sábado, 25 de fevereiro de 2012
Uma questão de classe
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Qual o limite da tolerância?
Tem um texto aqui (é minha sugestão de tradução ao Dextra) que compara a política de imigração americana com uma "mulher dos gatos". Você sabe, essas mulheres que moram sozinhas e terminam acolhendo em sua casa dezenas, às vezes até centenas de gatos, terminando por colocar em risco a própria saúde e aquela dos gatos. Qual o ponto em que uma pessoa caridosa que gosta de ajudar animais perdidos termina se transformando em uma louca "mulher dos gatos"?
Fiquei pensando nisso devido ao caso DSK. Como todos sabem, no fim descobriram que a "muçulmana fiel" não apenas estava mentindo em relação aos pormenores do caso, como era prostituta e estava envolvida com um traficante de drogas. Além da mentira em relação a DSK, Naffisatou Diallo também mentiu ao pedir asilo político nos EUA. Informou às autoridades que tinha sofrido estupro grupal e toda uma série de horrores em seu país natal. Mentira, tudo mentira.
Faz parte da natureza humana mentir se isso pode ser de algum modo benéfico. O problema é que o sistema de asilo político estimula a mentira. Se você dá asilo político a mulheres que sofreram estupro, é garantido que de uma hora para outra surgirão milhares de "estupradas". Pode apostar, 90% das historinhas contadas por aqueles que pedem asilo político são falsas, assim como 90% das historinhas contadas por mendigos são falsas. Poxa, se o Battisti pode vir com sua lorota de "perseguição política" na Itália, porque uma africana não pode inventar histórias bem mais convincentes?
Lembro do filme Viridiana, concebido como crítica ao cristianismo, mas que para mim é mais do que tudo uma crítica ao esquerdismo, que não tem o senso moral do cristianismo. No filme tem uma cena em que o protagonista ajuda um cachorro vira-lata maltratado por um carroceiro, comprando-o por uns trocados. Logo depois que ele vai embora, passa um outro carroceiro arrastando um outro cachorro. A moral é clara: não dá pra ajudar a todos...
O extremo oposto, é claro, é não ter piedade de ninguém. Eutanasiar os deficientes físicos e mentais, escravizar os negros e os índios, esterilizar os miseráveis, exterminar os judeus e todos aqueles que possam ser uma ameaça à sociedade, à elite, ao governo ou ao patrimônio genético. Uma forma de solução, sem dúvida, ainda que radical. Pessoalmente, não sou um nazista. Por quê? Há uma resposta complicada e uma simples, vou dar a simples. Sergey Brin e Larry Page são os criadores do Google. São também judeus. Se você acha que os criadores do Google devem ser colocados em campos de concentração, parabéns, você é um nazista. Já eu prefiro algo menos radical.
Porém, confesso que não sei qual seria a medida certa entre uma sociedade confiante mas relativamente tolerante e uma sociedade perdida como a nossa. Notem que o "bonzismo" (isto é, a bondade ingênua) a que me refiro não se limita à questão da imigração, mas perpassa todos os aspectos. Por exemplo, o crime: não é de hoje que o criminoso é visto como um coitadinho, recebendo penas cada vez menores. No Brasil, naturalmente, mas em muitos outros países de dito primeiro mundo também. Estes dias, nos EUA, uma mãe que matou a própria filha foi liberada por suposta falta de provas (ou incompetência da acusação); porém, é curioso que ela nem tenha querido saber quem "realmente" matou a criança. Na Inglaterra, casos em que criminosos violentos são soltos após uma semana de cadeia ou uma mera pena de "trabalhos comunitários" são praxe.
Não vou agora tentar explicar, só observar o seguinte: seria bom se existisse um equilíbrio e moderação nas questões humanas, mas raramente isso ocorre. Massacres, extermínios, guerras, estupros coletivos, escravidão, corpos crucificados e cabeças cortadas penduradas como aviso, tudo isso são a norma do mundo dito "civilizado". Vivemos apenas em um período de relativa exceção.
A História se move como um pêndulo. Temos momentos de tranquilidade, e depois momentos de extremismo. Vivemos agora sob o que se poderia chamar de um extremismo de esquerda global. Não é exatamente ditatorial, mas, fale a verdade, quantas pessoas que não são de esquerda você conhece? E, mesmo nos sites de direita, há temas nos quais não se pode tocar. No entanto, sente-se no ar uma crescente insatisfação. E há temor em relação ao futuro: quase ninguém tem uma visão otimista sobre este. É bastante claro que o pêndulo está para virar.
Não demorará muitas décadas, e teremos um retorno do extremismo de direita, ou então um domínio do islamismo (que, a seu modo, é também inimigo do progressismo e apenas seu aliado de conveniência), ou quem sabe do pan-eslavismo russo (não acredito muito nisso, mas pode ser), ou então uma supremacia global asiática (eles sim estão bem posicionados para isso), ou então um retorno glorioso do Positivismo (tá, essa foi só pra contentar o AN), ou então uma guerra bem f****a entre todas essas correntes. O fato é que o progressismo não vai durar, não tem como.
Pode-se tentar o "bonzismo" quanto se quiser. Mas, no fim, Maquiavel e os deuses do bom senso sempre vencem.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Um socialista estuprador?
Dominique Strauss-Khan, diretor do FMI e provável candidato presidencial na França pelo Partido Socialista, foi preso em Nova York, acusado de tentativa de estupro de uma camareira de hotel.
