O Sakanoto teve um texto faz pouco querendo trazer de novo a discussão sobre a Lei da Anistia, e já começa falando em supostos direitistas que estariam com "saudade da ditadura".
Saudade da ditadura? Nunca conheci ninguém que tivesse, até porque somos de outra geração. Isso é história velha e enterrada. O próprio Sakamoto tem 33 anos, portanto nem viveu o período. Eu peguei o finzinho do governo Figueiredo quando criança. Não lembro que fosse um tempo tão horrível quanto dizem. Lembro vagamente que havia mais hinos cantados na escola, mais paradas militares, mais patriotismo. Fora isso, era um tempo como qualquer outro, para aqueles não metidos em política. Eu lembro mesmo é que podia jogar bola de gude e andar de bicicleta na rua sozinho a tarde inteira sem que meus pais sequer se preocupassem. Acho que isso seria impossível hoje em dia.
Quem parece ter "saudade da ditadura" são os esquerdistas, em especial os petistas no poder. Não perdem ocasião de falar dos "anos de chumbo". Talvez seja saudade da juventude, ou do tempo em que eram (no seu entender) heróis rebeldes. Não fossem eles, a tal ditadura já teria sido esquecida há muito tempo, até porque nem foi um período tão diferente a tantos outros. Será que o Estado Novo de Getúlio era menos ditatorial?
No entanto, um comentarista no blog do Sakoloko, um certo EPG, comenta algo que me parece lícito repetir aqui:
Parece mesmo que o Sr. vive em outro país... e talvez viva mesmo, dentro da sua cabeça. Recentemente o mesmo jornal que abriga seu Blog, noticiou que desde 2007, cerca de 150.000 processos de homicídio no país estavam inconclusos e que em apenas 3% de todos os casos, o criminoso era identificado. Não vejo uma linha sequer de "pensadores" como o Sr. exigindo ou meramente se indignando com as 150 mil vidas perdidas de cidadãos comuns, trabalhadores, estudantes, enfim gente! Porque não instaurar imediatamente uma Comissão da Verdade para apurar estes casos ? Acelerar as investigações ? Garantir a punição dos verdadeiros bandidos que ameaçam a sociedade ?Não ! Vocês se calam de uma forma vergonhosa, como se não fosse com vocês... afinal somos nós, gente comum e não terroristas armados, que estamos ameaçados diariamente de morte. Saudosismo da ditadura ? Parece que vocês é que não conseguem esquecer algo que aconteceu há quase quarenta anos atrás e que tirou a vida de no máximo 400 terroristas, mesmo tendo, na atualidade, uma quantidade equivalente a duas guerras do Iraque de mortos anualmente no Brasil, de pessoas que nunca tiveram uma arma na mão e que só estavam no lugar errado na hora errada. Isso é realidade, caro cientista político, está acontecendo conosco HOJE ! Qual é a sua proposta ? Acabar com os militares e com toda a polícia , porque o Sr. não gosta de farda ? Como o Sr. pensa em manter a ordem e a segurança ? Ou o Sr. também tem ojeriza a isto também ? Penso que se tem essas fobias, deveria procurar ajuda psiquiátrica. Ora Sr. Sakamoto, infelizmente o Sr. não é sério !
De fato, se a esquerda tanto quer punir torturadores, por que não começa punindo estes aqui. Ou estes. Torturador é o que não falta neste Brasilzão!
É claro que Bokirroto vive num mundo de fantasia. No seu mundo delirante, jovens de classe média brasileiros falam assim no bar:
"Enquanto isso, entre amigos da classe média…
- Uma puta! Alguém pega o extintor para jogar nessas vadias.
- Um índio! Alguém pega gasolina para a gente atear fogo nesses vagabundos.
- Um mendigo! Alguém pega um pau para a gente dar um cacete nesses sujos.
- Umas bichas! Alguém pega uma lâmpaga (sic) fluorescente para bater nessas aberrações."
Jamais encontrei alguém que falasse desse modo, mas talvez ande freqüentando as pessoas erradas. Nos bares em que vou, os jovens não pensam em bater em pobre ou gay algum: ao contrário, celebram o gayzismo e estão acostumados a ser achacados por flanelinhas e assaltados por marginais. O fato é que, no Brasil, não é a classe média que oprime os pobres, é o contrário: é a classe média trabalhadora que é oprimida pelos pobres! Desculpem-me os pobres honestos, mas é verdade. Se houvesse menos assaltantes e vagabundos, o Brasil seria um ótimo lugar para se viver. (Nada contra os pobres, mas detesto bandido e flanelinha).
De qualquer modo, não tenho saudade da ditadura, nem acho que seria um bom sistema de governo. O que nos leva à pergunta: qual seria um bom sistema? Sinceramente, não sei. A democracia tem com certeza os seus problemas, porém ditaduras os têm em dobro. E os leitores, o que acham?
Jamais pensei muito sobre o assunto, pois sempre considerei que Churchill tinha razão. Porém, confesso que ultimamente vejo até que com certa simpatia um retorno à monarquia: não uma monarquia absolutista, mas acho a figura de um rei interessante, nem que seja como mero símbolo da nação. O Brasil foi o único país das Américas a ter uma monarquia, e durante esse período teve maior estabilidade política do que muitos outros países. Chamem-me de louco, mas eu não veria como de todo ruim uma monarquia parlamentarista. O povão e as revistas de fofocas também gostariam. Win-win.
E você: tem saudade da ditadura?!?
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domingo, 4 de março de 2012
sábado, 11 de junho de 2011
A Mãe de todas as Mamatas
Passei horas lendo sobre um caso que está escandalizando a Argentina e que ilustra bem como corrupção e causas progressistas sempre andam de mãos dadas.
A associação Madres de la Plaza de Mayo está envolvida até o pescoço em um grave escândalo de corrupção. Talvez poucos no Brasil saibam, mas a entidade, que começou humildemente como um mero grupo de mães protestando pelo desaparecimento de seus filhos durante a ditadura militar, tornou-se uma mega-ONG envolvida em dezenas de causas progressistas, da educação à habitação à saúde, recebendo milhões do governo federal.
A associação Madres de la Plaza de Mayo está envolvida até o pescoço em um grave escândalo de corrupção. Talvez poucos no Brasil saibam, mas a entidade, que começou humildemente como um mero grupo de mães protestando pelo desaparecimento de seus filhos durante a ditadura militar, tornou-se uma mega-ONG envolvida em dezenas de causas progressistas, da educação à habitação à saúde, recebendo milhões do governo federal.
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sexta-feira, 13 de maio de 2011
Ódio à burguesia, ódio à realidade!
Parece estar havendo polêmica em São Paulo com o fato de que alguns moradores do bairro Higienópolis serem contrários à criação de uma nova estação de metrô lá. O Sakamoto escreveu sobre o assunto, naturalmente destilando ódio contra a "burguesia" e contra São Paulo, cidade que ele ama odiar. O Reinaldo Azevedo, que mora em Higienópolis, também tocou no tema, de modo mais sensato, explicando não apenas a questão do anti-semitismo como o fato de que o bairro já é bem servido de estações de metrô.
Porém, confesso que o que achei mais ilustrativo de tudo foi este breve intercâmbio aqui, entre duas comentaristas no blog do nipo-esquerdista anteriormente citado:
Porém, agora que penso, acho que o ódio que muitos sentem não é contra a tal "burguesia", mas sim contra a realidade. Sua visão de mundo não é baseada no mundo real, mas no "mundo como ele deveria ser". "A vida não é justa!", choram e esperneiam, como se isso fosse mudar alguma coisa.
O próprio Sakamoto repete em seu texto um mantra esquerdista que já ouvi várias vezes: "Se a cidade não é de todos, não será de ninguém".
O que diabos significa isso?
Eles preferem mesmo que seja "de ninguém", isto é, a destruição total, a que alguns tenham um pouco a mais do que outros? Se não a (utópica) igualdade, então a morte. Se não posso ter o brinquedo, então vou quebrar ele!!
Até Lula meteu sua colher, querendo insuflar o ódio de classes e afirmando que os moradores de Higienópolis tem "preconceito contra pobre".
Assim como há quem tenha preconceito contra pobre, há quem tenha preconceito contra rico. Se os moradores da favela, que não pagam IPTU e constróem ilegalmente, podem reivindicar seus "direitos", porque motivo a classe média alta que paga mais imposto do que todos, não teria direito às suas próprias reivindicações?
E por que razão a classe média ou média-alta daquele bairro não quereria uma parada de metrô ali? Será que teria algo a ver com a possibilidade de acontecer um arrastão e tiroteio entre os vagões, ou isso seria mera paranóia de burguês?
Muitas vezes acusa-se a classe média de querer se "segregar"; de morar em bairros afastados da gentalha. Ora, é claro que quer! E de preferência atrás de altos muros e sistema de alarme.
Se vivêssemos em um país no qual as pessoas não roubam nem assaltam nem estupram, talvez haveria de fato menos preconceito contra pobres. Não sendo o país assim, às vezes fica preciso generalizar.
No mais, é o seguinte: querer igualdade é uma utopia inútil. As pessoas não são iguais, e nunca vão ser. A sociedade brasileira, por razões que seria inútil discorrer aqui, jamais vai ser igualitária.
E como poderia, se os que mais gritam pela "igualdade" são justamente aqueles que ganham mais de 20 mil por mês em cargos de promotor ou deputado, que têm direito a escolta armada enquanto querem desarmar o cidadão, que tomam vinho Romanée-Conti com o dinheiro do contribuinte enquanto exaltam o cheiro do povo?
De fato, eles não são burguesia, são aristocratas, são comissários soviéticos!
No Brasil, ser rico é pecado - a não ser que seja com o dinheiro público. Aí, tudo bem!
Dizia o filósofo Edmunde Burke: "É um erro popular muito comum acreditar que aqueles que fazem mais barulho a lamentarem-se a favor do público sejam os mais preocupados com o seu bem-estar."
Burke jamais conheceu o Brasil, ou teria incrementado sua tese com alguns palavrões.
Porém, confesso que o que achei mais ilustrativo de tudo foi este breve intercâmbio aqui, entre duas comentaristas no blog do nipo-esquerdista anteriormente citado:
Sandra disse:Acho que o diálogo reflete bem, por um lado, a tentativa de isolamento dos que têm mais, e, por outro lado, o ódio que certas pessoas - invejosas? recalcadas? - sentem daqueles que conseguem se isolar um pouco que seja do caos geral. Não, essas pessoas tão cheias de ódio, que desejam aos outros assaltos e morte, não são pobres. Os muito pobres raramente sentem ódio dos ricos, afinal, trabalham para eles e vivem deles. Se tem alguém que os insufla a odiar a "burguesia" são os revolucionários, que querem mesmo é destruir tudo de vez.
12/05/2011 às 10:28Moro em Higienopolis e sou contra metro la. Nosso bairro eh limpo e relativamente seguro – nao precisa de mais nada. Honestamente, gostaria de construir um muro ao redor de Higienopolis e cobrar pedagio pra que nao-moradores entrem la.
Espero sinceramente que sua casa seja assaltada e sua familia refem de algum marginal.Mari José disse:
Porém, agora que penso, acho que o ódio que muitos sentem não é contra a tal "burguesia", mas sim contra a realidade. Sua visão de mundo não é baseada no mundo real, mas no "mundo como ele deveria ser". "A vida não é justa!", choram e esperneiam, como se isso fosse mudar alguma coisa.
