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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Apocalípticos e Integrados

"Apocalípticos e Integrados" é um livro do Umberto Eco que eu tinha que ler para a faculdade, séculos atrás, mas acho que nunca li. Gosto do título, de qualquer jeito. 

Às vezes sou mesmo meio apocalíptico, como no post anterior, com direito a imagens de zumbis do Resident Evil. Não sei se exagerei, talvez não. Porém, muitas vezes nos concentramos nos exemplos extremos (para o bem e para o mal), esquecendo que há toda uma vasta gama de cinza entre um e outro. 

Há, efectivamente, muitos imigrantes, talvez a maioria, que se tornam integrados ao sistema (mas são eles que se integram ao sistema, ou é o sistema que se integra a eles?). Bem, além disso, há também imigrantes qualificados que ajudam certamente a desenvolver o país, qualquer país. Os EUA podem ser um "paraíso (ou inferno) de diversidade", mas também são a maior potência do mundo, e isso, em parte é graças a imigrantes qualificados que vieram e continuam vindo. 

Eu mesmo não posso ficar reclamando de "imigrantes parasitas", quando não deve faltar alguém que mora no país há gerações e me qualifica assim, talvez entre grunhir de dentes e cuspindo no chão ao me escutar falar com sotaque. Além disso, qual será o meu nível de contribuição à grande nação americana, se é que eu ficarei aqui por mais tempo? É pouco provável que eu chegue a ganhar um Nobel. Por outro lado, tampouco pretendo cometer crimes ou depender da assistência, portanto suponho que eu me encontre no meio-termo da maioria dos imigrantes, nem em um extremo nem em outro.  

Acho que eu teria menos problemas com a imigração se não parecesse haver um plano (e, se não há um plano, de qualquer modo este está sendo o resultado) de inversão de prioridades. Em vez de privilegiar a entrada a a reprodução e o progresso dos bons, estimula-se a entrada e a reprodução e o avanço dos maus. O Sistema premia os ilegais à frente dos legais, os usurpadores à frente dos trabalhadores, os mentirosos à frente dos honestos, os dependentes à frente dos empreendedores.

Se eu tivesse algum cargo político, minha sugestão seria a de diminuir o coitadismo e instituir políticas que visem uma imigração mais qualificada. Por exemplo, acabar imediatamente com a ajuda estatal a imigrantes seria um bom começo. Se você vem para um outro país, deve ser para trabalhar e pagar impostos, não ser sustentado pelos outros. Eu também acabaria com a admissão de refugiados. A verdade é que a maioria deles são mentirosos, inventando histórias falsas de sofrimento e horror (sei por experiência com alguns que conheci, e porque, como eu disse, o sistema funciona de modo a incentivar a mentira). Sim, alguns casos específicos de dissidentes políticos poderiam ser considerados, mas não muito além disso. O resto pode ser auxiliado em seu próprio país. Pessoas com estudo seriam valorizadas, naturalmente e, além disso, eu estabeleceria um teste básico de inteligência, para evitar os casos perdidos. Discriminação? You betcha. 

Porém, a verdade é que não podemos ficar separando as coisas, quando tudo faz parte de um sistema holístico, para usar uma palavra da moda. O problema da imigração massiva não é algo isolado, mas faz parte de todo um complexo de decadência ocidental que vem se manifestando já há gerações, talvez mesmo já desde a Primeira Guerra Mundial. Uma perda na crença na própria civilização, na própria crença de que exista algo que foi já chamado Ocidente.

Pois não é só o imigrante que é visto como um coitadinho, mas o próprio criminoso, a figura anti-social, o Mal por excelência, ele, o literal vilão, é visto como "vítima da sociedade". No texto abaixo passei um link sobre violentas gangues de "afro-ingleses" que em um dos vários tiroteios que realizaram pela cidade acertaram em uma menininha indiana de 5 anos, deixando-a paralítica. A manchete diz que "pegaram vinte anos". Parece quase razoável, até que você lê que vinte anos é o total da soma dos sete integrantes pesos. Pegaram menos de três anos cada um. Uma sociedade que não consegue mais separar o bem do mal, que protege o criminoso enquanto esquece da vítima, é uma sociedade perdida.

Mas como voltar ao que se era? Podem-se reconstruir as ruínas do Império Romano?


P.S. Existe um ditado no futebol que diz, "quem não faz, leva". Quem não ataca, é atacado. Acho que o mesmo é válido para as civilizações. Expande-se ou contrai, não tem alternativa. Os muçulmanos já colonizaram quase toda a península ibérica, quase por milagre foram expulsos e imediatamente após portugueses e espanhóis lançaram-se à exploração marítima continental. As Cruzadas foram também uma reação às invasões islâmicas. Quando Roma parou de invadir e saquear, foi invadida e saqueada. Os europeus invadiram e povoaram meio mundo, agora que estão parados recebem de volta o filho bastardo de seus empreendimentos coloniais. "Papai, estou aqui."

Isto chocará alguns, mas acho que sou a favor da recolonização do Terceiro Mundo por povos europeus. Crescei e multiplicai-vos. Demografia é destino. Quem não faz, leva. Aqui se faz, aqui se paga. Mió nudez que nu nosso. E todos os outros clichês. 

quinta-feira, 29 de março de 2012

Mídia do bem, armas do mal?

Quase não assisto televisão. Nos últimos dois anos, nem tinha um aparelho que funcionasse em casa. Decidi consertá-lo por falta do que fazer, mas descobri que não perco muito. Dei-me conta que não suporto a propaganda televisiva, seja durante os comerciais, seja durante os programas jornalísticos. Melhor é informar-se pela Internet. Filmes e séries também podem ser assistidos online.

No entanto, parece que grande parte da população mundial ainda se informa através dessa mídia ultrapassada e demoníaca. E poucos percebem que não passa de um sistema de replicação de inverdades, de incultura e de incentivo ao consumismo mais calhorda.

Além de tudo, a grande mídia demonstra uma incrível falta de imaginação. Repete os mesmos temas uma e outra vez. O caso Zimmerman-Trayvon, por exemplo, já aconteceu.

Em 1984, um jovem branco e franzino, Bernhard Goetz, foi abordado no metrô de New York por 4 rapazes negros que o cercaram e lhe pediram (com atitude ameaçadora) dinheiro. Goetz respondeu a bala, ferindo gravemente seus atacantes. Os jovens estavam desarmados e a mídia fez um grande escarcéu.  Goetz terminou acusado de ser um assassino racista, foi apelidado de Vingador do Metrô e seu ato inspirou o filme Desejo de Matar, com Charles Bronson. (Curiosidade: tanto Goetz como Zimmerman têm sobrenomes de origem judaica, Zimmerman devido ao pai adotivo judeu, mas é católico, e Goetz de pais judeus mas convertidos ao cristianismo).

No fim, após grande carnaval midiático e protestos populares, foi absolvido. Os quatro rapazes negros tinham carreira no crime, e um deles, meros dois meses após o tiroteio, sequestrou uma jovem grávida e apontou uma arma para a cabeça dela enquanto um companheiro a estuprava. Num subsequente processo civil, Cabey, a única das vítimas de Goetz que ficou paralítica e não pôde mais dedicar-se ao crime, ganhou 43 milhões de dólares. Os outros continuaram roubando e assaltando. (E o Vingador do Metrô? Ainda está vivo e em NY, virou vegetariano e protetor de esquilos desamparados.)

