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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Burrocracia

Um espectro assombra o mundo: o espectro da burocracia. Todos sabemos a desgraça que é ter que realizar algum trâmite, e ter que preencher o formulário A e entrar na fila B para depois passar no guichê C, cujo ocupante saiu para almoçar com X.

O que poucos sabem é que a burocracia, por sua própria natureza, tende a aumentar, independentemente de qualquer outro fator. Segundo um recente estudo ue agora lamentavelmente não consigo encontrar, todo órgão estatal aumenta de 5% a 7% anualmente em número de funcionários e orçamento, mesmo nos casos em que o volume de trabalho diminui.

Isso ocorre por vários motivos. Em alguns casos, o próprio órgão não tem qualquer utilidade a não ser servir como cabide de empregos para ex-terroristas, como é o caso do ridículo Ministério da Pesca no Brasil. Em outros casos, mesmo o órgão tendo uma utilidade inicial, esta logo se perde e a burocracia se torna um fim em si mesma. Afinal, os burocratas também precisam comer. A vida deles depende de que as coisas fiquem como estão. 

A burocracia é um monstro que se alimenta de si mesmo, crescendo até não poder mais. Quando os erros fatalmente acontecem, cria-se uma comissão para investigar porque não deu certo e, quando essa investigação falha, cria-se uma nova comissão para investigar porque a primeira não funcionou, e assim por diante, ad infinitum.

Vejam o caso do Ministério da Educação, que até 1979 sequer existia nos EUA (foi criado pelo maldito Jimmy Carter). Antes disso, será que todos nos EUA eram analfabetos e ignorantes? Longe disso. Ao contrário: de 1979 pra cá, os números da educação americana só pioraram. O que aumentou, isso sim, foi o orçamento do departamento, que quintuplicou, bem como o número de funcionários: dos iniciais 400, hoje emprega 4.800 pessoas.

Mas todos sabem, criar um organismo estatal é fácil: o difícil, quase impossível, é aboli-lo.

Naturalmente, os gastos vão aumentando cada vez mais, e nos projetos mais absurdos. Por exemplo, no ano passado os americanos gastaram centenas de milhares de dólares para estudar o comportamento dos gays em bares de Buenos Aires, e dois milhões e meio de dólares para ajudar as prostitutas chinesas a moderarem o uso da bebida.

Os absurdos gastos do governo brasileiro, nem procuremos saber... Baste saber que Lula aumentou exorbitantemente os gastos federais em seus oito anos de governo. É um bom motivo para não votar no PT.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Educação superior: para todos ou para alguns?

Há três teorias sobre a inteligência humana. Uma é a da chamada tabula rasa, ou quadro branco. Segundo esta teoria, todos os seres humanos são iguais ao nascer, e a sua inteligência, bem como outras características como personalidade, emoções, comportamento são aprendidas a partir da aquisição de conhecimento ao longo da vida (nature < nurture). Outra teoria é que a inteligência e vários outros aspectos do comportamento do indivíduo são genéticos e hereditários, e não podem ser modificados (nature > nurture). Finalmente, há a teoria que diz que tudo é em parte genético e em parte ambiental, ainda que esteja se discutindo exatamente em qual proporção (nature = nurture).

As últimas descobertas científicas parecem indicar que haja um forte componente genético que determina a inteligência, ainda que fatores ambientais não estejam de todo descartados. Além disso, a própria experiência de vida nos diz que certas pessoas são mais inteligentes do que outras. (Ainda que em teoria isso também pudesse ser explicado por motivos ambientais, não parece muito lógico.)

Isto tudo vem a respeito da discussão sobre o ensino superior. Alguns dizem que a universidade deveria ser pública, gratuita e para todos. De acordo com a teoria da tabula rasa, até que faria sentido. Se todos tem a mesma capacidade de aprender, seria injusto que alguns, só por serem ricos ou terem bons contatos, pudessem ter acesso ao melhor do conhecimento universal e a profissões de maior renome (e melhor remuneração). Ainda assim, restaria o problema de que terminaríamos com um número de engenheiros, físicos nucleares e médicos muito acima do requisitado pelo mercado, e por conseguinte muitos taxistas e garis com um inútil diploma superior. (E não é que isso já acontece mesmo?)

Outros acreditam que a Universidade deva ser apenas para uma elite intelectual. Não necessariamente uma elite cheia da grana (embora, nos EUA, isso muitas vezes seja necessário, já que universidades como Yale ou Harvard não são nada baratas), mas uma elite privilegiada pela genética e com QI acima da média (estima-se que o QI necessário para cumprir com sucesso um curso de nível superior seria entre 115 e 130). Naturalmente, exames como o Vestibular ou no caso dos EUA o SAT servem para filtrar justamente essa população mais inteligente (ou mais estudiosa).

A questão é: e o restante da população? Bem, a democracia e sua idéia de que todos podem votar parece ter criado, por analogia, a idéia de que todos deveriam ter acesso ao mesmo nível de educação. O problema é que, salvo que a teoria do quadro branco esteja correta, algumas pessoas simplesmente não estão qualificadas para ser engenheiras ou médicas, por mais que estudem. Não é uma questão de esforço, mas de QI mesmo. Ora, não deveria ser um problema, já que há dezenas de ocupações nobres como encanador, padeiro, cozinheiro, etc. Isso sem falar que mesmo alguns gênios como Bill Gates jamais concluiram um curso superior. (Lula é outro exemplo de alguém que jamais concluiu um curso superior e se deu bem).

De fato, aqui nos EUA ocorre um problema curioso, que leva alguns a acreditarem que exista uma "bolha" nos custos da educação superior, que subiram assustadoramente ao longo dos anos. O fato é que o diploma universitário já não é garantia de mais nada, e muitas vezes serve apenas como símbolo de status. Em alguns casos, um encanador que trabalha bem pode ganhar mais do que um advogado formado, acredite. (Isso porque não há trabalho bom para todos os advogados que se formam, enquanto nunca falta trabalho para encanadores). Como um diploma superior custa vários milhares de dólares, o formando já sai para o mercado de trabalho endividado. Recentemente li a reportagem sobre a triste história de uma moça que pagou mais de 150 mil dólares para poder formar-se em Estudos Femininos, e agora não conseguia emprego, e tinha uma enorme dívida para pagar. (Mas que emprego pode-se conseguir com um diploma de Estudos Femininos? Ironicamente, depois da enxurrada de feminismo que deve ter aprendido, é possível que ela termine tendo que se virar como p***!)

