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domingo, 9 de setembro de 2012

Poema do Domingo

Amei-te e por te amar
Só a ti eu não via...
Eras o céu e o mar,
Eras a noite e o dia...
Só quando te perdi
É que eu te conheci...

Quando te tinha diante
Do meu olhar submerso
Não eras minha amante...
Eras o Universo...
Agora que te não tenho,
És só do teu tamanho.

Estavas-me longe na alma,
Por isso eu não te via...
Presença em mim tão calma,
Que eu a não sentia.
Só quando meu ser te perdeu
Vi que não eras eu.

Não sei o que eras. Creio
Que o meu modo de olhar,
Meu sentir meu anseio
Meu jeito de pensar...
Eras minha alma, fora
Do Lugar e da Hora...

Hoje eu busco-te e choro
Por te poder achar
Não sequer te memoro
Como te tive a amar...
Nem foste um sonho meu...
Porque te choro eu?

Não sei... Perdi-te, e és hoje
Real no [...] real...
Como a hora que foge,
Foges e tudo é igual
A si-próprio e é tão triste
O que vejo que existe.

Em que és [...] fictício,
Em que tempo parado
Foste o (...) cilício
Que quando em fé fechado
Não sentia e hoje sinto
Que acordo e não me minto...

[...] tuas mãos, contudo,
Sinto nas minhas mãos,
Nosso olhar fixo e mudo
Quantos momentos vãos
Pra além de nós viveu
Nem nosso, teu ou meu...

Quantas vezes sentimos
Alma nosso contacto
Quantas vezes seguimos
Pelo caminho abstrato
Que vai entre alma e alma...
Horas de inquieta calma!

E hoje pergunto em mim
Quem foi que amei, beijei
Com quem perdi o fim
Aos sonhos que sonhei...
Procuro-te e nem vejo
O meu próprio desejo...

Que foi real em nós?
Que houve em nós de sonho?
De que Nós fomos de que voz
O duplo eco risonho
Que unidade tivemos?
O que foi que perdemos?

Nós não sonhamos. Eras
Real e eu era real.
Tuas mãos - tão sinceras...
Meu gesto - tão leal...
Tu e eu lado a lado...
Isto... e isto acabado...

Como houve em nós amor
E deixou de o haver?
Sei que hoje é vaga dor
O que era então prazer...
Mas não sei que passou
Por nós e acordou...

Amamo-nos deveras?
Amamo-nos ainda?
Se penso vejo que eras
A mesma que és... E finda
Tudo o que foi o amor;
Assim quase sem dor.

Sem dor... Um pasmo vago
De ter havido amar...
Quase que me embriago
De mal poder pensar...
O que mudou e onde?
O que é que em nós se esconde?

Talvez sintas como eu
E não saibas senti-o...
Ser é ser nosso véu
Amar é encobri-o,
Hoje que te deixei
É que sei que te amei...

Somos a nossa bruma...
É pra dentro que vemos...
Caem-nos uma a uma
As compreensões que temos
E ficamos no frio
Do Universo vazio...

Que importa? Se o que foi
Entre nós foi amor,
Se por te amar me dói
Já não te amar, e a dor
Tem um íntimo sentido,
Nada será perdido...

E além de nós, no Agora
Que não nos tem por véus
Viveremos a Hora
Virados para Deus
E n'um (...) mudo
Compreenderemos tudo.  

Fernando Pessoa 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

HOW can I, that girl standing there,
My attention fix
On Roman or on Russian
Or on Spanish politics?
Yet here's a travelled man that knows
What he talks about,
And there's a politician
That has read and thought,
And maybe what they say is true
Of war and war's alarms,
But O that I were young again
And held her in my arms!


W. B. Yeats

domingo, 11 de setembro de 2011

Poema do Domingo

They say that “Time assuages” -
Time never did assuage -
An actual suffering strengthens
As Sinews do, with age -

Time is a Test of Trouble -
But not a Remedy -
If such it prove, it prove too
There was no Malady -

Emily Dickinson (1830-1886)

domingo, 31 de julho de 2011

Poema do Domingo

I'm nobody! Who are you?
Are you nobody, too?
Then there's a pair of us--don't tell!
They'd banish us, you know.

How dreary to be somebody!
How public, like a frog
To tell your name the livelong day
To an admiring bog!

Emily Dickinson (1830-1886)

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Qual o sentido da vida?

Devemos fazer algo útil na vida. Mas o que seria algo útil? Confesso que às vezes não sei. Este blog, não o vejo como tendo qualquer utilidade prática, escrevo porque não consigo parar, é vício mesmo. Mas é mais perda de tempo do que qualquer outra coisa. Sinceramente, muitas vezes gostaria de parar e escrever coisas mais úteis, mais belas, mais profundas -- ou ao menos que dessem mais dinheiro. Quem sabe terminar meu famoso romance, há anos na gaveta?

Por outro lado, às vezes fico pensando. Faz alguns meses conheci em um grupo de discussão literária um rapaz de 22 anos admirável. Excelente orador, recém formado em Direito, e sempre com conselhos práticos sobre a vida útil que as pessoas deveriam levar. Pois bem: após dar esses conselhos, ele saiu de camping com amigos e fez uma coisa extremamente estúpida: decidiu andar de caiaque em um rio de correnteza forte sem colete salva-vidas e sem saber nadar. Encontraram o seu corpo em decomposição duas semanas depois. Tinha 22 anos, e toda a vida pela frente. Eu tenho bem mais e também faço coisas estúpidas, mas ao menos sei nadar, isso sim.