O próprio Sakamoto repete em seu texto um mantra esquerdista que já ouvi várias vezes: "Se a cidade não é de todos, não será de ninguém".
O que diabos significa isso?
Eles preferem mesmo que seja "de ninguém", isto é, a destruição total, a que alguns tenham um pouco a mais do que outros? Se não a (utópica) igualdade, então a morte. Se não posso ter o brinquedo, então vou quebrar ele!!
Até Lula meteu sua colher, querendo insuflar o ódio de classes e afirmando que os moradores de Higienópolis tem "preconceito contra pobre".
Assim como há quem tenha preconceito contra pobre, há quem tenha preconceito contra rico. Se os moradores da favela, que não pagam IPTU e constróem ilegalmente, podem reivindicar seus "direitos", porque motivo a classe média alta que paga mais imposto do que todos, não teria direito às suas próprias reivindicações?
E por que razão a classe média ou média-alta daquele bairro não quereria uma parada de metrô ali? Será que teria algo a ver com a possibilidade de acontecer um arrastão e tiroteio entre os vagões, ou isso seria mera paranóia de burguês?
Muitas vezes acusa-se a classe média de querer se "segregar"; de morar em bairros afastados da gentalha. Ora, é claro que quer! E de preferência atrás de altos muros e sistema de alarme.
Se vivêssemos em um país no qual as pessoas não roubam nem assaltam nem estupram, talvez haveria de fato menos preconceito contra pobres. Não sendo o país assim, às vezes fica preciso generalizar.
No mais, é o seguinte: querer igualdade é uma utopia inútil. As pessoas não são iguais, e nunca vão ser. A sociedade brasileira, por razões que seria inútil discorrer aqui, jamais vai ser igualitária.
E como poderia, se os que mais gritam pela "igualdade" são justamente aqueles que ganham mais de 20 mil por mês em cargos de promotor ou deputado, que têm direito a escolta armada enquanto querem desarmar o cidadão, que tomam vinho Romanée-Conti com o dinheiro do contribuinte enquanto exaltam o cheiro do povo?
De fato, eles não são burguesia, são aristocratas, são comissários soviéticos!
No Brasil, ser rico é pecado - a não ser que seja com o dinheiro público. Aí, tudo bem!
Dizia o filósofo Edmunde Burke: "É um erro popular muito comum acreditar que aqueles que fazem mais barulho a lamentarem-se a favor do público sejam os mais preocupados com o seu bem-estar."
Burke jamais conheceu o Brasil, ou teria incrementado sua tese com alguns palavrões.
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sexta-feira, 8 de abril de 2011
Afinal, as raças existem?
O deputado Bolsonaro corre o risco de ser processado por racismo pela Preta Gil. É por ter chamado a Preta Gil de "preta"? Não, mas por ter respondido de forma um pouco confusa a uma pergunta no programa CQC. Ela perguntou se ele deixaria seu filho namorar com uma negra. Ele respondeu:
Mas haveria uma interpretação literal da resposta, que é a que Preta Gil alega: que, segundo Bolsonaro, os filhos "foram muito bem educados" e portanto "não correm o risco" de namorar negras...
É provável que Gil tenha um bom caso nas mãos, mas não vejo tanto motivo para tanta polêmica. Em primeiro lugar, pelo que pesquisei os dois filhos de Bolsonaro são maiores de idade, um já tem até 30 anos, portanto podem fazer o que bem entenderem sem seguir os conselhos do pai. Em segundo lugar, agora não se pode nem manifestar uma preferência? Será que um dia vai ser "homofobia" declarar que você prefere que seu filho namore uma mulher?
No mais, como o Janer Cristaldo observa, o problema mesmo é quando um "branco de direita heterossexual" fala alguma coisa. Os outros não tem problema algum em manifestar sua preferência racial ou sexual. No outro dia mesmo li o artigo de uma afro-americana que estava preocupada com um bebê negro adotado por um casal gay filipino. Tinha medo de que a criança virasse homossexual? Não, estava preocupada com a futura "identidade racial" da criança...
O curioso disso tudo é o seguinte. No Brasil, tanto a direita quanto a esquerda afirmam que "não existe raça". Aliás, nos EUA também. "Isso é que nem chifre, é só uma coisa que colocaram na sua cabeça", dizem. Mas então, como pode existir "racismo", se não há "raças"? Evidentemente, há algo de errado aí.
O que significa "raça"? Talvez seja a palavra equivocada, mas é fato que diversos grupos humanos apresentam caracteres físicos e até psicológicos diversos, os quais são transmitidos geneticamente de geração para geração. Daí, pode haver debates sobre o que exatamente constitui uma "raça", especialmente em um país como o Brasil em que praticamente todos, eu inclusive, têm uma origem bastante "misturada". Agora, dizer que as diferenças entre os pigmeus africanos e os escandinavos são só uma "ilusão" ou uma "construção social" é negar quase todos os estudos realizados até agora a respeito.
Mas há uma razão para a polêmica, e para a proibição, ao falar em raça ou mesmo em genética: o medo, relativamente compreensível, da volta a uma sociedade segregada por raças, na qual a raça A oprime a raça B ou C ou D.
Descendentes de negros e índios costumam ter menor presença nas elites do Brasil, e maior presença entre a massa dos pobres. Para a esquerda, a explicação é simples: herança do racismo e da opressão, triste resultado da escravidão e colonização de negros e índios por imperialistas europeus. Pode ser, mas -- tabu! -- e se fosse o contrário? E se fosse que tais grupos nativos foram dominados, escravizados e colonizados tão facilmente pelos europeus malvados justamente por terem menores habilidades intelectuais ou civilizacionais?
Tal era a visão "racista" até meados do século XX, e se tal visão hoje mudou foi menos devido a estudos científicos e mais devido ao mau uso que certas ideologias totalitárias fizeram deles, gerando até um temor em se discutir a mera possibilidade de diferenças raciais.
Vejam bem, estou longe de querer propor o ódio racial, e acho que, como religião ou sexo, raça é um tema muito complicado de discutir, talvez o mais complicado de todos. Talvez por isso hoje a direita prefira mesmo não mexer nesse vespeiro e dar a todos o benefício da dúvida, querendo apenas leis iguais para todos os indivíduos, independentemente de sua religião ou raça, no que estou de acordo. A esquerda é que parece empenhada em reerguer esse fantasma e criar uma nova sociedade baseada em conceitos raciais.
Não acredito nem na segregação racial nem na ação afirmativa. Conheci pessoas negras fabulosas aqui nos EUA. Admiro várias figuras da cultura negra americana, de Miles Davis a Thomas Sowell. Isso sem falar no recentemente descoberto Walter Williams, que é contra as cotas e que pode ser visto aqui em excelente entrevista com legendas em português (lamentável apenas o despreparo do repórter global, branco e imbecil).
Acho mesmo que uma sociedade "racialmente cega" que não discrimina (nem negativamente, nem positivamente) seja melhor. E por isso mesmo admiro o trabalho do Demétrio Magnoli, embora ache curioso que hoje seja a direita quem fala que "não existem raças", e a esquerda quem fala em "sangue negro", "sangue branco" e "patrimônio genético dos mestiços". Uma inversão de papéis: hoje é a esquerda quem promove o racismo no Brasil, ainda que seja um racismo ao contrário, dos outros grupos contra os brancos.
Ah, mas ia esquecendo: racismo contra brancos não é racismo, como bem explicou uma ex-Ministra de Inclusão Social.
"Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro este risco e meus filhos foram muito bem educados. E não viveram em ambientes, como lamentavelmente é o teu."Há duas interpretações sobre sua frase. A primeira é que, como o próprio Bolsonaro alega, tenha sido um equívoco. Ele diz ter entendido que a pergunta era sobre homossexualidade. Bolsonaro, afinal, diz ser casado com uma afro-brasileira: "Meu sogro é negão", ele diz. (Só falta agora o sogro processá-lo também por racismo...)
Mas haveria uma interpretação literal da resposta, que é a que Preta Gil alega: que, segundo Bolsonaro, os filhos "foram muito bem educados" e portanto "não correm o risco" de namorar negras...
É provável que Gil tenha um bom caso nas mãos, mas não vejo tanto motivo para tanta polêmica. Em primeiro lugar, pelo que pesquisei os dois filhos de Bolsonaro são maiores de idade, um já tem até 30 anos, portanto podem fazer o que bem entenderem sem seguir os conselhos do pai. Em segundo lugar, agora não se pode nem manifestar uma preferência? Será que um dia vai ser "homofobia" declarar que você prefere que seu filho namore uma mulher?
No mais, como o Janer Cristaldo observa, o problema mesmo é quando um "branco de direita heterossexual" fala alguma coisa. Os outros não tem problema algum em manifestar sua preferência racial ou sexual. No outro dia mesmo li o artigo de uma afro-americana que estava preocupada com um bebê negro adotado por um casal gay filipino. Tinha medo de que a criança virasse homossexual? Não, estava preocupada com a futura "identidade racial" da criança...
O curioso disso tudo é o seguinte. No Brasil, tanto a direita quanto a esquerda afirmam que "não existe raça". Aliás, nos EUA também. "Isso é que nem chifre, é só uma coisa que colocaram na sua cabeça", dizem. Mas então, como pode existir "racismo", se não há "raças"? Evidentemente, há algo de errado aí.
O que significa "raça"? Talvez seja a palavra equivocada, mas é fato que diversos grupos humanos apresentam caracteres físicos e até psicológicos diversos, os quais são transmitidos geneticamente de geração para geração. Daí, pode haver debates sobre o que exatamente constitui uma "raça", especialmente em um país como o Brasil em que praticamente todos, eu inclusive, têm uma origem bastante "misturada". Agora, dizer que as diferenças entre os pigmeus africanos e os escandinavos são só uma "ilusão" ou uma "construção social" é negar quase todos os estudos realizados até agora a respeito.
Mas há uma razão para a polêmica, e para a proibição, ao falar em raça ou mesmo em genética: o medo, relativamente compreensível, da volta a uma sociedade segregada por raças, na qual a raça A oprime a raça B ou C ou D.
Descendentes de negros e índios costumam ter menor presença nas elites do Brasil, e maior presença entre a massa dos pobres. Para a esquerda, a explicação é simples: herança do racismo e da opressão, triste resultado da escravidão e colonização de negros e índios por imperialistas europeus. Pode ser, mas -- tabu! -- e se fosse o contrário? E se fosse que tais grupos nativos foram dominados, escravizados e colonizados tão facilmente pelos europeus malvados justamente por terem menores habilidades intelectuais ou civilizacionais?
Tal era a visão "racista" até meados do século XX, e se tal visão hoje mudou foi menos devido a estudos científicos e mais devido ao mau uso que certas ideologias totalitárias fizeram deles, gerando até um temor em se discutir a mera possibilidade de diferenças raciais.
Vejam bem, estou longe de querer propor o ódio racial, e acho que, como religião ou sexo, raça é um tema muito complicado de discutir, talvez o mais complicado de todos. Talvez por isso hoje a direita prefira mesmo não mexer nesse vespeiro e dar a todos o benefício da dúvida, querendo apenas leis iguais para todos os indivíduos, independentemente de sua religião ou raça, no que estou de acordo. A esquerda é que parece empenhada em reerguer esse fantasma e criar uma nova sociedade baseada em conceitos raciais.