Existem dezenas ou centenas ou milhares de casos de gente que morre em tiroteio, mas é claro que à mídia interessa apenas o caso do vigilante branco (ou "branco") armado que mata minorias inocentes (ou "inocentes"). Por quê? Parte do motivo é a própria raridade de tal tipo de evento. Assaltantes ferindo ou matando suas vítimas não é notícia, o que é notícia é a reação. Parte também é a obsessão com o controle de armas, que foi afinal parte da discussão no caso Goetz e também no caso Zimmerman. E parte, naturalmente, é o aspecto racial. Fossem vítima e atirador nos dois casos apenas brancas ou apenas negras, haveria tanto escarcéu? Não temos como saber ao certo, mas provavelmente não.

Mas esqueçamos da entediante questão racial. Os casos são polêmicos também por tratarem-se de pessoas armadas que mataram gente desarmada e, talvez, inocente, ao menos do momento do ataque. Naturalmente, surge a questão do porte de armas e da legítima defesa. Até que ponto esta é válida? Até quando se deve esperar para atirar?

Uma vez fui atacado na rua por um sujeito drogado que queria dinheiro. Evitei-o, tentei fugir, levei um soco nos dentes. Eu não estava armado, afinal jamais usei armas, mas, e se estivesse? Será que eu deveria ter atirado nele? E se ele estivesse armado? Eu esperaria ele atirar em mim? No fim, tudo acabou com a chegada da polícia e a fuga do infeliz. Uma arma provavelmente teria causado uma morte, fosse a dele ou a minha.

Sempre fui a favor do porte de arma por entender que a legítima defesa é um direito do cidadão e, quando segundos contam, a polícia está a poucos minutos. Por outro lado, entendo que ter um revólver à mão facilita certas mortes. Muitos crimes passionais e mortes por motivo fútil não aconteceriam se não houvesse uma pistola nas mãos de alguém. Os vários tiroteios nas escolas americanas, querendo ou não, também são um resultado da facilidade de se ter armas nos EUA. E os casos de Goetz e Zimmerman, também. Por outro lado, não pode-se negar que, muias vezes, armas salvam vidas.

A pergunta do dia é -- você é a favor ou contra o porte de arma? Acha que Zimmerman e Goetz erraram ao atirarem em gente desarmada? Deveriam ter sido mais prudentes e aguardado, ou reagido com socos, mas sem atirar?  E quanto à mídia, acham que esta influi demais na nossa percepção dos fatos? (Pergunto por que não me parece sempre tão claro se é a mídia progressista que  influi na cultura, ou se é a cultura progressista a que influi na mídia).

Discutam entre vocês enquanto eu vou lá consultar o preço da Smith & Wesson Magnum .44...


Go ahead, make my day.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A verdade sobre o crime

O que é que causa o crime?

Alguns alegam que a pobreza. No outro dia mesmo, dois turistas ingleses foram mortos em um subúrbio negro da Flórida. Um artigo inglês, na já conhecida lenga-lenga, lamentou a "dividida sociedade americana", onde tantas minorias moravam mal e a "pobreza e o desespero" os conduzia ao crime. É... Eis a "pobreza e desespero" do bairro onde ocorreu o crime:



Os carros que aparecem na foto custam entre trinta e quarenta mil dólares. As casas são simples mas estão longe de ser favelas. Pobreza? Desespero? Foram jovens de gangues que mataram os pobres turistas ingleses, talvez por puro prazer de matar.

O que causa o crime então? É simples. Criminosos causam crime.

O fato é que existem pessoas que não querem estudar, não querem trabalhar, mas preferem tirar o que é dos outros ou dedicar-se à venda de drogas ou apenas à violência. Não é "falta de opção", mas preferência mesmo. E precisam ser exemplarmente punidos. Às vezes, com a morte.  

O fenômeno das gangues está por trás de grande parte do crime nos EUA. A maioria, lamentável dizer, são negros e latinos. Por que um jovem entra para uma gangue? Alguns dizem que seja o instinto tribal humano, que as gangues são as equivalentes das tribos tupinambás dos séculos passados. Pode ser. O fato é que atraem os jovens da periferia mais do que o estudo ou o trabalho honesto. 

Outra coisa que causa crime: a burrice. Está provado que criminosos violentos têm menor QI. O sujeito assalta por um par de tênis porque é burro, se fosse inteligente estaria roubando em Wall Street, Brasília ou Washington D.C.. 

A testosterona também causa crime. É verdade que homens jovens negros têm em média mais testosterona do que brancos e estes mais do que asiáticos, o que segundo alguns explicaria a diferença na criminalidade entre os grupos raciais. Porém, em um estudo que a variável de raça foi eliminada, comprovou-se que todos os prisioneiros por crimes violentos, independentemente de raça, tinham maior presença de testosterona em seu corpo. É a testosterona que causa crime, ou o prática do crime que aumenta a testosterona? O fato é que os hormônios controlam a agressividade e impulsividade que são associadas ao crime violento. 

Mas querem saber qual o maior fator causador do crime?

A impunidade. Quando os criminosos, em vez de ser punidos, são recompensados, o crime em uma sociedade tende a aumentar. Lamentavelmente, a tendência esquerdista global é a de tratar criminoso como "coitadinho". No Brasil, um assassino foi solto porque "não representava perigo para a sociedade", segundo a juíza. Será que ela terá a mesma opinião se se tornar a próxima vítima do meliante?


Isso não acontece só no Brasil, não. Atualmente os prisioneiros americanos tem um melhor serviço de saúde do que grande parte dos cidadãos honestos. Enquanto velhinhas contraem dívidas para pagar seus tratamentos no hospital, um prisioneiro pedófilo que estuprou e sodomizou uma menina de 13 anos talvez ganhe um caríssimo transplante de coração. Tudo pago pelos impostos dos novaiorquinos.

Depois dessa, como convencer alguém que "o crime não compensa"?


P. S.  Acredite: a nova moda entre os "intelectuais" (leia-se revolucionários) de esquerda é o "abolicionismo penal", que dedica-se a lutar contra a "cultura do punitivismo" e promete fazer com as prisões o mesmo que fez com os manicômios: extinguí-las. E largar os criminosos nas ruas. Junte a isso a campanha do desarmamento do cidadão, e você percebe bem as conseqüências... Salve-se quem puder!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Por que há tanto crime no Brasil?

Minha estadia nos EUA é temporária, e é possível que volte ao Brasil em seu devido tempo. Na verdade, até que gosto do Brasil. Tenho muitos amigos, família, talvez seja um estilo de vida mais fácil do que o americano, e mesmo em termos de trabalho é possível que eu tenha mais oportunidades aí do que aqui. A política não incomoda tanto se você não se mete com ela. A única coisa que me preocupa realmente sobre essa volta é -- o crime.

A sensação de insegurança no Brasil é um problema. Por que há tanto crime no Brasil?

Em Los Angeles, ocorre uma coisa curiosa. Há bairros pobres onde ocorrem assaltos, assassinatos, brigas de gangues, estupros e roubos. Claro que não na mesma escala do que no Brasil, mas ocorrem. Mas esse crime raramente chega nos bairros mais ricos ou de classe média. Neles, as casas não têm altos muros ou grades como no Brasil. O risco de ser assaltado na rua em um desses bairros à noite é relativamente baixo. (Existe, ocorreram casos; mas são poucos).

É porque existe mais policiamento? Talvez, mas à primeira vista não pareceria. Quase não se vê policiais andando pelas ruas, e se há carros de polícia eles estão no centro da cidade, ou então no gueto.

É pela maior prosperidade geral? Pode ser, mas a relação entre pobreza e crime nem sempre é direta. A pobreza, o desemprego e a diferença entre as classes sociais aumentaram muito nos EUA nas últimas décadas. Porém, o crime diminuiu. Mesmo contando apenas o último ano, de plena crise econômica e bancarrotas gerais, houve uma diminuição de todos os tipos de crime. Qual seria a explicação?

