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quinta-feira, 29 de março de 2012

Mídia do bem, armas do mal?

Quase não assisto televisão. Nos últimos dois anos, nem tinha um aparelho que funcionasse em casa. Decidi consertá-lo por falta do que fazer, mas descobri que não perco muito. Dei-me conta que não suporto a propaganda televisiva, seja durante os comerciais, seja durante os programas jornalísticos. Melhor é informar-se pela Internet. Filmes e séries também podem ser assistidos online.

No entanto, parece que grande parte da população mundial ainda se informa através dessa mídia ultrapassada e demoníaca. E poucos percebem que não passa de um sistema de replicação de inverdades, de incultura e de incentivo ao consumismo mais calhorda.

Além de tudo, a grande mídia demonstra uma incrível falta de imaginação. Repete os mesmos temas uma e outra vez. O caso Zimmerman-Trayvon, por exemplo, já aconteceu.

Em 1984, um jovem branco e franzino, Bernhard Goetz, foi abordado no metrô de New York por 4 rapazes negros que o cercaram e lhe pediram (com atitude ameaçadora) dinheiro. Goetz respondeu a bala, ferindo gravemente seus atacantes. Os jovens estavam desarmados e a mídia fez um grande escarcéu.  Goetz terminou acusado de ser um assassino racista, foi apelidado de Vingador do Metrô e seu ato inspirou o filme Desejo de Matar, com Charles Bronson. (Curiosidade: tanto Goetz como Zimmerman têm sobrenomes de origem judaica, Zimmerman devido ao pai adotivo judeu, mas é católico, e Goetz de pais judeus mas convertidos ao cristianismo).

No fim, após grande carnaval midiático e protestos populares, foi absolvido. Os quatro rapazes negros tinham carreira no crime, e um deles, meros dois meses após o tiroteio, sequestrou uma jovem grávida e apontou uma arma para a cabeça dela enquanto um companheiro a estuprava. Num subsequente processo civil, Cabey, a única das vítimas de Goetz que ficou paralítica e não pôde mais dedicar-se ao crime, ganhou 43 milhões de dólares. Os outros continuaram roubando e assaltando. (E o Vingador do Metrô? Ainda está vivo e em NY, virou vegetariano e protetor de esquilos desamparados.)

Existem dezenas ou centenas ou milhares de casos de gente que morre em tiroteio, mas é claro que à mídia interessa apenas o caso do vigilante branco (ou "branco") armado que mata minorias inocentes (ou "inocentes"). Por quê? Parte do motivo é a própria raridade de tal tipo de evento. Assaltantes ferindo ou matando suas vítimas não é notícia, o que é notícia é a reação. Parte também é a obsessão com o controle de armas, que foi afinal parte da discussão no caso Goetz e também no caso Zimmerman. E parte, naturalmente, é o aspecto racial. Fossem vítima e atirador nos dois casos apenas brancas ou apenas negras, haveria tanto escarcéu? Não temos como saber ao certo, mas provavelmente não.

Mas esqueçamos da entediante questão racial. Os casos são polêmicos também por tratarem-se de pessoas armadas que mataram gente desarmada e, talvez, inocente, ao menos do momento do ataque. Naturalmente, surge a questão do porte de armas e da legítima defesa. Até que ponto esta é válida? Até quando se deve esperar para atirar?

Uma vez fui atacado na rua por um sujeito drogado que queria dinheiro. Evitei-o, tentei fugir, levei um soco nos dentes. Eu não estava armado, afinal jamais usei armas, mas, e se estivesse? Será que eu deveria ter atirado nele? E se ele estivesse armado? Eu esperaria ele atirar em mim? No fim, tudo acabou com a chegada da polícia e a fuga do infeliz. Uma arma provavelmente teria causado uma morte, fosse a dele ou a minha.

Sempre fui a favor do porte de arma por entender que a legítima defesa é um direito do cidadão e, quando segundos contam, a polícia está a poucos minutos. Por outro lado, entendo que ter um revólver à mão facilita certas mortes. Muitos crimes passionais e mortes por motivo fútil não aconteceriam se não houvesse uma pistola nas mãos de alguém. Os vários tiroteios nas escolas americanas, querendo ou não, também são um resultado da facilidade de se ter armas nos EUA. E os casos de Goetz e Zimmerman, também. Por outro lado, não pode-se negar que, muias vezes, armas salvam vidas.

