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segunda-feira, 24 de maio de 2010

As invasões bárbaras

Em uma matéria sobre os horríveis mascotes dos jogos olímpicos ingleses (espero que ao menos isso os brasileiros consigam fazer melhor), leio o seguinte trecho:

"They remind you of aliens, which is really weird and cool," said 10-year-old Ali. "It reminds you of the Olympics, which is worldwide so it's something you'll want to remember forever," added 11-year-old Zanyab as they cavorted with life-size mascots for the cameras.

Não é preciso entender inglês. Basta observar que os nomes das únicas crianças citadas na reportagem são Ali e Zanyab. Nomes britânicos da gema, é claro. É verdade que o jornal Guardian é praticamente um porta-voz da Al-Qaeda, e pode ter escolhido entrevistar muçulmanos por pura simpatia. Mas, quando o nome mais popular entre as crianças britânicas é Mohammed, também pode ser apenas acaso.

Se a Europa está às voltas com a invasão muçulmana, nos EUA o grande problema é o México. Hordas de mexicanos ilegais tomam conta do país. Alguns querem ampliar o território do México:




sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Será que sou um self-hating Latino?



Estava em uma roda de doutorandos latinoamericanos, quando de repente, no meio da conversa, descobri algo muito triste. Não tenho grande identificação com a cultura na qual supostamente nasci e cresci. Fora músicas antigas, não gosto muito de samba, muito menos de pagode ou axé, e a música contemporânea brasileira com seus funks e lenines me causa alergia. Gilberto Gil, então, é de lascar.

Minha relação com a cultura hermana latinoamericana é ainda pior. Tango, tudo bem, mas salsa, regueton e merengue são abomináveis, e nem falemos da cultura que acha graça em ver crianças realizando danças sexuais (sim, isso acontece também no Brasil). Não danço nem jogo futebol. Raramente gosto de cinema brasileiro. Não gosto de comida mexicana ou baiana. Escritores latinoamericanos? Alguns me interessam, mas muito poucos, diria que não mais de quatro ou cinco. Gosto em termos gerais do Brasil, mas é mais devido aos amigos que tenho aí; não posso dizer que esteja orgulhoso do país. Não sinto grandes saudades da América Latina morando aqui fora. Tenho mais curiosidade em conhecer a Austrália ou o Japão do que a Guatemala ou o Peru. Devo sentir-me culpado?

Os judeus falam em "self-hating jews", isto é, pessoas que odeiam ou rejeitam a própria cultura e religião. Seria também o meu caso em relação à latinidade? Bem, na verdade, eu não odeio nada. Simplesmente não me identifico demasiado com essa cultura alegre e faceira, só não sei por quê. Talvez eu devesse ter nascido em algum deprimente país escandinavo. (Tampouco posso dizer que me identifique com a cultura norte-americana, no entanto. E não nego ter várias características brazuco-latinas, como a preguiça, a impuntualidade e a informalidade.)

Sei que meu caso não é único, e que são vários os que têm esse mesmo sentimento ambíguo em relação ao Brasil e à América Latina em geral. A maioria do pessoal de classe média aí no Brasil que conheço odeia carnaval e capoeira, não assiste cinema brasileiro e tem referências culturais que vêm quase todas de fora.

Pergunto-me: será que, ao menos desta vez, os esquerdistas não estão corretos? Será que os que reclamam eternamente do Brasil não são todos uns direitistas antipatrióticos que envergonham-se do país e preferem fazer turismo em Paris e New York? Elitistas que desprezam a Cultura do Povo e preferem formas artísticas burguesas ultrapassadas, ou simplesmente o imperialismo cultural yankee?

Por outro lado, qual a opção? Ser como o cara aí da foto abaixo?

Gulp.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Teatro do absurdo

Enquanto seus seguidores se empanturram na Embaixada do Brasil sem dividir a comida com os famintos funcionários brasileiros, Zé da Laia afirma que está sendo "torturado com gases tóxicos alteradores da consciência" e por "radiação de alta freqüência" (sic) produzida por "mercenários israelenses" que "planejam assassiná-lo". Realmente, a julgar pela foto abaixo, o sujeito parece estar passando muito mal.


