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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Para onde vai o homem branco?

Este vai ser provavelmente o último post que faço sobre raça (o tema parece conduzir ao bitolamento). Segundo recentes estudos, apenas 27% das criancinhas californianas são brancas. A grande maioria são de origem latina, isto é, mestiços hispano-ameríndios mexicanos (51%). Criancinhas negras são apenas 6% (os mexicanos afastam os negros?), o que é compensado pelo aumento de asiáticos, indianos, etc. Em todos os EUA, o número de crianças brancas está diminuindo proporcionalmente em relação à população total. Crianças são o futuro, certo?

Na Europa, os muçulmanos e outros imigrantes "escurinhos" ainda são minoria (não chegam a 10%), mas têm uma fertilidade maior do que os brancos nativos, continuam imigrando a mil, e é provável que repitam o que já ocorreu nos EUA. Alguns dizem que "não devemos nos alarmar", mas, ora, alguém nos anos 50 imaginaria que os EUA teriam maioria não-branca em poucas décadas? Na Inglaterra, uma em cada seis crianças em idade escolar já não tem o inglês como primeira língua. Eu já disse que as crianças são o futuro?

Situação difícil

quinta-feira, 5 de abril de 2012

O fim do Império Americano?

Um bom texto (em inglês) fala sobre o fim do Império Americano, vítima de uma futura balcanização. O autor, que assina apenas como Vox Day, aposta numa nova divisão dos EUA em linhas étnicas e raciais.

Bem, na verdade, as cidades americanas já são para lá de segregadas, ainda que voluntariamente. Cada comunidade mora em seu próprio bairro, chineses com chineses, japoneses com japoneses, iranianos com iranianos. Há algumas comunidades multiétnicas, mas são raras. Em geral o povo não se mistura muito.

E existem códigos de conduta que, embora não estejam escritos, são bem claros. Por exemplo, se algum branco entra por engano em algum bairro negro, pode terminar depenado até das roupas. Por outro lado, criminosos negros não costumam entrar nos bairros brancos mais ricos, pois certamente terão problema com a polícia (se cometerem crime em seu próprio bairro, a polícia fecha o olho).

É um caldeirão. Qualquer dia, os conflitos explodem a céu aberto, como já ocorreu nos anos 60, ou então nos anos 90 em Los Angeles.

Seria mesmo lícito falar em um fim do Império Americano? O paralelo com a decadência de Roma é tentador, mas não sei se exato. Até por que, sob alguns aspectos, o colosso americano parece estar longe de ruir. Ainda é militarmente o país mais poderoso da Terra e é pouco provável que outro país, mesmo a China, o supere. Enfrenta uma crise econômica, é certo, mas tem algum lugar do mundo que não a enfrente? A vida parece estar difícil em todos os lugares. E a sua indústria cultural continua a todo vapor com uma influência maior do que todos os outros países somados. A América ainda é uma marca que vende.

Porém, quanto mais alto se está, maior a queda. É bem possível que os EUA estejam hoje em dia em seu ponto inicial de decadência. Pode ser que seja uma decadência longa, de várias décadas; ou então é possível que tudo ocorra bruscamente, como no fim da URSS. Pode até ser que tudo se resolva com uma sangrenta guerra civil. Quem sabe?

Mas o mais provável mesmo é que a vida vá progressivamente ficando pior, sem que a maioria das pessoas entenda bem o porquê. Haverá mais crime, mais pobreza, mais insegurança, mais desgraça e menos dinheiro. Os esquerdistas colocarão a culpa "na direita", naturalmente, e insistirão com ainda maior número de políticas esquerdistas que só acelerarão a ruína.

Uma coisa que o tal Vox Day fala que achei interessante é o seguinte (traduzo mal e porcamente):

Além da equivocada fé no poder transformativo da educação e da geografia, outra idéia errada por parte da aristocracia Americana é que o povo valoriza a civilização. Não é verdade. Eles podem valorizar seus frutos, mas poucas pessoas têm qualquer interesse em aceitar todas as limitações de comportamento que a construção e a manutenção de uma civilização requerem, e menos pessoas ainda têm a perspectiva ou a capacidade de entender a conexão entre os dois fatores. A civilização é uma construção frágil, e leva séculos, não anos ou décadas, para transformar um povo bárbaro em um povo civilizado. Considere que foram precisos 1.270 anos para que os Bretões se transformassem de um povo que pintava os traseiros de azul e praticava o sacrifício humano ao povo que criou a Abadia de Westminster e a Magna Carta, apesar da influência civilizadora de Roma. Levou ainda mais tempo para que as bárbaras tribos germânicas passassem da selvageria pura para a cultura cristã que gerou Mozart, Bach e Beethoven. 

O problema é o de sempre: construir leva tempo, mas destruir é muito fácil...

Ron Paul

Tive a oportunidade de assistir ao vivo a um discurso do Ron Paul. Interessante acima de tudo, sua popularidade entre os jovens: mais parecia um rock star. Que estudantes e jovens trabalhadores, normalmente apáticos em termos de política, ou então fanaticamente progressistas, tenham interesse por um candidato que prega governo mínimo e libertarianismo não deixa de ser refrescante. Eram mais de sete mil pessoas no estádio e algumas até ficaram de fora.

Os tópicos principais do discurso foram a mudança da política externa com o fim da participação militar dos EUA no Oriente Médio e em outros países (além da retirada de Iraque e Afeganistão, Paul quer a retirada das bases americanas na Europa, no Japão e na Coréia do Sul). Outro tópico importante foi a redução dos gastos do governo, que hoje transformaram o país na nação mais endividada do mundo. Mas o tópico mais aplaudido da noite foi o da liberdade individual contra um governo cada vez mais tirânico, incluindo-se aí a liberação das drogas, com base no princípio libertário de que não é crime contra terceiros. 

Ron Paul, previsivelmente, não falou sobre imigração. Tendo por base seu credo libertário, parece ser um franco apoiador da teoria das "fronteiras abertas", ainda que naturalmente defenda o fim do welfare. (A audiência, por sinal, era bastante diversa, de maioria caucasiana mas com vários asiáticos, latinos e até alguns africano-americanos). Não entendo porque Paul seja popular entre alguns "nacionalistas brancos", talvez apenas por sua postura aparentemente contrária ao que eles chamam de "lobby sionista". Porém, o fato é que suas posições sobre imigração e até mesmo crime são bastante liberais. Por exemplo, em um dos debates, ele afirmou que as "minorias são injustamente perseguidas por leis anti-drogas". Bem, não exatamente, o fato é que as minorias estão mais envolvidas no tráfico de drogas, e portanto são presas com mais freqüência. Aliás, esse é na verdade um benefício indireto da criminalização das drogas: quem está envolvido com tráfico quase sempre está envolvido com outros crimes. Criminalizar as drogas é diminuir também a incidência de outros crimes, colocando muito mais bandidos na prisão.  

Bem, mas estudantes, seja na USP ou nas universidades americanas, parecem gostar de fumar maconha, então sua liberação é claramente vista como algo positivo. 

É muito pouco provável que Ron Paul seja o candidato escolhido nas primárias republicanas, e como ele já tem 76 anos esta é provavelmente sua última eleição. Mas seu sucesso entre os jovens dá esperança de uma possível renovação no eleitorado conservador. Sim, um eleitorado mais libertário e menos conservador social, mais interessado na "liberdade individual" do que nos aspectos religiosos e sociais do conservadorismo tradicional, mas ainda assim fã do princípio de que "quanto menos governo melhor". 

Quando Paul falou em "escola austríaca de economia", rolaram aplausos e vivas entre a multidão. Algo impensável no Brasil, onde até a direita quer mais governo, e onde a única menção de "escola" que poderia ser recebida com aplausos seria talvez a referência a alguma escola de samba... 


quarta-feira, 28 de março de 2012

A verdadeira tragédia da América negra

(Eu tinha tirado este post do ar por não estar muito satisfeito com ele -- demasiado prolixo, demasiado enrolado e sem dizer a que veio. Queria modificá-lo, mas realmente não tenho tempo. Porém, a pedidos, recoloco-o no ar assim como está.)