Alguns apontam para o óbvio: quanto mais criminoso nas cadeias, menos crime. De acordo com o Reinaldo Azevedo, é a mesma razão para a diminuição do crime em São Paulo nos últimos anos. A taxa de encarceramento aumentou de modo inversamente proporcional à diminuição do crime. E, nos EUA, se o sujeito cometer um crime, raramente tem escapatória: é provável é que termine na cadeia. Por mais que os esquerdistas chiem e queiram acabar com essa "injustiça".

Mesmo assim, isso não explica outros mistérios. Se há crime no gueto, por que os assaltantes não cometem mais assaltos nos bairros de classe média, onde teriam mais oportunidades, forçando seus habitantes a construírem casas com grades? Se as gangues de traficantes mexicanos se matam entre si no México, por que essa matança não chegou ainda nos EUA, mesmo com quase 50% de mexicanos na Califórnia? (Não faltam traficantes por aqui; tampouco podemos citar como causa a incapacidade do povo americano para a violência. Nos anos 20, Al Capone e sua turma barbarizavam.) 

É possível que tudo mude. As ruas de NY já foram perigosas. (Em 1980, a taxa de homicídios na Big Apple era de 12,7 por 100.000 habitantes. A do Rio de Janeiro, no mesmo ano, de 11,8.) E, dizem que se cortassem o welfare na Califórnia, haveria quebra-quebra e violência geral. Pode ser. O fato é que o crime está diminuindo nos EUA e ainda aumenta no Brasil. 

Alguma coisa estamos fazendo errado.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A Internet está nos deixando loucos?

Anteontem, um jovem maconheiro fã de teorias de conspiração e provavelmente psicótico atirou contra uma deputada Democrata americana, levando-a para o hospital e matando 6 outras pessoas, incluída uma menina de 9 anos. O surpreendente do fato é que não seja surpreendente, já que atiradores malucos não faltam por estas bandas.

O engraçado é que, justo um dia antes do ocorrido, um sujeito abordou-me num café com um papo maluco também bastante parecido com o deste jovem, sobre "nova ordem mundial", "fim do mundo em 2012", "crise energética", "falta de água", "perseguição aos mexicanos", "lei marcial", etc. Não era um vagabundo, mas uma pessoa normal bem-vestida e quase certamente não psicótica, apenas tomada pelas idéias que flutuam por aí, no zeitgeist.

O blogueiro Richard Fernandez observa uma coisa curiosa: que embora o comportamento do jovem fosse bizarro há tempos, nenhum dos seus colegas percebeu que ele era simplesmente doido. Diz o blogueiro, traduzo aqui:
Parte do problema pode ser a normalização do comportamento louco. Quando ser bizarro é ser cool e o "sonho consciente" invoca os filmes Matrix ou A Origem, a linha entre a loucura e a excentricidade fica um pouco diluída.
De fato, na cultura em que vivemos, é normal um jovem tomar drogas, usar piercings e tatuagens demoníacas (ver imagens e ler artigo do Theodore Dalrymple ao final), ter comportamento sexual "diferenciado", isso sem falar nas teorias da conspiração que a Internet torna cada vez mais comuns. E ninguém fala nada, pois é já parte do novo normal, e julgar alguém pelo seu modo de vestir, pensar ou de se comportar poderia ser discriminação, e nós não queremos discriminar ninguém, não é mesmo?

Mas uma sociedade que não discrimina ninguém tampouco pode discriminar os loucos. (E, de fato, fechou quase todos os hospitais psiquiátricos. Os loucos agora andam na rua.)

De qualquer modo, este caso chamou a atenção da mídia por se tratar de um atentado contra uma figura pública, mas a verdade é que malucos que matam por motivos banais não são tão raros assim, ainda que ocorram mais dentro da própria família. Isso sem falar em outros tipos de violência: no mesmo dia em que ocorreu a matança no Arizona, no México eram encontrados 15 cadáveres decapitados a mando de um traficante local. Vivemos em um mundo insano.

É claro, a esquerda americana já está colocando a culpa pelo tiroteio na Sarah Palin, no Glenn Beck, na falta de controle de armas, no "discurso político exaltado que leva à violência" (mas quem faz discursos políticos exaltados e violentos mais que eles?), nas políticas do Arizona contra a imigração, etc. (Só faltou culpar o "aquecimento global"). Mas é apenas o esperado. Também essa é uma forma de loucura.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Upepês

Não sei muito sobre como funciona essa história das UPPs, mas esse negócio de "Polícia Pacificadora" sempre me pareceu mais jogada de marketing do que qualquer outra coisa. Agora parece que os marginais cariocas, talvez entediados com tanta paz, resolveram ir para o asfalto para promover arrastões e queimar veículos.

No começo do filme "Ônibus 174", um dos (s)ociólogos entrevistados fala uma coisa assim: "Os policiais são mal pagos, têm baixa auto-estima, e não são bem treinados para a sua função. Por isso eles passam a achar que o seu trabalho é prender bandido, é matar marginal".  

Ora, seu ociólogo de araque, o trabalho da Polícia é justamente esse! Prender bandido e, se ele resistir, mandar bala. O único modo de combater o crime é prendendo criminosos. O resto é conversa para ruminante repousar.

Porém, parece que as UPPs vieram para ficar, sendo vendidas pelo governo de Dilma e Cabral como soluções para a violência nas favelas. O curioso é que, graças às UPPs, os traficantes conseguiram cortar gastos e "funcionários" e ter maiores lucros. Políticos felizes, favelados felizes, traficantes mais ainda.

O único problema é que alguns desses "soldados do tráfico" desempregados continuam precisando de dinheiro. Ainda bem que existe a gentil população do asfalto, sempre disposta a ajudar.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Feios, sujos e malvados

Gosto do filme de Ettore Scola que dá título a este post. Acho que a razão que gosto mais deste filme do que outros filmes neorealistas (embora haja vários filmes bons nesse período também) é que ali os pobres não são representados como criaturas santas, dignas de pena ou identificação simplesmente por virtude de sua pobreza. Não: são mostrados muitas vezes como avaros, gananciosos, preguiçosos, alcólatras, malandros e, como o próprio título informa, feios, sujos e malvados. Porém, o filme tampouco os desumaniza, ao contrário: nos identificamos com seus personagens justamente por eles serem mais reais. Têm defeitos iguais aos do resto da população, se não piorados devido à falta de educação e recursos materiais.

Nem todos têm essa percepção, tudo bem. Mas há muitos que utilizam a pobreza dos outros como mero pedestal para exibir a própria benevolência. Eis por exemplo um artigo do jornalista da Folha Leonardo Sakamoto, que lamenta que a cidade de São Paulo construa seus espaços públicos de modo a tentar impedir a presença de mendigos e marginais. Prédios com grades; bancos de paradas de ônibus que não permitem que alguém se deite; prédios sem marquises ou com sistemas de jatos de água automáticos que afugentam dorminhocos e drogados: para Sakamoto, tudo isso são absurdos arquitetônicos: temos é que "aceitar que, se há pessoas que querem viver no espaço público por algum motivo, elas têm direito a isso. A cidade também é deles, por mais que doa ao senso estético ou moral de alguém."

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Para que servem as prisões?

Muito se discute sobre a questão das prisões, se deveriam "reabilitar", "reeducar" ou simplesmente "punir" o criminoso.

Theodore Dalrymple -- sempre ele -- mata a charada: independente do possível benefício ou malefício da prisão para o criminoso, para o cidadão que cumpre a lei a cadeia serve ao menos para uma coisa: enquanto o bandido está preso, ele não está lá fora matando, roubando ou estuprando.