Por que digo que o caso é curioso? Bem, o sujeito era uma figura muito conhecida e ficou num quarto que custava 3 mil dólares por noite; segundo as acusações, decidiu em um impulso estuprar a camareira que acabara de entrar para limpar o quarto, uma imigrante de Gana de 32 anos que morava há seis anos nos EUA. Não seria mais fácil ter contratado um prostituta?
Embora Kahn tivesse fama de Don Juan e já pesassem sobre ele algumas acusações de assédio sexual, o caso em questão seria mais grave, configurando tentativa de estupro (não fica bem claro se o ato foi consumado ou não; segundo algumas informações, o socialista teria mostrado a dita dura para a representente do proletariado, forçado a moça a realizar sexo oral). Foi encontrado sangue na cama e DNA dele na moça.
Tudo indica que eles tiveram sim algum tipo de relação; Dominique, porém, argumenta que foi consensual.Alguns afirmam que tudo poderia ser uma armação política, talvez do seu arqui-inimigo Sarkozy. De fato, não custaria muito pagar uma camareira de hotel para oferecer seus serviços sexuais e depois acusar a vítima de estupro. Não seria a primeira vez que acusações falsas aparecem.
Alguns detalhes parecem indicar que as acusações sejam verdadeiras; por outro lado, foi o próprio Khan quem revelou a sua localização no avião ao hotel, tendo sido assim preso pela polícia.
Culpado ou inocente?
terça-feira, 1 de março de 2011
Por que ninguém gosta dos ricos?
Olavo de Carvalho, quem diria, recentemente atacou o neoliberalismo. E não é a primeira vez. Segundo ele, o liberalismo econômico, quando afastado de regras morais da tradição religiosa e das normas civilizadas de conduta, não significa nada e pode até mesmo piorar a situação.
Vou ter que concordar, com ressalvas. Embora eu seja totalmente favorável ao livre-mercado e ao Estado mínimo, tenho para mim que o liberalismo econômico é apenas um dos ingredientes que fazem o bolo civilizatório. Há muito mais nessa receita, por mais que gritem e gemam algumas polianas liberais.
E há um tema que tem causado bastante polêmica ultimamente, seja aqui no blog, seja nas discussões políticas em geral, que tem a ver com a influência cada vez maior das elites de mega-bilionários na política, seja através de lobbies, seja através de financiamento aos partidos, seja através da boa e velha corrupção.
Existe uma elite globalista, formada por milionários que usam trabalhadores chineses e telemarketers indianos para vender produtos a latinos. Eles estão pouco se lixando para a classe média local que está perdendo seu emprego ou sua casa. Os mega-ricos, seja de que país forem, têm mais em comum entre si do que com o resto da população de seus respectivos países.
No paraíso dos ultra-ricos globais, não há preconceitos políticos. Os bilionários brasileiros são petistas, os bilionários americanos são Democratas. Há entremuitos a ilusão de que os ricaços não gostem do estatismo. Besteira: se isto os beneficia, gostam sim. Economia de livre-mercado é coisa de pobre, lucra-se mesmo é nas ditaduras e nas repúblicas sindicalistas. Basta dar propina para os bolsos corretos.
No paraíso dos ultra-ricos globais, tampouco há espaço para a "islamofobia" ou o racismo. Milionários árabes andam de mãos dadas com bilionários americanos. E o que dizer da figura deste negão playboy, Teodorin Nguema Obiang, um ministro da miserável Guiné Equatorial, que tem dezenas de carros e uma mansão de fazer inveja a Xanadu? Não obstante a população de seu país viva quase toda na miséria e ele em teoria receba apenas 5 mil dólares por mês, a descoberta do petróleo permitiu o surgimento de alguns novos ricos bem conectados.
Os ricos costumam ser odiados. Em muitos casos por inveja, é certo, mas também em parte porque muitos os vêem desconectados do resto da população. Não vivem o que eles vivem; não sofrem o que eles sofrem.
Espremida entre os pobres que despreza e os ricos que inveja, quem sofre mesmo sempre é a classe média, que ainda por cima é quem termina pagando a conta, já que os pobres precisam ser sustentados e os ricos guardam bem seu dinheirinho em paraísos fiscais.
O seguinte diálogo (na verdade, segundo descobri, saído de uma peça teatral, o que não tira sua força) entre Jules Mazarin, cardeal e primeiro-ministro da França, e o seu ministro de estado Jean Baptiste Colbert, explica bem a situação:
Colbert: Para arrecadar dinheiro, há um momento em que enganar (o contribuinte) já não é possível. Eu gostaria que me explicasse como é que é possível continuar a gastar, quando já se está endividado até ao pescoço…
Mazarin: Se é um simples mortal, lógico, quando ele está coberto de dívidas, vai parar na prisão. Mas o Estado… o Estado, esse, é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se… Todos os Estados o fazem!
Colbert: Ah, sim? O Senhor acha isso mesmo? Contudo, precisamos de dinheiro. E como é que havemos de obter se já criamos todos os impostos imagináveis?
Mazarin: Criam-se outros.
Colbert: Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.
Mazarin: Sim, é impossível.
Colbert: E então os ricos?
Mazarin: Os ricos também não. Eles não gastariam mais. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.
Colbert: Então como havemos de fazer?
Mazarin: Tu pensas como um queijo, como um penico de um doente! Há uma quantidade enorme de gente situada entre os ricos e os pobres: os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos, mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tiramos. É um reservatório inesgotável!
Por que ninguém gosta dos pobres?
Detalhe: não há racismo aqui. Ambos os grupos são negros. São os negros de classe média que não querem que os negros do gueto vão para lá. Mas por quê?
