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quinta-feira, 29 de março de 2012

Mídia do bem, armas do mal?

Quase não assisto televisão. Nos últimos dois anos, nem tinha um aparelho que funcionasse em casa. Decidi consertá-lo por falta do que fazer, mas descobri que não perco muito. Dei-me conta que não suporto a propaganda televisiva, seja durante os comerciais, seja durante os programas jornalísticos. Melhor é informar-se pela Internet. Filmes e séries também podem ser assistidos online.

No entanto, parece que grande parte da população mundial ainda se informa através dessa mídia ultrapassada e demoníaca. E poucos percebem que não passa de um sistema de replicação de inverdades, de incultura e de incentivo ao consumismo mais calhorda.

Além de tudo, a grande mídia demonstra uma incrível falta de imaginação. Repete os mesmos temas uma e outra vez. O caso Zimmerman-Trayvon, por exemplo, já aconteceu.

Em 1984, um jovem branco e franzino, Bernhard Goetz, foi abordado no metrô de New York por 4 rapazes negros que o cercaram e lhe pediram (com atitude ameaçadora) dinheiro. Goetz respondeu a bala, ferindo gravemente seus atacantes. Os jovens estavam desarmados e a mídia fez um grande escarcéu.  Goetz terminou acusado de ser um assassino racista, foi apelidado de Vingador do Metrô e seu ato inspirou o filme Desejo de Matar, com Charles Bronson. (Curiosidade: tanto Goetz como Zimmerman têm sobrenomes de origem judaica, Zimmerman devido ao pai adotivo judeu, mas é católico, e Goetz de pais judeus mas convertidos ao cristianismo).

No fim, após grande carnaval midiático e protestos populares, foi absolvido. Os quatro rapazes negros tinham carreira no crime, e um deles, meros dois meses após o tiroteio, sequestrou uma jovem grávida e apontou uma arma para a cabeça dela enquanto um companheiro a estuprava. Num subsequente processo civil, Cabey, a única das vítimas de Goetz que ficou paralítica e não pôde mais dedicar-se ao crime, ganhou 43 milhões de dólares. Os outros continuaram roubando e assaltando. (E o Vingador do Metrô? Ainda está vivo e em NY, virou vegetariano e protetor de esquilos desamparados.)

Existem dezenas ou centenas ou milhares de casos de gente que morre em tiroteio, mas é claro que à mídia interessa apenas o caso do vigilante branco (ou "branco") armado que mata minorias inocentes (ou "inocentes"). Por quê? Parte do motivo é a própria raridade de tal tipo de evento. Assaltantes ferindo ou matando suas vítimas não é notícia, o que é notícia é a reação. Parte também é a obsessão com o controle de armas, que foi afinal parte da discussão no caso Goetz e também no caso Zimmerman. E parte, naturalmente, é o aspecto racial. Fossem vítima e atirador nos dois casos apenas brancas ou apenas negras, haveria tanto escarcéu? Não temos como saber ao certo, mas provavelmente não.

Mas esqueçamos da entediante questão racial. Os casos são polêmicos também por tratarem-se de pessoas armadas que mataram gente desarmada e, talvez, inocente, ao menos do momento do ataque. Naturalmente, surge a questão do porte de armas e da legítima defesa. Até que ponto esta é válida? Até quando se deve esperar para atirar?

Uma vez fui atacado na rua por um sujeito drogado que queria dinheiro. Evitei-o, tentei fugir, levei um soco nos dentes. Eu não estava armado, afinal jamais usei armas, mas, e se estivesse? Será que eu deveria ter atirado nele? E se ele estivesse armado? Eu esperaria ele atirar em mim? No fim, tudo acabou com a chegada da polícia e a fuga do infeliz. Uma arma provavelmente teria causado uma morte, fosse a dele ou a minha.

Sempre fui a favor do porte de arma por entender que a legítima defesa é um direito do cidadão e, quando segundos contam, a polícia está a poucos minutos. Por outro lado, entendo que ter um revólver à mão facilita certas mortes. Muitos crimes passionais e mortes por motivo fútil não aconteceriam se não houvesse uma pistola nas mãos de alguém. Os vários tiroteios nas escolas americanas, querendo ou não, também são um resultado da facilidade de se ter armas nos EUA. E os casos de Goetz e Zimmerman, também. Por outro lado, não pode-se negar que, muias vezes, armas salvam vidas.

A pergunta do dia é -- você é a favor ou contra o porte de arma? Acha que Zimmerman e Goetz erraram ao atirarem em gente desarmada? Deveriam ter sido mais prudentes e aguardado, ou reagido com socos, mas sem atirar?  E quanto à mídia, acham que esta influi demais na nossa percepção dos fatos? (Pergunto por que não me parece sempre tão claro se é a mídia progressista que  influi na cultura, ou se é a cultura progressista a que influi na mídia).

Discutam entre vocês enquanto eu vou lá consultar o preço da Smith & Wesson Magnum .44...


Go ahead, make my day.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Uma tirania do bem

Proibiram as sacolinhas de plástico no supermercado, e a maioria das pessoas apoiou a medida. Da mesma forma, a tal lei anti-homofobia, que censura o discurso crítico contra os homossexuais, é aplaudida pela maioria das pessoas bacanas, e as leis antirracismo, que censuram o discurso sobre raça, já foram mais do que aprovadas com louvor pela maior parte da população. 

É censura da brava: fale qualquer coisa que fique fora da norma do "politicamente correto", e você poderá perder seu emprego, ter sua carreira arruinada, ter que abandonar os estudos, quem sabe até ser preso. Mesmo que você seja um Prêmio Nobel.

Imagine que estivéssemos sob um governo de direita e saísse uma lei dizendo "é proibido falar mal da família cristã". As pessoas sairiam nas ruas para protestar, cantores da MPB criariam músicas satíricas cheias de insultos, e seria revogada em dois dias. Mas crie uma lei de censura ou proibição "do bem", isto é, progressista, e todos estarão de acordo.

