quinta-feira, 9 de junho de 2011
Eu quero ser de esquerda!
Eu realmente gostaria de ser de esquerda. Ser de esquerda é mais fácil. Não seria maravilhoso se não houvesse nenhuma diferença entre os vários povos, culturas, e religiões, e todos pudessem ser perfeitamente integrados sem conflito em todas as partes do globo? Não seria lindo se descobríssemos que para solucionar a pobreza basta tirar o dinheiro dos ricos e criar um estado autoritário que como um bom pai o redistribua para o restante da população? Não seria demais se todos os problemas pudessem ser simplesmente resolvidos com mais impostos? Não seria incrível se todos pudessem ser livres para fazer o que bem entendem, sem que isso causasse nenhum tipo de conseqüência negativa no restante da sociedade? Não seria fantástico se as guerras pudessem ser evitadas e substituídas pelo diálogo pacífico ou por jogos de dominó? Não seria legal se pudéssemos preservar a Natureza com uma energia super-limpa que é inesgotável, não polui e não faz mal a ninguém?
Só há um único problema com essa visão: ela é falsa, como uma nota de três dólares.
A visão de mundo da direita é mais deprimente, de certa forma. Assume que nem tudo é cor-de-rosa, não existem unicórnios e as fadas cobram por hora.
Eu queria acreditar que um outro mundo é possível! Que a burguesia é malvada e os pobres são puros de coração. Só que não acredito, não adianta. A infância passou.
Ser de esquerda é ser eternamente criança, viver em um mundo de fantasia. Curiosamente, a esquerda nos EUA costuma se autointitular "the reality-based community", um título bem bizarro para quem costuma acreditar em unicórnios e paz mundial. A esquerda é incapaz de reconhecer os problemas mais óbvios que a sociedade enfrenta. Por exemplo, como explicar os problemas financeiros da Califórnia sem mencionar as massas de imigração ilegal mexicana? Como não relacionar o consumo de drogas com o crime? A esquerda consegue.
Fui levado à direita pela via do realismo, como aqueles que foram "assaltados pela realidade", por assim dizer. Mas acho que ainda preferia não ter sido assaltado...
Tampouco tinha a intenção expressa de me dedicar a um blogue sobre política. Eu gosto é de poesia, não de política, mas precisava de um local onde comentar as notícias lidas por aí, e hoje não é possível fazer isso em uma mesa de bar. A esquerda, afinal, sempre dominou os bares...
Mas quem sabe? Nunca perco o ânimo. Leio cotidianamente o blog do Sakamoto na esperança que um dia ele vá me convencer.
Eu quero ser de esquerda!!!!!
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Quem é mais racista?
Pensei nisso lendo o artigo de um certo Stephen Kinzer, no jornal comuno-chique The Guardian. O artigo se chama "O imperialismo dos direitos humanos".
O artigo até que começa bem, criticando as organizações de Direitos Humanos. Só que seu argumento não é que não façam bem o serviço, ao contrário: é que estas seriam demasiado exigentes com governos do Terceiro Mundo, querendo noções universais de direitos humanos que não se adequariam as realidades locais. A partir daí, Kinzer delira, e passa a afirmar que a noção de Direitos Humanos é uma "arma imperialista" criada por "homens brancos em New York" para infernizar a vida de africanos, árabes e indígenas exigindo-lhes tarefas impossíveis.
Kinzer cita o exemplo do presidente de Ruanda, Paul Kagame, que é acusado de matar opositores, entre outras medidas não muito amigáveis, embora tenha com essas medidas (segundo Kinzer) impedido um novo genocídio. (Pelo descrito, até que Paul Kagame não parece ser tão ruim para o padrão de governos africanos. E, tendo proibido candidatos de oposição de participarem nas últimas eleições, venceu com 93% dos votos - mais popular do que o Lula! E quase tanto quanto Saddam Hussein, que costumava ganhar eleições com 99% de "apoio popular"...)
A questão é que, para o articulista, parece ser que querer respeito total aos direitos humanos e às liberdades políticas seria exigir demais dos pobres africanos. Ele acredita que deveriam existir dois tipos de "direitos humanos", um para as sociedades desenvolvidas, e outro de segunda mão para o Terceiro Mundo.
Curiosamente, saiu recentemente um outro artigo no mais conservador Wall Street Journal, este escrito por um certo Brett Stephens e argumentando que a África no fundo estava melhor sob os colonialistas brancos, e que talvez o continente deveria ser recolonizado. (Tudo bem, os Chineses estão chegando lá). Embora a conclusão seja a oposta à de Kinzer, ambos têm uma visão similar sobre a incapacidade da África de se organizar sob os mesmos moldes de uma sociedade ocidental.
A direita americana não é racista, bem longe disso. Mas existe uma pequena parte da direita americana que é racista, ou, melhor dizendo, racialista. Não, não são os Tea Parties, que se esforçam para incluir negros e latinos em suas manifestações. Nem os Republicanos, que vivem cortejando os latinos, ainda que sem sucesso. É uma minoria. Sim, alguns são ligados ao movimento White Power ou até a neonazistas, mas não falaremos aqui desta corja.
Refiro-me ao movimento HBD, ou Human Biodiversity, que não pretende exterminar ou segregar ninguém e é "racista" apenas no sentido de que não compra isso de que "não existam raças", mas acredita que existem diversos grupos humanos, cada um com características próprias, seja biológicas, seja culturais. Negros são bons no esporte e na música, asiáticos são bons na matemática, brancos são bons em arte e medicina, etcétera. Longe de serem apenas mitos, tais diferenças estariam justificadas por diferenças biológicas e culturais entre os grupos.
Já a esquerda (e a maior parte da direita) afirma que não existem raças. Mas suas ações são exatamente contrárias a essa suposta crença. Por exemplo, as cotas. Se não existem raças, para que cotas raciais? Se não existem raças, para quê quilombos e reservas indígenas exclusivas para membros de tais, hum, raças? As próprias minorias articulam-se sob o conceito de raça: há mais de uma revista afro chamada "Raça", o movimento mexicanista nos EUA se chama La Raza, etc.
Além disso, a esquerda sempre tem uma atitude paternalista com as minorias, como se estas não fossem capazes de ser julgados pelas mesmas regras do que os outros. Então, a verdade é que tanto a esquerda quanto a direita mais radicais acreditam no fundo que negros, índios, latinos e terceiromundistas em geral são um pouco mais burros, incompetentes, violentos e/ou preguiçosos. A diferença é que a direita radical acredita que tal se deve a diferenças inatas, culturais ou até genéticas. Já a esquerda radical acha que é tudo culpa do homem branco e seu imperialismo malvado (que pelo jeito age até por telepatia, influenciando sociedades do outro lado do mundo).