Não acredito nem na segregação racial nem na ação afirmativa. Conheci pessoas negras fabulosas aqui nos EUA. Admiro várias figuras da cultura negra americana, de Miles Davis a Thomas Sowell. Isso sem falar no recentemente descoberto Walter Williams, que é contra as cotas e que pode ser visto aqui em excelente entrevista com legendas em português (lamentável apenas o despreparo do repórter global, branco e imbecil).
Acho mesmo que uma sociedade "racialmente cega" que não discrimina (nem negativamente, nem positivamente) seja melhor. E por isso mesmo admiro o trabalho do Demétrio Magnoli, embora ache curioso que hoje seja a direita quem fala que "não existem raças", e a esquerda quem fala em "sangue negro", "sangue branco" e "patrimônio genético dos mestiços". Uma inversão de papéis: hoje é a esquerda quem promove o racismo no Brasil, ainda que seja um racismo ao contrário, dos outros grupos contra os brancos.
Ah, mas ia esquecendo: racismo contra brancos não é racismo, como bem explicou uma ex-Ministra de Inclusão Social.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Educação para primatas
Já escrevi mais de um artigo a favor do homeschooling. Porém, vendo alguns vídeos assustadores sobre a violência contra professores no que passa por "escola pública" hoje no Brasil, pergunto-me se, na verdade, esses alunos estão ali justamente porque os pais, no caso em que estes existam, não os querem em casa. A escola virou uma espécie de creche para pequenos marginais. Por algumas horas por dia, a família têm sossego...
Tendo trabalhado por anos no ramo da educação, aprendi algumas coisas:
1) A escola é supervalorizada. Precisamos realmente de quinze anos de educação? Todos precisam aprender (mal) sobre História e Biologia, esquecendo isso logo depois? Uma minoria, que irá depois para a universidade ou entrará em um mercado de trabalho mais avançado, talvez precise. O resto, precisa apenas aprender as operações básicas da aritmética, a taboada, a ler e a escrever.
2) Mesmo a Universidade é supervalorizada. O que é mais necessário em uma sociedade, encanadores ou graduados em Ciências Políticas? Mas isso é assunto para outro post.
3) Alguns alunos não têm capacidade para aprender e provavelmente não deveriam nem estar em uma escola de segundo grau, quanto menos em uma universidade, para o seu próprio bem.
4) Muitos alunos que têm capacidade, no entanto não querem aprender. E não há nada, absolutamente nada que você possa fazer para ensinar um aluno que não quer estudar.
5) O melhor que a escola pode fazer por algumas pessoas é simplesmente ensinar-lhes noções básicas de respeito, disciplina e obediência. Lamentavelmente o Paulo Frieira e outros intelectualóides ferraram com isso, com suas idéias delirantes de igualdade entre aluno e mestre.
6) Antes os alunos usavam uniforme e apanhavam do professor, o que podia ser cruel mas funcionava. Hoje, perdida toda noção de autoridade do professor, os alunos se vestem como membros de gangues e batem nos professores, quando não os matam.
7) A culpa não é só do aluno, mas também, sim, dos pais. Hoje em dia há pais que acreditam que quando o aluno vai mal em uma prova, a culpa é do professor, e saem a discutir com ele. Também os pais perderam o respeito pelos professores ao mesmo tempo em que não conseguem ter autoridade sobre os próprios filhos.
8) As tecnologias da informação como telefones celulares e outros aparelhos portáteis podem até ter suas vantagens, mas tornaram as escolas de segundo grau um inferno. Em vez de prestar atenção, os alunos estão trocando mensagens ou filmando-se a si mesmos com seus celulares, para depois colocar no Youtube.
Eu não digo que tenha a solução para os problemas da educação no Brasil, mas começaria por algumas coisas: um, trazer de volta a autoridade do professor, se não com castigos físicos, ao menos com punições severas em caso de desrespeito. Pois nem isso ocorre hoje: observe que, no caso da aluna que atirou uma cadeira contra o professor e o chamou de idiota, a escola ainda está pensando se deve puni-la...
Dois, tornar a escola secundária algo não-obrigatório, liberando os alunos preguiçosos ou imbecis mais cedo para as ruas, e os mais inteligentes para estudarem por sua conta ou com a ajuda de seus pais. O fato é que esse negócio de escolarização muitas vezes só serve para fins estatísticos, para o governo poder dizer que existem 99% de alfabetizados (mentira).
Temos milhões de analfabetos com diploma! Afinal no Brasil, o que conta mesmo é o diploma, jamais a educação. Estudar para adquirir conhecimento? Ora, isso é coisa de jumento.
Tendo trabalhado por anos no ramo da educação, aprendi algumas coisas:
1) A escola é supervalorizada. Precisamos realmente de quinze anos de educação? Todos precisam aprender (mal) sobre História e Biologia, esquecendo isso logo depois? Uma minoria, que irá depois para a universidade ou entrará em um mercado de trabalho mais avançado, talvez precise. O resto, precisa apenas aprender as operações básicas da aritmética, a taboada, a ler e a escrever.
2) Mesmo a Universidade é supervalorizada. O que é mais necessário em uma sociedade, encanadores ou graduados em Ciências Políticas? Mas isso é assunto para outro post.
3) Alguns alunos não têm capacidade para aprender e provavelmente não deveriam nem estar em uma escola de segundo grau, quanto menos em uma universidade, para o seu próprio bem.
4) Muitos alunos que têm capacidade, no entanto não querem aprender. E não há nada, absolutamente nada que você possa fazer para ensinar um aluno que não quer estudar.
5) O melhor que a escola pode fazer por algumas pessoas é simplesmente ensinar-lhes noções básicas de respeito, disciplina e obediência. Lamentavelmente o Paulo Frieira e outros intelectualóides ferraram com isso, com suas idéias delirantes de igualdade entre aluno e mestre.
6) Antes os alunos usavam uniforme e apanhavam do professor, o que podia ser cruel mas funcionava. Hoje, perdida toda noção de autoridade do professor, os alunos se vestem como membros de gangues e batem nos professores, quando não os matam.
7) A culpa não é só do aluno, mas também, sim, dos pais. Hoje em dia há pais que acreditam que quando o aluno vai mal em uma prova, a culpa é do professor, e saem a discutir com ele. Também os pais perderam o respeito pelos professores ao mesmo tempo em que não conseguem ter autoridade sobre os próprios filhos.
8) As tecnologias da informação como telefones celulares e outros aparelhos portáteis podem até ter suas vantagens, mas tornaram as escolas de segundo grau um inferno. Em vez de prestar atenção, os alunos estão trocando mensagens ou filmando-se a si mesmos com seus celulares, para depois colocar no Youtube.
Eu não digo que tenha a solução para os problemas da educação no Brasil, mas começaria por algumas coisas: um, trazer de volta a autoridade do professor, se não com castigos físicos, ao menos com punições severas em caso de desrespeito. Pois nem isso ocorre hoje: observe que, no caso da aluna que atirou uma cadeira contra o professor e o chamou de idiota, a escola ainda está pensando se deve puni-la...
Dois, tornar a escola secundária algo não-obrigatório, liberando os alunos preguiçosos ou imbecis mais cedo para as ruas, e os mais inteligentes para estudarem por sua conta ou com a ajuda de seus pais. O fato é que esse negócio de escolarização muitas vezes só serve para fins estatísticos, para o governo poder dizer que existem 99% de alfabetizados (mentira).
Temos milhões de analfabetos com diploma! Afinal no Brasil, o que conta mesmo é o diploma, jamais a educação. Estudar para adquirir conhecimento? Ora, isso é coisa de jumento.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Federalismo ou separação?
Nunca fiz parte desse pessoal que acha que uma parte do Brasil (Sul e Sudeste) deveria se separar da outra (Norte e Nordeste). No Brasil não existem regiões com una identidade cultural única que seja tão diferente assim do resto do país, e tampouco do ponto de vista econômico a coisa faria muito sentido.
Porém, agora que inicia o governo Dilma, eleito em grande parte graças ao voto do Nordeste, talvez seja uma boa hora para discutir, se não a separação, ao menos um federalismo mais efetivo. Afinal, a grande promessa do governo Dilma é a de "acabar com a pobreza". Mas não pense que isso significa aumentar o emprego, a qualidade educação, desburocratizar a economia para permitir o aumento do comércio e a indústria, combater o crime e a corrupção e melhorar a infraestrutura do país. Não, para essa gente "acabar com a pobreza" significa expandir o sistema de bolsa-família, de modo a que o Sudeste pague pela manutenção de um grande número de pobres no Norte e Nordeste, eternamente ou enquanto durar o estoque.
O que isso significa para o Sul e Sudeste? Vamos aos números (tirado da Internet):
Porém, agora que inicia o governo Dilma, eleito em grande parte graças ao voto do Nordeste, talvez seja uma boa hora para discutir, se não a separação, ao menos um federalismo mais efetivo. Afinal, a grande promessa do governo Dilma é a de "acabar com a pobreza". Mas não pense que isso significa aumentar o emprego, a qualidade educação, desburocratizar a economia para permitir o aumento do comércio e a indústria, combater o crime e a corrupção e melhorar a infraestrutura do país. Não, para essa gente "acabar com a pobreza" significa expandir o sistema de bolsa-família, de modo a que o Sudeste pague pela manutenção de um grande número de pobres no Norte e Nordeste, eternamente ou enquanto durar o estoque.
O que isso significa para o Sul e Sudeste? Vamos aos números (tirado da Internet):
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segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Upepês
Não sei muito sobre como funciona essa história das UPPs, mas esse negócio de "Polícia Pacificadora" sempre me pareceu mais jogada de marketing do que qualquer outra coisa. Agora parece que os marginais cariocas, talvez entediados com tanta paz, resolveram ir para o asfalto para promover arrastões e queimar veículos.
No começo do filme "Ônibus 174", um dos (s)ociólogos entrevistados fala uma coisa assim: "Os policiais são mal pagos, têm baixa auto-estima, e não são bem treinados para a sua função. Por isso eles passam a achar que o seu trabalho é prender bandido, é matar marginal".
Ora, seu ociólogo de araque, o trabalho da Polícia é justamente esse! Prender bandido e, se ele resistir, mandar bala. O único modo de combater o crime é prendendo criminosos. O resto é conversa para ruminante repousar.
Porém, parece que as UPPs vieram para ficar, sendo vendidas pelo governo de Dilma e Cabral como soluções para a violência nas favelas. O curioso é que, graças às UPPs, os traficantes conseguiram cortar gastos e "funcionários" e ter maiores lucros. Políticos felizes, favelados felizes, traficantes mais ainda.
O único problema é que alguns desses "soldados do tráfico" desempregados continuam precisando de dinheiro. Ainda bem que existe a gentil população do asfalto, sempre disposta a ajudar.
No começo do filme "Ônibus 174", um dos (s)ociólogos entrevistados fala uma coisa assim: "Os policiais são mal pagos, têm baixa auto-estima, e não são bem treinados para a sua função. Por isso eles passam a achar que o seu trabalho é prender bandido, é matar marginal".