Em uma entrevista décadas atrás, Aldous Huxley, autor de "Admirável Mundo Novo", disse que achava que ditaduras do futuro teriam uma diferença: os tiranizados estariam felizes e aplaudiriam a própria opressão. Ele estava correto. A grande sacada dos progressistas e globalistas foi primeiro convencer as massas de que alto é baixo, preto é branco, socialismo é liberdade, e que a tirania que sofreriam era para o seu próprio bem. Se quer convencer alguém de alguma coisa, afirme que o planeta está esquentando, ou que é para ajudar as criancinhas do Nordeste, ou qualquer outra idéia bacana. É batata. As pessoas farão o que você quiser.  

Afirme que existe "uma causa maior", e você vai poder entrar no governo, roubar, sair do governo, enriquecer ilicitamente, e depois voltar novamente ao poder, sob aplausos ou ao menos total indiferença do público. Ensine que os criminosos são coitadinhos vítimas do sistema e que a culpa de tudo é da burguesia, e as pessoas aceitarão níveis hediondos de violência urbana sem reclamar. Alguns até se sentirão culpados e acharão o assalto e estupro justificado, e pedirão perdão a seus estupradores!

Em San Francisco, querem proibir a circumcisão. Ativistas gays até produziram uma história em quadrinhos que vem sendo acusado de antisemita. (San Francisco é a meca dos gays, e parece que eles preferem pênis não circumcisado). Mas imagine que a cidade quisesse proibir os brincos, ou os piercings, ou as tatuagens, ou até o corte do pênis inteiro no caso dos transsexuais. Seria um escândalo! Mas como é com religião, tudo bem. (Outra curiosidade do caso é a seguinte, dizem que é em nome das criancinhas, mas e o aborto? Circumcisar não pode, mas abortar sim? Estranho.)

Imagine um país no qual o governo colocasse produtos tóxicos na água ou no ar, drogando e entontecendo as pessoas para que se tornem pacíficos cordeirinhos. Sinistro, não é? Mas faça o contrário, aja do modo progressista e terá uma multidão de pessoas marchando pelas ruas em luta pelo sagrado direito de se intoxicar! Inunde os produtos alimentícios de hormônios e aditivos, mas coloque tudo numa embalagem bacana e venda numa loja da moda a preços abusivos e as pessoas vão amar e comprar mais e mais...

Quando a economia piorar e as massas começarem a ficar intranquilas, invente uma guerra ou algum escândalo sexual bobo para distrair. Aqui nos EUA, o grande escândalo do momento é de um deputado que mandou fotos de seu pênis para suas fãs no Twitter. Não se fala de outra coisa (o povo americano é meio infantilizado e adora escândalos sexuais). Enquanto isso, a dívida pública cresce, o dólar cai, o desemprego aumenta...

Do jeito que vai, o governo global em breve se tornará uma realidade. E as multidões sorrirão!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Super-Homem Global

Sei que é besteira, mas na Era de Obama, a força do globalismo transnacional em substituição ao nacionalismo americano pode ser bem ilustrada pela recente reviravolta na vida de um personagem clássico da história em quadrinhos.

Em uma discussão com alguém que parece Gilberto Gil, Super Homem faz discurso renunciando à cidadania americana, e aceita a ONU como sua nova mandante. Também Obama entrou na guerra na Líbia consultando a ONU mas não o Congresso Americano. É, de fato, bem simbólico: assim como o Governo Americano já não mais representa as vontades do "povo americano", mas sim do Poder Global, também o mais americano dos heróis está agora a serviço das elites globalistas. One World Government, now!


SUPER HOMEM: ...e é por isso que pretendo falar na ONU amanhã e informá-los que estou renunciando à minha cidadania americana
GILBERTO GIL: O quê?
SUPER HOMEM: Estou cansado de ter minhas ações construídas como instrumentos da política dos EUA. "Verdade, Justiça e o modo americano"... Não é mais suficiente.

domingo, 24 de abril de 2011

Justiça?

Alguns podem achar que o "casamento gay" seja uma questão sem importância, e que cada um deve ser livre para se relacionar com quem bem entender; mas um recente caso sobre o qual acabo de ler ilustra bem as confusões que tudo isso pode dar.

Resumindo: Lisa Miller e Janet Jenkins tinham uma união civil homossexual, e decidiram "ter um filho". Isto é, Lisa teve uma filha através da inseminação artificial com um doador de esperma anônimo. Meno de um ano depois, Lisa juntou-se a uma Igreja Batista e renunciou à vida homossexual. Separou-se de Janet e afastou-se do que considerava vício. A corte, no entanto, deu direitos legais de visitação à sua ex-parceira, que foram repetidamente negados por Lisa, que queria afastar a filha do que considerava "más influências homossexuais".

Assim, ocorreu o impensável: a corte deu o direito exclusivo de guarda da criança à ex-parceira homossexual. Não querendo abandonar sua filha, Lisa, a mãe biológica, fugiu, e está até hoje em paradeiro desconhecido. Um dos pastores da Igreja à qual Lisa pertencia foi acusado de auxiliar a sua fuga e foi preso hoje.

Quando o casamento gay for um fato consumado, confusões como esta serão a regra e não a exceção. E as cortes, cada vez mais repletas de juízes ativistas progressistas, darão o direito a pais não-biológicos homossexuais, como aliás já está acontecendo.

Este post nada tem a ver com o casamento homossexual, e tudo com a perseguição judicial aos que não seguem os ditames do politicamente correto. Seja qual for sua posição sobre o tema, o fato é que uma mãe biológica que não trata mal a filha corre o risco de perder a guarda da criança simplesmente porque não quer que ela veja alguém que, no fundo, não passa de uma ex-namorada que esteve apenas por um ano ao lado da criança.

O ativismo judicial é um fenômeno cada vez mais presente e preocupante. Vocês bem lembram a perseguição à família brasileira que queria educar seus filhos em casa. Vejam agora que um certo juiz Fux agora não só desconsidera completamente a opinião da maioria do povo brasileiro sobre o desarmamento, como pretende mesmo buscar armas dentro das casas das pessoas. Isto é, desarmar o cidadão de bem à força, deixando-o à mercê de bandidos cada vez mais selvagens, enquanto juízes (naturalmente!) continuam tendo seu porte de arma garantido por lei. 

A maioria das pessoas, exceção feita aos baderneiros profissionais esquerdistas, tende a acreditar que o certo é cumprir a Lei. Mas... e quando a Lei está errada, e vira-se contra você?