Não sou religioso, mas acredito em Deus, embora confesse que não entenda seus desígnios. Acho que meu livro preferido da Bíblia é o Eclesíastes, que é basicamente uma aceitação resignada da falta de sentido aparente da vida, e da incompreensão do universo à qual todos estamos condenados. Houve uma vez em que me pareceu que havia um sentido oculto por trás de tudo; quem sabe se as coisas tivessem ocorrido diversamente, ainda pensaria assim. Mas não ocorreram e não se pode voltar atrás. Serei sempre nostálgico da vida que não tive.

Curiosamente, se tivesse levado uma vida mais afinada com os princípios conservadores aqui defendidos, é bem possível que tudo fosse melhor. Ou talvez não. Tudo pode acabar de um dia para o outro em um um único descuido. Talvez seja apenas questão de sorte. Sabe-se lá.

Dizer que estou lutando pela civilização ocidental é besteira. A existência ou não deste blog não faz diferença alguma para ninguém, muito menos para o "mundo ocidental". Não tenho qualquer ilusão de estar passando adiante qualquer coisa. Na verdade, às vezes nem sinto que sou eu quem escreve estas linhas: é como se eu fosse tomado por um espírito, o espírito do Mr X -- eu, o indivíduo real que vive uma vida completamente diferente da que é aqui pregada, sou apenas o médium que transmite seus delírios. Nenhum de meus amigos jamais sonharia que sou de direita, até porque talvez não seja mesmo. Sou somente um observador.

Ao contrário de outros sites e blogs, não tenho o menor interesse em propor modelos políticos, salvar o Brasil ou o mundo do petismo e do gayzismo, ou criar um grupo de extremistas de direita dedicados a caçar comunistas, restaurar a monarquia ou demolir as estruturas do progressismo mundial. Talvez faltem-me a clareza e a convicção, as mesmas que me faltam em tudo. Lamentavelmente, tampouco ganho dinheiro, status ou mulheres com o que posto aqui.

Se há algum tipo de utilidade no que é aqui feito, é apenas transmitir a um público muito seleto e educado algumas das ideias discutidas entre a direita americana que jamais chegam nem chegarão à mídia brasileira, mas mesmo isso hoje o Dextra faz melhor e com maior convicção. Eu só faço o que faço por hábito, uma espécie de transtorno obsessivo compulsivo, e nem tenho certeza de estar replicando as idéias corretas.

O blog começou como reação aos eventos do 9/11, ou melhor, o personagem do Mr X começou a aparecer nos comentários do velho blog do Pedro Doria, há vários anos atrás. Só anos depois criei um blog próprio. E, se no começo a preocupação maior era com o terrorismo islâmico, hoje tal tema representa uma parcela menor das discussões. Imigração, crise espiritual, decadência ocidental, progressismo versus tradicionalismo, todas essas são questões que começaram a aparecer com maior freqüencia por aqui, devido às minhas leituras. O fato é que o ressurgimento do islamismo é grave, mas é apenas um sintoma. A doença está no Ocidente.

Se este blog não tem qualquer utilidade, por que continuá-lo? Suponho que seja um diálogo platônico comigo mesmo, tentando entender para onde diabos vai o mundo. Nada mais, nada menos. E, se nada faz sentido, então por que não continuar anyway

Qual o sentido da vida? Os cristãos tem a sua fé. Os muçulmanos as deles. Para o ateu militante e chato de galochas Richard Dawkins, o sentido é a mera propagação dos genes, aliás, nós humanos não temos qualquer sentido, somos apenas os condutos pelo qual os nossos "genes egoístas" são transmitidos de geração para geração. Mas para quê?

Para o militante ateu/gay/esquerdista, acho que o sentido da vida é tentar sempre forçar uma utopia terrena, mas que não chega nunca, e por isso a radicalização torna-se sempre maior. Todos aqueles que buscam uma forma de utopia terrena ou reengenharia social, terminam dando de cara com a ressaca cósmica, como diz o Pedro Sette. O feminismo não trouxe a felicidade? Tentemos o casamento gay. Tampouco deu certo? Bem, quem sabe a liberação dos animais? Etcétera etcétera e assim por diante. Isso ficou bem claro para mim com a eleição de Obama: houve todo aquele orgasmo midiático com a eleição do "primeiro presidente negro", e depois o quê? Nada. Post coitum omne animal triste est (*). A sensação de vazio foi camuflada com planos para a "primeira juíza latina da Suprema Corte", o "primeiro homossexual governador do Arkansas", etcétera etcétera e assim por diante.  

Já para outros o sentido da vida é mais prosaico, não fazer coisas em grande escala, mas sim na pequena. Ajudar os próximos. Escrever um livro, ter filhos, plantar uma árvore. Coisas do tipo. Parece-me mais sensato.

Bem, estou pensando em modificar algumas coisas em minha vida profissional e pessoal, e estas mudanças quase certamente terão algumas ramificações no blog também; não sei bem ainda quais serão, só sei que ocorrerrão num futuro relativamente próximo. De qualquer modo, ao menos por ora, continuarei postando. Não consigo parar, já disse. Salvo que decida me aventurar de caiaque em algum rio desconhecido, e tudo acabe assim de repente sem qualquer tipo de sentido ou explicação, estarei por aqui. 

A vida continua, até que um dia não.




(*) "Após o coito todo animal é triste, com exceção da mulher e do galo" (Galeno).

domingo, 5 de junho de 2011

A guerra das lâmpadas e o futuro do blog

Olá. Publiquei uns três posts ultimamente, mas não fiquei satisfeito com nenhum e retirei-os do ar. Acho que não sei mais qual é ou qual deva ser o caráter do blog.