Ora, seu ociólogo de araque, o trabalho da Polícia é justamente esse! Prender bandido e, se ele resistir, mandar bala. O único modo de combater o crime é prendendo criminosos. O resto é conversa para ruminante repousar.
Porém, parece que as UPPs vieram para ficar, sendo vendidas pelo governo de Dilma e Cabral como soluções para a violência nas favelas. O curioso é que, graças às UPPs, os traficantes conseguiram cortar gastos e "funcionários" e ter maiores lucros. Políticos felizes, favelados felizes, traficantes mais ainda.
O único problema é que alguns desses "soldados do tráfico" desempregados continuam precisando de dinheiro. Ainda bem que existe a gentil população do asfalto, sempre disposta a ajudar.
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domingo, 7 de novembro de 2010
Paulistas que odeiam nordestinos e brancos que odeiam brancos
Sou provavelmente um dos poucos que acha que esse negócio de crime de racismo (e a planejada lei anti-homofobia) é uma estupidez.
No outro dia, por exemplo, chamou a atenção da imprensa internacional o caso da pobre moça paulista, Mayara Petruso, que pode ser condenada a até dois anos de prisão por uma mensagem tola contra os nordestinos no Twitter e Facebook. Nem a família ficou do seu lado! (E, como ela esteve longe de ser a única a escrever mensagens do tipo, tampouco fica claro porque foi escolhida como única vilã). Vai aqui minha solidariedade a ela. O Reinaldo Azevedo fez um bom texto sobre o tema, embora ele não discuta a questão da injustiça da lei anti-racismo em si. Lei que não deveria existir.
Os nordestinos, diga-se, contribuíram muitíssimo para a cultura do Brasil e o crescimento de São Paulo, e a visão destes como meros ignorantes mortos de fome está muito longe da atual realidade.
Porém, que uma jovem possa ser presa e ter problemas por toda a vida devido a uma mensagem cretina enquanto tantos outros matam e roubam e não são punidos, é um absurdo. Imagine que, aqui nos EUA, todos os que escrevessem mensagens racistas contra os "rednecks" fossem presos. Não haveria cadeia que bastasse!
Não entendo esse preconceito dos paulistas contra os nordestinos, mas as rivalidades regionais existem em todo e qualquer país, Itália, EUA, França, Alemanha. E o preconceito contra gaúchos, acusados de homossexuais? Vamos prender todos os que contam piadas de português também?
Além disso, há racistas e há "anti-racistas" que são ainda mais chatos. O positivista aqui da casa no blog vive incomodando sobre os supostos brancos americanos que odiariam o negro Obama. De acordo com ele, um presidente negro deveria ser intocável. A mim mais chama a atenção o caso dos brancos que odeiam os brancos, ou melhor, que odeiam a si mesmos.
Eis por exemplo aqui um branquelo "anti-racista" americano que está pregando alegremente o genocídio de brancos. Torce para que o seu país fique logo pardo e mexicano, e os malditos brancos racistas desapareçam.
Sou contra as leis anti-racismo por que, se você pensar bem, são na verdade leis que protegem apenas certos grupos, tidos como vítimas, e não outros, tidos como opressores. São leis contra os paulistas, contra os brancos, contra os asiáticos, contra os heterossexuais, contra os cristãos.
E, além disso, já existe uma lei que protege nos casos de injúria e difamação. Para que é necessária outra específica para cada grupo étnico ou cada preferência sexual?
No outro dia, por exemplo, chamou a atenção da imprensa internacional o caso da pobre moça paulista, Mayara Petruso, que pode ser condenada a até dois anos de prisão por uma mensagem tola contra os nordestinos no Twitter e Facebook. Nem a família ficou do seu lado! (E, como ela esteve longe de ser a única a escrever mensagens do tipo, tampouco fica claro porque foi escolhida como única vilã). Vai aqui minha solidariedade a ela. O Reinaldo Azevedo fez um bom texto sobre o tema, embora ele não discuta a questão da injustiça da lei anti-racismo em si. Lei que não deveria existir.
Os nordestinos, diga-se, contribuíram muitíssimo para a cultura do Brasil e o crescimento de São Paulo, e a visão destes como meros ignorantes mortos de fome está muito longe da atual realidade.
Porém, que uma jovem possa ser presa e ter problemas por toda a vida devido a uma mensagem cretina enquanto tantos outros matam e roubam e não são punidos, é um absurdo. Imagine que, aqui nos EUA, todos os que escrevessem mensagens racistas contra os "rednecks" fossem presos. Não haveria cadeia que bastasse!
Não entendo esse preconceito dos paulistas contra os nordestinos, mas as rivalidades regionais existem em todo e qualquer país, Itália, EUA, França, Alemanha. E o preconceito contra gaúchos, acusados de homossexuais? Vamos prender todos os que contam piadas de português também?
Além disso, há racistas e há "anti-racistas" que são ainda mais chatos. O positivista aqui da casa no blog vive incomodando sobre os supostos brancos americanos que odiariam o negro Obama. De acordo com ele, um presidente negro deveria ser intocável. A mim mais chama a atenção o caso dos brancos que odeiam os brancos, ou melhor, que odeiam a si mesmos.
Eis por exemplo aqui um branquelo "anti-racista" americano que está pregando alegremente o genocídio de brancos. Torce para que o seu país fique logo pardo e mexicano, e os malditos brancos racistas desapareçam.
Sou contra as leis anti-racismo por que, se você pensar bem, são na verdade leis que protegem apenas certos grupos, tidos como vítimas, e não outros, tidos como opressores. São leis contra os paulistas, contra os brancos, contra os asiáticos, contra os heterossexuais, contra os cristãos.
E, além disso, já existe uma lei que protege nos casos de injúria e difamação. Para que é necessária outra específica para cada grupo étnico ou cada preferência sexual?
Um presente para Mayara.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Eleições nos EUA e no Brasil (2)
A campanha para as eleições está esquentando, aqui e lá. O Reinaldo Azevedo já tem uma boa cobertura das cada vez mais disputadas eleições brasileiras. Falo então das americanas.
Um dos comerciais políticos mais polêmicos recentes é o que mostra um professor chinês em 2030 falando a seus estudantes sobre o trágico fim do império americano. A idéia é que, a continuar gastando assim, o colosso americano logo vai estar na mão da China.
O comercial, de uma associação contrária ao aumento de impostos, teve efeito. Os progressistas odiaram e acusaram o vídeo de - adivinhem! - racista, acusação ridícula que apenas mostra o nível de seu desespero. É que, para os Democratas, a coisa não está indo bem. Ao contrário do toque mágico de Lula, nos EUA o apoio de Obama está virando uma maldição. Vários candidatos Democratas até tentam se afastar do presidente e suas políticas. Para se ter uma idéia do desgaste presidencial, Frank Caprio (sem relação com o Leonardo), candidato Democrata ao governo de Rodhe Island, até mandou Obama enfiar o seu apoio naquele lugar...
Do lado Republicano, surgem candidatos populistas, representantes da classe média branca e ferozes críticos das elites políticas, a quem consideram traidoras do ideal americano. Christine O'Donnel, à maneira de Sarah Palin, ostenta com orgulho seu ar de dona de casa e o fato de não ter se formado em Harvard. A engenheira de foguetes Ruth McClung garante ser uma trabalhadora e não uma política profissional. O comercial de um folclórico candidato Republicano no Alabama, de chapéu de caubói, cavalo e rifle, tornou-se viral. Bom, a verdade é que esse negócio de "não sou político profissional" já tivemos por aqui, e não funcionou direito. Porém, é o modo que os candidatos tem de se afastarem de uma elite política que responde apenas a si mesma e efetivamente tornou-se distante dos anseios da maioria da população.
(Depois, cada povo é diverso, e o povo brasileiro é diferente do povo americano. No Brasil, como o Fábio Marton observou, todo político precisa de certa forma se fingir de mais simplório do que realmente é para seduzir o povão, e em especial as classes baixas. Às vezes penso que o sucesso de Lula talvez tenha menos a ver com o bolsa-família do que com essa identificação a nível popular: Lula não precisa fingir: ele é tão burro, ignorante, malandro e ishperto como grande parte do povo brasileiro... Por outro lado, talvez essa seja uma visão elitista. A verdade é que, até há pouco mais de uma década atrás, pobre não gostava do Lula. Pedreiros, porteiros e empregadas tinham ojeriza ao PT. O tal "Partido dos Trabalhadores" era um fenômeno exclusivo da classe média. Mas é como diz o Olavão: o tal Partido dos Trabalhadores só virou isso uma vez no poder, retroativamente, construindo um fabuloso esquema de propinas e bolsas-auxílio. Mas voltemos aos EUA...)
Por aqui, entre os temas mais discutidos pelos candidatos estão o aumento de impostos e gastos públicos, a imigração ilegal, o desemprego. O aborto, discussão sempre presente nos EUA, curiosamente (e ao contrário do que ocorre no Brasil) desta vez passou a segundo plano frente a tantos problemas econômicos. Também está na pauta, assim como a legalização da maconha e o casamento gay, mas de forma menos intensiva. O que preocupa é o bolso.
Assim como ocorreu em 2008, o que mais motiva os eleitores é a situação econômica. Obama teve dois anos para resolver a situação: falhou miseravelmente. Em estados como a Califórnia, o desemprego já chega a 17% da população. (Mesmo assim, é provável que os californianos elejam um Democrata para seu governo, o jurássico Jerry Brown).
Seja quais forem os números exatos, é provável que os Republicanos obtenham a sonhada maioria do Congresso, efetivamente transformando Obama em um "pato manco". Porém, eles não devem cantar vitória antes de tempo, já que ainda há água para rolar. Quanto ao Brasil, quem sabe? Pelo desespero dos petistas, é possível que a coisa tampouco seja tão fácil.
Um dos comerciais políticos mais polêmicos recentes é o que mostra um professor chinês em 2030 falando a seus estudantes sobre o trágico fim do império americano. A idéia é que, a continuar gastando assim, o colosso americano logo vai estar na mão da China.
O comercial, de uma associação contrária ao aumento de impostos, teve efeito. Os progressistas odiaram e acusaram o vídeo de - adivinhem! - racista, acusação ridícula que apenas mostra o nível de seu desespero. É que, para os Democratas, a coisa não está indo bem. Ao contrário do toque mágico de Lula, nos EUA o apoio de Obama está virando uma maldição. Vários candidatos Democratas até tentam se afastar do presidente e suas políticas. Para se ter uma idéia do desgaste presidencial, Frank Caprio (sem relação com o Leonardo), candidato Democrata ao governo de Rodhe Island, até mandou Obama enfiar o seu apoio naquele lugar...
Do lado Republicano, surgem candidatos populistas, representantes da classe média branca e ferozes críticos das elites políticas, a quem consideram traidoras do ideal americano. Christine O'Donnel, à maneira de Sarah Palin, ostenta com orgulho seu ar de dona de casa e o fato de não ter se formado em Harvard. A engenheira de foguetes Ruth McClung garante ser uma trabalhadora e não uma política profissional. O comercial de um folclórico candidato Republicano no Alabama, de chapéu de caubói, cavalo e rifle, tornou-se viral. Bom, a verdade é que esse negócio de "não sou político profissional" já tivemos por aqui, e não funcionou direito. Porém, é o modo que os candidatos tem de se afastarem de uma elite política que responde apenas a si mesma e efetivamente tornou-se distante dos anseios da maioria da população.