Que bufões como Chávez, Evo e Zelaya sejam não apenas levados a sério, como ainda colocados em posições de poder em lugar do quarto de hospício que claramente merecem, só mostra que passamos dos limites há muito tempo.

Pobre América Latina. Parece-se cada vez mais a uma peça de Becket ou de Ionesco.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

EUA não quer, Brasil não pode

Dica do Chesterton, via Tibiriçá, um excelente artigo do Carlos Montaner diz que o Brasil não tem vocação para ser líder regional na América Latina. Eu poderia reproduzir um trecho aqui, mas acho melhor lerem todo o artigo, é curto e interessante. (Está em espanhol, não achei tradução.)

O artigo aponta dois fenômenos interessantes. O primeiro é a quase total retirada dos Estados Unidos do campo de jogo na América Latina. Afinal, ter a Rússia vendendo armas e tecnologia nuclear a comunistas venezolanos seria impensável poucos anos atrás. Hoje, causa bocejos nos EUA. E nem foi Obama quem decidiu isso, pois já com Bush a política era quase a mesma (Obama só é mais radical e chega a apoiar os chavistas em Honduras). Os EUA decidiram simplesmente esquecer este continente perdido, e preocupar-se mais com seus próprios problemas, que são muitos.

Mas o mais interessante do artigo é sua segunda parte, quando fala sobre o Brasil. Gigante por sua própria natureza, o Brasil vive sonhando em expandir seu poder a nível regional ou até mundial. Lula quer porque quer sua cadeira dourada na ONU. Celso Amorim lambe a sola do sapato de qualquer ditador em troca de afagos. Mas o artigo murcha a bola dos nacionalistas e afirma que não basta isso para ser líder. Em primeiro lugar, há o problema cultural: o fato é que, como bem observa Montaner, Brasil e Hispanoamérica cresceram de costas um para o outro e há mútua desconfiança. Em segundo lugar, o Brasil não tem capacidade para liderar ninguém, pois tem os mesmos problemas que o resto da América Latina. Se liderar, vai ser só em direção a mais atraso. Por ora, a única coisa que o Brasil consegue liderar na América Latina é nos números da violência.

Mas o que esperar de um país em que o Presidente fala o seguinte:

“Pela primeira vez, não vamos ter um candidato de direita na campanha. Não é fantástico isso? Vocês querem conquista melhor do que, numa campanha, neste país, a gente não ter nenhum candidato de direita? Uns podem não ser mais tão esquerda quanto eram. Não tem problema. A história e a origem dão credibilidade para o presente das pessoas. Era inimaginável até outro dia que chegássemos a esse momento no Brasil. Antigamente, a campanha era o candidato de centro-esquerda ou de esquerda contra os trogloditas de direita. Não tem um candidato que represente a direita. É fantástico."
O pior é que Lula tem razão. Não há qualquer pluralidade de idéias, não há qualquer defesa do livre-mercado, do conservadorismo fiscal, da cultura do trabalho ou dos valores tradicionais na política brasileira. Em resumo, não há qualquer seriedade, só projetos utópicos, estatismo, demagogia ou roubalheira aideológica. É fantástico.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Uma questão moral

Theodore Dalrymple comenta sobre Fujimori e como ele acabou com o brutal grupo maoísta Sendero Luminoso. Anos depois, o ex-presidente foi preso por corrupção e por "desrespeito aos direitos humanos" e amarga uma longa prisão. Mas será que, caso o Sendero tivesse vencido a guerra, os horrores e os "desrespeitos aos direitos humanos" realizados pelo grupo comunista não teriam sido muito maiores? Afinal, os senderistas não eram gente que tivesse qualquer escrúpulo em matar, torturar e trucidar civis. Além disso, não foi justamente o fim do Sendero Luminoso o que permitiu maior abertura ao país, e portanto a punição de Fujimori? Não teria sido o "japonês" então uma vítima do seu próprio sucesso?

(Talvez Uribe deva se cuidar: não duvido que, assim que ele acabar de vez com as FARC, subirá ao poder um governo de esquerda que fará de tudo para prendê-lo e humilhá-lo por supostos abusos aos direitos humanos).