Simples. O cara rala toda a vida para sair do gueto e comprar uma casa em um bairro mais razoável epoder dar uma educação melhor às suas crianças, e aí alguém compra uma casa por um preço irrisório logo ao lado da sua. Só isso já seria suficiente para irritar o cristão, mas não é o principal problema. O problema é que, com os habitantes do gueto, costuma vir o comportamento do gueto. Lixo jogado nas ruas, pessoas gritando às três da manhã, bebida, drogas, gangues, e finalmente tiroteio. Logo logo, já está na hora de se mudar de novo.
A mesma coisa acontece no Brasil, com as pessoas que moram próximas a favelas. Conheci uma petista que exigia a remoção de uma favela que estava iniciando a formar-se perto da sua casa de três quartos com piscina. "Ué, mas você não é petista, não gosta de pobre?" Desconversou.
É isso o que os esquerdistas não entendem, ou fingem não entender. Pobreza é muitas vezes conseqüência, não causa. A idéia do blogueiro Sakamoto para resolver a pobreza é dar a eles "moradia digna", em apartamentos no centro da cidade, cujo aluguel seria pago pelo contribuinte de classe média. É receita para o desastre. É a mesma idéia que foi realizada aqui nos EUA com o que se chama Section 8: pobres que têm apartamentos pagos pelo Estado em zonas nobres da cidade. Como inquilinos, são um inferno: raramente podem ser despejados, portanto eles usam e abusam. Não pagam nada, então tampouco valorizam a propriedade. Não tendo e muitas vezes nem mesmo trabalho, terminam utilizando o novo lar como ponto de venda de drogas.
Pobreza não é mera questão de recursos materiais, mas de comportamento. Se você quer eliminar a pobreza (se é que isso é possível), precisa primeiro modificar certos tipos de comportamento. Mas isso é bem mais difícil do que dar bolsa-esmola por toda a vida.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Devemos dar esmola?
Em uma esquina movimentada de São Paulo, caras-pintadas abordavam os veículos:
- Oi, tudo bem? Você poderia me dar uma moedinha. Eu passei.
Vendo a cena, um morador de rua que também fazia ponto naquele local, provido de uma ironia deliciosa, achegou-se:
- O senhor também poderia me dar uma? Eu também passei. Passei fome, passei frio, passei necessidade…
A moral sakamotiana esquerdista não explicita, mas sugere que o mendigo seria quem deveria ganhar a moeda, afinal, "a cada um de acordo com sua necessidade, de cada um conforme o seu bolso", parafraseando Marx. Mas eu não sei se é bem isso.
Ao dar grana a um mendigo - ou pior, a uma criança de rua -- o que estamos fazendo é simplesmente incentivando esse "trabalho". Em outras palavras, estamos pagando a um mendigo, ou a uma criança, para que fique nas ruas. Então, em vez de estar acabando com a mendicância, a estamos é aumentando. Amanhã o mendigo vai estar de novo ali, e a criança no sinal? Já serão duas, ou três. E quanto mais moedas o sujeito dá, mais crianças e mendigos aparecem. É como dar migalhas aos pombos.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Copa do Mundo explosiva
Bom, mas o que eu ia falar é que esta Copa do Mundo vai acontecer em um país em ebulição. Embora as notícias sobre a África do Sul que chegam à mídia internacional sejam poucas desde o final do apartheid, o fato é que o país enfrenta sérios problemas e está muito longe da utopia racial que foi prometida após o fim do sistema de separação.
No último dia 4 de abril, foi assassinado o militante separatista branco Eugene Terreblanche. Não sei se ele tinha esse nome ridículo de nascença (significa "terra branca" em francês) ou era uma espécie de pseudônimo. O fato é que o homem de 69 anos, líder de um grupo que desejava a separação dos brancos, foi morto a golpes de facão. E tudo isso poucas semanas depois de um funcionário do partido do governo ANC cantar uma música conclamando os negros a "matar os Boers" (fazendeiros brancos).
Alguns ficarão felizes com a morte de um racista, pois ele de fato o era. Mas o fato é que racismo, embora tenha virado crime em alguns países incluindo o Brasil, que eu saiba ainda não é punido com a pena de morte.
Se fosse apenas Terreblanche, seria um caso isolado. Mas, desde o fim do apartheid, mais de 3100 fazendeiros brancos (de um total de 40.000) foram assassinados, em crimes muitas vezes horríveis e extremamente sadísticos e brutais. Sem motivo. Ou, melhor, por um motivo específico: racismo. Por parte dos negros.
(É verdade que a maior parte das vítimas de crime no país são negros, que afinal representam mais de 80% da população, mostrando que os marginais não discriminam ninguém. O país está hoje entre os dez mais violentos do mundo, e é o campeão absoluto em estupros. Mas os chamados "crimes rurais" são um caso específico, motivado mais por violência do que por ganância, já que em muitos casos pouco ou nada é roubado.)
Se parte da população negra ainda sente desejos de vingança pelos anos de injustiça e sofrimento, a minoria branca sente-se acuada e procura se armar. Pelo menos 2 milhões já fugiram para outros países. Restam hoje apenas 4 milhões de brancos no país. Há quem tema que o governo atual da África do Sul tente repetir a triste história do Zimbabwe, confiscando terras e indústrias dos brancos.