Assim sendo, também a solução proposta é diferente: a direita isolacionista concorda com Kinzer que esses povos devem ser deixados em paz para criarem seus próprios "direitos desumanos" e viverem ou se matarem como quiserem. A direita "neocon" acha que os brancos devem ajudar os povos menos civilizados através do colonialismo ou da imposição da democracia. Como diz Stephens, "os colonizadores de antanho podiam até ser intolerantes, mas eles também faziam as coisas. Suas colônias eram lugares melhores do que os países-desastre que temos hoje." (Mas essa idéia de um colonialismo altruísta, que visa elevar os menos favorecidos já estava presente até no "velho" colonialismo: recordem o poema White Man's Burden.)
Para a esquerda, entretanto, é anátema sugerir que os brancos ricos se metam a tentar controlar sociedades não-brancas pobres, mesmo que isso possa ser melhor para elas, mas negros, pobres e pardos se oprimindo entre si não são um problema. A recente Guerra do Congo matou mais de 5 milhões de pessoas em 4 anos, você ouviu algum protesto? Nem eu. Mas para essa mesma esquerda, querer que africanos, árabes e indígenas sejam menos violentos ou que respeitem democracia e direitos humanos seria exigir demais dos coitadinhos. Melhor ainda se essas minorias, em vez de brigarem tanto entre si, puderem se vingar do "demônio branco" e ajudar a destruir a sociedade ocidental. Ou seja, além de desprezar negros, indígenas e árabes, eles também odeiam os brancos.
Quem é mais racista?
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
A direita está sem rumo?
O que é a esquerda? É a revolução, é a utopia, é o delírio, é a rebeldia adolescente contra a realidade objetiva: "um outro mundo é possivel". E o que é a direita? É a tentativa de conservação de verdades aprendidas ao longo do tempo, a aceitação madura da desigualdade essencial do mundo, a anti-utopia.
Talvez por isso seja mais difícil ser de direita e seja mesmo mais difícil para esta ser mais ativa. O default da direita é apenas a reação às provocações da esquerda.
Mas hoje isso não é suficiente.
Acho hilário o antiamericanismo de tantos esquerdistas. Até por que, hoje em dia, os EUA encontram-se na vanguarda do neocomunismo global. Esqueçam Chávez, mero bufão da hora! Os esquerdistas deveriam agradecer ao Tio Sam. Tudo que é idéia progreçista começou nos EUA.
Ué! Mas não são os EUA a nação capitalista mais rica do planeta? De fato. E por isso mesmo: nos EUA há dinheiro para financiar os delírios esquerdistas mais absurdos.
Vejam este incrível documento. Uma suposta lista de "atuais objetivos dos comunistas", segundo o autor Cleon Skousen, em livro escrito em 1958. Traduzo alguns deles:
11. Promover a ONU como única esperança da humanidade.
15. Capturar um ou dois partidos políticos nos EUA.
16. Usar decisões das cortes para enfraquecer instituições americanas, afirmando que suas actividades violam os direitos civis.
17. Tomar controle das escolas. Usá-las como centros de transmissão de propaganda socialista e comunista.
18. Controlar todos os jornais estudantis.
19. Infiltrar-se na imprensa.
21. Ganhar controle de posições-chave no rádio, TV e cinema.
22. Desacreditar a cultura americana através da degradação de formas de expressão artística. Eliminar todas as boas esculturas de parques e edifícios, substituindo-as por formas sem sentido.
24. Eliminar todas as leis contrárias a obscenidade afirmando que trata-se de "censura" e uma violação ao direito de livre expressão.
26. Apresentar a homossexualidade, degeneração e promiscuidade como normais, naturais e saudáveis.
27. Infiltrar-se nas Igrejas e substituir a religião por uma "religião social".
28. Eliminar as orações ou qualquer forma de expressão religiosa nas escolas com base na ideia de que violaria o princípio de "separação entre Igreja e Estado".
29. Desacreditar a Constituição Americana chamando-a de inadequada, antiquada, fora do compasso das necessidades modernas, um obstáculo à cooperação entre as nações.
Em 1958, isso poderia parecer mera paranóia de um velho anti-comunista. Porém ocorre que, de lá pra cá, TODOS os objetivos acima foram completados. Ou o tal Skousen tinha o dom da previsão, ou realmente havia um cuidadoso plano de implementação de mudanças sociais e políticas.
Porém, o mais curioso é o seguinte: o objetivo dessas ações, claramente, era de destruir ou enfraquecer a América e dar a vitória aos soviéticos. Naturalmente, tais idéias revolucionárias não seriam perseguidas dentro da URSS ou em Cuba, mas apenas nos países ocidentais e em especial na odiada América. Só que, mesmo com a derrocada da velha URSS, os tais objetivos comunistas confinaram sendo postos em ação, até com força redobrada, mesmo nos países dominados pelos socialistas. É como se tais ações tivessem ganho vida própria, ou como se os comunistas e ex-comunistas tivessem esquecido que o objetivo era apenas minar as instituições sociais das nações capitalistas, e tivessem passado a acreditar que tais mudanças eram benéficas em si mesmas.
De qualquer modo, são admiráveis a tenacidade e a capacidade de planejamento da ala progressista mundial (assim como o são aquelas dos islamistas). Mesmo no Brasil, com paciência e perseverança, os comunas passaram de meros guerrilheiros de meia-tijela a Donos do Poder.
E a direita? Onde está a lista de objetivos da direita? Quem sabe algo do tipo:
1. Reduzir o tamanho do Estado em 50%.
2. Repelir a degradação da sociedade e promover valores tradicionais através de propaganda massiva.
3. Infiltrar-se nas instituições progressistas e sabotá-las.
4. Etc, etc.
Mas nem isso ocorre. Não há qualquer planejamento de ações, apenas a ocasional reação confusa e tardia. A direita está perdida. Limita-se a sofrer calada, como uma franzina jovem sendo estuprada por uma gangue de brutamontes taradões.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
A direita não existe
A direita é apenas um fantasma na mente da esquerda, que fala em "direita raivosa", em "elite direitista", em "mídia golpista" e por aí vai. Mas não existe como tal. Pode ver. Cadê o movimento unificado de direitistas? Cadê sua ideologia? Se até os blogueiros "de direita" vivem brigando entre si! Como bem observou o leitor Woland, no Brasil, nenhum partido se assume como "direita." Até o DEM se considera Democrata, isto é, se vêem como espelho do partido mais esquerdista dos EUA. Serra e Lula, os principais candidatos presidenciais, são ambos de esquerda, mais ou menos assumida.
