terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Por que defender Israel, Hirsi Ali e Geert Wilders?

O blog Belmont Club chama a atenção para uma história pouco divulgada na mídia: um monastério cristão de 1600 anos que luta pela sua sobrevivência na Turquia. O monastério, um dos últimos redutos do cristianismo assírio no país muçulmano, luta contra o governo turco que, basicamente, está dizendo que as terras em que o monastério está localizado pertencem ao governo e serão expropiadas.

No monastério ainda reza-se em aramaico, o antigo idioma de Jesus Cristo (na época na região falava-se em hebraico, aramaico e grego - Jesus provavelmente dominava os três idiomas). Dia 11 de fevereiro as cortes turcas examinarão o processo. Se o monastério perder, corre o risco de desaparecer.

A Turquia, há muito exaltada como um país muçulmano secular e democrático, não é exatamente nem uma coisa nem outra - e está perigosamente pendendo cada vez mais para o islamismo mais assanhado. O primeiro-ministro turco é, naturalmente, um feroz crítico de EUA e Israel, e recentemente tem votado várias leis que favorecem os gostos dos islamistas radicais. Ao mesmo tempo, o país volta-se contra o cristianismo. Mais de um padre cristão foi morto nos últimos anos por fanáticos.

Enquanto isso, na Velha Europa, Geert Wilders sofre processo por fazer um filme que critica o Islã, e Hirsi Ali há tempos voou para longe da Holanda mas continua protegida por escolta armada 24 horas por dia.

Por que defender Israel, Geert Wilders, Hirsi Ali, e o pequeno monastério na Turquia? Acredito que haja uma boa razão. Você não precisa concordar com as políticas do governo de Israel ou as idéias de Geert Wilders e Hirsi Ali, nem mesmo ser judeu ou cristão. Basta que acredite que todo mundo deve ter a liberdade de se expressar, ou de ir e vir, sem ser morto. Basta que acredite que as pessoas de um país tem o direito de viver sem levar foguetes na testa todo dia. Basta que acredite que o tal islamismo não deve se impor pela força ou intimidação sobre nós infiéis.

Israel, Geert Wilders, Hirsi Ali e o monastério na Turquia são os chamados "canários na mina de carvão". Os que estão mais próximos do perigo. Mas, depois deles, virão todos os outros.

É aquela velha história: primeiro vieram atrás dos judeus, mas como eu não era judeu, não disse nada. Depois foram atrás dos monges cristãos, mas como eu não era monge cristão, não disse nada. Depois foram atrás dos escritores, cartunistas e políticos holandeses, mas como eu não era nem um nem outro, não disse nada. Aí... Bem, acho que todos conhecemos o resto da História.

7 comentários:

Anônimo disse...

água mole
em monstro duro
tanto bate
até que ...

Anônimo disse...

Um monstro que acha
que pode rezar
por Deus, Alá
e Oxalá
pode rezar
pelo monstro
que não reza?

O que não reza
reza também?

Paradoxo, antinomia, empate, paralização ... movimento.

Mr X disse...

Ok, agora cansou. Tá parecendo poesia concretista.

Chesterton disse...

a analogia com o canário é muito boa, bem forte.

Gerson B disse...

Concordo com a analogia. É perfeita!

E o perigo é real.

Anônimo disse...

jamais as vozes devem ser silenciadas, que pelo menos falem, que o diga Giordano Bruno.
os grupos religiosos diversos controlam-se uns aos outros, melhor que exista a variedade, tem clientes para todos.
difícil é conviver em paz, quando um suposto deus único nos cria com o mais aguçado instinto de sobrevivência.
jsa.

Mr X disse...

Canary in the coal mine é uma expressào típica da lingua inglesa