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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Para onde vai o homem branco?

Este vai ser provavelmente o último post que faço sobre raça (o tema parece conduzir ao bitolamento). Segundo recentes estudos, apenas 27% das criancinhas californianas são brancas. A grande maioria são de origem latina, isto é, mestiços hispano-ameríndios mexicanos (51%). Criancinhas negras são apenas 6% (os mexicanos afastam os negros?), o que é compensado pelo aumento de asiáticos, indianos, etc. Em todos os EUA, o número de crianças brancas está diminuindo proporcionalmente em relação à população total. Crianças são o futuro, certo?

Na Europa, os muçulmanos e outros imigrantes "escurinhos" ainda são minoria (não chegam a 10%), mas têm uma fertilidade maior do que os brancos nativos, continuam imigrando a mil, e é provável que repitam o que já ocorreu nos EUA. Alguns dizem que "não devemos nos alarmar", mas, ora, alguém nos anos 50 imaginaria que os EUA teriam maioria não-branca em poucas décadas? Na Inglaterra, uma em cada seis crianças em idade escolar já não tem o inglês como primeira língua. Eu já disse que as crianças são o futuro?

Situação difícil

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Apocalípticos e Integrados

"Apocalípticos e Integrados" é um livro do Umberto Eco que eu tinha que ler para a faculdade, séculos atrás, mas acho que nunca li. Gosto do título, de qualquer jeito. 

Às vezes sou mesmo meio apocalíptico, como no post anterior, com direito a imagens de zumbis do Resident Evil. Não sei se exagerei, talvez não. Porém, muitas vezes nos concentramos nos exemplos extremos (para o bem e para o mal), esquecendo que há toda uma vasta gama de cinza entre um e outro. 

Há, efectivamente, muitos imigrantes, talvez a maioria, que se tornam integrados ao sistema (mas são eles que se integram ao sistema, ou é o sistema que se integra a eles?). Bem, além disso, há também imigrantes qualificados que ajudam certamente a desenvolver o país, qualquer país. Os EUA podem ser um "paraíso (ou inferno) de diversidade", mas também são a maior potência do mundo, e isso, em parte é graças a imigrantes qualificados que vieram e continuam vindo. 

Eu mesmo não posso ficar reclamando de "imigrantes parasitas", quando não deve faltar alguém que mora no país há gerações e me qualifica assim, talvez entre grunhir de dentes e cuspindo no chão ao me escutar falar com sotaque. Além disso, qual será o meu nível de contribuição à grande nação americana, se é que eu ficarei aqui por mais tempo? É pouco provável que eu chegue a ganhar um Nobel. Por outro lado, tampouco pretendo cometer crimes ou depender da assistência, portanto suponho que eu me encontre no meio-termo da maioria dos imigrantes, nem em um extremo nem em outro.  

Acho que eu teria menos problemas com a imigração se não parecesse haver um plano (e, se não há um plano, de qualquer modo este está sendo o resultado) de inversão de prioridades. Em vez de privilegiar a entrada a a reprodução e o progresso dos bons, estimula-se a entrada e a reprodução e o avanço dos maus. O Sistema premia os ilegais à frente dos legais, os usurpadores à frente dos trabalhadores, os mentirosos à frente dos honestos, os dependentes à frente dos empreendedores.

Se eu tivesse algum cargo político, minha sugestão seria a de diminuir o coitadismo e instituir políticas que visem uma imigração mais qualificada. Por exemplo, acabar imediatamente com a ajuda estatal a imigrantes seria um bom começo. Se você vem para um outro país, deve ser para trabalhar e pagar impostos, não ser sustentado pelos outros. Eu também acabaria com a admissão de refugiados. A verdade é que a maioria deles são mentirosos, inventando histórias falsas de sofrimento e horror (sei por experiência com alguns que conheci, e porque, como eu disse, o sistema funciona de modo a incentivar a mentira). Sim, alguns casos específicos de dissidentes políticos poderiam ser considerados, mas não muito além disso. O resto pode ser auxiliado em seu próprio país. Pessoas com estudo seriam valorizadas, naturalmente e, além disso, eu estabeleceria um teste básico de inteligência, para evitar os casos perdidos. Discriminação? You betcha. 

Porém, a verdade é que não podemos ficar separando as coisas, quando tudo faz parte de um sistema holístico, para usar uma palavra da moda. O problema da imigração massiva não é algo isolado, mas faz parte de todo um complexo de decadência ocidental que vem se manifestando já há gerações, talvez mesmo já desde a Primeira Guerra Mundial. Uma perda na crença na própria civilização, na própria crença de que exista algo que foi já chamado Ocidente.