Comecei como libertário, depois virei neocon, agora discordo dos neocons mas sem concordar tampouco com os paleocons e tive até uma fase de interesse pelo realismo racial, mas para falar a verdade tampouco concordo com essa gente que assume o determinismo biológico como medida última de todas as coisas.

Não gosto do ecologismo, detesto o feminismo, abomino o islamismo, tenho horror ao comunismo, mas tampouco sei se há um movimento da direita com o qual eu me sinta perfeitamente integrado. Como Groucho Marx, talvez eu não queira participar de nenhum clube que me aceite como sócio. 

Em resumo, estou virando um velho rabugento, e talvez seja a hora de dar um tempo no blog.

Li no entanto um artigo interessante sobre as lâmpadas, e achei que valia a pena comentar.

As lâmpadas incandescentes, inventadas por Thomas Edison, continuam sendo tão úteis quanto há cento e quarenta anos atrás. Têm uma luz excelente e um custo muito barato. No entanto, em nome da ecologia, querem acabar com elas. Em quase todos os países do mundo elas estão sendo gradualmente eliminadas, em troca de outras supostamente mais eficientes. Novos regulamentos de consumo energético praticamente as tirarão de circulação nos próximos dois ou três anos.

O defeito das lâmpadas incandescentes seria que 90% da energia que emitem transforma-se em calor, não em luz. São, portanto, consideradas ineficientes e acusadas de colaborar com o fantasmático "aquecimento global".

O substituto mais comum para elas é a lâmpada fluorescente, compacta ou normal. O problema é que quase ninguém gosta de lâmpadas fluorescentes. (O leitor gosta?) Elas têm uma luz fria com tom branco ou esverdeado que incomoda, e às vezes uma iluminação tremulante que tende a ficar cada vez pior com o tempo. Embora consumam menos energia, tampouco são ultra-ecológicas (nenhuma tecnologia que se preze o é): contém em seu interior elementos tóxicos como mercúrio, portanto precisam ser cuidadosamente recicladas.

Agora, após anos de estudos e pesquisas, está sendo lançada no mercado uma nova lâmpada ultra-tecnológica que promete a luz das velhas lâmpadas incandescentes porém com extrema eficiência energética.

Detalhe: cada lâmpada custa, atualmente, entre quarenta e setenta dólares. Seus defensores afirmam que isso não importa, pois a nova lâmpada pode durar até 22 anos, equivalendo ao custo das dezenas de lampadinhas trocadas ao longo desse mesmo tempo. (E se você se mudar, vai levar as lâmpadas junto?)

Não sei se as novas lâmpadas são realmente mais ecológicas, levando-se em conta todos os aspectos de sua custosa produção (talvez sejam como os carros híbridos, que consumem muito mais energia do que os carros tradicionais para ser produzidos). Parece-me mais que se trate do velho jeitinho, tão comum no Brasil, de "inventar dificuldades para vender facilidades."

Aliás, acho que o mesmo raciocínio se aplica a quase tudo no progressismo: a eterna busca de soluções imaginárias para problemas inexistentes, ou que têm uma causa bem diferente que jamais é mencionada. 

terça-feira, 10 de maio de 2011

Nome de rico, nome de pobre

Estou com preguiça de abordar temas mais sérios e complexos, portanto sigo com temas frívolos ou sem grande importância para o leitor. Uma discussão no blog tradicionalista View from the Right chamou a atenção para o tema dos nomes.

Sabe-se que muitas vezes os pobres costumam escolher nomes bem "criativos" para seus filhos: Valdisney, Francisleidy, Avagina, Uéliton, etc. O mesmo ocorre, com variações, entre as classes baixas americanas, seja no gueto negro (Shaquanda), seja na fazenda redneck (Winchester).

Porém, o curioso é que também entre os ultra-ricos, em especial entre as celebridades da mídia, os nomes bizarros estão se tornando cada vez mais comuns. Como já estamos em 2011, fica difícil colocar a culpa nos velhos hippies e suas drogas alucinógenas.

Já tínhamos a Suri do Tom Cruise e a Apple da Gwinnet Paltrow, entre tantos outros. Robert Rodriguez não perdoou nenhum de seus quatro filhos: são Rocket, Rebel, Rogue e Racer. No Brasil, temos a Sasha da Xuxa, e Zaion e Krizia, filhos de Fábio Júnior.

Agora a Alicia Silverstone resolveu dar a seu filho o nome de Bear Blu (algo como urso azul).

O que explica esses nomes? Imagino que a idéia de torná-los únicos e originais e, por extensão, afirmar que a criança também será única e original -- não um João ou William qualquer.

O problema é que um nome "criativo", além de submeter o indivíduo a uma vida de gozações, também termina limitando as suas possibilidades. Bear Blu talvez seja um ator, um decorador de interiores ou um cantor de rock; mas provavelmente não será um gênio das matemáticas ou um famoso homem de negócios.

Será que os nomes condicionam destinos? O que há de diferente, afinal, em um nome inventado como Zaion e um nome comum como Paulo? Chamar alguém de "Maçã" (fruta) é tão diferente de chamar alguém de "Rosa" (planta)?

Acho que a diferença é a tradição. Associamos certos nomes com certas personalidades históricas ou biblicas, com nossos antepassados, com certas categorias étnicas ou até classes sociais. Um nome revela o futuro que você imagina para a criança a partir do passado associado a esse nome. Nomes "originais" e "criativos" apenas refletem uma idéia superficial do momento, seja um jogo de palavras ou uma homenagem de gosto duvidoso, além de mostrar incapacidade de imaginar o futuro. Um bebê chamado Bear Blu é uma gracinha; um quarentão com o mesmo nome, não tanto. É um ato de vaidade dos pais, que transformam o próprio destino da criança em uma cruel brincadeira.

