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domingo, 5 de julho de 2009

Poema do domingo

The White Man's Burden

Take up the White Man's burden--
Send forth the best ye breed--
Go bind your sons to exile
To serve your captives' need;
To wait in heavy harness,
On fluttered folk and wild--
Your new-caught, sullen peoples,
Half-devil and half-child.

Take up the White Man's burden--
In patience to abide,
To veil the threat of terror
And check the show of pride;
By open speech and simple,
An hundred times made plain
To seek another's profit,
And work another's gain.

Take up the White Man's burden--
The savage wars of peace--
Fill full the mouth of Famine
And bid the sickness cease;
And when your goal is nearest
The end for others sought,
Watch sloth and heathen Folly
Bring all your hopes to naught.

Take up the White Man's burden--
No tawdry rule of kings,
But toil of serf and sweeper--
The tale of common things.
The ports ye shall not enter,
The roads ye shall not tread,
Go make them with your living,
And mark them with your dead.

Take up the White Man's burden--
And reap his old reward:
The blame of those ye better,
The hate of those ye guard--
The cry of hosts ye humour
(Ah, slowly!) toward the light
"Why brought he us from bondage,
Our loved Egyptian night?"

Take up the White Man's burden--
Ye dare not stoop to less--
Nor call too loud on Freedom
To cloak your weariness;
By all ye cry or whisper,
By all ye leave or do,
The silent, sullen peoples
Shall weigh your gods and you.

Take up the White Man's burden--
Have done with childish days--
The lightly proferred laurel,
The easy, ungrudged praise.
Comes now, to search your manhood
Through all the thankless years
Cold, edged with dear-bought wisdom,
The judgment of your peers.

Rudyard Kipling (1865-1936)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O incrível fim da civilização européia


Houve uma civilização que, nos últimos 500 anos, espalhou-se pelo globo dominando quase todas as outras culturas, da Ásia à América à África. Muitas vezes seu domínio foi impiedoso e cruel, outras vezes iluminado e emancipador. Tal civilização ainda tinha em si os ecos da cultura greco-romana, mas era fundamentalmente monoteísta, seguindo um culto originado entre os hebreus. Talvez mais do que uma única civilização deveríamos falar em um conjunto de povos, que no entando tinham certas características que os uniam, e formavam de fato algo que podemos chamar uma "civilização". Havia três características que se mantinham sempre uniformes. Essa civilização era:

Européia.
Branca.
Cristã.

Não critico, não elogio, não julgo, apenas observo: tal civilização está hoje desaparecendo. Ou, se não desaparecendo, ao menos em evidente decadência. Recuou de praticamente todas as posições coloniais em que dominava (em uma das últimas, a África do Sul, onde por anos ainda dominou com o injusto apartheid, hoje os brancos fogem, assediados pela violência e pela perseguição governamental. A África do Sul e sua desgraça post-apartheid, o fim da promessa da "democracia racial", aliás, daria um outro post).

Mas se fosse só isso, tudo bem. O problema é que em seus próprios países de origem a cultura européia encontra-se assediada por outras culturas. A seguir a tendência demográfica, em vários países, nas próximas décadas, os brancos europeus serão minoria na própria Europa (nos Estados Unidos, ex-colônia européia, já quase são).

O curioso é que foi a própria civilização branca européia cristã que impingiu esse destino a si mesma, em nome da diversidade cultural, do estado de bem-estar, do aborto, da eutanásia, do homossexualismo, do ecologismo, do ateísmo, do esquerdismo, etc etc etc. Parece que estou falando de coisas díspares, mas não estou não: a "diversidade" é obtida com a imigração massiva de muçulmanos, africanos e asiáticos, que em geral têm mais filhos do que os nativos, e vão suplantando a população local. O estado de bem-estar social se encarrega de sustentar os imigrantes e suas crianças, ao mesmo tempo em que paralisa a economia. O aborto, a eutanásia e o homossexualismo, não importando seus possíveis méritos, conduzem todos a uma taxa de natalidade cada vez menor. Ecologismo, ateísmo e esquerdismo também levam, por motivos diferentes, a uma tendência a ter menos filhos, ao menos segundo pesquisas recentes que mostram que os religiosos e conservadores reproduzem-se mais.

A continuar nesse ritmo, a Europa não chega ao fim do século como tal.