A pergunta do dia é -- você é a favor ou contra o porte de arma? Acha que Zimmerman e Goetz erraram ao atirarem em gente desarmada? Deveriam ter sido mais prudentes e aguardado, ou reagido com socos, mas sem atirar?  E quanto à mídia, acham que esta influi demais na nossa percepção dos fatos? (Pergunto por que não me parece sempre tão claro se é a mídia progressista que  influi na cultura, ou se é a cultura progressista a que influi na mídia).

Discutam entre vocês enquanto eu vou lá consultar o preço da Smith & Wesson Magnum .44...


Go ahead, make my day.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Controle total

Eis uma notícia que mostra bem como o Estado progressista cresce e cresce, até que não se contenta com menos do que o poder total. Dê-lhe a mão, e vão pegar sua família inteira.

Na Austrália, há tempo existem rigorosas leis de controle de armas. Pois agora estão querendo controlar as imitações de armas também: armas de brinquedo, armas de plástico, e até mesmo armas feitas de sabonete. De acordo com o projeto de lei em trâmite, o cidadão deverá obter uma licença para todos os objetos que pareçam uma arma de fogo. As multas em caso de ser pego com uma imitação de arma sem licença são pesadas: podem chegar a 4200 dólares.

É, lembre sempre do velho ditado: um governo capaz de dar tudo o que você quer, também é capaz de tirar tudo.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Homenagem a Yves Hublet

Estou há um tempo fora do Brasil (embora mentalmente já estivesse há algum tempo), e por isso este blog terminou falando pouco sobre a política nacional e muito, talvez até demais, sobre a sociedade americana.

Não sei se essa é uma vantagem ou uma desvantagem. Blogs em português sobre o Brasil, há muitos. Sobre os EUA, em português, creio que poucos.

Mas há certas notícias sobre o Brasil que chamam a atenção. Uma delas é a recente morte do escritor Yves Hublet, sobre a qual só agora terminei sabendo.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O povo quer armas!

O povo americano quer manter seu direito a usar armas de fogo:

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta segunda-feira que os estados federados não podem limitar ou proibir os cidadãos de possuir armas de fogo, como garante a Segunda Emenda da Constituição. Ao revogar uma proibição de Chicago (Illinois) sobre porte de armas de fogo, a máxima instância judicial americana declarou inconstitucional qualquer restrição nesse sentido por parte dos estados e dos governos locais. Em um duro golpe contra aqueles que buscam um maior controle das armas nos Estados Unidos, o juiz Samuel Alito disse que a Constituição é clara sobre o direito dos cidadãos de portar armas para sua defesa pessoal.
Depois do aborto e da pena de morte, o controle de armas talvez seja o tema mais divisivo e polêmico na sociedade atual. E com boa razão. Armas podem servir tanto para o bem quanto para o mal.

Guns don't kill people. Cats with guns kill people.

sábado, 7 de novembro de 2009

Politicamente correto até morrer

Por que tanta hesitação de parte do governo e da mídia chique americana em dizer o óbvio, isto é, que o atirador que matou 13 soldados em um quartel era um muçulmano que gritava "Allahu akbar"? Nem duas horas após o atentado, a Casa Branca já saiu anunciando que "não se tratava de terrorismo". O nome do atirador só foi divulgado pelos jornais muito depois de ter sido conhecido. Por que, sempre que ocorre algum ataque muçulmano, a primeira reação dos progressistas é tentar negar que tenha sido um ataque muçulmano? Afinal, eles não são a favor dos palestinos e tais? Não deveriam estar felizes?

Em alguns casos a razão é o medo. Vejam o caso do diretor Roland Emmerich, autor das "bombas" Independence Day e Godzilla, e que agora tem um novo filme desastre na área, 2012. No filme, dezenas de símbolos arquitetônicos do cristianismo são destruídos. O próprio diretor afirma "ser contrário à religião organizada". Mas aí depois de explodir meio mundo cristão e até o Cristo do Corcovado, o diretor poupa do massacre a Qaba islâmica. Nem uma única mesquita aparece sendo destruída no filme. Por quê? A resposta do diretor é surpreendentemente honesta: tem medo de levar uma fatwa no rabo.

(Isso significa que, na prática, o multiculturalismo é uma mentira: o que vale - como sempre, aliás - é a lei do mais forte.)

Mas o medo não é uma explicação total. No caso do atirador, não havia razão nenhuma para a mídia não divulgar que se tratava de um fanático islâmico, isto é, ninguém sofreria represália por causa disso. Portanto, a razão é outra: é que tais atos negam os maiores ideais progressistas, que todas as religiões e culturas são iguais, que a imigração de estrangeiros não é um problema, e que o único jeito de acabar com a violência é com um rigoroso controle de armas.