Mas não é só no Brasil, é em todo o mundo, a direita não existe mesmo. Nunca existiu. O que existem são indivíduos, que pensam de modo muito diferente entre si, e cuja única característica em comum é simplesmente querer ser deixados em paz. Não querem participar das revoluções da esquerda. Não querem transformar o mundo. Não querem pagar impostos para sustentar metade do planeta. Não querem participar de radicais experimentos sociais e sexuais. Por isso, apóiam em maior ou menor medida um Estado reduzido e têm algumas causas em comum entre si. Mas divergem na questão do aborto, da política externa, dos direitos individuais, etc etc etc.
E a esquerda, existe?
Bem, vejam esta pequena lista de organizações militantes esquerdistas durante o governo militar no Brasil:
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Um país dividido
É fato que na era obâmica, os EUA estão mais divididos do que nunca. De um lado, o pessoal de esquerda quer cada vez mais controle estatal sobre saúde, economia, direitos individuais. Também querem casamento gay, aborto ilimitado, imigração ilimitada, luta contra aquecimento global e divisão equitativa das riquezas entre todos os membros a sociedade. Do outro lado, os conservadores tradicionais que desejam um estado menor e fiscalmente responsável, com menos poder. Não querem forçar casamento gay, aborto e nem "justiça social", e acreditam que o "aquecimento global" seja uma mera trapaça para conseguir dinheiro e poder.
Como separar esses dois grupos, que pouco ou nada tem a ver um com o outro, que não parecem se ver mais como concidadãos?
O autor da idéia propõe um divórcio. Conservadores de um lado, progressistas do outro. Cada um com seu país.
A idéia é divertida, e, em princípio, lógica. Os conservadores poderiam viver em seu mundinho de sociedade tradicional e estado mínimo, e os progressistas se livrariam desses capitalistas cristãos, caretas, atrasados, chatos e racistas, podendo perseguir suas utopias apenas entre pessoas de mesma índole. (Os libertários poderiam escolher em qual dos dois paises ficar). A divisão, que na mente de um esquerdista mais exaltado incluiria até mesmo o Canadá, seria assim:

A idéia poderia ser adaptada a vários outros países. Por que não separar o Brasil de Direita do Brasil de Esquerda, por exemplo? Petistas para um lado, o resto do outro.
O problema é que a idéia, fascinante na teoria, jamais funcionaria na prática. Em primeiro lugar, a esquerda é universalista e totalitária. Enquanto os conservadores ficariam felizes de poderem se livrar dos progressistas e viver a seu modo sem interferências, os esquerdistas têm a necessidade de impor o seu modelo a todos, por bem ou por mal. Não lhes basta o isolamento entre seus semelhantes, como os amish: querem forçar os cristãos a aceitar o casamento gay, obrigar as minorias a lutar contra o racismo, exigir aos recalcados conservadores a aceitação dos direitos dos transsexuais, e assim por diante. Seu projeto transformador não exclui ninguém.
(Para sermos justos, devemos observar que também os conservadores pretendem em alguns casos impor normas de comportamento aos esquerdistas, como proibir o consumo de maconha, ou impedir desagravos à religião, e isso é vivenciado pelos progressistas como uma tirania; mas, ainda assim, raramente os conservadores impõe idéias radicais de transformação social)
Mas é claro que o principal problema é outro. Embora os demonize constantemente, a esquerda precisa dos conservadores -- ou ao menos dos seus impostos. Sem o dinheiro dos conservadores, a esquerda não consegue fazer "redistribuição de renda" nem nenhum de seus projetos megalomaníacos de transformação social.
Assim, se a separação física e demográfica de fato ocorresse, poderíamos antecipar um de dois prováveis resultados: um, o fracasso econômico e posterior conflito social no País de Esquerda, que devido às idéias econômicas de jerico e ao gasto exorbitante de dinheiro público, em poucos anos entraria em colapso. Milhões de refugiados emigrariam para o País de Direita, e o ciclo se repetiria. Ou, então, dois: o ditador esquerdista - esquerda, cedo ou tarde, sempre termina em ditadura - poderia tentar invadir o País de Direita para saquear seus recursos, ou sabotá-lo internamente.
Assim sendo, parece claro que tal divisão física é impossível. O problema é que, cada vez mais, tampouco parece possível que Esquerda e Direita, conservadores e progressistas, cheguem a um consenso sobre o rumo a seguir. Como um casal que se odeia mas é obrigado a conviver, conservadores e progressistas deverão continuar sob o mesmo teto. Ao menos até que a casa caia.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Direitos desumanos
Talvez tenha sido assim algum dia.
Lamentavelmente, a ideologia corrompeu várias dessas organizações, e muitos dos principais membros essas organizações se revelaram radicais em pele de cordeiro. Em outros casos, digladiam-se mais em lutas internas e políticas do que em efetivamente promover a luta contra os abusos de poder. E algumas vezes parecem estar mais preocupados com os direitos humanos de criminosos e terroristas do que com o das pessoas comuns, que podem ser assaltadas, mortas e estupradas em cada esquina.
Vejam o caso da Amnesty International, que andou apoiando um fanático talibã, só porque este teria sido preso em Guantánamo. Ora, a prisão em Guantánamo pode ou não ter sido um abuso (eu acho que foi até pouco), mas, será que isso torna os que estiveram ali, todos inocentes? Afinal, sabemos todos como os talibãs são a favor dos direitos humanos, não é mesmo?
O fato é que Gita Sahgal, da ala feminista da Amnesty, protestou contra essa ligação com marmanjos que gostam de colocar burka em mulheres e obrigar meninas a casar aos dez anos. Como resultado, terminou demitida.
Também houve o caso de ambulâncias da Cruz Vermelha e ONU utilizadas para transportar, não doentes, mas munições e guerrilheiros do Hamas.
No Brasil, então, nem se fala. Qualquer lei mais forte contra criminosos é logo bombardeada por estes grupos, que no entanto não parecem preocupar-se com a vida e os direitos das cerca de 50 mil vítimas anuais de assassinato no Brasil.
O problema é que o próprio conceito de "direitos humanos" terminou sendo deturpado, podendo significar tudo e qualquer coisa - na maior parte das vezes, alguma coisa associada à ideologia esquerdista. Está aí o "Programa Nacional de Direitos Humanos" que não me deixa mentir, promovendo os "direitos humanos" do aborto, do casamento gay e da invasão de terras...
A situação lembra o famoso diálogo entre Alice e Humpty Dumpty em Alice através do espelho:
"When I use a word," Humpty Dumpty said in a rather a scornful tone, "it means just what I choose it to mean – neither more nor less."Quem decide o significado das palavras, manda.