A histeria está tomando conta dos EUA devido ao caso de um jovem negro desarmado que foi morto por um vigia residencial latino. A princípio veiculado como um caso de racismo e violência gratuita, de um jovem negro morto walking while black, novas informações parecem mostrar uma situação mais complexa.

domingo, 4 de março de 2012

São os asiáticos os novos judeus?

Um post polêmico, ainda que de outra ordem. Faz algumas semanas, a blogosfera (bem, a limitadíssima blogosfera bizarra que leio) explodiu com comentários sobre a diminuição do número de estudantes judeus na escola mais prestigiosa de New York. A surpresa nem é essa, mas sim outra: que a grande maioria dos estudantes nessa escola agora são asiáticos.

O mesmo se dá em grandes universidades, especialmente aquelas na costa leste do país. Berkeley, Stanford e outras têm absoluta maioria de asiáticos -- de 60% a 70%, e até 80% em algumas carreiras de ciências exatas. Os judeus ainda se dão bem, sem dúvida, mas seus números estão se reduzindo. Em parte pelo desinteresse de uma geração já distante da pobreza de seus antepassados, em parte pelo casamento fora do judaísmo (muitos judeus, aliás, estão casando com asiáticas!), em parte por outros motivos, como mudança para o subúrbio ou crescimento dos judeus ortodoxos e diminuição dos seculares.

Bem, mas este post não é sobre os judeus, mas sobre os asiáticos! Estariam eles se tornando a nova elite americana? Certamente o seu número cresceu muito, e sua influência começa a se fazer sentir. São inteligentes e estudam, suplantando os branquelos e branquelas que parecem mais interessados em demandar anticoncepcionais gratuitos na faculdade do que em estudar!

Alguns criticam os asiáticos, eu tenho simpatia por eles, embora para ser sincero me causa espanto o seu número crescente. Eles são meio esquisitos! Os chineses inventaram a pólvora e o macarrão, mas também comem comidas estranhas e gostam de fazer animais sofrer. Os japoneses inventaram o walkman, fazem ótimos carros e desenhos animados e vem fazendo importantes avanços na área da robótica, mas tem uns fetiches sexuais meio estranhos! (*)

Por outro lado, os asiáticos são muito inteligentes e parecem determinados a conquistar os EUA e tornar-se sua nova elite. Quem é que poderá impedi-los?



(*) Não levem este post a sério demais. Isto é uma piadinha/provocação. Gosto dos japas, com exceção do Sakamoto!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Uma questão de classe

Charles Murray está de livro novo. Para quem não sabe, Murray escreveu, junto com Richard Herrnstein, o livro "A Curva do Sino", um dos mais badalados (perdão pelo trocadilho) livros de ciências sociais dos últimos vinte anos, e um dos mais criticados também. Herrnstein faleceu pouco depois da publicação, mas Murray continuou publicando e apresentando-se em congressos.

"A Curva do Sino" foi acusado na época de ser um livro "racista", mas o que ele sugeria é algo até mais grave e problemático: basicamente, que QI e classe social estão intimamente relacionados. Existiria uma relação entre a riqueza ou pobreza de uma pessoa e sua inteligência. Atenção: isso não quer dizer que os pobres sejam burros e os ricos sejam inteligentes: muitos filósofos e escritores inteligentíssimos viveram na pobreza, ou ao menos bem longe da riqueza, e existem muitos ricos imbecis que herdaram a fortuna de pais mais espertos e trabalhadores, assim como existem pobres inteligentes cujos filhos subiram na vida. Mas, estatisticamente, haveria uma correlação geral entre QI e classe social, formando uma pirâmide com QIs mais baixos na ampla base e QIs mais altos no diminuto topo. 

Talvez para evitar polêmicas, neste novo livro Murray dedica-se exclusivamente aos brancos americanos, mas continua interessado na temática da inteligência, da educação e da cultura. O livro chama-se "Coming Apart: The State of White America" (Algo como: "Em Separação: o estado da América Branca". Obs: Não li o livro ainda, portanto baseio-me apenas em críticas que li, é bem possível que esteja passando algumas idéias que não são exatamente do Murray). 

O que ele diz é que está havendo uma divisão cada vez maior entre os próprios brancos nos EUA, entre uma superclasse de ricaços inteligentes que vive em uma bolha culturalmente isolada e uma classe média/trabalhadora cada vez mais burra e mais entregue ao ostracismo. 

Tal divisão não seria apenas financeira, como querem os marxistas, mas principalmente intelectual, cultural e moral. E está se tornando um problema, pois a tendência é que os dois grupos se separem cada vez mais. 

Os neoricaços vivem em casas milionárias em bairros exclusivos. Vão à Ópera e a exposições de arte moderna e bebem vinhos seletos no jantar. Comem comida orgânica e são atléticos. Casam no papel. Seus filhos estudam em Harvard e em outras universidades da Ivy League, o que por si só já garante a entrada em um clube exclusivo. Formam, assim, uma elite hereditária, uma espécie de nova aristocracia, ainda que, em termos, meritocrática.  

Já os brancos proletários vivem em zonas cheias de imigrantes cada vez mais ameaçadas pelo crime e pelo desemprego. Assistem às corridas do NASCAR e ao Superbowl na TV. Bebem a cerveja Pabst Blue Ribbon ou, no máximo, uma Bud Light (Heineken é coisa de boiola). Comem porcarias e engordam. Casam cada vez menos e costumam ter filhos ilegítimos aqui e acolá. Tais filhos estudam (quando estudam) em Community Colleges de segunda categoria, mas jamais chegarão a Harvard. Muitos abandonam os estudos e ficam mais pobres, e assim o problema assim se propaga através das novas gerações.  

Os sites racistas adoram apontar o mau comportamento dos negros do gueto, mas é fato que há uma porção de brancos "white trash" que apresentam um comportamento igualmente abominável. (Crianças abandonadas? Filhos matando pais? Pais colocando crianças na máquina de lavar ou na de secar? Um homem matando um casal porque estes tiraram sua filha da lista de amigos no Facebook? Tem de tudo, é só escolher.) 

O que Murray argumenta é que a classe média americana estaria perdendo as virtudes que tornaram o país uma grande nação: basicamente, esquecendo a importância do casamento, da família e da moralidade convencional; esquecendo da independência e do empreendedorismo e dependendo cada vez mais do Estado assistencialista; e perdendo a corrida pela habilidade educacional e cognitiva, em um mundo em que esta se torna cada vez mais importante.  

Não sei se Murray está correto, talvez eu compre e leia o seu livro para saber. O que parece é estar havendo mesmo uma desconexão cada vez maior entre as elites e o povão. Bem, sempre foi assim na Velha Europa, onde a maioria da população vivia na pobreza e na ignorância enquanto os aristocratas formavam uma elite hereditária vivendo no bem-bom. Mas a América era para ser um país diferente, a tal terra da liberdade, onde "qualquer um" poderia "chegar lá". Aparentemente, "chegar lá" está ficando cada vez mais difícil.  



Obs. Comentários serão moderados. Evitem insultos e generalizações sobre grupos humanos. 

sábado, 5 de novembro de 2011

Quem é a minoria?

É curioso que chamem de "minorias" grupos que estão longe de ser minoritários. Talvez por que a moda tenha começado nos EUA onde, décadas atrás, até que era condizente com a realidade. No Brasil, a expressão sequer faz sentido: o país tem mais mulheres que homens, mais negros/mulatos e índios do que brancos e, a julgar pela última parada gay e pelo número de travestis brasileiros na Europa, mais homossexuais que heterossexuais. (Bom, chamar mulheres de "minorias" nunca fez sentido algum em lugar nenhum).

Quem é a "minoria" neste país?