Aliás, o mais surpreendente do atentado é o seguinte: a razão pela qual houve tantas vítimas (13 mortos e 31 feridos) é que, no quartel americano, soldado não pode andar armado. Sim, acredite. Soldados americanos - que irão em breve para a guerra se massacrar - não podem carregar armas no quartel, que é uma gun-free zone. Afinal, todos sabem que armas são muito perigosas.

sábado, 16 de maio de 2009

Perfis da Perfídia

Acho que vou inaugurar uma nova seção: Perfis da Perfídia. Para celebrar amargamente as personalidades que se esforçam diariamente em transformar o mundo em um lugar pior.

A personalidade de hoje é o Nobel da Paz Mohammed El-Baradei.

Que o sujeito seja Nobel, já é algo para ser visto com desconfiança, já que quase sempre o mérito tem algum viés político. Quase não há escritor Nobel que não seja de esquerda, por exemplo.

Nobel da Paz, então, é ainda pior. Em nove entre dez casos, trata-se de um reverendíssimo filho da puta, quando não um perigoso facínora que deveria estar atrás das grades.

Tomemos o El-Baradei. Nominalmente líder de uma comissão que tem o objetivo de controlar a proliferação de armas atômicas, faz todo o possível para os países muçulmanos terem a Bomba. Recentemente, ele afirmou que a proliferação de armas nucleares no Oriente Médio é incontrolável, e ocorrerá em breve - a não ser que as grandes potências eliminem o seu arsenal.

É o velho argumento: o vilão diz ao mocinho, tudo bem, você me entrega o microfilme Y, e eu juro que não destruo o mundo. Aí o mocinho entrega o microfilme, e o vilão não só continua com seus planos de destruir o mundo, como ainda tranca o herói e sua garota no porão, onde serão mortos através de um complicado sistema de raios laser e serras giratórias.

Ah, El-Baradei é assim-assim com os iranianos.

El-Baradei e o mulá iraniano Ali Laranjani. Mais que amigos?

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Pensando o impensável

Enquanto Obama falava sobre o desarmamento nuclear total, a Coréia do Norte, às suas costas, lançava um foguete - teoricamente com a intenção de enviar um satélite ao espaço, mas na prática testando o lançamento de mísseis nucleares intercontinentais, afinal o processo é basicamente o mesmo. Não se sabe exatamente a margem de sucesso do empreendimento: alguns garantem que o satélite jamais chegou à órbita, mas o regime coreano declarou o lançamento um "êxito".

Mais do que desarmamento, o que vemos atualmente é a possibilidade de proliferação. A Coréia do Norte tem armas nucleares. A China tem armas nucleares. O Paquistão tem armas nucleares. O Irã, se não for impedido, poderá ter a bomba em poucos anos ou meses, já que o projeto nuclear segue em pleno andamento. A Arábia Saudita, ameaçada pelo Irã, também tem planos de entrar para o clube nuclear. O Japão, ameaçado pela Coréia do Norte e China, pensa em se nuclearizar também, apesar da constituição pacifista. Bem-vindos ao mundo "multipolar", onde qualquer país terá armas nucleares para se proteger do outro.

A estratégia de Obama a respeito? Desarmar os EUA para "dar o exemplo":
It is a strategy based on the idea that if the United States shows it is willing to greatly shrink the size of its atomic arsenal, ban nuclear testing and cut off the worldwide production of bomb material, reluctant allies and partners around the world will be more likely to rewrite nuclear treaties and enforce sanctions against North Korea and Iran.
É uma estratégia arriscada, para dizer o mínimo.

É demasiado terrível sequer contemplar a idéia da guerra (ou atentado) nuclear. Pense ainda que as bombas atuais são centenas de vezes mais poderosas do que as de Hiroshima e Nagasaki. Mas o fato é o seguinte: as armas nucleares existem, estão sendo buscadas por países ditatoriais e organizações terroristas, e é possível que uma bomba nuclear exploda em alguma cidade do mundo nos próximos dez anos. Em Tel Aviv? Em New York? Em Rihad? Em Teerã? Em Mumbai? Em Moscou? Em Tóquio? Em Beijing?

Temos a tendência a preferir não pensar em certas coisas. E, no entanto, fechar os olhos não afasta o perigo.

Aqui, um texto interessante conjeturando o que aconteceria se terroristas ou países islâmicos conseguissem detonar um artefato nuclear nos EUA.

