quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Soy latino americano, e nunca me engano

O recentemente finado Samuel Huntington estava preocupado com a imigração latino-americana nos EUA, dizia que iria descaracterizar o país. Ué, mas não era "oriente" contra "ocidente"? Afinal, nós latino-americanos, somos "ocidentais" ou não?

Certamente temos características próprias, que nos fazem divergir de outros povos e que, de certa forma, nos mantém no atraso.

A conhecida letra de música que dá título a este post nos define bastante bem. Somos assim mesmo: preguiçosos, informais, malandros, festeiros, pouco pontuais. Tem seus lados positivos também, quem pode negá-lo? Certamente somos mais amigáveis do que os frios americanos e europeus. Mas são características que, embora nos tornem um povo divertido na praia ou na mesa do bar, não nos ajudaram a criar uma sociedade mais funcional. (Soy latino-americano, mas consciente de nossos defeitos; sociedades americanas, européias e japonesas também têm defeitos, mas são outros).

Há algum tempo atrás, um ensaio do Bill Whittle falou um pouco sobre os dois tipos de sociedades que existem, aquelas que privilegiam o benefício individual a curto prazo sobre o bem geral a longo prazo, e aquelas que privilegiam o benefício geral a longo prazo:

When I look out into the Third World, this is what I see: short-term strategies for immediate gain at the cost of long-term success. A swarm of trinket vendors on a beach in Mexico all need to make an immediate sale in order to eat that day, even if the cost is being so annoying and frustrating to the tourists that it prevents them from ever returning. Short term gain, long term loss.

I make no value judgment on that behavior, because it works on some level or it would not be so prevalent. In societies where short term values trump long-term ones, it is easy, safe and stable to Screw the Other Guy. But in the long-term, nothing of consequence grows, because nice, forgiving and non-envious are advanced strategies that require a topsoil of general goodwill, trust, and respect for the rule of law.

Societies that embrace these qualities will always out-compete those that don’t.

É mais ou menos uma explicação do tal "jeitinho brasileiro" (que, aliás, existe em outros países latino-americanos, com outro nome: entre os argentinos é chamado de "viveza criolla"). O pensamento natural é: já que nada neste país funciona mesmo e todos são corruptos, eu vou tentar é me dar bem. Não se pode negar que é uma estratégia mais racional do que tentar cumprir as leis quando ninguém mais as cumpre.

O problema é o seguinte:

Antigamente, a idéia era que os imigrantes se adaptassem ao sistema social da nação bem-sucedida, adotando sua língua e seus costumes, mas hoje - graças aos "multiculturalistas" - nota-se um movimento contrário: os imigrantes querem impor ao país ao qual emigram seu modo de vida e até mesmo seu idioma. Na Europa, nem é preciso falar do que os muçulmanos fazem e querem. Mas nos EUA, há grupos como "La Raza" que falam exclusivamente em espanhol e não se consideram parte dos EUA, mas sim de "Aztlan".

Assim, os EUA estão se latinoamericanizando e Europa está se islamizando. O desafio é saber se os países ditos avançados conseguirão assimilar esse pessoal, ou serão assimilados ao atraso. Ainda assim, melhor ser um México do que uma Arábia.


6 comentários:

Fabio Marton disse...

É um salto menor, vamos convir, um brasileiro resistir ao impulso de tocar um bumbo às 3 da manhã do que um islâmico aceitar que as leis dos homens podem valer mais que as de Allah, não?

Essa consciência de não ser exatamente "ocidental" vai pros dois lados. A gente pode descobrir com a Irlanda que a transição é possível. Ou fazer como os latinazistas do Raza e tentar ser os islâmicos do oeste.

marcelo augusto disse...

Porra, Mr. X! Tu esqueceste de comentar sobre a síntese do jeitinho brasileiro.

Muito bom o post e os links para o texto do Bill Whittle.

Mr X disse...

Epa! O meu bumbo às 3 da manhã, ninguém toca.

Pax disse...

Desengonçado Mr X, Pastor de almas, trago pra cá o que coloquei no post do Pedro Doria de hoje, para provocar. Porque? Sei lá, é que acredito que há direitopatas inteligentes também.

O post é sobre propaganda que ateus estão fazendo em Londres, ou seja, não foge muito do teu post junto com o abaixo, acredito. Qualquer coisa, jogue-se entregue à prática deireitoba e lime o comentário. :-)

Para pensar sobre a questão, sempre gosto de dar um pulo na história da filosofia. Há muita coisa disponível por aí. Vou colocar somente dois dos grandes, mas juro de pés juntos e dedos cruzados que adoraria contribuições:

Platão:

Separa as essências das aparências. Explica o dualismo filosófico da alma e do corpo. Quando o corpo morre, a alma se liberta. E aí há três possibilidade para essa alma: (a) as que cometeram pecados mortais, (b) as que cometeram pecados e (c) as que viveram puras. Para as duas há o prêmio de encarnarem-se de novo, sendo que as que cometeram pecados precisam pagar por eles antes do prêmio. Em Fédon, Platão advoga (em causa própria, claro) que seria necessário criar uma quarta categoria, a dos filósofos, que seriam livres da vida temporal para sempre.

Spinoza:

Rompe com a teologia, admite que Deus transcende o Criador, para Spinoza Deus é a Natureza e tem a possibilidade da produção, da criação, o conceito de Natura Naturantis. Deus é causa ativa, é livre. Onde há liberdade não há constrangimento e, portanto, possibilidade de criação. Por outro lado, os homens e as coisas são constrangidos, não há liberdade, há forças que os constrangem. Não há possibilidade do homem ser livre por estar constantemente em confronto com essas forças. Portando o homem não pode ser criativo e é prisioneiro da servidão. O que Spinoza propõe é o estudo dessas forças constrangedoras para perguntar se o homem pode ter sua vida produzida por forças que vem de dentro, que Nietzsche chamou posteriormente de Vontade de Potência. E aí a coisa desandou, Nietzsche matou Deus.

Próximos capítulos em breve.

Sugestão de contribuições: Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Kant, e Schopenhauer que chama o Budismo e a filosofia oriental para propor que a felicidade só se alcança com o desprendimento e a contemplação, mesmo sendo um pessimista de marca, enfim, assunto pra mais de metro.

Chesterton disse...

ë por esse tipo de assunto, e a maneira inteligente que é abordada, pelo Mr X que este blog vai adquirindo dimensóes maiores.

Mr X disse...

O Bill Whittle é muito bacana, leiam. Sanctuary e Tribes especialmente.