Porém, talvez o fim do tradicionalismo conservador indique o fim dos nomes tradicionais. Antigamente, imigrantes costumavam modificar o seu nome para adaptá-los ao novo país. Hoje, essa não é mais a regra: o nome mais comum em Londres é Mohammed. Mesmo em Hollywood, atores de origem estrangeira ou de pronúncia difícil costumavam americanizar seus nomes. Hoje eles preferem dar a seus rebentos nomes multiculturais. Sinal dos tempos.

Qual nome você vai dar ao seu filho?

"Bear Blu o caralho! Agora meu nome é Zé Pequeno!"

domingo, 17 de abril de 2011

Poema do Domingo

Speech after long silence; it is right,
All other lovers being estranged or dead,
Unfriendly lamplight hid under its shade,
The curtains drawn upon unfriendly night,
That we descant and yet again descant
Upon the supreme theme of Art and Song:
Bodily decrepitude is wisdom; young
We loved each other and were ignorant.

W. B. Yeats (1865-1939)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Existe livre-arbítrio?

Neste blog que ainda tem uma frase lá embaixo sobre a liberdade, curiosamente jamais fiz um texto sobre a filosófica questão do livre-arbítrio, ou a capacidade de um indivíduo de decidir as próprias ações. Ele existe mesmo? 

Para os islâmicos, tudo, absolutamente tudo é resultado do desejo onipotente de Alá (inshallah), portanto o livre-arbítrio não existe. A religião cristã, me parece, conciliou melhor esse dilema, mas ainda assim é difícil distinguir o que seria resultado da ação divina do que seria meramente ação humana.

Para o budismo, somos escravos de nossos desejos. O desejo nos leva a sofrer, pois tudo é impermanente. Para obter a felicidade, precisamos eliminar o desejo. Ou seja, precisamos, na verdade, eliminar nossa própria individualidade. E o livre-arbítrio é só uma ilusão...

Mesmo para os que não acreditam em Deus, karma ou Destino, a questão é complicada. Afinal, de acordo com a teoria que você escolher, somos controlados por nossos instintos, nosso subconsciente, nossos genes ou nossa química cerebral. 

Dizem que o atirador de Realengo era psicótico. Isso quer dizer que não tinha controle sobre suas próprias ações? Pulsões obscuras e uma falta de equilíbrio químico em sua mente doentia o conduziram - e às suas vítimas - a um beco sem saída?

Não precisamos falar em psicopatas. Eu mesmo - como cada um de nós, certamente - já tive momentos em que me arrependi muito de ter feito certas coisas, e fiz outras sem entender bem o porquê. Destino, genes, desejos irrefreáveis, reações a nível molecular? 

É claro, de acordo com a maioria dos cientistas, o livre-arbítro não existe. Neste interessantíssimo artigo do New York Times sobre a questão, fala-se sobre um experimento científico no qual o indivíduo acredita ter livre-arbítrio, quando não tem: a decisão já tinha sido tomada antes, de forma inconsciente. O nosso cérebro estaria programado para nos fazer crer que temos livre-arbítrio, mesmo que não o tenhamos.

Um dos romances que trata sobre a questão é "A Laranja Mecânica" (O filme também é bom, mas o livro é melhor do que o filme). O jovem criminoso Alex é submetido ao "Tratamento Ludovico", uma nova técnica baseada nos reflexos condicionados que transforma o ultraviolento adolescente em um pacato cidadão de bem. Mas um padre, personagem importante do romance, é contrário ao tratamento: afirma que o homem deve ser livre para poder escolher entre o Bem e o Mal.

Mas e se essa escolha não fosse assim tão livre? Em 1971, por acidente, descobriram que a água na cidade de El Paso, retirada de poços subterrâneos, continha uma quantidade razoável de lítio, enquanto que a água utilizada na vizinha Dallas, tirada da superfície, não tinha. O lítio é um calmante e, segundo alguns estudiosos, era isso o que explicava que nível de crime violento em El Paso na época fosse bem inferior ao de Dallas. Era o calmante.

Claro, a diferença no crime poderia até ter outros fatores. Mas diga a verdade, se existisse uma droga pacificante que pudesse ser pulverizada por sobre todas as favelas do Brasil, e transformasse seus habitantes em mansos cordeirinhos, será que você não seria a favor? 

Ou se o método Ludovico funcionasse, será que não gostaríamos que ele fosse usado nos criminosos mais impenitentes, e dane-se o "livre-arbítrio" dessas bestas-feras?

O perigo, é claro, vem a seguir. Afinal, por que parar com o controle do comportamento criminoso? Se funciona, por que não controlar também o comportamento do cidadão comum? Já há cientistas que asseguram ser possível desenvolver uma pílula anti-racista. Certo, e depois disso, o quê? A pílula anti-homofóbica? A pílula para não discordar do governo? Tome uma no café da manhã, e não precisa mais se preocupar com pensamentos impuros ou politicamente incorretos...

Não duvide que um dia aconteça. Se eles podem colocar flúor na água para a nossa saúde dental, por que não fariam algo similar "para a nossa saúde mental"?

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Homem, o novo oprimido?

Um post curtinho, mas divertido. Um comercial da Bombril com a Marisa Orth parece estar causando polêmica no Brasil. No comercial, o marido é comparado a um cachorro babão que deve ser treinado a golpes no focinho.