(Depois, cada povo é diverso, e o povo brasileiro é diferente do povo americano. No Brasil, como o Fábio Marton observou, todo político precisa de certa forma se fingir de mais simplório do que realmente é para seduzir o povão, e em especial as classes baixas. Às vezes penso que o sucesso de Lula talvez tenha menos a ver com o bolsa-família do que com essa identificação a nível popular: Lula não precisa fingir: ele é tão burro, ignorante, malandro e ishperto como grande parte do povo brasileiro... Por outro lado, talvez essa seja uma visão elitista. A verdade é que, até há pouco mais de uma década atrás, pobre não gostava do Lula. Pedreiros, porteiros e empregadas tinham ojeriza ao PT. O tal "Partido dos Trabalhadores" era um fenômeno exclusivo da classe média. Mas é como diz o Olavão: o tal Partido dos Trabalhadores só virou isso uma vez no poder, retroativamente, construindo um fabuloso esquema de propinas e bolsas-auxílio. Mas voltemos aos EUA...)
Por aqui, entre os temas mais discutidos pelos candidatos estão o aumento de impostos e gastos públicos, a imigração ilegal, o desemprego. O aborto, discussão sempre presente nos EUA, curiosamente (e ao contrário do que ocorre no Brasil) desta vez passou a segundo plano frente a tantos problemas econômicos. Também está na pauta, assim como a legalização da maconha e o casamento gay, mas de forma menos intensiva. O que preocupa é o bolso.
Assim como ocorreu em 2008, o que mais motiva os eleitores é a situação econômica. Obama teve dois anos para resolver a situação: falhou miseravelmente. Em estados como a Califórnia, o desemprego já chega a 17% da população. (Mesmo assim, é provável que os californianos elejam um Democrata para seu governo, o jurássico Jerry Brown).
Seja quais forem os números exatos, é provável que os Republicanos obtenham a sonhada maioria do Congresso, efetivamente transformando Obama em um "pato manco". Porém, eles não devem cantar vitória antes de tempo, já que ainda há água para rolar. Quanto ao Brasil, quem sabe? Pelo desespero dos petistas, é possível que a coisa tampouco seja tão fácil.
Pato manco.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Eleições, mentiras e videotape
Ia parar de blogar por um tempo, mas um post do ressuscitado Fábio Marton no Not Tupy me inspirou. É sobre a necessidade da mentira na democracia. Será que democracia sempre implica em demagogia? Talvez seja um dos males deste sistema que é o pior com exceção de todos os outros. Como o político depende do voto do povo, precisa se disfarçar de Zé Povinho, mesmo que esteja muito distante físicamente, espiritualmente e financeiramente deste. Marton discute especialmente a questão do aborto, sobre a qual ambos candidatos precisam mentir para não desagradar 70% do eleitorado, mas esta é apenas a mentira mais óbvia. Um tema mais interessante é a questão do uso do dinheiro público.
Há eleições em breve nos EUA e no Brasil, e o contraste entre os dois países não poderia ser mais grotesco. Nos EUA, há eleições parlamentares nas quais os Republicanos perigam ganhar em uma lavada histórica. Há uma atmosfera muito grande de rejeição aos Democratas estatistas, à gastança excessiva e ao elitismo dos políticos em geral. Já no Brasil, o grande vencedor entre os deputados foi Tiririca, que prova que "o grande mérito no Brasil é subir na vida sem ter mérito algum", e a eleição no segundo turno é entre dois candidatos estatistas, que lutam para decidir qual é mais contrário às privatizações. (Um dos poucos políticos que defende as privatizações, curiosamente, é o ex-comunista Roberto Freire, presidente de um partido que se declara "Popular Socialista").
Dilma mente sobre o aborto: mente também Serra quando diz que não irá privatizar? (Mas temo que Serra não minta, que seja mesmo contrário à privatização). Se eu sou contrário ao aborto e a favor das privatizações, deveria considerar a primeira uma mentira danosa e a segunda uma mentirinha válida? Não. Do ponto de vista dos princípios, seria melhor que ambos candidatos, em vez de tentar se acomodar ao desejo do público, tentassem convencer o eleitorado da validade de suas próprias idéias, que são as que colocarão em prática no final.
Tanto nos EUA quanto no Brasil, é patente a busca de identificação do candidato com o povo: o que muda é que, nos EUA, o "povo" é a classe média revoltada com a falta de melhoria econômica que quer menos gastança do governo, e no Brasil o povo é a maioria da população que quer mais governo e mais benefícios para si.
Atire a primeira pedra quem nunca pecou ou recebeu dinheiro do Governo. Muitos criticam o bolsa-família como compra de votos, mas, de fato, não é um saco de farinha ou um auxílio no fim do mês um benefício econômico mais tangível do que vagas promessas de melhoria econômica através do liberalismo?
Todos gostam de receber dinheiro do "governo", isto é, dos impostos. O que incomoda é que outros recebam sem merecer. Mas quem é que define quem merece o quê?
Caiu em minhas mãos, por acaso, um texto de um cineasta e professor universitário declarando-se a favor da Dilma. Seu argumento é que o PT deu dinheiro ao cinema e às universidades. Que, por mera coincidência, constituem o seu ganha-pão. O cineasta é autor de filmes experimentais de "vídeo-arte", tão chatos que só poderiam ser produzidos com dinheiro público mesmo. Mas o sujeito é tão cara-de pau (ou tão esperto) que chegou a realizar um vídeo com dinheiro público no qual mostrava justamente como gastava o dinheiro do prêmio viajando para a Europa e EUA e comendo nos melhores restaurantes. A obra-prima pode ser assistida aqui. A crítica, naturalmente, elogiou:
Seria fácil dizer que o eleitor americano é mais politizado e consciente do que o brasileiro, mas não sei se é isso mesmo: eles estão, como todos, apenas defendendo o que é seu. Não querem dividir o dinheiro ganho com seu trabalho com as minorias parasitárias do welfare e com imigrantes ilegais, especialmente em uma época de crise econômica que só foi piorada pelos Democratas. E têm razão. Talvez a diferença seja apenas que essa equação (dinheiro público = dinheiro do contribuinte) ainda não tenha sido compreendida pela maioria dos brasileiros, mesmo os de classe média e alta.
Há eleições em breve nos EUA e no Brasil, e o contraste entre os dois países não poderia ser mais grotesco. Nos EUA, há eleições parlamentares nas quais os Republicanos perigam ganhar em uma lavada histórica. Há uma atmosfera muito grande de rejeição aos Democratas estatistas, à gastança excessiva e ao elitismo dos políticos em geral. Já no Brasil, o grande vencedor entre os deputados foi Tiririca, que prova que "o grande mérito no Brasil é subir na vida sem ter mérito algum", e a eleição no segundo turno é entre dois candidatos estatistas, que lutam para decidir qual é mais contrário às privatizações. (Um dos poucos políticos que defende as privatizações, curiosamente, é o ex-comunista Roberto Freire, presidente de um partido que se declara "Popular Socialista").
Dilma mente sobre o aborto: mente também Serra quando diz que não irá privatizar? (Mas temo que Serra não minta, que seja mesmo contrário à privatização). Se eu sou contrário ao aborto e a favor das privatizações, deveria considerar a primeira uma mentira danosa e a segunda uma mentirinha válida? Não. Do ponto de vista dos princípios, seria melhor que ambos candidatos, em vez de tentar se acomodar ao desejo do público, tentassem convencer o eleitorado da validade de suas próprias idéias, que são as que colocarão em prática no final.
Tanto nos EUA quanto no Brasil, é patente a busca de identificação do candidato com o povo: o que muda é que, nos EUA, o "povo" é a classe média revoltada com a falta de melhoria econômica que quer menos gastança do governo, e no Brasil o povo é a maioria da população que quer mais governo e mais benefícios para si.
Atire a primeira pedra quem nunca pecou ou recebeu dinheiro do Governo. Muitos criticam o bolsa-família como compra de votos, mas, de fato, não é um saco de farinha ou um auxílio no fim do mês um benefício econômico mais tangível do que vagas promessas de melhoria econômica através do liberalismo?
Todos gostam de receber dinheiro do "governo", isto é, dos impostos. O que incomoda é que outros recebam sem merecer. Mas quem é que define quem merece o quê?
Caiu em minhas mãos, por acaso, um texto de um cineasta e professor universitário declarando-se a favor da Dilma. Seu argumento é que o PT deu dinheiro ao cinema e às universidades. Que, por mera coincidência, constituem o seu ganha-pão. O cineasta é autor de filmes experimentais de "vídeo-arte", tão chatos que só poderiam ser produzidos com dinheiro público mesmo. Mas o sujeito é tão cara-de pau (ou tão esperto) que chegou a realizar um vídeo com dinheiro público no qual mostrava justamente como gastava o dinheiro do prêmio viajando para a Europa e EUA e comendo nos melhores restaurantes. A obra-prima pode ser assistida aqui. A crítica, naturalmente, elogiou:
O que o espectador presencia então é praticamente um homem em sua missão: queimar R$13 mil e fazer um filme deste seu processo. No meio tempo ele cruza o oceano duas vezes, se hospeda em belos hotéis, passeia por Europa e EUA, come do bom e do melhor. Tudo, conforme o logotipo da patrocinadora no início e no final deixa bem claro, às nossas custas. No final da sessão em que eu estive presente, uma mulher levantou revoltada: "Vagabundo! É o meu dinheiro também!"É claro, o cineasta poderia ter sido ainda mais "ético" e devolvido o dinheiro, ou realizado um outro vídeo de protesto pagando do seu próprio bolso, mas isso talvez seria "provocativo" demais: também não devemos exagerar. No fundo, o videoartista não difere muito de tantos outros cineastas brasileiros, que adoram criticar o governo e a sociedade enquanto são financiados por este e esta.
Desse grito (desejado e conseguido pelo filme) começam as inúmeras e necessárias perguntas que ele levanta: vagabundo por quê? O cineasta fez um filme com o dinheiro do prêmio, que era o que se exigia dele. Apresentou seu resultado final, com a duração pedida, dentro do orçamento proposto. Qual o problema, portanto? Que ele tenha se beneficiado pessoalmente deste dinheiro? Bom, pelo menos nós vimos como ele o fez. Quantos belos jantares e viagens foram pagas nos outros filmes produzidos com este prêmio e nós nem sabemos? Quantas contas de motel? Então, supomos que a revolta não pode ser no campo da ética, já que antiético seria fugir com o dinheiro sem fazer o filme ou escamotear prestações de conta escondendo tais gastos, coisas que Migliorin não fez.
Seria fácil dizer que o eleitor americano é mais politizado e consciente do que o brasileiro, mas não sei se é isso mesmo: eles estão, como todos, apenas defendendo o que é seu. Não querem dividir o dinheiro ganho com seu trabalho com as minorias parasitárias do welfare e com imigrantes ilegais, especialmente em uma época de crise econômica que só foi piorada pelos Democratas. E têm razão. Talvez a diferença seja apenas que essa equação (dinheiro público = dinheiro do contribuinte) ainda não tenha sido compreendida pela maioria dos brasileiros, mesmo os de classe média e alta.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Em quem você vai votar?