Na canção "San Quentin", gravada ao vivo na prisão de San Quentin, Johnny Cash canta: "San Quentin, what good do you think you do? / Do you think I'll be different when you're through?"

Realmente, os próprios bandidos sabem e assumem que, ao saírem da cadeia, provavelmente continuarão a matar, roubar, fraudar, vender drogas, ou seja lá qual era a sua "ocupação" anterior. Os que não o fazem são poucos: de acordo com estatísticas brasileiras, 80% dos bandidos voltam a cometer crimes depois de sair da prisão. Em alguns casos, não esperam nem a saída, já começam a matar no ridículo "semi-aberto".  


quarta-feira, 23 de junho de 2010

Polícia para quem precisa

Um policial de Seattle teve a má idéia de repreender duas adolescentes negras por atravessarem a rua fora da faixa de segurança. Elas ficaram invocadas com o policial, e partiram para o empurra-empurra. O policial terminou dando um soco na cara de uma das jovens e prendendo a outra, em vídeo polêmico que está circulando por aqui.

Não é a primeira confusão. Em outro vídeo, policiais da mesma cidade são mostrados agredindo um suspeito mexicano. "I'll beat the Mexican piss out of you", diz um. Resultou depois que o suspeito era inocente e foi liberado.  

A polícia é racista? A polícia é do mal? 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Criminosos infelizes

Digamos que um sujeito estrangule uma moça grávida, depois de estuprá-la e espancá-la. Agora acrescente o seguinte detalhe: o criminoso teve uma infância infeliz. Quando era criança, morava na miséria, era abusado por seu tio, e sua mãe lhe batia com o ferro de passar.

O assassino deve ter uma pena menor por causa disso? O sofrimento pregresso de algum modo é um atenuante? Já que ele sofreu antes não deve sofrer depois?

Ou digamos que um criminoso roube um carro, no processo arrastando um menino de seis anos pelas ruas. Mas é pobre, jamais teve um tostão. Não seria a sua situação social a que o leva a cometer o crime?

Na verdade, nem a vida pregressa do cidadão nem sua condição socioeconômica deveriam interessar uma pinóia. Cometeu crime? Cadeia! Sei de muitas pessoas que tiveram infâncias difíceis e nem por isso saíram por aí matando e assaltando. E a maioria dos pobres não rouba ou mata só por ser pobre.

Se o assassino tivesse matado o tio que abusava dele, isso talvez poderia ser alegado em sua defesa; se tivesse roubado um pão para comer, poderia-se quem sabe entender; mas em casos em que a vítima não tem qualquer relação com os problemas psicológicos ou sociais do criminoso, como imputar a conduta criminosa a causas psicológicas ou sociais?

No entanto, muitos juízes parecem discordar de mim. Alguns parecem mesmo achar que a vítima é que tem culpa, por ter muito, ou por andar por onde não devia.

Há ainda a hipótese de que os criminosos, se pertencerem a minorias oprimidas, também deveriam receber uma redução de pena. É o caso de Rudy Guede, onde, provavelmente por ser um imigrante da Costa do Marfim, o assassino confesso recebeu uma pena menor do que os cúmplices (uma garota branca americana e um garoto branco europeu). Ou o caso de um gay que matou os pais e diz que a razão é que eles não aceitavam sua homossexualidade. Agora exige que o juiz que julgue a causa seja gay, pois só assim para ser compreendido.

Não duvido que obtenha seu desejo. A tendência dos progreçistas é ver o criminoso sempre como um coitadinho, humilhado pelo sistema.

O problema é que aí a vítima e seus familiares pagam duas vezes: a primeira quando ocorre o crime, a segunda quando seus apelos são ignorados e os criminosos são liberados com penas irrisórias. No Brasil, chega a ser ridículo: criminoso algum podem ficar mais de 30 anos presos, mesmo que tenha organizado um genocídio em seu quintal.

Mas considere esta última hipótese: e se os "verdadeiros culpados" pelo crime não fossem as "causas sociais" nem a "infância infeliz", mas os genes? Saiba que agora mesmo, na Itália, pela primeira vez na história um assassino teve a pena reduzida por - de acordo com os advogados que se basearam em estudos de geneticistas - ter um gene que causaria a predisposição à violência, o tal MAOA.

E se houvesse mesmo um gene do crime? O que ocorreria com a noção de Justiça? Afinal, o criminoso poderia sempre alegar: "não fui eu, foram os meus genes". Assim como hoje alega que foi sua infância infeliz ou sua pobreza.

Seriam então os criminosos tratados com medicamentos anticrime, em vez de cadeia, como em Laranja Mecânica? Mas isso já ocorre com os criminosos com transtornos mentais. Muitas vezes são liberados nas ruas, com a mera condição de que continuem tomando suas pílulas, o que nem sempre acontece (e aí voltam a matar).

Mas pode um gene realmente induzir alguém a cometer crimes? Mesmo que alguém tenha predisposição à violência, isso não deveria levá-lo necessariamente a se tornar um assassino. É mais provável que o criminoso seja influenciado por uma complexa série de fatores, que incluiriam sua predisposição genética, inteligência (baixa - é mito que os criminosos sejam inteligentes), aspectos econômicos, sociais e culturais, educação, formação moral e religiosa, e nível de testosterona.

Mas tudo isso é irrelevante, é claro.

Afinal, enquanto criminosos reais são perdoados ou têm as penas reduzidas por razões genéticas, multiculturais ou sociais, enfim, coitadismo, a Justiça progreçista preocupa-se mesmo é com sujeitos que mandam emails racistas ou fazem acusações politicamente incorretas. Esses sim são seres perigosos que devem ser punidos com o máximo rigor da lei.

"Num tenho culpa, seu guarda. Nasci assim!"

sábado, 2 de janeiro de 2010

Islamophobia

Feliz Ano Novo a todos.

Iniciamos 2010 com um post continuando com a polêmica anterior, sobre o Islã. Alguns leitores, afinal, acreditam que eu seja demasiado crítico dessa religião. Será que sofro de islamofobia?

Vejamos as notícias de hoje. No Bombistão, digo, no Paquistão, militantes islâmicos mataram 88 espectadores de um jogo de vôlei, trucidando dezenas de adolescentes e crianças. Na Dinamarca, um muçulmano armado com um machado tentou invadir a casa do cartunista que desenhou um dos cartuns de Maomé. Na Nigéria, houve mais de 70 mortos em conflitos com islamistas. E é apenas o primeiro dia do ano.

Com todo o respeito, há muitas religiões esquisitas por aí. Judeus ortodoxos, hindus e budistas, mórmons, e mesmo os cristãos mais fundamentalistas, todos têm costumes que podem ser bastante estranhos. Mas que outra religião fora o Islã incita ao assassinato de um senhor de 74 anos e sua netinha de 5 anos pelo simples fato de ter feito um desenho, há quase quatro anos atrás? Que outra religião propaga-se através do massacre de inúmeros infiéis? Católicos e protestantes se odeiam na Irlanda, é verdade, mas será que se matam tanto quanto sunitas e xiitas em um único dia?

É verdade que a maioria dos muçulmanos não são terroristas. Também é verdade que a maioria dos terroristas são muçulmanos. Mas, mesmo que 99% sejam pacíficos, não há motivo para Europa e EUA aceitarem contingentes tão grandes de islâmicos em suas cidades. Por quê? Para quê?

