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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Não é mais que um até logo, não é mais que um breve adeus

Ano novo, vida nova? Não é sem certa tristeza no coração que anuncio o possível fim do Blog do Mr X. Possível, pois ainda não decidi de todo, mas como todos sabem há algum tempo ando meio de saco cheio disto tudo. Isso não quer dizer que vou parar de escrever. Mesmo que acabe com este blog, criarei outro em moldes diferentes, ou contribuirei com outras publicações. Talvez nem mesmo acabe com o blog, apenas reformule um pouco o seu conceito, ou só mude de pseudônimo, aposentando o atual personagem. Na verdade, como acenei no post anterior, já tinha planos de uma reformulação total tanto visual como de conteúdo. É possível que faça isso em vez de acabar definitivamente com o blog.

O fato é que estou um momento bem delicado na minha vida pessoal e profissional, e isto naturalmente tem prioridade. Preciso decidir o que fazer com a minha vida, e o tempo gasto com o blog não ajuda. Além disso, gostaria de dedicar mais tempo a escrever sobre outros temas, não relacionados com política,  e para isso talvez tenha que tirar a cabeça de assuntos políticos, ao menos momentaneamente. Quem sabe um blog sobre literatura e cinema?

Mas outra razão para parar é que não estou me divertindo mais. Não sei se foi coincidência ou não, mas a chegada de vários leitores de índole nacional-socialista meio que deturpou o objetivo original do blog. Não os culpo, afinal fui eu quem deu abertura e margem para certas discussões que hoje são tabu na mídia e, sinceramente, acho que algumas dessas questões são, sim, importantes. Até acho que alguns novos leitores contribuíram com boas informações. Por outro lado, ficou um pouco demais. Era divertido quando havia uma leitora nazista como a Bárbara, assim como era divertido quando tínhamos o Augusto Nascimento e seu positivismo. Porém, quando 90% dos comentários versam sobre a inferioridade racial dos negros, as traquinagens malignas dos judeus e um ódio totalmente desmesurado ao Brasil e aos brasileiros, começa a ficar meio entendiante.

Nada contra, não quero que pensem que acabo com o blog por causa de alguns comentaristas, nem tampouco pensem que tenho planos de censurar ou expulsar ninguém. Como diz o sujeito quando quer acabar com uma relação que tornou-se insatisfatória: "não são vocês, sou eu". É só que não sinto mais como se fosse o meu velho blog. Transformou-se em algo que nem sei mais o que é.

Agradeço a Chesterton, Confetti, Brancaleone, Gunnar, DD, Gerson B, KCT, Mais Valia, Cecília, Marcelo Augusto, Ana Beatriz, Microempresário, Klauss, Harlock, Woland, Diogo, Iconoclasta, Bachmaníaco, Bruno, Thiago, Edu, Fred, Pax e vários outros leitores antigos que me seguiram durante todo este tempo, ou quase todo. São meus amigos, e não tolero desrespeito com meus amigos. Jamais os conheci pessoalmente, é verdade, mas fazem tantos anos que discutimos online que é como se os conhecesse. Um abraço todo especial ao Augusto Nascimento, onde quer que ele esteja. Espero sinceramente que ainda ande por aí. Agora que penso, acho que o blog começou a morrer com a sua partida.

Agradeço o interesse que estes textos tem suscitado ao longo dos anos, aos leitores velhos e também aos novos. Mesmo os debates sobre a questão racial foram, em alguns casos, interessantes. Não renego aqui o que escrevi ou mesmo as discussões polêmicas que foram geradas. Mas talvez os leitores anônimos tenham razão, se certas discussões sobre raça me incomodam então eu não deveria falar sobre o assunto. Quem está na chuva é pra se molhar. Se eu não tenho uma visão clara sobre o assunto, ficar em cima do muro só complica mesmo. Por outro lado, sempre falei sobre tudo um pouco aqui, de sexo a religião, sem maiores problemas. O tema racial foi o único que chegou a me deixar estressado, sabe-se lá por que. Talvez por ser demasiado reducionista, ou implicar em uma visão demasiado estreita e determinista do mundo. Talvez porque discutir isso é tão tabu que seja tabu até para mim. Talvez porque, tendo tido uma namorada judia que ainda é boa amiga, eu fique meio sem jeito de ter um blog frequentado por nazis. Quem sabe?

Não acho que os problemas humanos tenham solução, não acredito em utopias nem em movimentos revolucionários. Se alguns aspectos do mundo moderno me incomodam, talvez seja por mera nostalgia de um passado idealizado que nunca existiu. Nem sei mais se sou conservador, libertário ou o quê. Talvez eu não seja nada. Sei que, por mais problemas que eu tenha com a democracia atual, não gosto de sistemas totalitários, seja de que ordem forem. O pensamento unificador do blog sempre foi a temática da liberdade, como ilustra a frase de Isaiah Berlin abaixo. Sempre preferi a liberdade, ainda que, como cantava a Janis, liberdade nada mais seja do que não ter mais nada a perder.

De qualquer modo, é um período meio estressante para mim por outros motivos e, como disse acima, estou com vários assuntos pessoais e profissionais que preciso resolver. Quando isso ocorrer, tudo poderá estar novamente em paz.

Como gosto mesmo é de poesia e não de política, deixo vocês com Yeats que é um pouco um resumo do modo em que vejo as coisas neste momento:

Civilisation is hooped together, brought
Under a rue, under the semblance of peace
By manifold illusion; but man's life is thought,
And he, despite his terror, cannot cease
Ravening through century after century,
Ravening, raging, and uprooting that he may come
Into the desolation of reality:
Egypt and Greece, good-bye, and good-bye, Rome!
Hermits upon Mount Meru or Everest,
Caverned in night under the drifted snow,
Or where that snow and winter's dreadful blast
Beat down upon their naked bodies, know
That day brings round the night, that before dawn
His glory and his monuments are gone.




Liberdade é também poder dizer adeus.


P.S. 14/01: Caros leitores, fechei o espaço pra comentários deste post pois não tenho tempo para entrar nas discussões, que de qualquer jeito estavam virando um pouco repetitivas. A internet brasileira está tão carente de espaços assim? 
A boa notícia é que vou voltar a escrever, mas acho que em outro blog. Aguardem novidades. Abs. 

sábado, 29 de outubro de 2011

Compre o livro do Blog do Mr X!

Está à venda na Amazon e na loja online do Create Space um livro com o melhor do Blog do Mr. X! 

Ué! Por que comprar algo que é grátis online? Dez razões:

1) É um ótimo presente para dar para alguém que se quer bem. Afinal, você não pode dar um blog de presente, certo? E o Natal está quase chegando aí.

