercial, o marido é comparado a um cachorro babão que deve ser treinado a golpes no focinho.

Nos EUA, sociedade onde as mulheres estão ainda mais "evoluídas", não são novidade comerciais que mostram os maridos como bobalhões, atrabalhados, incompetentes, ridículos, etc. Cachorro é pouco: em um comercial da Sony, o marido é comparado a um cavalo; em outro, da Roomba, a um jumento.

O fato é que grande parte da televisão é feita para as mulheres, e a maioria dos produtos anunciados são dirigidos às mulheres também. Apesar de tudo o que se fala sobre a tal sociedade consumista, quem mais gosta de consumir são as mulheres. Talvez seja estereótipo, mas se é um estereótipo, é promovido pelas próprias mulheres.

Tudo bem. Mas por que as mulheres gostariam de comerciais que mostram seus maridos como losers?

Segundo os blogueiros neo-machistas americanos, tem a ver com homens "alfa" e "beta". Isto é, a mulher casa com o provedor "beta" que despreza, mas sonha mesmo é com o macho "alfa". O comercial seria uma forma de vingança psicológica das mulheres contra os seus "betas". 

Já segundo os conservadores cristãos, tem mais a ver com a perda de valores da sociedade contemporânea e a promoção do fim do casamento tradicional, da figura da mãe solteira, da mulher feminista independente que valoriza mais a carreira do que o casamento e os filhos, etc & blablablá. 

Seja como for, já há quem ache que os homens é que são a nova minoria discriminada da vez.

Eu não sei se é bem isso. Para falar a verdade, não achei o comercial com a Marisa Orth particularmente ofensivo, embora tampouco o tenha achado muito engraçado. Porém, protestar contra comerciais não me parece uma atitude demasiado "masculina"; os homens ficam mesmo parecendo bebês-chorões metrossexuais. No mais, pessoalmente, gosto de mulheres fortes e independentes, e em alguns relacionamentos talvez eu tenha seguido mesmo o estereótipo do homem trapalhão.

De qualquer forma, seguindo pesquisas, parece que tais comerciais estão alienando o público masculino sem necesariamente atrair mais o feminino, portanto talvez os marqueteiros devam revisar seus conceitos.


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Dissonância cognitiva

Continuam os protestos pelo mundo árabe. A bola da vez é o Barein, mas também já houve protestos nos últimos dias na Líbia, Argélia, Iêmen e até no Irã. 

Continuo, de minha parte, sem me emocionar. Será que tais movimentos realmente levarão à democracia, à liberdade de expressão, aos direitos humanos, à maior amizade com os países ocidentais? Ou, ao contrário, levarão a maiores belicosidades, a mais terrorismo, a mais ódio contra Israel, EUA e Europa, ao estabelecimento da lei da sha'ria e ao supremacismo muçulmano? Tudo ainda está em aberto, é claro, mas no que se refere a essa parte do mundo é sempre bom ficar com um pé atrás.

O fenômeno da dissonância cognitiva pode ser definido como a presença simultânea de duas idéias completamente opostas na cabeça. É o que ocorre com muitos progressistas, e é de fato estranho que as suas cabeças não explodam. Um exemplo claro é no que se refere ao Islã. Seu coração lhes diz que estrangeiros morenos seguidores de uma religião não-cristã só podem ser pessoas do bem. No entanto, seus olhos lhes mostram muçulmanos constantemente atacando mulheres, gays, ateus, e todas as demais minorias e valores tão prezados por eles. 

Estes dias saiu a notícia sobre uma repórter americana, loira, feminista, que estava cobrindo com júbilo as manifestaçõs do "heroico" povo egípcio, que "lutava pela democracia" quando foi agarrada, espancada e abusada sexualmente por uma massa de pessoas no mesmo meio dos protestos. Epa! Esse é o mesmo povo de "heróis" que (segundo a mídia) quer "democracia", "direitos humanos", "igualdade para as mulheres", ou é outro? Ou era apenas uma forma culturalmente diversa de celebrar a queda do odiado ditador? 

"You gonna get raped"

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Alfas, Betas e Gamas: a Guerra dos Sexos no Século XXI

O leitor Chesterton deu a dica de um blog, por assim dizer, antifeminista. Eu já desde algum tempo acompanhava um blog americano de tema similar, ainda que bem mais sério e menos escrachado, que fala sobre a mesma questão: a perda do poder masculino no mundo pós-feminista. O blog americano discute o motivo pelo qual as mulheres urbanas americanas em geral odeiam mulheres Republicanas como Sarah Palin, Christine O'Donnel, etc, sem manifestar ódio igual pelos homens Republicanos. (A conclusão do blogueiro é que mulher costuma ser muito mais crítica de mulheres, e gosta é de votar em homem bonito e gostoso, independentemente de sua política, o que tambem explicaria a vitória de Obama sobre Hillary). Já o blog brazuca fala sobre a iminente chegada dos robôs sexuais femininos, que acabarão com a utilidade da mulher.

Exageros e delírios à parte, o que ambos blogs passam é um aparente ressentimento contra as mulheres modernas, e contra as mudanças sociais causadas pelo feminismo exacerbado.

Se vários blogueiros, nos EUA e no Brasil, falam sobre a mesma questão, não se trata de uma coincidência, mas de um fenômeno social real e palpável.

De fato, a grande conquista para as mulheres com o feminismo, ou quem sabe apenas com a pílula (da qual o feminismo foi apenas uma conseqüência) foi a independência financeira e sexual. As mulheres, não mais dependendo de um marido para seu sustento, poderiam ter a liberdade de escolher parceiros mais sarados e descolados, sem a preocupação de que estes tivessem que sustentá-las. Mas o que aconteceu? Quem ganhou e quem perdeu com essas mudanças?