Nosso amigo Bitt sustenta que eles foram trazidos como mão de obra barata para pagar as pensões dos europeus. Pode ser. Mas a conta não fecha. O custo da assimilação de imigrantes é maior do que sua contribuição aos cofres públicos. Isto é, os países desenvolvidos estão pagando para ter imigrantes do terceiro mundo. Enquanto é verdade que alguns se beneficiam com os trabalhadores braçais a baixo custo, também é verdade que os imigrantes rendem votos aos políticos. E essa talvez seja a principal razão para a sua importação massiva. Aliás, o próprio governo britânico confessou ser esse seu objetivo.

Na verdade, a imigração massiva de muçulmanos é um problema maior do que o terrorismo em si. Proporcionalmente, o terrorismo não mata muito. É uma arma de propaganda mais do que de guerra. Não são as mortes que contam, é o pânico que causa na população. De certa forma, tanto o fracassado atentado natalino no avião quanto o fracassado atentado contra o cartunista dinamarquês tiveram sucesso, mesmo falhando. Ocidentais vão ter cada vez mais inconveniências ao viajar de avião, e provavelmente não veremos tão cedo novas caricaturas de Maomé.

Islamofobia? Tenho sim.


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Crimes de piedade

Existe o Bem e o Mal? Alguns dizem que não, mas o problema aí é que ficam paralisados na hora de julgar um criminoso, por exemplo. Se tudo é relativo, como castigar alguém que, no fundo, é apenas uma "vítima da sociedade"?

Recentemente, uma mulher levou o aborto às últimas conseqüencias. Sem querer ter o filho e - diz ela - sem dinheiro para realizar um aborto, o que fez? Deu um tiro na cabeça do bebê dentro da própria barriga, no mesmo dia em que estava previsto o parto. A criança naturalmente morreu, mas a mulher sobreviveu. Foi acusada, julgada e inocentada. O juiz entendeu que não havia crime. Está certo: qual a diferença entre um tiro e um aborto afinal? O corpo é dela, não é isso que dizem?

Da mesma forma, o presidenciável Huckabee está com problemas nos EUA, pois no seu período como governador do Arkansas, por piedade, liberou um violento criminoso condenado a 98 anos de prisão. Livre após meros onze anos, o ladrão fez carreira: virou assassino e depois estuprador de crianças, e ontem matou quatro policiais que tranqüilamente tomavam seu café e comiam seus donuts enquanto esperavam o início do expediente.

Como Huckabee é republicano e cristão, vê-se que o problema não é só do progressismo, mas do cristianismo também, ou, ao menos, da mistura de cristianismo com progressismo que encontra-se às vezes por estas bandas (no outro dia, vi uma Igreja com uma bandeira arco-íris, com dizeres a favor do casamento gay).

Progressistas e cristãos, inimigos em quase tudo, encontram-se muitas vezes curiosamente unidos na piedade com criminosos e na contrariedade à pena de morte.

A piedade é uma virtude, um bom sentimento. É preciso saber perdoar. E, de fato, quem de nós jamais cometeu um erro, uma indignidade, um pecado, ou mesmo um crime? Não julgues se não quiseres ser julgado. Atire a primeira pedra quem nunca etcétera.

Por outro lado, também é verdade que, se todos são perdoados de seus crimes e ninguém pode ser culpado por nada, o pessoal abusa. Tudo termina por virar um vale-tudo em que irmão mata irmão. Se não há castigo, a violência, o ódio e a vingança perene são os únicos resultados.

Como conciliar a piedade com a necessidade da punição?

Talvez neste caso o Talmud dos judeus tenha a medida exata da mistura, na famosa afirmação: "Aquele que é caridoso com os cruéis termina sendo cruel com os caridosos".

Ter piedade de assassinos, assaltantes e estupradores não é ser bonzinho com eles, é ser malvado com as suas vítimas. Uma sociedade que preocupa-se mais com os direitos dos culpados do que dos inocentes é uma sociedade doente, em possível risco de extinção.


Praise the Lord and pass the ammunition.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A Morte no carrinho de supermercado e outras histórias

Li no blog de uma certa Espectadora um belo post sobre mortos colocados em carrinhos de supermercado, e ao final ela fala o seguinte:

Se nazistas queimam um judeu, é porque são uns monstros, inimigos da humanidade. Se traficantes queimam uma vítima, é porque são uns coitados, crucificados pelo sistema.

De fato. É curioso que os traficantes, assassinos e criminosos sejam vistos como "pobres" e "vítimas do sistema" pela esquerda, quando poderíamos fazer uma analogia e observar que, na realidade, não passam de tiranos, de grandes "capitalistas" que colocam o lucro acima de qualquer ética ou "função social". Matam por nada. Não são nem mesmo "pobres": no contexto da favela (que aliás é bem mais próspera do que muita gente pensa - muitos estão ali apenas para estar mais perto do trabalho e não pagar luz, água e IPTU) são os ricaços, a "burguesia", os "opressores", a classe alta, enfim, aqueles que mandam no sistema.

É curioso ainda que, na mentalidade progressista, tudo seja permitido ao Estado - menos matar. Para eles é horrível que o Estado, com a pena de morte, mate um criminoso (salvo que se trate de um Estado comunista, mas aí é outro papo). No entanto, à iniciativa privada (criminosos), matar é permitido. Quando um desses assassinos é preso, grita-se para respeitar seus "direitos humanos". Mesmo sua prisão é considerada em muitos casos um ato abominável. Mas a verdade é que existe pena de morte no Brasil. Ou ela é realizada por criminosos na cadeia, que têm seu próprio código de ética, ou ela é realizada pelos traficantes na favela que executam quem não respeita suas leis, ou então ocorre nas ruas - contra os inocentes.

Mas essa história de desculpar os crimes mais violentos dos "pobres" - ou mesmo de achar que o crime e a violência são mero resultado da pobreza - vai longe. No outro dia o presidente filho do Brasil disse que "policial aceita propina porque ganha pouco". Não é o primeiro nem será o último a afirmar isso, mas o raciocínio tem dois problemas. Um, assume que honestidade depende exclusivamente de quanto a pessoa ganha, além de qualquer valor moral. Somos todos ladrões, parece dizer Lula parafraseando G. B. Shaw, a questão é apenas negociar o preço. Dois, quem garante que o policial corrupto, mesmo com um salário maior, não continuará roubando? Afinal, jamais conheci ninguém que estivesse completamente satisfeito com o salário que recebe: todos sempre pensam que deveriam ganhar mais. Mesmo o mais famigerado CEO da Forbes 500, tenho certeza, não se incomodaria em ganhar alguns trocados extra.

Daí vemos que o problema não é a pobreza, mas a impunidade, e a falta no Brasil do que em inglês se chama "rule of Law". O mesmo poder que ignora o favelado que constrói em lugar inadequado também faz vista grossa para o policial corrupto, afinal se acabarmos com a polícia corrupta, quem garante que um dia não se virarão contra a corrupção dos parlamentares também, e aí onde iríamos parar?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

The Chicago Way

O governo Obama tem um sistema de czars, isto é, funcionários não-eleitos escolhidos a dedo e que não respondem ao público, aliás, o público muitas vezes nem mesmo sabe de sua existência. Formam uma espécie de shadow government. Até o momento foram indicados 33.

Quando Obama foi eleito deputado, sua mulher Michelle coincidentemente conseguiu um emprego no Hospital de Chicago por um salário de 121.000 dólares anuais. Quando Obama virou senador, o salário de Michelle, no mesmo cargo, subiu para 316.000, aumento de mais de 100%. (Nesse mesmo período o Hospital, curiosamente, teve aprovado um aumento das verbas governamentais de mais de um milhão...) Após a eleição de Obama, Michelle pediu demissão. Ninguém a substituiu: o seu "cargo" foi simplesmente eliminado.

