Mostrando postagens com marcador idéias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador idéias. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 16 de março de 2012

O progressismo é uma religião

O progressismo é uma religião. Tem até seus santos. Dei-me conta disso vendo um mural pintado no outro dia. Tinha uma mensagem abaixo que não lembro, alguma trivialidade sobre a paz no mundo ou a igualdade humana. Mas as figuras que ilustravam o dizer eram as que formam a Santíssima Trindade Progressista: Mahatma Ghandi, Martin Luther King e Nelson Mandela.

Figuras admiráveis, admito. Nem que seja pela coragem de lutar pelos seus ideais. Não é fácil levar cacete da polícia inglesa ou passar 27 anos na prisão e ainda assim continuar acreditando. Para uma pessoa como eu, um cínico que nem ideais tem, chega a causar inveja. Porém, eram falhos, como todos os homens. Tinham muitos defeitos que nem vale a pena repetir aqui, e nem é esse o objetivo do post. Eu simpatizo com Ghandi. Com King e Mandela, também. King disse uma coisa bacana certa vez:

"A covardia pergunta: é seguro?
A conveniência pergunta: é político?
A vaidade pergunta: é popular?
A consciência pergunta: é certo? 
E chega uma hora em que o sujeito deve tomar uma posição que não é nem segura, nem política, nem popular, mas deve tomá-la porque é certa."

Boas frases.

Os três são não-brancos, naturalmente. Faz parte do ritual de masoquismo diário do homem branco esquerdista ocidental. Mea culpa, mea maxima culpa. É verdade que Che Guevara, o Jesus de Nazaré dos esquerdistas, era branco, mas naqueles tempos ainda não se havia chegado à grande sacada do marxismo racial. Cotas raciais em Cuba? Imagina. Tanto que os líderes da Revolução Cubana eram todos brancos e universitários, assim como era Abimael Guzmán, o canalha líder do Sendero Luminoso, e ninguém nunca se importou. (Por sinal, é interessante a figura da também branca Yoani Sanchez: ela é uma feminista progressista pró-gays e pró-minorias contrária ao comunismo cubano. É a nova geração de esquerdistas contra a velha. Sim, a esquerda mudou.)

Mas também não é disso que eu queria falar. Afinal, se formos classificar por etnia, os piores comunistas foram os asiáticos. Mao matou setenta milhões e Pol Pot e seu grupo torturaram e mataram um terço da população de seu país em três anos. Um terço! Teve gente que morreu simplesmente por usar óculos. Afinal, isso era coisa de capitalista. Se vivêssemos em um mundo são, qualquer sujeito de bem se envergonharia de se dizer socialista, só por causa de Pol Pot.

Bem, mas o que eu queria dizer mesmo é que o esquerdismo é uma religião, e que é por isso que é tão difícil discutir com um esquerdista, ou mesmo tentar fazê-lo mudar de idéia, ou ao menos fazê-lo enxergar as coisas sob outro ponto de vista. Vejam o Sakamoto, por exemplo. Nunca vi alguém que escreva tantos absurdos. Será que acredita naquilo? Tenho certeza que sim. Tenho certeza também que ele jamais mudará. (Augusto Nascimento, de saudosa memória, odiava os japoneses, mas acho que simpatizaria com o Sakamoto.)

Costumava-se dizer que um conservador era um "esquerdista assaltado pela realidade", mas acho que nem isso é mais verdade. Houve recentemente vários casos de esquerdistas que foram literalmente assaltados, e nem por isso mudaram de idéia. Tornaram-se até mais intransigentes na sua defesa de criminosos, na sua idéia (falsa) de que o crime é causado por diferenças sociais inerentes ao capitalismo e blablablá.

Talvez o progressismo seja um culto suicida. Lembram de Jim Jones? Ele era maluco, certo, mas será que as suas crenças eram lá muito mais absurdas do que a de qualquer ideólogo esquerdista radical?

Bem, no outro dia, saiu uma foto do pessoal do MST cometendo a heresia de fazer fila no McDonalds, todos bem bonitinhos esperando sua vez. Consolei-me um pouco. Pareceram-me mais humanos. Se eles podem deixar a ideologia de lado por alguns instantes, nem que seja para um McLanche Feliz, significa que nem tudo está perdido. Talvez até o Sakamoto possa um dia entender que não precisa odiar a classe média para ser cool.


domingo, 9 de outubro de 2011

A World Without Jobs

O título deste texto era pra ser "Um mundo sem empregos", mas ficou em inglês porque não resisti a fazer um trocadilho infame. Dito isso, são dois fatos incontestáveis: Steve Jobs se foi, e os empregos do mundo estão sumindo. 

Steve Jobs está sendo chorado como poucas figuras da história recente, e como quase nenhum empresário jamais foi (empresários são quase sempre universalmente execrados). Por quê? Talvez por ter criado os aparelhos mais representativos da era atual: os iPhones e iPads, que nada mais são do que brinquedos para gente grande. Mas há algo mais aí: Steve Jobs, filho de um imigrante sírio, abandonado enquanto bebê, adotado por um casal de classe média-baixa sem curso superior, abandonando os estudos, virando hippie vagabundo de férias na Índia e mesmo assim no fim das contas chegando ao topo do topo, ele representa a máxima afirmação do "sonho americano", a "terra da liberdade" onde qualquer um pode chegar lá. E digamos a verdade: se Jobs tivesse crescido na Síria, será que teria qualquer possibilidade de jamais chegar a ser o que foi? 

Mas casos como o de Jobs são cada vez mais exceções. Sim, ainda há muitos jovens milionários e histórias de sucesso, a América ainda é a América, mas tudo está mudando cada vez mais.

A Europa, em crise econômica e sem empregos, está virando um parque temático. Sua função, se o crescimento populacional muçulmano por lá não impedir, será a de conservar seus monumentos em pé para que possam ser visitados por turistas de todo o mundo. O mundo muçulmano está se reduzindo à sua própria insignificância. China ainda cresce -- mas até quando? E mesmo os EUA estão com taxas de desemprego que parecem apenas aumentar. (Obama já é menos popular do que o vírus da febre suína). Enquanto isso, jovens americanos "ocupam Wall Street" e querem -- o quê? Provavelmente achar algum culpado fácil para tudo.

Em um de seus últimos posts, o marxista Sakamoto mostra mais uma vez que, como 99%, tá bom, 100% dos blogueiros de esquerda, não entende nada de economia. Ele quer que as empresas reduzam a jornada de trabalho sem reduzir o salário. Quer que o açougueiro, o padeiro e o cervejeiro trabalhem, não por interesse próprio, mas por benevolência. Leia Adam Smith, rapaz! Na verdade, tais trabalhadores devem agradecer aos céus que o desemprego no Brasil está baixo e que o mercado de trabalho ainda está em expansão.

Afinal, o grande problema do mundo moderno é que a globalização e a automação tornaram e ainda estão tornando grande parte das pessoas inúteis. O imenso número necessário de pessoas que eram necessárias para plantar, colher e transportar alimentos reduziu-se muito com a mecanização da agricultura. Paradoxalmente, hoje produz-se bem mais alimentos. Salvo algumas regiões da África e do Oriente Médio, os pobres hoje tem maior problema com obesidade do que com fome.

Bem, mas é claro que o fim do trabalho agrícola não significou o fim do trabalho. Muitos migraram para as cidades onde trabalhavam em fábricas, que logo passaram também pelo mesmo processo de automação. Robôs cada vez mais podem fazer o trabalho de humanos, e com muito maior eficiência, e sem reclamar. Sim, ainda há muitas fábricas com pessoas trabalhando, mas elas estão na China ou na Índia, e também ali eles trabalham sem reclamar.

Então então essas pessoas que saíram do campo para trabalhar nas fábricas agora trabalham nas cidades na indústria de serviços, ou então em alguma repartição pública. Não produzem nada, mas realizam serviços para aqueles que produzem, e portanto ajudam a fazer com que estes últimos produzam mais. Mas mesmo muitos desses empregos hoje em dia estão acabando graças à tecnologia. As grandes redes de livrarias americanas desapareceram graças à Amazon; as indústrias locais foram engolidas pela China, que tem muita gente e pode fabricar tudo mais barato (e não eram e são os iPods e iPads fabricados por lá?); os robôs no Japão já podem até cozinhar pratos simples; até alguns empregos que antes exigiam diploma hoje podem ser substituídos por um software. Até o fim deste século, que outros empregos desaparecerão? Talvez motorista: a Google já está experimentando com carros que se dirigem a si mesmos

Tudo isso é deveras maravilhoso, mas o que fazer com os milhões de pessoas tornadas redundantes na era da automatização, da globalização e da Internet?