Nos EUA, sociedade onde as mulheres estão ainda mais "evoluídas", não são novidade comerciais que mostram os maridos como bobalhões, atrabalhados, incompetentes, ridículos, etc. Cachorro é pouco: em um comercial da Sony, o marido é comparado a um cavalo; em outro, da Roomba, a um jumento.

O fato é que grande parte da televisão é feita para as mulheres, e a maioria dos produtos anunciados são dirigidos às mulheres também. Apesar de tudo o que se fala sobre a tal sociedade consumista, quem mais gosta de consumir são as mulheres. Talvez seja estereótipo, mas se é um estereótipo, é promovido pelas próprias mulheres.

Tudo bem. Mas por que as mulheres gostariam de comerciais que mostram seus maridos como losers?

Segundo os blogueiros neo-machistas americanos, tem a ver com homens "alfa" e "beta". Isto é, a mulher casa com o provedor "beta" que despreza, mas sonha mesmo é com o macho "alfa". O comercial seria uma forma de vingança psicológica das mulheres contra os seus "betas". 

Já segundo os conservadores cristãos, tem mais a ver com a perda de valores da sociedade contemporânea e a promoção do fim do casamento tradicional, da figura da mãe solteira, da mulher feminista independente que valoriza mais a carreira do que o casamento e os filhos, etc & blablablá. 

Seja como for, já há quem ache que os homens é que são a nova minoria discriminada da vez.

Eu não sei se é bem isso. Para falar a verdade, não achei o comercial com a Marisa Orth particularmente ofensivo, embora tampouco o tenha achado muito engraçado. Porém, protestar contra comerciais não me parece uma atitude demasiado "masculina"; os homens ficam mesmo parecendo bebês-chorões metrossexuais. No mais, pessoalmente, gosto de mulheres fortes e independentes, e em alguns relacionamentos talvez eu tenha seguido mesmo o estereótipo do homem trapalhão.

De qualquer forma, seguindo pesquisas, parece que tais comerciais estão alienando o público masculino sem necesariamente atrair mais o feminino, portanto talvez os marqueteiros devam revisar seus conceitos.


domingo, 27 de março de 2011

Poema do Domingo

a smile to remember

we had goldfish and they circled around and around
in the bowl on the table near the heavy drapes
covering the picture window and
my mother, always smiling, wanting us all
to be happy, told me, "be happy Henry!"
and she was right: it's better to be happy if you
can
but my father continued to beat her and me several times a week while
raging inside his 6-foot-two frame because he couldn't
understand what was attacking him from within.

my mother, poor fish,
wanting to be happy, beaten two or three times a
week, telling me to be happy: "Henry, smile!
why don't you ever smile?"

and then she would smile, to show me how, and it was the
saddest smile I ever saw

one day the goldfish died, all five of them,
they floated on the water, on their sides, their
eyes still open,
and when my father got home he threw them to the cat
there on the kitchen floor and we watched as my mother
smiled

Charles Bukowski  (1920-1994)

segunda-feira, 14 de março de 2011

Tsunami

O desastre natural que atingiu o Japão nestes dias deixou Hiroshima e Nagasaki no chinelo, mostrando que a Natureza ainda é mais poderosa do que qualquer operação humana.

Certamente todos viram os apavorantes vídeos ou esta incrível série de imagens antes-depois, portanto nem vou comentar. Dizer o quê? Não há nem o que falar: a magnitude da catástrofe quase parece nos comandar a um respeitoso silêncio.

Fica o registro da eficiência e serenidade do povo japonês: nenhuma notícia de quebra-quebra ou roubos, operações de resgate bem planejadas, eficiência até na evacuação da população para longe da usina nuclear danificada.

Gosto muito da cultura japonesa, ou do pouco que conheço dela que chega até nós ocidentais (Kurosawa, Miyazaki, Sharaku, samurais, mangás, etc.). Peço orações pelo povo japonês, com o qual os brasileiros temos uma estreita relação.

Um mundo de luto e dor;
Cerejeiras florescem,
Mesmo ali.
ku no shaba ya
sakura ga sakeba
saita tote

(Kobayashi Issa, 1763-1828)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Dissonância cognitiva

Continuam os protestos pelo mundo árabe. A bola da vez é o Barein, mas também já houve protestos nos últimos dias na Líbia, Argélia, Iêmen e até no Irã. 

Continuo, de minha parte, sem me emocionar. Será que tais movimentos realmente levarão à democracia, à liberdade de expressão, aos direitos humanos, à maior amizade com os países ocidentais? Ou, ao contrário, levarão a maiores belicosidades, a mais terrorismo, a mais ódio contra Israel, EUA e Europa, ao estabelecimento da lei da sha'ria e ao supremacismo muçulmano? Tudo ainda está em aberto, é claro, mas no que se refere a essa parte do mundo é sempre bom ficar com um pé atrás.

O fenômeno da dissonância cognitiva pode ser definido como a presença simultânea de duas idéias completamente opostas na cabeça. É o que ocorre com muitos progressistas, e é de fato estranho que as suas cabeças não explodam. Um exemplo claro é no que se refere ao Islã. Seu coração lhes diz que estrangeiros morenos seguidores de uma religião não-cristã só podem ser pessoas do bem. No entanto, seus olhos lhes mostram muçulmanos constantemente atacando mulheres, gays, ateus, e todas as demais minorias e valores tão prezados por eles. 

Estes dias saiu a notícia sobre uma repórter americana, loira, feminista, que estava cobrindo com júbilo as manifestaçõs do "heroico" povo egípcio, que "lutava pela democracia" quando foi agarrada, espancada e abusada sexualmente por uma massa de pessoas no mesmo meio dos protestos. Epa! Esse é o mesmo povo de "heróis" que (segundo a mídia) quer "democracia", "direitos humanos", "igualdade para as mulheres", ou é outro? Ou era apenas uma forma culturalmente diversa de celebrar a queda do odiado ditador? 