Alguns acreditam que Obama seja ingênuo, mas não é nada disso. Ele é um profissional que estudou na Escola de Chicago (a de Al Capone, não a de Milton Friedman).

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Bandido bom é bandido solto

Há uma frase atribuída a Lenin que diz: "quanto pior, melhor". Isto é, quanto maior a degradação social e econômica, quanto maior pobreza e desgraça causada pelos esquerdistas, melhor - pois tudo pode ser, naturalmente, atribuído ao capitalismo (ou, palavra de moda de hoje, o "neoliberalismo").

Assim, os agentes leninistas são agentes propositais da destruição do tecido social, ao mesmo tempo em que afirmam que a culpa é de seus inimigos. E promovem-se como a solução radical para os mesmos problemas que criaram.

Um exemplo claro é a questão do crime, da violência e do tráfico na América Latina. Não é segredo para ninguém que o crime organizado atual tem suas origens no contato com a guerrilha esquerdista nos anos 70. Foi dos presos políticos que Comando Vermelho e PCC aprenderam a guerrilha urbana e a organização. De fato, é o próprio fundador do CV que confirma isso, bem como vários ex-guerrilheiros que viveram esse período. Sobre isso, não há mistério algum. (E ainda hoje a relação dos traficantes com FARC, Chávez, Evo e todos o movimento bolivariano não é segredo).

Bem, está por sair um novo filme brazuca sobre as origens do Comando Vermelho. Não sei detalhes, mas parece ser mera romantização da bandidagem. De fato, segundo o diretor, a mensagem do filme é a "solidariedade dos presos na luta contra a opressão do sistema". O mesmo cineasta realizou dois documentários elogiosos da figura de Willian (é, com n mesmo) Silva, o fundador do CV. Não os assisti por ter um certo preconceito contra líderes do crime, mas estão no Youtube. Um se chama "Liberdade" e outro "Resistir", não dando margem a dúvidas que o fundador do CV é apresentado como uma espécie de revolucionário redentor das classes oprimidas, que, aliás, é como ele próprio se vê. Ah, sim: Willian cumpria pena em regime semiaberto e, um dia, sumiu... Quem diria! Para a esquerda, pelo jeito, bandido bom é bandido solto.

Ao convencer o mundo que o crime é causado unicamente pela "desigualdade social" (flagrante mentira, mas quem ousa discordar hoje?), a esquerda obtém dois trunfos. Um, promover-se a si mesma como a "solução" (afinal, não é a esquerda que luta contra a desigualdade social?) obtendo cada vez mais poder e dinheiro para o Estado. Dois, a desculpa para não fazer nada contra o crime, pois, já que tudo é mero resultado da desigualdade social, ora, é preciso primeiro resolver a tal desigualdade, que depois magicamente a questão do crime será resolvida.

Porém, como a igualdade social é um mito, uma utopia, e jamais acontecerá, fica a certeza que a esquerda nunca moverá um dedo para resolver a questão do crime de modo eficiente. Vejam que, com Chávez, o crime aumentou 400% na Venezuela. E no Brasil-il-il? Bem, está aí o ministro do meio-ambiente participando de marcha da maconha, enquanto a violência cresce sem que ninguém faça nada.

Quanto pior, melhor.

Tá tudo dominado.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Por que o crime aumentou?

O que causou o aumento exponencial do crime no mundo ocidental nos últimos 40 ou 50 anos?

Afinal, é certo que vivemos em um mundo mais violento do que no passado recente.

Alguns dizem que a pobreza e a desigualdade social são as verdadeiras causas do crime e, portanto, as causas desse aumento. No entanto, havia muito mais pobreza e desigualdade social há cinqüenta anos, não apenas no Brasil como em muitos outros países, inclusive os EUA e países europeus. E havia menos crime. Pobreza ou desigualdade, por si só, não geram crime em lugar algum.

Outros afirmam que a razão seria o aumento do tráfico e consumo de drogas, que cresceu enormemente nesse período. Sem dúvida, o narcotráfico é responsável por grande parte dos homicídios que ocorrem na América Latina e no mundo. Mas o narcotráfico, em si, já é um crime. Dizer que o crime aumenta o crime é uma redundância. A razão está mais além.

Alguns acham que a causa do aumento do crime tenha a ver com o aumento de armas disponíveis, mas a verdade é que o crime também aumentou em países que tomaram medidas cada vez mais restritivas da posse de armas. Uns conjugam o aumento do crime com o racismo. Outros, mais sensatos, com a imigração. Alguns, com a mera falta de prisões. E outros ainda, com o mero crescimento demográfico centrado nas cidades.

Já outros acreditam que a causa real do aumento do crime seja simplesmente o liberalismo, isto é, o relaxamento dos costumes e da moralidade, bem como outras ideologias que foram incorporadas à cultura ocidental a partir dos anos sessenta. Segundo essa teoria, que me parece a mais interessante, o liberalismo - sexual, moral, comportamental - geraria o aumento do crime através de duas idéias principais:

1) Impunidade. Para os liberais, especialmente aqueles de esquerda, o criminoso é uma vítima do sistema. Ele age como age, não por iniciativa ou para obter lucro, mas porque foi forçado a isso pelas circunstâncias sociais. O criminoso é o proletário oprimido do século XXI. Além disso, segundo esses iluminados da compaixão, a prisão não deve ter o intuito de punir, mas de "reeducar". Sendo assim, penas cada vez mais leves e leniência cada vez maior com os crimes mais bárbaros é a nova lei, ou melhor, falta de lei.

(Que a impunidade gere crime parece-me um fato inegável, basta pensarmos na política brasileira. Mas também é certo que a impunidade não é apenas a nível judicial, como também familiar: segundo muitos, hoje as crianças cresceriam sem qualquer imposição de limites, tornando-se pequenos criminosos. Temos exemplos inumeráveis disso: o mais recente é o caso de adolescentes que derramaram alvejante no rosto de uma mulher que reclamou que eles teriam feito barulho ao assistir o último filme de Harry Potter, causando-lhe danos irreversíveis à vista.)

2) Relativismo moral. Tudo é permitido, tudo é igual a tudo, não devemos julgar os outros que têm culturas ou gostos diferentes a nós. Por isso mesmo, o criminoso é apenas alguém que tem uma cultura diferente, e o consumo de drogas que financia o tráfico também virou apenas mais um "comportamento alternativo" que não pode ser criticado por ninguém.

Insisto no exemplo, já que o tráfico é uma dos principais meios de crime nas nossas redondezas. Vários governos, do México ao Brasil, querem atualmente descriminalizar o uso de certas drogas, aplicando uma medida liberal e compassiva que vê o usuário como uma vítima ou então como um inocente que comete um victimless crime. Mas a quem beneficiaria essa lei, que só observa um lado da moeda? Mais demanda, mais oferta. Mais consumidores, mais venda do produto. Mais drogados, mais traficantes. Mais traficantes, mais crime. Parece-me óbvio: os que querem liberar o uso de drogas sem liberar sua venda estão simplesmente do lado dos criminosos e traficantes, e provavelmente até ganhem uma comissão.

Mas não é só a questão das drogas. O sexo, também. Afinal, a liberação sexual causou mais ou menos crimes?

Aí há duas teorias conflitantes. Uma diz que a repressão sexual é que causa frustração, ódio, violência e, finalmente, crime. Liberando-se geral, haveria menos motivo para a violência e o crime sexual. Mas será que é isso mesmo? Alguns, citando recentes estudos, afirmam que o aumento da pornografia teria reduzido o número de estupros nos EUA, mas tais conclusões são precipitadas. Correlação não significa causação.