A visão romântica é que viveríamos em um mundo de lazer e de crescimento espiritual. Num mundo sem empregos, as pessoas se dedicariam às atividades artísticas, intelectuais e de supervisão e gerência do mundo robotizado. Mas isso é fantasia. O fato é que, contrariamente ao que sustenta a teoria da tabula rasa, nem todas as pessoas têm as mesmas capacidades, físicas, mentais ou psicológicas. Dito de outra forma, em um mundo supertecnológico no qual o QI e o conhecimento técnico são os valores mais importantes, grande parte das pessoas não estão e jamais estarão qualificadas para trabalhar naquilo que realmente importa, nas poucas atividades realmente produtivas. E mesmo pra criar arte seriam inúteis, pois tampouco são todos os que tem talento.

Nesse admirável mundo novo, seria o welfare a solução mais moral, ou a mais imoral? Sustentar os incompetentes, ou deixar que eles morram de fome? É possível também que, sem trabalho, algumas pessoas se dedicassem mais ao crime, ou ao menos essa é a desculpa dos esquerdistas para manter o sistema. Porém, como o welfare (isto é, ser pago apenas por existir) é socialmente e moralmente nocivo para o indivíduo, estimulando a preguiça, o ócio e os maus costumes, é preciso que exista um outro caminho.

Seria a solução então manter um tipo de welfare light, no qual empregos desnecessários são mantidos apenas devido à sua função social? O trabalho enobrece, já diziam os antigos. Penso por exemplo nos ascensoristas que ainda tem tal emprego em tantas repartições públicas no Brasil, quando são já de todo desnecessários, e talvez sempre tenham sido. Penso nos frentistas de posto de gasolina, que hoje já quase não existem mais nos EUA, mas que são mantidos na maioria de países latinoamericanos e europeus.

Não acho que a automação seja de todo boa. Por exemplo, detesto os números de telefone com gravações. Acho preferível quando há outra pessoa do outro lado da linha. Precisamos de interação com outros humanos; mesmo que seja possível, e até já existam, supermercados totalmente automatizados, não é melhor que exista alguém real recebendo o dinheiro e colocando os produtos nos pacotes?

Será então que os empregos serão mantidos apenas para que não morramos de solidão? Os robôs humanóides não tem dado muito certo, apesar de alguns estarem melhorando de aparência. Há certas coisas que os seres humanos ainda fazem melhor. O trabalho braçal tampouco está de todo extinto, e provavelmente não o estará enquanto um ser humano for mais barato (e mais eficiente) do que um robô.

Bem, quem pode dizer o que ocorrerá no futuro? Ninguém previu a Revolução Industrial, ninguém previu a Revolução da Informática, ninguém previu sequer o iPad - ou o teria inventado antes. Como dizia Daniel Defoe, só há duas coisas certas nesta vida, a morte e os impostos. Steve Jobs escapou de um, mas não do outro. Adeus, Steve Jobs, adeus. 

O futuro da automação.
O blogueiro Sakamoto em Wall Street.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Evolução: sim ou não?

Darwin e sua teoria da seleção natural são muitas vezes utilizados para bater no Cristianismo e na própria idéia de Deus. Eis aqui por exemplo um vídeo ridicularizando as várias Miss America no debate (tipicamente americano) sobre o ensino do Evolucionismo versus Criacionismo nas escolas.

A verdade, porém, é que muitos dos tais defensores do evolucionismo pouco conhecem as teorias e textos do estudioso britânico. Grande parte das idéias darwinianas são, por sua própria natureza, extremamente contrárias a qualquer tipo de igualitarismo, inclusive o racial, já que prevêem a adaptação de todo ser, inclusive o homem, ao seu meio. Eis este trecho de "A origem das espécies":

At some future period, not very distant as measured by centuries, the civilized races of man will almost certainly exterminate, and replace, the savage races throughout the world. At the same time, the anthropomorphous apes ... will no doubt be exterminated. The break between man and his nearest allies will then be wider, for it will intervene between man in a more civilized state, as we may hope, even than the Caucasian, and some ape as low as a baboon, instead of as now between the Negro [sic] or Australian and the gorilla.

Não traduzi por preguiça, mas o trecho apresenta várias idéias que hoje em dia seriam consideradas heréticas, a começar pela noção de que algumas raças estariam mais próximas do macaco do que outras, e embora não o justifique, parece prever o genocídio racial. (Detalhe aos nazistas de plantão: longe de ser um supremacista racial, Darwin era um abolicionista, ferrenho adversário da escravidão). Chama a atenção também a idéia de que o homem com o tempo iria se "civilizando" cada vez mais (mas a seleção natural não era cega e sem propósito?)

A teoria de Darwin nega a existência de Deus? Não necessariamente, embora tente dar uma explicação alternativa para o surgimento das várias espécies de seres vivos que dispensa a idéia de um Criador. Não é à toa que muitos dos ateus militantes sejam também neodarwinistas, como Richard Dawkins. 

Além disso, assumir o darwinismo ou a "sobrevivência dos mais fortes" como filosofia de vida ou de sociedade pode levar mesmo a uma negação da moral e da compaixão cristã. Ainda que, como disse certa vez o saudoso leitor Augusto Nascimento (onde andará ele?), "darwinismo é uma teoria científica, não um programa político", o fato é que o materialismo darwinista pode levar mesmo a uma descrença em qualquer tipo de realidade moral ou espiritual. (Basta um único exemplo: se a "moral" de tudo no darwinismo é apenas deixar o maior número possível de cópias de nossos genes, conclui-se que deveríamos simplesmente tentar procriar o máximo possível com o maior número de parceiros possível. Já a moral judaico-cristã, conforme Tessalonicenses 4, é bastante mais severa.)  Ateísmo e darwinismo andam, em geral, de mãos dadas.

(Pessoalmente, nada contra os ateus; só não suporto algumas pessoas de inteligência medíocre que se julgam superiores meramente por terem feito uma "descoberta" perfeitamente óbvia: "Descobri que Deus não existe. Sou um gênio! E os religiosos são apenas idiotas que ainda acreditam em Papai Noel". E lá vai o imbecil, julgando-se um crânio maior do que Tomás de Aquino. Ora, como bem escreveu Francis Bacon, um pouco de filosofia pode levar qualquer um ao ateísmo, mas ainda mais filosofia certamente levará o indivíduo a pensar também no aspecto espiritual, e nas causas maiores de tudo.) 

Mas onde eu estava? Ah sim, na teoria da evolução de Darwin. Há vários problemas com a teoria, mesmo deixando de lado o aspecto religioso. Darwin formulou sua teoria original quando a ciência da genética mal engatinhava; hoje, longe de confirmar as idéias de Darwin, a genética, em alguns aspectos, parece contrariá-la. De acordo com os neodarwinistas, a evolução seria resultado de inúmeras mutações genéticas aleatórias ao longo de milhões de anos. O problema é o seguinte: as mutações genéticas são extremamente raras e, sendo "defeitos de fabricação" (ou de cópia), também são em 99% dos casos, negativas (i.e. retardamento mental, um cachorro com três pernas, má-formação de órgãos, etc). Há perda de informação genética, não acréscimo. Para se criar uma espécie nova, você teria que ter um número suficiente de indivíduos com a mesma mutação aleatória, e que tal mutação seja de algum modo benéfica. Neste site aqui (em inglês) há a enumeração de alguns argumentos contrários à teoria darwiniana. Não sou biólogo, portanto não sei se eles têm validade ou não, mas me pareceu interessante. (Aqui outro texto criacionista com argumentos similares, mas em texto mais curto e talvez mais fácil de entender). 

Em geral, faz-se a comparação da evolução com a "corrida armamentista". Da mesma forma que ocorre com países em conflito, os animais se especializariam para atacar ou se defender. Exemplo: um predador desenvolve presas mais potentes (isto é, um predador que nasce com os caninos mais fortes é beneficiado por estes e deixa maior descendência); a presa em contrapartida desenvolve uma couraça (de novo, através da seleção natural daqueles que nascem com uma pele mais rija). 

Faz sentido, mas a diferença é que, na corrida armamentista real, há pessoas criando as armas, de um e outro lado. Ou seja, um "design inteligente". A seleção natural pode certamente favorecer uma ou outra espécie que já existe, mas não é claro, ao menos para mim, como certos atributos cada vez mais complexos surgiriam do nada a partir de mutações genéticas randômicas, até criar uma nova espécie.

A seleção natural existe e é um fato facilmente observável (i.e., os dinossauros não existem mais). Mas o  que Darwin fez foi atribuir a ela a origem das espécies (justamente o título do livro). E isso, acho, não está empiricamente provado. Embora previstas pela teoria, tais mutações, por motivos óbvios como a necessária passagem de muitíssimos anos, jamais foram observadas em laboratório ou em estudos na Natureza. O mais próximo que se encontrou foi o caso das mariposas inglesas afetadas pela poluição, mas mesmo esse estudo referia-se a um caso de microevolução em espécies já existentes (creio que também há estudos com bactérias).