No Brasil, o problema não é bem o mesmo, já que as universidades públicas e "gratuitas" costumam ser as melhores e paradoxalmente freqüentadas pelos mais ricos, a educação básica ainda é restrita, e os diplomados de nível superior não são tão numerosos em relação ao total da população, embora o número tenha crescido muito nos últimos anos. (Além disso, no Brasil o diploma tem uma importância precisa, serve para poder participar em concursos para ingresso no funcionalismo público).

Ainda assim, é uma discussão relevante. Continuarei a falar sobre o tema em um segundo post, em algum momento do futuro próximo.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Terra da oportunidade e do débito

Falamos sobre riqueza e pobreza no outro dia, e de como elas são sempre relativas.

Será que, nestes tempos de crise geral, os EUA ainda seriam a "terra da oportunidade", onde qualquer um pode ascender socialmente desde que se esforce para isso?

A experiência de Adam Shepard pareceria dizer que sim. Com apenas 25 dólares no bolso, ele mudou-se para uma cidade desconhecida, com a idéia de começar do zero, sem utilizar nenhum de seus contatos nem informar ninguém que tinha curso superior. Após ficar alguns dias no homeless shelter, arranjou um emprego carregando móveis. Após dez meses tinha um carro usado e morava em um apartamento alugado em um bairro razoável da cidade, tendo também economizado 5.000 dólares. Sua experiência parece demonstrar que muito da questão de pobreza versus riqueza está na atitude.

Na mesma reportagem linkada acima, vemos como várias pessoas de classe média americana, em empregos simples como jardineiro, policial ou vendedor, levam um estilo de vida em alguns casos próximo ao nível da classe alta de países de terceiro mundo, ao menos no que se refere a conforto e lazer.

Então por que tanta reclamação? O que acontece é que, como pobreza e riqueza são relativas, o que configura "classe média" também é. As pessoas querem ter um estilo de vida cada vez superior ao dos vizinhos, e assim o custo de vida aumenta também. Muitos passam a viver no crédito, gastando além do que ganham. Quando o governo se mete no meio querendo "ajudar", ocorrem coisas como a housing bubble.

O grande problema mesmo é que a dívida dos EUA hoje é de 12 trilhões de dólares, ou 85% do PIB, e o governo continua gastando sempre muito mais do que ganha. Em 2009, por exemplo, o governo coletou 2,1 trilhões. Gastou quase 4. Naturalmente, o Obamacare e outros projetos faraobâmicos aumentarão ainda mais os gastos. Não é só a classe média que vive no crédito, é o país inteiro.

Portanto, um problema similar ao da Grécia não está fora do baralho. Com a diferença que, nos EUA, seria duzentas vezes pior e afetaria o mundo inteiro.

O documentário I.O.U.S.A. fala um pouco sobre tudo isso. Se a coisa estourar, serão muitos os que terão que se virar como Adam, recomeçando com apenas 25 dólares no bolso.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Você está preparado para o caos?


"You are about to enter a world of pain." A frase é do filme "The Big Lebowski", dos irmãos Coen, que assisti apenas recentemente. (É bem bacana, e é um filme que só poderia ter sido rodado em Los Angeles. Esses personagens excêntricos não caberiam em nenhum outro lugar.)

Mas voltando à frase: acho que resume como poucas o sentimento que percorre grande parte do mundo civilizado hoje em dia.

Ou, parafraseando Marx. Há um fantasma rondando o mundo. O fantasma do colapso global. Não, não uma mera crise: um colapso total.

Ei, não gosto de ser apocalíptico, mas é o que está no zeigeist. A passagem do Obamacare nada mais é do que o último baile da ilha fiscal. Après Obama, le deluge.

Em recente post, Richard Fernandez observou que vem uma tempestade aí. Coisa séria. Desvalorização da moeda, guerra e tudo mais. A crise não é apenas americana, é mundial. Se os EUA estão gastando o dinheiro que já não têm, a Europa (leia-se Alemanha e França) está para emprestar o dinheiro que tampouco tem à Grécia, para que esta não entre em bancarrota e puxe o euro junto. A China? Não se iludam: também enfrenta uma housing bubble particular. Os países árabes? Vejam o caso da crise em Dubai. Isso sem falar nos vários conflitos que ameaçam pipocar aqui e ali, dos quais os atentados em Moscou são um mero lembrete. Ninguém se salva tão facilmente dessa.

Mas é possível que quem fique pior sejam os EUA, simplesmente devido ao velho ditado: quanto maior a altura, maior a queda.

Em um artigo extremamente interessante, um russo fez uma comparação entre o colapso soviético pós-comunismo e um hipotético colapso americano. Segundo ele, os russos estavam bem melhor preparados do que os americanos, e por isso sofreram menos do que os americanos irão sofrer.

O raciocínio é simples. Os soviéticos estavam acostumados à fila do pão, à falta de combustível, ao racionamento, ao cortes de luz. "In Soviet Russia, you don't go to party, the Party goes to you."

Mas a América? Os EUA vivem um grande sonho, e ainda não acordaram. Sempre digo que o grande problema dos EUA foi a excessiva prosperidade. Só esta pode explicar tantos e tão absurdos gastos, a ilusão de querer dar "saúde grátis para todos" em um momento que não há dinheiro nem empregos.

Imagine então quando o colapso vier. Não digo uma mera crise passageira, digo uma crise geral, total, como ocorreu na Rússia após o fim do comunismo ou em Berlim nos anos 20. Quebra das instituições. Moeda desvalorizada. Hiperinflação. Falta de comida. Falta de água. Falta de eletricidade. Falta de Internet. Imagine uma multidão de gordos, que até ontem estavam brincando com seus iphones, andando pela cidade como zumbis, em busca não de uma conexão wifi, mas de água e comida. Vai ser o caos.

Multiculturalismo? As diversas culturas juntas enfrentando unidas as ameaças? Não creio. Gangues de negros e mexicanos lutarão entre si pelo direito de assaltar brancos e asiáticos. Não espere solidariedade entre árabes e armênios, ou entre indianos e judeus. Vai ser cada um por si.