Outros afirmam que a maior liberação sexual (e rotação de parceiros) também gerou, paradoxalmente, maior ciúmes e, portanto, possível maior número de crimes passionais (aguardam-se estudos a respeito).

Contra a teoria do liberalismo como causador do aumento do crime, existe a Suécia, país que, ao menos a julgar pelos boatos, sempre foi liberado sexualmente, e no entanto tem uma baixa taxa de criminalidade. Aliás, seus maiores criminosos são os imigrantes muçulmanos, que são em teoria os mais preocupados com a moral sexual, ao menos de suas mulheres.

Por outro lado, recentemente, no vilarejo sueco de Örebro, um senhor foi derrubado de sua bicicleta e abusado sexualmente por uma gangue de jovens garotas suecas. Pobre homem! É realmente terrível observar a que ponto chegamos... Aliás, como se faz para chegar a Örebro?

Garotas suecas são demoníacas.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

How not to get your ass kicked by the police

Há uma polêmica estes dias nos EUA sobre um professor negro (ou melhor, afro-americano) de Harvard, Henry Louis Gates Jr, o qual, tendo esquecido as chaves de casa, arrombou a sua própria porta de entrada. Uma vizinha observou a cena e, naturalmente, acreditando estar vendo um ato criminoso, chamou a polícia. Até aí tudo bem, um mero mal-entendido, certo? Errado. Quando o policial (branco) chegou, pediu os documentos ao professor, que negou-se a mostrá-los, primeiro tentando um carteiraço - "você sabe com quem está falando?", logo alegando racismo - "isto é só porque eu sou um negro na América!" - e finalmente gritando e insultando o policial. Foi preso por desacato à autoridade.

Seguiu-se uma longa polêmica sobre a questão racial que ainda está longe de terminar. Foi o professor vítima ou culpado? Até o afro-presidente Obama entrou na discussão, chamando a polícia local de "estúpida". Já a polícia afirma que apenas seguiu o regulamento e nada tem de racista. De mais a mais, é verdade que, como Obama sugeriu, negros e latinos costumam ser mais "assessorados" pela polícia do que branquelos. Mas também é verdade que cometem proporcionalmente mais crimes, o que justificaria a ação. A polêmica continua.

No fim das contas, toda essa confusão poderia ter sido evitada se Henry Louis Gates tivesse seguido estes simples conselhos de Chris Rock:



Aqui a versão com legendas em português. Valeu, Vítor!

terça-feira, 21 de julho de 2009

O que é "justiça social"?

Muitos hoje em dia falam em "justiça social"; alguns chegam mesmo a alegar que seja alguma espécie de direito humano imprescindível. Mas o que significa essa tal "justiça social"?

O próprio termo é equívoco, invertendo a ordem natural das coisas. Afinal, o termo "justiça" pareceria indicar que atualmente ocorre uma "injustiça" - que a distribuição supostamente natural eqüitativa dos recursos teria sido deturpada por capitalistas ávidos e/ou plutocratas malvados e/ou a classe média egoísta, de modo que alguns sempre ganhem injustamente mais do que outros. De acordo com os apólogos da tal "justiça social", os recursos deveriam ser distribuídos de modo mais igualitário entre todos os cidadãos de um país, ou, nos casos mais extremos, entre todos os habitantes do mundo.

Porém, ao contemplar o conceito, observamos rapidamente duas coisas: a primeira é que a ordem natural do mundo não é nem nunca foi a distribuição igualitária de recursos, mas exatamente o contrário. A ordem natural é a desigualdade. Isso pode ser considerado bom ou ruim dependendo da ideologia de cada um, mas é um fato. Nunca, em nenhum momento da História humana, houve uma distribuição igualitária de recursos materiais: mesmo no Neolítico certamente os mais fortes tinham maiores vantagens na obtenção de alimentos ou de fêmeas. (Aliás, o próprio conceito de "distribuição de riquezas" é absurdo, já que a riqueza é um valor dinâmico, criado a todo momento: não há um número X de recursos a serem distribuídos igualmente entre todos, como notas do Banco Imobiliário).

A segunda coisa que observamos é que a tal "justiça social", se aplicada na prática, seria na verdade extremamente injusta. Por que a distribuição de recursos deveria ser completamente desligada de qualquer esforço ou mérito? Por que deveria alguém que estudou ou trabalhou por anos a fio, à custa de imenso esforço pessoal, ser igual a alguém cujo curriculum vitae se resumiu a matar aula, roubar, beber cachaça e assaltar ou mendigar pelas ruas? Na União Soviética um operário (categoria celebrada pelo regime, ao menos no momento inicial) sem grande formação ganhava o mesmo ou mais do que um médico com anos de estudo. Era isso mais justo?

Evidentemente, não estou querendo dizer que os ricos sejam ricos exclusivamente por mérito ou talento; em grande parte dos casos, não é assim (ou depende do que se considere "talento"). Tampouco é verdade que a maioria dos pobres o seja por escolha (embora, em muitos casos, isso ocorra, ainda que sejam escolhas inconscientes). Mas, mesmo que consideremos tal distribuição "injusta", é o modo em que as coisas ocorrem. Quem é a elite esclarecida que deve decidir o que é socialmente "justo" e o que não é? Uma redistribuição igualitária forçada da renda não seria ainda mais "injusta", ao menos para quem perde seu rico dinheirinho?

"De cada um conforme sua habilidade, a cada um conforme sua necessidade" é a resposta marxista, o ditado que tornou-se lei para a inteligentsia internacional. Mas esta é na verdade uma receita infalível para produzir a degradação social. Distribuir de acordo com a mera necessidade, sem qualquer contrapartida, apenas aumenta o problema. Uma redistribuição de recursos que não leva em conta qualquer tipo de mérito, educação ou esforço, que tira do "rico" (isto é, na verdade, da classe média, já que o rico deposita em paraísos fiscais ou passa a conta ao consumidor) para dar ao "pobre" (pobreza é sempre relativa, lembrem-se) apenas para manter uma menor desigualdade social pode tornar-se, na verdade, extremamente prejudicial para a sociedade como um todo e gerar a perpetuação dos mesmos males que pretende combater.

É curioso que os esquerdistas, tão críticos do capitalismo, sejam na verdade as pessoas mais materialistas do mundo. Para eles, felicidade ou infelicidade parecem resumir-se exclusivamente à posse de recursos materiais. Além disso, a questão moral evade-os completamente. Tanto faz um pobre ser criminoso, pedinte, estudioso ou trabalhador: o que importa é que tenha os mesmos recursos do rico ou da classe média, não importando a origem do dinheiro. Não espanta que os mais radicais cheguem a ver o crime meramente como uma forma de obter a tão sonhada "justiça social". Os fins justificam os meios: seja o roubo governamental (impostos, nacionalização) ou privado (assalto a mão armada), o importante é redistribuir.

Estou lendo "Life at the Bottom", do freqüentemente citado aqui Theodore Dalrymple. É um livro que deveria urgentemente ser traduzido ao português. Embora se refira ao caso britânico, é impressionante observar como muitas das patologias referidas aplicam-se, em proporção ainda maior, ao caso brasileiro. Neste link pode ser lido um dos ensaios do livro, que trata justamente da questão da pobreza, ou da suposta pobreza de certas camadas da população inglesa (já que sua "pobreza" em nada se iguala à brasileira), e dos malefícios do welfare estate, o qual acaba com a (sempre relativa) pobreza material, ao mesmo tempo em que prende os seus recipientes em um círculo vicioso de dependência do qual poucos sairão.