Bom, a moda é falar em "alfas" e "betas". Alfas seriam os cafajestes gostosões, preferidos por 9 entre 10 mulheres. Homens fortes e bem-sucedidos que no entanto não ofereceriam estabilidade ou fidelidade. Já os betas seriam os homens mais sem-graça que, no entanto, com um emprego estável e boas intenções poderiam ser bons companheiros, embora sem a fonte de sexo selvagem, emoção e aventura proporcionada pelos alfas.

Pessoalmente, não gosto muito desse tipo de análise. Acho que funcionam bem para estudar o comportamento dos chimpanzés. Mas não somos chimpanzés. Como humanos, nossas relações são bastante mais complexas. E dividir os homens em apenas "alfas" e "betas" tira toda uma enorme graduação de deltas, gamas, etc, categorizando ainda as mulheres como sendo todas igualmente fúteis. E, além disso, com esse negócio de alfas e betas, onde é que fica o Amor na equação?

(Mr X, por baixo do seu aparente cinismo, é na verdade o último romântico, como sabem os poucos que lêem o Poema do Domingo).

Mas é verdade que o feminismo foi bom, digamos, para uns 20% dos homens (os tais alfas) e ruim para uns 80% (os tais betas), que hoje tem dificuldade em arranjar parceiras, ou acabam com relações que terminam em frangalhos e famílias disfuncionais. O feminismo foi bom para as mulheres? Aí também há motivo para discussão. Se permitiu maior independência e acesso a profissões até então proibidas, também é verdade que terminou por conduzir a uma maior insegurança e a um número enorme de mães solteiras.

É possível que o feminismo tenha sido, assim, o responsável pela conversão de algumas mulheres ao Islã, como comentei antes e agora a Dicta & Contradicta também comenta. Após uma vida "liberada" que termina sem relações duradouras, é natural a busca de consolo na religião. Mas por que voltar-se para o Islã e não para o Cristianismo, religião de seus antepassados? Minha teoria é que converter-se a uma religião estrangeira e polêmica é ainda uma forma de "rebeldia", de busca do exótico, quem sabe até dos alfas orientais. O Cristianismo é visto como uma religião careta e atrasada. O Islamismo é muito mais repressivo em termos de costumes, mas ainda tem o fascínio do "exótico". Mulher adora exotismo. E, se é verdade o que dizia Nelson Rodrigues, que mulher no fundo adora apanhar e ser dominada, então também o caráter repressivo e poligâmico do Islã joga a seu favor. Que ironia: as feministas foram queimar o sutiã e voltaram usando uma burca... 

Mulheres, não levam a mal este post. Eu nada tenho contra as mulheres e não sofro do mesmo ressentimento antifeminista, e, se alguma coisa deu errado em meus relacionamentos, jamais foi por culpa da mulher. Ainda assim, acho que é uma questão atual que precisa ser discutida. Há ainda mulheres lendo o blog? Sua opinião a respeito seria bem vinda.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Berlusconi, as mulheres e o Islã

Berlusconi, o político que os italianos adoram odiar, deve acreditar nas teorias que dizem que o poder é um afrodisíaco. Um improvável Don Giovanni, com sua calvície e seus já quase 75 anos, no entanto teve nos últimos anos uma série de badalados escândalos sexuais, desde festas com jovens modelos na sua residência a um recente caso suspeito com uma stripper marroquina menor de idade que atende pelo nome de "Ruby Rubacuori", ou Ruby Roubacorações.

Mas Berlusconi, que perdeu a esposa e pode perder o governo mas não perde a piada, saiu-se com esta: "melhor estar apaixonado por belas garotas do que ser gay." Hilariante. Conseguiu irritar esquerdistas, gays, feministas, intelectuais e quase toda a corja politicamente correta de uma tacada só.

No entanto, o que há de errado em seu pronunciamento? Se os gays são orgulhosos de serem gays, por que um heterossexual não pode ser igualmente orgulhoso? Do ponto de vista dos gays, é melhor estar apaixonado por belos rapazes do que ser hetero. Por que não vice-versa?

Enquanto isso, a cunhada do Tony Blair converteu-se ao islamismo. O curioso é que a tola sequer leu 60 páginas do Corão, e pouco parece saber sobre a religião em si. Tampouco converteu-se por casamento. O que explica a conversão?

Muito simples: queria aparecer. Feminista na juventude, a senhora parece ter tido uma crise de consciência após um divórcio penoso, vendo-se sozinha e desesperada. Acontece com muitas mulheres "liberadas", que posteriormente voltam-se à religião. Pensem em Mara Maravilha ou na Tiazinha, que agora são crentes. Mas, se no Brasil retornam ao cristianismo (normalmente alguma denominação evangélica), o mesmo não acontece nos países europeus, onde preferem religiões "exóticas" ou ao menos não-ocidentais como o hinduísmo, o budismo ou até mesmo o islamismo. Lauren não é a primeira feminista convertida ao islamismo, não. Talvez algum dia as vedetes de Berlusconi façam o mesmo. Quem diria: o feminismo e a liberação feminina termina por conduzir ao Islã, a religião que mais reprime as mulheres.

Mas por que, ao contrário das strippers marroquinas, o cristianismo não seduz mais? Nada mostra melhor a decadência do cristianismo na Europa do que essa rejeição às próprias raízes, e a busca ilusória de uma "verdade" alheia, não-ocidental. Como disse Chesterton, quem não acredita mais em Deus passa a acreditar em qualquer coisa. Vejam o caso deste pobre casal suiço, que resolveu celebrar suas segundas núpcias em um país muçulmano (Maldivas) e, sem conhecer o idioma local, foi sem saber humilhado e insultado em uma tosca e falsa cerimônia religiosa. Tudo filmado e colocado no Youtube. Enquanto acreditavam estar ouvindo sábias palavras orientais, estavam na verdade ouvindo o regulamento do hotel, sendo chamados de "porcos infiéis" e ridicularizados pela própria ingenuidade.