Alguns poucos estarão bem preparados. É bem verdade que os EUA também são o país dos survivalists, e que as pessoas aqui desde pequenas vão se acostumando à idéia de um apocalipse vindouro. Quase todo blockbuster americano que se preze tem cenas de destruição, cataclisma, morte e horror. E, depois, 9/11, Katrina e os riots de 92 ainda estão presentes na memória coletiva. Mas a sensação é de que algo ainda pior virá.

Essa sensação só aumentou no governo Obama. Que a venda de armas e munições bateu todos os recordes não é segredo. Alguns vão além e estão construindo bunkers, com mantimentos de água e comida. Eu mesmo estou pensando em estocar água e alimentos, o que sempre é útil, mesmo em caso de terremotos. Nunca se sabe o que pode acontecer.

Os analistas apontam uma reprise da crise de 29 em escala global. Possivelmente seguida de guerra também. Ou o contrário, guerra seguida de crise. Basta o Irã atacar Israel, ou Israel atacar o Irã, ou a Coréia do Norte atacar a Coréia do Sul, ou a China atacar Taiwan, ou algum novo terrorista atacar os EUA com uma dirty bomb. Não só explode a guerra, como o preço do combustível sobe as alturas, o comércio mundial é interrompido, e inicia a escassez.

E não pense que o Brasil escapa dessa. Essa não vai ser uma mera "marolinha" não.

A questão não é mais se a crise global vai acontecer. A questão é apenas quando.

Você está preparado?

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O dinheiro acabou

Durante muitos anos os EUA foram, e ainda são, os grandes Papais Noéis do Mundo. Financiar a reconstrução européia no pós-guerra? Feito. Proteger os europeus da ameaça nuclear soviética? Feito. Após a Queda do Muro, dar mais alguns bilhões para reconstruir o Leste Europeu pauperizado pelos comunas? Feito. Dar bilhões à África, América Latina para salvar seus habitantes de si mesmos? Feito. Salvar as vítimas de desastres naturais ou guerras em longínquos rincões do planeta? Feito. Ajudar os muçulmanos nos Balcãs contra os cristãos, e ainda lhes dar de presente um pedaço da Sérvia? Feito. Levar democracia ao Afeganistão e ao Iraque? Hummm...

Bem, muitos desses planos podem ter sido equivocados, mal-sucedidos ou até idiotas, e não se pode negar que em grande parte dos casos o interesse norteamericano falava mais alto do que o altruísmo puro e simples. Mas o fato é que, bem ou mal, gastou-se muito dinheiro em todas essas empreitadas. Nenhum outro país sequer chegou perto. Mesmo a União Soviética gastou pouco em exportar a sua Revolução, em alguns casos abandonando comunistas espanhóis e latinoamericanos à própria sorte.

Isso se explica, é claro, pelo fato de que nenhum outro país foi tão próspero, graças às virtudes do capitalismo, curiosamente tão criticado por alguns idiotas.

O problema é que, agora, o dinheiro acabou. Os EUA estão devendo até as calças. Não há mais vontade de dar dinheiro ao Haiti ou à África, de gastar dinheiro e vidas em guerras para levar democracia a povos que não a querem, de proteger europeus e sul-coreanos ingratos. O contribuinte americano está farto, e com razão.

Crise do capitalismo, como sugerem os energúmenos? Ao contrário! É a crise do welfare state. É o fim da idéia de que o Estado deva ajudar permanentemente todos os desvalidos e deslavados, os famintos e os fracassados, e forçar a igualdade entre indivíduos que não são iguais:

Every advanced society, including the United States, has a welfare state. Though details differ, their purposes are similar: to support the unemployed, poor, disabled and aged. All welfare states face similar problems: burgeoning costs as populations age; an over-reliance on debt financing; and pressures to reduce borrowing that create pressures to cut welfare spending. High debt and the welfare state are at odds. It's an open question whether the collision will cause social and economic turmoil.

Enquanto o welfare state se concentrava apenas em ajudar temporariamemte as pessoas menos favorecidas de um único país, a coisa não ia tão mal. O problema é que alguém decidiu que isso não bastava, que as grandes potências deveriam não apenas ajudar os pobres do seu próprio país, como os pobres de todo o mundo, seja dando trilhões em ajuda financeira, seja aceitando milhões deles como imigrantes e pagando-lhes a estadia, seja em esquemas massivos de transferência de renda como o "combate ao aquecimento global". Some-se a isso a crise demográfica, a jihad e o envelhecimento da população, e temos uma bomba-relógio. No outro dia, um colunista sugeriu que os EUA deveriam não apenas financiar a reconstrução do Haiti, como abrir as portas e receber todos os milhões de habitantes que quisessem se mudar para o Grande Irmão do Norte. Foi justamente escorraçado pelos comentaristas.

O problema é que, no welfare state, só uns poucos trabalham, mas pagam a conta para todo o mundo. Vejam estes gráficos sobre o gasto em welfare na Califórnia, e entendam porque o estado está quebrado. Capitalismo? Não, redistribuição de renda massiva, dos trabalhadores aos não-trabalhadores e ilegais!

E, no entanto, os Democratas continuam querendo gastar trilhões em planos "ecológicos" (leia-se, reduzir o tamanho da indústria americana), em planos de anistia para imigrantes ilegais (isso num momento em que há 15% de desemprego), e em planos de saúde para beneficiar os "menos favorecidos" (leia-se, trabalhadores mais uma vez vão arcar com a conta dos que não trabalham).

O pensamento dos políticos parece ser - o dinheiro acabou, mas ainda tem o cartão de crédito.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O que é o mercado?

O Lula falou no outro dia uma coisa assim:

Eles venderam a lógica de que o Estado não prestava para nada, de que o Estado não podia nada e que o ‘deus mercado’ é que iria desenvolver os países, é que iria fazer justiça social. Esse ‘deus mercado’ quebrou. Quebrou por irresponsabilidade, quebrou por falta de controle, quebrou por causa da especulação.

Não sei quem são esses "eles" a quem o Lula se refere, provavelmente os banqueiros loiros de olhos azuis. E não acredito que ninguém tenha jamais dito que o "mercado" faria "justiça social", afinal não é sua função. Tampouco "quebrou", pois empresas - ou governos - podem quebrar, mas o "mercado" em si não quebra. Mas não importa o que o Lula falou porque ele é muito inguinorante. O problema mesmo é que muitas outras pessoas - mesmo pessoas com estudo e até PhD - tampouco têm a menor noção dos fundamentos mais básicos da ciência econômica.