O problema é que, com a expulsão dos brancos do Zimbabwe, quem mais acabou perdendo, paradoxalmente, foram os negros: hoje milhões de refugiados de um apocalíptico Zimbabwe tentam imigrar ilegalmente para... a África do Sul. Sendo recebidos muitas vezes com violência por seus irmãos negros, que não querem esses intrusos que roubam seus empregos. Alguns já têm saudades do colonialismo, e até mesmo do apartheid, quando havia injustiça e humilhação mas também, aparentemente, mais emprego e menos crime.
É também preciso observar que a divisão na África do Sul não é apenas entre brancos e pretos: no país há Zulus, Xhosa, Khoisan, brancos Afrikaaners, brancos descendentes dos ingleses, indianos, asiáticos e os coloured (como são chamados os mestiços). Um caldeirão. Que, na realidade, até que convive relativamente em paz, se você considerar como é a situação na maior parte da África.
É provável que eles façam como o Rio e coloquem batalhões de Polícia em todas as cidades por um mês. Todos poderão assistir à vitória do Brasil na Copa do Mundo em paz. Mas, e depois? Se os diversos grupos não encontrarem um jeito de conviver, e os problemas de crime e corrupção não forem resolvidos, a coisa pode ir piorando cada vez mais.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
A nova aristocracia
Contraste isso com o comportamento da First Lady Michelle Obama que, ao descobrir com horror que não tinha mais couve orgânica italiana em casa, decidiu ir comprá-la ela mesma. Em uma operação cuidadosamente planejada, a Casa Branca mandou fechar três ruas de Washington D.C. e uma estação de metrô, chamou a polícia com seus cães farejadores de bombas para inspecionar o local, não esqueceu ainda de avisar dezenas de repórteres, e, embora o mercado ficasse a poucas quadras, a moderna Maria Antonieta saiu em uma limusine escoltada por mais de sessenta carros (!) do serviço secreto e da polícia.
É claro que ela poderia ter enviado um estagiário, mas com isso perderia toda a publicidade e não poderia mostrar ao povão que ela é apenas uma dona-de-casa como outra qualquer...
Não se sabe quantos milhares de dólares do contribuinte e quantos "créditos de carbono" foram gastos para que a Cleópatra Negra pudesse ter sua salada. Salad days, indeed. (Mas nada de chamá-la de "adolescente".)
Essa é a mentalidade dos Novos Aristocratas progressistas que querem criar um Governo Mundial: tratam o povo cada vez mais como criança, mas não se submetem jamais às mesmas regras da ralé.
"Não tem pão? Que comam bolo, ora!"
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Brazimbabwe
À espera de novo índice, sem-terra preparam ocupaçõesAnúncio de revisão de produtividade no campo atrai trabalhadores para acampamentos no interior de SP
Observem a naturalidade com que o fenômeno de "ocupação" (ilegal) é anunciado. Observem ainda que os tais "sem-terra" são trabalhadores urbanos que não tem direito algum a terras (quanto menos qualquer conhecimento agrícola).
A expectativa da revisão dos índices de produtividade no campo pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já causa uma corrida aos acampamentos de sem-terra no interior de São Paulo.
Índice de produtividade? O que raios é isso? Como se calcula? Se eu tenho um pedaço de terra, não posso fazer com ele o que bem entender? E as terras do MST, são também avaliadas segundo o mesmo índice? Aposto que não.
Em Araçatuba, noroeste do Estado, moradores urbanos e cortadores de cana engrossam o Adão Preto, um mega acampamento formado por dissidentes do Movimento dos Sem-Terra (MST), considerado o maior do Brasil.Dissidentes do MST. Entenda-se, não pessoas que discordam das políticas totalitárias do MST, mas pessoas ainda mais radicais.
Desde a semana passada, o local passou a receber em média 20 famílias por dia. O coordenador Claudemir Silva Novaes chegou a suspender temporariamente o ingresso de novos acampados por falta de estrutura.
Quem é que permite que essas pessoas estejam ali em primeiro lugar? Como é que uma organização criminosa (segundo a própria Constituição Brasileira) pode ter coordenador e ser mesmo subsidiada pelo governo?
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) utiliza os índices para avaliar a produtividade das fazendas e desapropriar áreas improdutivas para a reforma agrária. A revisão aumentará em até 100% o mínimo de produção a ser alcançado no campo.O mínimo é 100%! Naturalmente, colocam-se índices impossíveis apenas para dar uma desculpa à desapropriação. Estaria o Brasil virando um Zimbabwe? Daqui a pouco teremos cotas raciais no campo também...
Poderia um grupo de pessoas sem instrução fazer melhor?Na região noroeste, a nova fronteira da cana-de-açúcar em São Paulo, muitas fazendas não atingirão o novo índice, segundo Novaes. "São áreas que estão no limite da produtividade atual, de 70 toneladas de cana por hectare", disse.
Assim que os novos índices entrarem em vigor, lideranças dos sem-terra pedirão ao Incra a vistoria nas fazendas. "O presidente Lula quer que a revisão saia já. As terras improdutivas estarão na mira dos sem-terra", afirmou Novaes. "Só não vamos ocupar áreas que estiverem dentro dos índices."
Observemos que, na realidade, segundo recentes estudos, apenas 30% das terras do país podem ser utilizadas para a agricultura. Os outros 70% constituem reservas indígenas ou florestais, terra não-arável, etc. Como eu já disse outra vez aqui, o maior latifundiário do país é o governo brasileiro.
O acampamento, criado no final de março pelo líder da dissidência, José Rainha Júnior, tinha cerca de mil famílias na última quarta-feira e novos acampados não paravam de chegar. Os 850 barracos ocupam dois quilômetros das faixas laterais de uma rodovia vicinal no distrito de Engenheiro Taveira.