Quando a Justiça está contra a propriedade, o que fazer? Quando a Justiça protege os bandidos contra os inocentes, o que fazer? Quando a Justiça protege os vagabundos contra os trabalhadores, o que fazer? Quando a Justiça está contra a família e a favor dos que querem destruí-la, o que fazer? Quando a Justiça está contra a liberdade e a favor da tirania, o que fazer? Quando a Justiça está contra tudo o que é Justo, o que fazer então? 

Pensem nisso, enquanto eu digo: Boa Páscoa a todos...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Analfabetismo político

Foi Bertolt Brecht quem disse certa vez que o pior analfabeto era o analfabeto político. Lamentavelmente, o que ele queria dizer com analfabeto era "não doutrinado na ideologia socialista". Para Brecht, o alfabeto era o beabá marxista.

Hoje, não há mais esse problema. Todos, desde criancinhas, são educados pela mídia, pelas escolas, pelo establishment enfim, a repetir os dogmas políticos esquerdistas da atualidade. Não há quem não aprenda desde os tenros seis anos a importância da "justiça social" e da "saúde pública e gratuita para todos".

O problema é que essa doutrinação não torna as pessoas menos analfabetas, ao contrário. Se eu ensinar que 2+2 = 5 não estarei educando ninguém.

Ou, como disse certa vez Reagan: o problema dos esquerdistas (liberals no dialeto local) não é que eles sejam ignorantes, é que que eles 'sabem' muitas coisas erradas.

Eles acham que saúde pública é "de grátis", que Stalin matar 20 milhões de pessoas de fome em nome da coletivização é bacana, que todas as culturas são iguais e podem ser substituídas umas pelas outras, que tudo o que basta para que os povos convivam em paz é a boa-vontade, e que qualquer problema pode ser resolvido com aumento de impostos.

A loucura é tanta que é possível que hoje em dia um caipira ignorante esteja melhor informado sobre como o mundo real funciona do que um estudante de marxniversidade.

Não é à toa que os Governos persigam tanto aqueles que querem realizar homeschooling*.

* Foi Hitler quem promulgou as leis contra homeschooling na Alemanha que ainda valem e foram utilizadas contra as famílias dos links acima. Lenin ("dê-me uma criança por 4 anos e farei dela um Bolchevique para sempre") tornou o ensino caseiro ilegal na Rússia em 1919, a proibição durou até 1992.


Mió sê afarnabeto, uai.

terça-feira, 21 de julho de 2009

O que é "justiça social"?

Muitos hoje em dia falam em "justiça social"; alguns chegam mesmo a alegar que seja alguma espécie de direito humano imprescindível. Mas o que significa essa tal "justiça social"?

O próprio termo é equívoco, invertendo a ordem natural das coisas. Afinal, o termo "justiça" pareceria indicar que atualmente ocorre uma "injustiça" - que a distribuição supostamente natural eqüitativa dos recursos teria sido deturpada por capitalistas ávidos e/ou plutocratas malvados e/ou a classe média egoísta, de modo que alguns sempre ganhem injustamente mais do que outros. De acordo com os apólogos da tal "justiça social", os recursos deveriam ser distribuídos de modo mais igualitário entre todos os cidadãos de um país, ou, nos casos mais extremos, entre todos os habitantes do mundo.

Porém, ao contemplar o conceito, observamos rapidamente duas coisas: a primeira é que a ordem natural do mundo não é nem nunca foi a distribuição igualitária de recursos, mas exatamente o contrário. A ordem natural é a desigualdade. Isso pode ser considerado bom ou ruim dependendo da ideologia de cada um, mas é um fato. Nunca, em nenhum momento da História humana, houve uma distribuição igualitária de recursos materiais: mesmo no Neolítico certamente os mais fortes tinham maiores vantagens na obtenção de alimentos ou de fêmeas. (Aliás, o próprio conceito de "distribuição de riquezas" é absurdo, já que a riqueza é um valor dinâmico, criado a todo momento: não há um número X de recursos a serem distribuídos igualmente entre todos, como notas do Banco Imobiliário).

A segunda coisa que observamos é que a tal "justiça social", se aplicada na prática, seria na verdade extremamente injusta. Por que a distribuição de recursos deveria ser completamente desligada de qualquer esforço ou mérito? Por que deveria alguém que estudou ou trabalhou por anos a fio, à custa de imenso esforço pessoal, ser igual a alguém cujo curriculum vitae se resumiu a matar aula, roubar, beber cachaça e assaltar ou mendigar pelas ruas? Na União Soviética um operário (categoria celebrada pelo regime, ao menos no momento inicial) sem grande formação ganhava o mesmo ou mais do que um médico com anos de estudo. Era isso mais justo?

Evidentemente, não estou querendo dizer que os ricos sejam ricos exclusivamente por mérito ou talento; em grande parte dos casos, não é assim (ou depende do que se considere "talento"). Tampouco é verdade que a maioria dos pobres o seja por escolha (embora, em muitos casos, isso ocorra, ainda que sejam escolhas inconscientes). Mas, mesmo que consideremos tal distribuição "injusta", é o modo em que as coisas ocorrem. Quem é a elite esclarecida que deve decidir o que é socialmente "justo" e o que não é? Uma redistribuição igualitária forçada da renda não seria ainda mais "injusta", ao menos para quem perde seu rico dinheirinho?

"De cada um conforme sua habilidade, a cada um conforme sua necessidade" é a resposta marxista, o ditado que tornou-se lei para a inteligentsia internacional. Mas esta é na verdade uma receita infalível para produzir a degradação social. Distribuir de acordo com a mera necessidade, sem qualquer contrapartida, apenas aumenta o problema. Uma redistribuição de recursos que não leva em conta qualquer tipo de mérito, educação ou esforço, que tira do "rico" (isto é, na verdade, da classe média, já que o rico deposita em paraísos fiscais ou passa a conta ao consumidor) para dar ao "pobre" (pobreza é sempre relativa, lembrem-se) apenas para manter uma menor desigualdade social pode tornar-se, na verdade, extremamente prejudicial para a sociedade como um todo e gerar a perpetuação dos mesmos males que pretende combater.