Talvez alguns achem estranho a falta de comentários meus sobre as eleições no Brasil, mas francamente é um tema que pouco me interessa. Acredito que a Dilma vá vencer e acredito que o PT terá mais quatro anos, ao menos, para implantar o seu projeto de socialismo rastaquera.
No entanto, é engraçado ver como a mídia internacional observa esse evento, eis por exemplo a hilária reportagem do jornal esquerdista londrino The Independent, chamando Dilma de heroína guerrilheira e futura "mulher mais poderosa do mundo".
Também achei engraçada a foto que a Wikipedia escolheu para ilustrar os candidatos (abaixo), será proposital?
Tenho curiosidade, de qualquer modo, em saber como os leitores irão votar. Pessoalmente, terei que justificar no meu retorno (o voto obrigatório é outro desses paradoxos da democracia tupiniquim). Creio que poderia votar através do consulado mas não realizei a papelada a tempo, e nem acho que valeria a pena. Mas, se votasse, acho que votaria no Serra, apenas para uma mudança, nem que seja cosmética. E vocês?
No entanto, é engraçado ver como a mídia internacional observa esse evento, eis por exemplo a hilária reportagem do jornal esquerdista londrino The Independent, chamando Dilma de heroína guerrilheira e futura "mulher mais poderosa do mundo".
Também achei engraçada a foto que a Wikipedia escolheu para ilustrar os candidatos (abaixo), será proposital?
Tenho curiosidade, de qualquer modo, em saber como os leitores irão votar. Pessoalmente, terei que justificar no meu retorno (o voto obrigatório é outro desses paradoxos da democracia tupiniquim). Creio que poderia votar através do consulado mas não realizei a papelada a tempo, e nem acho que valeria a pena. Mas, se votasse, acho que votaria no Serra, apenas para uma mudança, nem que seja cosmética. E vocês?
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Educação superior: para todos ou para alguns?
Há três teorias sobre a inteligência humana. Uma é a da chamada tabula rasa, ou quadro branco. Segundo esta teoria, todos os seres humanos são iguais ao nascer, e a sua inteligência, bem como outras características como personalidade, emoções, comportamento são aprendidas a partir da aquisição de conhecimento ao longo da vida (nature < nurture). Outra teoria é que a inteligência e vários outros aspectos do comportamento do indivíduo são genéticos e hereditários, e não podem ser modificados (nature > nurture). Finalmente, há a teoria que diz que tudo é em parte genético e em parte ambiental, ainda que esteja se discutindo exatamente em qual proporção (nature = nurture).
As últimas descobertas científicas parecem indicar que haja um forte componente genético que determina a inteligência, ainda que fatores ambientais não estejam de todo descartados. Além disso, a própria experiência de vida nos diz que certas pessoas são mais inteligentes do que outras. (Ainda que em teoria isso também pudesse ser explicado por motivos ambientais, não parece muito lógico.)
Isto tudo vem a respeito da discussão sobre o ensino superior. Alguns dizem que a universidade deveria ser pública, gratuita e para todos. De acordo com a teoria da tabula rasa, até que faria sentido. Se todos tem a mesma capacidade de aprender, seria injusto que alguns, só por serem ricos ou terem bons contatos, pudessem ter acesso ao melhor do conhecimento universal e a profissões de maior renome (e melhor remuneração). Ainda assim, restaria o problema de que terminaríamos com um número de engenheiros, físicos nucleares e médicos muito acima do requisitado pelo mercado, e por conseguinte muitos taxistas e garis com um inútil diploma superior. (E não é que isso já acontece mesmo?)
Outros acreditam que a Universidade deva ser apenas para uma elite intelectual. Não necessariamente uma elite cheia da grana (embora, nos EUA, isso muitas vezes seja necessário, já que universidades como Yale ou Harvard não são nada baratas), mas uma elite privilegiada pela genética e com QI acima da média (estima-se que o QI necessário para cumprir com sucesso um curso de nível superior seria entre 115 e 130). Naturalmente, exames como o Vestibular ou no caso dos EUA o SAT servem para filtrar justamente essa população mais inteligente (ou mais estudiosa).
A questão é: e o restante da população? Bem, a democracia e sua idéia de que todos podem votar parece ter criado, por analogia, a idéia de que todos deveriam ter acesso ao mesmo nível de educação. O problema é que, salvo que a teoria do quadro branco esteja correta, algumas pessoas simplesmente não estão qualificadas para ser engenheiras ou médicas, por mais que estudem. Não é uma questão de esforço, mas de QI mesmo. Ora, não deveria ser um problema, já que há dezenas de ocupações nobres como encanador, padeiro, cozinheiro, etc. Isso sem falar que mesmo alguns gênios como Bill Gates jamais concluiram um curso superior. (Lula é outro exemplo de alguém que jamais concluiu um curso superior e se deu bem).
De fato, aqui nos EUA ocorre um problema curioso, que leva alguns a acreditarem que exista uma "bolha" nos custos da educação superior, que subiram assustadoramente ao longo dos anos. O fato é que o diploma universitário já não é garantia de mais nada, e muitas vezes serve apenas como símbolo de status. Em alguns casos, um encanador que trabalha bem pode ganhar mais do que um advogado formado, acredite. (Isso porque não há trabalho bom para todos os advogados que se formam, enquanto nunca falta trabalho para encanadores). Como um diploma superior custa vários milhares de dólares, o formando já sai para o mercado de trabalho endividado. Recentemente li a reportagem sobre a triste história de uma moça que pagou mais de 150 mil dólares para poder formar-se em Estudos Femininos, e agora não conseguia emprego, e tinha uma enorme dívida para pagar. (Mas que emprego pode-se conseguir com um diploma de Estudos Femininos? Ironicamente, depois da enxurrada de feminismo que deve ter aprendido, é possível que ela termine tendo que se virar como p***!)
No Brasil, o problema não é bem o mesmo, já que as universidades públicas e "gratuitas" costumam ser as melhores e paradoxalmente freqüentadas pelos mais ricos, a educação básica ainda é restrita, e os diplomados de nível superior não são tão numerosos em relação ao total da população, embora o número tenha crescido muito nos últimos anos. (Além disso, no Brasil o diploma tem uma importância precisa, serve para poder participar em concursos para ingresso no funcionalismo público).
Ainda assim, é uma discussão relevante. Continuarei a falar sobre o tema em um segundo post, em algum momento do futuro próximo.
As últimas descobertas científicas parecem indicar que haja um forte componente genético que determina a inteligência, ainda que fatores ambientais não estejam de todo descartados. Além disso, a própria experiência de vida nos diz que certas pessoas são mais inteligentes do que outras. (Ainda que em teoria isso também pudesse ser explicado por motivos ambientais, não parece muito lógico.)
Isto tudo vem a respeito da discussão sobre o ensino superior. Alguns dizem que a universidade deveria ser pública, gratuita e para todos. De acordo com a teoria da tabula rasa, até que faria sentido. Se todos tem a mesma capacidade de aprender, seria injusto que alguns, só por serem ricos ou terem bons contatos, pudessem ter acesso ao melhor do conhecimento universal e a profissões de maior renome (e melhor remuneração). Ainda assim, restaria o problema de que terminaríamos com um número de engenheiros, físicos nucleares e médicos muito acima do requisitado pelo mercado, e por conseguinte muitos taxistas e garis com um inútil diploma superior. (E não é que isso já acontece mesmo?)
Outros acreditam que a Universidade deva ser apenas para uma elite intelectual. Não necessariamente uma elite cheia da grana (embora, nos EUA, isso muitas vezes seja necessário, já que universidades como Yale ou Harvard não são nada baratas), mas uma elite privilegiada pela genética e com QI acima da média (estima-se que o QI necessário para cumprir com sucesso um curso de nível superior seria entre 115 e 130). Naturalmente, exames como o Vestibular ou no caso dos EUA o SAT servem para filtrar justamente essa população mais inteligente (ou mais estudiosa).
A questão é: e o restante da população? Bem, a democracia e sua idéia de que todos podem votar parece ter criado, por analogia, a idéia de que todos deveriam ter acesso ao mesmo nível de educação. O problema é que, salvo que a teoria do quadro branco esteja correta, algumas pessoas simplesmente não estão qualificadas para ser engenheiras ou médicas, por mais que estudem. Não é uma questão de esforço, mas de QI mesmo. Ora, não deveria ser um problema, já que há dezenas de ocupações nobres como encanador, padeiro, cozinheiro, etc. Isso sem falar que mesmo alguns gênios como Bill Gates jamais concluiram um curso superior. (Lula é outro exemplo de alguém que jamais concluiu um curso superior e se deu bem).
De fato, aqui nos EUA ocorre um problema curioso, que leva alguns a acreditarem que exista uma "bolha" nos custos da educação superior, que subiram assustadoramente ao longo dos anos. O fato é que o diploma universitário já não é garantia de mais nada, e muitas vezes serve apenas como símbolo de status. Em alguns casos, um encanador que trabalha bem pode ganhar mais do que um advogado formado, acredite. (Isso porque não há trabalho bom para todos os advogados que se formam, enquanto nunca falta trabalho para encanadores). Como um diploma superior custa vários milhares de dólares, o formando já sai para o mercado de trabalho endividado. Recentemente li a reportagem sobre a triste história de uma moça que pagou mais de 150 mil dólares para poder formar-se em Estudos Femininos, e agora não conseguia emprego, e tinha uma enorme dívida para pagar. (Mas que emprego pode-se conseguir com um diploma de Estudos Femininos? Ironicamente, depois da enxurrada de feminismo que deve ter aprendido, é possível que ela termine tendo que se virar como p***!)
No Brasil, o problema não é bem o mesmo, já que as universidades públicas e "gratuitas" costumam ser as melhores e paradoxalmente freqüentadas pelos mais ricos, a educação básica ainda é restrita, e os diplomados de nível superior não são tão numerosos em relação ao total da população, embora o número tenha crescido muito nos últimos anos. (Além disso, no Brasil o diploma tem uma importância precisa, serve para poder participar em concursos para ingresso no funcionalismo público).
Ainda assim, é uma discussão relevante. Continuarei a falar sobre o tema em um segundo post, em algum momento do futuro próximo.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Afro-americanos e afro-brasileiros
Os americanos, como já observei há algum tempo atrás, são obcecados com a questão racial, e este blog, um pouco por influência disso, começou a tratar do problemático e politicamente incorretíssimo tema. Sei que no Brasil isso dá até cadeia, mas fazer o quê?
Muitos, mesmo na direita, prefeririam nem tocar nesse espinhoso tema. Porém, como os próprios leitores em recente pesquisa pediram para o Blog do Mr X "ser ainda mais politicamente incorreto e chutar o pau da barraca", vou nessa direção. (Já adivinho o Bitt me acusando de racista, reacionário e canalha, dane-se: 60% dos leitores não podem estar errados.)
Muitos, mesmo na direita, prefeririam nem tocar nesse espinhoso tema. Porém, como os próprios leitores em recente pesquisa pediram para o Blog do Mr X "ser ainda mais politicamente incorreto e chutar o pau da barraca", vou nessa direção. (Já adivinho o Bitt me acusando de racista, reacionário e canalha, dane-se: 60% dos leitores não podem estar errados.)
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
PSOL
Um conhecido no Brasil, descontente com os rumos do PT e sua corrupção, decidiu filiar-se... ao PSOL.