"The question is," said Alice, "whether you can make words mean so many different things."
"The question is," said Humpty Dumpty, "which is to be master – that's all."

Atualização (dica do leitor Meneses): em mais um caso que mostra o absurdo que se tornaram essas organizações, um dos assassinos de João Hélio já está na Suiça com a família "para recomeçar vida nova", graças ao apoio do governo brasileiro e de uma ONG chamada "Projeto Legal". Interessados em manifestar sua opinião a esses incentivadores do crime hediondo podem escrever para projetolegal@projetolegal.org.br
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Libertarados versus conservotários
O fato é que mesmo a tal "direita" não é unitária e, embora não tenha todas as correntes de um partido como o PT, tem ao menos dois campos bem distintos - como se pode ver por este post do Not Tupy.
Mas as posições de ambos os lados são, por vezes, caricaturizadas.
Os libertários têm fama de utópicos ou libertinos - libertarados, chamemo-los: todo mundo tem o direito que fazer o que bem entender, desde que isso não prejudique diretamente aos outros. Casamento gay? Tudo bem. Aborto? On demand. Drogas? Basta que o Estado não se meta no negócio.
Do outro lado estão os conservadores, com fama de quadradões, puritanos, recaldados - em suma, conservotários. Nada de casamento gay, aborto e muito menos drogas, que são coisa do demo.
Ambos grupos só parecem concordar na economia e na redução do poder e tamanho do Estado, mas nos temas sociais a diferença é radical. Qual a solução?

O comunismo/marxismo, não obstante o que diga o nosso colaborador Tiago, morreu de morte morrida. Depois do desastre soviético, qualquer tentativa de acabar com a propriedade privada e coletivizar os meios de produção será sempre vista com um revirar de olhos ou o sorriso benevolente de quem se dirige a um retardado mental. Essa parada econômica (e só essa) o capitalismo venceu.
Mas no cultural perdeu, playboy, perdeu. A ideologia de nosso tempo não é o socialismo, mas sim o progressismo. Embora este mantenha alguns aspectos socializantes como o aumento progressivo do poder estatal e a distribuição de riquezas (ainda que não tanto sob a forma do confisco como da taxação progressiva), trata-se de um outro bicho. Seu principal objetivo continua sendo a igualdade, mas agora não é tanto (ou apenas) a igualdade financeira, como a igualdade total entre todos e todas. Entre branco e preto, entre homem e mulher, entre hetero e gay, entre feio e bonito, entre cidadão e imigrante ilegal, entre muçulmano e cristão, entre terrorista e democrata, entre criminoso e vítima. Todos são e devem ser iguais, mas atenção!, não perante a lei (de fato, a lei é distorcida justamente para criar a tal "igualdade"). Estamos falando de uma utópica igualdade de resultados.
Os libertários são economicamente conservadores, mas, no que se refere às questões sociais, são muitas vezes indistinguíveis dos progressistas. Também eles querem liberação de drogas, casamento gay, etc. Tudo em nome, não da igualdade de grupos, mas da liberdade individual. Afinal, não se deve impedir o indivíduo de fazer nada.
Já os conservadores são contrários a essas teorias de vale-tudo, mas não porque sejam malvados ou "racistas". É que, para os conservadores, existe um tipo de sociedade que funciona, e muitos que não. Nem todos os grupos são iguais. O homem é um ser imperfeito, e portanto não adequado à liberdade total. Além disso, segundo o argumento conservador, as pessoas na verdade não querem liberdade. A liberdade total é uma tortura. O que as pessoas querem é seguir regras claras. Para muitos, e é o caso da maioria dos conservadores, ainda que não todos, essas regras morais que sustentam a sociedade vêm, não do Estado, mas da religião.
Em última análise, os libertários são otimistas; os conservadores são pessimistas.
Como sou agnóstico e indeciso, ainda não tomei uma decisão concreta sobre por qual time torcer. Ultimamente, em virtude do meu próprio pessimismo natural mais do que qualquer outra coisa, tendo a concordar mais com o pessimismo conservador do que com a utopia libertária. Por outro lado, gosto das idéias deste cara aqui.
O que fazer?
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
A vitória da esquerda é a derrota da esquerda
Assim, segundo alguns, seria com a esquerda: tendo conseguido finalmente o seu objetivo maior - a presidência dos Estados Unidos! - não sabe mais o que fazer, e começa a perder terreno. A Europa vota em candidatos de direita, e nos EUA as políticas pró-socialistas de Obama são rejeitadas. A esquerda ainda avança, é claro, mas um pouco como uma barata tonta, desde a palhaçada em Honduras à incompetência de Obama em aprovar um plano de saúde pública, mesmo tendo maioria no Congresso.
Por outro lado, a ameaça de uma crise econômica total gerada pelos crescentes débitos americanos ainda existe. Wretchard anda meio apocalíptico, acreditando que nos avizinhamos a uma crise mundial, que poderá ser bélica, econômica, ou as duas coisas ao mesmo tempo. E tudo isso graças à vitória das políticas de esquerda a nível global. Observa Richard "Wretchard" Fernandez:
Se a esquerda vencer, a esquerda perde - e todos perdemos. Pois a política da esquerda resume-se a uma espécie de parasitismo: como Robin Hood, tira dos ricos para dar aos pobres. Mas, e quando não houver mais ricos? Os países comunistas, depois do desastre, tiveram quem os ajudasse. A Europa, depois da guerra, teve quem a ajudasse. Mas se EUA implodir, quem poderá ajudá-lo? O Chapolim Colorado?They used to say about the USSR that it got better every year until it finally collapsed. The moral authority of “Communist Party” collapsed, and its associated nomenklatura. Ultimately Pravda became a joke. In the end very little worked. But the USSR had one invaluable thing going for it — the rest of the world was working: a source of free energy to give them CPR when the Leninist heart stopped beating. There was a life ring to hang on to when they finally decided they were drowning. “I give up, now give me money”. East Germany had the West; North Korea has South Korea. In general socialism had the West to feed them and then they could pretend it was because they “learned the lessons of socialism” and became more “humane”. At first the self-deception seemed merely amusing. Now we see it’s not just self-deception. It’s madness which is having an actual effect. But if the US goes down, who’s going to bail it out? What happens if the lender of last resort goes bust? If Cuba goes under, there’ll be relief from the West. If the West goes under, will Africa save it? No. The West has to save itself. That or nothing. This is why a left wing victory in the West is ultimately far more catastrophic than the USSR was for the world. It’s rot at the core of the system.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Decálogo do bom esquerdista
(O artigo original está aqui; o decálogo, ligeiramente adaptado, abaixo.)