É curioso que os esquerdistas, tão críticos do capitalismo, sejam na verdade as pessoas mais materialistas do mundo. Para eles, felicidade ou infelicidade parecem resumir-se exclusivamente à posse de recursos materiais. Além disso, a questão moral evade-os completamente. Tanto faz um pobre ser criminoso, pedinte, estudioso ou trabalhador: o que importa é que tenha os mesmos recursos do rico ou da classe média, não importando a origem do dinheiro. Não espanta que os mais radicais cheguem a ver o crime meramente como uma forma de obter a tão sonhada "justiça social". Os fins justificam os meios: seja o roubo governamental (impostos, nacionalização) ou privado (assalto a mão armada), o importante é redistribuir.

Estou lendo "Life at the Bottom", do freqüentemente citado aqui Theodore Dalrymple. É um livro que deveria urgentemente ser traduzido ao português. Embora se refira ao caso britânico, é impressionante observar como muitas das patologias referidas aplicam-se, em proporção ainda maior, ao caso brasileiro. Neste link pode ser lido um dos ensaios do livro, que trata justamente da questão da pobreza, ou da suposta pobreza de certas camadas da população inglesa (já que sua "pobreza" em nada se iguala à brasileira), e dos malefícios do welfare estate, o qual acaba com a (sempre relativa) pobreza material, ao mesmo tempo em que prende os seus recipientes em um círculo vicioso de dependência do qual poucos sairão.

Uma das coisas mais importantes que o livro mostra é como pobreza, felicidade e escolhas morais estão intimamente ligadas, e que a tentativa de dissociar completamente a obtenção de bens materiais ou benefícios públicos de qualquer mérito ou esforço termina por promover aquilo mesmo que quer evitar.

Dalrymple observa como, ao dar casas gratuitas para "pessoas-problema" como mães solteiras, alcoólatras, violentos, criminosos e drogados, o Estado inglês está na verdade promovendo (e os números comprovam) o aumento de mães solteiras, de alcóolatras, de violentos, de criminosos e de drogados. Afinal, todas essas atividades compensam. Trabalhar ou ser um bom cidadão compensa bem menos, já que estes não recebem ajuda. Em muitas cidades da Inglaterra e algumas dos Estados Unidos, por exemplo, é mais conveniente viver do seguro-desemprego do que trabalhar. De fato, esforçar-se para procurar emprego e trabalhar resulta antieconômico, já que ganha-se a mesma coisa.

Mas assim também acaba-se com a ambição e a conseqüente mobilidade social: para que estudar ou trabalhar se é melhor viver confortavelmente sustentado pelo Estado? O bolsa-família (que é ainda o menor dos problemas) e outros processos assistencialistas mais negativos (por não exigirem qualquer dever) e tão típicos da América Latina, geram um processo similar de dependência e imobilidade social. Melhor uma sociedade de classes com alta mobilidade, ou uma sociedade supostamente mais igualitária mas com castas imóveis das quais é praticamente impossível sair?

Mas mais nociva ainda - particularmente no caso latinoamericano - é a relação entre o crime e a falta de responsabilidade individual (todos querem direitos; poucos querem deveres) gerada pelo coitadismo, outra gritante patologia moderna que deveria ser analisada em detalhe. Falarei sobre esse tema mais adiante.

sábado, 20 de junho de 2009

Paraíso ou campo de concentração?

Tramandai? Capão da Canoa? Xangri-lá? Floripa? Leblon? Santa Monica Beach?




Nada disso. As fotos acima mostram o fim de semana em Gaza. Sim, o mesmo lugar que os pró-palestinos afirmam que é um "campo de concentração a céu aberto" onde as criancinhas morrem de fome devido ao "bloqueio" e os adultos sofrem tanto com a "ocupação" que não têm mais remédio do que se explodir em uma pizzaria cheia de civis...

Na foto abaixo talvez dê pra perceber a localização com maior clareza (são as moças da ala feminina do Hamas construindo um castelo-bomba de areia, observem os túneis para contrabando de explosivos). ;-)

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A imprensa é de esquerda?

Uma discussão lá no blog do Pedro Doria reflete sobre a credibilidade da imprensa brasileira, que estaria sendo "lentamente minada". Não estou por dentro dessa história da Petrobrás que motivou o post e, para mim, a imprensa brasileira jamais teve grande credibilidade mesmo. Mas aí em um parágrafo o Pedro Doria (PD) escreve o seguinte:

Isso aconteceu aqui nos EUA alguns anos atrás e marcou o início da crise da indústria. Aqui foi igual, mas trocaram os sinais: a imprensa era acusada de estar a serviço da esquerda – the liberal media – e os cães de ataque do governo Bush, no rádio e na Internet, fizeram de tudo para derrubá-la.

O que responder a isso? A imprensa americana e mundial desancou o Bush por anos a fio. Hoje, a mesma imprensa incensa Obama de maneira quase pornográfica - em alguns casos, por fazer exatamente a mesma coisa do que George W. Bush. Mas para Pedro Doria, o "início da crise da indústria" foi quando direitistas malvados acusaram a mídia (imparcial?) de ser esquerdista...

E aí o PD ainda diz que "cães de ataque de Bush no rádio e na Internet" fizeram de tudo para derrubar a grande mídia... Ora, o rádio e a Internet são - ainda - mídia alternativa: o PD está admitindo, ainda que indiretamente, que a TV e os jornalões são controlados pelos Democratas ou seus simpatizantes. Se os conservadores usam o rádio e a Internet, é só porque - fora a Fox News - foi o único espaço que lhes restou (ao menos até Obama não aprovar a Fairness Doctrine).

Fica a questão, a mídia americana é esquerdista (ou liberal, como chamam aqui, ou melhor ainda, librul, na pronúncia dos rednecks)?

Acho que não há dúvidas quanto a isso. A mídia é quase uma extensão do Partido Democrata, basta ver as fotos de Obama que estampam ainda quase todos os jornais e revistas do país. Mas não há conspiração alguma aí. O que ocorre são dois fenômenos interligados: um, os jornalistas, por natureza da própria profissão, são quase todos simpatizantes Democratas, quando não marxistas radicais ou coisa pior. Dois, para o esquerdista, ser de esquerda é ser imparcial. Quer dizer, o jornalista librul não se vê como librul, mas se vê como absolutamente imparcial, pois todo o universo no qual ele vive é librul. Para ele, o conservadorismo é uma aberração, eu diria até uma alucinação.

