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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Bruxas abortistas

Leio, sem grande surpresa, que um padre católico brasileiro foi condenado por chamar alguém que realiza ou apóia abortos de "abortista". De fato, ser contra a onda politicamente correta e chamar as coisas pelo nome já é crime no Brasil. Já usei aqui o termo "abortista"; também já usei o termo "aborteiro/a", até por falta de opção. Há outro? "Assassino de fetos" parece-me meio dramático, e "militante pró-escolha" seria distorcer em demasia os fatos.

O aborto é um tema polêmico e já o comentei em maior detalhe por aqui. Haverá razões morais para ser a favor ou contra. Mas o que me impressiona mesmo é a sanha abortista - ops! abortadora? - de certas mulheres. Parece-me, às vezes, até antinatural: uma rebelião das mulheres contra a maternidade?

Existe por exemplo uma organização de mulheres chamada NYAAF - New York Abortion Aid Fund, que é tão radical no seu apoio ao aborto que chega a pagar operações de pessoas que sofreriam risco de vida ao realizá-lo. Pareceria que é mais importante o aborto do que a própria vida da mãe. Entendo que haja casos em que o aborto possa ser considerado, mas realizar abortos em meninas de 15 anos sem autorização - sem nem mesmo conhecimento - dos pais? Aborto até os nove meses de gestação? Aborto financiado e incentivado pelo Estado? Tudo fica ainda mais bizarro ao se descobrir que o caso que gerou Roe vs. Wade não passou de uma farsa. A moça que desejava abortar não apenas mentira sobre seu "estupro" como confessou abertamente ter sido manipulada por grupos políticos (hoje arrependeu-se e é pro-life).

O que significa o aborto então? Uma radical defesa do direito de ter sexo sem se importar com as conseqüências. Uma rebelião contra o papel da mulher como mera mãe e dona-de-casa. Uma revolta contra a religião que impõe papéis específicos tradicionais à mulher, uma rejeição do cristianismo e - agora adentramos no território da especulação - um retorno às religiões primitivas pagãs que idolatravam a figura feminina, com a diferença de que, se antes tínhamos cultos à fertilidade, hoje o que teríamos seria um "culto à infertilidade".

Não vejam aí necessariamente qualquer tipo de crítica ou linguagem pejorativa. Se as "bruxas" da antiguidade tiveram hoje sua imagem recuperada, tendo virado vítimas do patriarcalismo ou então símbolos da liberação sexual e da independência feminina, talvez hoje estejamos assistindo à liberação da mulher da tirania - não apenas da ordem social masculina - como da própria tirania da biologia.

Em post anterior, comparei o aborto com o sacrifício de crianças em religiões rituais. Estaria o aborto associado a um retorno da sociedade ao paganismo? Eu estou longe de afirmar coisa semelhante, mas há os que afirmam que sim, existe uma relação. Chegam mesmo a investigar a relação do abortismo com o movimento das Wiccans, movimento das modernas "bruxas" pós-feministas. Paranóia? Talvez. Pelo momento, até para não ser estrangulado pela Confetti ou ser chamado de "louco" por alguma leitora anônima, abstenho-me de comentar...


terça-feira, 2 de junho de 2009

Abuso infantil

Um garoto palestino de 13 anos atacou um soldado israelense com uma faca. Já houve casos de meninos de 11 anos utilizados para levar bombas, que felizmente não explodiram. Sob aplausos do pessoal pró-palestino, que não vêm aí nenhum tipo de abuso de crianças. Curiosamente, é o mesmo pessoal que grita toda hora contra o trabalho infantil. Ser engraxate não pode, mas terrorista mirim - por que não? Silvio Santos é abusivo ao explorar crianças em seu programa, mas o Hamas e seus programas de TV com crianças recebendo lavagem cerebral genocida - tudo bem. (O islamismo, diga-se de passagem, é pioneiro no uso de crianças para fins atrozes: os talibãs já utilizaram até crianças de 12 anos para decapitar reféns.)