Atenção. Não estou aqui querendo negar a teoria da evolução nem promover o criacionismo. Ao contrário, a teoria da evolução parece-me bastante útil como explicação para fenômenos que, antes dela, eram desconhecidos. Aliás, aceito de bom grado as suas premissas básicas, sou a favor que seja ensinada na escola e, embora não entenda alguns de seus aspectos, não sou biólogo, e portanto se tivesse alguma discordância, poderia ser mero resultado de minha quase total ignorância do assunto.

Meu pensamento sobre tudo isso está ainda, ahem, evoluindo, e portanto gostaria mesmo é de saber do leitor:

Você acredita na teoria da evolução? Ela é compatível ou não com o cristianismo ou com a crença em Deus? Como vê os aspectos da teoria que negam os dogmas mais queridos (tanto da esquerda, como a igualdade, quanto da direita, como a existência de Deus)? Poderia haver alguma outra explicação científica para o surgimento das várias espécies? Há algum biólogo na sala?

Discutam entre vocês.

sábado, 10 de setembro de 2011

Chega de igualdade!

No post anterior sobre educação, falou-se sobre crianças com graves deficiências mentais ou físicas que, em nome da "igualdade", são colocadas para estudar junto com criançs normais. É, na minha opinião, uma crueldade sem tamanho.

Uma criança especial precisa de cuidados e professores especiais. Numa sala de aula normal, não conseguirá acompanhar o ritmo dos outros alunos; por outro lado, os estudantes mais espertos tampouco poderão aprender tanto quanto deveriam (não que, nos dias de hoje, a escola ensine muito mais do que como colocar uma camisinha numa banana). É um problema também para os professores, muitos dos quais não tem treinamento específico para lidar com débeis menta... mongolói... er, pessoas mentalmente diferenciadas. E ainda existe o maior risco de bullying, a nova paranóia das classes progressistas.  

É, no fundo, a mesma idéia de Foucalt, esse maldito via..., hã, homossexual fã dos aiatolás, que dizia que os loucos mentalmente diferenciados não deveriam ser tratados, pois são iguais a todos nós. Não, caro Foucault, não somos todos iguais! 

O grande mal da era moderna é com certeza o igualitarismo. Liberdade e fraternidade, tudo bem. Agora, igualdade é uma quimera. Salvo a igualdade perante a lei, essa sim imprescindível, e uma relativa igualdade de oportunidades, o resto é impossível de obter. Não somos todos iguais, nem tudo é igual a tudo. E por que deveria ser? 

Se todas as religiões são iguais, por que alguns fanáticos religiosos se explodem freqüentemente e outros não? Se todas as etnias/povos são iguais, por que se notam tantas diferenças práticas entre os grupos humanos? Se todas as culturas são iguais, para que precisamos de "multiculturalismo"? Se todas as formas de relacionamento sexual são iguais, porque alguns conseguem se reproduzir biologicamente e outros não?

Mas nem importa que as pessoas sejam diferentes se forem tratadas de forma igual, mas não é isso o que acontece. O que se quer é alavancar uns e bloquear outros de modo a que o resultado entre eles seja igual. A "igualdade" de que falo aqui é a que quer impor cotas raciais ou estabelecer territórios para grupos étnicos específicos; é a que julga que criminosos devem ter mais direitos do que vítimas de crimes; a que quer que todos ganhem o mesmo independentemente do seu esforço ou talento; e assim por diante. 

É uma luta perdida. Os igualitaristas venceram. Está rolando pelos Facebooks da vida um vídeo em que um ator brasileiro que não conheço é acusado de "racista" por falar que Sammy Davis Jr. era negro, caolho e baixinho, e quando subia no palco virava um loiro alto de olhos azuis. Não entendi a tentativa de linchamento. O ator claramente admira Sammy, assim como eu. Se ele tivesse chamado o artista de "preto safado" até entenderia as acusações. Mas ele apenas fez um elogio, só que com uma comparação que dá a entender que é melhor ser alto, loiro e de olhos azuis do que ser preto, caolho e baixinho (só faltou lembrar que Sammy também era judeu, convertido). Bem, mas, se é por isso, talvez o ator também deva ser processado por "caolhismo", afinal claramente é prejudicado contra os caolhos...

O problema é que há tanta lavagem cerebral que até fazer um comentário ingênuo pode dar lugar a problemas. No outro dia, nos EUA, uma editora deu de presente a seus clientes um livro que continha citações bíblicas. Foi obrigada a mandar uma carta pedindo desculpas, pois o livro poderia ser considerado "ofensivo"... A loucura é tanta que já vi até tese de doutorado achando que "Will & Grace" era um seriado "homofóbico", por, hã, ter cenas de humor com personagens gays...

Chega dessa tirania politicamente correta e dessa falsa igualdade! Somos todos diferentes -- e isso é bom.

Pois há outro problema aí: estimular uma "igualdade de resultados" (ao invés de uma igualdade de oportunidades), tende-se a estimular uma série de problemas sociais. Pra que estudar? A ação afirmativa garante meu lugar. Pra que trabalhar? O bolsa-família sustenta meu lar. Pra que economizar até poder comprar uma propriedade? Tenho "direito" à terra, a ocupar casas dos outros, ou a construir meu barraco em qualquer lugar da cidade...

Liberdade, igualdade e fraternidade? Liberdade, sim, desde que com responsabilidade. Fraternidade? Sim, com aqueles que merecem. Igualdade? Apenas perante a lei.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Devem os ricos pagar mais impostos?

Chega de falar sobre imigração, raça, cultura, decadência européia e todos esses temas que me deprimem profundamente. Vamos falar de um tema sobre o qual todos concordam: impostos. Todo mundo, até o Noam Chomsky, gostaria de pagar menos impostos, certo?

Bem, aparentemente, nem todos. O bilionário socialista Warren Buffet diz que quer pagar mais impostos e que acha que todos os bilionários deveriam fazer o mesmo. Os apenas milionários também entraram na onda e apoiam os projetos de Obama para aumentar os impostos sobre os ricos (e os nem tão ricos).

Bem, nada impede que eles doem toda a sua fortuna ao governo Obama, se assim quiserem, mas porque essa ênfase em uma mudança da lei? 

Há ainda um estereótipo que vê os ricaços americanos como sendo sagazes capitalistas, conservadores e fãs de Ayn Rand, mas isso está bem longe da verdade. O fato é que hoje a grande maioria dos bilionários, de Al Gore a Bill Gates, são socialistas, Democratas e estatistas. Por que isso ocorre? Essas pessoas não dão ponto sem nó, portanto deve haver uma grande vantagem em ser estatista. Provavelmente, ajuda a limitar o surgimento de possíveis concorrentes. Se você está no topo, você não quer mais competição, certo? 

Mas o que o povo acha de tudo isso? Políticos populistas querem nos fazer acreditar que os mais pobres querem sempre mais impostos sobre os ricos, mas isso não é sempre verdade.

Um artigo muito interessante da Economist, ao qual eu já fiz alusão no post anterior, fala sobre essa questão. A tendência era achar que o cidadão de classe média quer menos impostos aos ricos pois sonha em um dia ser rico também; quanto mais impostos aos mais ricos, menos estímulo tem o cidadão de classe média a se esforçar mais e subir de vida. Isso faz sentido, mas talvez essa não seja toda a verdade. O artigo descreve um curioso experimento que foi realizado por estudiosos:  

Os autores realizaram uma série de experimentos onde estudantes receberam aleatoriamente somas de dinheiro, separadas por 1 dólar, e informaram sobre a "redistribuição de renda" que se seguiria. Então cada um recebeu mais 2 dólares, que eles deveriam dar seja à pessoa diretamente acima deles, seja à pessoa diretamente abaixo deles na "classe social". Em concordância com a teoria da "aversão ao último lugar", as pessoas que estavam a um degrau da classe mais baixa eram as mais propensas a darem o dinheiro às pessoas acima delas: recompensando os "ricos" mas garantindo que ao menos alguns continuassem mais pobres do que eles.  

Segundo o estudo, portanto, não é que as pessoas necessariamente imaginem que um dia serão ricas, o que não querem é estar entre os mais pobres dos pobres, querem sempre ter alguém abaixo de si. Coisas da natureza humana. 