O próprio PD, aliás, é um dos melhores exemplos disso - embora, ao contrário de "certos" outros blogueiros, seja honesto: seu único problema é ser de esquerda. O parágrafo que ele escreveu citado acima demonstra claramente uma visão esquerdista sobre os fatos, embora ele não pareça sempre se dar conta disso. Acredita estar sendo absolutamente imparcial...

Agora, quanto à "crise da indústria" dos grandes jornais e da TV, esta tem outros motivos. Em parte é, sim, causada pela perda de credibilidade, que aliás aumentou muito depois da eleição de Obama e do modo extremamente parcial em que a imprensa o retratou (ver pesquisa aqui), mas em grande parte é simplesmente devido a que a Internet está largamente substituindo os jornais e os noticiários de TV como meio de adquirir informação. Poucos estudantes lêem jornal de papel. Muitos jovens tampouco têm TV em casa, embora não lhes falte a Internet e o celular.

Contra essa mudança, pouco há o que fazer. Também a invenção de Gutenberg desempregou muita gente, e mudou o modo de transmitir informação.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Minta pra mim

Tem uma história ou lenda sobre George Washington, primeiro presidente americano, de que quando criança ele teria confessado ter cortado o cerejeiro do pai. "I cannot tell a lie", ele disse. Verdade ou - ahem - mentira, a frase ficou famosa.

Com Obama acontece o contrário. Se ele tivesse uma frase, esta seria: "I cannot not tell a lie". Pois o pobre homem é forçado pelas circunstâncias a mentir constantemente, seja para seus seguidores, seja para seus opositores.

Por exemplo, porque Carrie Prejean, a Miss Califórnia, foi praticamente apedrejada por dizer que "o casamento deve ser entre um homem e uma mulher", enquanto Obama não foi sequer criticado por ter dito exatamente a mesma coisa?

A resposta é simples: os fiéis de Obama não o criticam pois confiam que ele esteja mentindo. Acreditam que ele meramente repita o discurso politicamente aceitável hoje em Washington para parecer um "moderado", mas que suas ações nada tenham a ver com suas palavras. Poderá dizer ser contra o casamento gay, mas tenderá a aceitá-lo e mesmo promovê-lo quando as circunstâncias forem mais favoráveis. É o mesmo joguinho que Lula faz em relação ao aborto, declarando-se católico e anti-aborto e tal. Todos sabem que ele está apenas piscando o olho para seu público.

Ora Obama mente a seus seguidores, ora a seus opositores. Promete fechar Guantánamo, mas o mantém aberto. Promete processar oficiais do governo Bush, mas mantém aberta a opção de usar "técnicas avançadas" de interrogatório caso a coisa aperte. Caminha eternamente em uma corda-bamba.

Mas em que Obama verdadeiramente acredita? Aí, há duas escolas de pensamento: uma, mais ingênua, diz que ele não acredita em nada. É um oportunista que segue o vento e mente conforme o que for melhor a cada instante. Assim, não passaria de um niilista, que pode ser politicamente correto hoje e apontar para a Suprema Corte uma mulher latina cujas qualificações são apenas ser mulher e ser latina, mas se o vento virar contra ele pode se tornar radicalmente intolerante amanhã.

A outra escola acredita que Obama seja um marxista islâmico comunista radical enrustido, um Manchurian candidate do ano 2000, e que tudo o que fala sejam mentiras para parecer mais moderado do que é. De fato, há uma grande desconexão entre o que Obama diz e o que ele realmente faz. Por exemplo, pede aos americanos "responsabilidade fiscal", ao mesmo tempo em que detona o cartão de crédito da nação, gastando trilhões que não tem. Promete "unidade e diálogo" com a oposição ao mesmo tempo em que desanca qualquer Republicano que ousar ser contra suas propostas.

Há ainda uma terceira escola, minoritária mas ganhando adeptos a cada dia, que diz que Obama seria apenas o primeiro presidente pós-moderno, para quem não existe diferença entre a mentira e a verdade, que aliás nem mesmo existe a "mentira" ou "verdade", tudo é uma construção mental subjetiva e relativa.

O que ninguém discute - nem mesmo seus fãs - é que Obama seja um mentiroso. Claro, o que acontece é que alguns preferem ouvir doces mentiras. A política, nesse aspecto, é como o amor.

sábado, 9 de maio de 2009

Por que abomino Obama

Leiam este artigo da grande mídia americana e digam-me se não é o caso de se vomitar. Acho que nem na mídia lulista brasileira vi uma puxação de saco tão explícita, quase obscena, de fazer corar o próprio Fagundes:

During his first 100 days as president of the United States, Barack Obama revealed how different he is from all the white men who preceded him in the Oval Office, and the differences run deeper — in substance and style — than the color of his skin.

Barack Hussein Obama is the nation’s first hip president.

This, of course, is subject to debate. But watch him walk. Listen to him talk. See the body language, the expressions, the clothes. He’s got attitude, rhythm, a sense of humor, contemporary tastes.

Obama has modern instincts and attitudes that appeal to younger people, and more than any other president in recent memory, that makes him a role model. He is green, open, athletic, tech-savvy, healthy. And his hip image certainly isn’t hurt by his wife, who is so obviously cool.

Consider how, during the campaign, Obama used his personality — the smile, the jaunty stride and the hip-hop verbiage — to disarm critics, charm supporters and persuade fence sitters to elect him president. In an against-the-odds campaign, Obama never lost his poise as he forged a rapport with a new generation of voters while keeping old heads on his team. He could go professorial on the need for health care reform or describe the minutiae of Middle East politics. Still, he begged to bring his BlackBerry into the Oval Office, a signal that he intends to remain in touch with the 21st century. Very hip!
O artigo continua ainda por vários parágrafos, informando-nos sobre as várias características que tornam obama "cool" e "hip". É como eu informei alguns posts atrás: para esse pessoal Sofisticado, nada mais importante do que usar Blackberry e ser politicamente correto.