A esquerda também chora pelo abortista George Tiller, como se fosse um santo homem de nobre coração. O próprio Obama lamentou sua morte, sem falar nada da morte dos soldados em atentado no mesmo dia. Ora, não há motivos para celebrar o assassinato do doutor por um desequilibrado, mas digamos a verdade: era um picareta que abortava fetos saudáveis de três, quatro, cinco e até nove meses (um dia antes do nascimento) exclusivamente para ganhar rios de dinheiro, e que estava sendo investigado pelos tribunais. Nada há de santo no sujeito. (O aborto pode ser um "direito da mulher" segundo alguns, mas não esqueçamos que também é uma indústria que gera milhões de dólares. Há quem ganhe muito com o aborto e deseje que este aumente cada vez mais. Cadê a crítica a esses "capitalistas"?)


Late term abortion.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O fim da família

Lá no blog do Orlando Tambosi, onde está tendo uma grande polêmica sobre um caso de aborto seletivo na Suécia (comento abaixo), o Chesterton postou um link para uma outra notícia interessante, onde se divulga que de acordo com um juiz que deu ganho de causa a uma mulher que usou o esperma do ex-marido sem autorização para engravidar, "o esperma, uma vez ejaculado, já não pertence mais ao homem, tornando-se propriedade da mulher."

A figura do marido e pai já é, desde algum tempo, considerada quase desnecessária: o número de bebês nascidos de mães solteiras já são 40% do total nos EUA e de 50% na Inglaterra. Na Suécia dos abortos seletivos, parece que são mais de 65%. E agora esta: a mulher pode usar o esperma do homem sem sua autorização, e criar o filho sozinha. Não servimos para porra nenhuma mesmo.

A verdade é que as coisas mudaram bastante nos últimos 40 anos, e dá para entender porque a Igreja Católica seja tão contrária à pílula e à camisinha, quando não ao aborto: estes estão literalmente acabando com a família tradicional. As mulheres, livres para fazer sexo com quem bem entenderem sem ter filhos, não mais necessitam se prender a um marido para toda a vida, e preferem ter vários homens ao longo da vida, e, em muitos casos, mesmo vários filhos com pais diferentes. (Já os homens sempre preferiram isso).

Mas outro fenômeno ocorreu, paralelamente, que potenciou os efeitos da revolução sexual e das tecnologias anticoncepcionais: o crescimento do "Estado de Bem-Estar social". O homem, que além de pai era em geral o principal provedor financeiro nas famílias, também perdeu essa função. A mãe solteira, que não mais sofre preconceito, tampouco precisa viver na rua da amargura, pois o Estado a sustenta. É uma relação simbiótica: a mãe solteira, em troca, vota nos políticos estatistas. De fato, diversas pesquisas apontam que o crescimento do Estado em grande parte do mundo ocidental está diretamente ligado ao aumento do número de mães solteiras votantes.

Finalmente, como cereja no topo desse bolo estrambótico, temos os marxistas infiltrados que há décadas também tentam por meio de todos os métodos possíveis acabar com a sociedade tradicional, por puro niilismo, em busca do tal "homem novo".

Bem, tudo isso pode ser bom ou ruim, ou um pouco das duas coisas, não sei: sei só que um "admirável mundo novo" que está surgindo. O fato é que a família tradicional monogâmica, papai-mamãe-(amante)-filhinhos, está ruindo. O próprio "casamento gay" nada mais é do que uma tentativa de colocar o último prego nesse caixão.

Se não acreditam, vejam: na Holanda, um sujeito casou com duas mulheres lésbicas: ambas realizam sexo com ele e entre si. Trata-se de uma relação "poliamorosa", celebrada lá por todos os intelectuais. Assim que o "casamento gay" for liberado geral, não duvide que os casamentos poligâmicos grupais serão os próximos na lista pela luta de direitos.

