segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A posse de Obama: Messias ou Anticristo?

Hoje aqui é o "Martin Luther King Day", ou simplesmente MLK Day, em homenagem ao maior líder da luta pelos direitos civis dos negros nos EUA. Amanhã, o primeiro presidente de origem negra tomará as rédeas do poder no país. Não se pode negar que, nesse sentido, houve uma evolução e tanto. E só não dá pra dizer que os antepassados de Obama ainda estavam sentando no banco de trás do ônibus e tomando água em bebedor separado porque, bem, porque não estavam. Obama é filho de um queniano e de uma americana branca. Um legítimo afro-americano.

Não dá pra saber o que vai acontecer na presidência Obama. O que há sim, é uma enorme expectativa para o "inauguration day". Quase não assisto TV e me mantenho longe das multidões, mas mesmo assim dá para sentir a exacerbação das massas. A mídia, naturalmente, é Obama 24/7. Acho o fenômeno curioso. Será que as pessoas acreditam mesmo que a coisa vá mudar tanto? Ou é apenas o caráter simbólico do evento, "o primeiro presidente negro"? A alegria não pode durar para sempre. Obama não pode ser tudo para todos, e uma parte do público necessariamente se decepcionará. (Curiosamente, o pessoal mais decepcionado por enquanto é o da esquerda radical, que já pressente que a "mudança total" prometida não virá. Alguns - Idelber, é você? - já o acusam até de ser uma mera marionete sionista.)

Para Fouad Ajami, independentemente do que Obama venha a realizar, a má notícia é a própria exaltação massiva da sua figura. Segundo ele, o fenômeno das multidões delirantes em eventos políticos nunca foi uma coisa típica da política norte-americana: era tradicionalmente vista como uma coisa terceiro-mundista, ou de líderes fascistas europeus: Perón, Mussolini, Chávez, Nasser. O delírio das multidões com Obama, a desmesurada esperança que tantos depositam nele é, em si, o problema - e a prova da terceiromundização da política e da cultura americanas. Ou, talvez, de algo ainda mais sinistro: a mudança do sistema de governo americano de uma República para uma Democracia (ver este ótimo vídeo que explica a diferença, dica do Not Tupy).

Obama é um personagem complexo. Nascido no Havaí (hummm... será?), morou no Quênia, na Indonésia, em New York, mas o local onde se desenvolveu como político foi mesmo Chicago, cidade famosa pela corrupção de seus políticos. Em recente matéria sobre Obama, que não quer largar do seu Blackberry, apesar das óbvias preocupações com a segurança (seria fácil para espiões monitorarem seu aparelho), ele diz uma coisa engraçada:
"Se eu estiver fazendo algo estúpido, alguém em Chicago pode me mandar um email e dizer, 'O que você está fazendo?' "
Sei que não foi isso que Obama quis dizer, mas ficou parecendo que ele receberia instruções de algum manda-chuva de Chicago.

O que vai acontecer na presidência Obama ainda é, em grande parte, um mistério. Vamos aguardar. Não pretendo assistir à posse (possessão) do Messias (Anticristo), mas estarei aqui informando sobre os futuros eventos. Espero que o Apocalipse não seja um deles.

"Spare some change, mister?"

4 comentários:

Anônimo disse...

Xiii, você tá com fixação nesse tal de Idelber, hein, Sr. Xis???

Algum desejo reprimido ele despertou em você???

Recomendação: sai do armário, Xis, e vai viver tua vida!!!

De repente, queimar a rosca é o teu negócio de verdade ... Blog é só passatempo.

Mr X disse...

Que tal comentar as idéias do texto em vez de falar merda? Não, né? Foi o que pensei.

Didi Iashin disse...

Mr. X,

Por acaso a vida dos negros em geral vai melhorar com a posse do Obrama (ops!)?
Pessoalmente, da mesma forma que o linguajar politicamente correto não tira o peso, não dá altura nem dá cabelo prá ninguém, a posse do 44 presidente (leia-se quarenta e quatro, como o pessoal fala vinte e três DP) não vai amenizar a vida de negro nenhum. Se acham que é uma "bofetada na cara dos brancos", rárárá! Piada, né?
E o seu anônimo das 10:59 ... Será que não é o próprio Idelber, hein?

Anônimo disse...

Didi Iashin subestima o poder dos símbolos e o momento historico.
O anônimo do 1º comentário foi contrabandeado através dos túneis do Sinai com Gaza e deu no que deu: um qassam traquento.

Madeleine