Assim caminha a humanidade.

Berlusconi: melhor ser hetero.

terça-feira, 29 de junho de 2010

O mundo freak das celebridades

A filha de Warren Beatty decidiu que vai virar um homem e chamar-se Stephen. Segue a onda da filha de Cher, que já virou um homenzarrão, bem robusto até.

Isso importa? Não muito. Mas as celebridades são "formadoras de opinião". O que elas fazem hoje, seu filho vai poder querer fazer amanhã.

O problema é que o mundo em que as ditas "celebridades" habitam é um mundo diferente do mundo normal. É um mundo de sexo, drogas, roquenroll, botox na veia (na "véia"), mansões milionárias e divórcios bilionários.


domingo, 30 de maio de 2010

Poema do domingo

Mettimi un dito in cul, caro vecchione,
e spinge il cazzo dentro a poco a poco;
alza ben questa gamba a far buon gioco,
poi mena senza far reputazione.

Che, per mia fé! quest'è il miglior boccone
che mangiar il pan unto appresso al foco;
e s'in potta ti spiace, muta luoco,
ch'uomo non è chi non è buggiarone.

- In potta io v'el farò per questa fiata,
in cul quest'altra, e in potta e in culo il cazzo
mi farà lieto, e voi farà beata.

E chi vuol essre gran maestro è pazzo
ch'è proprio un uccel perde giornata,
chi d'altro che di fotter ha sollazzo.

E crepi in un palazzo,
ser cortigiano, e spetti ch'il tal muoja:
ch'io per me spero sol trarmi la foja.

Pietro Aretino (1492-1556)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Pedofilia, homossexualismo e catolicismo

Father Ted e amigos

Faz pouco tempo, o católico Reinaldo Azevedo manifestou-se, surpreendentemente, contra o celibato dos padres católicos. Não vou entrar agora na questão, embora seja verdade que o costume foi instituído séculos após o início do cristianismo, e que na Igreja Ortodoxa, de tradição anterior à Católica, os padres podem casar. Isso sem falar em pastores protestantes, rabinos, imams e quetais, todos casamentáveis.

Porém, essa questão da pedofilia na Igreja Católica está dando o que falar.

É verdade que oitenta e tantos por cento dos abusados eram garotos do sexo masculino, pós-púberes, entre 11 e 17 anos, e trinta por cento destes tinham entre 15 e 17. (Pedofilia, strictu sensu, é com menores de ambos os sexos que ainda não atingiram a puberdade. Lolita tinha 12.). Não que isso torne o crime menor ou menos repreensível, mas causa uma discussão interessante. Se a maioria das vítimas são adolescentes ou pré-adolescentes do sexo masculino, o que está ocorrendo é, acho, uma coisa que pouco tem a ver com o celibato em si.

Ora, se você é um heterossexual celibatário continuará - imagino eu - tendo desejos por mulheres. De fato, os padres nunca foram santos. Bocaccio, no Decameron, conta dezenas de histórias de padres e freiras fornicando por aí. Alguém condenado ao celibato poderia tomar uma amante, ou prostitutas, ou até abandonar o sacerdócio e casar. Por que escolher garotos? A resposta é simples. Esses padres são gays. Sentem atração por homens, isto é, garotos. Eram gays antes de entrar na Igreja, e continuaram sendo depois.

O problema é que aí entra-se numa cilada. Os gays, que criticam a Igreja católica, poderão criticar os padres por serem gays? Quando, anos atrás, a Igreja Católica tentou verificar e impedir a entrada de seminaristas com possíveis tendências homossexuais nos seminários, houve gritos dos grupos gays.

Admitir padres gays seria uma solução, ou aumentaria o problema? E permitir o casamento, resolveria? Não esqueçamos que grande parte dos pedófilos (e homossexuais) são casados, com filhos. Isso não lhes impede de continuar procurando garotinhos/as, ou até de abusar dos próprios filhos e sobrinhos.

Outros argumentam que a culpa é sim do celibato, e que os padres não eram necessariamente pedófilos ou homossexuais, mas atacaram meninos apenas porque é o que tinham mais à mão. Mas, nesse caso, por que não contratar uma prostituta, ou até um michê, como nobremente fez o padre Sir Lancelott?

Vivemos em uma época esquizofrênica. Por um lado, as crianças e adolescentes são bombardeados com sons e imagens explicitamente sexuais, da dança da vassoura à suposta arte moderna. Por outro lado, o mesmo mundo horroriza-se quando essas mesmas crianças erotizadas passam a interagir com adultos no mundo real.

Claro que o sexo de adultos com crianças pré-adolescentes é uma aberração, e seus praticantes deveriam ser imediatamente castrados a facão (de preferência, enferrujado e sem fio). Ou então se deveria fazer como fez este pai aqui.

O problema é que a suspeita de pedofilia contaminou tudo. Mesmo os contatos mais inocentes, como por exemplo tirar fotos de crianças em um parque, hoje são vistos com extrema suspeita. Nos EUA, mesmo encostar em uma criança alheia por acidente pode dar problema. Li que há alguns anos, um menino de 9 anos foi atropelado, e nenhum adulto aproximou-se para ajudar - por medo de serem acusados de pedofilia!

O curioso é que, há meros séculos atrás, garotas de apenas 13 anos já casavam, ainda que tivessem que ter a permissão dos pais. No Sul dos EUA, esse costume durou até poucas décadas atrás. Edgar Allan Poe casou com uma prima de 13 anos. Jerry Lee Lewis, idem. (E Woody Allen casou com a filha adotiva, embora isso nada tenha a ver com a história.)