Uma das coisas mais importantes que o livro mostra é como pobreza, felicidade e escolhas morais estão intimamente ligadas, e que a tentativa de dissociar completamente a obtenção de bens materiais ou benefícios públicos de qualquer mérito ou esforço termina por promover aquilo mesmo que quer evitar.

Dalrymple observa como, ao dar casas gratuitas para "pessoas-problema" como mães solteiras, alcoólatras, violentos, criminosos e drogados, o Estado inglês está na verdade promovendo (e os números comprovam) o aumento de mães solteiras, de alcóolatras, de violentos, de criminosos e de drogados. Afinal, todas essas atividades compensam. Trabalhar ou ser um bom cidadão compensa bem menos, já que estes não recebem ajuda. Em muitas cidades da Inglaterra e algumas dos Estados Unidos, por exemplo, é mais conveniente viver do seguro-desemprego do que trabalhar. De fato, esforçar-se para procurar emprego e trabalhar resulta antieconômico, já que ganha-se a mesma coisa.

Mas assim também acaba-se com a ambição e a conseqüente mobilidade social: para que estudar ou trabalhar se é melhor viver confortavelmente sustentado pelo Estado? O bolsa-família (que é ainda o menor dos problemas) e outros processos assistencialistas mais negativos (por não exigirem qualquer dever) e tão típicos da América Latina, geram um processo similar de dependência e imobilidade social. Melhor uma sociedade de classes com alta mobilidade, ou uma sociedade supostamente mais igualitária mas com castas imóveis das quais é praticamente impossível sair?

Mas mais nociva ainda - particularmente no caso latinoamericano - é a relação entre o crime e a falta de responsabilidade individual (todos querem direitos; poucos querem deveres) gerada pelo coitadismo, outra gritante patologia moderna que deveria ser analisada em detalhe. Falarei sobre esse tema mais adiante.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Abuso infantil

Um garoto palestino de 13 anos atacou um soldado israelense com uma faca. Já houve casos de meninos de 11 anos utilizados para levar bombas, que felizmente não explodiram. Sob aplausos do pessoal pró-palestino, que não vêm aí nenhum tipo de abuso de crianças. Curiosamente, é o mesmo pessoal que grita toda hora contra o trabalho infantil. Ser engraxate não pode, mas terrorista mirim - por que não? Silvio Santos é abusivo ao explorar crianças em seu programa, mas o Hamas e seus programas de TV com crianças recebendo lavagem cerebral genocida - tudo bem. (O islamismo, diga-se de passagem, é pioneiro no uso de crianças para fins atrozes: os talibãs já utilizaram até crianças de 12 anos para decapitar reféns.)

A esquerda também chora pelo abortista George Tiller, como se fosse um santo homem de nobre coração. O próprio Obama lamentou sua morte, sem falar nada da morte dos soldados em atentado no mesmo dia. Ora, não há motivos para celebrar o assassinato do doutor por um desequilibrado, mas digamos a verdade: era um picareta que abortava fetos saudáveis de três, quatro, cinco e até nove meses (um dia antes do nascimento) exclusivamente para ganhar rios de dinheiro, e que estava sendo investigado pelos tribunais. Nada há de santo no sujeito. (O aborto pode ser um "direito da mulher" segundo alguns, mas não esqueçamos que também é uma indústria que gera milhões de dólares. Há quem ganhe muito com o aborto e deseje que este aumente cada vez mais. Cadê a crítica a esses "capitalistas"?)


Late term abortion.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

"Tortura mas não mata?"

Preciso falar uma coisa sobre a tortura, e todo esse blablablá do Obama sobre os EUA recuperarem a "estatura moral", e a crítica e perseguição ao governo Bush, que teria usado "tortura", ou ao menos waterboarding para extrair confissões.

Não sou de modo algum a favor da tortura, e a princípio concordaria com a proibição obamística do seu uso, mas devemos admitir - a tortura existe.

Existe na Jordânia, existe na Arábia Saudita, existe no Brasil, existe nos EUA, existe na Europa, existe em todo o mundo.

Às vezes, como nos países do Oriente Médio acima mencionados, a tortura é realizada por funcionários do Estado, militares ou policiais, seja seguindo ordens diretas ou não. Em outros países, a tortura é na maior parte das vezes realizada por entidades não-estatais de bandidos, traficantes, terroristas, guerrilheiros, rebeldes e criminosos. Mas é tortura, e tem o mesmo objetivo de extrair confissões.

Segundo ponto: a tortura funciona. Se não funcionasse, ninguém a usaria.

Então o dilema moral é: se é urgentemente necessário obter informação de um criminoso / terrorista / seqüestrador para salvar a vida de um ou de milhares (milhões?) de pessoas, é permissível usar a tortura?

Richard Fernandez escreveu um ótimo post a respeito, questionando os vários aspectos da questão. E ele pergunta: embora hoje todo mundo seja naturalmente contrário à tortura de prisioneiros da Al-Qaeda, será que se amanhã uma bomba nuclear explodisse em NY, todos seriam ainda da mesma opinião? Se alguém tivesse um filho seqüestrado, e fosse possível torturar um cúmplice do seqüestrador para reavê-lo, será que todos seriam tão contrários à tortura assim?

E ainda: não é lícito torturar, mas bombardear pode? Afinal, o governo Obama segue mandando pelos ares alguns talibãs. O que pode e o que não pode? O que é moral e o que não é?

São questões sérias.

O moralismo esquerdista resume-se em dar o máximo de proteção aos maiores criminosos, torturadores e assassinos, desde que estes não sejam "de direita" (aí podem ser até fuzilados). O próprio ato de querer perseguir mais a CIA e o Bush do que os terroristas (chegando até a publicar memos secretos, pondo em risco à nação) dá a medida dos verdadeiros inimigos da esquerda.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado ao controle de armas. Para o progressista, que um cidadão tenha o direito de se defender de criminosos é errado, por isso as leis de controle de armas. Mas tal controle, embora tire a proteção armada do cidadão respeitador da lei, não a tira do criminoso, já que este está se lixando para a lei - não respeita a lei da propriedade, porque deveria respeitar a lei do controle de armas? Sendo assim, as leis de controle armamentista têm um único resultado - desarmar o sujeito que pretende apenas defender sua família e propriedade, e armar aquele que quer roubá-lo.

Do mesmo modo, as leis que protegem o terrorista da tortura (ou mesmo que transformam em "tortura" todo tipo de questionamento mais árduo), que dão direitos excepcionais e proteção da convenção de Genebra a bandidos e terroristas que não respeitam qualquer convenção e que operam fora de qualquer respeito aos direitos humanos, que dão a piratas somalis o direito de ser julgados sob um sistema sob o qual eles não tem cidadania - tudo isso, embora nobre, talvez tenda a um único resultado a longo prazo: aumentar o número a selvageria dos terroristas e criminosos, aos quais a tortura é permitida já que não perdem direito nenhum com isso, e enfraquecer o cidadão comum.

Bandidos que não respeitam a convenção de Genebra não têm direito à sua proteção.

E tem outra coisa: é fácil falar uma coisa e fazer outra. Lembram do "ninguém é mais ético do que o PT" ao mesmo tempo em que se roubava? Da mesma forma, o governo Obama diz frases nobres sobre moral e ética, ao mesmo tempo em que faz exatamente o contrário, como mostra aqui Victor Davis Hanson.

Por ora, em relativa segurança, é fácil pontificar sobre nobres ideais. Mas, se houver um novo ataque fulminante aos EUA que ameace sua própria sobrevivência, aposto que o governo Obama vai ser o primeiro a torturar terroristas, ainda que chame de outra coisa e não de "tortura".