No Doomsday Clock, faltam 5 minutos para a meia-noite, o ponto mais baixo em mais de quinze anos.

Bang bang

Mais um maluco armado causou caos nos EUA, matando 13 pessoas em um centro de imigração em NY. Já vieram os críticos rápidos no gatilho criticar os EUA, as armas e a "cultura da violência", mas na verdade o ataque confundiu tanto conservadores quanto progressistas.

Afinal, fosse um branco que houvesse atirado contra imigrantes, lá estaria a esquerda gritando sobre racismo, xenofobia, etc e tal. Tivesse sido um imigrante matando brancos nativos, lá viria a direita lamentar a imigração ilimitada, o crime em ascenção, etc. Como foi um imigrante matando imigrantes em solo americano, a coisa ficou sem as explicações fáceis de sempre.

Infelizmente, parece tratar-se de um problema universal que veio pra ficar: já em vários países do norte da Europa ocorreram fatos similares. Aliás, até na Argentina ocorreu um tiroteio por alunos em uma escola, e no Brasil talvez ainda alguém lembre do maluco que fuzilou a platéia de um cinema algum tempo atrás.

Acho que a culpa é dos videogames.

Não, sério, acho que a culpa é da mídia mesmo. Anthony Burgess tinha razão.

Antes as pessoas frustradas contentavam-se em suicidar-se. Hoje querem levar tantos quanto puderem consigo, e ainda por cima aparecer na TV, ou ao menos no Youtube.

Menos armas em circulação resolveria? Talvez. Por outro lado, nos casos em que havia um cidadão armado presente, massacres maiores foram evitados.

Enquanto isso, Obama, o delirante, sonha com um mundo sem armas nucleares. Como se fosse possível desinventar a bomba atômica.

Obama, como todos os esquerdistas, acha que são as armas - de fogo ou nucleares, tanto faz - que matam as pessoas, não pessoas malvadas usando as ditas armas. Assim como os liberais querem criar "gun-free zones", Obama talvez pretenda criar "nuclear-free zones".

Obama, aliás, é muçulmano e curvou-se, submisso, de fronte ao príncipe saudita.


domingo, 29 de junho de 2008

Homicídios, armas e cultura

Leio em um curioso artigo que a taxa de homicídios em Israel é de 2.29 para cada 100.000 habitantes, colocando-a entre as mais baixas do mundo (há países com taxa ainda mais baixa, como a Itália, com 1.3, e a Irlanda com 0.97). Nos EUA a taxa é de 5.7. No violento Brasil, de 30 (e no Rio de Janeiro sobe a 45). Na Venezuela, hoje um dos países mais violentos do mundo, é de 49. Há países na África tão violentos que nem estatísticas tem.

Pauta para discussão:

Um, a idéia de que mais armas de fogo necessariamente impliquem em mais mortes. Em Israel grande parte da população anda armada, às vezes com armas de alto calibre. No entanto os números são baixos.

Dois, a idéia de que não haja relação entre cultura e violência. Na mesma matéria, lê-se que os árabes que moram em Israel são os que mais problema tem com o crime e a violência. Embora representem apenas 20% da população, sua participação no crime é de 42%.

Da mesma forma, nos EUA, lê-se que a taxa de homicídio entre os negros é 7 vezes superior à dos brancos (a maioria de suas vítimas são negras também, e em grande parte são mortes relacionadas ao tráfico).

Na Europa, os imigrantes estrangeiros são aqueles que atualmente mais engrossam as filas do crime.

Talvez não seja politicamente correto apontar isso, mas as diferenças existem. Agora, as causas, quais são?

As comunidades indicadas são também as que vivem em condições econômicas mais precárias nos respectivos países, de modo que alguma relação entre pobreza e crime deva haver - embora a Índia, país com alto nível de pobreza, tenha uma taxa de homicídios de apenas 3.7.

Será então que não há também fatores culturais incluídos?

Não tiro conclusões, limito-me a observar. Digam-me vocês.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Duas notícias da Bolívia

a) Evo Morales decreta confisco de armas nas mãos de civis

b) Evo Morales diz que defenderá a unidade do país com armas

As duas notícias, naturalmente, não tem qualquer relação entre si, e menos ainda com a insatisfação da província de Santa Cruz com as políticas bolivarianas do cocaleiro. Tampouco é certo que o país esteja à beira da Guerra Civil: está apenas rumando em direção ao Socialismo do Século XXI...