De qualquer modo, o texto de Theodore vai mais além da questão peruana ou mesmo latinoamericana, e reflete de fato uma questão moral que é válida em qualquer conflito: até que ponto os fins justificam os meios? É válido desrespeitar os direitos humanos para evitar desrespeitos ainda maiores? É possível mesmo manter o moral high ground quando se luta contra um inimigo implacável, ou deve-se necessariamente descer ao seu nível ou próximo dele para derrotá-lo? Não estaríamos aí justificando a tortura e a execução, isto é, os mesmos males que queremos evitar? Por outro lado, de que vale manter-se "mais puro" e perder a guerra?

Ou será que, dependendo de que lado você está na politica, tudo o que conta é quem realiza o "desrespeito" e os horrores?

Em tempos em que Obama mata civis no Afeganistão sem qualquer pio de manifestantes, não deixa de ser uma pergunta instigante.


Criança-soldado? Se é de esquerda, vale.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

No pasarán!

Existe algo de perturbador no atual movimento internacional e midiático para restituir o corrupto Zelaya ao poder em Honduras. É como se, após o impeachment de Collor no Brasil, a "comunidade internacional" inteirinha insistisse na sua volta ao poder. Está certo que o que ocorreu não foi exatamente um impeachment em Honduras, até porque a constituição hondurenha não o permite, mas, de qualquer modo, foi tudo feito, se não totalmente dentro da lei (há discussões a respeito), ao menos com o apoio das principais instituições políticas do país, inclusive o próprio partido de Zelaya. A julgar pelo número de manifestantes claramente superior, o "golpe" conta com maioria de apoio popular. Além disso, os militares só agiram a mando da Suprema Corte e o governo no poder é civil. Qual o escândalo? Agressões muito piores à democracia e às leis ocorrem todo dia em qualquer país da América Latina, basta pensar, sei lá, na relação entre o tráfico de drogas e o poder, ou em qualquer coisa que ocorre na Venezuela. Pelo nível de reclamações, pareceria que estamos falando da Suécia, e não de um país que faz fronteira com Nicarágua e El Salvador. E afinal, qual importância tem Honduras a nível internacional? Não é que eles ataquem outros países, patrocinem o terrorismo internacional ou estejam procurando ter a bomba atômica, tampouco.

Se há uma crise internacional, então, é porque, exatamente ao contrário do que ocorreu no Irã, onde um conflito interno entre mulás gerou a bagunça toda, aqui sim há agentes externos querendo confusão no país. Chávez, é claro, é o principal interessado no retorno do Zé Laia. Os descontentes baderneiros em Honduras, que vandalizaram o aeroporto do país, são com grande probabilidade pessoas pagas pelo chavismo/zelaísmo. Digo isso porque é o mesmo método que usam os Kirchner na Argentina, pagar pessoal para fazer piquete, técnica aliás bastante comum na América Latina. Isso faz parte da democracia? Talvez faça. Fui linchado lá no blog do Pedro Doria por escrever uma frase "relativizando a democracia", mas não é bem isso. O Fabio Marton, aliás, tem um bom post sobre as "democracias iliberais" que discute esse tema.

Outra coisa curiosa é o seguinte: só os países democráticos são criticados por atividades "anti-democráticas". Cadê os protestos contra a ditadura de Fidel Castro? Parece ser o seguinte, se um país que decidiu seguir as regras da democracia de repente quebra algumas dessas regras que impôs a si mesmo, é criticado. Mas há países que, desde o início, recusam-se a aceitar tais regras, e nada é dito contra eles; ao contrário, eles mesmos se juntam sem pudor ao coro dos "defensores da democracia". Parece-me claro que zelaístas, chavistas, obamistas e certos blogueiros não estão tanto defendendo a "democracia" quanto um particular ponto de vista político e ideológico.