Hoje, ao contrário, tanto homens quanto mulheres casam muito mais tarde, portanto exigir celibato pré-nupcial é algo muito difícil, que ocorre apenas com pessoas muito religiosas. E, mesmo assim, nem sempre.

O que é diferente é que, hoje, quase todas as aberrações sexuais são vistas como normais, e até mesmo celebradas. A única exceção, o último tabu, é a pedofilia. (Até incesto, se feito por maiores vacinados, já é aceito por alguns.)

Será que essa atmosfera de liberação geral, e essa erotização precoce das crianças, não contribui para os desvios sexuais de nossa era? Por exemplo, a questão da "troca de sexo". Sempre me pareceu que isso era uma anomalia, uma aberração. Quer dizer, genéticamente, você tem seu sexo determinado antes mesmo do nascimento. "Sentir-se mulher num corpo de homem" é um problema, mas, em vez de modificar o corpo (com uma cirurgia que tudo o que dá é a aparência de um outro sexo, mas não a essência), não seria mais fácil modificar os pensamentos? (Não esquecendo que os transexuais tornam-se estéreis após a operação, e podem ter toda uma série de problemas físicos).

Porém, hoje em dia, trocar de sexo é um "direito", muitas vezes até pago pelo contribuinte. Na Austrália, um garoto de 15 anos teve o direito de transformar-se em garota, mesmo contra a ordem expressa dos pais. Na Alemanha, com 12 anos, um menino iniciou o procedimento para virar menina (hoje tem 16 e já é uma "mulher", ainda que não possa menstruar, e jamais terá filhos). Nos EUA, os pais de um garoto decidiram criar seu filho de 8 anos como uma menina, pois ele assim pediu.

É tudo uma loucura.

Mas qual a solução?

Acabar com o celibato não vai, provavelmente, resolver todos esses problemas. O furo, com perdão do trocadilho, é mais embaixo.

(*) Por outro lado, o poeta Rainer Maria Rilke foi criado como menina na sua infância, e depois parece ter tido uma vida normal, sem qualquer troca de sexo, que aliás não existia na época.

Sem trocadilhos, por favor.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Sexo, moralismo e comportamento de turbas na era da Internet

Um dos comentários mais perspicazes sobre o caso da aluna da UNIBAN foi este que encontrei de um leitor do blog do Reinaldo Azevedo:
Douglas disse:

Não sei se você vai me entender, espero que sim. Não vi nada de estranho neste vídeo. Só a natureza humana na sua forma mais pura.

O ser humano vive em permanente guerra entre a sua natureza e a sua inteligência. A natureza humana é capaz de fazer uma pessoa se sacrificar por outra. A natureza humana é capaz de fazer isso que se viu.

Eu não estava lá, mas me identifiquei com aqueles estudantes. Eu poderia ser um deles? Acho que sim. Eu me sentiria arrependido depois? Com certeza.

Chamar esses estudantes de animais e colocar nas costas deles as nossas culpas é fácil. Acho até que o que estão fazendo com eles aqui e em outros blogs é quase o mesmo que eles fizeram com a moça.

De fato, muitos psicólogos e estudiosos da natureza humana já observaram que os seres humanos quando em multidões comportam-se de modo muito diferente do que individualmente. Observando-se o mais recente vídeo dá para ver a magnitude do protesto contra a "indecente" moça e de como as pessoas, nesses contextos, reduzem-se ao comportamento mais básico, mais primitivo: os homens, à luxúria ou à violência contra a "puta" que os provocava sexualmente sem se entregar; as mulheres, à inveja e à raiva pela "concorrência desleal".

Aqui acho que entra de novo a questão dos conservadores vs. libertários (e progressistas), e de como estes últimos idealizam a natureza humana. Afinal, para o libertário, "cada um pode se vestir como quiser e ninguém tem nada com isso". Para o progressista, "homens e mulheres são iguais e têm os mesmos direitos de ir e vir como desejarem." Na prática, no entanto, uma moça que vai vestida com roupas sumárias à universidade pode terminar sendo brutalmente hostilizada por uma multidão. É a natureza humana em seu estado mais bruto.

Sim, seria bom que as mulheres pudessem ir a qualquer lugar que quisessem, vestidas como quisessem, sem ser importunadas. Seria bom que drogados não matassem os outros ou a si mesmos. Seria bom que todos pudessem controlar seus instintos e ninguém fosse preconceituoso, cretino ou psicopata. Infelizmente, vivemos no mundo real, onde garotas de 15 anos podem ser estupradas coletivamente em uma festa na escola pelos seus próprios colegas.

Há ainda um segundo elemento que causa reflexão, que é a questão tecnológica. Todo o evento foi filmado por câmeras de celulares e colocado imediatamente na Internet, onde repercutiu ainda mais, somando-se a dezena de casos folclóricos, como a da professora primária que dançava o "Todo Enfiado", ou o caso recente de jovens adolescentes anos praticando sexo oral no banheiro da escola. Os vídeos acabaram indo parar online, onde foram baixados por milhares de pessoas. Com a repercussão, a professora de um caso foi demitida e a aluna do outro caso terminou tendo que ser transferida de escola, pois todas as demais estudantes do colégio ficaram com fama de "boqueteiras". A Internet influencia o mundo real. (E já tem petista afirmando que o que faltou foi mais aula de "educação sexual", como se os adolescentes não soubessem já o suficiente).

De qualquer modo, é possível que, em um país esquizofrênico como o Brasil, a moça da UNIBAN, que já conquistou fama virtual, termine ganhando uma pequena fortuna ilustrando as capas de uma revista masculina, ou apresentando algum programa televisivo para crianças.



terça-feira, 20 de outubro de 2009

Por que as mulheres gostam de bad boys?