Pois não é só o imigrante que é visto como um coitadinho, mas o próprio criminoso, a figura anti-social, o Mal por excelência, ele, o literal vilão, é visto como "vítima da sociedade". No texto abaixo passei um link sobre violentas gangues de "afro-ingleses" que em um dos vários tiroteios que realizaram pela cidade acertaram em uma menininha indiana de 5 anos, deixando-a paralítica. A manchete diz que "pegaram vinte anos". Parece quase razoável, até que você lê que vinte anos é o total da soma dos sete integrantes pesos. Pegaram menos de três anos cada um. Uma sociedade que não consegue mais separar o bem do mal, que protege o criminoso enquanto esquece da vítima, é uma sociedade perdida.

Mas como voltar ao que se era? Podem-se reconstruir as ruínas do Império Romano?


P.S. Existe um ditado no futebol que diz, "quem não faz, leva". Quem não ataca, é atacado. Acho que o mesmo é válido para as civilizações. Expande-se ou contrai, não tem alternativa. Os muçulmanos já colonizaram quase toda a península ibérica, quase por milagre foram expulsos e imediatamente após portugueses e espanhóis lançaram-se à exploração marítima continental. As Cruzadas foram também uma reação às invasões islâmicas. Quando Roma parou de invadir e saquear, foi invadida e saqueada. Os europeus invadiram e povoaram meio mundo, agora que estão parados recebem de volta o filho bastardo de seus empreendimentos coloniais. "Papai, estou aqui."

Isto chocará alguns, mas acho que sou a favor da recolonização do Terceiro Mundo por povos europeus. Crescei e multiplicai-vos. Demografia é destino. Quem não faz, leva. Aqui se faz, aqui se paga. Mió nudez que nu nosso. E todos os outros clichês. 

domingo, 1 de abril de 2012

Imigração, ou: O Dilúvio, ou: Salve-se quem puder

Leio uma história abjeta sobre imigração no LA Times (Conte com este jornal para as mais lacrimejantes histórias sobre pobres imigrantes mexicanos ilegais oprimidos pelo sistema). Resumindo, é o seguinte: um imigrante ilegal morou vários anos nos EUA. Encontrou uma drogada branca white trash que já tinha 4 filhos com pais diferentes. Teve mais três filhos com ela enquanto dedicava-se a pequenos trabalhos, recebia assistência social do governo (como, se seu status era de ilegal? mistério) e dirigia sem carteira. Preso, foi deportado. Pouco depois a mãe drogada perdeu a custódia das crianças, por incapacidade. Felipe (ou Pedro, não lembro) quer que as crianças venham com ele para o México. Mas, vejam só a ironia do destino, os assistentes sociais não querem. Preferem que as crianças fiquem nos EUA e sejam adotadas. Um dos motivos alegados é que as condições de vida no México não são boas para uma criança... Pedro (ou José) não quer ser afastado de seus filhos, e garante que cruzará a fronteira de novo ilegalmente.

Tenho uma visão ambígua sobre a imigração. Sou um imigrante e às vezes acharia bom que fosse possível para qualquer um (ou bem, qualquer um com diploma e bons antecedentes) se estabelecer e trabalhar nos EUA, no Canadá, na Austrália, na França ou na Itália ou, vá lá, até no México se fosse o caso. Às vezes imagino um mundo de fronteiras abertas, sem vistos ou complicados processos de imigração, e penso que facilitaria muito a minha vida. Por outro lado, o problema com essa teoria é a lei da oferta e demanda. Há muito mais pessoas querendo morar nos EUA e na França do que no México ou na Zâmbia. E se o requisito passa a ser apenas que "as condições de vida no Terceiro Mundo não são boas", bem, isso justificaria a mudança de 90% da população do planeta para os poucos países de Primeiro Mundo ainda existentes.

O problema é o seguinte. Imigração massiva de terceiromundistas transforma onde quer que eles vão em Terceiro Mundo. Ilude-se quem acha que basta cruzar a fronteira para transformar-se num cidadão de bem e cumpridor das leis. O México é o México por alguma razão. A lógica dos imigrantes e dos esquerdistas é que os imigrantes têm direito a buscar uma vida melhor. Certo, mas o que na verdade acontece é que muitos deles tornam a vida pior para os nativos do Primeiro Mundo, incluídos aí os esquerdistas. Não é que os mexicanos nos EUA ou os muçulmanos na Europa irão transformar-se em americanos ou europeus da gema por mágica da geografia, mas o contrário, que transformarão seus novos habitats em reflexo de sua própria cultura.