E o mais engraçado é o seguinte: enquanto Obama se posiciona claramente a favor de Zelaya e seus amigos chavistas, não adianta de nada. Chávez já está acusando os EUA de "patrocinar o golpe". E eis o comentário de um idiota lá no blog do PD:

é preciso que se diga o óbvio: os EUA estão por detrás do golpe. Isso é tão evidente que chega a ser engraçado ver as pessoas acreditando que o Obama condenou a quartelada. Em que o Obama mudou a política internacional estadunidense em relação ao Busheco? Nada.
Nada? Nada é mais difícil de mudar do que a cabeça de um marxista. O atual falatório de Obama sobre o "desarmamento nuclear" é o mesmo blablablá marxistóide que ele já escrevia em um tema-de-casa da sua universidade, publicado aqui.

Felizmente, existe um limite para os delírios marxistas: a realidade. O comunismo não funciona. O chavismo só traz desgraça. As políticas de Obama estão destruindo a economia. No fim das contas, a única coisa que conta são os resultados concretos, e isso o comunismo-socialismo-chavismo é incapaz de trazer. No pasarán!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Ditocracias e demoduras

Uma coisa estranha está acontecendo na América Latina. Os ex-revolucionários esquerdistas estão utilizando elementos da "democracia" (referendos, compra de votos, fraude, decisões judiciais, etc.) para modificar a constituição de seus países e aumentar seus poderes ou permanecer mais tempo no poder ou realizar políticas transformativas inéditas. Do outro lado, um presidente é deposto por militares por desrespeitar a Constituição do país. Quem é ditador, quem é democrata?

Argumento que existem - ou deveriam existir - valores que devem permanecer invariáveis às modas ou desejos do momento. Se El Presidente organiza um referendo de forma anti-constitucional, deve naturalmente ser impedido, tenha ou não apoio popular. Como pergunta o leitor Chesterton, pode um presidente fazer um plebiscito para eliminar a propriedade privada? Bem, poder, pode. A questão é se deve.

Além disso, a democracia é importante, mas não é tudo. Afinal, mesmo mantendo-se dentro dos limites democráticos, um líder pode muito bem fazer grandes estragos em um país. Nossa história que o diga.

Dito isso, tecnicamente o que ocorreu em Honduras tampouco foi exatamente democrático, afinal encerrou precocemente o mandato de um presidente antes do seu término legal. Foi um golpe ou não? Há margem para dúvidas. Não estou muito por dentro do panorama hondurenho, mas, se a descrição do Wall Street Journal estiver correta, não me parece haver tanto motivo para escândalo.

Enquanto isso, Obama, na contramão do povo hondurenho que apoiou em maioria a decisão, criticou bastante o golpe e disse que "não foi legal". Curiosamente, o mesmo presidente albino parece ter criticado Álvaro Uribe por pensar em uma extensão de mandato. Ué. Mas não é o mesmo que o Zelaya queria, de modo muito mais explícito, e contando ainda com perigosa influência externa (chavista)?

Toda a opinião da tal "comunidade internacional", isto é, na verdade, um seleto grupo de políticos palpiteiros na União Européia e nos EUA e na AL, parece ser contrária à demissão do ex-mandachuva hondurenho, o que pode indicar a volta de Zelaya. Mas será mesmo que ele poderia voltar?

É um pouco bizarro que tantos se metam nas decisões da Suprema Corte e o Congresso de Honduras, quando os mesmos tanto hesitaram em criticar algo bem mais nefasto que ocorria no Irã. Pareceria que o ocorrido em Honduras incomoda bastante os progressistas internacionais. Pergunto-me por quê.

Honduras no tempo da democracia Maia.

As velhas abertas da América Latina

Presidente removido em Honduras. Golpe, ou, ao contrário, defesa da Constituição contra atos ilegais? A melhor explicação dos eventos. A resposta de Chávez: cão que late não morde? Obama, aparentemente contrário à remoção do presidente, insiste no diálogo. Enquanto isso, na Argentina, o casal K - amiguíssimo de Chávez - leva pau nas eleições legislativas. Estamos vivendo uma repetição de velhos temas, ou algo novo?

Open thread sobre a América Latina.

Zelaya pede dicas de democracia ao amigo Fidel.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Continente de masoquistas

O ex-presidente peruano Alberto Fujimori foi condenado a 25 anos de prisão. Fujimori, sejam quais tiverem sido seus erros e acertos - não era de modo algum perfeito - cometeu, no entanto, o grave pecado de ter erradicado o Sendero Luminoso, grupo terrorista marxista que causava terror no Peru, matando centenas de civis inocentes. O líder Guzmán apodrece na cadeia e o grupo, considerado então "invencível", foi praticamente eliminado. A esquerda jamais perdoou Fujimori. Esta é sua vingança.