Não tenho uma resposta para a pergunta, mas a questão vem à luz devido a um pavoroso evento ocorrido na Inglaterra: uma jovem loira, bonita, rica e medianamente famosa (era apresentadora de televisão) conheceu um rapaz via Internet e começou imeditamente um romance com ele. Meras duas semanas depois, a jovem foi estuprada por ele e, quando ela decidiu acabar com a relação, o rapaz - através de um capanga - atirou ácido sulfúrico no rosto dela, desfigurando-a para sempre. Vejam aqui a moça antes do ataque:


E, se tiverem coragem, cliquem aqui para ver como a moça ficou depois.

Uma tragédia, certo? Mas a coisa é mais complicada do que isso. Vejam o rosto do namorado, que não precisou nenhum ataque de ácido para ficar assim:


Talvez eu tenha sido indevidamente afetado pelas teorias de Lombroso, ou talvez a foto do mugshot lhe dá um ar mais ameaçador do que de costume, mas parece-me que qualquer pessoa de bom senso poderia ver que se trata de uma pessoa violenta, ou, como se diz em português, um bad boy.

Mas aceitemos que "as aparências enganam" e que "não se deve julgar um livro pela capa". A moça nem mesmo checou as referências do jovem. Segundo a reportagem, ela viu a foto, soube que ele praticava artes marciais (mais um sinal de possível violência), e sentiu-se imediatamente atraída. Eles saíram juntos poucos dias depois; no segundo encontro ele lhe disse que "a amava". Ela acreditou.

Bem, resulta que o rapaz já tinha estado na cadeia por ter jogado água fervente no rosto de outro sujeito. Se a moça tivesse procurado o nome dele no Google, talvez descobrisse alguma coisa. (Eu não sei vocês, mas eu sempre googleio o nome da pessoa; é impressionante a quantidade de informação que se pode obter sobre alguém). A moça não sabia de seus antecedentes, mas, mesmo depois que começou a perceber que o sujeito tinha ataques de agressividade, continuou a relação.

Poucos dias depois, os dois foram a um hotel, onde o "namorado" a estuprou, deu-lhe uma surra que resultou em um ferimento na cabeça, e manteve-a presa por oito horas. (Ele alegou depois estar sob o efeito de drogas). Porém, a moça não chamou a polícia e, no hospital que a tratou, inventou uma história qualquer em vez de contar a verdade. Bem, sabemos que muitas mulheres continuam tendo relações com homens que as maltratam; em muitos casos, isso é justificado pelo medo de serem mortas em caso de denúncias. É o que ela alega também.

O que aconteceu depois é um pouco bizarro. Segundo a reportagem, nos dias seguintes, o rapaz telefonou várias vezes e mandou dezenas de e-mails pedindo desculpas. A moça aceitou ir a um Internet café para ler os seus e-mails, já que aparentemente sua conexão em casa não funcionava. Disse-lhe, ao telefone, até mesmo como estaria vestida. (Esta parte me parece um pouco difícil de acreditar. A Internet não funcionava? A moça chique não tinha um Blackberry ou similar? E por que a moça responderia como estaria vestida, sem desconfiar da estranha pergunta? Não era mais fácil dizer que veria os e-mails depois, sem especificar quando?)

Bem, o fato é que, a caminho do cybercafé, ela foi abordada por um capanga do "ex-namorado" que jogou-lhe ácido no rosto, desfigurando-a para sempre. (Hoje estão os dois presos, com direito a academia de musculação e uso de celular).

O evento dá margem a várias discussões sobre a sociedade contemporânea. Uns dizem que a culpa é do feminismo e da liberação sexual. Afinal, antigamente uma "moça direita" não sairia com o primeiro sujeito que aparecesse, mas esperaria mais. Que a moça tenha escolhido o sujeito exclusivamente pela atração física e que tenha iniciado uma relação com ele imediatamente parece algo impulsivo e descuidado.

Outros afirmam que é o mero efeito colateral da independência financeira feminina. De fato, antigamente as mulheres precisavam casar, e havia toda uma luta para conseguir um "bom partido", como se vê nos romances de Jane Austen. Hoje, porém, mulheres como Katie Piper têm sua independência garantida, podendo mesmo não casar e dedicar-se a relações com jovens de caráter duvidoso, por mera aventura ou interesse sexual.

Outros ainda colocam a culpa no politicamente correto promovido pelos esquerdistas e pós-modernos, segundo os quais não se deve julgar ninguém. Por essa ótica, sair com um executivo ou com um jovem de baixa instrução fissurado em artes marciais seria a mesma coisa, afinal não devemos discriminar ninguém por sua classe, cultura, origem ou religião - e isso valeria mesmo para o mundo do namoro.

É evidente que a moça não tem culpa e não poderia adivinhar a tragédia que se abateria sobre sua vida; além disso, é admirável a sua coragem e capacidade de recuperação psicológica de fronte a um evento similar; mas também é verdade que uma série de fatores da sociedade atual colocam muitas mulheres ingênuas à mercê de predadores.

E afinal, voltando à pergunta do título, por que certas mulheres gostam de bad boys?

Atualização: novo post sobre o tema.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O artista enquanto estuprador

Sobre o caso Polanski, todos já estão carecas de saber. Porém eu não sabia que também William Golding, autor de "O Senhor das Moscas", foi acusado de tentar estuprar uma garota de 15 anos, embora pareça não ter passado de uma tentativa inocente quando ele próprio tinha apenas 18. (Depois, de fato, ambos viraram namorados e dedicaram-se a transar em parques enquanto o pai de Golding (!) observava a cena com binóculos.)