Que tantas pessoas não consigam entender esse fato elementar é um dos grandes mistérios  da era moderna.

Quem ganha com a imigração massiva do Terceiro Mundo para o Primeiro? Muito fala-se sobre as tais elites globalistas, que às vezes é eufemismo para outro grupo Inominável, mas custo a ver como ganhariam com um mundo que fosse todo ele como uma África, uma América Latina ou um Oriente Médio. Um mundo assim, em que a Europa e EUA se indiferenciassem da América Latina seria pior para os americanos, para os europeus, e até mesmo, em última análise, para os mexicanos e zambianos, que não mais poderiam receber qualquer tipo de ajuda. Seria ruim para brancos, negros, amarelos, judeus, muçulmanos e budistas. Para gregos e troianos. Enfim, seria um desastre! Não haveria nem mesmo para onde emigrar, fora quem sabe algum outro planeta.

Qual a solução? Uma delas seria a de privilegiar a entrada de imigrantes mais qualificados, e limitar a de imigrantes-problema. O Canadá parece ter uma política imigratória melhor do que a dos EUA (onde a vinda de imigrantes qualificados é dificultada e a permanência de ilegais é privilegiada). Exige-se um certo número de anos de estudo, bem como várias outras qualificações. Por outro lado, mesmo as grandes cidades do Canadá hoje transbordam com refugiados muçulmanos, e prevê-se que o seu número aumentará. Qual será o ponto-limite após o qual um país muda sua cultura irreversivelmente?

A imigração, naturalmente, é só a porta de entrada. As novas gerações já não são mais de estrangeiros, mas de cidadãos legítimos que nem podem ser deportados. Os simpáticos jovens da "Guns and Shanks Gang", que tanto contribuem para o futuro da Inglaterra, são, segundo as leis, britânicos da gema.

Bem, como disse certa vez Luís XV (ou talvez sua amante a Madame de Pompadour), "depois de mim, o dilúvio". A mentalidade de muitos imigrantes (inclusive, provavelmente, a minha) é apenas a de melhorar a própria vida, não a de se preocupar com o futuro das nações ou do planeta.

O Primeiro Mundo, isto é, este pequeno grupo de países privilegiados pelo QI de sua população, pela sua cultura, pelas suas leis e pelos seus séculos de desenvolvimento civilizatório, talvez tenha sido uma aberração histórica. Penso que no futuro os Estados-Nação se desmantelarão, e voltaremos a uma espécie de feudalismo, com pequenos grupos de pessoas mais ricas e espertas encasteladas em fortalezas e, lá fora, rugindo, as hordas de bárbaros.

terça-feira, 20 de março de 2012

Au revoir les enfants

Talvez a nossa correspondente em Paris tenha mais informações, mas por ora o que se sabe é o seguinte: um atentado em uma escola judia em Toulouse, na França, matou 4 pessoas, incluindo três criancinhas. A mesma arma e o mesmo método (o que indica um provável mesmo atirador) foram usados dias atrás no ataque contra 4 soldados franceses de origem norte-africana e um de origem caribenha. No total, 8 mortos na conta do misterioso assassino da motocicleta.

Não há qualquer pista sobre o atirador. Poderia ser:  a) um islamista que odeia soldados franceses e judeus; b) um neonazista que odeia árabes, negros e judeus; c) um ataque diversionista para incriminar nacionalistas franceses e prejudicar a candidatura de Marine Le Pen; d) um maluco paranóico esquizofrênico.

A alternativa d é pouco provável, já que tudo parece indicar alguém (ou até mesmo um grupo) bem organizado e eficiente, e a alternativa c é conspiracionista demais. O que nos deixa com duas possibilidades opostas: terrorista islâmico ou militante anti-imigrantes com treinamento militar similar ao atirador norueguês.

É bem possível que o atirador seja um ex-soldado, o que não invalida nenhuma das teorias. Não faltam muçulmanos entre os soldados franceses. Por outro lado, em 2008, alguns soldados franceses foram demitidos acusados de neonazismo. Seria uma vingança? Talvez, mas é bem mais possível que se trate de um crime político. Afinal, este ano há eleições na França. Os candidatos mais cotados são o falso conservador Sarkozy e o socialista Hollande. Correndo por fora, está a nacionalista Marine Le Pen. Se os atentados forem obra de um muçulmano, talvez a beneficiariam; se forem obra de um neonazista, no entanto, poderiam prejudicá-la.