O que isso tudo significa? Não sabemos ainda bem. Sabemos apenas o seguinte: os progressistas, que são totalmente contrários a experimentos com animais, não hesitam em realizar os mais delirantes experimentos sociais jamais antes testados usando milhões de seres humanos como cobaias. O fim da família tradicional, que vem sendo gestado desde algumas décadas, é o maior experimento social já realizado em larga escala desde a coletivização comunista.

(Embora aqui eu não possa colocar a culpa de tudo nos tais esquerdistas, já que, como informado acima, vários outros fatores, inclusive avanços tecnológicos que chegariam mais cedo ou mais tarde, conspiraram para o mesmo fim).

Quanto ao aborto sueco: a foto abaixo mostra um feto de 5 meses, legalmente abortável na Suécia, pelo motivo que se quiser, ou até sem motivo.


*** A pedido dos leitores mais sensíveis, a foto chocante do bebê aparece agora apenas como link, basta clicar aqui.

sábado, 21 de março de 2009

Suffer little children

Lido em um comentário de uma moça "feminista" de 22 anos por aí:
It's none of your business what myself or the next woman does with her body. At 24 weeks or less, a fetus would not be able to survive without feeding off the mother, therefore it is not killing a human life, merely a parasite.
Independentemente do que você pense sobre a questão do aborto, quando uma moça começa a se referir ao seu próprio (ainda que hipotético) filho como "parasita" e "não-humano", você sabe que alguma coisa está errada.

segunda-feira, 16 de março de 2009

O silêncio dos inocentes

Um dos grandes problemas na questão do aborto é que o principal interessado no assunto - ou seja, o feto - não pode dar a sua opinião. Desse modo, mães, médicos, padres e políticos discutem a seu belprazer e decidem o destino (ou não-destino) da nascedoura criatura.

Devemos crer, no entanto, que a "opinião" do feto seja a de querer viver, por mero instinto natural: tudo o que é vivo deseja permanecer vivo, mesmo que não tenha consciência. As plantas têm consciência? Alguns dizem que sim, mas provavelmente não. Porém, estas buscam o sol e, se morrem, jamais é por suicídio. (Aliás, é apenas a consciência que nos permite o suicídio).

Para um dos lados do debate, então, tudo está em reduzir o feto a um ser "sem consciência" ou "incompleto" (afinal, está literalmente em gestação), e que, sendo mera "possibilidade", não deveria causar sofrimento a outros seres humanos já perfeitamente formados - os quais têm, segundo esta opinião, maior valor na escala vital. Falam assim então de um "feto de poucos milímetros" que é "precariamente formado, sem sensações ou sistema nervoso", em contraposição à mãe ou aos pais da criança, que, sendo adultos plenamente conscientes, deveriam ter o direito de "escolher".

Já o outro lado enfatiza justamente o caráter de inocência, fragilidade e sacralidade - o feto, afinal, é um ser desprotegido que precisa de amparo. Um ser que, não tendo nascido, ainda não pecou, e portanto é "superior" aos pecadores adultos (*). Justamente por não poder viver por si só, justamente por estar ainda em formação, é que precisaria dos maiores cuidados possíveis. O direito de "escolha" dos pais é inferior ao direito da criança à vida. Até porque, segundo esta concepção, sua vida não tem origem (apenas) biológica, mas divina. Não está ao homem, portanto, decidir sobre ela.

Não há como conciliar as duas opiniões. Em casos delicados como o da menina de 9 anos estuprada pelo padrastro e grávida de gêmeos, a polêmica se acende ainda mais. Até porque, neste caso, não só não levaram em conta a opinião do feto, como tampouco a da mãe, que aos 9 anos não foi considerada como tendo ainda o direito de escolher.

Mas o mais curioso da história toda é que o estupro acabou sendo relegado como uma questão menor. O grande crime seria a gravidez infantil (para uns) ou o aborto (para outros).