Arthur Koestler, autor de "Darkness at Noon", também parece ter estuprado sua cota de mulheres. E, segundo este artigo, também eram estupradores Jack London e Geoffrey Chaucer. Poe não estuprou ninguém, mas era alcoólatra e casou com uma menininha de 13, o que hoje, fora das terras de Maomé, seria chamado de pedofilia.

O clichê do artista pervertido é um velho mito, mas será que é mesmo realidade?

Afinal, proporcionalmente, há provavelmente muitos mais artistas que não dedicaram-se ao crime ou à sacanagem explícita do que aqueles que o fizeram. No entanto, o mito persiste.

Talvez a figura do artista maldito, da associação da arte com o crime, a imoralidade ou a loucura seja algo relativamente recente, fruto do período romântico e, posteriormente, das destrutivas vanguardas do início do século.

E o que ocorre hoje em dia é que - definitivamente enterrado o conceito de "beleza" - já não é mais possível distinguir, em muitos casos, a arte da psicose. Artistas que utilizam o próprio sangue para fazer esculturas; artistas que mergulham um crucifixo em urina e chamam de arte; artistas que exibem a própria cama suja em uma galeria e chamam de arte; artistas que enforcam manequins de crianças e chamam de arte; e mesmo um artista que deixa um cachorro morrer de fome em uma galeria e o chama de - o que mais? - arte.

Sob essa perspectiva delirante, o próprio estupro poderia ser considerado uma forma de arte performática. Se para o músico pós-modernista Karlheinz Stockhausen os atentados de 11 de setembro foram "a maior obra de arte jamais criada", então o ato radical de Polanski poderia ser considerado sua obra maior, uma exploração das profundezas tenebrosas da maldade humana mais potente do que "O bebê de Rosemary" e "Chinatown" juntos.

Felizmente, o culto da arte niilista parece estar com seus dias contados. Hollywood está em crise, é não apenas devido à concorrência com Netflix e The Pirate Bay: o pessoal realmente está pouco interessado. As artes plásticas? Bem, faz alguns anos toda uma coleção de arte britânica dos anos 90 pegou fogo, e a resposta do público foi de júbilo. E nem falemos da arquitetura moderna e seus estupros visuais, desprezada por quase todas as pessoas de bem.

Tenho para mim que um dia retornaremos à Beleza como paradigma, e que a Grande Arte de novo renascerá. Mas para isso talvez seja necessária uma profunda reorganização social e política, e o abandono do culto ao niilismo, que é talvez o mal das últimas décadas, e do qual a questão artística é apenas uma de várias manifestações.


Atualização: A obra que ilustra o post é uma gravura de Otto Dix, considerada "arte degenerada" pelos nazistas. Ou seja, estou ciente da ambiguidade em imaginar ou desejar alguma arte supostamente "melhor" ou "mais pura". (Na verdade, gosto de Otto Dix). Também os comunistas quiseram impedir certos tipos de arte e instituir outros, mas o "realismo socialista" é responsável por algumas das imagens mais horrendas deste século, inclusive o edifício do "estupro visual" acima, erigido na Coréia do Norte. A questão não é desejar que a arte seja apenas beleza clássica ou que os artistas sejam todos santinhos; mas, se a arte é sempre um espelho do mundo (nos dizeres de Hamlet), então a arte de hoje em dia diz muito sobre a nossa sociedade. Bem como a tolerância com certos artistas transgressores. A arte niilista reflete uma sociedade niilista, que não sabe mais quais são seus valores.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O caso Polanski

Polanski é com certeza um dos poucos grandes artistas do cinema mundial. Nem digo por "O Pianista", que embora tenha cenas marcantes não é seu melhor filme, mas por seu trabalho nos anos 60 e 70, desde os curtametragens surrealistas que fez na Polônia, "Repulsion" com a jovem Catherine Deneuve (será que ele a traçou também?), à obra-prima "O Bebê de Rosemary", "Chinatown", e finalmente o trabalho talvez mais enigmático, o filme "O inquilino", com Isabelle Adjani (idem à pergunta anterior) e o próprio Polanski como ator.

Todos esses filmes foram realizados antes de sua relação com a jovem Samantha Geimer, cujos detalhes sórdidos podem ser lidos aqui, nas palavras da própria vítima, em uma entrevista trinta anos depois. Os atos de sua declaração à polícia na época do evento, aos 13 anos, também estão disponíveis em algum lugar, basta usar o Google. Mas, resumindo: Polanski a convidou para uma "sessão de fotos", deu-lhe champanhe e ofereceu drogas (Quaalude), e finalmente, levou-a para o quarto e cráu. De todas as formas possíveis. Samantha não resistiu nem sofreu violência física, mas sempre disse não. Tratou-se, claramente, de sexo não-consensual com uma menor de 14 anos. Ou, estupro.

Não, a moça não era virgem, já havia experimentado álcool e drogas, foi sozinha à sessão de fotos com pleno conhecimento da mãe, e perdoou Polanski após um acordo civil em 1997, mas nada disso muda o caráter do crime.

Digamos que Polanski teve uma vida atribulada: passou a infância no Gueto de Varsóvia, e sua mãe morreu em um campo de concentração. Em 1969, no auge da fame e fortuna, sua mulher Sharon Tate, grávida de oito meses, foi brutalmente assassinada em Los Angeles por uma gangue de psicopatas enquanto ele filmava na Europa.

Há um documentário que coincidentemente recém estreou - assisti hoje - sobre o caso Polanski, chama-se "Roman Polanski: Wanted and Desired". O filme, que foi lançado antes da recente prisão na Suiça, tenta ser imparcial, embora tendendo a ser pró-Polanski, já que centra-se muito pouco no crime em si e muito mais no modo em que o juiz, aparentemente de modo irregular, teria melado de última hora um acordo entre a defesa e a promotoria.