É curioso como muitos na classe média no Brasil acreditam que a solução aos problemas gerados pela esquerda seja ir ainda mais à esquerda.
O domínio é tão completo que os petistas se permitem até dançar sobre o cadáver da direita. Lula, no outro dia, disse que está feliz que não haja nenhum troglodita de direita concorrendo nas próximas eleições. Até o PFL mudou de nome para DEM, já que "liberal" acabou virando nome feio. O próprio Lula concorda que a direita se esquerdizou:
A lavagem cerebral está tão, mas tão completa, que o pessoal sequer sabe mais o que é direita. É apenas um rótulo que se coloca aos bolcheviques menos violentos. Se você não é a favor da ocupação violenta de terras para realizar reforma agrária na marra, já pode ser considerado um "direitista".
Agora a mesma classe média vai eleger Dilma. Dizem que cada povo tem o governo que merece, e pode ser verdade.
É curioso como muitos na classe média no Brasil acreditam que a solução aos problemas gerados pela esquerda seja ir ainda mais à esquerda.
O domínio é tão completo que os petistas se permitem até dançar sobre o cadáver da direita. Lula, no outro dia, disse que está feliz que não haja nenhum troglodita de direita concorrendo nas próximas eleições. Até o PFL mudou de nome para DEM, já que "liberal" acabou virando nome feio. O próprio Lula concorda que a direita se esquerdizou:
Para 2010, segundo Lula, quatro ou cinco políticos disputarão a Presidência, todos eles com origem na esquerda, o que considerou como "inédito" e "fantástico". Lula comentou que esta situação se explica porque a direita atualmente "é mais progressista" e também porque "se misturou" com muitos partidos de esquerda.Curiosamente, muitos petistas ainda atacam a "mídia direitista". Algo que não existe no Brasil há muito tempo.
A lavagem cerebral está tão, mas tão completa, que o pessoal sequer sabe mais o que é direita. É apenas um rótulo que se coloca aos bolcheviques menos violentos. Se você não é a favor da ocupação violenta de terras para realizar reforma agrária na marra, já pode ser considerado um "direitista".
Agora a mesma classe média vai eleger Dilma. Dizem que cada povo tem o governo que merece, e pode ser verdade.
domingo, 8 de agosto de 2010
Poema do domingo
Brasil
Pátria de emigração.
É num poema que te posso ter...
A terra - possessiva inspiração;
E os rios - como versos a correr.
Achada na longínqua meninice,
Perdida na perdida juventude,
Guardei-te como podia:
na doce quietude
Da força represada da poesia.
E assim consigo ver-te
Como te sinto:
Na doirada moldura de lembrança,
O retrato da pura imensidade
A que dei a possível semelhança
Com palavras e rimas de saudade.
Miguel Torga (1907-1995)
Pátria de emigração.
É num poema que te posso ter...
A terra - possessiva inspiração;
E os rios - como versos a correr.
Achada na longínqua meninice,
Perdida na perdida juventude,
Guardei-te como podia:
na doce quietude
Da força represada da poesia.
E assim consigo ver-te
Como te sinto:
Na doirada moldura de lembrança,
O retrato da pura imensidade
A que dei a possível semelhança
Com palavras e rimas de saudade.
Miguel Torga (1907-1995)
domingo, 9 de maio de 2010
Prosa do domingo
É curioso observar como o seguinte trecho de "Os Bruzundangas", de Lima Barreto, continua atual, provando que o Brasil não evoluiu desde 1908, ou então que o autor tinha raros poderes de previsão futurística.
A República dos Estados Unidos da Bruzundanga tinha, como todas as repúblicas que se prezam, além do presidente e juízes de várias categorias, um Senado e uma Câmara de Deputados. (...)
O país vivia de expedientes, isto é, de cinqüenta em cinqüenta anos, descobria-se nele um produto que ficava sendo a sua riqueza. Os governos taxavam-no a mais não poder, de modo que os países rivais, mais parcimoniosos na decretação de impostos sobre produtos semelhantes, acabavam, na concorrência, por derrotar a Bruzundanga; e, assim, ela fazia morrer a sua riqueza.
Naquele ano, isto há dez anos atrás, surgiu na sua Câmara um deputado que falava muito em assuntos de finanças, orçamentos, impostos diretos e indiretos e outras cousas cabalísticas da ciência de obter dinheiro para o Estado. A sua ciência e saber foram logo muito gabados, pois o Tesouro da Bruzundanga, andando quase sempre vazio, precisava desses mágicos financeiros, para não se esvaziar de todo. Chamava-se o deputado Felixhimino Ben Karpatoso. Se era advogado, médico, engenheiro ou mesmo dentista, não se sabia bem; mas todos tratavam-no de doutor. O doutor Karpatoso tinha uma erudição sólida e própria em matéria de finanças. Não citava Leroy-Beaulieu absolutamente. Os seus autores prediletos eram o russo-polaco Ladislau Poniatwsky, o australiano Gordon O'Neill, o chinês Ma-Fi-Fu, o americano William Farthing e, sobretudo, o doutor Caracoles y Mientras, da Universidade de Caracas.(...)
Para o orçamento de 1908, o doutor Karpatoso escreveu o seguinte trecho profundo: "Os governos não devem pedir às populações que dirigem, em matéria de impostos, mais do que elas possam dar, afirma Ladislau Poniatwsky. A nossa população é em geral pobríssima e nós não devemos sobrecarregá-la fiscalmente". Não impediu isto que ele propusesse o aumento da taxa sobre o bacalhau da Noruega, pretextando haver produtos similares nas costas do país.
No orçamento do ano seguinte, ainda como relator da receita, ele dizia: "É missão dos governos modernos, em países de fraca iniciativa individual (o nosso o é), fomentar o aparecimento de riquezas novas, no dizer de Gordon O'Neill. A província das Jazidas, segundo um sábio professor francês, é um coração de ouro sob um peito de ferro. O pico de Ytabhira, etc.". E lembrava à Câmara que indicasse medidas práticas para o aproveitamento do ouro e do ferro da província das Jazidas. A Câmara e o Senado ouviram-no e votaram algumas centenas de contos para uma comissão que estudasse o meio prático de aproveitar o ferro da rica província central. A comissão foi nomeada, montaram o escritório de pesquisas na capital, em lugar semelhante ao Largo da Carioca, e o pico de Ytabhira ficou intacto.
A fama do doutor Karpatoso subia e a sua elegância também. Fez uma viagem à Europa, para estudar o mecanismo financeiro dos países do Velho Mundo. Voltou de lá naturalmente mais sábio; o que, porém, ele trouxe de fato, nas malas, e foi verificado pelos elegantes do país, foram fatos, botas, chapéus, bengalas (...) e foi tido como o parlamentar mais chic do Congresso Nacional.
Lima Barreto (1881-1922)
A República dos Estados Unidos da Bruzundanga tinha, como todas as repúblicas que se prezam, além do presidente e juízes de várias categorias, um Senado e uma Câmara de Deputados. (...)
O país vivia de expedientes, isto é, de cinqüenta em cinqüenta anos, descobria-se nele um produto que ficava sendo a sua riqueza. Os governos taxavam-no a mais não poder, de modo que os países rivais, mais parcimoniosos na decretação de impostos sobre produtos semelhantes, acabavam, na concorrência, por derrotar a Bruzundanga; e, assim, ela fazia morrer a sua riqueza.
Naquele ano, isto há dez anos atrás, surgiu na sua Câmara um deputado que falava muito em assuntos de finanças, orçamentos, impostos diretos e indiretos e outras cousas cabalísticas da ciência de obter dinheiro para o Estado. A sua ciência e saber foram logo muito gabados, pois o Tesouro da Bruzundanga, andando quase sempre vazio, precisava desses mágicos financeiros, para não se esvaziar de todo. Chamava-se o deputado Felixhimino Ben Karpatoso. Se era advogado, médico, engenheiro ou mesmo dentista, não se sabia bem; mas todos tratavam-no de doutor. O doutor Karpatoso tinha uma erudição sólida e própria em matéria de finanças. Não citava Leroy-Beaulieu absolutamente. Os seus autores prediletos eram o russo-polaco Ladislau Poniatwsky, o australiano Gordon O'Neill, o chinês Ma-Fi-Fu, o americano William Farthing e, sobretudo, o doutor Caracoles y Mientras, da Universidade de Caracas.(...)
Para o orçamento de 1908, o doutor Karpatoso escreveu o seguinte trecho profundo: "Os governos não devem pedir às populações que dirigem, em matéria de impostos, mais do que elas possam dar, afirma Ladislau Poniatwsky. A nossa população é em geral pobríssima e nós não devemos sobrecarregá-la fiscalmente". Não impediu isto que ele propusesse o aumento da taxa sobre o bacalhau da Noruega, pretextando haver produtos similares nas costas do país.
No orçamento do ano seguinte, ainda como relator da receita, ele dizia: "É missão dos governos modernos, em países de fraca iniciativa individual (o nosso o é), fomentar o aparecimento de riquezas novas, no dizer de Gordon O'Neill. A província das Jazidas, segundo um sábio professor francês, é um coração de ouro sob um peito de ferro. O pico de Ytabhira, etc.". E lembrava à Câmara que indicasse medidas práticas para o aproveitamento do ouro e do ferro da província das Jazidas. A Câmara e o Senado ouviram-no e votaram algumas centenas de contos para uma comissão que estudasse o meio prático de aproveitar o ferro da rica província central. A comissão foi nomeada, montaram o escritório de pesquisas na capital, em lugar semelhante ao Largo da Carioca, e o pico de Ytabhira ficou intacto.
A fama do doutor Karpatoso subia e a sua elegância também. Fez uma viagem à Europa, para estudar o mecanismo financeiro dos países do Velho Mundo. Voltou de lá naturalmente mais sábio; o que, porém, ele trouxe de fato, nas malas, e foi verificado pelos elegantes do país, foram fatos, botas, chapéus, bengalas (...) e foi tido como o parlamentar mais chic do Congresso Nacional.
Lima Barreto (1881-1922)
terça-feira, 23 de março de 2010
Todo mundo é corrupto, inclusive você
Leio no jornal que Bernie Madoff, o especulador que roubou 65 bilhões de dólares de seus associados em um "esquema piramidal" ou "Ponzi scheme", levou uma surra de um companheiro de cela na prisão. Seus colegas de reclusão são traficantes, mafiosos e outros criminosos comuns. Ele provavelmente teve sorte de não ser estuprado.
Não apóio a surra. É verdade que Maddoff arruinou a vida, ou ao menos a economia, de muita gente. Nem todos seus clientes eram ricos, mas nenhum era pobre (e quase todos eram colegas da comunidade judaica). Por outro lado, às vezes me parece que quem cai em contos do vigário tem ao menos uma pequena parcela de culpa: o vigarista quase sempre engana apenas a quem quer ganhar mais do que deve. Ou será que não? (E não é o Obamacare também um gigantesco "Ponzi scheme", no qual alguns poucos vão se dar bem e muitos outros vão se dar mal? E não há otários que estão celebrando esse desastre, achando que vão conseguir "something for nothing"?)
Mas é verdade que há gente que sabe enganar muito bem, e Madoff abusou da confiança de pessoas que o consideravam até um amigo, talvez até da própria família. Em todo caso: basta a merecida prisão para Madoff, deixemos as surras para os estupradores de crianças.