Nos EUA, a nova maioria já são as "minorias", em especial, os latinos. Leio esta curiosa reportagem da BBC na qual se fala sobre o misterioso "gap" (lacuna ou diferença) na educação entre os filhos dos imigrantes latinos (muitos de origem ilegal) e os dos americanos nativos. Por algum motivo, que poderá ser pela cultura, pelo fato de serem pobres, pelo fato de falarem espanhol em casa, pelo fato de preferirem entrar em gangues do que estudar, pelo fato de costumarem engravidar aos 13 e abandonarem a escola, ou simplesmente pelo fato de serem um pouquinho mais burros, eles estão tendo mais dificuldade em aprender do que os americanos. Tudo bem, realmente é mais difícil você chegar num país estranho e tentar se adaptar!

Mas o curioso é o seguinte: a tônica da reportagem é que os EUA deveria se esforçar mais para ajudar os coitados a aprender, afinal, disso depende o futuro dos EUA. Ué. Se esses imigrantes causam tanto problema, não seria mais fácil simplesmente fechar a torneira da imigração? Que obrigação tem os EUA, ou qualquer nação, para com aqueles que nem entraram legalmente no país? Será que o Brasil também vai passar a dar cidadania plena e bolsa-família para os bolivianos? Será que eles vão me dar cidadania também aqui, ou eu primeiro preciso ser ilegal?

(Parêntese: até tenho simpatia pela população latina, afinal, segundo as estatísticas americanas, eu faria parte do mesmo grupo demográfico, embora jamais tenha me considerado "latino" -- eu sou é gaúcho, eh eh. Mas ilegal é ilegal. País nenhum pode aceitar tamanha invasão sem conseqüências. E, do jeito que a coisa vai, faria mais sentido eu ter ido fazer pós-graduação direto no México. É uma transformação sem precedentes, pela qual os EUA se arrependerão profundamente.)

(Novo parêntese: sério, nada contra os mexicanos. Nem contra os negros. A única minoria com que tive problemas aqui em L.A. foi a dos médio-orientais. Árabes, iranianos, armênios, turcos, palestinos: nunca conheci algum que não estivesse querendo te sacanear, te enganar, ou te vender vender gato por lebre. E as ucranianas/russas são todas prostitutas. Pronto! Eu disse!)

Bem, não entendo, mas fico tentando entender. Quando os brancocidentaiscristãos forem literalmente uma minoria nos EUA e na Europa, eles continuarão sendo os culpados por tudo o que acontece de ruim? Se, mesmo com ampla maioria latina, o desnível educacional continuar, o que deverão fazer os brancos e os asiáticos para equiparar o nível? Obrigar suas crianças a estudarem menos?

Aqui nos EUA chamam os Estados com maioria latina de "minority-majority." Ora, se são maioria, não podem ser minoria, certo? Sim, eu sei. O termo "minoria" não tem a ver com números, mas é utilizado por que, historicamente, nas relações de poder em uma conjuntura patriarcal injusta e imperialista, os ocidentais, enquanto coletividade de indivíduos, sempre oprimiram os pobres negros, índios, judeus, muçulmanos, gays, asiáticos... Epa! Mas espera aí. Os ocidentais jogaram até duas bombas atômicas nos asiáticos, fizeram guerra contra eles no Vietnã e na Coréia, mas eles não estão reclamando de opressão nenhuma, e continuam se destacando nas universidades americanas, mais até do que os próprios americanos, que preferem ficar assistindo American Idol. Ué! E agora, José? Como assim, Ching Ling?

Ora, ora! Fica claro que aqueles que inventaram o termo "minoria" querem mesmo é confundir, enganar, propositalmente. É, aliás, uma técnica de guerrilha psicológica conhecida, já mencionada mais de uma vez pelo Olavo de Carvalho. De um lado os progressistas defendem uma coisa; do outro, o seu oposto. Chamam às maiorias de "minorias", ao direito maior de alguns grupos de "igualdade", à ilegalidade de "opressão", ao criminoso de "vítima". Confundido com o bombardeio de tanta idéias contraditórias, a cabeça do sujeito explode!

(Outra palavra que detesto: "despossuídos." Pretende dar a idéia que os pobres antes possuíam algo que foi tirado deles à força. Mas se jamais possuíram nada!)

Minorias! Quando acabará esta história de minorias? Os negros e latinos de sucesso, como Herman Cain, Obama e Jennifer Lopez, são também "minorias"? Quando é que as minorias vão deixar finalmente de ser "minorias" e todos vão finalmente poder ser julgados, não pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo do seu caráter?

Ora, meus caros. Lamentavelmente, a única minoria neste planeta infernal aqui somos nós, que ainda conseguimos discutir sobre temas sérios de forma razoavelmente civilizada...


domingo, 9 de outubro de 2011

A World Without Jobs

O título deste texto era pra ser "Um mundo sem empregos", mas ficou em inglês porque não resisti a fazer um trocadilho infame. Dito isso, são dois fatos incontestáveis: Steve Jobs se foi, e os empregos do mundo estão sumindo. 

Steve Jobs está sendo chorado como poucas figuras da história recente, e como quase nenhum empresário jamais foi (empresários são quase sempre universalmente execrados). Por quê? Talvez por ter criado os aparelhos mais representativos da era atual: os iPhones e iPads, que nada mais são do que brinquedos para gente grande. Mas há algo mais aí: Steve Jobs, filho de um imigrante sírio, abandonado enquanto bebê, adotado por um casal de classe média-baixa sem curso superior, abandonando os estudos, virando hippie vagabundo de férias na Índia e mesmo assim no fim das contas chegando ao topo do topo, ele representa a máxima afirmação do "sonho americano", a "terra da liberdade" onde qualquer um pode chegar lá. E digamos a verdade: se Jobs tivesse crescido na Síria, será que teria qualquer possibilidade de jamais chegar a ser o que foi? 

Mas casos como o de Jobs são cada vez mais exceções. Sim, ainda há muitos jovens milionários e histórias de sucesso, a América ainda é a América, mas tudo está mudando cada vez mais.

A Europa, em crise econômica e sem empregos, está virando um parque temático. Sua função, se o crescimento populacional muçulmano por lá não impedir, será a de conservar seus monumentos em pé para que possam ser visitados por turistas de todo o mundo. O mundo muçulmano está se reduzindo à sua própria insignificância. China ainda cresce -- mas até quando? E mesmo os EUA estão com taxas de desemprego que parecem apenas aumentar. (Obama já é menos popular do que o vírus da febre suína). Enquanto isso, jovens americanos "ocupam Wall Street" e querem -- o quê? Provavelmente achar algum culpado fácil para tudo.

Em um de seus últimos posts, o marxista Sakamoto mostra mais uma vez que, como 99%, tá bom, 100% dos blogueiros de esquerda, não entende nada de economia. Ele quer que as empresas reduzam a jornada de trabalho sem reduzir o salário. Quer que o açougueiro, o padeiro e o cervejeiro trabalhem, não por interesse próprio, mas por benevolência. Leia Adam Smith, rapaz! Na verdade, tais trabalhadores devem agradecer aos céus que o desemprego no Brasil está baixo e que o mercado de trabalho ainda está em expansão.

Afinal, o grande problema do mundo moderno é que a globalização e a automação tornaram e ainda estão tornando grande parte das pessoas inúteis. O imenso número necessário de pessoas que eram necessárias para plantar, colher e transportar alimentos reduziu-se muito com a mecanização da agricultura. Paradoxalmente, hoje produz-se bem mais alimentos. Salvo algumas regiões da África e do Oriente Médio, os pobres hoje tem maior problema com obesidade do que com fome.

Bem, mas é claro que o fim do trabalho agrícola não significou o fim do trabalho. Muitos migraram para as cidades onde trabalhavam em fábricas, que logo passaram também pelo mesmo processo de automação. Robôs cada vez mais podem fazer o trabalho de humanos, e com muito maior eficiência, e sem reclamar. Sim, ainda há muitas fábricas com pessoas trabalhando, mas elas estão na China ou na Índia, e também ali eles trabalham sem reclamar.