Enquanto isso, no mundo real, Obama endivida o país em trilhões, trai os aliados no Oriente Médio e premia os inimigos, desarma o país e gera desemprego ao cancelar a produção do caça F-22, interfere como nenhum outro presidente americano na iniciativa privada agindo praticamente como um mafioso, promove medidas anti-democráticas, está mais preocupado com o "terrorismo de direita" do que com o terrorismo islâmico, e pretende processar funcionários governamentais ligados ao governo Bush, transformando os EUA em uma república bananeira onde cada novo governante reclama da "herança maldita".

Obama é abominável. A mídia puxa-saco o torna ainda mais indigesto.

A mídia e Obama.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Milagre brasileiro

Enquanto o Coturno Noturno se despede, desesperançado com a situação brasileira, sai uma reportagem delirante na Newsweek falando sobre Brasil, "the crafty superpower". Segundo a reportagem, o Brasil é uma nova superpotência com instituições estáveis, democracia de livre-mercado consolidada, puro liberalismo econômico e poder judicial intacto.

Nunca sei se os jornalistas levam a sério aquilo que escrevem.

Lembrou-me que, lá pelo ano 2000, o presidente argentino Carlos Menem foi capa da mesma Newsweek. A reportagem falava sobre o renascimento da Argentina e seu incrível crescimento econômico. Poucos meses depois, ocorria a crise de 2000-2001.

O jornalista Mac Margolis vive há 21 anos no Brasil, portanto não é possível atribuir seus comentários à mera ignorância.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Duas capas

Capa da Newsweek anterior:


Capa da Newsweek atual:



"Aceite o socialismo, aceite o islamismo radical. São fatos inevitáveis."
E esta é a mensagem da mídia americana mainstream.
Às vezes me pergunto, o que é que ensinam nas escolas de jornalismo?
Depois se espantam que a mídia perca cada vez mais credibilidade...

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

É tudo mentira!

Alguns ingenuamente acreditam que a missão do jornalismo seja informar o público. O Pedro Doria anda preocupado porque a imprensa parece estar perdendo credibilidade em todo o mundo. Ora, é natural. Na realidade, o objetivo do jornalismo atual é quase exclusivamente mentir e confundir. Ou seja, justamente ENCOBRIR a verdade.

Não acreditam? Pois vejam as dezenas de notícias sobre "vândalos" ou "jovens arruaceiros" na Europa, onde jamais é mencionada a nacionalidade ou religião dos mesmos, ainda que todos saibam muito bem qual é.

Vejam o caso de Geert Wilders, que vive cercado por seguranças 24 horas por dia para não morrer, sendo acusado de ser um "fomentador do ódio" que está apenas "em busca de publicidade" (como se não houvessem modos muito mais fáceis de obter publicidade que não exigem o risco de decapitação).

Vejam Israel, que segundo os jornais jamais é atacado, mas sempre ataca, como nesta notícia recente da BBC onde a notícia de um míssil atirado contra Israel é dada asssim: "Israel responde a ataque do Líbano".

Vejam o "aquecimento global", anunciado em tons apocalípticos dia após dia, em total contradição com a realidade observável e mesmo com o crescente ceticismo da maioria dos cientistas. (Estou convencido que o tal "climate change" não passa de um esquema milionário para ganhar uma grana preta, já que - não sei se você percebeu - sempre falam nas catástrofes que ocorrerão se mais dinheiro não for investido em grupos como o "Painel Intergovernamental de Mudança Climática", que inclui famosos cientistas de "Bangladesh, Índia, Cuba e Zimbabwe" - gente, parece até scam nigeriano isto aqui!)

Vejam o pacote de Obama, um dos maiores gastos públicos de toda a história dos EUA, sendo anunciado como "o fim da mamata com o dinheiro público".

Não, amigos. O jornalismo não tem pretensão alguma de contar verdades, mas apenas de encobri-las, de propagar ideologia e crucificar todo aquele que ouse mostrar os fatos como eles são. Jornalistas de todo o mundo, envergonhai-vos.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Fake in China

Comunistas no espaçooo! O incrível vídeo abaixo mostra como os Chineses falsearam sua caminhada espacial. É tudo tão fake quanto os tênis "Ball Star".



P.S. Será? Aqui o vídeo chinês original. Fake ou não?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Carta aberta ao Prof. Idelber Avelar

Antes de ser interrompido por problemas técnicos, havia escrito uma carta ao colega blogueiro Idelber Avelar, já que ele ultimamente não publica mais comentários em seu blog. No fim, acabei ampliando a carta e destinando-a não apenas a ele como a todos os ditos "pró-palestinos" e "anti-sionistas". Afinal, se nem blogueiros brasileiros podem se entender, como podemos esperar que árabes e judeus se entendam?

Não pretendo refutar aqui as idéias de Idelber: outros já fizeram isso com maior conhecimento do que eu. Escrevo apenas algumas perguntas para ele e todos os "anti-sionistas". Se ninguém do outro campo responder, talvez as perguntas ao menos possam suscitar alguns questionamentos válidos entre os leitores daqui. A discussão está aberta!

Caro Prof. Idelber (e demais declarados "anti-sionistas"),

Entendo sua raiva e tristeza pela morte de inocentes palestinos. Todos somos contra a morte de civis palestinos, mesmo eu, acredite, e mesmo a maioria do povo de Israel. Sua reprovação à operação militar israelense é também compreensível, e naturalmente todos têm o direito de discordar das atitudes do governo israelense e de manifestar seu muito humano horror à guerra e à destruição.

Embora tenhamos idéias totalmente opostas em relação ao conflito e em relação à política em geral, nem tudo nos separa. Não somos nem judeus nem muçulmanos (?), não moramos nem em Gaza nem em Sderot. É verdade que você é bem mais conhecido do que eu, é aparentemente um acadêmico respeitado e eu sou apenas um blogueiro anônimo, mas não leve isso a mal. Cada um tem seus limites. Meu anonimato é mera modéstia de quem sabe que seu nome real não tem relevância.

Até compreendo a sua visão de mundo: no seu ponto de vista, vê os "palestinos" como "oprimidos" e Israel como um "poderoso país" apoiado pelo "imperialismo americano" que "roubou suas terras" e os "ocupa". É, na minha opinião, uma visão simplista e equivocada, que traduz uma situação geopolítica bastante mais complexa em um discurso de caráter marxista, mas não vamos brigar por isso. Como disse, cada um tem seus limites.