2) É um ótimo presente para dar aos inimigos, especialmente aquele seu vizinho petista safado. E já estamos no dia das bruxas. 

3) É uma concentração do melhor do blog. Ao longo do tempo escrevi alguns textos que alguns talvez julguem interessantes, mas também escrevi muita bosta. O livro tem uma coletânea apenas dos melhores textos, editados para maior clareza. Tem até alguns textos inéditos, jamais publicados aqui!

4) Pode-se ler na privada ou na praia, locais onde é meio complicado utilizar o notebook ou mesmo o iPad.

5) Pode-se não ler, mas simplesmente colocar o livro na estante ou na mesa da sala para impressionar as visitas e escandalizar os parentes. Modéstia à parte, a capa ficou bem bacana. 

6) Você estará ajudando o dono do blog a continuar. Convenhamos, não vou fazer isto pra sempre. O Adsense do Google não dá dinheiro algum. Porém, se cada um dos leitores comprar um livro (ou mais, para dar aos amigos, vizinhos, alunos...), garante-se o leitinho das crianças, e o blog talvez continue por mais algum tempo.

7) O livro não tem o Augusto Nascimento nem a Bárbara nem o Tiago nem nenhum troll ou mesmo comentarista. Tá, na verdade esse é um aspecto negativo. Até pensei em incluir os melhores comentários no livro, mas ia dar muito trabalho.

8) Você estará colaborando com o self-publishing, movimento que coloca o autor diretamente em controle do material. 

9) É uma oferta por tempo limitado; o livro é uma edição comemorativa que vai ficar disponível apenas por alguns meses. Amanhã você pode não ter essa chance!

10) O preço é baratinho: apenas 25 dólares. Tá bom, é uma facada. Mas não é diferente do preço dos lançamentos literários no Brasil. É o mesmo preço do livro do Chico Buarque em reais. Tem que pagar o frete, mas livro não paga imposto!

P. S. A Amazon é mais conhecida, mas se você comprar no site do Create Space (que também faz parte do grupo Amazon) eu ganho mais royalties. Mas você tem que se registrar no site antes de comprar. 

P.S.2. Sim, vai ter uma edição pro Kindle, mas ainda não está disponível. Provavelmente daqui a um mês. Aviso quando sair. Livro em papel é ultrapassado, já?

domingo, 7 de agosto de 2011

Deve existir censura?

Houve uma polêmica no Brasil com o filme "A Serbian Film" (*), que chegou a ser proibido pela Justiça mas agora, parece, foi liberado. Não foi só na Tupiniquilândia que o filme causou confusão. Também foi banido na Espanha e teve cenas cortadas no Reino Unido para poder ser exibido. Nos EUA, ele foi exibido sem cortes, mas só porque aqui ninguém dá muita bola para filmes estrangeiros.

Não vi o filme e, francamente, nem pretendo ver. Mas, sabendo que tem cenas que incluem uma decapitação durante o ato sexual, o estupro de um bebê recém-nascido e mais outras imagens de necrofilia e bestialismo demasiado doentias para mencionar até mesmo neste blog, pergunto-me se neste caso a censura não seria um ato de clemência com o espectador.

Sempre que alguma obra polêmica é censurada, muitos reclamam e saem em campanha defendendo a "liberdade de expressão". Mas peraí, qual liberdade de expressão? Hoje em dia é proibido falar qualquer coisa que seja contra o politicamente correto. Criticar os muçulmanos? Não pode. Atacar os gays? Dá cadeia. Falar em diferenças culturais ou raciais? Tabu. Os jornais americanos e europeus causam alarmismo sobre o "aquecimento global" mas quando há tumulto social falam em "jovens" causando confusão, raramente especificando que se tratem de muçulmanos ou outras minorias. 

Ora, a única liberdade de expressão que restou é a de produzir obras de "arte" cada vez mais escatológicas. Mas será que, nesses casos, a censura na realidade não ajudaria a criar obras um pouco melhores? Os nossos artistas locais vivem criticando a ditadura militar de 64, mas, cá pra nós, será que sem a tal censura esses artistas seriam hoje tão famosos e teriam ganho tanto dinheiro? Ao menos nessa época escritores tinham que esforçar-se para ser mais sutis; compositores como Chico Buarque tinham que bolar boas letras para driblar a censura.

Os limites, na verdade, ajudam à criatividade. O escritor Jorge Luis Borges, em ensaio que agora não consigo encontrar, falava justamente sobre esse auxílio indireto que a censura pode dar às obras literárias demasiado óbvias. Penso por exemplo nos filmes da época de ouro de Hollywood, os quais, sem poder mostrar diretamente cenas eróticas, tinham no entanto uma encantadora sutileza de diálogos que hoje se perdeu.

Por outro lado, nada como a censura para transformar uma obra "polêmica" em sucesso de público. Lembrei de quando, lá pelos anos 90, proibiram "Je vous salue Marie" do Godard no Brasil. Nunca assisti, mas o filme chegou a ter sessões alternativas lotadas. Sei de pessoas que assistiram para "burlar a censura" -- e o consideraram o filme mais chato jamais realizado. (Bem, depois de tudo era um filme do Godard.)

Não vou ficar aqui defendendo a censura, afinal o problema com isso sempre é: quem é que deve definir o que deve ser censurado e o que não? Prefiro um mundo em que todos possam falar ou filmar o que quiserem, e que o leitor ou espectador decida em quem acreditar. Por outro lado, considerando o estado da arte contemporânea, às vezes me pergunto se a censura não faria um bem a certos "artistas", e à cultura contemporânea em geral. (Bem, só espero que esse filme sérvio não tenha sido financiado pelo governo ou pela Petrobras local, como costuma acontecer com os similares lixos nacionais, ver por exemplo "O Baixio das Bestas".)

(*) Obs.: Não entendi por que o título no Brasil não foi traduzido simplesmente para "Um filme sérvio", em vez de ter um titulo em inglês que nem é o original (o filme é sérvio, afinal), acrescido apenas de um ridículo subtítulo, "Terror sem limites". Mas é o mesmo país que traduziu "The Hangover" como "Se beber não case"... Ainda sobre o título, aqui um interessante texto (em inglês) fala sobre o caso. Por que essa escolha? O filme poderia ter sido chamado "Um filme pornô", "Um filme de horror", ou, vá lá, "Terror sem limites". Portanto, associar o nome do filme tão diretamente ao país tem claras intenções políticas (e segundo alguns críticos, o filme aparentemente também é uma elaborada metáfora política sobre... alguma coisa). Seja como for, o fato é que um filme tão violento não vai ajudar a limpar a imagem dos sérvios, injustamente demonizados durante a guerra dos Balcãs; mas talvez fosse exatamente essa a intenção.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Existe livre-arbítrio?