Observo que isso ocorre especialmente na esquerda. Às vezes tenho a impressão que os esquerdistas acham mesmo que o mercado é uma espécie de deus. Na sua primitiva ignorância, acreditam que dinheiro cai das árvores, que é possível ter um almoço grátis, e que princípios tão básicos como a lei da oferta e demanda respondem a desígnios divinos impossíveis de compreender pelos comuns mortais.

Ora, mas o que é o tal "deus-mercado" de que tanto falam? Estou muito longe de entender de economia, mas, como serviço de utilidade pública, coloco aqui alguns breves vídeos de animação que achei no Youtube explicando alguns princípios básicos que toda criancinha de oito anos deveria saber.

O primeiro é uma breve explicação sobre o livre mercado, comparando com o Estado autoritário. Também há um cartoon bacana de 1948 explicando a diferença entre o capitalismo e o socialismo. E uma instigante versão em quadrinhos, também dos anos 40, explicando "A Road to Serfdom" do Hayek em 5 minutos. E ainda tem esta série mais longa que dá toda uma aula de economia em forma de cartum para crianças. Finalmente, o pessoal do South Park explica a recente crise econômica.)

Se uma criancinha de oito anos pode entender, porque Lula e Obama - que está novamente propondo aumento de impostos e gastos trilionários do governo - não podem?


terça-feira, 17 de novembro de 2009

Viva o aquecimento global

A maioria das notícias fala com horror sobre as catástrofes do (largamente mitológico) aquecimento global. Ainda que hoje até a BBC admita que a temperatura do planeta não aumenta há dez anos, e a população acredite cada vez menos na idéia, os políticos, na contramão ha história, insistem com leis cada vez mais excessivas contra o problema imaginário.

Uma coisa que os políticos não levam em conta é o seguinte: e se o famigerado aquecimento global fosse uma coisa boa? Pesquisas indicam que o aumento de carbono na atmosfera é extremamente benéfico para as florestas, afinal qualquer um sabe que as plantas alimentam-se de CO2. Com mais CO2, haveria maior produção de alimentos, e maiores porções do planeta se tornariam habitáveis.

Além disso, o aquecimento global faz bem para a economia. Al Gore, por exemplo, nos últimos dez anos aumentou seu patrimônio de 2 milhões para 60 milhões de dólares.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Quem governa o mundo?

A maioria das teorias conspiratórias apresenta alguém - pode ser uma só pessoa, mas em geral é um pequeno grupo - que controla o mundo. Presidentes, ditadores, terroristas: todos são meras marionetes dessa elite de verdadeiros governantes.

A teoria, a princípio, é interessante e plausível. Quer dizer, alguém acredita mesmo que Barack Obama seja "o homem mais poderoso do mundo"? É claro que não. Ele está ali porque a elite que o financia entendeu que um homem negro, articulado, Democrata, seria o personagem ideal para o papel de vingador Politicamente Correto. Mas é apenas um papel. Outros o colocaram ali, e podem livrar-se dele quando seja necessário, talvez apresentando um certificado de nascimento escondido em algum cofre.

Outro exemplo: observem a foto abaixo e perguntem-se: mas os sujeitos abaixo não eram inimigos políticos? Não era um de "esquerda" e outro de "direita"? Um da "elite" e outro do "povo"?


Claramente, ambos, hoje aliados, também apenas representaram papéis, meramente papéis. Collor fingiu abraçar a ideologia dominante dos anos 90 (ainda que seu confisco da poupança teria horrorizado Adam Smith). Lula hoje faz o papel de presidente-operário social-democrata "moderado", salvador das classes minoritárias mas com bom-senso econômico (nem uma coisa nem outra é verdadeira, mas o importante é representar o papel). Há quem argumente que ambos presidentes eram e são apenas fantoches da mesma cleptocracia dominante. Note que as figuras de fundo não mudam. No Brasil, as ideologias quase sempre são só disfarces para o roubo. Alguém acredita mesmo que um operário ignorante realmente tome todas as decisões financeiras e políticas da nação?

Em um romance de Kurt Vonnegut, um presidente americano tinha no banco de trás de sua limusine um volante de brinquedo. Era para se lembrar que tudo o que ele podia fazer é fingir que estava dirigindo, isto é, governando.

Mas, se os presidentes não governam o mundo de fato, ou nem mesmo seus países, então, quem o faz?

A teoria mais popular é que os que governam o mundo são os banqueiros.

Não acredito muito nisso, mas casos como os da família Fugger ou Rothschild realmente podem dar essa impressão. Os Fugger, banqueiros alemães desde o fim da Idade Média, e que - atenção! - não eram judeus, mas católicos (embora Jakob Fugger tivesse uma coleção de valiosos manuscritos que incuía antigos textos hebreus), estiveram financiando grande parte dos eventos do século XVI, inclusive a descoberta da América. Jakob Fugger, através de seu representante Fernando de Noronha, foi o primeiro indivíduo a investir no Brasil. Jakob Fugger teve tanta fortuna e poder que era conhecido em algumas nações apenas como "O Rico". Abaixo o vemos em pintura de Albrecht Dürer:


Os Fugger foram poderosos, mas mesmo seu poder tinha limites. Como todos os indivíduos humanos, tiveram seu apogeu e decadência. Os Rothschild também. Hoje são apenas sombra do que foram.

Será que os banqueiros são também marionetes de outras forças? Ou estabelecem uma relação simbiótica com outros poderes, como os líderes políticos e o clero? Nesse caso, teríamos três formas de poder (o político, o financeiro e o religioso/ideológico), que muitas vezes coincidem entre si nos objetivos, mas nem sempre. Seriam tais desacordos que fazem mover o mundo.

Outra teoria popular é que os verdadeiros governantes são os maçons. De fato, tal organização esteve presente não apenas fundação da América, como em grande parte dos eventos mundiais, e mesmo em eventos brasileiros como a Independência ou a Revolução Farroupilha. Um número considerável de líderes mundiais foi membro da maçonaria. Mas, e daí? Isso realmente quer dizer alguma coisa? Grande parte dos líderes mundiais também era fã do xadrez. E se tudo o que ocorre no mundo fosse na verdade uma conspiração mundial de enxadristas?