Então então essas pessoas que saíram do campo para trabalhar nas fábricas agora trabalham nas cidades na indústria de serviços, ou então em alguma repartição pública. Não produzem nada, mas realizam serviços para aqueles que produzem, e portanto ajudam a fazer com que estes últimos produzam mais. Mas mesmo muitos desses empregos hoje em dia estão acabando graças à tecnologia. As grandes redes de livrarias americanas desapareceram graças à Amazon; as indústrias locais foram engolidas pela China, que tem muita gente e pode fabricar tudo mais barato (e não eram e são os iPods e iPads fabricados por lá?); os robôs no Japão já podem até cozinhar pratos simples; até alguns empregos que antes exigiam diploma hoje podem ser substituídos por um software. Até o fim deste século, que outros empregos desaparecerão? Talvez motorista: a Google já está experimentando com carros que se dirigem a si mesmos

Tudo isso é deveras maravilhoso, mas o que fazer com os milhões de pessoas tornadas redundantes na era da automatização, da globalização e da Internet?

A visão romântica é que viveríamos em um mundo de lazer e de crescimento espiritual. Num mundo sem empregos, as pessoas se dedicariam às atividades artísticas, intelectuais e de supervisão e gerência do mundo robotizado. Mas isso é fantasia. O fato é que, contrariamente ao que sustenta a teoria da tabula rasa, nem todas as pessoas têm as mesmas capacidades, físicas, mentais ou psicológicas. Dito de outra forma, em um mundo supertecnológico no qual o QI e o conhecimento técnico são os valores mais importantes, grande parte das pessoas não estão e jamais estarão qualificadas para trabalhar naquilo que realmente importa, nas poucas atividades realmente produtivas. E mesmo pra criar arte seriam inúteis, pois tampouco são todos os que tem talento.

Nesse admirável mundo novo, seria o welfare a solução mais moral, ou a mais imoral? Sustentar os incompetentes, ou deixar que eles morram de fome? É possível também que, sem trabalho, algumas pessoas se dedicassem mais ao crime, ou ao menos essa é a desculpa dos esquerdistas para manter o sistema. Porém, como o welfare (isto é, ser pago apenas por existir) é socialmente e moralmente nocivo para o indivíduo, estimulando a preguiça, o ócio e os maus costumes, é preciso que exista um outro caminho.

Seria a solução então manter um tipo de welfare light, no qual empregos desnecessários são mantidos apenas devido à sua função social? O trabalho enobrece, já diziam os antigos. Penso por exemplo nos ascensoristas que ainda tem tal emprego em tantas repartições públicas no Brasil, quando são já de todo desnecessários, e talvez sempre tenham sido. Penso nos frentistas de posto de gasolina, que hoje já quase não existem mais nos EUA, mas que são mantidos na maioria de países latinoamericanos e europeus.

Não acho que a automação seja de todo boa. Por exemplo, detesto os números de telefone com gravações. Acho preferível quando há outra pessoa do outro lado da linha. Precisamos de interação com outros humanos; mesmo que seja possível, e até já existam, supermercados totalmente automatizados, não é melhor que exista alguém real recebendo o dinheiro e colocando os produtos nos pacotes?

Será então que os empregos serão mantidos apenas para que não morramos de solidão? Os robôs humanóides não tem dado muito certo, apesar de alguns estarem melhorando de aparência. Há certas coisas que os seres humanos ainda fazem melhor. O trabalho braçal tampouco está de todo extinto, e provavelmente não o estará enquanto um ser humano for mais barato (e mais eficiente) do que um robô.

Bem, quem pode dizer o que ocorrerá no futuro? Ninguém previu a Revolução Industrial, ninguém previu a Revolução da Informática, ninguém previu sequer o iPad - ou o teria inventado antes. Como dizia Daniel Defoe, só há duas coisas certas nesta vida, a morte e os impostos. Steve Jobs escapou de um, mas não do outro. Adeus, Steve Jobs, adeus. 

O futuro da automação.
O blogueiro Sakamoto em Wall Street.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Os freaks somos nós

Uma vez eu falei que o futuro do mundo seria representada pela foto de um casal gay branco-asiático com uma criança negra, mas me enganei. O futuro é este aqui:

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O problema racial na América

Em 1944, um economista sueco (e portanto supostamente neutro) foi convidado para estudar o problema racial na América. O resultado foi o livro "Um Dilema Americano", que colocou a culpa na opressão e na injustiça e na herança maldita da escravidão e abriu caminho para os direitos civis, a ação afirmativa, e Obama na presidência.

Mais de 65 anos depois, as coisas melhoraram de um lado e pioraram de outro. A classe média negra está melhor. Há até negros milionários como Oprah, Denzel Washington ou os vários atletas de sucesso. Há vários políticos negros, alguns muito bons como o Allen West, e o próprio Obama que, apesar das minhas discordâncias com sua ideologia, é inegavelmente um habilíssimo político, que provavelmente será reeleito.

Porém, para os negros do "gueto", isto é a classe mais baixa, as coisas pioraram. Alguns colocam a culpa no welfare, outros no liberalismo progressista, outros na desestruturação da família, outros em características hereditárias e raciais. O fato é que o número de mães solteiras nessa classe é de 75%, a dependência da ajuda estatal é onipresente, metade não termina o segundo grau, a gravidez adolescente é sabe-se lá de quanto e grande parte de seus jovens vive uma vida regada a drogas e crime violento. 

O que se nota nos EUA também é um ressentimento enorme dos negros contra os brancos, que não vi ainda em nenhum outro país, o que me faz pensar que seja, ao menos em parte, cultural. Muitos afro-americanos são rudes com os brancos, e em alguns casos chega-se à violência de caráter claramente racial, como quando hordas de negros atacam brancos (ou asiáticos) pelo único fato de serem brancos (ou asiáticos). Esse esporte praticado por gangues tem até nome: "caça ao urso polar"...

Embora existam sim diferenças raciais, até onde sei não existe um "gene da violência". Há países africanos que tem um nível de violência muito baixo, similar ao da Suiça. Por exemplo, o Madagascar, que é pobre mas não é violento. Então parece que o ressentimento dos negros americanos contra os brancos teria outras razões. Seria herança da escravidão?

Mas o fato é que a escravidão acabou há um século e meio. A discriminação legal contra os negros no Sul acabou há décadas. Os jovens de hoje mal conhecem essa história e, se existiu algum crime, os brancos que nasceram depois de 1964 nada tem a ver com isso.

Não se pode alegar tampouco que exista discriminação contra os negros hoje em dia nos EUA. Ao contrário: se há discriminação, é a favor deles. Os vários programas de ação afirmativa facilitam sua entrada em universidades e empregos. Há até em alguns casos uma superproteção a eles. Por exemplo, recentemente, afro-americanos ganharam alguns milhões de dólares depois de um processo contra a cidade de Chicago, por não terem sido selecionados para um emprego de bombeiros. O que aconteceu?

Quem fizesse mais de 64 pontos passaria no teste para bombeiro, mas seriam contratados apenas aqueles que fizessem mais de 89 pontos. Como apenas 11% dos negros obtiveram tal pontuação, alegaram "discriminação".

Ora, mas espera aí. Fora o fato de que um teste deveria escolher os melhores não importando se são brancos, negros, pardos ou azuis, 11% de negros é uma percentagem bem próxima à da população geral afro-americana nos EUA, que é de 13%. Ou seja, eles processaram por não terem uma representação MAIOR do que a esperada para a sua população! Discriminação? Discriminados hoje são os brancos, que por exemplo são proibidos de participar da bolsa de estudos do Bill Gates. (E que tal o caso da cheerleader que foi obrigada pela escola a aplaudir o seu próprio estuprador?)