Enquanto corruptos e especuladores ladrões ainda vão para a cadeia nos Estados Unidos (ao menos alguns deles, ainda falta o Obama), no Brasil leio uma curiosa notícia, em que estudantes de administração chamam Delúbio Soares para conseguir dinheiro para uma festa. É ler para crer (dica C. Avolio):
Vejam que beleza. Esses garotos são os futuros administradores do Brasil. Que, no futuro, irão pagar às autoridades para receber favores, e aceitar como normal fazer mutretas, afinal, "A gente sabe que a fama dele é horrível, mas fazer o quê, se ele pode bancar a festa?"
Pois é. Fazer o quê? Que ninguém mais diga que o problema do Brasil são os "políticos corruptos". Não, meu caro. O problema é você.
Não apóio a surra. É verdade que Maddoff arruinou a vida, ou ao menos a economia, de muita gente. Nem todos seus clientes eram ricos, mas nenhum era pobre (e quase todos eram colegas da comunidade judaica). Por outro lado, às vezes me parece que quem cai em contos do vigário tem ao menos uma pequena parcela de culpa: o vigarista quase sempre engana apenas a quem quer ganhar mais do que deve. Ou será que não? (E não é o Obamacare também um gigantesco "Ponzi scheme", no qual alguns poucos vão se dar bem e muitos outros vão se dar mal? E não há otários que estão celebrando esse desastre, achando que vão conseguir "something for nothing"?)
Mas é verdade que há gente que sabe enganar muito bem, e Madoff abusou da confiança de pessoas que o consideravam até um amigo, talvez até da própria família. Em todo caso: basta a merecida prisão para Madoff, deixemos as surras para os estupradores de crianças.
Enquanto corruptos e especuladores ladrões ainda vão para a cadeia nos Estados Unidos (ao menos alguns deles, ainda falta o Obama), no Brasil leio uma curiosa notícia, em que estudantes de administração chamam Delúbio Soares para conseguir dinheiro para uma festa. É ler para crer (dica C. Avolio):
O ex-tesoureiro petista foi homenageado pela turma de futuros administradores por seu principal talento - a capacidade de arrumar dinheiro. Conta o presidente da comissão de formatura: “A gente ficou sabendo que o Delúbio gostava de participar desse tipo de festa, inclusive ajudando financeiramente. Fomos até sua fazenda e fizemos o convite para ele ser o nosso padrinho. Ele topou na hora e, aí, a gente perguntou se ele poderia dar uma ajudazinha nas despesas. Ele perguntou de quanto. Deixamos por conta dele”. Dias depois do convite, em novembro, o ex-tesoureiro depositou 6 000 reais, o equivalente a 13% das despesas da festa, na conta da comissão. “A gente sabe que a fama dele é horrível, mas fazer o quê, se ele pode bancar a festa?”, justifica Cezar Barros.O pior é que na festa Delúbio fez um discurso falando, acreditem, sobre ética... (Bem, o Bernie Madoff não estava disponível.)
Vejam que beleza. Esses garotos são os futuros administradores do Brasil. Que, no futuro, irão pagar às autoridades para receber favores, e aceitar como normal fazer mutretas, afinal, "A gente sabe que a fama dele é horrível, mas fazer o quê, se ele pode bancar a festa?"
Pois é. Fazer o quê? Que ninguém mais diga que o problema do Brasil são os "políticos corruptos". Não, meu caro. O problema é você.
terça-feira, 16 de março de 2010
Israel, EUA, Irã... e Brasil
Não tenho tempo de postar adequadamente sobre o tema, que é interessante. Lula está em Israel e já deu suas cartadas de "estadista internacional": recusou-se a colocar flores no túmulo de Theodor Herzl, fundador do sionismo moderno; criticou o muro anti-terrorismo e a posse de armas nucleares (por Israel, não pelo Irã); e ainda se dispôs a mediar a paz entre as nações... Deve estar treinando para Presidente da ONU.
Enquanto isso as relações entre EUA e Israel se desgastam com a ordem de construção de casas em Jerusalém Oriental, e os palestinos lançam um "Dia de Fúria" devido à inauguração de uma sinagoga reconstruída na mesma parte da cidade (eles não querem sinagogas, mas a sua famosa mesquita permanece no ponto mais importante de Jerusalém). E o Irã continua calmamente construindo sua bomba, enquanto reprime protestos.
As coisas estão esquentando, o que, nessa região do mundo, nunca é bom sinal.
Enquanto isso as relações entre EUA e Israel se desgastam com a ordem de construção de casas em Jerusalém Oriental, e os palestinos lançam um "Dia de Fúria" devido à inauguração de uma sinagoga reconstruída na mesma parte da cidade (eles não querem sinagogas, mas a sua famosa mesquita permanece no ponto mais importante de Jerusalém). E o Irã continua calmamente construindo sua bomba, enquanto reprime protestos.
As coisas estão esquentando, o que, nessa região do mundo, nunca é bom sinal.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Ataque dos quilombolas selvagens

O que faríamos sem a Internet? Sem ela, não teríamos a deliciosa ironia de que, no mesmo dia em que um comentarista publica neste blog seu "manifesto quilombola ameríndio", leio uma notícia sobre quilombolas atacando, esfaqueando e estuprando brasileiros no Suriname no recente período natalino (Mais detalhes aqui).
Ao contrário do que ocorreu no Brasil, os quilombos do Suriname não foram efetivamente destruídos, tendo realizado um acordo com os colonizadores holandeses e sobrevivido como comunidades relativamente independentes até os dias de hoje.
No caso em questão, irritados com a morte de um dos seus em uma briga de bar com um garimpeiro brasileiro, os quilombolas surinamenhos saíram em um arrastão, atacando e estuprando tudo o que viam pela frente. Há relatos escabrosos como os de uma mulher grávida que teve sua barriga aberta. Não só brasileiros como chineses e outros estrangeiros foram atacados com facões e machados, e vários estabelecimentos foram incendiados.
[Atualização: notícias mais recentes dão conta que os relatos iniciais foram algo exagerados e não houve mortes. Ver comentários.]
No Brasil, há um grande mito construído em cima da figura de Zumbi e do Quilombo de Palmares. Mas tudo isso é, em grande parte, uma invenção. Em primeiro lugar, não é verdade que os quilombos fossem "sociedades igualitárias", como sonham os comunistas. Eram sociedades que repetiam as sociedades africanas e coloniais da época, isto é, utilizavam escravos. Não só isso: qual era a principal atividade econômica dos quilombos? A plantação? A mineração? A produção de açúcar? Nada disso, tinham uma pequena produção agrícola de subsistência, mas sua principal atividade era mesmo o saque das propriedades vizinhas. Eram uma espécie de pré-MST.
Mas a maior mitologia é a criada em cima de Zumbi dos Palmares, sobre o qual, de concreto, se sabe muito pouco. Pode nem mesmo ter existido. Alguns acham que Zumbi não seja um nome, mas uma mera forma de tratamento entre os africanos; nesse caso, existiriam muitos zumbis. Se um certo Zumbi dos Palmares existiu, é certo que tinha escravos para uso pessoal (que os africanos se escravizavam entre si muito antes que os europeus iniciassem a fazê-lo, é sabido por todos os estudiosos), e em vez de herói, é possível que tenha sido prejudicial à causa negra. Afinal, ele teria selado a destruição de Palmares com seu rompimento do acordo com os luso-brasileiros realizado pelo tio (*) Ganga Zumba, que tinha obtido a liberação de todos os negros nascidos em Palmares, podendo assim ter replicado o que ocorreu no Suriname. Zumbi achou pouco, matou o tio, atacou os inimigos brancos (e índios - não esqueçamos que os índios colonizados e mamelucos lutavam ao lado dos brancos nessa), e perdeu tudo o que havia sido conquistado no tratado. É racista discutir o heroísmo de Zumbi? (ler comentário crítico ao final da página linkada)
O Brasil não é uma sociedade puramente indígena ou africana, e é bem possível que seja melhor assim. Convenhamos, sem o homem branco europeu, o que teria sido destas terras? As sociedades indígenas e africanas terão lá as suas vantagens, mas se os portugueses não tivessem vencido a guerra e ocupado o país à força, hoje não teríamos por aqui nem mesmo a roda, quanto menos a Internet. E os quilombolas ameríndios teriam que publicar seu manifesto em folhas de bananeira, isto é, se tivessem inventado uma linguagem escrita própria.
Atualmente os quilombos são um verdadeiro problema social no Suriname. E - adivinhem! - o governo Lula, sempre copiando maus exemplos, já autorizou o reestabelecimento de quilombos em território nacional. Sim, terras privadas serão desapropriadas para colocar ali uma favela rural de supostos descendentes de escravos.
Em vez de evoluir, estamos regredindo no tempo. Aguardo com ansiedade o decreto reinstituindo o direito aos tupis de devorarem seus inimigos. Suriname, lá vamos nós!
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Brasil,
especialistas de porra nenhuma,
idiotas,
loucura,
merda
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Das soluções simples
Em geral prefiro o individuo.com ao individuo.org, mas esta discussão no segundo blog sobre o futuro do Brasil está bem interessante e recomendo sua leitura. Realmente, por que não somos uma nova Coréia do Sul? (Talvez prefiramos seguir a Coréia do Norte). Mas aí um dos comentaristas escreve:
Ora, fora o fato de que não existe qualquer relação entre a melhora da educação e a secularização (ao contrário, as escolas religiosas tem bem maior qualidade do que as escolas públicas, e aliás foram os jesuítas que instituíram o ensino no Brasil) não existem milagres nem explicações únicas. O Brasil é o Brasil por uma série de fatores históricos, econômicos, sociais e políticos bastante complexos, e sua mudança será igualmente complexa.
(Não me perguntem como resolver, eu não sei. Eu não tenho muitas certezas. Por exemplo, até faz pouco me considerava a favor da pena de morte. Mas aí li isto aqui, que me fez duvidar.)
Pessoalmente, eu acho que o problema do Brasil é sua elite intelectual plena de certezas e adepta a soluções simples (e quase sempre equivocadas).
A religião é a responsável. Na medida em que o brasileiro se secularizar, a educação melhorará.Já eu acho que os "responsáveis" são esses reducionistas que acham que tudo pode ser reduzido a um único fator. A religião explica tudo. Ou a falta de religião. Ou o clima. Ou a genética. Ou a pobreza. Basta mudarmos x, e tudo será lindo e maravilhoso como em y.
Ora, fora o fato de que não existe qualquer relação entre a melhora da educação e a secularização (ao contrário, as escolas religiosas tem bem maior qualidade do que as escolas públicas, e aliás foram os jesuítas que instituíram o ensino no Brasil) não existem milagres nem explicações únicas. O Brasil é o Brasil por uma série de fatores históricos, econômicos, sociais e políticos bastante complexos, e sua mudança será igualmente complexa.
(Não me perguntem como resolver, eu não sei. Eu não tenho muitas certezas. Por exemplo, até faz pouco me considerava a favor da pena de morte. Mas aí li isto aqui, que me fez duvidar.)
Pessoalmente, eu acho que o problema do Brasil é sua elite intelectual plena de certezas e adepta a soluções simples (e quase sempre equivocadas).
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