O que fazer? Pessoalmente, e nesse ponto concordo com o Ron Paul, sou a favor da abolição do imposto de renda, e que o único imposto existente seja sobre as vendas, de modo que os ricos (ou aqueles que consumem mais) pagarão de acordo com o que consomem, sem burocracias e sem firulas. É claro que com essa medida advogados, contadores e milhões de burocratas perderiam seus empregos, sem contar que o Estado diminuiria de tamanho e se intrometeria menos na privacidade do indivíduo, e portanto tal medida é inadmissível.


domingo, 17 de julho de 2011

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Qual o sentido da vida?

Devemos fazer algo útil na vida. Mas o que seria algo útil? Confesso que às vezes não sei. Este blog, não o vejo como tendo qualquer utilidade prática, escrevo porque não consigo parar, é vício mesmo. Mas é mais perda de tempo do que qualquer outra coisa. Sinceramente, muitas vezes gostaria de parar e escrever coisas mais úteis, mais belas, mais profundas -- ou ao menos que dessem mais dinheiro. Quem sabe terminar meu famoso romance, há anos na gaveta?

Por outro lado, às vezes fico pensando. Faz alguns meses conheci em um grupo de discussão literária um rapaz de 22 anos admirável. Excelente orador, recém formado em Direito, e sempre com conselhos práticos sobre a vida útil que as pessoas deveriam levar. Pois bem: após dar esses conselhos, ele saiu de camping com amigos e fez uma coisa extremamente estúpida: decidiu andar de caiaque em um rio de correnteza forte sem colete salva-vidas e sem saber nadar. Encontraram o seu corpo em decomposição duas semanas depois. Tinha 22 anos, e toda a vida pela frente. Eu tenho bem mais e também faço coisas estúpidas, mas ao menos sei nadar, isso sim.

Não sou religioso, mas acredito em Deus, embora confesse que não entenda seus desígnios. Acho que meu livro preferido da Bíblia é o Eclesíastes, que é basicamente uma aceitação resignada da falta de sentido aparente da vida, e da incompreensão do universo à qual todos estamos condenados. Houve uma vez em que me pareceu que havia um sentido oculto por trás de tudo; quem sabe se as coisas tivessem ocorrido diversamente, ainda pensaria assim. Mas não ocorreram e não se pode voltar atrás. Serei sempre nostálgico da vida que não tive.

Curiosamente, se tivesse levado uma vida mais afinada com os princípios conservadores aqui defendidos, é bem possível que tudo fosse melhor. Ou talvez não. Tudo pode acabar de um dia para o outro em um um único descuido. Talvez seja apenas questão de sorte. Sabe-se lá.

Dizer que estou lutando pela civilização ocidental é besteira. A existência ou não deste blog não faz diferença alguma para ninguém, muito menos para o "mundo ocidental". Não tenho qualquer ilusão de estar passando adiante qualquer coisa. Na verdade, às vezes nem sinto que sou eu quem escreve estas linhas: é como se eu fosse tomado por um espírito, o espírito do Mr X -- eu, o indivíduo real que vive uma vida completamente diferente da que é aqui pregada, sou apenas o médium que transmite seus delírios. Nenhum de meus amigos jamais sonharia que sou de direita, até porque talvez não seja mesmo. Sou somente um observador.

Ao contrário de outros sites e blogs, não tenho o menor interesse em propor modelos políticos, salvar o Brasil ou o mundo do petismo e do gayzismo, ou criar um grupo de extremistas de direita dedicados a caçar comunistas, restaurar a monarquia ou demolir as estruturas do progressismo mundial. Talvez faltem-me a clareza e a convicção, as mesmas que me faltam em tudo. Lamentavelmente, tampouco ganho dinheiro, status ou mulheres com o que posto aqui.

Se há algum tipo de utilidade no que é aqui feito, é apenas transmitir a um público muito seleto e educado algumas das ideias discutidas entre a direita americana que jamais chegam nem chegarão à mídia brasileira, mas mesmo isso hoje o Dextra faz melhor e com maior convicção. Eu só faço o que faço por hábito, uma espécie de transtorno obsessivo compulsivo, e nem tenho certeza de estar replicando as idéias corretas.

O blog começou como reação aos eventos do 9/11, ou melhor, o personagem do Mr X começou a aparecer nos comentários do velho blog do Pedro Doria, há vários anos atrás. Só anos depois criei um blog próprio. E, se no começo a preocupação maior era com o terrorismo islâmico, hoje tal tema representa uma parcela menor das discussões. Imigração, crise espiritual, decadência ocidental, progressismo versus tradicionalismo, todas essas são questões que começaram a aparecer com maior freqüencia por aqui, devido às minhas leituras. O fato é que o ressurgimento do islamismo é grave, mas é apenas um sintoma. A doença está no Ocidente.

Se este blog não tem qualquer utilidade, por que continuá-lo? Suponho que seja um diálogo platônico comigo mesmo, tentando entender para onde diabos vai o mundo. Nada mais, nada menos. E, se nada faz sentido, então por que não continuar anyway

Qual o sentido da vida? Os cristãos tem a sua fé. Os muçulmanos as deles. Para o ateu militante e chato de galochas Richard Dawkins, o sentido é a mera propagação dos genes, aliás, nós humanos não temos qualquer sentido, somos apenas os condutos pelo qual os nossos "genes egoístas" são transmitidos de geração para geração. Mas para quê?

Para o militante ateu/gay/esquerdista, acho que o sentido da vida é tentar sempre forçar uma utopia terrena, mas que não chega nunca, e por isso a radicalização torna-se sempre maior. Todos aqueles que buscam uma forma de utopia terrena ou reengenharia social, terminam dando de cara com a ressaca cósmica, como diz o Pedro Sette. O feminismo não trouxe a felicidade? Tentemos o casamento gay. Tampouco deu certo? Bem, quem sabe a liberação dos animais? Etcétera etcétera e assim por diante. Isso ficou bem claro para mim com a eleição de Obama: houve todo aquele orgasmo midiático com a eleição do "primeiro presidente negro", e depois o quê? Nada. Post coitum omne animal triste est (*). A sensação de vazio foi camuflada com planos para a "primeira juíza latina da Suprema Corte", o "primeiro homossexual governador do Arkansas", etcétera etcétera e assim por diante.  

Já para outros o sentido da vida é mais prosaico, não fazer coisas em grande escala, mas sim na pequena. Ajudar os próximos. Escrever um livro, ter filhos, plantar uma árvore. Coisas do tipo. Parece-me mais sensato.

Bem, estou pensando em modificar algumas coisas em minha vida profissional e pessoal, e estas mudanças quase certamente terão algumas ramificações no blog também; não sei bem ainda quais serão, só sei que ocorrerrão num futuro relativamente próximo. De qualquer modo, ao menos por ora, continuarei postando. Não consigo parar, já disse. Salvo que decida me aventurar de caiaque em algum rio desconhecido, e tudo acabe assim de repente sem qualquer tipo de sentido ou explicação, estarei por aqui. 

A vida continua, até que um dia não.




(*) "Após o coito todo animal é triste, com exceção da mulher e do galo" (Galeno).

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Elóis e Morlocks

* Atenção: Talvez eu deva explicar que não sou a favor da eugenia e que o post abaixo é mera especulação futurística, e não muito realista, diga-se, mas fantasia mesmo. Tem um bom conto do G. K. Chesterton que ironiza toda a questão da eugenia, e pode ser lido em português aqui. É verdade que alguns post ultimamente tem tratado sobre assuntos relacionados à genética e às diferenças entre os grupos humanos, mas, embora eu ache tudo isso interessante, minha posição a respeito deles é bem ambígua. Não acredito que o QI seja uma medida do valor humano, nem tenho aqui interesse em promover a aplicação de princípios darwinistas à sociedade humana, pois já vimos onde isso vai dar. Não somos bichos, feliz ou infelizmente. Por outro lado, tenho interesse em questões científicas e filosóficas, e estudos sobre a constituição genética do homem, bem como a própria questão da manipulação genética de seres humanos são temas bem atuais, queiramos ou não.  *


segunda-feira, 23 de maio de 2011

Mocinhos e bandidos

Uma matéria sobre o "comércio solidário" chamou minha atenção para todas as picaretagens que existem em nome do social. Basicamente, o pequeno fazendeiro africano ou guatemalteco pobre planta lá o seu café ou seu cacau, mas precisa pagar para conseguir o tal certificado de "comércio solidário" e vender o café a um preço maior. O lucro, no entanto, não vai exatamente para o seu bolso.

Quem ganha? O consumidor, que se sente todo superior crente que está ajudando os infelizes africanos e guatemaltecos que jamais ajudaria na vida real. O Starbucks, que vende o seu café a um preço maior para os otários. A ONG alemã, que tem o monopólio da certificação e recolhe a taxa de todos os pequenos fazendeiros que seguem sua cartilha.