1. Socialismo é progresso.
2. Aversão ao "progresso" é um sinal de pensamento ultrapassado.
3. Todas as pessoas de bem são de esquerda.
4. Os esquerdistas sempre falam em nome do Povo. Se quiser saber o que o Povo pensa, não pergunte ao Povo, pergunte a um esquerdista.
5. O Povo apóia com unanimidade os líderes esquerdistas (e quando isso não acontece, é porque estão "alienados" pela mídia ou pelo capital).
6. Não importa quanto poder ou dinheiro tenham, os esquerdistas são sempre vítimas, atacados pelo inimigo imperialista e/ou pela "mídia golpista".
7. Todos os trabalhadores, camponeses e oprimidos em geral odeiam os capitalistas exploradores, mesmo que não saibam.
8. Resistência armada a um governo direitista é sempre popular e espontânea.
9. Resistência (armada ou não) a um governo de esquerda só pode ser organizada pela CIA, o Mossad ou alguma outra agência a serviço do capitalismo e/ou sionismo.
10. Os capitalismo é um crime. O seqüestro, tortura, fuzilamento, terrorismo, narcotráfico e outros métodos utilizados pela FARC, Chávez, Fidel etc., são exemplos de luta pela liberdade e por uma vida mais digna.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
O risco eterno de uma democracia sem lembranças
Mas eis que basta muito pouco para que esse povo do subterrâneo retorne. Hoje em dia, por exemplo, notícias como a que 50% dos habitantes da ex-Alemanha Oriental desejariam a volta do comunismo - muitos deles jovens que mal viveram sob o regime - chamam a atenção. Do outro lado, o antisemitismo também ressurge na velha Europa que já exterminou a tantos judeus. E isso sem falar nas novas tiranias: assim como há poucos anos matou-se tanto em nome da "igualdade social", eu, por exemplo, consigo facilmente antever uma tirania mundial matando e oprimindo milhões em nome da "ecologia". Como disse C. S. Lewis, as piores tiranias são aquelas criadas pelos que só querem o nosso bem. A democracia e o próprio Estado de Direito são bem mais frágeis do que pensamos.
Eis o pertinentíssimo comentário do leitor DD, que julgo interessante republicar aqui:
Ninguém morre de amores pela democracia, como você supõe. Essa Sociedade Civil, tão robusta, é capaz de vender a sua adesão à democracia por qualquer coisa.
Por um prato de comida.
Por um frasco de estimulantes sexuais.
Por um empreguinho público.
Pela promessa de que o governo indicará um bode expiatório e o imolará depois.
O século mais democrático de todos os tempos também foi o mais tirânico. Agora, responda-me: o tipo de abuso cometido pelos Estados no século XX tem alguma coisa a ver com o que se passou antes? Não se deu com o envolvimento e a cumplicidade de sociedades inteiras? Não obrigou civis a pegarem em armas e fazerem as vezes de militares, mesmo sem o seu consentimento, como se fossem escravos da Pérsia dos Aquemênidas? Não doutrinou uma série de pessoas e destruiu suas consciências, talvez para sempre? Pode-se dizer que esse tipo de tirania foi o resultado dos que se opuseram à democracia, dos que não a compreenderam tão bem, dos "inadaptados" que queriam o retorno de um passado idílico? Ou, ao contrário, esses abusos sem paralelo possível na história humana foram cometidos, em sua esmagadora maioria, em nome de ideais e valores MODERNOS, muito próximos ou mesmo indistinguíveis daqueles que fundamentam a democracia? Você será louco o suficiente para negar que a tirania é como que a irmã gêmea da democracia e o seu risco perpétuo?
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Refraseando
Já tivemos esta discussão aqui.
Se o indivíduo pode ser livre para acreditar no que quiser (seja lá o que isso queira dizer), uma sociedade precisa seguir certos valores e ideais. Precisa "acreditar" em algo. Talvez seja esse o verdadeiro papel da religião, dar uma motivação existencial e unificar uma sociedade. Acho que um dos problemas do Ocidente atual é que não acredita em mais nada, nem em si mesmo.
Afinal, o que o progressismo quer? Quais seus valores? Para o progressista, "tudo é relativo", "todas as culturas são iguais", "o libertário de um é o terrorista do outro", "todos têm direito a armas atômicas", "não existem inimigos", "não existe bem e mal". Uma confusão danada. Por isso as sociedades baseadas exclusivamente no "progressismo" tendem à anarquia e à confusão, quando não ao totalitarismo - os "valores" são o que o ditador do momento quiser. Acredito até que parte do aumento da violência urbana em países civilizados tem a ver com essa falta de valores morais (que se reflete também na impunidade - como punir alguém se não se sabe por quê?)
Isso não quer dizer, é claro, que qualquer sistema de valores seja igual. O Islã é um sistema bastante rígido em sua moralidade, mas eu não moraria em um país islâmico. O Ocidente liberal tem suas vantagens. O problema mesmo é - até quando durará?
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Três tristes progressistas
1) O INGÊNUO:
Em geral é jovem e bem-intencionado, angustiado por viver em um mundo que considera injusto e cruel. Pretende realmente ajudar os outros, e acredita que, se o "sistema justo" for implantado e as pessoas certas estiverem no comando, tudo será melhor. São poucos os esquerdistas que se mantém nesta categoria passados os 30 anos: a maioria evolui (ou involui?) para uma das outras duas categorias. Os poucos que ficam nela pertencem a ambientes isolados do mundo real, como o funcionalismo público, a academia, ou certos setores da indústria do entretenimento.
2) O RESSENTIDO:
Este já não acredita - ou, ao menos, desconfia - que as políticas esquerdistas possam mesmo resolver alguma coisa. Mas, irritado com o desajuste do mundo, ou com sua própria condição, e transmitindo à "sociedade" ou ao "sistema" as culpas pelo seu fracasso, quer mesmo é ver o circo pegar fogo. É aquele que vocifera contra a "direita raivosa" em comentários de blogs. Não lhe interessa tanto ajudar os pobres quanto destruir os ricos.
3) O PROFISSIONAL
Este já sabe que as promessas do esquerdismo são meras lorotas para as categorias 1 e 2, e que o verdadeiro objetivo de suas políticas é obter mais poder e dinheiro para si e seus amigos. Mas, cínico como ele só, mantém o mesmo discurso idealista e pode mesmo falar apaixonadamente por horas sobre a pobreza dos miseráveis do Sergipe e sobre como seria importante dar-lhes bolsa-família para "resgatar sua dignidade".
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Muito além de esquerda e direita
Acusar a esquerda de ser a responsável pelos males sociais e coisas do gênero não é muito diferente do esquerdista que vive culpando as elites como as responsáveis por esses mesmos males. Na essência, ambas as atitudes se assemelham.