Neste blog que ainda tem uma frase lá embaixo sobre a liberdade, curiosamente jamais fiz um texto sobre a filosófica questão do livre-arbítrio, ou a capacidade de um indivíduo de decidir as próprias ações. Ele existe mesmo? 

Para os islâmicos, tudo, absolutamente tudo é resultado do desejo onipotente de Alá (inshallah), portanto o livre-arbítrio não existe. A religião cristã, me parece, conciliou melhor esse dilema, mas ainda assim é difícil distinguir o que seria resultado da ação divina do que seria meramente ação humana.

Para o budismo, somos escravos de nossos desejos. O desejo nos leva a sofrer, pois tudo é impermanente. Para obter a felicidade, precisamos eliminar o desejo. Ou seja, precisamos, na verdade, eliminar nossa própria individualidade. E o livre-arbítrio é só uma ilusão...

Mesmo para os que não acreditam em Deus, karma ou Destino, a questão é complicada. Afinal, de acordo com a teoria que você escolher, somos controlados por nossos instintos, nosso subconsciente, nossos genes ou nossa química cerebral. 

Dizem que o atirador de Realengo era psicótico. Isso quer dizer que não tinha controle sobre suas próprias ações? Pulsões obscuras e uma falta de equilíbrio químico em sua mente doentia o conduziram - e às suas vítimas - a um beco sem saída?

Não precisamos falar em psicopatas. Eu mesmo - como cada um de nós, certamente - já tive momentos em que me arrependi muito de ter feito certas coisas, e fiz outras sem entender bem o porquê. Destino, genes, desejos irrefreáveis, reações a nível molecular? 

É claro, de acordo com a maioria dos cientistas, o livre-arbítro não existe. Neste interessantíssimo artigo do New York Times sobre a questão, fala-se sobre um experimento científico no qual o indivíduo acredita ter livre-arbítrio, quando não tem: a decisão já tinha sido tomada antes, de forma inconsciente. O nosso cérebro estaria programado para nos fazer crer que temos livre-arbítrio, mesmo que não o tenhamos.

Um dos romances que trata sobre a questão é "A Laranja Mecânica" (O filme também é bom, mas o livro é melhor do que o filme). O jovem criminoso Alex é submetido ao "Tratamento Ludovico", uma nova técnica baseada nos reflexos condicionados que transforma o ultraviolento adolescente em um pacato cidadão de bem. Mas um padre, personagem importante do romance, é contrário ao tratamento: afirma que o homem deve ser livre para poder escolher entre o Bem e o Mal.

Mas e se essa escolha não fosse assim tão livre? Em 1971, por acidente, descobriram que a água na cidade de El Paso, retirada de poços subterrâneos, continha uma quantidade razoável de lítio, enquanto que a água utilizada na vizinha Dallas, tirada da superfície, não tinha. O lítio é um calmante e, segundo alguns estudiosos, era isso o que explicava que nível de crime violento em El Paso na época fosse bem inferior ao de Dallas. Era o calmante.

Claro, a diferença no crime poderia até ter outros fatores. Mas diga a verdade, se existisse uma droga pacificante que pudesse ser pulverizada por sobre todas as favelas do Brasil, e transformasse seus habitantes em mansos cordeirinhos, será que você não seria a favor? 

Ou se o método Ludovico funcionasse, será que não gostaríamos que ele fosse usado nos criminosos mais impenitentes, e dane-se o "livre-arbítrio" dessas bestas-feras?

O perigo, é claro, vem a seguir. Afinal, por que parar com o controle do comportamento criminoso? Se funciona, por que não controlar também o comportamento do cidadão comum? Já há cientistas que asseguram ser possível desenvolver uma pílula anti-racista. Certo, e depois disso, o quê? A pílula anti-homofóbica? A pílula para não discordar do governo? Tome uma no café da manhã, e não precisa mais se preocupar com pensamentos impuros ou politicamente incorretos...

Não duvide que um dia aconteça. Se eles podem colocar flúor na água para a nossa saúde dental, por que não fariam algo similar "para a nossa saúde mental"?

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Freedom is just another word for nothing left to lose

Onde acaba a liberdade? Em recente discussão com comentaristas, houve debate sobre a questão das drogas, e alguns questionaram minha posição de categorizar a venda e o uso de drogas como crime. Informaram que eu deveria levar mais a sério a frase sobre a liberdade que aparece lá embaixo do blog. 

Os leitores têm razão. Eu não sou mais totalmente libertário, mas não sei mais o que sou. A resposta que eu dei lá nos comentários foi a seguinte:

Bem, eu não consumo cocaína nem marihuana nem heroina nem LSD nem nada disso e não quero que meus futuros filhos consumam, então não me importa se for proibido.
Eu poderia fazer o argumento que quisesse em favor da liberdade de cada um ferrar com a própria vida, mas, francamente, acharia melhor um mundo em que essas bem chamadas drogas não existissem.

Como existem, não dá pra fazer com que "desexistam", mas a ilegalidade diminui a sua aceitação social.

Acho que é isso.
Mas, pensando bem, acho que não é uma boa resposta. Afinal, seria necessário ter uma razão mais coerente. Sou a favor da venda legal de bebidas alcóolicas, que consumo com relativa freqüência: por que ser contra as drogas? É apenas uma questão de gosto pessoal? O álcool não mata tanto ou mais do que as drogas ilegais?

Convenci-me com o tempo do seguinte: o ser humano acha que quer liberdade, mas, na verdade, quer regras. Uma vida com regras é muito mais fácil e harmoniosa. A liberdade total causa apenas medo e confusão.

No entanto, a ênfase na "liberdade", entendida apenas como "direito de fazer o que me der na telha mesmo que for negativo" é um dos conceitos fundamentais da sociedade moderna. Aqui na Califórnia há um movimento para legalizar de vez a marijuana (já é possível o uso "médico"), e é possível que obtenham a vitória. Afinal, o estado está em bancarrota, e os impostos obtidos com a maconha legal poderão servir para tentar ajustar as contas. Todos terão liberdade para fumar. Mas será que a vida vai melhorar? As pessoas que vivem próximas aos pontos de venda de drogas ou que tem viciados em suas famílias tendem a ser contrárias.