Rainha, Rainha... Este sujeito não deveria estar preso?
Pobres infelizes, explorados por oportunistas como José Rainha... Ah, a reportagem não poderia concluir sem uma foto em preto e branco, bem ao estilo Sebastião Salgado. Pobre velhinho, explorado pelos gananciosos latifundiários.Desempregado, Salvador da Rocha empregou as economias na compra de madeira e telhas tipo eternit. Ele ganhou a lona plástica de um vizinho e fretou um caminhão para levar tudo até o Adão Preto. A família de José Osvaldo Mianuti, de 67 anos, também chegou há poucos dias. "O tempo de espera não importa, tenho certeza que valerá o sacrifício", disse.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Bandido bom é bandido solto
Assim, os agentes leninistas são agentes propositais da destruição do tecido social, ao mesmo tempo em que afirmam que a culpa é de seus inimigos. E promovem-se como a solução radical para os mesmos problemas que criaram.
Um exemplo claro é a questão do crime, da violência e do tráfico na América Latina. Não é segredo para ninguém que o crime organizado atual tem suas origens no contato com a guerrilha esquerdista nos anos 70. Foi dos presos políticos que Comando Vermelho e PCC aprenderam a guerrilha urbana e a organização. De fato, é o próprio fundador do CV que confirma isso, bem como vários ex-guerrilheiros que viveram esse período. Sobre isso, não há mistério algum. (E ainda hoje a relação dos traficantes com FARC, Chávez, Evo e todos o movimento bolivariano não é segredo).
Bem, está por sair um novo filme brazuca sobre as origens do Comando Vermelho. Não sei detalhes, mas parece ser mera romantização da bandidagem. De fato, segundo o diretor, a mensagem do filme é a "solidariedade dos presos na luta contra a opressão do sistema". O mesmo cineasta realizou dois documentários elogiosos da figura de Willian (é, com n mesmo) Silva, o fundador do CV. Não os assisti por ter um certo preconceito contra líderes do crime, mas estão no Youtube. Um se chama "Liberdade" e outro "Resistir", não dando margem a dúvidas que o fundador do CV é apresentado como uma espécie de revolucionário redentor das classes oprimidas, que, aliás, é como ele próprio se vê. Ah, sim: Willian cumpria pena em regime semiaberto e, um dia, sumiu... Quem diria! Para a esquerda, pelo jeito, bandido bom é bandido solto.
Ao convencer o mundo que o crime é causado unicamente pela "desigualdade social" (flagrante mentira, mas quem ousa discordar hoje?), a esquerda obtém dois trunfos. Um, promover-se a si mesma como a "solução" (afinal, não é a esquerda que luta contra a desigualdade social?) obtendo cada vez mais poder e dinheiro para o Estado. Dois, a desculpa para não fazer nada contra o crime, pois, já que tudo é mero resultado da desigualdade social, ora, é preciso primeiro resolver a tal desigualdade, que depois magicamente a questão do crime será resolvida.
Porém, como a igualdade social é um mito, uma utopia, e jamais acontecerá, fica a certeza que a esquerda nunca moverá um dedo para resolver a questão do crime de modo eficiente. Vejam que, com Chávez, o crime aumentou 400% na Venezuela. E no Brasil-il-il? Bem, está aí o ministro do meio-ambiente participando de marcha da maconha, enquanto a violência cresce sem que ninguém faça nada.
Quanto pior, melhor.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Fuga de Caracas
Isso é verdadeiro ainda hoje. Leio uma interessante notícia sobre a "fuga de cérebros" da Venezuela em direção a outros países, como EUA, Colômbia e até Panamá. As pessoas mais qualificadas - e toda a classe média em geral - está há tempos abandonando o barco em direção a ambientes menos hostis. É o dilema de todo regime socialista: como manter no país os competentes que produzem riqueza e inteligência? A mesma notícia informa que Chávez demitiu a maioria dos profissionais mais experientes da PDVSA (empresa petrolífera venezolana), colocando em seu lugar marionetes marxistas. A produção diária de petróleo caiu em mais de um terço. Não é difícil adivinhar, em poucos anos, a decadência do regime chavista.
Para os ingênuos radicais esquerdistas, os Idelberes e Tiagos da vida, sempre apoiando causas equivocadas, essa é uma boa notícia: finalmente a maldita classe média vai embora, deixando que o Governo possa cuidar exclusivamente do Povo.
O que eles não entendem é que o Povo é um só. Não existe "luta de classes". O maior erro do marxismo é separar as pessoas em categorias econômicas estanques, como se ser "proletário" ou "burguês" fosse algo determinado geneticamente.
Nunca entendi muito bem o ódio dos esquerdistas à classe média. Afinal, o sonho de todo pobre é ser de classe média, o sonho de todo proletário é ser burguês. E esse movimento de ascenção social sempre ocorre em um sistema político mais natural, não baseado na hedionda utopia "igualitária".
O socialismo, ao contrário, costuma manter os pobres na "pureza" da falta de dinheiro ou alimentos. Para os seguidores dessa bizarra religião fantasiada de ideologia política, ser pobre é ser mais puro.
Os socialistas são parasitas que nem mesmo compreendem que, ao matar seu hospedeiro, irão logo morrer também.
terça-feira, 21 de julho de 2009
O que é "justiça social"?