De acordo com as estatísticas mais "oficiais", há entre 5 e 9 milhões de muçulmanos na França. Porém, como na verdade não existem estatísticas realmente oficiais e o governo francês até mesmo proíbe que estatísticas por origem étnica ou religiosa sejam realizadas (é o tal estado secular), um número mais aproximado talvez seja o de 15 milhões. Somem-se os outros imigrantes não-muçulmanos (africanos, chineses, romenos, albaneses ciganos e brancos do leste europeu) e temos uma França com cada vez menos franceses. Visitei ano passado e pude confirmar: até as pequenas cidades estão inundadas de imigrantes, especialmente árabes. Parecia Bagdá.

Ou seja, ganhe quem ganhar as eleições, a França como a conhecemos provavelmente já está perdida. (Claro que se ganhar o Hollande o processo se acelerará).

Se o atentado foi obra de um militante anti-imigração, mais valeria ter dado um tiro no pé, ou na cabeça. Tiros à queima-roupa em menininhas de 8 anos não são bem-vistos, e o momento escolhido, dias após um bom discurso de Marine Le Pen sobre as minorias, não foi certamente o melhor. Se foi obra de muçulmanos, bem, é possível que a mídia logo pare de falar no assunto. Aconteceu outras vezes.

Saberemos com certeza provavelmente apenas quando o próximo ataque ocorrer. Lamentavelmente.


Atualização: A polícia francesa está neste momento cercando a casa do principal suspeito. Um policial foi ferido. O atirador é, quem diria, muçulmano. Vinte e quatro anos, nacionalidade "francesa" mas de origem paquistanesa ou argelina. Vive em Toulouse mas visitou várias vezes o Afeganistão. Motivo dos crimes? "Vingança pela morte das crianças palestinas." Bem, creio que em breve não se falará mais muito do assunto... 

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A Europa sobreviverá?

Meu comentário anterior sobre a Europa foi algo incompleto, e talvez tenha dado uma imagem imperfeita do continente. É verdade que ando meio pessimista ultimamente, e isso tende a colorir meus posts com talvez exagerados matizes de cinza e preto.

Ainda há muita coisa boa na Europa. As catedrais e museus continuam lá. Apesar da globalização, ainda come-se e bebe-se muito melhor do que nos EUA. Fora algumas experiências com pessoas antipáticas na Alemanha e uma na Espanha, quase só encontrei gentileza e simpatia.

A Europa ainda é mais segura do que os Estados Unidos e do que qualquer lugar da América Latina. Mesmo passeando de noite em lugares como o bairro turco da Alemanha, jamais senti insegurança. Não dá para dizer o mesmo de certas zonas de L.A. O único lugar que pareceu algo mais ameaçador foi um bairro árabe francês, mas tudo o que aconteceu foram olhares mal-encarados. Quanto aos africanos que vi e os poucos com os quais conversei, devo dizer que pareciam excelentes pessoas, muito educados e gentis. Não tive qualquer experiência negativa com as tais minorias nesta visita. 

Dito isso, é verdade que a Europa está mudando, e não é para melhor. Fora a questão econômica, que mal mencionei mas que é realmente preocupante (o nível de desemprego na Espanha de Zapatero é de 25% -- um quarto da população!), a imigração ilimitada está mudando o caráter do continente. 

Alguns me acusaram de hipocrisia por criticar a imigração sendo um imigrante. Eles têm razão. Nem adianta dar como desculpa o fato de que eu more nos EUA, terra de imigrantes, em vez da Europa, terra de emigrantes: se eu tivesse um passaporte italiano ou francês e possibilidades de emprego, provavelmente me mudaria para lá, já que prefiro o modo de vida europeu, muito embora ache os americanos mais eficientes em muitos aspectos.