Cingapura, ao contrário, é um dos países com políticas mais rigorosas contra as drogas (na verdade, não dá nem mesmo pra mascar chiclete e cuspir na calçada em Cingapura, sob pena de rigorosa punição) e, ao mesmo tempo, é um dos países de melhor qualidade de vida (citado em 11o. lugar mundial). Não sei se uma coisa está relacionada à outra, mas entendo que o uso de drogas recreativas não conta para medir o índice de qualidade de vida. E grande parte dos crimes que ocorrem no mundo atual estão, de um modo ou de outro, relaciondos com o uso de drogas.

É, de fato, uma questão complicada; tudo o que eu queria dizer é que a liberdade não é necessariamente a medida de todas as coisas, mas está em jogo com outros valores.

Porém, o blog está em crise. Talvez seja o caso de mudar a frase lá embaixo por alguma outra, ou pensar mais a respeito do assunto. 

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A mídia e o poder

Leiam esta hilariante entrevista (em inglês) com o prefeito de Joanesburgo, África do Sul, sobre se a cidade está mesmo preparada para enfrentar a Copa do Mundo. Quem dera os jornalistas brasileiros agissem da mesma forma ao questionar o poder! Que nada. No Brasil, ser jornalista é pouco mais do que ser puxa-saco dos poderosos...

Por outro lado, assistam também este outro divertido vídeo, em que um jornalista de esquerda acusa um governador Republicano de ser "confrontational" (algo como agressivo, ou hostil) e leva a merecida resposta. (Obs.: No linguajar da mídia esquerdista americana, os Republicanos são "agressivos", já os Democratas são "passionais"; os Republicanos "atacam e agridem", mas os Democratas "debatem").

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia das mulheres

Já que é o dia das mulheres, denunciemos um pouco as injustiças cometidas contra elas. Começamos com notícias do Irã, onde as mulheres têm direitos menores do que os homens e dependem destes para ter permissão para trabalhar, estudar, ter passaporte, etc. E isso que no Irã nem é tão ruim quanto na Arábia Saudita ou Iêmen, onde as mulheres não podem trabalhar de forma alguma e muitas vezes são obrigadas a casar e ter relações sexuais aos 9 anos de idade.

E isso nem é o pior - na Nigéria, muçulmanos atacam mulheres cristãs e seus bebês e os decepam a golpes de facão.

Enquanto no mundo muçulmano a mulher tem uma posição claramente secundária, quando não terciária (os camelos provavelmente são mais valorizados), no Ocidente a mulher está em situação bastante mais confortável e ocupa cada vez mais espaço. Alguns dizem até que de forma exagerada. Será? Vejamos.

Todas as religiões - ao menos as mais conhecidas - sempre deram um papel de submissão à mulher. Isso ocorre no judaísmo, no islamismo, no hinduísmo e até no cristianismo (embora este tenha acabado com certos costumes como o apedrejamento de adúlteras, por exemplo). Mas mesmo as sociedades primitivas observam uma clara divisão de tarefas entre homens e mulheres. (Embora alguns afirmem que as religiões e sociedades originais eram matriarcais - e talvez houvesse um reflexo disso mesmo nas divindades femininas da Grécia Antiga).

O secularismo ocidental acabou com a maioria desses limites e hoje há mulheres em quase todas as áreas e profissões. Por outro lado, a idéia de que as mulheres sejam exatamente iguais aos homens e possam realizar todas as mesmas tarefas que estes tampouco é de todo verdadeira. Afinal, também existe uma coisa chamada biologia.

Ora, por mais que queiram as feministas radicais - ou feminazis -, homens e mulheres não são exatamente iguais. Um exemplo simples: os homens tendem a ter maior força física. Embora a tecnologia tenha equiparado um pouco os sexos, permitindo às mulheres a participação até mesmo em atividades militares ou de alto risco, ainda não é possível dizer que haja uma igualdade total. Pensem no caso de Brian Nichols, acusado de estupro, que conseguiu liberar-se ao ser conduzido para a corte, tirou a arma do policial que o levava ao tribunal, matou o juiz e fugiu. Ora, o policial encarregado de vigiá-lo era uma mulher - não só isso, uma mulher de 51 anos de idade e 1.60 m de altura, responsável por cuidar de um criminoso violento de 34 anos e quase 1.90 de altura... (Posteriormente o sujeito foi preso, e novamente conduzido à prisão por uma mulher franzina).

Outro exemplo: o sexo. Como todos sabem, homens e mulheres pensam de forma diversa a respeito do assunto. Além disso, as mulheres correm constantemente o risco de ser estupradas; homens não costumam ter esse problema (nas raras vezes em que isso ocorre, estão na prisão e seu estuprador é um negrão de dois metros de altura). Então isso limita um pouco a liberdade das mulheres de andarem sozinhas pelas ruas -- a não ser que utilizem este sofisticado aparelho anti-estupro (vídeo gráfico).

Uma coisa que está ocorrendo mais recentemente é à igualdade forçada. Por exemplo, uma recente lei na França obrigava as empresas a contratarem 50% de executivos-mulheres, e houve outra lei em algum país do norte - Holanda? Suécia? - que dizia que as mulheres deveriam ocupar obrigatoriamente 50% do parlamento. Nesses casos, sou contrário. Se há mulheres interessadas em administração e política, nada contra. Porém, convenhamos, não é preciso forçar. A verdade é que, em geral, as mulheres se interessam menos por política do que os homens. Afinal, quantas mulheres há que comentam aqui? Ou nos blogs de política em geral?

(Se bem que, de acordo com recentes estatísticas, as mulheres formam a maioria dos usuários de grande parte dos principais sites da Internet - Facebook, Youtube, Myspace, etc. Os homens ainda ganham nos sites relacionados com tecnologia - e pornografia, é claro).

Bem, no mais, eu não sou a favor da igualdade entre os sexos, simplesmente porque acredito que as mulheres são superiores em quase tudo aos homens.

Feminazis torturam um pobre comunista.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Libertarados versus conservotários

Sou libertário ou conservador? - perguntei-me tempos atrás. Sem chegar a uma conclusão, decidi assumir que sou uma mistura indigesta dos dois. Em alguns aspectos sinto-me mais seduzido pelo argumento libertário, em outros vejo mais coerência no argumento conservador.

O fato é que mesmo a tal "direita" não é unitária e, embora não tenha todas as correntes de um partido como o PT, tem ao menos dois campos bem distintos - como se pode ver por este post do Not Tupy.

Mas as posições de ambos os lados são, por vezes, caricaturizadas.

Os libertários têm fama de utópicos ou libertinos - libertarados, chamemo-los: todo mundo tem o direito que fazer o que bem entender, desde que isso não prejudique diretamente aos outros. Casamento gay? Tudo bem. Aborto? On demand. Drogas? Basta que o Estado não se meta no negócio.