Aí o Fábio Marton critica os que acreditam em "marcha gramsciana pelas instituições."
O tema é sério. Realmente os esquerdistas (comunistas, socialistas, marxistas, progressistas e revolucionários de variados matizes) são os culpados pela desgraça toda em que se encontra o nosso mundo? Realmente um mero grupo de marxistas, por mais poderoso que seja, conseguiria modificar o mundo de maneira tão radical, a partir dos anos 60?
Estou com os que acreditam em um meio-termo. Sim, os esquerdistas (marxistas, comunistas, gramscistas - etc) que tomaram de assalto as instituições de ensino, mídia e governo são responsáveis em grande parte pelo desastre atual. Observem o total predomínio das idéias esquerdistas na mídia e na academia dos EUA, suposto centro do "capitalismo" e do "imperialismo" (ao menos segundo esses mesmos esquerdistas). Mesmo em uma universidade americana, é raro encontrar professores que não sejam esquerdófilos. Há um poster de Che Guevara na secretaria daqui, e não é ironia.
Porém, o gramscismo cultural não pode explicar tudo. Por mais poderosos que sejam, os comunistas não poderiam transformar completamente o mundo e trazer a decadência da Civilização Ocidental. Uma série de mudanças tecnológicas, econômicas e políticas causou por sua vez várias mudanças sociais, demográficas, econômicas e políticas. Por exemplo: a pílula e outros métodos anticoncepcionais; a tecnologia que propiciou o rápido e barato transporte de pessoas ao redor do mundo; a globalização econômica que fez com que seja mais barato ter telefonistas indianos para atender consumidores americanos; o desenvolvimento científico que ampliou o conhecimento objetivo e a riqueza material; todas essas coisas e muitas outras causaram uma ruptura do mundo tradicional baseado na visão religiosa e moral conservadora.
Então, à pergunta se acho que os esquerdistas são responsáveis por todos os males do mundo, a resposta é não. Os esquerdistas e seu predomínio - assim como o aparente ressurgimento do Islã como ameaça aos países ocidentais - são apenas um sintoma de algo muito maior, uma mudança global que ainda não temos muita idéia de que rumo terá, mas que está em pleno andamento.
Hoje é fácil é fácil para qualquer historiador falar sobre - digamos - a queda do Império Romano e explicar suas causas; mas duvido que alguém na época pudesse ter essa mesma visão no momento em que acontecia.
Um dia, talvez os historiadores possam explicar que a Civilização Ocidental ruiu, assediada pelos bárbaros esquerdistas. Hoje, ainda é cedo para saber.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Rumo a uma nova divisão política
Enquanto Chávez celebra a "vitória democrática", Evo quer copiar. Daniel Ortega também. Lula morre de vontade de entrar na jogada. Todos insistem que é perfeitamente democrático ficar para sempre no poder, desde que o povo vote tantas vezes quantas for requisitado, até dizer sim.
Ora, uma democracia não é feita apenas de eleições. Vota-se em Cuba. Vota-se no Irã. Até na União Soviética havia eleições, ainda que de partido único, e no Iraque Saddam costumava ser reeleito com 99% dos votos. São democracias?
Façamo-nos uma pergunta honesta - se Chávez, Fidel, Mugabe, Evo, e toda essa cambada quer permanecer no poder pelo maior tempo possível, o que isso diz sobre eles? Que são altruístas que querem dedicar toda a sua vida ao povo humilde? Ou simplesmente que o poder lhes confere uma série de benesses que não querem abandonar de jeito nenhum, e farão todo o possível para ficar no trono o maior tempo possível?
Se não podemos mais diferenciar entre esquerdistas e direitistas, ou entre ditadores e democratas, atenhamo-nos a uma divisão mais simples: coletivistas e individualistas.
Coletivistas são aqueles que enxergam tudo em grupos: não se importam com os direitos do indivíduo - sagrados para os individualistas - mas com conceitos como "igualdade" ou "justiça social". Se é preciso pisar nos direitos individuais para "melhorar a sociedade", que assim seja. Coletivistas são aqueles que, em nome do povo, querem concentrar cada vez mais poder e dinheiro nas mãos, enquanto os individualistas são aqueles que tendem a querer diminuir o poder nas mãos do governo e recolocá-lo nas mãos do indivíduo. Os individualistas, hoje, são poucos. Os coletivistas são legião.
Nazismo e comunismo são extremos do coletivismo. Chávez, Perón, Fidel, Mussolini, Getúlio Vargas: todos coletivistas. Todos líderes que, em nome das massas, tratam de concentrar cada vez maior poder nas próprias mãos.
Ou, nas palavras de Robert A. Heinlein: "Etiquetas políticas - como monarquista, comunista, democrata, populista, fascista, liberal, conservador, etc. - nunca são critérios básicos. A raça humana se divide politicamente entre aqueles que querem que o povo seja controlado e aqueles que não tem esse desejo."
Um exemplo muito claro no vídeo abaixo:
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
A direita pós-Olavo
Infelizmente, entre jovens que assistiram a meus cursos e conferências, sem se tornar por isso meus estudantes genuínos, abundam os que se dispõem a exercer esse papel abjeto, satisfeitos de ver-se bem recebidos onde fui rejeitado, e acreditando-se por isso uma “alternativa superior”, mais moderninha, serena e equilibrada, ao cada vez mais insuportável Olavo de Carvalho.Olavo de Carvalho provavelmente atingiu o apogeu midiático no final dos anos 90, quando sua coluna estava em todos os maiores jornais e até revistas da elite bacana como Bravo!. Pouco a pouco, no entanto, ele foi sendo ostracizado pela própria mídia que o acolhera. O que aconteceu? Não dá para colocar toda a culpa no petismo, embora seja uma das explicações. A mídia, no Brasil, é profundamente servil ao poder, e hoje o poder é o esquerdismo. O próprio Olavo comenta o assunto aqui.
Mas acredito que também possa ser um reflexo dos tempos atuais, em que o interesse por um determinado tema ou autor esgota-se depois de um relativamente breve período. E assim, entre os próprios supostos direitistas, para muitos hoje não é mais "moda" ser seguidor do filósofo, como explica este colega blogueiro aqui.
Pessoalmente, confesso que comigo aconteceu o contrário. No começo, não suportava o Olavo. Mas, pouco a pouco, fui me interessando por algumas das temáticas que abordava, não necessariamente aquelas de maior impacto, ou mesmo aquelas ligadas a eventos específicos. De fato, interessam-me menos os artigos sobre temas diretamente políticos e mais aqueles por assim dizer "abstratos", que tratam de questões mais gerais. Por exemplo, acredito que sua série sobre a mentalidade revolucionária seja indispensável para compreender não apenas o moderno pensamento esquerdista, como grande parte das mudanças que estão ocorrendo hoje no mundo.