Talvez a primeira pergunta que temos que nos fazer é: o mundo é mesmo governado, ou não? Antes de afirmarmos que há uma pequena elite que está por trás de todos os grandes eventos, devemos considerar a teoria de que não haja ninguém em especial, ou ao menos ninguém com controle total. Há diversas forças e influências que combatem entre si. Há grupos poderosos que têm, de fato, enorme influência, mas nem sempre conseguem ter seus desejos atendidos.

Essa parece-me a teoria mais correta. O mundo é caótico. A vida é caos. E nós, meros plebeus sem qualquer poder político ou econômico, somos apenas espectadores, pequenos vermes que mal conseguimos governar nossas próprias vidas enquanto rastejamos por este Vale de Lágrimas.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Obama não leu Bastiat

O governo Obama implantou um programa de "estímulo econômico" chamado "Cash for Clunkers", no qual o governo compra (com dinheiro do contribuinte) carros velhos que em alguns casos não valem nem 1000 dólares, por 3500 a 4500 dólares, destruindo completamente seu motor para que não voltem a entrar em circulação. A idéia é tirar os carros velhos de circulação e "estimular a economia" com a venda de carros novos.

Não que eu tenha lido muito Bastiat, mas parece-me uma repetição da falácia da janela quebrada.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Viver sem Internet


É possível viver sem a Internet?

De acordo com pesquisas da The Onion, os americanos passam 90% do seu tempo olhando para objetos retangulares brilhantes. A notícia pode ser sátira, mas mostra um fato real: se não estão olhando para a tela de um computador ou notebook, é quase certo que estarão olhando para seus blackberries ou iphones ou PDAs, todos eles também conectados à Grande Rede Mundial. É quase impossível hoje viver sem a Internet.

No entanto, estarei viajando na próxima semana para N.Y. e Canadá e provavelmente haverá uma demora maior nas postagens. Devo estar menos freqüentemente online. Não por necessidade, já que Internet há em qualquer lugar, mas para tentar ocupar o tempo de formas mais úteis do que preocupar-me obsessivamente pelo que está acontecendo em Tegucigalpa ou Teerã. A Internet é, também, um vício que nos afasta de outros passatempos.

Além disso, o blog por vezes torna-se cansativo. Já fui chamado de monstro e de louco. Mais recentemente, acusaram-me de ser um "cão dos Plutocratas". Bem, considerando que Pluto (filho da Pluta) é um cão, o insulto parece-me algo redundante. A não ser que a palavra tenha outro sentido, hehe - mas, se alguém acredita que eu esteja blogando a soldo de ricaços internacionais, engana-se redondamente. Jamais recebi um centavo por publicar qualquer coisa aqui, com exceção dos 5 dólares do meu amigo RW.

Voltarei em breve, mas por ora deixo vocês com alguns links e interrogações, temas que se houver interesse comentarei em outros posts.

1) Alguém ouviu falar da "estratégia de Cloward-Piven"? Nos anos 60, dois marxistas radicais propuseram um audacioso plano de instaurar o socialismo na América através da destruição de sua economia. Alguns sugerem que esse seja o caminho seguido por Obama, cuja popularidade está caindo lentamente.

2) Ainda há quem acredite em "aquecimento global"? Recentemente, um célebre estudioso dos ursos polares foi impedido de participar de um congresso sobre as "catastróficas mudanças climáticas". O motivo? Seus estudos haviam demonstrado que o número de ursos polares havia aumentado em vez de diminuir. Realmente era uma verdade inconveniente. Já na Austrália, uma cidade proibiu a vendade água em garrafinha, por ser antiecológica. Bem que eu avisei que vinha uma "tirania verde" por aí. Vai piorar, podem crer. Enquanto isso, a temperatura da Terra, assim como a popularidade de Obama, cai.

3) Um teste para saber se você é viciado na Internet.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O risco eterno de uma democracia sem lembranças

Será que o povo gosta mesmo de democracia, ou prefere um "homem forte"? Será que a democracia é para sempre, ou é um sistema naturalmente instável, eternamente sujeito a crises temporárias? Será que a democracia é um bem em si mesmo, ou apenas um método que permite tanto bons quanto maus governos? Será que se aperfeiçoa com o tempo, ou carrega em si o germe da sua própria destruição? Afinal, antes do nazismo havia democracia na Alemanha. Antes do comunismo em certos países havia democracia. Não foram os mesmos "democratas" os que apoiaram um e outro regime, ou foi algum outro povo, saído do subterrâneo da Terra? E, no entanto, após o fim de nazismo e comunismo, a coisa mais difícil do mundo era encontrar um ex-nazista ou um ex-comunista. De repente, todos haviam virado "democratas", críticos virulentos da tirania anterior. Os verdadeiros nazistas e comunistas haviam retornado ao seu refúgio no subterrâneo do planeta...

Mas eis que basta muito pouco para que esse povo do subterrâneo retorne. Hoje em dia, por exemplo, notícias como a que 50% dos habitantes da ex-Alemanha Oriental desejariam a volta do comunismo - muitos deles jovens que mal viveram sob o regime - chamam a atenção. Do outro lado, o antisemitismo também ressurge na velha Europa que já exterminou a tantos judeus. E isso sem falar nas novas tiranias: assim como há poucos anos matou-se tanto em nome da "igualdade social", eu, por exemplo, consigo facilmente antever uma tirania mundial matando e oprimindo milhões em nome da "ecologia". Como disse C. S. Lewis, as piores tiranias são aquelas criadas pelos que só querem o nosso bem. A democracia e o próprio Estado de Direito são bem mais frágeis do que pensamos.

Eis o pertinentíssimo comentário do leitor DD, que julgo interessante republicar aqui:

Ninguém morre de amores pela democracia, como você supõe. Essa Sociedade Civil, tão robusta, é capaz de vender a sua adesão à democracia por qualquer coisa.

Por um prato de comida.

Por um frasco de estimulantes sexuais.

Por um empreguinho público.

Pela promessa de que o governo indicará um bode expiatório e o imolará depois.