Não é incrível que se tenha chegado a tal ponto?

O que explica o sucesso anterior da Europa, e o seu atual fracasso?

Alguns acreditam que o grande segredo do êxito da civilização européia tenha a ver com o fato de ser branca, ou seja, a raça (segundo as teorias racialistas). Mas não acredito muito nisso. Meu principal contra-exemplo é a Argentina. Eis um país que acabou com quase todos seus índios e negros, que é 90% europeu (espanhóis, italianos e ingleses), e no entanto, é hoje uma das mais incríveis histórias de desastre da América Latina. E, além disso, é a própria elite branca quem está implantando essas políticas suicidas na Europa. Fariam isso se fossem espertos?

Outros acreditam que o motivo seja a religião. De fato, apogeu e decadência de um e outro coincidem. O cristianismo está em franco retrocesso na Europa, com cada vez menos seguidores e importância. Será que a morte de Deus equivale à morte de uma civilização?

Outros ainda acreditam que o culpado seja o marxismo, que criou uma geração que odeia os próprios valores tradicionais ocidentais europeus - ou seja, quer destruir-se a si mesma.

Alguns acham que é simplesmente a exaustão: duas guerras mundiais com milhões de mortos, guerras que trucidaram os melhores jovens de uma geração, de fato, não são de se menosprezar. É possível que a civilização européia esteja morrendo de cansaço e de culpa.

Ou talvez seja apenas um ciclo. As civilizações, como as plantas, como as estrelas, nascem e morrem.

O fato é que é um fenômeno deveras surpreendente, se pensarmos que há meros cem anos os europeus e seus descendentes ainda dominavam completamente o mundo, ainda que a ferro e fogo e exploração.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Spy vs Spy



Sempre que tem algum filme americano que ocorre ao menos parcialmente nos anos 50, mesmo que seja um filme sobre culinária, pode apostar: lá pelas tantas vai ter alguma referência ao Senador McCarthy e como ele era malvado, acusando pobres inocentes de serem comunistas.

Só não mencionam um detalhe: apesar dos exageros, McCarthy estava, em grande parte, certo. Havia muitos espiões soviéticos nos EUA naquela época, infiltrados até nos mais altos escalões, como demonstraram os arquivos do projeto Venona.

Hoje parece que o perigo são os espiões chineses.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Tá tudo dominado

Que os alunos de uma universidade americana sejam simpatizantes do socialismo é até compreensível. São jovens e ignorantes, e quase só receberam instrução marxista na escola e na mídia. Mas quando há professores comemorando abertamente a vitória do FMNL em El Salvador, consolidando a neocomunização da América Latina, é preciso parar e pensar. Epa. Onde diabos fui me meter?

Festa comunista: Marx rebola, levantando o dedinho.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O fim do império americano?

Em mais um interessante artigo, Caroline Glick observa que os vários poderes mundo afora já estão testando Obama. Como notei alguns posts abaixo, a liberação do "cientista" A. Q. Khan, que vendeu segredos nucleares à Coréia do Norte e possivelmente ao Irã, foi um teste dos paquistaneses para ver a reação de Obama. Por enquanto, esta foi nula.

Da mesma forma, os russos já mandaram o presidente do Kirguistão fechar a base americana lá, no que foram prontamente atendidos. Isso, obviamente, compromete a continuação da presença americana no Afeganistão. Os terroristas islâmicos também já aumentaram a pressão e hoje explodiram alguns soldados americanos no Iraque, no atentado mais sério em meses.

O governo Obama exala fraqueza de todos os poros.

Mais preocupante é o fato que Obama esteja querendo fazer um acordo para reduzir os arsenais nucleares de EUA e URSS Rússia em 80%, o que provavelmente selaria o fim dos EUA como potência militar maior. Não apenas a Rússia conta com centenas de estoques nucleares não-declarados, como a China, como observa este artigo, graças à sua rede de espiões conseguiu em apenas uma década ter um arsenal nuclear de tecnologia similar à dos dois contendentes da Guerra Fria.

Obama e os "sofisticados" que acreditam na "força da diplomacia" e no "desarmamento" são meros amadores. Acostumados a lidar apenas com os "inimigos" do Partido Republicano - que são provavelmente os únicos a quem consideram de fato "inimigos" (com todos os outros se pode dialogar) - não tem idéia que no mundo real a coisa pega pra valer.