Porém, nada é para sempre. Com a chegada dos milhões de mexicanos ilegais, a situação está ficando preta para os negros. Não somente as gangues mexicanas os estão expulsando dos seus bairros tradicionais, como estão perdendo o emprego para esses mesmos mexicanos. É pouco provável que exista solidariedade racial entre as várias minorias, que aliás em breve serão maiorias e dominarão o país. 

Por outro lado, observemos o seguinte: enquanto negros e latinos (e até asiáticos) se vêem a si mesmos como grupos raciais ou culturais diferenciados com interesses próprios (a chamada "identity politics"), o mesmo não ocorre com os brancos, que se parecem procurar sua identidade em grupos menores: vêem se como irlandeses, ítalo-americanos, eslavos, armênios, etc. Tais grupos muitas vezes nem mesmo se dão bem entre si.

E no Brasil? Hoje lemos que "a população no Brasil deixa de ser predominantemente branca", o que é uma rematada bobagem. A população é igual, o que mudou foi que mais pessoas admitem sua herança africana, talvez na esperança de obter benefícios de ação afirmativa. (No Brasil da "lei de Gérson", tudo é feito para se obter alguma vantagem, por pequena que seja).

Sempre me pareceu que uma das coisas mais agradáveis do Brasil era o convívio amigável entre as várias culturas e raças. Não havia brigas nem ressentimento ao estilo americano, ninguém tinha problema em ser chamado carinhosamente de "negão", e a mulata era a tal. Agora parece que querem acabar com isso, através das cotas raciais que geram confusão, da desapropriação de terras para falsos quilombolas, da promoção do ódio de classe, dos movimentos negros cada vez mais radicais.

Parece que alguns só ficarão felizes quando no Brasil houver conflitos raciais a céu aberto como o que ocorreu em 1992 em Los Angeles. Aí sim, eles comemorarão: "Finalmente chegamos ao Primeiro Mundo!"...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Obama mata Osama

Osama bin Laden está morto.

É o que garantem as agências de notícias e a Casa Branca, e quem sou eu para discordar.

É curioso: Obama, eleito como o anti-Bush, terminou sendo na verdade mais bushista do que o próprio. Realizou mais bombardeios no Oriente Médio. Matou mais civis. Continuou mantendo terroristas presos em Guantánamo. Não só continuou a presença militar nos EUA e no Afeganistão, como entrou em ainda mais uma parada, a Líbia. E, agora, matou Osama em uma operação militar em um país supostamente aliado, o Paquistão. Tudo sob o mais incrível silêncio da mídia e das multidões. Cadê os protestos pacifistas?

Na política interna, no fundo tampouco mudou tanto assim, só mudou o grau. Se Bush começou com os deficits e os bailouts, Obama triplicou-os. Se Bush abriu as fronteiras aos mexicanos, Obama escancarou-as. Se Bush deu a mão ao príncipe saudita e afirmou que "O Islã é da Paz", Obama ajoelhou-se e beijou seu anel. 

Vamos admitir: Obama é um neocon.

O que isso prova, acho, é que em política aparência é tudo, essência é nada. Fora algumas extravagâncias como o plano de saúde e outras comunices, Obama continuou as mesmas políticas de Bush, mas, sendo negro e Democrata, ninguém sequer deu conta.

Isso prova também o seguinte: nem Bush é de "direita", nem Obama é de "esquerda". Ambos são duas caras da mesma moeda. Filhos do poder global.

A diferença talvez esteja nos detalhes: por exemplo, leio agora que a Casa Branca garantiu que "o corpo de Obama está sendo tratado de acordo com as práticas islâmicas". Mate, trucide e bombardeie terroristas como é certo e justo, mas depois garanta um enterro politicamente correto.

Vivemos em tempos interessantes. Quem viver, verá.



Atualização: A única foto que tem até agora do cadáver de Obama é uma grosseira falsificação:



O Governo Americano garante ter fotos do corpo, mas está hesitando em divulgá-las "devido ao seu conteúdo forte". E o tal "ritual muçulmano" de "enterrar no mar"? Isso não existe. Mas entende-se que não seria enterrado em uma cova para não criar um ponto de peregrinação para terroristas.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O Certificado

A grande notícia destes dias foi, naturalmente, a liberação do certificado de nascimento de Obama pela Casa Branca. O documento não apresenta nada de extraordinário, de modo que fica incompreensível a demora de três anos em apresentá-lo (e que só ocorreu devido à pressão exercida por Donald Trump, que trouxe o assunto com maior força à grande mídia).

Há quem diga que o documento seja falso, e isso explique a demora: teria sido produzido especialmente para a ocasião. Se é o governo que produz os documentos, por que não poderia produzir um documento em nome do presidente? Há de fato algumas irregularidades, a mais curiosa delas que há um oficial que assina como "U. K. L. Lee" - bem parecido com ukulele, que é um tradicional instrumento havaiano. (Bem, na verdade, talvez isso prove que o documento é legítimo - ninguém inventaria uma coincidência dessas).

Mas o maior mistério mesmo é a demora. Foram gastos anos e milhões de dólares para impedir sua divulgação; agora ele aparece. Por quê?

Estou entre os que acreditam que o certificado fosse apenas um "red herring" - uma falsa pista propositalment deixada por Obama e seus amigos globalistas para desviar a atenção. Obama é cidadão americano; os seus maiores mistérios são outros. 

quinta-feira, 24 de março de 2011

¡Bienvenido a Améxica!

Uma carta escrita por um professor de escola pública do Arizona causou alvoroço ao ser lida por um deputado do Congresso americano. Nela, o professor descreve a atitude de sua turma, constituída por 98% de hispânicos (filhos de imigrantes mexicanos, muitos deles ilegais). Alguns trechos, traduzidos: 
"Os alunos recusaram-se a recitar a Pledge of Allegiance, afirmando que eram mexicanos e que os brancos racistas dos EUA teriam roubado suas terras."

"Quase ninguém havia trazido o material, portanto dei-lhes papel e lápis para que escrevessem, mas amassaram os papéis e atiraram papéis e lápis uns contra os outros."

"Apenas 10 alunos de todas as turmas em que ensino conseguiram completar o ensaio sobre Mark Twain."
"Quase todos os ensaios se pareciam entre si."
"Pedi que parassem de falar espanhol entre si pois era falta de educação, mas responderam que os americanos é que deviam aprender o espanhol pois eles estavam tomando a terra de volta para o México."

"Ninguém quer estudar, estão mais interessados em tornar-se membros de gangues."
Bem, não quero ser preconceituoso com nossos primos mexicanos, mas parece mesmo uma escola brasileira como as que descrevi há pouco.

É certo que a decadência da educação americana não pode toda ser atribuída à imigração latina. De fato, a própria carta do professor tem vários erros de inglês (i.e. "conquer nation", em vez de "conquered"; "invaders language" em vez de "invader's language"). Será que ele é um redneck caricato (como os criticados pelo leitor AN)? Afinal, se erros seriam problemáticos, mas compreensíveis, em um estudante latino (ainda que nascido nos EUA), em um professor de inglês são inaceitáveis.

Mas a verdade é que desde alguns anos vem ocorrendo uma notável decadência no inglês escrito e falado pelos americanos, e a educação pública piorou, muito embora o gasto nesta tenha aumentado continuamente (o argumento do autor Robert Weissberg é que o que piorou não foi a qualidade das escolas, mas a qualidade dos alunos). Outros culpados apontados são a mídia, a falta de disciplina, a falta de interesse dos jovens, a incompetência estatal, a concorrência dos mais bem-preparados asiáticos (que hoje dominam em muitas universidades americanas), etc. Provavelmente, vários fatores somados explicam o descalabro.

De qualquer forma, como observou alguém que comentava na matéria, os mexicanos acham que vão dominar os EUA, "mas como é que esses estudantes se tornarão os novos reis do Vale do Silício, de Wall Street ou de Hollywood, se não conseguem nem terminar um ensaio sobre Mark Twain"?