Mas, para fins meramente ilustrativos, tomemos a hipótese de que Olavo de Carvalho realmente tenha se tornado menos relevante. Quem, hoje, no Brasil, dessa novíssima geração "pós-olaviana", poderia ou estaria disposto a tomar o seu lugar?
Não falo aqui em termos de meros blogueiros ou jornalistas, mas pessoas que realmente apresentem idéias relevantes de forma clara e articulada, verdadeiros intelectuais em suma - ainda que não necessariamente ligados ao meio acadêmico. Por exemplo, do pouco que li considero o Pedro Sette Câmera, do blog O Indivíduo e do site Ordem Livre, um dos sujeitos talvez mais inteligentes da blogosfera brasileira, mas não acredito que possa ser considerado - ou mesmo que se considere - um filósofo.
Como eu mesmo estou muito longe de ser um filósofo ou pensador - este blog é mero registro de opiniões, sem qualquer pretensão além da superficialidade mais extrema - não saberia dizer, mas talvez algum dos leitores possa indicar alguém?
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Nem esquerda nem direita entendem o Islã
Quem disse as frases acima não foram cruzados cristãos ou malvados sionistas. São todas frases ditas por ex-muçulmanos: Ali Sina, Ayaan Hirsi Ali, Magdi Allam, Ibn Warraq. Não sei se estão certos mas imagino que, tendo vivido parte de suas vidas como muçulmanos, eles entendam um pouco mais do islamismo do que eu.
Como indiquei nos comentários do post abaixo, a esquerda não entende o islã. Incapaz de entendê-lo, o "traduz" para o discurso esquerdista, que é a única coisa que consegue compreender.
O terrorista diz: "Morte aos judeus! Morte a Israel!" O esquerdista traduz: "Eles são oprimidos e querem que Israel retorne às fronteiras de 1967"...
Não, sua anta! Ele disse bem claramente que quer exterminar os judeus, não ouviu?
Aí o terrorista se explode em um bar cheio de gente gritando "Alá é grande!" e sonhando com 72 virgens. O esquerdista explica que ele foi levado a esse ato apenas pelo desespero com a injustiça ocidental e que isso nada tem a ver com religião.
Não, animal! Ele não tem "desespero" nenhum. Para os fundamentalistas islâmicos, ser um "mártir" é a maior glória possível. A jihad é o ato maior do fiel.
Quando o presidente iraniano disse umas 7 vezes que Israel deveria ser destruído, logo veio um acadêmico idiota (uma pessoa pode ter muitos diplomas e saber muitas línguas e continuar um idiota) explicar que, no florido idioma persa, isso significava que ele apenas queria "o fim da ocupação". Não! Ele disse que Israel deveria ser destruído, bem claramente. O fato de que certos discursos sejam impalatáveis para nossos ouvidos ocidentais não significa que elas não existam. Assim, a esquerda "limpa" o discurso extremamente racista e supremacista do islamismo, convertendo-o em uma diatribe marxista das "vítimas do neoliberalismo, do capitalismo, da ocupação."
Lamentavelmente, tampouco parte da direita entende bem o islã e, de certa forma interpreta o que não compreende com base no seu próprio discurso. Bush quis levar a democracia ao Iraque com a idéia que toda a humanidade é, em certo sentido, igual - todos querem liberdade e felicidade ("life, liberty and the pursuit of happiness").
Também é uma falácia. O radical muçulmano não quer "liberdade", quer sha'ria. Não quer "igualdade", quer uma sociedade em que muçulmanos são superiores e os outros são dhimmis subservientes. Não quer separação entre igreja e estado, quer teocracia.
Não, eu tampouco entendo o islã. É por isso que situações como a de Gaza, onde certas coisas não fazem sentido para nosssa lógica, são tão complicadas.
Um exército de fanáticos islâmicos não hesita em colocar em risco toda a própria população em nome de um objetivo violento e delirante. Percebam: ao contrário de um exército normal, seu objetivo não é o de proteger a população civil de seu país.
Terroristas se escondem e disparam mísseis desde escolas, isto é, utilizam crianças como escudos humanos para se proteger - mostrando que não se importam com a vida de seu próprio povo - mas depois que há um revide, utilizam a morte dessas mesmas crianças como propaganda contra o inimigo. Ou seja, lutam em meio aos civis e depois choram pela morte das mesmas pessoas que colocaram em risco. Para nós, a morte de crianças, mesmo do "inimigo", é sempre terrível. Mas, para os fanáticos, nem tanto: são "mártires" que irão para o paraíso. O líder do Hamas recentemente morto nos bombardeios chamou a família para morrer com ele; anos antes, havia mandado dois de seus filhos adolescentes como homens-bomba em atentados.
O que fazer? Abaixo um raro exemplo de diálogo com um radical islâmico:
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Diálogo de surdos

Está difícil.
É algo irritante a aparente impossibilidade de comunicação entre esquerda e direita, ou, para ser mais exato, entre conservadores e progressistas.
Aqui nos EUA, especialmente, é um momento de grande divisão. O país está dividido ao meio. A divisão é tanta que os progressistas estão dispostos a dialogar com um Irã nuclear ou entender o ponto de vista dos terroristas - mas não querem nem tentar entender os conservadores.
Aliás, existe uma pesquisa que mostra que os conservadores entendem melhor os progressistas do que estes entendem os conservadores. De fato, se você verificar qualquer blog de esquerda, ou mesmo nos comentários de qualquer blog, seja da orientação que for, seja americano ou seja brasileiro, vai observar que a idéia que os progressistas têm dos conservadores é completamente caricata. Segundo os esquerdistas, os conservadores são "racistas", "reacionários", "atrasados", "raivosos", pessoas ignorantes que simplesmente ainda não compreenderam as grandes benesses do socialismo, do aborto e do controle de armas.
Já os conservadores - até porque muitos deles foram esquerdistas na juventude - sabem muito bem o que os progressistas querem; a diferença é que acreditam que seus objetivos são acima de tudo destrutivos, baseados em idéias ilusórias. Ou, como dizia Ronald Reagan: "Não é que os esquerdistas sejam burros: é apenas que acreditam em um monte de coisas que não são reais".
Por ora, tudo indica que Obama ganhará a presidência. Ele se autoproclama um candidato "unificador", mas convenhamos, ele só é "unificador" nas fantasias delirantes dos obamistas mais fanáticos. Pode apostar que, durante sua presidência, a desunião do país será cada vez maior. Especialmente se Obama tomar medidas impopulares como aumentar impostos, impor controle de armas, expandir o aborto, tentar controlar a Internet, etc. etc. etc.