Qual a explicação para isso? A mesma que se encontra no apoio aos palestinos, e na maioria das grandes causas progressistas. O tradicionalista americano Lawrence Auster, em bom post traduzido pela Dextra, dá a dica:

A resposta se encontra no "roteiro" do esquerdismo moderno, no qual todos os fenômenos da sociedade esquerdista são automaticamente encaixados. Como já expliquei antes, o roteiro esquerdista tem três personagens: (1) o esquerdista, que representa o princípio da bondade, definida como compaixão para com e inclusão dos não-brancos/não-ocidentais e outras vítimas; (2) o não-esquerdista, que representa o princípio do mal, definido como ganância, discriminação e intolerância para com não-brancos/não-ocidentais e outras vítimas; e (3) o não-branco/não-ocidental ou outra vítima, que não é ele mesmo um  ator moral, nem mesmo um ser humano totalmente formado, porque sua função no roteiro não é fazer nada, mas sim ser o recipiente passivo ou da bondade do esquerdista ou da maldade do não-esquerdista. Se o não-branco/não-ocidental fosse um ator moral, então suas próprias ações, inclusive suas más ações, teriam que ser julgadas. Mas julgá-lo negativamente seria discriminá-lo, o que viola o próprio significado e propósito do esquerdismo -- a eliminação de toda a discriminação contra não-brancos-não-ocidentais como as vítimas históricas da maldade não-esquerdista. Portanto, o não-branco/não-ocidental não pode ser visto como um ator moral -- como um ser humano que age e é responsável por suas ações.

A explicação é tão boa, que serve para quase qualquer coisa. Por exemplo, para o caso "dos livro do MEC" é a mesma. Eis um trecho do famoso livro:
A classe dominante utiliza a norma culta principalmente por ter maior acesso à escolaridade e por seu uso ser um sinal de prestígio. Nesse sentido, é comum que se atribua um preconceito social em relação à variante popular. 

Os intelectuais e políticos de esquerda são os bonzinhos que não querem que os manos da perifa sofram "preconceito linguístico" e lhes ensinam que seu jeito de falar também é "correto". A classe dominante é formada por preconceituosos malvados que tem preconceito contra quem fala errado. Enquanto isso os pobres continuam sempre ignorantes, mas quem se importa?

Uma vez que você entende esse mecanismo, já não consegue mais levar a sério a preocupação dos progressistas com os pobres, os desvalidos, os gays, os maconheiros, os índios, as populações ribeirinhas, etc. Eles são apenas peões nesse jogo.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Existe livre-arbítrio?

Neste blog que ainda tem uma frase lá embaixo sobre a liberdade, curiosamente jamais fiz um texto sobre a filosófica questão do livre-arbítrio, ou a capacidade de um indivíduo de decidir as próprias ações. Ele existe mesmo? 

Para os islâmicos, tudo, absolutamente tudo é resultado do desejo onipotente de Alá (inshallah), portanto o livre-arbítrio não existe. A religião cristã, me parece, conciliou melhor esse dilema, mas ainda assim é difícil distinguir o que seria resultado da ação divina do que seria meramente ação humana.

Para o budismo, somos escravos de nossos desejos. O desejo nos leva a sofrer, pois tudo é impermanente. Para obter a felicidade, precisamos eliminar o desejo. Ou seja, precisamos, na verdade, eliminar nossa própria individualidade. E o livre-arbítrio é só uma ilusão...

Mesmo para os que não acreditam em Deus, karma ou Destino, a questão é complicada. Afinal, de acordo com a teoria que você escolher, somos controlados por nossos instintos, nosso subconsciente, nossos genes ou nossa química cerebral. 

Dizem que o atirador de Realengo era psicótico. Isso quer dizer que não tinha controle sobre suas próprias ações? Pulsões obscuras e uma falta de equilíbrio químico em sua mente doentia o conduziram - e às suas vítimas - a um beco sem saída?

Não precisamos falar em psicopatas. Eu mesmo - como cada um de nós, certamente - já tive momentos em que me arrependi muito de ter feito certas coisas, e fiz outras sem entender bem o porquê. Destino, genes, desejos irrefreáveis, reações a nível molecular? 

É claro, de acordo com a maioria dos cientistas, o livre-arbítro não existe. Neste interessantíssimo artigo do New York Times sobre a questão, fala-se sobre um experimento científico no qual o indivíduo acredita ter livre-arbítrio, quando não tem: a decisão já tinha sido tomada antes, de forma inconsciente. O nosso cérebro estaria programado para nos fazer crer que temos livre-arbítrio, mesmo que não o tenhamos.

Um dos romances que trata sobre a questão é "A Laranja Mecânica" (O filme também é bom, mas o livro é melhor do que o filme). O jovem criminoso Alex é submetido ao "Tratamento Ludovico", uma nova técnica baseada nos reflexos condicionados que transforma o ultraviolento adolescente em um pacato cidadão de bem. Mas um padre, personagem importante do romance, é contrário ao tratamento: afirma que o homem deve ser livre para poder escolher entre o Bem e o Mal.

Mas e se essa escolha não fosse assim tão livre? Em 1971, por acidente, descobriram que a água na cidade de El Paso, retirada de poços subterrâneos, continha uma quantidade razoável de lítio, enquanto que a água utilizada na vizinha Dallas, tirada da superfície, não tinha. O lítio é um calmante e, segundo alguns estudiosos, era isso o que explicava que nível de crime violento em El Paso na época fosse bem inferior ao de Dallas. Era o calmante.

Claro, a diferença no crime poderia até ter outros fatores. Mas diga a verdade, se existisse uma droga pacificante que pudesse ser pulverizada por sobre todas as favelas do Brasil, e transformasse seus habitantes em mansos cordeirinhos, será que você não seria a favor? 

Ou se o método Ludovico funcionasse, será que não gostaríamos que ele fosse usado nos criminosos mais impenitentes, e dane-se o "livre-arbítrio" dessas bestas-feras?

O perigo, é claro, vem a seguir. Afinal, por que parar com o controle do comportamento criminoso? Se funciona, por que não controlar também o comportamento do cidadão comum? Já há cientistas que asseguram ser possível desenvolver uma pílula anti-racista. Certo, e depois disso, o quê? A pílula anti-homofóbica? A pílula para não discordar do governo? Tome uma no café da manhã, e não precisa mais se preocupar com pensamentos impuros ou politicamente incorretos...

Não duvide que um dia aconteça. Se eles podem colocar flúor na água para a nossa saúde dental, por que não fariam algo similar "para a nossa saúde mental"?

quarta-feira, 30 de março de 2011

Ideologia: eu não quero uma pra viver

O blog tem atraído umas discussões estranhas ultimamente. Não sei se é minha culpa. Juro que na vida diária sou uma pessoa normal, sem opiniões ou comportamentos extremos. Politicamente, gostaria que existisse um meio-termo entre os excessos do liberalismo e os rigores do tradicionalismo, mas talvez seja impossível.

Tendo a preferir as sociedades que prezam a liberdade individual, mas sem transformar esta em uma obsessão, no "direito de fumar drogas ou andar peladão pela rua". Acredito na livre-expressão, no livre-mercado e na liberdade religiosa, porém tendo por pano de fundo a moralidade tradicional cristã, sem o niilismo pós-moderno ateu nem o fundamentalismo religioso teocrático ou a sha'ria. Sou a favor do Estado mínimo (quanto menor, melhor), o que tende a excluir fascismos e socialismos tanto de esquerda quanto de direita.

Dito isso, não acredito em utopias ou sociedades perfeitas. A humanidade é imperfeita por Natureza, e portanto não tenho nenhum "mapa da mina" para construir uma sociedade ideal. Ao contrário, sou pessimista e tendo a achar, como Hobbes, que "o homem é o lobo do homem". Não promovo nenhum movimento político e prefiro mesmo ficar no meu canto.

Não sou "olavista" ou "olavette". Na verdade, o "olavismo" não existe como movimento político, filosófico ou ideológico, e penso que o Olavo de Carvalho jamais teve a intenção de criar qualquer coisa parecida com isso. Minha única conexão com o Olavo de Carvalho é que leio há vários anos textos do Olavo de Carvalho. Como ocorre com todos os autores que leio, concordo com algumas coisas, menos com outras. Acredito que de qualquer modo seja um pensador excepcional, especialmente se considerarmos o quase total vazio da discussão intelectual no Brasil, onde os maiores "intelectuais" hoje são o Chico Buarque ou o Jô Soares.