O próprio termo é equívoco, invertendo a ordem natural das coisas. Afinal, o termo "justiça" pareceria indicar que atualmente ocorre uma "injustiça" - que a distribuição supostamente natural eqüitativa dos recursos teria sido deturpada por capitalistas ávidos e/ou plutocratas malvados e/ou a classe média egoísta, de modo que alguns sempre ganhem injustamente mais do que outros. De acordo com os apólogos da tal "justiça social", os recursos deveriam ser distribuídos de modo mais igualitário entre todos os cidadãos de um país, ou, nos casos mais extremos, entre todos os habitantes do mundo.
Porém, ao contemplar o conceito, observamos rapidamente duas coisas: a primeira é que a ordem natural do mundo não é nem nunca foi a distribuição igualitária de recursos, mas exatamente o contrário. A ordem natural é a desigualdade. Isso pode ser considerado bom ou ruim dependendo da ideologia de cada um, mas é um fato. Nunca, em nenhum momento da História humana, houve uma distribuição igualitária de recursos materiais: mesmo no Neolítico certamente os mais fortes tinham maiores vantagens na obtenção de alimentos ou de fêmeas. (Aliás, o próprio conceito de "distribuição de riquezas" é absurdo, já que a riqueza é um valor dinâmico, criado a todo momento: não há um número X de recursos a serem distribuídos igualmente entre todos, como notas do Banco Imobiliário).
A segunda coisa que observamos é que a tal "justiça social", se aplicada na prática, seria na verdade extremamente injusta. Por que a distribuição de recursos deveria ser completamente desligada de qualquer esforço ou mérito? Por que deveria alguém que estudou ou trabalhou por anos a fio, à custa de imenso esforço pessoal, ser igual a alguém cujo curriculum vitae se resumiu a matar aula, roubar, beber cachaça e assaltar ou mendigar pelas ruas? Na União Soviética um operário (categoria celebrada pelo regime, ao menos no momento inicial) sem grande formação ganhava o mesmo ou mais do que um médico com anos de estudo. Era isso mais justo?
Evidentemente, não estou querendo dizer que os ricos sejam ricos exclusivamente por mérito ou talento; em grande parte dos casos, não é assim (ou depende do que se considere "talento"). Tampouco é verdade que a maioria dos pobres o seja por escolha (embora, em muitos casos, isso ocorra, ainda que sejam escolhas inconscientes). Mas, mesmo que consideremos tal distribuição "injusta", é o modo em que as coisas ocorrem. Quem é a elite esclarecida que deve decidir o que é socialmente "justo" e o que não é? Uma redistribuição igualitária forçada da renda não seria ainda mais "injusta", ao menos para quem perde seu rico dinheirinho?
"De cada um conforme sua habilidade, a cada um conforme sua necessidade" é a resposta marxista, o ditado que tornou-se lei para a inteligentsia internacional. Mas esta é na verdade uma receita infalível para produzir a degradação social. Distribuir de acordo com a mera necessidade, sem qualquer contrapartida, apenas aumenta o problema. Uma redistribuição de recursos que não leva em conta qualquer tipo de mérito, educação ou esforço, que tira do "rico" (isto é, na verdade, da classe média, já que o rico deposita em paraísos fiscais ou passa a conta ao consumidor) para dar ao "pobre" (pobreza é sempre relativa, lembrem-se) apenas para manter uma menor desigualdade social pode tornar-se, na verdade, extremamente prejudicial para a sociedade como um todo e gerar a perpetuação dos mesmos males que pretende combater.
É curioso que os esquerdistas, tão críticos do capitalismo, sejam na verdade as pessoas mais materialistas do mundo. Para eles, felicidade ou infelicidade parecem resumir-se exclusivamente à posse de recursos materiais. Além disso, a questão moral evade-os completamente. Tanto faz um pobre ser criminoso, pedinte, estudioso ou trabalhador: o que importa é que tenha os mesmos recursos do rico ou da classe média, não importando a origem do dinheiro. Não espanta que os mais radicais cheguem a ver o crime meramente como uma forma de obter a tão sonhada "justiça social". Os fins justificam os meios: seja o roubo governamental (impostos, nacionalização) ou privado (assalto a mão armada), o importante é redistribuir.
Estou lendo "Life at the Bottom", do freqüentemente citado aqui Theodore Dalrymple. É um livro que deveria urgentemente ser traduzido ao português. Embora se refira ao caso britânico, é impressionante observar como muitas das patologias referidas aplicam-se, em proporção ainda maior, ao caso brasileiro. Neste link pode ser lido um dos ensaios do livro, que trata justamente da questão da pobreza, ou da suposta pobreza de certas camadas da população inglesa (já que sua "pobreza" em nada se iguala à brasileira), e dos malefícios do welfare estate, o qual acaba com a (sempre relativa) pobreza material, ao mesmo tempo em que prende os seus recipientes em um círculo vicioso de dependência do qual poucos sairão.
Uma das coisas mais importantes que o livro mostra é como pobreza, felicidade e escolhas morais estão intimamente ligadas, e que a tentativa de dissociar completamente a obtenção de bens materiais ou benefícios públicos de qualquer mérito ou esforço termina por promover aquilo mesmo que quer evitar.
Dalrymple observa como, ao dar casas gratuitas para "pessoas-problema" como mães solteiras, alcoólatras, violentos, criminosos e drogados, o Estado inglês está na verdade promovendo (e os números comprovam) o aumento de mães solteiras, de alcóolatras, de violentos, de criminosos e de drogados. Afinal, todas essas atividades compensam. Trabalhar ou ser um bom cidadão compensa bem menos, já que estes não recebem ajuda. Em muitas cidades da Inglaterra e algumas dos Estados Unidos, por exemplo, é mais conveniente viver do seguro-desemprego do que trabalhar. De fato, esforçar-se para procurar emprego e trabalhar resulta antieconômico, já que ganha-se a mesma coisa.