Eu, por exemplo, sou absolutamente parcial. Sou pró-Israel. Acho o Hamas tão ruim quanto a Al-Qaeda, se não pior. Não leio o Robert Fisk, aliás não suporto seu estilo de jornalismo. Chomsky, Finkelstein, jamais leio esses indivíduos e confesso que nem entendo suas motivações (entendo até as motivações genocidas do Hamas, não as deles). Detesto Chávez, Evo Morales, Fidel Castro, todo esse pessoal.

Por outro lado, se insisto tentando me comunicar com você, é justamente por que o que me incomoda é essa sua aparente incapacidade de entender o ponto de vista do "outro" (no caso, o civil israelense) de maneira tão radical. Sendo você um estudioso, não entendo como não consegue ver além da ideologia e da propaganda árabe, ou que use termos como "sionista" e "ocupação" de modo tão leviano e equivocado. Estando você tão preocupado com "vítimas civis", não entendo que chame os foguetes palestinos, que mataram muitas pessoas - inclusive crianças árabes! - de "meros rojões" etc, etc. ("Rojões"?!? Desculpe, li isso faz pouco no seu blog e até agora estou incrédulo. Por favor, só não vá dizer agora que tudo o que o Hamas queria era convidar os israelenses para alguma festa de São João...)

Embora entenda sua declarada compaixão pelos palestinos, não entendo porque não lamenta igualmente as mortes de palestinos em conflitos intra-palestinos, e muito menos as mortes de judeus. Várias outras opiniões suas são, para mim, difíceis de entender, e mesmo tendo visitado o seu blog não consigo encontrar as respostas para elas (confesso não ter lido todo o seu blog, talvez as respostas estejam lá). Portanto faço-as aqui, não apenas a você como a todos os blogueiros "pró-palestinos":

Você é a favor do Hamas?
Ou seja, é a favor de tortura e execução de pessoas sem julgamento?
Tem conhecimento, certamente, que nas prisões de Gaza, rivais do Fatah e de outros clãs, bem como pessoas acusadas de "colaborar com Israel" são rotineiramente torturadas e mortas?
Se um povo é "oprimido", isso lhe dá direito a torturar, matar e cometer atos terroristas e cometer toda série de ofensas aos "direitos humanos"?
Só um lado tem o dever de respeitar os "direitos humanos"?
Se o Hamas defende o povo palestino, em vez de cinicamente explorá-lo, como você explica que seus militantes tenham assaltado caminhões de comida da ONU e vendido seus alimentos?
Se o povo palestino está mesmo "sem água e comida", como se explica que isso jamais é mostrado, ao contrário, as imagens mostram sempre mercados repletos de comida?
Você não acredita que os próprios palestinos (ou seu governo) são os responsáveis por vários de seus problemas, que não tudo pode ser creditado à "ocupação", a qual aliás nem existe mais diretamente em Gaza?
Aliás, se árabes muçulmanos podem viver em Israel, por que judeus não podem viver em Gaza?
Você a favor de censura? É a favor de teocracia? Sabe que o Hamas censura internet points e música ocidental e que discrimina membros de outras religiões?
Você é a favor de foguetes contra civis? O fato de serem "foguetes artesanais" e que "causam poucos danos" significa que podem ser atirados à vontade?
Não percebe que os foguetes "causam poucos danos" apenas porque os habitantes de Sderot correm para bunkers quando ouvem o alarme, ou seja, é o preparo israelense que evita danos maiores, não a intenção dos terroristas palestinos, que é claramente a de matar civis judeus?
Você percebe que os radicais palestinos hoje atiram foguetes apenas porque o muro limitou em 90% a ação de terroristas suicidas, ou seja, não é a intenção dos palestinos que é matar pouco, mas sim a defesa de Israel que melhorou?
O que seria uma "reação proporcional"? Israel teria o direito de atirar "foguetes artesanais" de volta a Gaza? De revidar com atentados suicidas?
Você é a favor da agressão a judeus em todas as partes do mundo como represália a ações de Israel?
Por que os manifestantes pró-palestinos atacam judeus europeus, se são apenas "anti-sionistas"?
Você é a favor do terrorismo? Ou, vá lá, da "resistência legítima", quer dizer, da morte de civis judeus israelenses? Israelense árabe também é "alvo legitimo", ou só judeu?
Alguns anos atrás uma família do que você chama de "colonos" foi atacada por militantes palestinos, quatro crianças de 11, 9, 7 e 2 anos foram mortas com uma bala na testa, bem como a mãe deles que estava grávida de oito meses. Segundo o autor do atentado, eram "alvos legítimos". Você concorda? É a favor do fuzilamento de crianças de 2 anos, se forem filhos de "colonos"?
Acha que os palestinos têm direito a atirar foguetes contra cidades israelenses mas Israel não tem o direito de revidar?
Quando você fala em "ocupação", a que coisa exatamente se refere?
Sabe que Israel desocupou Gaza a um custo de bilhões de dólares?
Como você explica que Gaza, que não tem mais mais presença de "colonos" (i.e. judeus), ficou muito mais radical e atira foguetes diariamente contra civis israelenses, enquanto que a Cisjordânia (i.e. Judéia e Samaria segundo os "colonos") que ainda está "ocupada", vive, ao contrário, em relativa paz e não atira foguetes?
Ou quando fala em "ocupação", você - como o Hamas - se refere ao próprio Estado de Israel?
Você não aceita a existência de Israel?
Por que Israel não e "Palestina" sim? Sabia que a "Palestina" sempre se referiu ao lar judeu, que eram os antigos sionistas os que falavam em "Palestina", e não os árabes?
Ou você acredita na teoria revisionista de que os "palestinos são descendentes dos filisteus?" E, mesmo que fossem, isso mudaria alguma coisa? Não é isso na verdade uma legitimização do direito de Israel às terras, já que os judeus existiam por lá desde antes mesmo dos filisteus?
Sabia que sionista não é nome feio nem eufemismo politicamente correto para poder criticar os judeus?
Se alguém é "sionista", pode ser "legitimamente morto"? Se eu disser que sou "sionista", isto é, que defendo a existência de Israel, então viro um "alvo legítimo" da "resistência"?
Por que você não publica comentários contrários no seu blog?
Por que você repete informações dúbias no seu blog, como a - para mim - óbvia mentira de que "um terço dos mortos na operação de Gaza são crianças"? De onde saiu originalmente tal informação, de fontes palestinas, isto é, do Hamas? Por que Israel atacaria propositalmente crianças?
Você é porta-voz do Hamas? Não digo que deva aceitar a versão israelense dos fatos, mas você não tem um mínimo de senso crítico? Quer dizer, se os os israelenses podem mentir, porque não acredita que os árabes possam mentir também?
A Al-Jazira é uma TV "neutra" e "imparcial"? A TV israelense só mente?
Se uma bomba atômica caisse em Tel Aviv, você comemoraria, diria que "eles mereceram", ou lamentaria mas diria, "enfim, a vida continua"?
A vida de civis israelenses vale menos do que a de palestinos?
Como pode chamar de "rojões" artefatos que causaram a morte de dezenas de pessoas, bem como centenas de feridos, sem falar no pânico que causam diariamente?
A vida de palestinos mortos pelo Hamas vale menos do que a vida de palestinos mortos por Israel?
Por que você nunca fala da violência intra-palestina?
Por que não informa que o Fatah e até o Egito são contra o Hamas, que é um movimento supremacista religioso ligado à Irmandade Muçulmana e hoje financiado pelo Irã?
Por que não fala do terrorismo islâmico na Tailândia, na Índia, na Europa, em lugares que nada tem a ver com o "sionismo"?
Por que não fala do conflito entre sunitas e xiitas?
Por que não informa os seus leitores que o mundo é bem mais complicado do que o seu maquineísmo anti-israelense e anti-americano quer?
Por que você mora nos EUA e não em Cuba, Gaza ou Venezuela se tais modelos socio-políticos são melhores?
Você não acha que está colaborando com uma onda de antissemitismo não vista no mundo desde os anos 30? Como acredita que os nazistas conseguiram matar milhões de judeus, se não com a colaboração de pessoas que achavam que os judeus eram malvados, como você e tantos outros que acham que os "sionistas" merecem a morte simplesmente por morarem onde moram?
Se os judeus não podiam estar na Europa, agora resulta que tampouco podem estar na Palestina, sua terra natal?
Onde podem estar então, na Uganda?
E se transferissem os judeus para Uganda, quantos segundos demoraria até você e seus colegas começassem a falar na "legítima resistência ugandesa" e nas "terras roubadas aos pobres ugandeses"?
OK, confesso que algumas perguntas são meras provocações. Mas afirmo que não tenho a intenção de agredir, apenas de tentar obter respostas diretas. É a favor do Hamas, sim ou não? É a favor dos foguetes, sim ou não?