Mais provável mesmo é que, salvo as exceções de praxe, se tornem uma eterna subclasse de faxineiros e jardineiros, o que aliás estaria perfeito para a elite globalista local, que poderia contratá-los a preço de banana para limpar as suas mansões. Talvez seja exatamente o que tanto uns como outros queiram.

domingo, 20 de março de 2011

Os Senhores da Guerra

Prometi a mim mesmo não blogar até segunda, mas o bombardeio da Líbia por forças americanas, francesas e britânicas me intriga e me perturba.

Obama, que tanto prometia ser o "presidente da paz", conseguiu deixar os EUA envolvidos em três conflitos ao mesmo tempo, um recorde: além das tropas que ainda estão no Iraque e no Afeganistão, agora interfere na Líbia.

Minha pergunta é: se era para bombardear algum país, então por que não o Irã? São eles que mais massacraram seu próprio povo (após a fraude eleitoral do ano passado); são eles que estão desenvolvendo armas nucleares; são eles os que recentemente mataram soldados americanos e seqüestraram soldados britânicos, são eles os que mais apoiam o terrorismo internacional. Ou por que não a Arábia Saudita? (Bem, nesse caso já sabemos por que não).

A Líbia? Sim, Kadafi não é flor que se cheire, mas tampouco representa uma grande ameaça internacional. Promoveu atentados nos anos 80 e 90, mas nas últimas décadas estava até quietinho. Pode até estar matando rebeldes em seu próprio país, mas e daí? No mundo pós-Guerra Fria, devem os países mais poderosos intervir em todos os conflitos ao redor do globo? No Sudão, houve matanças muito piores, mas nenhum país ocidental interveio (e olha que há petróleo também por lá). Na escaramuça entre Rússia e Georgia, ninguém foi maluco de se meter.

Sempre desconfio quando dizem que "a razão de tudo é o petróleo", mas neste caso talvez seja mesmo. Em tempos de crise, acreditar que há países que se mexem exclusivamente por "razões humanitárias" é algo que não é muito engolido pelo cínico que estou me tornando ultimamente. A zona ocupada pelos rebeldes, curiosamente, é a parte do país onde tem mais poços de petróleo.

E, no entanto, essa explicação tampouco me convence. De que forma o acesso ao petróleo ficaria mais fácil com os rebeldes no comando? Isso sem falar que, com a guerra, o preço tende a aumentar, o que beneficia ditadores e fundamentalistas árabes e não aos países ocidentais importadores.

O objetivo da ação militar parece ser apenas a de promover uma "zona de exclusão aérea" na parte ocupada pelos rebeldes. Isto é, evitar que eles sejam bombardeados por Kadafi. Ao mesmo tempo, segundo os últimos comunicados, as forças da coalizão não pretendem atacar diretamente Kadafi. Ou seja: estão organizando um "empate". Nem Kadafi vence, nem os rebeldes. A situação pode se alastrar por anos a fio. Quem sabe vire um novo conflito Israel-palestinos, que só existe mesmo porque idiotas de fora insistem em manter um inexistente "processo de paz".

Por falar nisso, quem são os "rebeldes" líbios? Procuro informações a respeito, e não acho. Provavelmente são tão ruins ou piores do que o Kadafi. Não entendo por que EUA, França e Inglaterra apoiam um grupo de pessoas que, claramente, seria ingenuidade acreditar que sejam democratas à maneira ocidental.

E os franceses? Por que os franceses, ou ao menos o Sarkozy, estão tão ansiosos em bombardear o Kadafi? Será que é por isto? Ou tem algo a ver com isto?

Como é que Obama conseguiu ordenar o uso de força militar sem pedir autorização ao Congresso americano? (Lembrem que esta foi necessária para invadir o Iraque, e demorou vários meses). Será que a autorização só é necessária quando soldados entram de fato no país?

Demasiadas perguntas, poucas respostas. Se me perguntarem se sou a favor dessa nova ação militar, digo que não. (Ainda que isso pareça me colocar do lado da esquerda chavista.) É que parece-me um desperdício de dinheiro, de tempo e de vidas, no momento mais equivocado possível. Mas deve haver muita coisa por trás de tudo isso que ainda não sabemos, ou ao menos que eu não sei.

Se alguém souber, me avise.


Esperemos que as famosas guarda-costas de Kadaffi não sejam atingidas.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O dilema do multiculturalismo

Há poucos anos atrás, o sociólogo Robert Putnam fez um estudo sobre o multiculturalismo e assustou-se com o que viu. Tanto que nem quis publicar todos os resultados. Basicamente, a sua conclusão foi que nas sociedades multiculturais há menos confiança entre as pessoas. Porém, o mais curioso é que isso não ocorre apenas entre grupos diversos, como seria de esperar, mas também dentro dos próprios grupos étnicos.

Los Angeles é uma das cidades mais multiculturais do mundo. É também uma das mais segregadas, ao menos em termos de divisão geográfica: asiáticos moram com asiáticos, mexicanos com mexicanos, negros com negros, brancos com brancos, iranianos com iranianos, armênios com armênios. Fora os campus universitários (e já falo sobre esse tema), e sobre os brancos que casam cada vez mais com asiáticas (tema para outro post) ninguém se mistura muito com ninguém.

Robert Putnam também é o autor do livro "Bowling alone" (Jogando boliche só), onde mostra como os americanos se tornaram menos sociais, com famílias menores, menor número de amizades, menor participação em clubes e associações comunitárias, etcétera. O título do livro faz alusão ao fato de que há cada vez mais pessoas jogando boliche nos EUA, mas cada vez menos clubes de boliche.

Estariam os dois fenômenos (crescente solidão do homem americano contemporâneo, crescente multiculturalização da sociedade) relacionados? 

Não sei. Aconteceram mudanças demais desde os anos 60 nos EUA, e o multiculturalismo foi apenas uma delas. Na verdade, acho que todos os fenômenos radicais dos anos 60, como a luta contra os valores tradicionais, o extremismo político, o feminismo, a perda da religião, a revolução sexual, bem como a própria urbanização desordenada e a imigração cada vez maior causaram essa desagregação social. Não dá para colocar tudo na conta do multiculturalismo, embora este crie sim os seus problemas.

Celebrado até há pouco, hoje o multiculturalismo sofre uma chuva de críticas. Ângela Merkel, Nicolas Sarkozy, David Cameron, mas também vozes à esquerda começam a perceber que há alguma coisa errada, que o paraíso prometido da integração pacífica não aconteceu. Por quê?

Tenho a impressão que, como tantas coisas, algumas positivas mas muitas negativas, a idéia da sociedade multicultural surgiu nos campus universitários americanos. De fato, as universidades americanas são templos do multiculturalismo. Pessoas de todos os países, raças e religiões se misturam e convivem quase sempre em paz. Daí deve ter surgido a idéia de que, se isso funcionava na universidade, por que não deveria funcionar na sociedade como um todo?

Acho que a diferença é a seguinte: a universidade é um ambiente bem diverso da sociedade como um todo. Em primeiro lugar, as pessoas que habitam esse mundo são filtradas pelo QI e pelo nível social, quer dizer, estão ao menos um pouco acima da média no que se refere à inteligência e classe. Em segundo lugar, são pessoas mais abertas ao convívio e à troca cultural, ou nem estariam em uma instituição de nível superior. E, em terceiro lugar, convivem apenas algumas horas por dia e por um período específico da juventude.

Já na sociedade a integração pacífica entre grandes grupos de origens diversas é mais difícil. Vejam a triste história desta lojista francesa, arriscando a própria vida (já foi estuprada, roubada, apedrejada) para manter a sua lojinha em uma "zona sensível", isto é, em um bairro exclusivamente muçulmano de Paris. Locais onde até mesmo a polícia e os bombeiros evitam ir. Será o futuro da França a guerra civil? 