Mas assim também acaba-se com a ambição e a conseqüente mobilidade social: para que estudar ou trabalhar se é melhor viver confortavelmente sustentado pelo Estado? O bolsa-família (que é ainda o menor dos problemas) e outros processos assistencialistas mais negativos (por não exigirem qualquer dever) e tão típicos da América Latina, geram um processo similar de dependência e imobilidade social. Melhor uma sociedade de classes com alta mobilidade, ou uma sociedade supostamente mais igualitária mas com castas imóveis das quais é praticamente impossível sair?
Mas mais nociva ainda - particularmente no caso latinoamericano - é a relação entre o crime e a falta de responsabilidade individual (todos querem direitos; poucos querem deveres) gerada pelo coitadismo, outra gritante patologia moderna que deveria ser analisada em detalhe. Falarei sobre esse tema mais adiante.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Cultura de castas
To suggest that a basketball player can be compared with Mozart is to put all human activities on the same level; and since some activities come easier and more naturally than others, it has the effect of reducing, indeed making quite pointless, any form of cultural aspiration. If what comes easily is as good as what comes only with deep effort, thought and intelligence, why go to any trouble? There is a Gresham’s law of culture: without a scale of values, the bad will always drive out the good.Thus the intelligent flatter the unintelligent, without, in their hearts, meaning a word of what they say. What seems at first sight progressive is in fact deeply reactionary, in the worst possible sense: it does not permit or encourage social ascent, and changes class societies (such as capitalist democracies have always been) into caste societies.
É como a celebração da "cultura da periferia" por certas almas nobres e caridosas da esquerda, que transformam o linguajar ignorante dos rappers dos guetos em alta poesia, ou a arte de vândalos grafiteiros em imagens de Boticcelli.
Não vejam aqui elitismo algum. Pessoalmente, a arte contemporânea, criada em sua maioria por uma elite social e cultural, cheia de referências pós-moderninhas, causa-me em geral apenas repulsa; e vejo em muitos casos maior valor em obras populares (e não esqueçamos, depois de tudo, que mesmo Shakespeare foi um plebeu autodidata e um autor popular - e até mesmo "comercial" - em sua época).
O que ocorre é que os parâmetros mudaram. Hoje, não havendo mais o que se considere uma "alta cultura" à qual aspirar, o pobre é incentivado a manter a sua (falta de) cultura, isto é, não tentar se elevar acima das suas possibilidades de berço. Machado de Assis, filho de mulato que ascendeu socialmente adquirindo de forma autodidata a cultura literária "européia, branca e patriarcal", hoje provavelmente seria um traficante, um jogador de futebol, ou quem sabe - estimulado pelo Ministério da Cultura - um rei das letras do funk carioca.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Inteligência e genética
É uma questão muito espinhosa, pois alguns se aproveitam disso para sugerir a eugenia ou então o racismo institucional. Naturalmente, não apoio tais movimentos; apenas acompanho os estudos científicos a respeito do tema com mórbida fascinação.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
A mentira do latifúndio
Mas será que é isso mesmo?
Em coluna do ano passado, Dennis Rosenfield coletou informações dos próprios órgãos governamentais, e descobriu alguns fatos realmente assustadores:
1) As terras de cultivo (propriedade privada) equivalem a meros 9% do território nacional.
2) As terras dos assentamentos rurais (MST e quetais) equivalem também a idênticos 9%. E no entanto, eles insistem em querer a "reforma agrária" e em ocupar os outros 9%!
3) No total (incluindo áreas de pastagem para o gado), as áreas particulares equivalem a cerca de 29,2% do território. As áreas sob controle do governo (incluindo reservas indígenas e assentamentos) equivalem a 62,4%!
Conclusão: o maior latifundiário do país (do planeta?) é o governo brasileiro.
Um pouco mais e começaremos a ter Planos Qüinquenais...
quarta-feira, 1 de abril de 2009
O socialismo não é tão ruim
O fato é que o capitalismo neoliberal, apesar de todas as suas inegáveis vantagens teóricas, na prática não funcionou de modo tão perfeito assim. É verdade que, ao contrário do socialismo, jamais prometeu a igualdade, mas hoje em dia há demasiadas provas da miséria que cria, desde as criancinhas na África à crise econômica financeira mundial atual. Talvez Obama esteja correto em tirar as rédeas das mãos dos capitalistas demasiado selvagens e colocá-las de novo a serviço do povo. Pois tudo se resume nisso: um governo do povo, pelo povo e para o povo.
Por exemplo, peguemos o Chávez. Está certo que ele é uma figura bastante ridícula, com grave tendência ao autoritarismo, mas devemos observar que, ao menos, as condições de vida dos pobres de Caracas efetivamente melhoraram. Se formos a países desenvolvidos como a Suécia, que fomentam uma versão mais light do projeto de redistribuição de renda através de impostos, verificaremos então que a situação é ainda melhor. Apesar do grande número de loiros de olhos azuis, lá a pobreza de fato não existe.
Quanto ao radicalismo islâmico, continuo sendo contrário, embora acredite que o modelo socialista moderado, ao separar radicalmente a Igreja do Estado e ao exigir a submissão do indivíduo às benéficas regras do governo, seja o melhor modelo para conter os excessos do fanatismo. O Islã é, no fundo, uma religião da paz; apenas precisa ser um pouco melhor controlada.