(*) Isto não leva em considerações aspectos teológicos como o "pecado original", conceito que aliás em teoria não existiria mais em razão do sacrifício de Cristo (? - há algum teólogo na sala?). Só enfatizo o aspecto de inocência do feto ou bebê, conceito existente mesmo para os não-religiosos.

(**) Uma coisa curiosa é que a esquerda, campeã em inventar nomes bacanas para práticas horríveis, não tenha conseguido ainda encontrar uma palavra para substituir "aborto". Até tentaram com "escolha reprodutiva", mas não pegou, e acabaram utilizando "aborto" mesmo. Aliás, vocês sabiam que nos EUA dia 10 de março passado foi o "Dia Nacional da Apreciação aos Provedores de Aborto"?

(***) Este blog é contrário ao aborto (salvo em casos muito específicos), por considerar os fetos como seres humanos vivos - coisa que, inegavelmente, são. (Se não acreditam, assistam a este fantástico ultrassom de um feto chorando).

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A insanidade intelectual

A recente polêmica entre Pedro Dória e Olavo de Carvalho fez vir à tona um terceiro e obscuro personagem que aparentemente quis aparecer à custa dos outros dois. Assina como Leonardo Bernardes e acredito que seja um estudante de Filosofia ou de História. (*)

Não importa; tampouco me interessa a polêmica em questão. Mais interessante foi clicar no texto de autoria do mesmo indivíduo chamado "Considerações sobre o aborto", onde lemos esta longuíssima frase (nosso amigo parece não ter estudado ainda os sinais de pontuação):
O fato de atribuirmos vida ao feto em formação no útero não é motivado pelas conformidade às descrições regulares de identificação da vida que se aplicam aos humanos já nascidos, poderíamos, a partir da complexidade dessas descrições, sublinhar as diferenças ao invés das semelhanças, e justificar o aborto alegando incompatibilidade conceitual, a causa desse vínculo é de ordem externa aos fatos do mundo, quer dizer, não se põe no nível de determinação causal, nem retira seu significado dos fatos, mas é própria da natureza de nossa linguagem, de seu caráter convencional, relativa ao modo como, através do uso que fazemos do conceito, organizamos a experiência.
Entenderam? Nem eu. Mas, impávido, noso bravo aprendiz de filósofo vai adiante:
A constituição do significado da vida é arbitrário, quer dizer, não se reporta a nenhum elemento mundano, sendo, ao contrário, condição para que passamos lidar com as coisas as quais esta palavra, vida, está vinculada.
E mais ainda:
O conceito de vida não consiste na descrição de propriedades inerentes aos seres vivos, mas na determinação dessas propriedades. Determinação essa forjada no interior de um discurso, de uma linguagem que se reportam (sic) a hábitos, instituições, a atitudes frente as coisas com que se relaciona. (...) A relação interna entre as propriedades da vida é fruto do arbítrio humano (...) Grosso modo, a vida começa onde queremos que ela comece.
Agora entenderam? Nosso amigo é um relativista de marca maior. Para ele, a "vida" é apenas uma "palavra", um conceito meramente cultural e relativo, que varia com a significação que queiramos lhe dar. Assim, aparentemente, um feto pode ser algo "vivo" ou não de acordo com a ideologia ou cultura de cada um, ou seja, de acordo com o conceito de "vida" que cada um de nós prefira. Para alguns, a vida iniciará após a fecundação; para outros, após o parto; para outros ainda, quando o garoto entrar na faculdade...

Ora, caros leitores. Ora, ora! Qualquer cadela de rua grávida, mesmo que não tenha estudado filosofia, sabe perfeitamente bem que seu feto é um ser vivo. Não há nenhuma questão religiosa, cultural ou semântica ali. Eu poderia distinguir entre "vida intra-uterina" e "vida extra-uterina", ou mesmo discutir os aspectos teológicos e filosóficos da questão, mas do ponto de vista biológico não há dúvida alguma que um feto está "vivo" (caso contrário, estaria "morto".)