Suponho que seja desnecessário esclarecer que não tenho simpatias pelo nazismo. Poderia rebater as várias informações equivocadas que apareceram na caixa de comentários por estes dias, mas seria perda de tempo. Só achei engraçado acusarem "os judeus" de "terem criado a bomba atômica" -- como se os nazistas estivessem, naquele momento, empenhados apenas em pesquisar sobre como construir melhores brinquedinhos para crianças, ou fábricas de arco-íris e unicórnios. Ora! Tenham santa paciência. Os nazistas também queriam a bomba, e só não a conseguiram porque seguiram um caminho totalmente equivocado, além de ter despachado físicos brilhantes, aliás nem todos judeus, mas tampouco simpáticos ao regime.

Detesto o comunismo e o nazismo e tudo o que estes movimentos totalitários representam. Abomino revolucionários de quase todos os tipos. Não sou um progressista, mas tampouco sou um "nacionalista branco" ou mesmo um conservador tradicional. Não acredito no positivismo, que Machado de Assis brilhantemente satirizou como o "humanitismo" de Quincas Borba. Não acho que existam sistemas perfeitos, e a sua busca e tentativa de implantação é uma quimera inútil. Acredito, apenas, no bom senso e no conhecimento acumulado ao longo de centenas de anos de tentativa e erro, que terminam funcionando como regras imperfeitas de uma civilização imperfeita, sempre em precário equilíbrio.

Ideologia: não quero uma pra viver.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Guia da Internet Políticamente Incorreta

Raramente atualizo a relação do blogroll ao lado, então eles não refletem exatamente minhas últimas leituras ou mesmo os blogs que ainda estão ativos. E, como é possível que tenha menos tempo de blogar por estes dias, deixo vocês com outros locais onde se divertirem. Alguns links são polêmicos e altamente provocativos, mas também isso faz parte da diversão...

EM PORTUGUÊS

Dextra. Finalmente uma direita ao velho estilo! O blog mais reacionário desta galáxia ao sul do Equador. Tem pouco material próprio, mas várias excelentes traduções ao português de artigos de Roger Scruton, Jerome Corsi, Lawrence Auster, e muitos outros. A direita mais retrógrada de todas, com muitas imagens chocantes para ilustrar, e questionando até a igualdade racial e o direito de voto feminino!

Mídia Sem Máscara. Dispensa apresentações. É o covil da Serpente Gnóstica, segundo o leitor AN.

Roberto Cavalcanti. Católico apostólico romano, leitura políticamente incorreta sobre a questão do aborto, homossexualismo, etc. Um Júlio Severo com um texto menos agressivo, digamos.

Blog do Pim. Jovem redator publicitário com excelente blog sobre política e temas atuais. Não percam seu bom artigo sobre a liberação das drogas. Lamentavelmente, não parece publicar muito seguido, e agora está de férias. 

Sílvio Koerich: Blog do "perdedor mais foda do mundo". Machismo escancarado desancando as mulheres, o feminismo, as relações modernas. Acha que mulher gosta mesmo é de ser dominada, quando não de apanhar. Muito humor e muitos palavrões. 

EM INGLÊS

Belmont Club: Blog do ótimo Richard Fernandez. Epa! Um latino, imigrante ilegal nos EUA? Não, um filipino que mora na Austrália. Ah, bom. Terrorismo, guerra e política internacional estão entre seus temas preferidos.

View from the Right: judeu convertido ao cristianismo, acusado por vezes de racismo, contrário ao Islã, à imigração, ao homossexualismo e até à teoria da evolução de Darwin. É primo do famoso escritor Paul Auster, de orientação política completamente oposta. Curiosamente, assim como Olavo de Carvalho, foi astrólogo na juventude. Mas não deixe isso desanimá-lo: Lawrence é uma das mentes mais brilhantes da blogosfera americana, explicando como ninguém o pensamento progressista. A astrologia parece ser útil para desenvolver a mente! O grande poeta Yeats também acreditava em astrologia, por sinal.

Iowntheworld: Blog satírico, surgido a partir de uma dissidência do famoso site satírico anticomunista The People's Cube. O melhor era a coleção de tirinhas sobre a família Obama, mas acho que pararam de fazê-las.

Whiskey's Place: A teoria de Whiskey é simples: tudo é culpa das mulheres, ou melhor, da pílula. A pílula anticoncepcional e o feminismo liberaram as mulheres do casamento. Não necessitando de homens beta que as sustentem, elas podem se dedicar à procura de alfas, e que tudo mais vá para o inferno. Assim, o Ocidente femininizou-se. Isso explicaria o fim do casamento, o politicamente correto, a preferência pelo Estado protetor cada vez maior, etc etc. 

Mencius Moldbug: o mais maluco de todos. Posts quilométricos e por vezes quase ilegíveis devido à densidade de informações. No entanto, pescando aqui e ali você encontra observações excepcionais. Neomonarquista (acredita em um sistema não-democrático mas que tampouco seria uma monarquia à moda antiga) e, até onde sei, ateu.

Leia por sua conta e risco!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Quem é mais racista?

Às vezes a esquerda vai tão, mas tão à esquerda que termina indo parar na direita.

Pensei nisso lendo o artigo de um certo Stephen Kinzer, no jornal comuno-chique The Guardian. O artigo se chama "O imperialismo dos direitos humanos".

O artigo até que começa bem, criticando as organizações de Direitos Humanos. Só que seu argumento não é que não façam bem o serviço, ao contrário: é que estas seriam demasiado exigentes com governos do Terceiro Mundo, querendo noções universais de direitos humanos que não se adequariam as realidades locais. A partir daí, Kinzer delira, e passa a afirmar que a noção de Direitos Humanos é uma "arma imperialista" criada por "homens brancos em New York" para infernizar a vida de africanos, árabes e indígenas exigindo-lhes tarefas impossíveis.

Kinzer cita o exemplo do presidente de Ruanda, Paul Kagame, que é acusado de matar opositores, entre outras medidas não muito amigáveis, embora tenha com essas medidas (segundo Kinzer) impedido um novo genocídio. (Pelo descrito, até que Paul Kagame não parece ser tão ruim para o padrão de governos africanos. E, tendo proibido candidatos de oposição de participarem nas últimas eleições, venceu com 93% dos votos - mais popular do que o Lula! E quase tanto quanto Saddam Hussein, que costumava ganhar eleições com 99% de "apoio popular"...)

A questão  é que, para o articulista, parece ser que querer respeito total aos direitos humanos e às liberdades políticas seria exigir demais dos pobres africanos. Ele acredita que deveriam existir dois tipos de "direitos humanos", um para as sociedades desenvolvidas, e outro de segunda mão para o Terceiro Mundo. 

Curiosamente, saiu recentemente um outro artigo no mais conservador Wall Street Journal, este escrito por um certo Brett Stephens e argumentando que a África no fundo estava melhor sob os colonialistas brancos, e que talvez o continente deveria ser recolonizado. (Tudo bem, os Chineses estão chegando lá). Embora a conclusão seja a oposta à de Kinzer, ambos têm uma visão similar sobre a incapacidade da África de se organizar sob os mesmos moldes de uma sociedade ocidental. 

A direita americana não é racista, bem longe disso. Mas existe uma pequena parte da direita americana que é racista, ou, melhor dizendo, racialista. Não, não são os Tea Parties, que se esforçam para incluir negros e latinos em suas manifestações. Nem os Republicanos, que vivem cortejando os latinos, ainda que sem sucesso. É uma minoria. Sim, alguns são ligados ao movimento White Power ou até a neonazistas, mas não falaremos aqui desta corja.

Refiro-me ao movimento HBD, ou Human Biodiversity, que não pretende exterminar ou segregar ninguém e é "racista" apenas no sentido de que não compra isso de que "não existam raças", mas acredita que existem diversos grupos humanos, cada um com características próprias, seja biológicas, seja culturais. Negros são bons no esporte e na música, asiáticos são bons na matemática, brancos são bons em arte e medicina, etcétera. Longe de serem apenas mitos, tais diferenças estariam justificadas por diferenças biológicas e culturais entre os grupos.

Já a esquerda (e a maior parte da direita) afirma que não existem raças. Mas suas ações são exatamente contrárias a essa suposta crença. Por exemplo, as cotas. Se não existem raças, para que cotas raciais? Se não existem raças, para quê quilombos e reservas indígenas exclusivas para membros de tais, hum, raças? As próprias minorias articulam-se sob o conceito de raça: há mais de uma revista afro chamada "Raça", o movimento mexicanista nos EUA se chama La Raza, etc.

Além disso, a esquerda sempre tem uma atitude paternalista com as minorias, como se estas não fossem capazes de ser julgados pelas mesmas regras do que os outros. Então, a verdade é que tanto a esquerda quanto a direita mais radicais acreditam no fundo que negros, índios, latinos e terceiromundistas em geral são um pouco mais burros, incompetentes, violentos e/ou preguiçosos. A diferença é que a direita radical acredita que tal se deve a diferenças inatas, culturais ou até genéticas. Já a esquerda radical acha que é tudo culpa do homem branco e seu imperialismo malvado (que pelo jeito age até por telepatia, influenciando sociedades do outro lado do mundo).