Confesso que tenho uma visão ambígua sobre o tema da imigração. Até há relativamente pouco, era favorável à visão libertária: que qualquer um emigrasse para onde quisesse, desde que não recebesse nenhuma forma de ajuda financeira estatal. Afinal, se alguém tem talento e capacidade mas teve o azar de nascer em algum rincão do Quarto Mundo, e um outro país mais desenvolvido pode oferecer melhores condições de vida e de progresso, por que não ir para lá? Tanto o imigrante quanto o país que o acolhe só teriam a ganhar. Como disse o leitor Gunnar, há uma boa e uma má imigração. Há imigrantes que fazem o país crescer e imigrantes que só estão lá para drenar recursos e aumentar as estatísticas do crime. O país que acolhe pode escolher quem receber. 

Só que há outro problema aí. A Europa não são os EUA. Não tem nem o espaço geográfico nem o histórico de "melting pot" para acolher tantos. E a social-democracia e o Estado do bem-estar social, que os europeus querem manter a todo custo, são basicamente incompatíveis com a imigração.

Acho que foi Milton Friedman que disse que você pode ter um Estado que garante a assistência social OU imigração generosa, mas não pode ter os dois. Ele está absolutamente correto, por uma mera questão matemática: um número cada vez maior de imigrantes vai exigir um número cada vez maior de recursos. 

E tem outro problema que é a questão étnica. Neste bom artigo da Economist, o sagaz autor observa o seguinte:
"[habitantes de] países mais étnicamente ou racialmente homogêneos sentem-se mais confortáveis com o Estado tentando diminuir a desigualdade pela transferência de recursos dos mais ricos aos mais pobres através do sistema fiscal. Isso talvez explique porque os suecos reclamam menos dos altos impostos do que os habitantes de um país de imigrantes como os EUA."
Por que ocorre isso? Muito simples: uma questão de identificação tribal. Em última análise, somos seres tribais e nos identificamos com aqueles que estão mais próximos de nós, seja culturalmente, seja historicamente, seja geneticamente. Se o dinheiro dos impostos vai para nossos co-nacionais ou irmãos de cor, nação, ou religião, é bom. Se vai para imigrantes estrangeiros ou minorias religiosas ou raciais, é mau. É por isso que o welfare é mais criticado na Europa agora, quando é dirigido a imigrantes, do que quando era dirigido apenas a suecos ou franceses que tiveram menor sorte na loteria do nascimento. É por isso que os americanos brancos vivem criticando a assistência social dirigida principalmente para pretos e chicanos, mas não querem que se toque no Medicare que beneficia seus vovós. Sim, é "racista", mas e daí?

O que é uma "raça" ou uma "etnia" se não uma família extendida? Todos os grupos étnicos - menos talvez os brancos - entendem isso, em maior ou menor grau. Os judeus sempre se ajudam entre si. Os negros se chamam de "irmãos". Os asiáticos e árabes também prosperam graças ao apoio étnico. Li que 20% dos pequenos mercados na Espanha pertencem a chineses ou a paquistaneses; pelo que vi, o número pareceria chegar mais perto de 90%, já que não encontrei um único estabelecimento controlado por latinos ou espanhóis. Como eles conseguem isso? Provavelmente, imigrantes de uma mesma origem étnica formam redes de cooperação, legais ou não.

Em Los Angeles, os asiáticos (coreanos e vietnamitas) dominam o mercado de manicures, que aqui são chamados de "nail spa". Não há uma manicure que não seja asiática na cidade. Dizem, não sei se é verdade, que é uma máfia: se surge algum estabelecimento não-asiático na cidade, logo sofre um "incêndio acidental".

Quando a coisa pega, é cada um por si. Quanto mais inter-étnica se torna a Europa, e sem o enorme espaço geográfico americano que permite a auto-segregação e o "white flight", maior é a possibilidade de conflitos. Junte-se a isso o fanatismo islâmico, e temos uma receita bem explosiva. Lembrem que o Líbano já foi um país de maioria cristã...

Porém, não acredito que o maior problema da Europa atualmente seja a imigração. Acho que o problema maior mesmo é uma crise espiritual, que se manifesta na falta de uma crença no próprio destino. Todos os problemas atuais da Europa decorrem daí. Como solucionar isso? Com um retorno da fé cristã? Uma volta ao tradicionalismo? A destruição da malfadada União Européia e o retorno aos nacionalismos locais? Quem sabe até o retorno da monarquia? (A Europa sempre foi aristocrática; a democracia não lhe senta tão bem). Ou simplesmente a expulsão dos imigrantes e seus descendentes, e o fim do Estado de bem-estar?