Será interessante observar então o comportamento da mídia, que hoje idolatra Obama e é um dos principais artífices de sua liderança. Poderá Obama manter sua aura quando tiver que tomar decisões reais?
Talvez não importe. Assim como Lula podia criticar o Plano Real na oposição e ser a favor dele no poder, talvez a mesma mídia que criticou Bush pela operação no Iraque aplauda Obama quando ele invadir o Paquistão. Nesse sentido, os progressistas são muito mais flexíveis do que os conservadores, os quais pretendem se apegar a velhos princípios. (Talvez isso explique a força maior da esquerda: quem não segue regras, vence mais.)
De qualquer modo, o diálogo de surdos continuará. Frustrante como sempre.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
O messianismo esquerdista
[Graças ao PT] os últimos oito anos foram de incrível crescimento econômico, as taxas de desemprego foram reduzidas à zero (sic), todos têm assistência médica e pagam suas hipótecas (sic).
Ou ainda:
A esquerda tem que dominar não só a América do Sul e sim (sic) o mundo.
Já em blogs americanos, leio comentários como este:
***Conservatism is the tired old need to hang on to the past while liberalism is a need for change for a brighter future.***
Acho que a diferença entre os conservadores (direita) e os liberais (esquerda) é que os segundos mais parecem membros de alguma religião. Acreditam que basta um político de esquerda (um Messias) chegar ao poder para "mudar" a sociedade, a política ou a economia, ou até a própria natureza humana. Quer dizer, segundo eles existe pobreza, desgraça, guerra e fome apenas porque a pessoa certa ou o sistema certo não estava no poder.
Quando a pessoa certa chegar e puder realizar as suas políticas salvadoras, tudo melhorará. O nível dos oceanos vai baixar e o planeta será curado. Nenhum país invadirá outro. Todos pagarão suas hipotecas.
Já para o conservador, a vida é uma eterna luta, tudo tem um preço, o governo mais atrapalha do que ajuda e jamais se chegará a um estágio Ômega no qual todos serão felizes.
Naturalmente, a esquerda é muito mais popular.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
É possível mudar a cabeça de alguém?
Nos meus velhos tempos de graduação na universidade tive um professor de Sociologia (matéria opcional) bastante bom (não era marxista, deve ser por isso) que dizia que não era possível mudar a mente ou a visão de mundo de uma pessoa, salvo em dois casos:
A) um líder muito carismático;
B) um evento muito catastrófico.
Todas as outras tentativas de mudar a mente de uma pessoa adulta (discutir, filosofar, provar por A + B, mandar estudar, mandar ler livros de História) seriam inúteis e infrutíferas, causando apenas que o sujeito se aferrasse cada vez mais à sua ideologia, por mais absurda e patética que esta fosse se revelando.
Já são anos que discuto via blogs, tentando – nem digo mudar a cabeça das pessoas – mas simplesmente tentar fazer com que pelo menos vejam ou tentem ver o outro lado. Vêm me falar sobre o tal “drama palestino” e aí eu mostro fatos e fotos. Nada. Continuam repetindo a mesma lenga-lenga como se não tivessem ouvido o que acabo de dizer.
Falam-me positivamente sobre o socialismo, o Chávez, o Fidel, as FARC... Nesses casos nem tento contra-argumentar, pois revelam ser casos perdidos... Mas apenas abrir-lhes ligeiramente os olhos... Inútil.
E no entanto, se penso na minha própria experiência, também mudei da esquerda genérica que seguia para a direita moderada que prefiro hoje, não através de discussões racionais, mas a partir de um evento catastrófico (11 de setembro, como a neo-neocon). Depois disso, sim, muitas discussões, leituras, pesquisas, análises, discussões em blogs, até ir passando cada vez mais para o “lado negro da força”. Mas o catalisador foi o evento que me fez repensar várias de minhas suposições sobre os EUA, o Bush, o Oriente Médio, o conservadorismo, o socialismo, etc.
Será mesmo que é o único modo de mudar? Será que não é possível convencer ninguém a partir da discussão?
Algumas pessoas parecem mudar de opinião apenas por causa da chegada da maturidade. Mudar da esquerda pra direita parece ser uma mudança natural: David Horowitz, Reinaldo Azevedo... Até o Olavão, quem diria, já foi de esquerda radical na juventude...
Evidentemente, a questão da mudança de visão de mundo não se refere apenas à “esquerda” e “direita” (que no fundo são generalizações abstratas), mas às mais diversas concepções enraizadas no indivíduo sobre política, sociedade, ética, percepção da realidade... Em outras palavras, ou melhor, só uma: a sua Weltanschauung.
terça-feira, 8 de julho de 2008
O delírio da igualdade
Mas talvez as “cotas raciais”, a lei “anti-homofobia” e outros programas de “discriminação positiva” sejam exatamente isso, uma tentativa de tornar as pessoas mais iguais, prejudicando os melhores, ou valorizando as “minorias” em detrimento das “maiorias”.
O escritor Kurt Vonnegut uma vez escreveu um conto de ficção científica no qual falava de uma sociedade totalmente igualitária, em todos os sentidos. As pessoas bonitas precisavam usar máscaras ou recebiam cicatrizes para ocultar ou deformar sua beleza. As pessoas fortes eram obrigadas a usar pesos nos pés para limitar sua locomoção. As pessoas inteligentes eram obrigadas a ter um chip instalado no cérebro que lhes enviava de vez em quando interferências sonoras que prejudicavam seu pensamento. E assim por diante. A história completa pode ser lida aqui.
É a utopia esquerdista. Quer dizer, não exatamente: no fundo, a esquerda deseja um mundo de ovelhas, mas comandadas por sábios. Os esquerdistas, naturalmente, seriam esses sábios que controlariam o mundo em troca de privilégios, e estariam acima da “igualdade geral”. George Orwell, em “A Revolução dos Bichos”, sintetizou melhor do que ninguém o profundo ideal da esquerda: “todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros.”
Um dos grandes perigos da futura presidência Obama é sua visão de mundo anti-americana. Não anti-americana no sentido mais direto, de ódio aos EUA e suas políticas (embora isso também exista em grande parte dos seus fãs), mas no sentido de ser contrário à meritocracia e o individualismo, à busca de superação pelo talento ou pela garra, típicos da mentalidade americana. Obama está mais afinado com o discurso coletivista e igualitário. O colunista "Spengler" fala um pouco sobre isso aqui.