Não sei em detalhe quais são as acusações, e o que há de verdade e de mentira nelas: o que é certo é que há uma perseguição política por parte de seus inimigos. O atual presidente, Alan Garcia, sob cujo governo Fujimori está sendo julgado, é presidente honorário da Internacional Socialista.

Duvido que qualquer ditador de esquerda venha algum dia tratado de modo parecido.

Recomendo a Uribe que, apenas termine seu mandato, dirija-se em exílio aos Estados Unidos (se é que os EUA de Obama são ainda o mesmo país). A esquerda não lhe perdoará jamais pelas humilhações que impôs às FARC, e certamente tentará condená-lo à prisão por algum abuso de "direitos humanos".

A América Latina é um continente desgraçado. A verdade é que gostamos de terroristas. Gostamos de guerrilha. Gostamos de violência. Gostamos de caudilhos. Gostamos de corrupção. Gostamos de demagogia barata. Gostamos de fuzilamentos, seqüestros e tortura. Gostamos de MST, FARC e PCC. Gostamos de zapatistas, petralhas e bolivarianos.

Somos, em resumo, masoquistas.

Qualquer um que tente, por bem ou por mal, de mudar essa situação, será duramente castigado.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Soy latino americano, e nunca me engano

O recentemente finado Samuel Huntington estava preocupado com a imigração latino-americana nos EUA, dizia que iria descaracterizar o país. Ué, mas não era "oriente" contra "ocidente"? Afinal, nós latino-americanos, somos "ocidentais" ou não?

Certamente temos características próprias, que nos fazem divergir de outros povos e que, de certa forma, nos mantém no atraso.

A conhecida letra de música que dá título a este post nos define bastante bem. Somos assim mesmo: preguiçosos, informais, malandros, festeiros, pouco pontuais. Tem seus lados positivos também, quem pode negá-lo? Certamente somos mais amigáveis do que os frios americanos e europeus. Mas são características que, embora nos tornem um povo divertido na praia ou na mesa do bar, não nos ajudaram a criar uma sociedade mais funcional. (Soy latino-americano, mas consciente de nossos defeitos; sociedades americanas, européias e japonesas também têm defeitos, mas são outros).

Há algum tempo atrás, um ensaio do Bill Whittle falou um pouco sobre os dois tipos de sociedades que existem, aquelas que privilegiam o benefício individual a curto prazo sobre o bem geral a longo prazo, e aquelas que privilegiam o benefício geral a longo prazo:

When I look out into the Third World, this is what I see: short-term strategies for immediate gain at the cost of long-term success. A swarm of trinket vendors on a beach in Mexico all need to make an immediate sale in order to eat that day, even if the cost is being so annoying and frustrating to the tourists that it prevents them from ever returning. Short term gain, long term loss.

I make no value judgment on that behavior, because it works on some level or it would not be so prevalent. In societies where short term values trump long-term ones, it is easy, safe and stable to Screw the Other Guy. But in the long-term, nothing of consequence grows, because nice, forgiving and non-envious are advanced strategies that require a topsoil of general goodwill, trust, and respect for the rule of law.

Societies that embrace these qualities will always out-compete those that don’t.

É mais ou menos uma explicação do tal "jeitinho brasileiro" (que, aliás, existe em outros países latino-americanos, com outro nome: entre os argentinos é chamado de "viveza criolla"). O pensamento natural é: já que nada neste país funciona mesmo e todos são corruptos, eu vou tentar é me dar bem. Não se pode negar que é uma estratégia mais racional do que tentar cumprir as leis quando ninguém mais as cumpre.

O problema é o seguinte:

Antigamente, a idéia era que os imigrantes se adaptassem ao sistema social da nação bem-sucedida, adotando sua língua e seus costumes, mas hoje - graças aos "multiculturalistas" - nota-se um movimento contrário: os imigrantes querem impor ao país ao qual emigram seu modo de vida e até mesmo seu idioma. Na Europa, nem é preciso falar do que os muçulmanos fazem e querem. Mas nos EUA, há grupos como "La Raza" que falam exclusivamente em espanhol e não se consideram parte dos EUA, mas sim de "Aztlan".