Do outro lado estão os conservadores, com fama de quadradões, puritanos, recaldados - em suma, conservotários. Nada de casamento gay, aborto e muito menos drogas, que são coisa do demo.

Ambos grupos só parecem concordar na economia e na redução do poder e tamanho do Estado, mas nos temas sociais a diferença é radical. Qual a solução?


O comunismo/marxismo, não obstante o que diga o nosso colaborador Tiago, morreu de morte morrida. Depois do desastre soviético, qualquer tentativa de acabar com a propriedade privada e coletivizar os meios de produção será sempre vista com um revirar de olhos ou o sorriso benevolente de quem se dirige a um retardado mental. Essa parada econômica (e só essa) o capitalismo venceu.

Mas no cultural perdeu, playboy, perdeu. A ideologia de nosso tempo não é o socialismo, mas sim o progressismo. Embora este mantenha alguns aspectos socializantes como o aumento progressivo do poder estatal e a distribuição de riquezas (ainda que não tanto sob a forma do confisco como da taxação progressiva), trata-se de um outro bicho. Seu principal objetivo continua sendo a igualdade, mas agora não é tanto (ou apenas) a igualdade financeira, como a igualdade total entre todos e todas. Entre branco e preto, entre homem e mulher, entre hetero e gay, entre feio e bonito, entre cidadão e imigrante ilegal, entre muçulmano e cristão, entre terrorista e democrata, entre criminoso e vítima. Todos são e devem ser iguais, mas atenção!, não perante a lei (de fato, a lei é distorcida justamente para criar a tal "igualdade"). Estamos falando de uma utópica igualdade de resultados.

Os libertários são economicamente conservadores, mas, no que se refere às questões sociais, são muitas vezes indistinguíveis dos progressistas. Também eles querem liberação de drogas, casamento gay, etc. Tudo em nome, não da igualdade de grupos, mas da liberdade individual. Afinal, não se deve impedir o indivíduo de fazer nada.

Já os conservadores são contrários a essas teorias de vale-tudo, mas não porque sejam malvados ou "racistas". É que, para os conservadores, existe um tipo de sociedade que funciona, e muitos que não. Nem todos os grupos são iguais. O homem é um ser imperfeito, e portanto não adequado à liberdade total. Além disso, segundo o argumento conservador, as pessoas na verdade não querem liberdade. A liberdade total é uma tortura. O que as pessoas querem é seguir regras claras. Para muitos, e é o caso da maioria dos conservadores, ainda que não todos, essas regras morais que sustentam a sociedade vêm, não do Estado, mas da religião.

Em última análise, os libertários são otimistas; os conservadores são pessimistas.

Como sou agnóstico e indeciso, ainda não tomei uma decisão concreta sobre por qual time torcer. Ultimamente, em virtude do meu próprio pessimismo natural mais do que qualquer outra coisa, tendo a concordar mais com o pessimismo conservador do que com a utopia libertária. Por outro lado, gosto das idéias deste cara aqui.

O que fazer?


terça-feira, 29 de setembro de 2009

Quanto menos regras melhor?

Encontrado na Dicta. Um interessante experimento mostrou que, quanto menos regras e sinais de trânsito, melhor e mais seguro era o trânsito em uma cidade. Aparentemente, as regras e sinais em demasia criam uma falsa sensação de segurança. Já quando não têm sinais para indicar o que devem fazer, os motoristas tendem a redobrar a atenção e os cuidados.

(É verdade que o experimento teve lugar na Holanda, e há dúvidas se funcionaria da mesma forma no Brasil, mas deixemos isso de lado. Também deixemos de lado o fato de que a maior função dos sinais e regras de trânsito não é a segurança, mas a possibilidade de impor multas e, portanto, aumentar as verbas do Estado.)

O experimento ilustrou o conceito de "ordem espontânea", segundo a qual as pessoas por si mesmas estabelecem, através de sua própria interação, uma ordem que funciona melhor do que qualquer comando central.

Será que isso ocorre com todo fenômeno social?

Em alguns casos, pareceria que sim. A economia é o caso clássico. O livre-mercado certamente funciona muito melhor do que qualquer tentativa de impor um controle central, até porque a economia é um fenômeno tão complexo que jamais poderia ser controlado totalmente, por mais que os socialistas tentem.

Vivemos em um mundo que têm tantas leis que, na verdade, não há pessoa que não tenha - ainda que sem saber - quebrado alguma lei em algum momento de sua vida. Só no Quebec, por exemplo, a cada ano são criadas 11.000 páginas de novas leis. Nos Estados Unidos, há tantas leis que nem mesmo os jurados as entendem.

Não surpreende portanto que, em países ainda mais bananeiros como o Brasil, já haja leis controlando que a banana seja vendida por quilo, ou que na ultraburocrática União Européia agora queiram regular até o volume máximo dos aparelhos mp3.

Tais fatos são lamentáveis, pois a partir daí alguns cínicos poderiam concluir que a maioria das leis atende a outros interesses que não os da sociedade como um todo, e que os políticos e os advogados não estão tão interessados no bem-estar do povo como no de seus próprios bolsos.


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Independência ou...

No dia em que comemora-se a independência brasileira, é interessante reler um trecho de Herbert Spencer, Man versus the State, escrito em 1884, que parece refletir a realidade brasileira mundial atual (já que o mundo todo parece encaminhar-se hoje para o mesmo destino). Há hoje um 1,1 milhão de funcionários públicos federais ativos no Governo Lula, um aumento de 20% respeito à administração anterior.

In every circle conversations show that now, when the passing of competitive examinations renders them eligible for the public service, youths are being educated in such ways that they may pass them and get employment under Government. One consequence is that men who might otherwise reprobate some further growth of officialism, are led to look on it with tolerance, if not favourably, as offering possible careers for those dependent on them and those related to them. Any one who remembers the numbers of upper-class and midd1e-class families anxious to place their children, will see that no small encouragement to the spread of legislative control is now coming from those who, but for the personal interests thus arising, would be hostile to it.

This pressing desire for careers is enforced by the preference for careers which are thought respectable. "Even if his salary is small, his occupation will be that of a gentleman," thinks the father, who wants to get a Government-clerkship for his son. And this relative dignity of State-servants as compared with those occupied in business, increases as the administrative organization becomes a larger and more powerful element in society, and tends more and more to fix the standard of honour. (...)