Devemos diferenciar o multiculturalismo da imigração. A imigração sempre existiu, o multiculturalismo é algo relativamente novo. (Embora gregos e romanos tenham convivido em sociedades relativamente multiculturais, mas isso também seria tema para outro post). Anteriormente, havia na maior parte dos casos a expectativa de que o imigrante se adaptaria ao país ao qual emigrou, adotando a sua língua e seus costumes. Isso não acontecia em todos os casos, mas na maior parte. Hoje, a expectativa é exatamente a oposta: que o imigrante mantenha sua própria cultura, e que esta seja "respeitada" pela sociedade que o acolhe, mesmo que se trate de um hábito bárbaro como a extirpação do clitóris das mulheres.

Hoje o multiculturalismo é a política oficial em quase todas as capitais ocidentais. Em parte é o mero resultado de mudanças tecnológicas e sociais, mas em parte também foi forçado, contra os desejos da maioria da população, por governos e políticos mais interessados em votos do que no bem-estar social. Mas, assim como um pêndulo, as modas e as sociedades mudam. É bem provável que, assim como o dinheiro do welfare state está acabando rapidamente e levando a crises e conflitos em tudo que é lugar, também haja uma violenta reação contra o multiculturalismo nos próximos anos. E aí, salve-se quem puder.

 

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Federalismo ou separação?

Nunca fiz parte desse pessoal que acha que uma parte do Brasil (Sul e Sudeste) deveria se separar da outra (Norte e Nordeste). No Brasil não existem regiões com una identidade cultural única que seja tão diferente assim do resto do país, e tampouco do ponto de vista econômico a coisa faria muito sentido.

Porém, agora que inicia o governo Dilma, eleito em grande parte graças ao voto do Nordeste, talvez seja uma boa hora para discutir, se não a separação, ao menos um federalismo mais efetivo. Afinal, a grande promessa do governo Dilma é a de "acabar com a pobreza". Mas não pense que isso significa aumentar o emprego, a qualidade educação, desburocratizar a economia para permitir o aumento do comércio e a indústria, combater o crime e a corrupção e melhorar a infraestrutura do país. Não, para essa gente "acabar com a pobreza" significa expandir o sistema de bolsa-família, de modo a que o Sudeste pague pela manutenção de um grande número de pobres no Norte e Nordeste, eternamente ou enquanto durar o estoque.

O que isso significa para o Sul e Sudeste? Vamos aos números (tirado da Internet):

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Eleições nos EUA e no Brasil (2)

A campanha para as eleições está esquentando, aqui e lá. O Reinaldo Azevedo já tem uma boa cobertura das cada vez mais disputadas eleições brasileiras. Falo então das americanas.

Um dos comerciais políticos mais polêmicos recentes é o que mostra um professor chinês em 2030 falando a seus estudantes sobre o trágico fim do império americano. A idéia é que, a continuar gastando assim, o colosso americano logo vai estar na mão da China. 

O comercial, de uma associação contrária ao aumento de impostos, teve efeito. Os progressistas odiaram e acusaram o vídeo de - adivinhem! - racista, acusação ridícula que apenas mostra o nível de seu desespero. É que, para os Democratas, a coisa não está indo bem. Ao contrário do toque mágico de Lula, nos EUA o apoio de Obama está virando uma maldição. Vários candidatos Democratas até tentam se afastar do presidente e suas políticas. Para se ter uma idéia do desgaste presidencial, Frank Caprio (sem relação com o Leonardo), candidato Democrata ao governo de Rodhe Island, até mandou Obama enfiar o seu apoio naquele lugar... 

Do lado Republicano, surgem candidatos populistas, representantes da classe média branca e ferozes críticos das elites políticas, a quem consideram traidoras do ideal americano. Christine O'Donnel, à maneira de Sarah Palin, ostenta com orgulho seu ar de dona de casa e o fato de não ter se formado em Harvard. A engenheira de foguetes Ruth McClung garante ser uma trabalhadora e não uma política profissional. O comercial de um folclórico candidato Republicano no Alabama, de chapéu de caubói, cavalo e rifle, tornou-se viral. Bom, a verdade é que esse negócio de "não sou político profissional" já tivemos por aqui, e não funcionou direito. Porém, é o modo que os candidatos tem de se afastarem de uma elite política que responde apenas a si mesma e efetivamente tornou-se distante dos anseios da maioria da população.

(Depois, cada povo é diverso, e o povo brasileiro é diferente do povo americano. No Brasil, como o Fábio Marton observou, todo político precisa de certa forma se fingir de mais simplório do que realmente é para seduzir o povão, e em especial as classes baixas. Às vezes penso que o sucesso de Lula talvez tenha menos a ver com o bolsa-família do que com essa identificação a nível popular: Lula não precisa fingir: ele é tão burro, ignorante, malandro e ishperto como grande parte do povo brasileiro... Por outro lado, talvez essa seja uma visão elitista. A verdade é que, até há pouco mais de uma década atrás, pobre não gostava do Lula. Pedreiros, porteiros e empregadas tinham ojeriza ao PT. O tal "Partido dos Trabalhadores" era um fenômeno exclusivo da classe média. Mas é como diz o Olavão: o tal Partido dos Trabalhadores só virou isso uma vez no poder, retroativamente, construindo um fabuloso esquema de propinas e bolsas-auxílio. Mas voltemos aos EUA...)

Por aqui, entre os temas mais discutidos pelos candidatos estão o aumento de impostos e gastos públicos, a imigração ilegal, o desemprego. O aborto, discussão sempre presente nos EUA, curiosamente (e ao contrário do que ocorre no Brasil) desta vez passou a segundo plano frente a tantos problemas econômicos. Também está na pauta, assim como a legalização da maconha e o casamento gay, mas de forma menos intensiva. O que preocupa é o bolso. 

Assim como ocorreu em 2008, o que mais motiva os eleitores é a situação econômica. Obama teve dois anos para resolver a situação: falhou miseravelmente. Em estados como a Califórnia, o desemprego já chega a 17% da população. (Mesmo assim, é provável que os californianos elejam um Democrata para seu governo, o jurássico Jerry Brown).

Seja quais forem os números exatos, é provável que os Republicanos obtenham a sonhada maioria do Congresso, efetivamente transformando Obama em um "pato manco". Porém, eles não devem cantar vitória antes de tempo, já que ainda há água para rolar. Quanto ao Brasil, quem sabe? Pelo desespero dos petistas, é possível que a coisa tampouco seja tão fácil.

  
Pato manco.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Eleições, mentiras e videotape

Ia parar de blogar por um tempo, mas um post do ressuscitado Fábio Marton no Not Tupy me inspirou. É sobre a necessidade da mentira na democracia. Será que democracia sempre implica em demagogia? Talvez seja um dos males deste sistema que é o pior com exceção de todos os outros. Como o político depende do voto do povo, precisa se disfarçar de Zé Povinho, mesmo que esteja muito distante físicamente, espiritualmente e financeiramente deste. Marton discute especialmente a questão do aborto, sobre a qual ambos candidatos precisam mentir para não desagradar 70% do eleitorado, mas esta é apenas a mentira mais óbvia. Um tema mais interessante é a questão do uso do dinheiro público. 

Há eleições em breve nos EUA e no Brasil, e o contraste entre os dois países não poderia ser mais grotesco. Nos EUA, há eleições parlamentares nas quais os Republicanos perigam ganhar em uma lavada histórica. Há uma atmosfera muito grande de rejeição aos Democratas estatistas, à gastança excessiva e ao elitismo dos políticos em geral. Já no Brasil, o grande vencedor entre os deputados foi Tiririca, que prova que "o grande mérito no Brasil é subir na vida sem ter mérito algum", e a eleição no segundo turno é entre dois candidatos estatistas, que lutam para decidir qual é mais contrário às privatizações. (Um dos poucos políticos que defende as privatizações, curiosamente, é o ex-comunista Roberto Freire, presidente de um partido que se declara "Popular Socialista").