O século mais democrático de todos os tempos também foi o mais tirânico. Agora, responda-me: o tipo de abuso cometido pelos Estados no século XX tem alguma coisa a ver com o que se passou antes? Não se deu com o envolvimento e a cumplicidade de sociedades inteiras? Não obrigou civis a pegarem em armas e fazerem as vezes de militares, mesmo sem o seu consentimento, como se fossem escravos da Pérsia dos Aquemênidas? Não doutrinou uma série de pessoas e destruiu suas consciências, talvez para sempre? Pode-se dizer que esse tipo de tirania foi o resultado dos que se opuseram à democracia, dos que não a compreenderam tão bem, dos "inadaptados" que queriam o retorno de um passado idílico? Ou, ao contrário, esses abusos sem paralelo possível na história humana foram cometidos, em sua esmagadora maioria, em nome de ideais e valores MODERNOS, muito próximos ou mesmo indistinguíveis daqueles que fundamentam a democracia? Você será louco o suficiente para negar que a tirania é como que a irmã gêmea da democracia e o seu risco perpétuo?

sábado, 4 de julho de 2009

4 de Julho: EUA na encruzilhada

Um estranho 4 de julho, hoje. Uma América dividida: Obama ainda tem bastante apoio popular, mas o número dos que se desapontam não pára de aumentar. Tem a ver, provavelmente, menos com a política externa covarde (que se recusa até a apoiar sanções ao Irã) e mais com a economia: desemprego em 10%, crise na bolsa, previsões de queda do dólar, trilhões em dívida. E qual a solução de Obama? Aumentar impostos e gastar ainda mais trilhões em um impopular sistema de saúde pública. Curiosamente, o presidente socialista vai passar o 4 de julho na Rússia, provavelmente em busca de inspiração. É a América rumo ao sovietismo, e à conseqüente ruína. Ou, como diz a piadinha que coloquei lá abaixo:

Recession is when your neighbour loses his job.
Depression is when you lose your job.
Recovery is when Obama loses his job.

Do outro lado, estão em aumento movimentos populares contra o gasto público como as Tea Parties, mas sem qualquer líder reconhecível. De fato, os maiores críticos de Obama, até agora, foram o radialista Rush Limbaugh e o ex-vice Dick Cheney, que não são exatamente as figuras centrais do Partido Republicano. Sarah Palin, que surpreendeu ontem com sua renúncia ao governo do Alasca, promete concorrer em 2012, e talvez se una às vozes discordantes. Mas por ora os Republicanos andam mais perdidos que cego em tiroteio, sem força e sem voz.

De qualquer modo, é possível que os EUA estejam mudando, quer dizer, tenham já mudado. Obama não é causa, é sintoma. O fato de que ele tenha sido eleito mostra que a população americana mudou, que não é mais um país de maioria conservadora mas sim progressista. Vejam por exemplo esta nota sobre uma escola privada, das mais caras da Califórnia, em que os alunos decoram murais com símbolos comunistas e com a folha da marihuana. O que estão ensinando a essas crianças?

Não apenas isso, como também demograficamente os EUA estão mudando radicalmente, como mostra o mapa interativo aqui.

Some-se a isso uma crise econômica mundial, um panorama externo ameaçador (Kim Jong Il promete trazer seus próprios fogos de artifício para o 4 de julho), e um momento de transformação mundial, em modos que sequer conseguimos compreender agora, e tem-se uma situação bem preocupante. O que acontecerá?

United we stand, divided we fall.

sábado, 27 de junho de 2009

A grande farsa farra do aquecimento global

A mentira precisa continuar.

Enquanto a mídia só falava em Wacko Jacko, o Congresso Americano aprovou o American Clean Energy and Security Act, que entre outras coisas determina o corte da emissão de CO2 em 17% até 2020 e em 83% até 2050. Quais as conseqüências dessa imensa bobagem? Redução do CO2? Energia renovável? Um planeta mais verde e mais feliz? Nada disso. Como bem explica este artigo, as conseqüências reais serão:

1. Transferimento das indústrias "poluentes" para a China, onde a mão de obra é mais barata e não há controle algum do CO2 emitido.
2. Aumento das contas de gás, eletricidade, etc. do consumidor final de classe média, que é quem realmente - como sempre - vai pagar a conta do engodo.
3. Enriquecimento de políticos e de empresários do ramo da "energia verde", que só conseguem competir artificialmente, limitando os outros meios de produção de energia.
4. Piora da crise econômica com menor produção, mais impostos, e perda de milhares de empregos (transferidos para a China).

Por outro lado, alguns espertos vão enriquecer e os restantes otários vão poder sentir-se bem ecológicos.

Uma ecologista feliz.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Quão livre é uma nação?

Como medir o nível de liberdade de uma nação? Afinal, o fato de ter ou não eleições nem sempre é o melhor guia. Há eleições no Irã, há eleições em Cuba, há referendos na Venezuela, e no entanto não são os países mais livres do mundo, de modo algum.

Theodore Dalrymple uma vez observou que sentia-se mais livre nas ditaduras latinoamericanas dos anos 70 do que na Inglaterra de hoje. Certo, ele não podia gritar "Abajo el dictador!" nas ruas, mas fora isso, poderia seguir a vida sem ser importunado. Acredito que no Brasil, durante a "ditabranda", ocorria um fenômeno similar. Bastava o sujeito não se meter (muito) com política, e podia ter uma vida tranqüila, sem que o regime fizesse grande diferença na sua vida. Hoje a esquerda fala do período ditatorial de 1964-85 no Brasil como se tivesse sido o inferno na Terra, e talvez tenha sido - mas apenas para eles. Para o resto das pessoas, não foi muito pior nem melhor do que outros tempos. Afinal, nem foi a primeira nem a mais violenta das ditaduras brasileiras, certamente foi a menos violenta das ditaduras latinoamericanas do período, e, em termos de insegurança ou de corrupção, os dias de hoje são bastante mais negros.

Mas voltemos à pergunta inicial: como medir a real liberdade de uma nação? Acho que pelos entraves que coloca ao indivíduo. No Irã, por exemplo, não pode-se dançar na rua, não pode-se beber álcool, o governo controla o modo em que você se veste, com quem sai, com quem fala, o que escreve nos blogs, etc. Na Alemanha Oriental, bem, quem assistiu "A Vida dos Outros" pode ter uma idéia do nível de vigilância que ocorria ali sobre o indivíduo.

Mas mesmo em países desenvolvidos ocidentais atuais como Inglaterra, França e EUA, o Estado controla cada vez mais o que o indivíduo faz ou diz - claro, em nome de coisas supostamente boas como a "ecologia", o "direito das minorias", a "diversidade", o "racismo", etc. Mas que há controle, há. Nos EUA, além da intervenção absurda que está fazendo na economia, Obama tem planos até de impor legislação contra o "hate speech", o que iria contra a total liberdade de expressão até agora existente na América graças ao "first amendment".