These various influences working from above downwards meet with an increasing response of expectations and solicitations proceeding from below upwards. The hard-worked and over-burdened who form the great majority, and still more the incapables perpetually helped who are ever led to look for more help, are ready supporters of schemes which promise them this or the other benefit by State agency, and ready believers of those who tell them that such benefits can be given, and ought to be given. They listen with eager faith to all builders of political air-castles, from Oxford graduates down to Irish irreconcilables; and every additional tax-supported appliance for their welfare raises hopes of further ones. Indeed the more numerous public instrumentalities become, the more is there generated in citizens the notion that everything is to be done for them, and nothing by them. Each generation is made less familiar with the attainment of desired ends by individual actions or private combinations, and more familiar with the attainment of them by governmental agencies; until, eventually, governmental agencies come to be thought of as the only available agencies.

sábado, 5 de setembro de 2009

A nova guerra civil Americana

Não há maior indicador dos nefastos interesses internacionais por trás de Obama do que sua curiosa sanha em defender Zelaya, mesmo quando ninguém mais se importa com o ridículo chapelão. Ué! Será que o Celso Amorim virou o novo U.S. Secretary of State e ninguém me avisou? O que tem o governo Obama a ganhar defendendo o (ex-) tiranete de uma minúscula república bananeira? Tal obsessão só pode ser explicada por quatro motivos:

1) Obama é comunista e chavista desde criancinha.

2) Obama tem tendências tirânicas e sonha em imitar Zelaya, Chávez e cia.

3) Há interesses internacionais por trás do governo Obama que têm o objetivo de acumular poder a nível global, impondo um socialismo moreno globalizado.

4) Todas as alternativas.

Porém, apesar das suas simpatias externas por comunistas e muçulmanos radicais, o principal objetivo de Obama é consolidar o poder interno, através de uma série de mudanças legislativas, a mais radical delas a da saúde pública, que há anos os Democratas vêm tentando impor ao país.

Como os EUA ainda não são uma republiqueta de bananas, o projeto está enfrentando considerável resistência popular. E aí salta a violência dos esquerdistas, que acreditam que qualquer um que seja contra seus projetos totalitários é um criminoso ou um maluco fundamentalista. Recentemente, um manifestante contrário à saúde pública perdeu um dedo com a mordida de um manifestante pró-saúde pública.

O fato é que há dois campos opostos nos EUA, de dois grupos que não têm como se entender. De um lado os coletivistas, que acreditam que deve haver igualdade e essa igualdade deve ser imposta pelo Estado, mesmo que seja com mão bruta. Acreditam que os ricos e a classe média devem sustentar eternamente os "excluídos", mesmo que sejam excluídos ilegais que nem mesmo estavam no país há poucos anos.

O outro campo é o que acredita no trabalho, na educação, no esforço individual, pessoas normais que não querem sustentar com seu dinheiro a outra metade da população que não trabalha e que não querem que sejam gastos trilhões em um plano de saúde que os prejudicará em prol de não-contribuintes.

Quem vencerá essa batalha?

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Off the grid - Fugindo do sistema

O título deste post parece de um filme de ficção científica (com tradução à moda brasileira), e talvez seja mesmo.

Vivemos em um mundo em que a liberdade - econômica, social, política - é cada vez menor. Governos socialistas ou liberais progressistas (dá na mesma) aumentam cada vez mais seu poder e avançam sobre quase todas as áreas do planeta, impondo cada vez mais regulamentos, impostos, taxas, obrigações, burocracias, controles, e obrigando o cidadão de bem a sustentar toda uma corja de políticos bem como massas de votantes "excluídos" que não pagam imposto.

Para onde fugir?

Europa? Tá tudo dominado. EUA? Obama é apenas a última pá sobre o caixão da suposta "land of the free". Latinoamérica? Não brinquemos com coisas sérias.

Não, há hoje apenas três fronteiras possíveis. Uma, a autonomia total em algum canto rural esquecido. Novas comunidades poderiam se isolar o máximo possível do governo. Como quakers ultratecnológicos, essa nova geração de pioneiros produziria sua própria eletricidade com minireatores nucleares, não dependendo da rede de eletricidade pública. Poderia naturalmente produzir seus próprios vegetais, e até mesmo seus próprios produtos industriais através do revolucionário conceito nanotecnológico de desktop manufacturing.

A segunda alternativa é o espaço sideral. A tecnologia ainda é demasiado cara e não é ainda possível chegar tão longe. Mas a iniciativa privada está avançando onde a NASA já não quer se arriscar. A colonização da Lua é uma possibilidade concreta para o futuro.

A terceira opção de fuga é o chamado seasteading. Isto é, a criação de comunidades autônomas no meio do oceano, que não obedeceriam a qualquer jurisdição senão a própria e seriam independentes de qualquer governo. Pati Friedman (não por acaso neto de Milton Friedman) é o fundador e diretor executivo do Seasteading Institute, e o primeiro financiador é Peter Thiel, a mente por trás de fenômenos da Internet como PayPal e Facebook, e um defensor da autonomia total.

Utopia? Delírio libertário? Talvez. Mas, em um momento em que o governo Obama tenta impor por bem ou por mal um sistema de saúde público altamente impopular que custará trilhões, e no Brasil qualquer juiz de quinta categoria tem direito de censurar o que bem entender, são idéias inspiradoras.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Por que o crime aumentou?

O que causou o aumento exponencial do crime no mundo ocidental nos últimos 40 ou 50 anos?

Afinal, é certo que vivemos em um mundo mais violento do que no passado recente.

Alguns dizem que a pobreza e a desigualdade social são as verdadeiras causas do crime e, portanto, as causas desse aumento. No entanto, havia muito mais pobreza e desigualdade social há cinqüenta anos, não apenas no Brasil como em muitos outros países, inclusive os EUA e países europeus. E havia menos crime. Pobreza ou desigualdade, por si só, não geram crime em lugar algum.

Outros afirmam que a razão seria o aumento do tráfico e consumo de drogas, que cresceu enormemente nesse período. Sem dúvida, o narcotráfico é responsável por grande parte dos homicídios que ocorrem na América Latina e no mundo. Mas o narcotráfico, em si, já é um crime. Dizer que o crime aumenta o crime é uma redundância. A razão está mais além.

Alguns acham que a causa do aumento do crime tenha a ver com o aumento de armas disponíveis, mas a verdade é que o crime também aumentou em países que tomaram medidas cada vez mais restritivas da posse de armas. Uns conjugam o aumento do crime com o racismo. Outros, mais sensatos, com a imigração. Alguns, com a mera falta de prisões. E outros ainda, com o mero crescimento demográfico centrado nas cidades.