Dilma mente sobre o aborto: mente também Serra quando diz que não irá privatizar? (Mas temo que Serra não minta, que seja mesmo contrário à privatização). Se eu sou contrário ao aborto e a favor das privatizações, deveria considerar a primeira uma mentira danosa e a segunda uma mentirinha válida? Não. Do ponto de vista dos princípios, seria melhor que ambos candidatos, em vez de tentar se acomodar ao desejo do público, tentassem convencer o eleitorado da validade de suas próprias idéias, que são as que colocarão em prática no final.

Tanto nos EUA quanto no Brasil, é patente a busca de identificação do candidato com o povo: o que muda é que, nos EUA, o "povo" é a classe média revoltada com a falta de melhoria econômica que quer menos gastança do governo, e no Brasil o povo é a maioria da população que quer mais governo e mais benefícios para si. 

Atire a primeira pedra quem nunca pecou ou recebeu dinheiro do Governo. Muitos criticam o bolsa-família como compra de votos, mas, de fato, não é um saco de farinha ou um auxílio no fim do mês um benefício econômico mais tangível do que vagas promessas de melhoria econômica através do liberalismo?

Todos gostam de receber dinheiro do "governo", isto é, dos impostos. O que incomoda é que outros recebam sem merecer. Mas quem é que define quem merece o quê?

Caiu em minhas mãos, por acaso, um texto de um cineasta e professor universitário declarando-se a favor da Dilma. Seu argumento é que o PT deu dinheiro ao cinema e às universidades. Que, por mera coincidência, constituem o seu ganha-pão. O cineasta é autor de filmes experimentais de "vídeo-arte", tão chatos que só poderiam ser produzidos com dinheiro público mesmo. Mas o sujeito é tão cara-de pau (ou tão esperto) que chegou a realizar um vídeo com dinheiro público no qual mostrava justamente como gastava o dinheiro do prêmio viajando para a Europa e EUA e comendo nos melhores restaurantes. A obra-prima pode ser assistida aqui. A crítica, naturalmente, elogiou:
O que o espectador presencia então é praticamente um homem em sua missão: queimar R$13 mil e fazer um filme deste seu processo. No meio tempo ele cruza o oceano duas vezes, se hospeda em belos hotéis, passeia por Europa e EUA, come do bom e do melhor. Tudo, conforme o logotipo da patrocinadora no início e no final deixa bem claro, às nossas custas. No final da sessão em que eu estive presente, uma mulher levantou revoltada: "Vagabundo! É o meu dinheiro também!"

Desse grito (desejado e conseguido pelo filme) começam as inúmeras e necessárias perguntas que ele levanta: vagabundo por quê? O cineasta fez um filme com o dinheiro do prêmio, que era o que se exigia dele. Apresentou seu resultado final, com a duração pedida, dentro do orçamento proposto. Qual o problema, portanto? Que ele tenha se beneficiado pessoalmente deste dinheiro? Bom, pelo menos nós vimos como ele o fez. Quantos belos jantares e viagens foram pagas nos outros filmes produzidos com este prêmio e nós nem sabemos? Quantas contas de motel? Então, supomos que a revolta não pode ser no campo da ética, já que antiético seria fugir com o dinheiro sem fazer o filme ou escamotear prestações de conta escondendo tais gastos, coisas que Migliorin não fez.
É claro, o cineasta poderia ter sido ainda mais "ético" e devolvido o dinheiro, ou realizado um outro vídeo de protesto pagando do seu próprio bolso, mas isso talvez seria "provocativo" demais: também não devemos exagerar. No fundo, o videoartista não difere muito de tantos outros cineastas brasileiros, que adoram criticar o governo e a sociedade enquanto são financiados por este e esta.

Seria fácil dizer que o eleitor americano é mais politizado e consciente do que o brasileiro, mas não sei se é isso mesmo: eles estão, como todos, apenas defendendo o que é seu. Não querem dividir o dinheiro ganho com seu trabalho com as minorias parasitárias do welfare e com imigrantes ilegais, especialmente em uma época de crise econômica que só foi piorada pelos Democratas. E têm razão. Talvez a diferença seja apenas que essa equação (dinheiro público = dinheiro do contribuinte) ainda não tenha sido compreendida pela maioria dos brasileiros, mesmo os de classe média e alta.


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A imigração, ontem e hoje

Séculos atrás, brancos europeus invadiram a América e instalaram colônias, suplantando e/ou misturando-se com a população local de índios e trazendo escravos da África para trabalhar.

Hoje, está havendo uma colonização ao contrário. Árabes, africanos e índios (na forma de mestiços latinos) estão colonizando EUA e Europa. É a vingança dos colonizados.

Alguns dirão que o termo "colonização" é exagerado, já que, ao menos por ora, os imigrantes (legais ou ilegais) estão em posição subserviente. Tudo bem, mas na prática o resultado é o mesmo: uma redução da população nativa e mistura com os novos imigrantes. Imagine que, em vez dos europeus terem descoberto a América, milhares de índios em pirogas tivessem atravessado o Atlântico e ido parar na Europa: é, mais ou menos, o que está acontecendo hoje.

A imigração sempre existe e sempre existiu e sempre existirá, desde que os primeiros hominídeos abandonaram a África e tribos da Ásia atravessaram o estreito de Bering para chegar à América. É natural que as pessoas queiram melhorar de vida e saiam de países pobres para países onde podem ter maiores oportunidades (O Marcelo Augusto tem um bom post sobre isso).

E a vida dos imigrantes sempre foi difícil. Os italianos que chegaram à Argentina e Brasil foram enganados e vilipendiados. Na Argentina, eram ironizados pelo seu sotaque e pelas suas vestimentas. Nos EUA, há incontáveis relatos sobre a difícil vida dos vários grupos de imigrantes que chegaram ao país.

Qual o problema agora? A imigração que ocorre hoje é diferente por qual razão?

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A festa do chá e a mídia

Eu não sei bem como o fenômeno "Tea Party" está sendo representado pela incompetente imprensa brasileira, mas não tenho muitas ilusões. Uma das manchetes que li agora diz assim:

"Candidata de grupo xenófobo é destaque na campanha dos EUA"

Como fazer imprensa internacional no Brasil nada mais é do que copiar tudo do New York Times e da Newsweek, não surpreende o viés extremamente negativo dado ao grupo, o que é normal na grande mídia americana. Ainda assim, a notícia do portal Terra passou dos limites, tornando-se um grosseiro festival de desinformações.

Pelo texto, que não é assinado, ficamos sabendo que o "Tea Party" é um grupo de extrema-direita xenófobo, contrário aos direitos humanos, à masturbação e à teoria da evolução, e que é inexplicavelmente contrário às sensatas políticas de Obama. (Nada naturalmente é dito sobre o altíssimo percentual de desemprego, os gastos absurdos de Obama que em nada resolveram o problema econômico, e sobre o principal elemento de motivação dos "tea parties" e que explica seu próprio nome, que são os impostos cada vez mais altos.)

A deslegitimização do movimento aparece não só nas informações veiculadas pela mídia, por vezes falsas ou exageradas, mas nas próprias palavras escolhidas. Voltanto ao exemplo citado, os membros do grupo estariam "presos a ideias como um governo mínimo, zero política social e mercados financeiros sem regulação". Presos a idéias ultrapassadas, entende?

Ora, mas afinal o que são os "tea parties"? Meros grupos de pessoas de classe média que decidiram protestar contra o governo e contra os políticos em geral. Nada mais, nada menos. Não têm nem mesmo uma posição política totalmente definida, englobando desde libertários a religiosos a ex-progressistas desiludidos, e criticam tanto Democratas quanto Republicanos, tanto que os chamados RINOs (Republicans in Name Only) foram até agora suas principais vítimas. Se tendem mais em direção a políticos conservadores, é porque estes estão mais alinhados com a idéia "superada" de menos impostos e governo mínimo. Se são em sua maioria brancos, é porque o partido Democrata está lentamente virando o Partido dos Benefícios para as Minorias, mas quem paga a conta é a classe média branca.

Mas até que entendo o jornalista. Ver o povo protestando em massa contra o excesso do estatismo é um fenômeno que deve ser realmente inconcebível para um brasileiro.