Mas talvez haja um outro modo de medir a liberdade de uma nação: pela possibilidade ou não de realizar piadas em público sobre aqueles que governam. Não é possível fazer piada com os presidentes do Irã ou do Egito (em ambos países há blogueiros presos por textos satirizando ou ridicularizando seus mandantes).

Nos EUA, felizmente, ainda é possível fazer piada com Obama. Seguem algumas para descontrair.

* * *

Entra Obama em um bar com um papagaio no ombro. O barman pergunta, "onde você descolou isso?" "Quênia," responde o papagaio.

Qual a diferença entre Obama e Deus? Deus só exige ser reverenciado um dia por semana.

Qual a semelhança entre Obama e Deus? Nenhum dos dois tem um certificado de nascimento.

Por que Obama se candidatou pelo Partido Democrata? Porque o Partido Comunista já tinha candidato.

As melhores coisas da vida são de graça, mas o governo Obama está estudando um jeito de cobrar imposto.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Leviatã

Políticos seriam uma coisa engraçada, se não fosse trágica. Embora o tal "stimulus package" não tenha ainda gerado um emprego sequer, e aliás o nível de desemprego só tenha crescido desde que o messias assumiu, Obama continua prometendo empregos a meio mundo. Hoje fala em 600.000 novos empregos. Até a Associated Press, normalmente obamista, está desconfiando, com uma manchete irônica: "Novo plano de Obama é o mesmo anterior". (Aliás, o único setor que está tendo aumento de empregos é o da burocracia governamental obamista.)

Para os desavisados, uma conselho amigo: se algum político prometer empregos, não acredite. Político não pode criar emprego, salvo para seus familiares e amigos. Na Argentina agora tem um político que quer criar a "lei do primeiro emprego": por lei, todo jovem argentino teria seu direito ao "primeiro emprego" garantido... Quem não entender a impossibilidade de tal lei ser algo mais do que frases em um pedaço do papel, que continue votando em políticos idiotas. Assim caminha a humanidade.

Gordon Brown, enquanto isso, está sendo humilhado pelos votantes na Inglaterra, mas nem isso o convence a se demitir. Ao contrário, em um encontro do seu partido, afirmou: "O que pensariam as pessoas se um governo Trabalhista enfrentasse com covardia um período de crise, e se afastasse do povo nesse momento de necessidade? Não, estamos ficando com eles." Lula não diria melhor. Poxa, não está vendo que o "povo" não quer ver você nem pintado?

O pior é que, lá como cá, e acolá também, o Estado - Leviatã - só tende a crescer. O fracasso do welfare state gera, paradoxalmente, um desejo por mais welfare state. Pessoas que perderam seu emprego querem um novo emprego ou ao menos uma boquinha no governo. Além disso, os políticos descobriram que, quando o povo cansar deles, podem sempre importar novos imigrantes para votar neles. Obama já está encaminhando a possibilidade para que os imigrantes ilegais votem nos EUA, de modo a obter a tirania Democrata para todo o sempre.

Aqui, um artigo bem interessante sobre a moderna vingança do Leviatã, pelo polêmico Takaun Seiyo.

sexta-feira, 27 de março de 2009

A inveja é uma merda

Faz alguns meses passou uma limusine ao meu lado enquanto eu esforçadamente subia a lomba em uma bicicleta. A limusine andava lentamente, e quase pude ver ou imaginar através dos vidros fumês o seu rico ocupante, bebendo champanhe cercado por belas mulheres, apontando para mim e rindo. Refreei o natural desejo de erguer o dedo médio na direção do imaginário ocupante do veículo, e segui adiante.

Ao mesmo tempo, do outro lado da rua, um mero pedestre me observava, verde de inveja da minha reluzente bicicleta que, afinal de contas, é um modelo novo e sofisticado que custou 500 dólares (tomem, invejosos!).

Aponto esse fato para indicar que a ocasional inveja é um fenômeno comum e bastante humano, mesmo em quem não acredita absolutamente que a igualdade social seja algo positivo ou natural.

O que a esquerda faz é canalizar a inveja natural do ser humano para insuflar a população e assim poder roubar dos ricos e dar aos pobres a si mesmos em nome da "igualdade social" - já que, para muitos, o importante não é dar aos pobres, mas sim tirar dos ricos.

É demagogia da mais barata, mas sempre funciona. A empresária Eliana Tranchesi, dona da Daslu, foi condenada a 94 anos de prisão, para mostrar que a "justiça" lulista também persegue os ricos. Enquanto isso, centenas de políticos, funcionários públicos, empresários amigos do PT, lucraram rios de dinheiro em casos que jamais irão aos tribunais. Não são pobres contra ricos, não. É a neo-aristocracia contra os capitalistas selvagens.

Nos EUA, a mesma coisa. Banqueiros e investidores de Wall Street são as bruxas do momento. Obama critica os "empresários gananciosos" da AIG que pagaram um bônus a seus CEOs com o dinheiro do "bailout". Detalhe: o bônus estava incluído na legislação que Obama assinou e, pelo visto, não leu. Afinal, melhor desviar o olhar para meros 167 milhões, quando alguns trilhões são acumulados nas mãos do governo Obama e seus aliados que fraudam o imposto de renda.

Mas é provável que ambos os casos, lá e cá, tenham sido planejados: os bônus foram incluídos propositalmente na legislação para depois poderem ser atacados e justificarem aumento dos poderes estatais, bem como a prisão da dona da Daslu é um ótimo pretexto para a intimidação e o achaque de vários outros empresários não-alinhados.

Reichstagsbrand, alguém?

De novo, a luta de classes nunca é de pobres contra ricos, é da nomenklatura contra a burguesia. Os pobres são só massa de manobra.