Assim, os EUA estão se latinoamericanizando e Europa está se islamizando. O desafio é saber se os países ditos avançados conseguirão assimilar esse pessoal, ou serão assimilados ao atraso. Ainda assim, melhor ser um México do que uma Arábia.


quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Enquanto isso, na Argentina...

A Cristina Kirchner tunga mais de 100 bilhões de dólares da aposentadoria privada de milhões de argentinos, passando todo o dinheiro para o controle do governo.

Alguns argumentam que os Kirchner estão roubando tudo o que podem antes da quebra do país, que deve ocorrer em algum momento do ano que vem.

Antes de Perón, a Argentina era um dos países mais ricos do mundo. Mesmo no recente 1998, a Argentina ainda estava no 19 lugar no chamado "índice mundial de liberdade econômica". Ano passado estava em 108... Com esta nova medida, deve ter caído mais algumas posições e ficado ao lado do Zimbabwe.

É a longa marcha do país rumo ao total subdesenvolvimento.

domingo, 5 de outubro de 2008

A esquerda no poder

Trinta ou quarenta anos atrás, os guerrilheiros Zé Dirceu, Fernando Gabeira e Dilma Roussef assaltavam bancos e seqüestravam pessoas. Ou seja, cometiam crimes como qualquer outro bandido. Hoje são políticos de sucesso, no centro do poder.

É que a revolução pela violência fracassou rotundamente, mas eis que nossos amigos marxistas descobriram que era muito mais fácil - e seguro - tomar o poder por via indireta, através da educação, da mídia e da própria democracia. Usar o sistema contra o sistema, como diriam em 1968.

Agora é o ano de 2008. Os bárbaros venceram e conquistaram toda a América Latina... (Toda? Não! Uma pequena aldeia ainda resiste ao invasor...)

A provável coroação de Obama nada mais é do que a culminação do mesmo processo. Também aqui nos EUA os marxistas realizaram a mesma passagem da violência à mídia, à educação e às urnas. Bill Ayers era um terrorista nos anos 60, radical socialista responsável por vários atentados. Hoje ele é, quem diria, um professor universitário, especializado em educação, e grande amigo e colaborador de Barack Obama...

Imagem tirada do The People's Cube, site de sátira política.

Atualização: Cabe a pergunta, é claro: uma vez terrorista, sempre terrorista? Não, é claro. Gabeira, que pode se tornar o novo prefeito do Rio, diz que se pudesse voltar atrás no tempo jamais participaria do seqüestro, e considera que a opção pela luta armada de sua geração foi um erro. Porém, ainda considera-se um socialista, ainda que crítico do socialismo totalitário (mal sabe ele, é claro, que por sua própria natureza todo socialismo, cedo ou tarde, é totalitário).

E Ayers? Não coloca mais bombas, mas não se arrepende do passado, e ainda propaga as mesmas idéias marxistas radicais, travestidas sob palavras da moda como "justiça social" e "educação contra a opressão". (Sua amizade e colaboração com Obama, claro, é ignorada ou diminuída pela mídia.)

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

O novo rei da coca

Ia falar sobre a crise boliviana, mas fiquei com preguiiiiça... Aí só linko para uma matéria aparentemente (mas só aparentemente) não relacionada, que mostra que Chávez se tornou o maior traficante de cocaína das Américas... E um dos homens mais ricos do mundo.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Cinco amigos

Uma divertida historinha sobre cinco amigos no colégio: Huguinho, Evinho, Danielito, Rafael e Cristina.

sábado, 9 de agosto de 2008

Um clássico do vitimismo


Caiu hoje por acaso em minhas mãos um exemplar do livro de Eduardo Galeano, "As veias Abertas da América Latina". Havia lido o livro quando estava no segundo grau e eram ainda os anos oitenta, e aquelas teorias conspiratórias ainda podiam parecer algo subversivas a um adolescente.

