quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Brazimbabwe

É interessante observar como passar um tempo fora do Brasil nos alerta para certos absurdos que, talvez, não notaríamos de mais perto. O Orlando Tambosi e o Reinaldo Azevedo chamaram a atenção para uma notícia sobre os tais "sem-terra". Fiskeio a reportagem abaixo.

À espera de novo índice, sem-terra preparam ocupações

Anúncio de revisão de produtividade no campo atrai trabalhadores para acampamentos no interior de SP

Observem a naturalidade com que o fenômeno de "ocupação" (ilegal) é anunciado. Observem ainda que os tais "sem-terra" são trabalhadores urbanos que não tem direito algum a terras (quanto menos qualquer conhecimento agrícola).

A expectativa da revisão dos índices de produtividade no campo pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já causa uma corrida aos acampamentos de sem-terra no interior de São Paulo.

Índice de produtividade? O que raios é isso? Como se calcula? Se eu tenho um pedaço de terra, não posso fazer com ele o que bem entender? E as terras do MST, são também avaliadas segundo o mesmo índice? Aposto que não.

Em Araçatuba, noroeste do Estado, moradores urbanos e cortadores de cana engrossam o Adão Preto, um mega acampamento formado por dissidentes do Movimento dos Sem-Terra (MST), considerado o maior do Brasil.
Dissidentes do MST. Entenda-se, não pessoas que discordam das políticas totalitárias do MST, mas pessoas ainda mais radicais.

Desde a semana passada, o local passou a receber em média 20 famílias por dia. O coordenador Claudemir Silva Novaes chegou a suspender temporariamente o ingresso de novos acampados por falta de estrutura.

Quem é que permite que essas pessoas estejam ali em primeiro lugar? Como é que uma organização criminosa (segundo a própria Constituição Brasileira) pode ter coordenador e ser mesmo subsidiada pelo governo?

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) utiliza os índices para avaliar a produtividade das fazendas e desapropriar áreas improdutivas para a reforma agrária. A revisão aumentará em até 100% o mínimo de produção a ser alcançado no campo.
O mínimo é 100%! Naturalmente, colocam-se índices impossíveis apenas para dar uma desculpa à desapropriação. Estaria o Brasil virando um Zimbabwe? Daqui a pouco teremos cotas raciais no campo também...

Na região noroeste, a nova fronteira da cana-de-açúcar em São Paulo, muitas fazendas não atingirão o novo índice, segundo Novaes. "São áreas que estão no limite da produtividade atual, de 70 toneladas de cana por hectare", disse.

Poderia um grupo de pessoas sem instrução fazer melhor?

Assim que os novos índices entrarem em vigor, lideranças dos sem-terra pedirão ao Incra a vistoria nas fazendas. "O presidente Lula quer que a revisão saia já. As terras improdutivas estarão na mira dos sem-terra", afirmou Novaes. "Só não vamos ocupar áreas que estiverem dentro dos índices."

Observemos que, na realidade, segundo recentes estudos, apenas 30% das terras do país podem ser utilizadas para a agricultura. Os outros 70% constituem reservas indígenas ou florestais, terra não-arável, etc. Como eu já disse outra vez aqui, o maior latifundiário do país é o governo brasileiro.

O acampamento, criado no final de março pelo líder da dissidência, José Rainha Júnior, tinha cerca de mil famílias na última quarta-feira e novos acampados não paravam de chegar. Os 850 barracos ocupam dois quilômetros das faixas laterais de uma rodovia vicinal no distrito de Engenheiro Taveira.

Rainha, Rainha... Este sujeito não deveria estar preso?

Desempregado, Salvador da Rocha empregou as economias na compra de madeira e telhas tipo eternit. Ele ganhou a lona plástica de um vizinho e fretou um caminhão para levar tudo até o Adão Preto. A família de José Osvaldo Mianuti, de 67 anos, também chegou há poucos dias. "O tempo de espera não importa, tenho certeza que valerá o sacrifício", disse.

Pobres infelizes, explorados por oportunistas como José Rainha... Ah, a reportagem não poderia concluir sem uma foto em preto e branco, bem ao estilo Sebastião Salgado. Pobre velhinho, explorado pelos gananciosos latifundiários.

5 comentários:

Anônimo disse...

Há um engano no post: “O mínimo é 100%!”. O mínimo de produtividade não é 100%, isso não é medido em porcentagem. Ele aumentou EM 100%.

Não havia exigência de produtivade de, digamos 80%, e agora a exigência teria virado 100%.

O que aconteceu é que se era 2 toneladas de cana por centímetro quadrado, virou 4 toneladas.

Não muda o enfoque da análise, mas descredita em parte seu argumento de que os níveis exigidos sejam inatingíveis.

O melhor argumento é o anterior, onde você menciona o fato de que o proprietário não tem mais direitos de propriedade. Argumentar sobre as exigências mínimas serem justas ou não é admitir que é possível existir direitos de propriedade com coerção impondo essas exigência.

Hugo disse...

Há um engano no post: “O mínimo é 100%!”. O mínimo de produtividade não é 100%, isso não é medido em porcentagem. Ele aumentou EM 100%.

Não havia exigência de produtivade de, digamos 80%, e agora a exigência teria virado 100%.

O que aconteceu é que se era 2 toneladas de cana por centímetro quadrado, virou 4 toneladas.

Não muda o enfoque da análise, mas descredita em parte seu argumento de que os níveis exigidos sejam inatingíveis.

O melhor argumento é o anterior, onde você menciona o fato de que o proprietário não tem mais direitos de propriedade. Argumentar sobre as exigências mínimas serem justas ou não é admitir que é possível existir direitos de propriedade com coerção impondo essas exigências.

Mr X disse...

Olá, Hugo,

Você está correto, me enganei. Mas você tem razão: qualquer nível exigido, por menor que seja, é equivocado. De qualquer modo, que haja um aumento progressivo das exigências só indica que trata-se, efetivamente, de uma chantagem.

O problema é a Constituição de 88, que tem essa cláusula absurda de "função social da propriedade".

Didi Iashin disse...

Simpls assim: Stedile e José Rainha são os nossos novos Pol-Pot.
Eles vão nos colocar em campos de reeducação, menos a mim, que uso óculos e gosto de música clássica. Eu vou para o paredón, o que me livraria de viver esse pesadelo "sem fim".

Adaílton Persegonha disse...

"E as terras do MST, são também avaliadas segundo o mesmo índice? Aposto que não."

Você venceu a aposta, até porque, numa matéria da Bandnews, fiquei sabendo que os assentamentos do MST não precisam provar a sua produtividade. Talvez por isso os seus ocupantes não consigam distinguir um pé de alface de um repolho...