"You gonna get raped"

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Educação para primatas

Já escrevi mais de um artigo a favor do homeschooling. Porém, vendo alguns vídeos assustadores sobre a violência contra professores no que passa por "escola pública" hoje no Brasil, pergunto-me se, na verdade, esses alunos estão ali justamente porque os pais, no caso em que estes existam, não os querem em casa. A escola virou uma espécie de creche para pequenos marginais. Por algumas horas por dia, a família têm sossego... 

Tendo trabalhado por anos no ramo da educação, aprendi algumas coisas:

1) A escola é supervalorizada. Precisamos realmente de quinze anos de educação? Todos precisam aprender (mal) sobre História e Biologia, esquecendo isso logo depois? Uma minoria, que irá depois para a universidade ou entrará em um mercado de trabalho mais avançado, talvez precise. O resto, precisa apenas aprender as operações básicas da aritmética, a taboada, a ler e a escrever.

2) Mesmo a Universidade é supervalorizada. O que é mais necessário em uma sociedade, encanadores ou graduados em Ciências Políticas? Mas isso é assunto para outro post.

3) Alguns alunos não têm capacidade para aprender e provavelmente não deveriam nem estar em uma escola de segundo grau, quanto menos em uma universidade, para o seu próprio bem.

4) Muitos alunos que têm capacidade, no entanto não querem aprender. E não há nada, absolutamente nada que você possa fazer para ensinar um aluno que não quer estudar.

5) O melhor que a escola pode fazer por algumas pessoas é simplesmente ensinar-lhes noções básicas de respeito, disciplina e obediência. Lamentavelmente o Paulo Frieira e outros intelectualóides ferraram com isso, com suas idéias delirantes de igualdade entre aluno e mestre.

6) Antes os alunos usavam uniforme e apanhavam do professor, o que podia ser cruel mas funcionava. Hoje, perdida toda noção de autoridade do professor, os alunos se vestem como membros de gangues e batem nos professores, quando não os matam.

7) A culpa não é só do aluno, mas também, sim, dos pais. Hoje em dia há pais que acreditam que quando o aluno vai mal em uma prova, a culpa é do professor, e saem a discutir com ele. Também os pais perderam o respeito pelos professores ao mesmo tempo em que não conseguem ter autoridade sobre os próprios filhos.

8) As tecnologias da informação como telefones celulares e outros aparelhos portáteis podem até ter suas vantagens, mas tornaram as escolas de segundo grau um inferno. Em vez de prestar atenção, os alunos estão trocando mensagens ou filmando-se a si mesmos com seus celulares, para depois colocar no Youtube.

Eu não digo que tenha a solução para os problemas da educação no Brasil, mas começaria por algumas coisas: um, trazer de volta a autoridade do professor, se não com castigos físicos, ao menos com punições severas em caso de desrespeito. Pois nem isso ocorre hoje: observe que, no caso da aluna que atirou uma cadeira contra o professor e o chamou de idiota, a escola ainda está pensando se deve puni-la...

Dois, tornar a escola secundária algo não-obrigatório, liberando os alunos preguiçosos ou imbecis mais cedo para as ruas, e os mais inteligentes para estudarem por sua conta ou com a ajuda de seus pais. O fato é que esse negócio de escolarização muitas vezes só serve para fins estatísticos, para o governo poder dizer que existem 99% de alfabetizados (mentira).

Temos milhões de analfabetos com diploma! Afinal no Brasil, o que conta mesmo é o diploma, jamais a educação. Estudar para adquirir conhecimento? Ora, isso é coisa de jumento.  

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Devemos mesmo salvar a Civilização Ocidental?

Dois posts curiosos (só em inglês, sorry) chamaram a minha atenção, e indicam o derrotismo e desespero que está batendo na maioria dos Ocidentófilos.

O primeiro pergunta: devemos mesmo salvar a Civilização Ocidental? Seu argumento é que, na realidade, a Civilização Ocidental contém em si a semente de sua própria destruição, ou melhor, talvez ela própria é que seja o Mal. Pergunta o autor: não são o marxismo, o nazismo, o relativismo, o feminismo, o homossexualismo, o petismo, a arte moderna, a poesia concretista (ok, essa e o petismo eu que coloquei), o politicamente correto e todos os males da dita modernidade, não são eles todos filhos diletos da mesma Civilização Ocidental? E, ao salvar a Civilização Ocidental, não estamos na verdade propagando e mantendo vivos todos esses males que podem terminar por destruir tudo aquilo que é mais sagrado? Diz nosso pessimista amigo:

[...] todos os atributos abstratos que a Direita Secular quer preservar na Civilização Ocidental são cúmplices do seu declínio: liberdade de escolha - egoísmo; democracia - tirania das massas; liberdade de consciência - perda da religião; filosofia científica - burocracia racional; arte - subversão; liberdade de estilo de vida - inversão moral; tolerância - covardia.

Segundo ele, a Civilização Ocidental é apenas um "processo", e, como tal, não pode ser concretamente salva. Pode-se salvar um povo, um território, uma nação, uma religião, mas não um processo em constante mudança.

O segundo autor vai ainda mais além. É alguém que não só desistiu de tentar salvar a Civilização, como está mesmo tentando apressar a sua queda. Seu argumento é que é impossível reformar a sociedade decadente de hoje, sendo assim, porque não acelerar o seu fim? Por exemplo, ajudando a sugar dinheiro do welfare state e assim apressar o colapso econômico e social que se seguirá.