Assim sendo, também a solução proposta é diferente: a direita isolacionista concorda com Kinzer que esses povos devem ser deixados em paz para criarem seus próprios "direitos desumanos" e viverem ou se matarem como quiserem. A direita "neocon" acha que os brancos devem ajudar os povos menos civilizados através do colonialismo ou da imposição da democracia. Como diz Stephens, "os colonizadores de antanho podiam até ser intolerantes, mas eles também faziam as coisas. Suas colônias eram lugares melhores do que os países-desastre que temos hoje." (Mas essa idéia de um colonialismo altruísta, que visa elevar os menos favorecidos já estava presente até no "velho" colonialismo: recordem o poema White Man's Burden.)

Para a esquerda, entretanto, é anátema sugerir que os brancos ricos se metam a tentar controlar sociedades não-brancas pobres, mesmo que isso possa ser melhor para elas, mas negros, pobres e pardos se oprimindo entre si não são um problema. A recente Guerra do Congo matou mais de 5 milhões de pessoas em 4 anos, você ouviu algum protesto? Nem eu. Mas para essa mesma esquerda, querer que africanos, árabes e indígenas sejam menos violentos ou que respeitem democracia e direitos humanos seria exigir demais dos coitadinhos. Melhor ainda se essas minorias, em vez de brigarem tanto entre si, puderem se vingar do "demônio branco" e ajudar a destruir a sociedade ocidental. Ou seja, além de desprezar negros, indígenas e árabes, eles também odeiam os brancos. 

Quem é mais racista?

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A Revolução Progressista não passará

Há muitos que se desesperam com a atual situação do mundo. Observam a decadência econômica, política, cultural e religiosa do Ocidente, a crescente dominação progressista sobre todas as áreas da sociedade, a perda de valores morais, o crime, a violência, a perversão, o avanço da sombra negra do horror sobre o mundo civilizado.

Eu? Já não me importo mais. Sei que, no final, a Revolução Progressista pode até vencer muitas batalhas, mas fatalmente perderá a guerra.

Você pergunta por quê?

Os motivos são vários. Em primeiro lugar, o sonho progressista, sintetizado pela canção "Imagine" de John Lennon (um mundo sem fronteiras, sem religião, sem desigualdades, sem posses materiais, etc.) é totalmente impossível de realizar. É verdade que esse sonho utópico é apenas a desculpa: o que eles querem mesmo é um governo ultra-autoritário no qual só eles mandam e bebem champanhe e as ovelhas obedecem e passam o dia na fila do pão, vide o que ocorria na velha URSS. E isso, você dirá, é perfeitamente possível de obter. É verdade: mas esse sonho autoritário é de apenas alguns poucos. A grande massa de progressistas acredita mesmo no ideal utópico de "um outro mundo possível", e quando as coisas degringolam, tendem a se mostrar contrárias. Basta uma crise econômica um pouco mais séria para acabar com 80% dos progressistas. O choque de realidade assusta.

Outro motivo para o relativo otimismo é que a Grande Coalizão Progressista é na verdade muito frágil. Os vários grupos que a formam na verdade não são assim tão unidos, isso quando não se odeiam entre si (mexicanos odeiam negros que odeiam gays, etc.). Mesmo dentro de grupos mais homogêneos a esquerda tende a se digladiar. Pensem nas centenas de organizações terroristas que existiam nos anos 60 no Brasil, muitas delas formadas a partir de dissidências de outras organizações, simplesmente porque discordavam sobre qual tipo de maoísmo deveriam seguir...

Pois não é que mesmo dentro de grupos aparentemente com o mesmo objetivo, a tendência é rumo ao desentendimento? Há agora uma hilária briga para decidir se o que antes se chamava simplesmente de "comunidade gay" deve ter o acrônimo LGBT ou GLBT, isto é, se na frente devem ir os gays ou as lésbicas. Outros se sentem excluídos, e sugerem o termo LGBTQIA (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Questionadores, Intersexuais e Aliados). Ora, eu prefiro chamar de bichas mesmo! 

Outro motivo para a derrota é que os progressistas dependem dos conservadores, inclusive financeiramente. Afinal, quem você acha que paga todos os impostos que sustentam o edifício de complexas mudanças sociais e políticas? Quem você acha que paga pelas escolas que promovem idéias socialistas, pela operação de sexo do travesti da esquina e pelos livros homossexuais para a escola do seu filho, pela "distribuição de riqueza" com milionários gastos federais, pelos cabides de empregos a ex-terroristas de esquerda? E, se os progressistas realmente chegarem a matar a galinha dos ovos de ouro que os alimenta, os que mais sofrerão serão eles mesmos, que não mais terão dinheiro para seus delirantes programas de reforma social total.

Mas o motivo principal para a derrota do Progressismo é que é um movimento auto-destrutivo. Não somente é o principal prejudicado (a longo prazo) por todas as suas medidas de mudança social, como demograficamente, tende a desaparecer. O fim do casamento, o homossexualismo, o aborto, a destruição da família, a eutanásia, a ecologia radical, o terrorismo islâmico, o crime, a imigração massiva de estrangeiros inassimiláveis de outras culturas, a medicina socializada que exige contenção de despesas: independente de outros fatores, todas são políticas que tendem a diminuir a taxa de natalidade dos progressistas, que são em sua maioria, acredite, brancos de classe média (fora um que outro japa metido a besta).

Seria o progressismo, então, simplesmente um movimento suicida, como o de lemmings jogando-se no abismo?

Não tema a vitória final progressista, ela nunca chegará. No pasarán!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A direita está sem rumo?

Passei já muito tempo aqui criticando a esquerda política e seus delirantes planos de dominação mundial, mas o fato é que também parte da culpa por esse descalabro é da direita. Se é verdade o que Burke dizia, que "tudo o que é necessário para que o mal triunfe é que o homens bons não façam nada", então a direita é também culpada pelo atual estado de coisas.

O que é a esquerda? É a revolução, é a utopia, é o delírio, é a rebeldia adolescente contra a realidade objetiva: "um outro mundo é possivel". E o que é a direita? É a tentativa de conservação de verdades aprendidas ao longo do tempo, a aceitação madura da desigualdade essencial do mundo, a anti-utopia. 

Talvez por isso seja mais difícil ser de direita e seja mesmo mais difícil para esta ser mais ativa. O default da direita é apenas a reação às provocações da esquerda. 

Mas hoje isso não é suficiente.

Acho hilário o antiamericanismo de tantos esquerdistas. Até por que, hoje em dia, os EUA encontram-se na vanguarda do neocomunismo global. Esqueçam Chávez, mero bufão da hora! Os esquerdistas deveriam agradecer ao Tio Sam. Tudo que é idéia progreçista começou nos EUA.

Ué! Mas não são os EUA a nação capitalista  mais rica do planeta? De fato. E por isso mesmo: nos EUA há dinheiro para financiar os delírios esquerdistas mais absurdos.

Vejam este incrível documento. Uma suposta lista de "atuais objetivos dos comunistas", segundo o autor Cleon Skousen, em livro escrito em 1958. Traduzo alguns deles:

11. Promover a ONU como única esperança da humanidade.
15. Capturar um ou dois partidos políticos nos EUA.
16. Usar decisões das cortes para enfraquecer instituições americanas, afirmando que suas actividades violam os direitos civis.
17. Tomar controle das escolas. Usá-las como centros de transmissão de propaganda socialista e comunista.
18. Controlar todos os jornais estudantis.
19. Infiltrar-se na imprensa.
21. Ganhar controle de posições-chave no rádio, TV e cinema.
22. Desacreditar a cultura americana através da degradação de formas de expressão artística. Eliminar todas as boas esculturas de parques e edifícios, substituindo-as por formas sem sentido. 
24. Eliminar todas as leis contrárias a obscenidade afirmando que trata-se de "censura" e uma violação ao direito de livre expressão.
26. Apresentar a homossexualidade, degeneração e promiscuidade como normais, naturais e saudáveis.
27. Infiltrar-se nas Igrejas e substituir a religião por uma "religião social".
28. Eliminar as orações ou qualquer forma de expressão religiosa nas escolas com base na ideia de que violaria o princípio de "separação entre Igreja e Estado".
29. Desacreditar a Constituição Americana chamando-a de inadequada, antiquada, fora do compasso das necessidades modernas, um obstáculo à cooperação entre as nações.

Em 1958, isso poderia parecer mera paranóia de um velho anti-comunista. Porém ocorre que, de lá pra cá, TODOS os objetivos acima foram completados. Ou o tal Skousen tinha o dom da previsão, ou realmente havia um cuidadoso plano de implementação de mudanças sociais e políticas.