Já outros acreditam que a causa real do aumento do crime seja simplesmente o liberalismo, isto é, o relaxamento dos costumes e da moralidade, bem como outras ideologias que foram incorporadas à cultura ocidental a partir dos anos sessenta. Segundo essa teoria, que me parece a mais interessante, o liberalismo - sexual, moral, comportamental - geraria o aumento do crime através de duas idéias principais:

1) Impunidade. Para os liberais, especialmente aqueles de esquerda, o criminoso é uma vítima do sistema. Ele age como age, não por iniciativa ou para obter lucro, mas porque foi forçado a isso pelas circunstâncias sociais. O criminoso é o proletário oprimido do século XXI. Além disso, segundo esses iluminados da compaixão, a prisão não deve ter o intuito de punir, mas de "reeducar". Sendo assim, penas cada vez mais leves e leniência cada vez maior com os crimes mais bárbaros é a nova lei, ou melhor, falta de lei.

(Que a impunidade gere crime parece-me um fato inegável, basta pensarmos na política brasileira. Mas também é certo que a impunidade não é apenas a nível judicial, como também familiar: segundo muitos, hoje as crianças cresceriam sem qualquer imposição de limites, tornando-se pequenos criminosos. Temos exemplos inumeráveis disso: o mais recente é o caso de adolescentes que derramaram alvejante no rosto de uma mulher que reclamou que eles teriam feito barulho ao assistir o último filme de Harry Potter, causando-lhe danos irreversíveis à vista.)

2) Relativismo moral. Tudo é permitido, tudo é igual a tudo, não devemos julgar os outros que têm culturas ou gostos diferentes a nós. Por isso mesmo, o criminoso é apenas alguém que tem uma cultura diferente, e o consumo de drogas que financia o tráfico também virou apenas mais um "comportamento alternativo" que não pode ser criticado por ninguém.

Insisto no exemplo, já que o tráfico é uma dos principais meios de crime nas nossas redondezas. Vários governos, do México ao Brasil, querem atualmente descriminalizar o uso de certas drogas, aplicando uma medida liberal e compassiva que vê o usuário como uma vítima ou então como um inocente que comete um victimless crime. Mas a quem beneficiaria essa lei, que só observa um lado da moeda? Mais demanda, mais oferta. Mais consumidores, mais venda do produto. Mais drogados, mais traficantes. Mais traficantes, mais crime. Parece-me óbvio: os que querem liberar o uso de drogas sem liberar sua venda estão simplesmente do lado dos criminosos e traficantes, e provavelmente até ganhem uma comissão.

Mas não é só a questão das drogas. O sexo, também. Afinal, a liberação sexual causou mais ou menos crimes?

Aí há duas teorias conflitantes. Uma diz que a repressão sexual é que causa frustração, ódio, violência e, finalmente, crime. Liberando-se geral, haveria menos motivo para a violência e o crime sexual. Mas será que é isso mesmo? Alguns, citando recentes estudos, afirmam que o aumento da pornografia teria reduzido o número de estupros nos EUA, mas tais conclusões são precipitadas. Correlação não significa causação.

Outros afirmam que a maior liberação sexual (e rotação de parceiros) também gerou, paradoxalmente, maior ciúmes e, portanto, possível maior número de crimes passionais (aguardam-se estudos a respeito).

Contra a teoria do liberalismo como causador do aumento do crime, existe a Suécia, país que, ao menos a julgar pelos boatos, sempre foi liberado sexualmente, e no entanto tem uma baixa taxa de criminalidade. Aliás, seus maiores criminosos são os imigrantes muçulmanos, que são em teoria os mais preocupados com a moral sexual, ao menos de suas mulheres.

Por outro lado, recentemente, no vilarejo sueco de Örebro, um senhor foi derrubado de sua bicicleta e abusado sexualmente por uma gangue de jovens garotas suecas. Pobre homem! É realmente terrível observar a que ponto chegamos... Aliás, como se faz para chegar a Örebro?

Garotas suecas são demoníacas.

sábado, 1 de agosto de 2009

"1984" versus "Brave New World"

George Orwell ou Aldous Huxley, quem acertou mais? (clique na figura para ampliar.) Ou, para uma comparação mais elaborada entre as duas obras e seus acertos e erros, leia o artigo do Theo a respeito.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Quão livre é uma nação?

Como medir o nível de liberdade de uma nação? Afinal, o fato de ter ou não eleições nem sempre é o melhor guia. Há eleições no Irã, há eleições em Cuba, há referendos na Venezuela, e no entanto não são os países mais livres do mundo, de modo algum.

Theodore Dalrymple uma vez observou que sentia-se mais livre nas ditaduras latinoamericanas dos anos 70 do que na Inglaterra de hoje. Certo, ele não podia gritar "Abajo el dictador!" nas ruas, mas fora isso, poderia seguir a vida sem ser importunado. Acredito que no Brasil, durante a "ditabranda", ocorria um fenômeno similar. Bastava o sujeito não se meter (muito) com política, e podia ter uma vida tranqüila, sem que o regime fizesse grande diferença na sua vida. Hoje a esquerda fala do período ditatorial de 1964-85 no Brasil como se tivesse sido o inferno na Terra, e talvez tenha sido - mas apenas para eles. Para o resto das pessoas, não foi muito pior nem melhor do que outros tempos. Afinal, nem foi a primeira nem a mais violenta das ditaduras brasileiras, certamente foi a menos violenta das ditaduras latinoamericanas do período, e, em termos de insegurança ou de corrupção, os dias de hoje são bastante mais negros.

Mas voltemos à pergunta inicial: como medir a real liberdade de uma nação? Acho que pelos entraves que coloca ao indivíduo. No Irã, por exemplo, não pode-se dançar na rua, não pode-se beber álcool, o governo controla o modo em que você se veste, com quem sai, com quem fala, o que escreve nos blogs, etc. Na Alemanha Oriental, bem, quem assistiu "A Vida dos Outros" pode ter uma idéia do nível de vigilância que ocorria ali sobre o indivíduo.

Mas mesmo em países desenvolvidos ocidentais atuais como Inglaterra, França e EUA, o Estado controla cada vez mais o que o indivíduo faz ou diz - claro, em nome de coisas supostamente boas como a "ecologia", o "direito das minorias", a "diversidade", o "racismo", etc. Mas que há controle, há. Nos EUA, além da intervenção absurda que está fazendo na economia, Obama tem planos até de impor legislação contra o "hate speech", o que iria contra a total liberdade de expressão até agora existente na América graças ao "first amendment".

Mas talvez haja um outro modo de medir a liberdade de uma nação: pela possibilidade ou não de realizar piadas em público sobre aqueles que governam. Não é possível fazer piada com os presidentes do Irã ou do Egito (em ambos países há blogueiros presos por textos satirizando ou ridicularizando seus mandantes).