Enquanto defensor do Estado mínimo eu estava constantemente na esperança que algum dia legislaríamos contra o aumento do welfare, warfare e autoritarismo. Como anarquista convertido, agora reconheço que nada disso vai acontecer. Reconheço agora que cada dólar de imposto que pago está apenas sustentando um sistema ilegítimo e moribundo. As mesmas pessoas que eu desprezava por receberem esmolas do governo eram na verdade mais espertas do que eu, pois estão ajudando a demolir o sistema de forma bem mais eficiente do que eu. 

Naturalmente, e em coerência com seus princípios anarco-capitalistas, o autor é um survivalist, que já estocou comida, munição e água e aguarda com impaciência o colapso total.

Meu problema com esses argumentos é que, além do derrotismo que termina levando ao mesmo local que a esquerda quer nos levar (i.e. o fim da civilização e o caos geral, tudo em nome da utopia), não levam em conta que sempre foi assim. As forças destrutivas sempre estiveram batalhando contra as forças mantenedoras da ordem. E afinal, quando é que foi esse paraíso perdido da Civilização Ocidental, tão chorado por tantos? Foi nos anos 30, quando a Europa se digladiava em guerras fratricidas? Foi no século XIX, antes do fim da escravidão e do voto feminino? Foi antes ou depois dos jacobinos da Revolução Francesa? Foi no Renascimento, quando guerras religiosas aconteciam aqui e ali? Foi na Idade Média, entre a peste negra e a ameaça sarracena? Ora, analise em detalhe qualquer período histório e verá que sempre houve forças negativas tramando contra a vida, a moral, a tradição, a justiça, a harmonia social ou simplesmente lutando pelo Poder Total. Hoje são os utopistas e os globalistas e (de novo) os maometanos, amanhã serão os ultra-ecologistas ou os neonazistas, é a vida. The show must go on.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Poema do domingo

The Moving Finger writes; and, having writ,
 Moves on: nor all your Piety nor Wit
 Shall lure it back to cancel half a Line,
 Nor all your Tears wash out a Word of it
Omar Khayam (1048-1131)
 
* na tradução/recriação de Edward Fitzgerald (1809-1883)


sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Guia da Internet Políticamente Incorreta

Raramente atualizo a relação do blogroll ao lado, então eles não refletem exatamente minhas últimas leituras ou mesmo os blogs que ainda estão ativos. E, como é possível que tenha menos tempo de blogar por estes dias, deixo vocês com outros locais onde se divertirem. Alguns links são polêmicos e altamente provocativos, mas também isso faz parte da diversão...

EM PORTUGUÊS

Dextra. Finalmente uma direita ao velho estilo! O blog mais reacionário desta galáxia ao sul do Equador. Tem pouco material próprio, mas várias excelentes traduções ao português de artigos de Roger Scruton, Jerome Corsi, Lawrence Auster, e muitos outros. A direita mais retrógrada de todas, com muitas imagens chocantes para ilustrar, e questionando até a igualdade racial e o direito de voto feminino!

Mídia Sem Máscara. Dispensa apresentações. É o covil da Serpente Gnóstica, segundo o leitor AN.

Roberto Cavalcanti. Católico apostólico romano, leitura políticamente incorreta sobre a questão do aborto, homossexualismo, etc. Um Júlio Severo com um texto menos agressivo, digamos.

Blog do Pim. Jovem redator publicitário com excelente blog sobre política e temas atuais. Não percam seu bom artigo sobre a liberação das drogas. Lamentavelmente, não parece publicar muito seguido, e agora está de férias. 

Sílvio Koerich: Blog do "perdedor mais foda do mundo". Machismo escancarado desancando as mulheres, o feminismo, as relações modernas. Acha que mulher gosta mesmo é de ser dominada, quando não de apanhar. Muito humor e muitos palavrões. 

EM INGLÊS

Belmont Club: Blog do ótimo Richard Fernandez. Epa! Um latino, imigrante ilegal nos EUA? Não, um filipino que mora na Austrália. Ah, bom. Terrorismo, guerra e política internacional estão entre seus temas preferidos.

View from the Right: judeu convertido ao cristianismo, acusado por vezes de racismo, contrário ao Islã, à imigração, ao homossexualismo e até à teoria da evolução de Darwin. É primo do famoso escritor Paul Auster, de orientação política completamente oposta. Curiosamente, assim como Olavo de Carvalho, foi astrólogo na juventude. Mas não deixe isso desanimá-lo: Lawrence é uma das mentes mais brilhantes da blogosfera americana, explicando como ninguém o pensamento progressista. A astrologia parece ser útil para desenvolver a mente! O grande poeta Yeats também acreditava em astrologia, por sinal.

Iowntheworld: Blog satírico, surgido a partir de uma dissidência do famoso site satírico anticomunista The People's Cube. O melhor era a coleção de tirinhas sobre a família Obama, mas acho que pararam de fazê-las.

Whiskey's Place: A teoria de Whiskey é simples: tudo é culpa das mulheres, ou melhor, da pílula. A pílula anticoncepcional e o feminismo liberaram as mulheres do casamento. Não necessitando de homens beta que as sustentem, elas podem se dedicar à procura de alfas, e que tudo mais vá para o inferno. Assim, o Ocidente femininizou-se. Isso explicaria o fim do casamento, o politicamente correto, a preferência pelo Estado protetor cada vez maior, etc etc. 

Mencius Moldbug: o mais maluco de todos. Posts quilométricos e por vezes quase ilegíveis devido à densidade de informações. No entanto, pescando aqui e ali você encontra observações excepcionais. Neomonarquista (acredita em um sistema não-democrático mas que tampouco seria uma monarquia à moda antiga) e, até onde sei, ateu.