(Hoje, nova reviravolta: um District Attorney que aparece no filme afirmou ter mentido no seu depoimento à diretora, dizendo não ser verdade uma conversa que teria influenciado o juiz. Mais lenha na fogueira.)

O mais irônico de tudo é que, se Polanski não tivesse fugido, e tivesse ficado nos EUA até o fim de seu julgamento, provavelmente teria uma sentença bem menor do que a que terá agora (caso seja extraditado). O fato é, graças ao acordo feito, a única acusação que contou no período foi a de ter relações sexuais com uma menor. As outras acusações - estupro com suministração de drogas e bebida a uma menor, perversão e sodomia - não foram nem consideradas. Hoje, provavelmente (fora sodomia, que acho que não é mais crime), ele poderia ser acusado de estupro e morrer na cadeia. E provavelmente é o que acontecerá, se a extradição ocorrer.

Bem, Polanski arriscou. Em vez de passar um par de anos de sua juventude em cana, preferiu fugir, mas agora corre o risco de passar uma melancólica velhice na prisão.

Em virtude de sua obra, tenho certa simpatia por Polanski, certamente mais do que por Michael Jackson e O. J. Simpson, dois notórios criminosos-celebridade injustamente absolvidos. Mas acredito que ele seja culpado, sim, e que é um fugitivo da Justiça, e que cometeu um crime que não pode ser menosprezado. Talvez na França ou no Brasil transar com garotinhas de treze anos não seja crime, mas nos Estados Unidos ainda é, e são bastante rígidos a respeito.

E não, não acredito que os artistas ou as celebridades devam ser isentas da obediência à lei, por mais que Hollywood diga o contrário.

Por outro lado, em um mundo em que um terrorista que matou 287 pessoas é liberado em nome de supostas "causas humanitárias", parece-me um pouco exagerada tanta sanha em perseguir Polanski 31 anos depois por um crime pelo qual a própria vítima já o perdoou. Porém, dura lex, sed lex.


Atualização: um texto bem duro contra Polanski, na geralmente-de-esquerda Salon. E uma defesa, pela autora de Gulag: A History, Anne Applebaum. E o leitor, o que pensa?

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Sodoma & Gomorra

Gênesis 18:23
E chegando-se Abraão, disse: Destruirás também o justo com o ímpio?
Gênesis 18:24
Se porventura houver cinqüenta justos na cidade, destruirás e não pouparás o lugar por causa dos cinqüenta justos que ali estão?


Depois do movimento gay, vem aí o movimento poly. Poly, de polyamorous. Eles já têm blog, têm movimento organizado, e têm até suas celebridades, como a admirável atriz Tilda Swinton, que vive abertamente com dois homens, um, o pai de seus filhos, e outro um jovem amante.

Já é quase certo que o "casamento gay" será legalizado em quase todos os EUA e na Europa. Mas, longe de realmente significar uma revalorização do casamento, o que isso significará é o inevitável fim do casamento tradicional. Se os gays podem casar, não há motivo para os polys não quererem. E, se os polys puderem "casar", então, não há limite. O casamento, que era um contrato social entre (um) homem e (uma) mulher para permitir a criação de crianças, as alianças entre famílias ou clãs rivais, e a estabilidade social, vai ter agora como quase única finalidade a convivência sexual. Casar, então, para quê? De acordo com o blogger do link acima, o casamento tradicional vai virar exclusividade dos ricos e dos religiosos (mas os muçulmanos poderão ser poligâmicos).

A monogamia não é natural no homem. Acreditem, sei do que estou falando. Talvez o homem seja mais parecido ao chimpanzé. (A mulher, um pouco menos).

Mas, quem disse que tudo o que é natural é bom?

A civilização tampouco é natural. O que é natural é a barbárie. E o grande problema do mundo ocidental, hoje, é esse: a crença irracional de que a civilização é algo que simplesmente acontece, que é o estágio natural da humanidade. Errado. Civilização exige esforço hercúleo constante, o mesmo esforço que um casamento monogâmico exige. O próprio Freud, que disse tanta besteira, disse ao menos uma coisa certa: civilização exige sempre um certo grau de repressão dos instintos.

Será que esse ultraliberalismo que traz casamento gay e movimento poly terminará bem? Embora eu seja na prática a favor de um certo liberalismo, temo às vezes que este fará surgir, a longo prazo, caos social e frustração massiva dos sexual losers. Já há vários sinais disso. Uma sociedade poligâmica tem muito maior número de frustrados, vejam o caso das sociedades muçulmanas em que os que sobram viram homens-bomba em busca de virgens.

Recentemente, aqui mesmo em Los Angeles, um sujeito chamado George Sodini entrou em uma academia de ginástica e matou quatro mulheres gostosas. Depois, se suicidou. O motivo? Era um autodeclarado loser que não comia ninguém há vinte anos, e tinha raiva das mulheres. Está tudo detalhado em seu diário online. O sujeito era tão, mas tão loser, que ninguém leu as páginas da web nas quais havia mais de um ano ele descrevia em detalhes suas frustrações e seu plano diabólico. Nem mesmo seus familiares, duramente criticados, leram o material.

O curioso é o seguinte: ao contrário de outros atiradores recentes, George Sodini não era psicótico. Seu diário mostra um homem razoavelmente normal, com um bom emprego, dinheiro, boa-forma e sucesso. Frustrado, sim, mas não louco, ao menos não clinicamente.