Nos EUA, felizmente, ainda é possível fazer piada com Obama. Seguem algumas para descontrair.

* * *

Entra Obama em um bar com um papagaio no ombro. O barman pergunta, "onde você descolou isso?" "Quênia," responde o papagaio.

Qual a diferença entre Obama e Deus? Deus só exige ser reverenciado um dia por semana.

Qual a semelhança entre Obama e Deus? Nenhum dos dois tem um certificado de nascimento.

Por que Obama se candidatou pelo Partido Democrata? Porque o Partido Comunista já tinha candidato.

As melhores coisas da vida são de graça, mas o governo Obama está estudando um jeito de cobrar imposto.

sábado, 25 de abril de 2009

Libertário ou conservador?

...Ou, quem sabe, objetivista?

Confesso algo que vai chocar alguns leitores: nunca li um livro completo da Ayn Rand. Tenho em mãos o "Atlas Shrugged" e pretendo tentar novamente a empreitada, ainda que o tamanho do volume seja algo intimidador (Estava entre ler a Ayn ou o "Ulysses" de Joyce. O "Ulysses" é menor).

Por outro lado, assisti no outro dia uma palestra de um certo Dr. Bernstein, filósofo objetivista. Foi muito interessante, mas não me convenci. Parece-me que os randianos, a partir de um suposto racionalismo, no fundo transformam o capitalismo em uma espécie de religião. Talvez seja uma solução: já que não é possível eliminar completamente a religião e a espiritualidade da vida humana, uma alternativa seria transformar o capitalismo em religião ou, vá lá, filosofia de vida.

Mas voltando à pergunta inicial: este blog é libertário ou conservador? Ou objetivista? Ou nenhuma das alternativas?

Tendo rejeitado os sonhos progressistas de mudança social através do Estado, o blog iniciou sob os auspícios de Milton Friedman e Isaiah Berlin, ou seja, na mais perfeita promoção do mais perfeito libertarianismo. Porém, ultimamente, tenho lido mais blogs ligados ao tradicionalismo conservador, um pouco por interesse antropológico, um pouco por desconfiar da utopia libertária quase tanto quanto da esquerdista. (Não gosto de utopias, sejam de esquerda ou de direita).

Acho que meu problema é que não creio totalmente no primado da razão e nos ideais do iluminismo; quer dizer, não tenho certeza que o homem seja um "animal racional" e, portanto, desconfio de todos aqueles que apelam ao racionalismo de forma tão exaltada, ou enxergam um "sistema" a partir do qual todos serão mais felizes. Embora não seja religioso praticante (escrevi um post falando sobre religião e fui chamado de carola e papa-hóstias - na verdade, a hóstia sempre foi a minha parte preferida da missa) - acho que acredito no ponto de vista da tradição judaico-cristã, de uma humanidade eternamente imperfeita.

Ou, na frase de Immanuel Kant, "com a madeira torta da humanidade não se pode construir nada de perfeitamente reto."

Talvez eu seja apenas... um pessimista?

Liberta que serás também.

sábado, 18 de abril de 2009

Existe historiador não-marxista?

Uma pedido aos caros leitores, que talvez possam me ajudar. Sempre que procuro informações algo mais detalhadas sobre algum evento da História do Brasil, na maior parte das vezes, por mais que pesquise, encontro apenas versões de historiadores que falam para cá e para lá em "classes dominadas oprimidas", reclamam que as guerras e revoluções de tal ou tal época "não tinham conteúdo social" ou informam que eram causadas pela "mão poderosa do imperialismo", interpretam tudo pela "luta de classes" e acreditam piamente - sim, ainda! - nas benesses do socialismo vindouro. Quase todos marxistas, quando não meramente lulistas e petistas.

Existe algum historiador brasileiro que não se enquadre nessa categoria?

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O melancólico futuro de um blogueiro


- Netinhos, o vovô teve um blog muito famoso tempos atrás, sabiam?
- Blogue? O que é isso, vô?
- Ah, era uma página na Internet que você podia publicar suas opiniões pessoais e os leitores comentavam.
- O que é Internet, vô?
- Ah, era uma coisa tipo uma rede de computadores que tinha que...
- O que são opiniões pessoais, vô?
- Bom, antigamente existia uma coisa chamada liberdade de expressão, que...
- Liberquê?
- ...
- Vô?
- Deixa pra lá. Alguém me alcança minhas pílulas pro reumatismo Alzheimer?

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O fim da liberdade

É um grande mito o de que os homens queiram ser livres. A maioria prefere ser escravo; ter um mestre que o cuide e o alimente, ainda que às vezes seja cruel e o obrigue a trabalhar. Tanto melhor se esse mestre for um grupo de homens e mulheres que sabem o que é bom para nós melhor do que nós mesmos; cuidam de nossa saúde, de nossa educação e nos prometem "mudança" e "esperança" quando nos sentimos tristes ou sós.

Em todo o mundo, o controle governamental sobre o indivíduo cresce. Mesmo nos EUA, supostamente "land of the free", o controle do governo sobre a sociedade aumentou cada vez mais nas últimas décadas, e tende a aumentar ainda mais agora que metade do eleitorado escolheu um candidato que prometeu novas fatias do bolo em tempos de crise.

Observa o pessoal do Samizdata que é natural que todo governo cresça e tenha cada vez mais dinheiro e poder: como o escorpião da fábula, "é da sua natureza". As pessoas votam no candidato que promete que vai fazer mais coisas, não naquele que promete que vai se meter menos na economia ou na sociedade. E assim cada vez mais controle sobre nossas próprias vidas é deixado nas mãos do governo.

Estamos ficando gordos? O governo que regule quantas calorias cada hambúrguer pode ter, e tasque imposto nos que ultrapassam. Sexo e moralidade, como usar camisinha? O governo é que precisa ensinar isso nas escolas. Corrupção? Não se preocupe, o governo acaba com isso, nomeamos uma comissão de 200 deputados pagos a ouro para investigar.

Mas o que é o governo? São pessoas, como nós. Pessoas a quem nós entregamos de mão beijada o controle de nosso dinheiro e de nossas vidas.

Liberdade cansa. Cadê minhas algemas?

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Ayaan Hirsi Ali e o anti-americanismo

Ayaan Hirshi Ali, retrucando ao anti-americanismo barato de um entrevistador imbecil:

"Você consegue cuspir na liberdade porque cresceu em meio à liberdade e não sabe o que realmente significa viver sem liberdade. Eu sei."