O modelo socialista que proponho, é claro, permaneceria democrático - naturalmente que com partido único para evitar possíveis complicações, já que o povo raramente sabe votar com sabedoria, vide os recentes exemplos de Brasil e EUA.
Viva o socialismo democrático! Ahora y siempre!
domingo, 1 de março de 2009
O lixo e o luxo
Pode parecer chocante para nós, mas acho que algo de razão a moça tem. Viver do lixo pode ser mais fácil do que trabalhar em um emprego formal. Menos saudável talvez, mas mais livre e até mais rentável. A indústria do lixo movimenta 8 bilhões de reais e, de acordo com este artigo, ser catador de lixo e vender o papel ou as latas para reciclagem dá mais dinheiro do que muito emprego por aí. O ramo tem inclusive seus micro-empresários, que comandam funcionários pagos com até três salários mínimos.
(Ou seja, essa história do "Ilha das Flores", de pobres seres humanos mais explorados do que porcos, era pura abobrinha pelo jeito.)
É certo que alguns ainda vêem aí a mão da exploração capitalista, e prefeririam que essas pobres pessoas estivessem recebendo ajuda estatal para não trabalhar em condições tão degradantes. Será que é mais digno viver catando lixo ou viver do bolsa-família?
Talvez viver do bolsa-esmola seja melhor, o problema é que os programas de "transferência de renda" dos ricos para os pobres são um fracasso. Em vez de gerar emprego, que é o que gera riqueza, geram um ciclo de dependência no qual produz-se cada vez menos. O pobre passa a viver do dinheiro do rico. O rico, garfado cada vez mais, produz cada vez menos. O único que termina feliz com esse esquema piramidal é o atravessador, também conhecido como Estado. Portanto, a "transferência de renda" não é dos ricos aos pobres, é dos ricos aos novos-ricos burocratas estatais e amigos do poder. Está aí a nova elite bolivariana que não me deixa mentir.
E, no entanto, um assistente de Obama afirmou, com a maior cara de pau, que o projeto obamista tem o objetivo de realizar "a maior redistribuição de renda dos ricos aos pobres já feita em 40 anos neztepaís." Desastre na certa.
Pare pra pensar. Por que motivo deveria haver uma "re-distribuição" de renda que ninguém distribuiu, e por que esta "redistribuição" deveria ser realizada, não pelos interessados, mas por terceiros que nada tem a ver com o assunto?
Nunca vou entender a fé que certas pessoas depositam no Estado, como se este não fosse formado por pessoas tão ou mais incompetentes do que eu e você. Os estatistas querem que cada vez mais dinheiro seja entregue a essa corja, e depois ainda se espantam com a corrupção e crise econômica que se seguem.
Faz pouco, o Partido Comunista Francês mudou de nome. Agora se chama Partido Anticapitalista. Dou-me conta que estive enganado o tempo todo: comunismo e socialismo não existem. Não enquanto sistemas políticos ou econômicos, ao menos. São, na verdade, meras narrativas criadas para as massas, para ocultar um desejo mais velho do que o homem - a acumulação de poder absoluto nas mãos de uns poucos. Dizer que é "para ajudar os pobres" ou para "criar uma sociedade mais justa" é apenas a desculpa que funciona melhor. Mas não se enganem: também podem falar em "pureza da raça" ou alguma outra frase que venha a calhar conforme o momento.
Do jeito que a coisa vai, com até os EUA entrando na canoa furada do estatismo, terminaremos todos vivendo do lixo. O problema é que, como na piada, talvez não haja lixo para todo mundo.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
O capitalismo não cria miséria, mas sim inveja
O fato é o seguinte. O capitalismo e/ou o neoliberalismo não criam miséria por um motivo muito simples: a miséria já está lá, é anterior ao capitalismo. A criancinha africana que morre de fome hoje morria de fome também nos tempos Bíblicos (bem, não a mesma criancinha, é claro, mas vocês entendem o que quero dizer). Aliás, graças ao capitalismo provavelmente há bem menos gente morrendo de fome hoje do que em tempos anteriores. Ainda assim, a desigualdade permanece. Alguns nascem pobres, outros nascem ricos. Sempre foi assim. Mesmo no Comunismo, havia os privilegiados (membros do Partidão) e os não-privilegiados que eram mandados para a Sibéria. Pode não ser ideal, mas é o jeito que a vida é.
Não: o capitalismo não cria miséria, cria riqueza. O problema é justamente esse. Dá a oportunidade a algumas pessoas - e não necessariamente as mais inteligentes ou talentosas - de ficarem ricas, muito ricas. Assim, a pobreza dos "have-not" fica mais aparente frente à exuberância dos "have".
Então o capitalismo não cria pobreza, mas cria um outro problema bastante grave: a inveja. E os esquerdistas (entre outros) apropriam-se dessa má característica humana para os seus próprios fins.
No outro dia, Paris Hilton foi censurada por alguns esquerdistas australianos por ter gasto mais de 5.000 dólares em vestidos em sua breve visita ao país. "Com esse dinheiro poderia ter alimentado trezentas criancinhas africanas", disseram. "Nesta época de crise e desemprego, é obsceno."
Curiosamente, não ter gasto os 5.000 dólares (que, francamente, nem são tanto dinheiro assim) provavelmente colaboraria mais para aumentar a crise e o desemprego. Não consta que os lojistas tenham reclamado, ao menos.