Mas o raciocínio de Bernardes é perigoso, pois abre a porta para a justificativa, não apenas do aborto, como de todo tipo de genocídio. Sim, pois se eu posso arbitrariamente decidir se um feto é ou não um "ser vivo", também posso decidir arbitrariamente a quem o conceito de "vida" se dirige. Se a "vida" é apenas um conceito relativo, se começa "onde queremos que ela comece", então eu posso dizer que começa apenas após os três anos de idade; de fato, as crianças menores de três anos, não tendo capacidade de viver sozinhas sem a ajuda de um adulto, são similares aos fetos, e portanto não estariam realmente "vivas". E assim abre-se o glorioso caminho para o "aborto" de crianças ou, quem sabe, a execução de velhinhos com doenças terminais. (Aliás é mais ou menos o que o Peter Singer diz.)

Bernardes é o resultado do que o nosso leitor Chesterton chama de "insanidade intelectual": a crença de que tudo é relativo, tudo é construção, nada vale nada e o todo se equivale a coisa nenhuma.

* * *

(*) Certamente o blogueiro não é estudante de Biologia nem de Letras, caso fosse não escreveria os seguintes absurdos:
Talvez outro exemplo possa ainda ser apresentado: vamos admitir que em algum estágio do desenvolvimento da medicina três critérios fixavam os limites da vida, sendo, pois, referências irrefutáveis à verificação de condições de vida e morte. São eles os seguintes: 1. presença de pulsação arterial, atestando o funcionamento do coração 2. constrição da púpila 3. flexibilidade muscular, em contraposição a rigidez cadavérica.

"CONSTRIÇÃO?!" DA "PÚPILA"?!? (sic) (sic) (sic)

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Moloch

O aborto foi aprovado no Uruguai. Como os leitores sabem, tenho uma posição ambígua e longe de ser radical na questão do aborto. Mas uma coisa que me surpreende sempre é o fanatismo dos pro-choice. Sim, dos pró-aborto. Que os pro-life possam ser vistos como fanáticos não é surpreendente, já que estão de fato ligados a grupos religiosos e acreditam na sacralidade da vida. No entanto, parece-me às vezes que os abortistas são tão fanáticos quanto eles e também formam uma espécie de religião.

Obama afirmou uma vez que seu primeiro ato ao assumir seria o de assinar o "Freedom of Choice Act", também conhecido como FOCA. Ele falou já tanta coisa que não se sabe se realmente o fará; mas é uma ementa constitucional que pode ser aprovada.

Apesar das enganadoras palavras "freedom" e "choice", uma descrição melhor para o projeto seria o "Abortion For Everybody Act". Basicamente o projeto acaba com todas as limitações ao aborto, ao nível estadual ou federal: não precisaria mais permissão dos pais no caso de menores; permitiria o aborto até o nono mês de gravidez, inclusive o famigerado partial-birth abortion; entre outras medidas aplicadas nacionalmente.

Francamente, não entendo. Que a mulher possa ter o direito a abortar, é algo discutível. Porém, que uma garota de 14 anos possa realizar um aborto sem avisar os pais? Que fetos de até nove meses, praticamente bebês formados, possam ser jogados na lata de lixo? Porque essa insistência no direito de matar fetos?

Muitas culturas praticam ainda hoje o infanticídio. Os yanomamis, os hindus. Em épocas anteriores, também os incas sacrificavam crianças. E nos tempos bíblicos existia - é citado no Antigo Testamento - o culto de Moloch, ao qual se faziam sacrifícios de bebês.