Hoje, relendo algumas páginas, o livro parece pouco mais do que uma antologia do vitimismo pueril. Sua tese pode ser resumida em uma frase: a culpa por todos males da América Latina foi primeiro dos espanhóis, depois dos ingleses, e agora é dos norte-americanos. Buá, buá.

O livro foi escrito nos anos 70, e é impressionante e algo triste verificar o pouco que mudou a ideologia da maioria dos intelectuais latino-americanos desde então. A culpa pelo desastre é sempre dos outros - dos ingleses, dos americanos, dos militares, dos ricos, da classe média. Continuamos repetindo a mesma lenga-lenga chorosa.

Enquanto isso o Chávez implanta por decreto 26 leis autoritárias que haviam sido rejeitadas no plebiscito popular, praticamente impondo um estado policial na Venezuela, no qual a propriedade privada pode ser confiscada a qualquer momento. E tudo sob o aplauso de muitos intelectuais, inclusive o próprio Eduardo Galeano.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

O óbvio e o(s) obtuso(s)

A conexão entre as FARC e o governo Lula, pedra já tão cantada por Olavo de Carvalho, não era invenção não. A revista colombiana Cambio acaba de publicar informações exclusivas sobre a relação dos petistas com o grupo guerrilheiro colombiano, obtidas através do utilíssimo computador do Raul Reyes. Já sei, logo vão estar todos dizendo que é invenção, que é tudo criação dos agentes do imperialismo, do Uribe e da mídia golpista... Enquanto isso, leiam:

EL EMPLEO
17 de enero de 2007
De: 'Cura Camilo'
A: 'Raúl Reyes'

"El lunes 15 inició 'la Mona' su empleo nuevo y para asegurarla o cerrarle el paso a la derecha por si en algún momento les da por molestar, entonces la dejaron en la Secretaría de Pesca desempeñándose en lo que aquí llaman un cargo de confianza ligado a la Presidencia de la República".

ACTUAR CON CAUTELA

14 de abril de 2007
De: 'Cura Camilo'
A: 'Raúl Reyes'

"Debo actuar con cautela para no facilitar al enemigo argumentos que lleven a cuestionar el refugio. En ese sentido, el haber conseguido el traslado de 'la Mona' y 'la Timbica' para la capital del país, ha sido importante. Ese bajo perfil lo mantendré hasta la neutralización. Obtenida esta, tendré pasaporte brasileño y lo primero que debo pensar es en irlos a ver".

Mais, no link acima. Ou aqui.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Fé no Estado

Leio aqui que mais de 14 mil funcionários públicos demitidos por Collor irão voltar a ser contratados pelo governo petista. Por que deveriam voltar? Quem precisa deles? Alguém por acaso sentiu a sua falta?

Diz na maior cara de pau o repórter da notícia (ou as fontes do governo que mandaram ele escrever isso, não sei) que trata-se de "acertar as contas com o passado e quitar uma dívida histórica com o funcionalismo."

Dívida histórica de quem? Minha é que não.

Mas a coisa fica ainda pior. Diz a notícia que: "A Comissão Especial Interministerial (CEI), responsável pela análise dos pedidos, passou por modificações estruturais, ganhou novos integrantes e melhorou sua produtividade" e agora "um grupo de técnicos, estagiários e advogados se debruça sobre fragmentos da vida profissional de milhares de brasileiros que tiveram de entregar o crachá e esvaziar as gavetas."

Ou seja, não apenas há o gasto com os 14 mil ou mais que serão re-contratados, como o gasto com uma comissão inútil que ainda por cima ganhou novos integrantes e trabalha exclusivamente para realizar essa re-contratação de imbecis.

Para mim é curioso que as mesmas pessoas que criticam a corrupção acreditam que o Estado deva investir cada vez mais em educação, saúde, lazer, cultura, turismo, etc, etc, etc. E portanto contratar mais e mais e mais pessoas. O que, naturalmente, aumentará a corrupção. A solução para os problemas do Estado é sempre mais Estado. Por que não um pouco menos de Estado, pra variar?

A maioria dos brasileiros (diria, dos latinoamericanos) tem uma fé inabalável no Estado. Ora, o Estado é apenas um grupo de pessoas, como eu e como você ou até mais incompetentes, que simplesmente estão sentados sobre uma montanha de grana dos nossos impostos, e a gerenciam por nós a seu bel-prazer.