Será que esse tipo de frustração - e consequentes crimes - não será cada vez mais normal? Será que o fim do casamento tradicional não será também o prenúncio da anarquia social cada vez maior, a qual, segundo Theodore Dalrymple, já ocorre entre as classes baixas inglesas, onde quase ninguém mais casa e violência doméstica, infidelidade, estupro, assassinato, tortura de bebês e 80% de filhos ilegítimos são a norma do dia?

Dizem que, por muito menos, Deus destruiu Sodoma e Gomorra. Mas sabe-se lá o que rolava em Gomorra.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Por que o crime aumentou?

O que causou o aumento exponencial do crime no mundo ocidental nos últimos 40 ou 50 anos?

Afinal, é certo que vivemos em um mundo mais violento do que no passado recente.

Alguns dizem que a pobreza e a desigualdade social são as verdadeiras causas do crime e, portanto, as causas desse aumento. No entanto, havia muito mais pobreza e desigualdade social há cinqüenta anos, não apenas no Brasil como em muitos outros países, inclusive os EUA e países europeus. E havia menos crime. Pobreza ou desigualdade, por si só, não geram crime em lugar algum.

Outros afirmam que a razão seria o aumento do tráfico e consumo de drogas, que cresceu enormemente nesse período. Sem dúvida, o narcotráfico é responsável por grande parte dos homicídios que ocorrem na América Latina e no mundo. Mas o narcotráfico, em si, já é um crime. Dizer que o crime aumenta o crime é uma redundância. A razão está mais além.

Alguns acham que a causa do aumento do crime tenha a ver com o aumento de armas disponíveis, mas a verdade é que o crime também aumentou em países que tomaram medidas cada vez mais restritivas da posse de armas. Uns conjugam o aumento do crime com o racismo. Outros, mais sensatos, com a imigração. Alguns, com a mera falta de prisões. E outros ainda, com o mero crescimento demográfico centrado nas cidades.

Já outros acreditam que a causa real do aumento do crime seja simplesmente o liberalismo, isto é, o relaxamento dos costumes e da moralidade, bem como outras ideologias que foram incorporadas à cultura ocidental a partir dos anos sessenta. Segundo essa teoria, que me parece a mais interessante, o liberalismo - sexual, moral, comportamental - geraria o aumento do crime através de duas idéias principais:

1) Impunidade. Para os liberais, especialmente aqueles de esquerda, o criminoso é uma vítima do sistema. Ele age como age, não por iniciativa ou para obter lucro, mas porque foi forçado a isso pelas circunstâncias sociais. O criminoso é o proletário oprimido do século XXI. Além disso, segundo esses iluminados da compaixão, a prisão não deve ter o intuito de punir, mas de "reeducar". Sendo assim, penas cada vez mais leves e leniência cada vez maior com os crimes mais bárbaros é a nova lei, ou melhor, falta de lei.

(Que a impunidade gere crime parece-me um fato inegável, basta pensarmos na política brasileira. Mas também é certo que a impunidade não é apenas a nível judicial, como também familiar: segundo muitos, hoje as crianças cresceriam sem qualquer imposição de limites, tornando-se pequenos criminosos. Temos exemplos inumeráveis disso: o mais recente é o caso de adolescentes que derramaram alvejante no rosto de uma mulher que reclamou que eles teriam feito barulho ao assistir o último filme de Harry Potter, causando-lhe danos irreversíveis à vista.)

2) Relativismo moral. Tudo é permitido, tudo é igual a tudo, não devemos julgar os outros que têm culturas ou gostos diferentes a nós. Por isso mesmo, o criminoso é apenas alguém que tem uma cultura diferente, e o consumo de drogas que financia o tráfico também virou apenas mais um "comportamento alternativo" que não pode ser criticado por ninguém.

Insisto no exemplo, já que o tráfico é uma dos principais meios de crime nas nossas redondezas. Vários governos, do México ao Brasil, querem atualmente descriminalizar o uso de certas drogas, aplicando uma medida liberal e compassiva que vê o usuário como uma vítima ou então como um inocente que comete um victimless crime. Mas a quem beneficiaria essa lei, que só observa um lado da moeda? Mais demanda, mais oferta. Mais consumidores, mais venda do produto. Mais drogados, mais traficantes. Mais traficantes, mais crime. Parece-me óbvio: os que querem liberar o uso de drogas sem liberar sua venda estão simplesmente do lado dos criminosos e traficantes, e provavelmente até ganhem uma comissão.

Mas não é só a questão das drogas. O sexo, também. Afinal, a liberação sexual causou mais ou menos crimes?

Aí há duas teorias conflitantes. Uma diz que a repressão sexual é que causa frustração, ódio, violência e, finalmente, crime. Liberando-se geral, haveria menos motivo para a violência e o crime sexual. Mas será que é isso mesmo? Alguns, citando recentes estudos, afirmam que o aumento da pornografia teria reduzido o número de estupros nos EUA, mas tais conclusões são precipitadas. Correlação não significa causação.

Outros afirmam que a maior liberação sexual (e rotação de parceiros) também gerou, paradoxalmente, maior ciúmes e, portanto, possível maior número de crimes passionais (aguardam-se estudos a respeito).

Contra a teoria do liberalismo como causador do aumento do crime, existe a Suécia, país que, ao menos a julgar pelos boatos, sempre foi liberado sexualmente, e no entanto tem uma baixa taxa de criminalidade. Aliás, seus maiores criminosos são os imigrantes muçulmanos, que são em teoria os mais preocupados com a moral sexual, ao menos de suas mulheres.

Por outro lado, recentemente, no vilarejo sueco de Örebro, um senhor foi derrubado de sua bicicleta e abusado sexualmente por uma gangue de jovens garotas suecas. Pobre homem! É realmente terrível observar a que ponto chegamos... Aliás, como se faz para chegar a Örebro?

Garotas suecas são demoníacas.