Colocar Obama na frente de Putin, chineses e terroristas islâmicos é como mandar uma professora de jardim de infância para negociar com a máfia.


terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Por que defender Israel, Hirsi Ali e Geert Wilders?

O blog Belmont Club chama a atenção para uma história pouco divulgada na mídia: um monastério cristão de 1600 anos que luta pela sua sobrevivência na Turquia. O monastério, um dos últimos redutos do cristianismo assírio no país muçulmano, luta contra o governo turco que, basicamente, está dizendo que as terras em que o monastério está localizado pertencem ao governo e serão expropiadas.

No monastério ainda reza-se em aramaico, o antigo idioma de Jesus Cristo (na época na região falava-se em hebraico, aramaico e grego - Jesus provavelmente dominava os três idiomas). Dia 11 de fevereiro as cortes turcas examinarão o processo. Se o monastério perder, corre o risco de desaparecer.

A Turquia, há muito exaltada como um país muçulmano secular e democrático, não é exatamente nem uma coisa nem outra - e está perigosamente pendendo cada vez mais para o islamismo mais assanhado. O primeiro-ministro turco é, naturalmente, um feroz crítico de EUA e Israel, e recentemente tem votado várias leis que favorecem os gostos dos islamistas radicais. Ao mesmo tempo, o país volta-se contra o cristianismo. Mais de um padre cristão foi morto nos últimos anos por fanáticos.

Enquanto isso, na Velha Europa, Geert Wilders sofre processo por fazer um filme que critica o Islã, e Hirsi Ali há tempos voou para longe da Holanda mas continua protegida por escolta armada 24 horas por dia.

Por que defender Israel, Geert Wilders, Hirsi Ali, e o pequeno monastério na Turquia? Acredito que haja uma boa razão. Você não precisa concordar com as políticas do governo de Israel ou as idéias de Geert Wilders e Hirsi Ali, nem mesmo ser judeu ou cristão. Basta que acredite que todo mundo deve ter a liberdade de se expressar, ou de ir e vir, sem ser morto. Basta que acredite que as pessoas de um país tem o direito de viver sem levar foguetes na testa todo dia. Basta que acredite que o tal islamismo não deve se impor pela força ou intimidação sobre nós infiéis.

Israel, Geert Wilders, Hirsi Ali e o monastério na Turquia são os chamados "canários na mina de carvão". Os que estão mais próximos do perigo. Mas, depois deles, virão todos os outros.

É aquela velha história: primeiro vieram atrás dos judeus, mas como eu não era judeu, não disse nada. Depois foram atrás dos monges cristãos, mas como eu não era monge cristão, não disse nada. Depois foram atrás dos escritores, cartunistas e políticos holandeses, mas como eu não era nem um nem outro, não disse nada. Aí... Bem, acho que todos conhecemos o resto da História.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Guerra na Geórgia?


A União Soviética não morreu, ao menos não nos sonhos de alguns. Tanques russos entraram na ex-república soviética da Geórgia e há notícias de combates.

A situação, na realidade, é bastante complicada: dentro da Geórgia há o território da Ossétia do Sul, formada em sua maioria por russos étnicos, que declarou sua independência em um referendo informal. A Geórgia, naturalmente, não quer essa independência. A Rússia, ao contrário, estimula os independentistas, pois no fundo o que quer é somar mais território (as províncias independentistas são etnicamente russas e aliadas a Moscou). O governo russo acusa a Geórgia de realizar limpeza étnica. Já a Geórgia acusa a Rússia de invadir seu território. Quem está certo? Não se sabe, mas tudo parece indicar que seja um plano dos russos para controlar a Geórgia, ou ao menos parte dela.

(A Ossétia do Norte, caso alguém queira saber, fica dentro da Rússia. Segundo a Wiki, os Ossetas são descendentes dos Alanos, são um povo que fala uma língua de origem indo-iraniana, e são em parte cristãos e em parte muçulmanos.)

Veremos o que acontece nas próximas horas ou dias.

Atualização: nestes comentários do Weblog do PD, o Bruno Mota, que entende da Ossétia do Sul (e de praticamente qualquer outra coisa) bem mais do que eu, faz um apanhado bastante interessante da situação.