Porém, o mais curioso é o seguinte: o objetivo dessas ações, claramente, era de destruir ou enfraquecer a América e dar a vitória aos soviéticos. Naturalmente, tais idéias revolucionárias não seriam perseguidas dentro da URSS ou em Cuba, mas apenas nos países ocidentais e em especial na odiada América. Só que, mesmo com a derrocada da velha URSS, os tais objetivos comunistas confinaram sendo postos em ação, até com força redobrada, mesmo nos países dominados pelos socialistas. É como se tais ações tivessem ganho vida própria, ou como se os comunistas e ex-comunistas tivessem esquecido que o objetivo era apenas minar as instituições sociais das nações capitalistas, e tivessem passado a acreditar que tais mudanças eram benéficas em si mesmas.

De qualquer modo, são admiráveis a tenacidade e a capacidade de planejamento da ala progressista mundial (assim como o são aquelas dos islamistas). Mesmo no Brasil, com paciência e perseverança, os comunas passaram de meros guerrilheiros de meia-tijela a Donos do Poder.

E a direita? Onde está a lista de objetivos da direita? Quem sabe algo do tipo:

1. Reduzir o tamanho do Estado em 50%.
2. Repelir a degradação da sociedade e promover valores tradicionais através de propaganda massiva.
3. Infiltrar-se nas instituições progressistas e sabotá-las.
4. Etc, etc.

Mas nem isso ocorre. Não há qualquer planejamento de ações, apenas a ocasional reação confusa e tardia. A direita está perdida. Limita-se a sofrer calada, como uma franzina jovem sendo estuprada por uma gangue de brutamontes taradões.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Leite derramado

Uma mera curiosidade: alguém aí experimentou o leite derramado pelo Chico Buarque?

Confesso que li Estorvo e Budapeste. Do primeiro não gostei. (Depois ainda assisti o filme, que é pior ainda.) Budapeste era mais interessante, embora pouco memorável, tanto que nem lembro da trama. Porém, não era ruim.  

Leite derramado, no entanto, pelo título e pela descrição não me impressionou muito. Velho moribundo de uma elite em decadência... Cronologia desordenada... Revisão da história do Brasil... Sei lá, tudo tem um ar de já visto -- e já feito melhor. Das críticas que li, esta aqui me parece a mais equilibrada, colocando tudo no seu contexto. 

Entretanto, não vejo muito motivo na polêmica sobre o Jabuti. É, de fato, um pouco estranho o método de escolha do vencedor, mas se o regulamento é assim, paciência. As pessoas já deviam saber quando inscreveram.

É verdade que muitos também reclamam que o prêmio dado a Chico Buarque (e não só o Jabuti, como também o Portugal Telecom) tenha sido político. Com certeza -- só que grande parte dos prêmios literários tem algum motivo político por trás. Mesmo - ou especialmente - o Nobel.

Pessoalmente, não entendo essa mentalidade. É como se os jurados estivessem dizendo que escrever bem não é suficiente, que o escritor deve também ter algum tipo de posicionamento político engajado... Bobagem. Boa literatura e política raramente se misturam. Shakespeare e Homero eram de direita ou de esquerda? Pouco importa.

E então, alguém leu?

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Post de uma frase só

A esquerda precisa da pobreza como os jumentos precisam do capim.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

A fórmula de Deus

O cientista Stephen Hawking encontrou Deus. Não, não virou um born-again Christian depois de ser curado da sua paralisia por um pastor evangélico, ao menos até onde sei. Mas desenvolveu uma teoria.

Segundo Hawking, a ciência estaria próxima de encontrar uma espécie de Grande Teoria Unificadora, isto é, uma teoria que explicaria a origem do universo e o comportamento de todas as partículas. Trata-se da M-Theory, que os físicos de plantão (Bruno?) talvez possam explicar para os leigos já que eu não entendo patavinas.

De qualquer modo, o aspecto físico é o que menos importa. O aspecto metafísico é que dá pausa para reflexão.

O que eu sempre me perguntava desde criança era o seguinte: ou-quei, o Universo segue certas leis, por exemplo a lei da gravidade que informa que os objetos na Terra caem a uma velocidade (aceleração) de 9.8 m/s2. A questão é por quê? Por que tal aceleração e não outra? Aliás, por que existe a gravidade? Por que as coisas não podem flutuar? Por que o Universo tem essas leis e não outras?

Aparentemente, segundo Hawkings, as leis do universo são essas simplesmente porque não poderiam ser outras. Uma fórmula matemática perfeita demonstraria que as coisas são assim porque é o único modo em que o Universo poderia existir. Para Hawkings, Deus não está morto como sugeria Nietzsche: Ele apenas jamais nasceu. O Universo criou-se a si mesmo. Ou, melhor dizendo, o Universo é seu próprio Deus.

Tal idéia é bizarra para a nossa mente, que não consegue conceber conseqüências sem causa. Como assim, o Universo criou-se a si mesmo? Como? Por quê? Se nada existia antes, por que algo passou a existir? O Universo tem consciência?

O argumento de Hawkings parece aproximar-se um pouco do panteísmo dos antigos gregos. Ou seja, não há nada de novo sob o sol. Mas é uma boa desculpa para continuar com o velho mas sempre interessante debate entre ciência e religião.

E afinal, Deus existe ou não? Saberemos em breve, amigos. Muito em breve.



quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Freedom is just another word for nothing left to lose

Onde acaba a liberdade? Em recente discussão com comentaristas, houve debate sobre a questão das drogas, e alguns questionaram minha posição de categorizar a venda e o uso de drogas como crime. Informaram que eu deveria levar mais a sério a frase sobre a liberdade que aparece lá embaixo do blog. 

Os leitores têm razão. Eu não sou mais totalmente libertário, mas não sei mais o que sou. A resposta que eu dei lá nos comentários foi a seguinte:

Bem, eu não consumo cocaína nem marihuana nem heroina nem LSD nem nada disso e não quero que meus futuros filhos consumam, então não me importa se for proibido.
Eu poderia fazer o argumento que quisesse em favor da liberdade de cada um ferrar com a própria vida, mas, francamente, acharia melhor um mundo em que essas bem chamadas drogas não existissem.

Como existem, não dá pra fazer com que "desexistam", mas a ilegalidade diminui a sua aceitação social.

Acho que é isso.
Mas, pensando bem, acho que não é uma boa resposta. Afinal, seria necessário ter uma razão mais coerente. Sou a favor da venda legal de bebidas alcóolicas, que consumo com relativa freqüência: por que ser contra as drogas? É apenas uma questão de gosto pessoal? O álcool não mata tanto ou mais do que as drogas ilegais?

Convenci-me com o tempo do seguinte: o ser humano acha que quer liberdade, mas, na verdade, quer regras. Uma vida com regras é muito mais fácil e harmoniosa. A liberdade total causa apenas medo e confusão.

No entanto, a ênfase na "liberdade", entendida apenas como "direito de fazer o que me der na telha mesmo que for negativo" é um dos conceitos fundamentais da sociedade moderna. Aqui na Califórnia há um movimento para legalizar de vez a marijuana (já é possível o uso "médico"), e é possível que obtenham a vitória. Afinal, o estado está em bancarrota, e os impostos obtidos com a maconha legal poderão servir para tentar ajustar as contas. Todos terão liberdade para fumar. Mas será que a vida vai melhorar? As pessoas que vivem próximas aos pontos de venda de drogas ou que tem viciados em suas famílias tendem a ser contrárias.

Cingapura, ao contrário, é um dos países com políticas mais rigorosas contra as drogas (na verdade, não dá nem mesmo pra mascar chiclete e cuspir na calçada em Cingapura, sob pena de rigorosa punição) e, ao mesmo tempo, é um dos países de melhor qualidade de vida (citado em 11o. lugar mundial). Não sei se uma coisa está relacionada à outra, mas entendo que o uso de drogas recreativas não conta para medir o índice de qualidade de vida. E grande parte dos crimes que ocorrem no mundo atual estão, de um modo ou de outro, relaciondos com o uso de drogas.

É, de fato, uma questão complicada; tudo o que eu queria dizer é que a liberdade não é necessariamente a medida de todas as coisas, mas está em jogo com outros valores.

Porém, o blog está em crise. Talvez seja o caso de mudar a frase lá embaixo por alguma outra, ou pensar mais a respeito do assunto. 

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O fim da democracia?

Churchill famosamente observou que a democracia era a pior forma de governo, com exceção de todas as outras. Ele tinha razão. Porém, no momento em que vivemos, há muita raiva, aqui e ali, contra a classe política, que talvez termine se traduzindo em raiva contra todo o sistema democrático.