Leia por sua conta e risco!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

As mães chinesas e o "perigo amarelo"

Lembram quando se falava em "perigo amarelo"?

Pois o crescimento da China a potência mundial, hoje, é uma realidade, como ficou evidenciado pelo encontro entre Obama e Hu Jintao, onde o presidente americano implorou para o chinês valorizar o yuan, respeitar Taiwan, etc, tudo enquanto Jintao segurava alguns trilhões de dívida americana.

O paleoconservador Pat Buchanan argumenta que a China hoje nada mais repete do que os EUA do século 19, crescendo sem se importar com "direitos humanos", "acordos comerciais" ou outras delicadezas. Querem é crescer e não pedem licença a ninguém, e não tem motivo de aceitar os pedidos dos EUA.

Também na mídia brasileira, um artigo de Carlos Sanderberg diz:

Mais difícil é saber como tratar a questão política, ditadura e desrespeito aos direitos humanos. Muitos dizem que não há o que fazer além de criticar, marcar posição e, paciência, esperar que o regime chinês evolua internamente para uma coisa mais próxima da democracia.

Como se vê, não se trata de uma disputa tipo EUA x União Soviética. Agora, estão todos no capitalismo, discutindo moeda, comércio e investimentos.

E o Brasil da presidente Dilma? Para começar, poderia enterrar essa bobagem da Era Lula de achar que a China é nossa parceira estratégica na diplomacia Sul-Sul, de pobres x ricos. A China é a segunda potência, quer ser rica, e pronto. Tem mais tendências imperialistas do que para solidariedade com o Terceiro Mundo.

De fato, a China não tem solidariedade com ninguém, nem no câncer. Porém, o artigo que mais gerou discussão na Internet sobre a China foi um que saiu no Wall Street Journal recentemente, argumentando que "As mães chinesas são superiores".

Comparando as mãs chinesas com as mães ocidentais, Amy Huan acusou estas últimas de preguiçosas, medrosas e pouco exigentes. As mães ocidentais têm medo de dizer não aos seus filhos, aceitam notas medíocres, não os forçam a estudar, emagrecer ou progredir. As mãe chinesas, como Amy, a "tiger mom"? Proíbem televisão, videogame e dormir na casa de amiguinhos/as; obrigam seus filhos a praticar piano ou violino cinco horas por dia; os obrigam a estudar e se eles não tirarem as melhores notas de toda a turma, são duramente castigados.

Amy é na verdade chinesa-americana, casada com um judeu-americano, e alguns acreditam que ela exagere. Quando uma das filhas recusou-se a continuar tocando piano, ela ameaçou colocar fogo em todos os seus bichos de pelúcia e doar sua casinha de bonecas à caridade. Quando outra filha, de quatro anos, lhe deu um cartão de aniversário criado por ela, a mãe o jogou no lixo e disse para fazer melhor. 

O artigo gerou pavor nos pais americanos, e uma onda de discussão na Internet. Seriam as mães chinesas mesmo superiores? Seriam elas o novo "perigo amarelo", criando um planeta sob dominação chinesa total?

Não percam os próximos capítulos.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Três anos de blog

Agradeço aos leitores, velhos e novos: já temos três anos de blog. Três anos podem ser muito tempo e chegam mesmo a cansar. Por ora, resistimos: mas até quando?

Já falamos sobre quase todos os temas possíveis, de política a robôs; algumas vezes até de forma repetitiva ou enfática. 

Tivemos três tristes trolls, um comunista, um antisemita e agora um simpático positivista. Curiosamente, os três jamais apareceram juntos no mesmo post.

O blog evoluiu ao longo do tempo, ou, ao menos, mudou, não sei se para pior ou para melhor. Começou como libertário, mais tarde teria passado para o lado do conservadorismo social, e mais recentemente até mesmo pareceria, segundo um par de leitores pouco atentos, ter flertado com o movimento "white power". Tudo ilusão. O blog não tem uma linha política definida, e repele a maioria dos extremismos. Seu autor é um libertário moderado (ou desiludido?) que acredita em alguns princípios conservadores e, bem mais raramente, religiosos ou místicos. É contrário ao politicamente correto e a grande parte das crenças modernas, o que não quer dizer necessariamente que apóie as antigas. Tem nostalgia de um passado melhor que nunca existiu.


Agora que chegamos a 2011, o blog encontra-se em uma encruzilhada. Ir em frente ou parar?

Francamente, estou pensando seriamente em terminar o blog. Talvez o meio já tenha dado o pouco que tinha que dar. Atenção, isso não quer dizer que eu pararei de escrever, é claro. Quer dizer apenas que talvez aposente o personagem do "Mr X" e o troque por outro autor, quem sabe algum que escreva mais sobre robôs e poemas e menos sobre política. Ou, quem sabe, talvez eu assine alguma coluna em algum outro meio com meu nome verdadeiro, em troca de um vultuoso pagamento (interessados, contatar-me no orbister@gmail). 

Sabe-se lá. Isso é coisa para as resoluções de Ano Novo, aquelas mesmas que jamais são cumpridas. Por ora, desejo a todos um Feliz Natal.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Poema do Domingo

Basta pensar em sentir 
Para sentir em pensar. 
Meu coração faz sorrir 
Meu coração a chorar. 
Depois de  parar de andar, 
Depois de ficar e ir,  
Hei de ser quem vai chegar 
Para ser quem quer partir. 

 
Viver é não conseguir.  

Fernando Pessoa  (1888-1935)