Pessoalmente, preferia ter a minha parte comigo e decidir eu mesmo que fazer com ela.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Livre


Ingrid (e mais 14 reféns) foi resgatada pelo exército colombiano, em mais uma paulada nas moribundas FARC. Quero ver os comentários chorosos dos esquerdistas FARCeiros agora (viu, Idelbleargh?).

Curiosamente, o candidato McCain estava na Colômbia no momento. Rumores indicam que foi o próprio McCain quem comandou o resgate, usando suas roupas de Rambo.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Teoria econômica da galinha

No outro dia falei do Mugabe, e de como seu confisco de terras dos brancos acabou com a agricultura local e matando o povo de fome. Pois resulta que é a regra, e não a exceção na África. Nos anos 70, Idi Amin (ditador de Uganda que matava seus rivais em rituais de magia negra e, dizem, até canibalismo) também decidiu expulsar os estrangeiros do país. Não ficou mais ninguém que soubesse operar a indústria, e a economia foi pras cucuias.

Na Venezuela do Chávez e na Bolívia do seu "mini-me" Evo Morales, os mesmos erros se repetem. Nacionalizar indústria. Expulsar empresas estrangeiras. Ferrar-se.

Nem sempre a birra é com os estrangeiros, às vezes com os percebidos como ricos. Na Argentina, o governo aumenta os impostos à agricultura para obter dinheiro a curto prazo, acabando com a produção a longo prazo. Tudo em nome da alegada "redistribuição de riquezas".

Sempre que ouço falar em "redistribuição da riqueza", lembro da fábula da galinha dos ovos de ouro.

Os governantes que querem "redistribuir a riqueza", "tirar dos ricos para dar aos pobres" ou "expulsar os capitalistas opressores" são como o fazendeiro que mata a galinha dos ovos de ouro para fazer um frango assado.

O Rei Momo socialista, Evo Morales.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Mitologia da corrupção

Existe um mito de que o brasileiro não gosta de corrupção. Lamentavelmente, isso não é verdade. Os políticos são o mero reflexo da população. Lula é um brasileiro bastante típico. "Eu não sabia de nada", diz Lula, e o brasileiro sorri. Pois é justamente a resposta que o brasileiro costuma dar quando pego em algum engodo ou qualquer tipo de atitude condenável: fazer-se de trouxa. Não sei, nunca vi, não conheço, ah é, o senhor acha?

A economia para o empresário vai razoavelmente bem. Ou o sujeito é pobre mas ganha bolsa-esmola. Reclamar do quê? De mais a mais, o roubo de milhões do erário público é uma coisa abstrata, meros números incompreensíveis. Entendo porque o roubo de oito reais para comprar tapioca com os tais "cartões corporativos" causou mais repercussão do que o incrível e espantoso enriquecimento do Lulinha. Oito reais é uma quantia mais compreensível para o brasileiro pobre, gerando natural indignação: "Porra, nem oito reais você pode gastar do próprio bolso, animal? Se for roubar, ao menos roube alguns milhões!"

Argentina, Brasil e Itália são, cada um a seu modo, países bastante corruptos. São também países nos quais a população protesta mais vocalmente contra a corrupção. Mas é só fachada. Na Itália, todos adoram reclamar do Berlusconi, dizer que rouba, que legisla em causa própria. Não sei se é verdade (acho que exageram por ele não ser de esquerda), o que sei é que não há político que tenha sido mais votado na história do país. Na Argentina, é comum o argentino dizer, "o povo argentino não presta, são todos ladrões, picaretas". Esse mesmo argentino é o que paga "coima" ao policial para não receber multa, ou faz mutreta para ganhar algum. Reflete no seu dia-a-dia a própria característica que critica. No Brasil, a mesma coisa, embora de modo mais dissimulado. Há menos protesto na rua, menos teatralidade. Mas, do político ao policial ao traficante ao empresário às ONGs, todos convivem numa boa com a corrupção. Dinheiro público é considerado isso mesmo: é de todos, qualquer um pode pegar. Só reclamam quando o outro recebe e ele não.