Atualização: Tanto Lula quanto os obamistas aumentam a excitação popular ao juntar o ódio racial ao ódio de classe. Quem critica Obama muitas vezes é tildado de racista. Já o Lula falou que a atual crise foi criada por "brancos de olhos azuis" para prejudicar negros e indígenas. A bizarra declaração causou estupor na mídia americana e inglesa (exemplos aqui, aqui e aqui). Afinal, todos sabem que os banqueiros malvados são sempre judeus.

segunda-feira, 23 de março de 2009

O enigma Obama

Os leitores aí no Brasil não estão por dentro das discussões que rolam aqui nos EUA em relação às medidas de Obama. Assistem talvez clipes da CNN ou da Globonews que não dão uma medida exata do descontentamento e perplexidade com que estão sendo recebidas várias das medidas do novo governo pelo povo. A sensação, mesmo entre vários dos que votaram no negro maravilha, é de um certo amadorismo.

Claro, ainda há os entusiastas e os esperançosos, e ainda haverá por um bom tempo.

Todo entusiasta de programas sociais fala como se o dinheiro para pagá-los nascesse em árvores. Poucos posts abaixo discutia-se sobre os maravilhosos hospitais públicos franceses que oferecem serviço "de graça" até a clandestinos. O Pax continua falando sobre as maravilhas da educação pública na Finlândia (Além de outras questões, sabe quantas pessoas moram na Finlândia? 5 milhões. É mais ou menos o número de pessoas que da região metropolitana de Porto Alegre. Tamanho importa, sim.)

Obama está alocando trilhões e mais trilhões de dólares para programas sociais (outros trilhões são os bailouts a empresas várias para supostamente resolver a crise financeira). De onde sai esse dinheiro? Está todo sendo colocado na conta dos jovens que votaram em Obama e suas políticas. São eles que, quando forem adultos, pagarão por tudo isso com o suor do seu rosto - se conseguirem. Mark Steyn explica aqui.

Mas se fosse apenas isso, seria até tranquilo. O mais grave é que Obama está piorando a economia, e gerando o risco de trazer a desvalorizaçao do dólar e o colapso financeiro. A cada medida, a cada pronunciamento seu o Dow Jones cai mais alguns pontos. A sua solução para o problema do crédito hipotecário, sabem qual é? Emprestar mais dinheiro aos que não conseguiram pagar suas casas, para que possam fazê-lo. Já os que pagaram tudo em dia, só ganham aumento de imposto. Premiar os delinquentes, punir os que pagam em dia. Mesmo os obamistas estão achando estranho.

Outra lei obamista de controle de alimentos está prejudicando os mercados populares e vendedores de alimentos orgânicos. Ora, quem compra e vende alimentos orgânicos? Os eleitores de Obama, é claro. Alguns já começam a se incomodar.

E nem falemos do Afeganistão, onde a palavra de ordem é "estratégia de saída". Quem fala assim, já começou perdendo. Melhor retirar as tropas amanhã mesmo, então. Ao menos salva a vida dos soldados.

Obama é uma charada envolvida em mistério, dentro de um enigma.
Barack Obama

sábado, 21 de março de 2009

Ecologia versus Economia


O gráfico de uma pesquisa da Gallup mostra uma coisa interessante. O número de pessoas que acham que a preservação ecológica deve ser mais importante do que o crescimento econômico era constantemente maior desde os anos 80. Recentemente, a tendência inverteu-se.

Conclusão óbvia: enquanto há prosperidade, as pessoas preocupam-se com o verde. Quando há escassez, preocupam-se mais com as verdinhas.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Momento Weimar

Com a crise econômica em pleno andamento e uma crise política internacional em preparação (diga "bomba nuclear iraniana"), com a cada vez mais gritante incompetência das elites governantes, o povo começa a mostrar sinais de irritação.

Já vimos protestos violentos na Grécia e em outros países europeus. Nos EUA, o descontentamento com os diversos pacotes trilionários que não conseguem resolver a crise aumenta cada vez mais. A popularidade de Obama caiu de 80% a 60% em um mês, e tende a piorar:



Articulistas como Takuan Seiyo observam o crescente descontentamento do povo com as elites progressistas transnacionais que impõe medidas impopulares como aumento de impostos, aumento da imigração, aumento do crime por meio de maior leniência aos criminosos, etc.

Estamos talvez iniciando a viver um período similar ao da República de Weimar na Alemanha, momento de crise econômica e descontentamento popular geral.

O grande problema é que depois de Weimar veio coisa muito pior.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Energia alternativa

Talvez nada seja mais indicativo do idealismo equivocado da esquerda do que a questão da energia alternativa.

Obama e os Democratas, crentes da bizarra religião do Aquecimento Global, querem produzir fontes de energia alternativas ao petróleo, que segundo eles produz demasiado CO2. Afinal, os EUA tem vastos depósitos de petróleo que há anos não são explorados por motivos supostamente ecológicos. (Enquanto a China não tem pudor em explorar petróleo a poucos quilômetros da costa da Flórida)

Ao mesmo tempo, Obama acaba de praticamente decretar o fim do uso da energia nuclear nos EUA - a única forma de energia alternativa comprovadamente capaz de competir com os combustíveis fósseis.

Os Democratas preferem investir em energia eólica e solar - energia "limpa". Ou seja, como sempre, a esquerda prefere fantasias teóricas a realidades práticas. Em teoria a energia eólica e solar são bacanas. Na prática, no entanto, são absurdamente caras para o baixo nível de energia que produzem, além de ser extremamente dependentes de fatores incontroláveis, como o clima.

Para pior, há alguns ecologistas radicais que são até mesmo contra a energia eólica - acreditam que suas gigantescas hélices "enfeiam" o ambiente, e afirmam que produzem "poluição sonora". Ao mesmo tempo, é pouco provável que tais críticos estejam dispostos a abandonar sua internet e seus iPods e viver sem eletricidade no meio do mato. Talvez acreditem no moto perpétuo: afinal, querem apenas uma forma de energia perfeita, sem qualquer aspecto negativo. São, em suma, imbecis.

O etanol ou biodiesel é outra fonte de energia ineficiente - a quantidade de terra de plantio que ocupa é demasiado extensa para a quantidade de energia que produz, aumentando o preço dos alimentos e dos próprios combustíveis. E - claro! - também já há "aquecimentistas" reclamando que o biodiesel produz mais carbono do que os combustíveis fósseis...

A ênfase em energia alternativa ineficiente vai ter como resultado apenas maiores dificuldades econômicas para os EUA - e mais gente vivendo na pobreza.

Por outro lado, talvez um dia no futuro tenhamos favelas movidas a energia solar (com os caros painéis solares providenciados pelo governo). Pobres, mas limpinhos.