sexta-feira, 8 de maio de 2009

Três tristes progressistas

Sempre falo aqui em esquerdistas ou progressistas como se fossem uma espécie única e uniforme, mas a verdade é que eles se dividem em ao menos três subespécies. São elas:

1) O INGÊNUO:
Em geral é jovem e bem-intencionado, angustiado por viver em um mundo que considera injusto e cruel. Pretende realmente ajudar os outros, e acredita que, se o "sistema justo" for implantado e as pessoas certas estiverem no comando, tudo será melhor. São poucos os esquerdistas que se mantém nesta categoria passados os 30 anos: a maioria evolui (ou involui?) para uma das outras duas categorias. Os poucos que ficam nela pertencem a ambientes isolados do mundo real, como o funcionalismo público, a academia, ou certos setores da indústria do entretenimento.

2) O RESSENTIDO:
Este já não acredita - ou, ao menos, desconfia - que as políticas esquerdistas possam mesmo resolver alguma coisa. Mas, irritado com o desajuste do mundo, ou com sua própria condição, e transmitindo à "sociedade" ou ao "sistema" as culpas pelo seu fracasso, quer mesmo é ver o circo pegar fogo. É aquele que vocifera contra a "direita raivosa" em comentários de blogs. Não lhe interessa tanto ajudar os pobres quanto destruir os ricos.

3) O PROFISSIONAL
Este já sabe que as promessas do esquerdismo são meras lorotas para as categorias 1 e 2, e que o verdadeiro objetivo de suas políticas é obter mais poder e dinheiro para si e seus amigos. Mas, cínico como ele só, mantém o mesmo discurso idealista e pode mesmo falar apaixonadamente por horas sobre a pobreza dos miseráveis do Sergipe e sobre como seria importante dar-lhes bolsa-família para "resgatar sua dignidade".

6 comentários:

sol-moras-segabinaze disse...

Indeed.

Gunnar disse...

Concordo. Mas a categoria 1 vale para os direitas também, não? Acreditam que com a pessoa certa no poder será melhor, acreditam que seguindo certas regras será melhor, etc... o utopismo é o mesmo. Só muda o sinal.

marcelo augusto disse...

Alto lá! Já vi pessoas das mais diversas no serviço público e na academia. Não apenas os esquerdistas.

Muitas das vezes é falta de opção para obter um trabalho mais digno do que o de servidor público.

Chesterton disse...

Gunnar, a direita pensa que quanto menos poder para a pessoa imperfeita melhor.

Sim, Marcelo, existem direitistas no funcionalismo publico, basta não ser doente. A diferença é que os esquerdistas acham que só existe o emprego publico.

Chesterton disse...

Desde 1997 os socialistas governam a Inglaterra. Essas estatisiticas são dos próprios socialistas:
1. 100.00 crianças a mais vivendo na pobreza
2. o gap entre ricos e pobres aumentou como nunca
3. os pobres em geral aumentaram de 300.000 para 11.5 milhões

Angelo M. Fasolo disse...

"Mas, cínico como ele só, mantém o mesmo discurso idealista e pode mesmo falar apaixonadamente por horas sobre a pobreza dos miseráveis do Sergipe e sobre como seria importante dar-lhes bolsa-família para 'resgatar sua dignidade'."

Faltou completar dizendo que o discurso normalmente é regado a uísque de primeira, ou feito em hotéis e centros de convenção de altíssimo padrão. Nada de debate em diretório acadêmico ou sala de sindicato.

Muito bom o texto.

Abraços!