Não leve a mal. Moro longe do conflito, nada tenho contra o povo palestino nem contra você nem contra ninguém, e estou certamente aberto a pontos de vista contrários: quem sabe, em um ou outro aspecto, possamos até concordar. Eu aqui aceito os comentários de todos.

Saudações cordiais,

"Mr. X"

sábado, 1 de novembro de 2008

A esperança não era a última a morrer?

Esta é impagável.
Barack Obama e seus estrategistas estão estudando planos para baixar as expectativas de sua presidência assim que ele ganhar as próximas eleições, preocupados com a idéia que muitos de seus eufóricos votantes estejam criando esperanças irreais daquilo que pode ser efetivamente conseguido.
Eh eh eh. Obama está assassinando a esperança. Bem que ele poderia mudar o slogan de "Change you can believe in" para "Calma aí pessoal, não é bem assim".

Aliás, fizeram um estudo no outro dia sobre a cobertura das eleições pela mídia americana. O resultado:

MSNBC
14% notícias negativas sobre Obama
74% notícias negativas sobre McCain
43% notícias positivas sobre Obama
10% notícias positivas sobre McCain

CNN
39% notícias negativas sobre Obama
61% notícias negativas sobre McCain
36% notícias positivas sobre Obama
13% notícias positivas sobre McCain

FOX NEWS
40% notícias negativas sobre Obama
40% notícias negativas sobre McCain
25% notícias positivas sobre Obama
22% notícias positivas sobre McCain.

A Fox News nem é tão republicana assim, as outras emissoras é que são Obamistas demais. O estudo, aqui.

Ah, e em outra pesquisa relacionada, 49% dos americanos acham que a mídia é pró- Obama. Ué!

terça-feira, 29 de julho de 2008

O leitinho das crianças

A propaganda palestina já foi melhor... Esta é realmente de doer: o Hamas diz que os túneis subterrâneos construídos entre a fronteira de Gaza e o Egito não são para o contrabando de armas, mas sim para trazer leite para as crianças...

Bem, considerando que há idiotas que acreditam em qualquer coisa saindo da boca dos "oprimidos palestinos", quem sabe eles caiam nessa também.

Mas por que será que até para carregar leite em pó os otários precisam estar mascarados?

(via LGF).

"Pô, Ahmed! Tá faltando o meu Toddynho?!"

O leite precisa ser içado com cabos? É que a garrafa poderia explodir...

terça-feira, 15 de julho de 2008

O jornalismo da mentira

O jornalismo, ontem uma variação da antiga crônica histórica, hoje virou uma poderosa forma de manipulação popular, pouco interessada na informação, e muito na ideologia.

O aquecimento global, as eleições nos EUA, o Oriente Médio. Tudo é noticiado com base a mentiras, pura e simplesmente mentiras.

Leio agora um artigo do Clarín que informa que na Argentina, "para cada dois nascimentos há um aborto". Os números são absurdos. De fato, não há explicação nenhuma sobre como estes dados foram obtidos, diz apenas que o estudo:

incluyó la estimación de la cantidad de abortos inducidos que se llevan a cabo en nuestro país, con base en dos metodologías internacionales que sólo se aplican en países donde el aborto no está legalizado.

Hummm... Metodologias internacionais... Comunidade internacional... Sempre que usam esses termos, fico com um pé atrás. Com mais pé atrás fico ao saber que os dados, capa do jornal de esquerda Clarín, foram publicados pelo INDEC, órgão governamental famoso por ter manipulado completamente os números da inflação.

E chamam isso de jornalismo.