No Ocidente atual, por pudor, esse sacrifício talvez se transmute na forma de sacrifício de bebês não-nascidos. Só esse caráter ritualístico neo-pagão do aborto explicaria a forma em que seus sostenedores o querem espalhar pelo mundo. Acredito que, mais que defender o aborto, tais pessoas queiram mesmo é acabar com a Igreja Católica e o cristianismo tradicional. Hoje, em tempos de extrema crise demográfica, a União Européia luta para expandir ainda mais o aborto nos países em que este ainda é proibido, como na Itália, na Polônia e (até recentemente) Portugal. É como se um navio estivesse afundando e a tripulação insistisse no direito das pessoas de não usarem salva-vidas.

No centro das cerimônias ao culto de Moloch havia um ídolo de cobre, que tinha a forma de um touro antropomórfico. Era uma estátua oca, dentro da qual se acendia uma fogueira. Sobre os braços incandescentes do falso deus era então colocada uma criança viva. Enquanto esta queimava, tocavam-se tambores para que não se ouvisse o pranto da criança, o que poderia comover os pais. Ensandecidos, em transe coletivo, todos cantavam e batiam palmas, e gritavam em uníssono o nome do seu ídolo:

- M-O-L-O-C-H-! ... B-A-R-A-C-K-! .... M-O-L-O-C-H-!

domingo, 14 de setembro de 2008

Horrores da China

Assisti as Olimpíadas chinesas e nada tenho contra o povo chinês. Porém, o Partido Comunista que os governa é realmente abominável.

Uma das políticas mais criminosas deste é a tal "one-child policy", que decreta que cada casal só pode ter um filho, sob pena de multa, perda de emprego, prisão ou até seqüestro da criança. Não apenas é uma afronta à liberdade das pessoas (cadê os "direitos reprodutivos"?), mas tem centenas de efeitos demolidores.

Um deles: como na cultura local os filhos homens são mais valorizados, o resultado é que grande parte das mulheres que nascem são imediatamente abortadas. Assim como na Índia, ocorre um verdadeiro "fetocídio" de milhões de mulheres, causando inclusive desequilíbrio entre os gêneros.

Algumas não são abortadas, mas têm um destino talvez pior: são abandonadas e terminam em orfanatos estatais chineses como os do vídeo abaixo (visto no blog do Conde), onde bebês são amarrados ou presos em bancos que lembram instrumentos de tortura para escravos. Assistam e chorem.

Mais: como mostra estre outro vídeo aqui, as crianças com defeitos físicos são imediatamente abortadas por ordem do Estado sem que a mãe tenha qualquer tipo de escolha. Isso tem um nome: eugenia. Os nazistas já faziam. Certos esquerdistas radicais querem fazer também.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

O aborto e a caixa de Pandora


Já escrevi algumas vezes anotações meio contra o aborto, e a comentarista "Pandora" discordou de mim, convencendo-me que nada é tão simples. Hoje, ao ler algumas reminiscências pessoais da neo-neocon referentes ao assunto, fiquei pensando que realmente pode ser simples para alguém que está de fora decidir de maneira dogmática (seja à esquerda, seja à direita) sobre o que fazer no caso de uma gravidez inesperada, mas que nada é tão simples assim para uma jovem adolescente angustiada e grávida (e nesse sentido a Bristol Palin teve a sorte de ter apoio e compreensão da família, nem sempre é o caso).

Talvez toda discussão sobre o aborto deveria partir dos seguintes pressupostos:

1. A vida, cientificamente, começa na concepção. Pode-se ser contra ou a favor do aborto, mas deve-se aceitar que se está terminando com a vida de um ser que, se não ocorresse o aborto, se transformaria em um bebê.

2. O aborto pode ser ou não ser legal, mas é traumático e de preferência não deve ser utilizado simplesmente como um método de controle de natalidade, havendo outros métodos à mão (da abstinência à camisinha, conforme a religião).

3. O feto é um ser vivo, que está dentro do corpo de uma mulher. Portanto, não é nem só "o corpo da mulher" que está em jogo como quer a esquerda, mas tampouco apenas "uma vida independente" como quer a direita religiosa. São as duas coisas, juntas e inseparáveis, e por isso é tão difícil discutir o tema.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Notas soltas sobre o aborto

Nem vou me deter agora na questão da moralidade do aborto, apenas observar as incríveis mentiras com as quais a campanha pró-abortista avança no mundo todo.

Do Oiapoque ao Chuí, de Buenos Aires a Lisboa, ativistas pró-aborto falam em milhões de abortos ilegais, milhares de mortes de mulheres em abortos ilegais mal-sucedidos.

Mentira, tudo mentira.

Os números utilizados para legalizar o aborto nos EUA nos anos 70 foram todos manipulados. Para convencer o público os ativistas mentiam descaradamente, diziam que ocorriam “milhões” de abortos ilegais no país, quando ocorriam apenas alguns milhares. Hoje a mesma técnica é utilizada, desconfie de qualquer número que ver… Como eles fazem para contar o número de abortos, se é ilegal?

Um dos responsáveis pela campanha abortista americana arrependeu-se, converteu-se ao catolicismo e assumiu que era tudo invenção. A propaganda era a alma do negócio. Uma mentira repetida muitas vezes...

O aborto, “direito”? Pode ser, mas se for é o direito mais triste que existe. As primeiras feministas eram contra o aborto. Porque sabiam que a maioria dos abortos ocorre por imposição dos maridos, namorados ou pais… Socidedade patriarcal, etcétera. Depois o aborto virou moda. Nunca entendi bem por que. Com tanto jeito mais fácil que tem de evitar a gravidez hoje em dia?

O aborto é uma indústria que gera bilhões de dólares por ano nos EUA. Um bilhão de dólares anuais ganha só a tal Planned Parenthood, maior rede abortista americana. Óbvio que eles querem que o número de abortos aumente. Curioso que contra esse capitalismo nenhum esquerdista proteste.

A luta pelo "direito" ao aborto (Como se alguém pudesse ter algum prazer em abortar) faz parte de um movimento que desvaloriza a vida humana, que acha que esta nada tem de sagrado e é igual a todas as outras vidas, de camelos, vacas, ratos, vírus. É igual a tudo, e portanto igual a nada.

De acordo com os utilitarianistas extremos, para evitar o sofrimento (viver, afinal, é sofrer) devemos encontrar um jeito indolor de matar toda a humanidade. Só a não-existência alivia o martírio eterno da vida. Diz uma velha piada judaica: "O melhor mesmo era nunca ter nascido. Mas quem tem essa sorte? Nem um em um milhão."

Ou como diria Brás Cubas: "Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e conseqüentemente que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria."

E por falar em Machado de Assis, fosse hoje, Capitu teria abortado, ou tomado a pílula RU-486 depois de transar com o Escobar, e estaria tudo resolvido na mais santa paz.

terça-feira, 15 de julho de 2008

O jornalismo da mentira

O jornalismo, ontem uma variação da antiga crônica histórica, hoje virou uma poderosa forma de manipulação popular, pouco interessada na informação, e muito na ideologia.

O aquecimento global, as eleições nos EUA, o Oriente Médio. Tudo é noticiado com base a mentiras, pura e simplesmente mentiras.

Leio agora um artigo do Clarín que informa que na Argentina, "para cada dois nascimentos há um aborto". Os números são absurdos. De fato, não há explicação nenhuma sobre como estes dados foram obtidos, diz apenas que o estudo:

incluyó la estimación de la cantidad de abortos inducidos que se llevan a cabo en nuestro país, con base en dos metodologías internacionales que sólo se aplican en países donde el aborto no está legalizado.

Hummm... Metodologias internacionais... Comunidade internacional... Sempre que usam esses termos, fico com um pé atrás. Com mais pé atrás fico ao saber que os dados, capa do jornal de esquerda Clarín, foram publicados pelo INDEC, órgão governamental famoso por ter manipulado completamente os números da inflação.

E chamam isso de jornalismo.