Francamente, não sei. Porém, espero sinceramente que o Velho Continente sobreviva (e não na forma de um califado islâmico). Devemos-lhe muito; aliás, quase tudo.  


domingo, 28 de agosto de 2011

Notas do Velho Mundo

Nesta minha vida de playboy internacional, estive recentemente na Europa, mais precisamente Espanha, Alemanha e França. Narro aqui, sem nenhuma ordem particular, um pouco do que presenciei por ali.

Na Espanha, minha visita coincidiu com a do Papa e com a do encontro mundial da juventude católica. Jovens de vários países diferentes cantando e celebrando a fé. Um espectáculo bonito de se ver. Curiosamente, depois li num jornal espanhol que houve "conflito entre jovens e polícia durante a visita do Papa". Fiquei imaginando jovens católicos enraivecidos estrangulando policiais com rosários e espancando pedestres com crucifixos. Mas depois li a matéria com mais atenção. Apesar da manchete enganadora, os que protestavam (e que entraram em conflito com a polícia) eram um bando de homossexuais e ateus contrários à visita papal. Sempre a mesma história. É como quando os jornais anunciam: "conflito entre muçulmanos e cristãos", quando se sabe perfeitamente bem que são muçulmanos massacrando cristãos, sem qualquer violência da parte cristã.  

No front imigratório, más notícias. A julgar pelo que vi nar ruas, a Espanha está tomada por mestiços latino-americanos, chineses e paquistaneses. A Alemanha continua com seus turcos. Mas o choque maior é no país gaulês. A França está inundada de negros e árabes. Juro: vi mais negros africanos puros na França do que na Bahia. Por outro lado, os negros europeus são mais sofisticados do que os negros americanos, da mesma forma que a população europeia em geral tende a ser ligeiramente mais sofisticada do que a americana (em termos superficiais, é claro). Uma coisa que surpreenderá muito os ocasionais leitores nazistas ou nacionalistas brancos do blog é que vi vários negros lendo livros. Sim, acredite: negros podem ler livros. Vi até um afro-europeu que era a cara do Samuel L. Jackson em "Pulp Fiction" lendo "Se isto é um homem", do Primo Levi. Penso que ele notou que eu o estava encarando; em um momento achei que ele fosse se levantar com uma pistola na mão: "Primo Levi, motherfucker! Do you read it?"

(Não que eu não acredite nas diferenças étnicas, ou que ache que tudo é a mesma coisa, ao contrário. Tampouco sou um igualitário. Acredito na genética e nas diferenças entre os povos, que são físicas mas também psicológicas e mentais. Mas também acredito na força do aspecto cultural. Sei que há uma luta, mesmo aqui no blog, entre culturalistas e geneticistas. Porém, em um sentido mais profundo, não importa se a diferença entre as etnias tem um motivo cultural ou genético. Penso por exemplo nos ciganos: um povo dedicado por séculos ao seu modo de vida: nomadismo, boemia, misticismo, e vivendo em muitos casos do roubo, da mendicância e da exploração de crianças (recentemente li um artigo sobre ciganos que traficam crianças para alugá-las como mendigas em várias capitais europeias). É cultural? É genético? Não acredito que exista um gene do nomadismo ou da mendicância. Mas por que será que nunca houve um cigano que disse, chega dessa vida, vou é estudar muito e trabalhar muito e virar o novo Bill Gates? Em centenas de anos na Europa, os ciganos, como grupo, nunca mudaram. Continuam mantendo suas tradições, boas e más. Da mesma forma, é um delírio querer que africanos e islâmicos se "assimilem" e virem de um dia para o outro europeus da gema; mesmo que o quisessem, quem sabe se realmente o poderiam fazer? A cultura, como os genes, é transmitida de pais para filhos; e se mantém forte mesmo depois de muitas gerações.)

Outro fato curioso que certamente horrorizará os leitores neonazistas: os franceses, e especialmente as francesas, adoram se miscigenar. Vi muitíssimas francesas loiras casadas com africanos ou com árabes. Aliás, foi um destes africanos casados com francesas (encontrei o casal num museu e passamos a conversar) quem decretou, com uma tristeza que parecia sincera: "não há mais franceses em Paris!". De fato, os lugares bons foram todos comprados pela máfia russa, e o aluguel aumentou, expulsando os franceses. Já nos bairros pobres, só se vêem imigrantes e descendentes da racaille.

Há alguns exemplos de boa integração de latinos e africanos, conforme pude testemunhar. Não é o caso da maioria dos árabes e demais muçulmanos, que continuam se vestindo à moda de seu país e praticando sua insana religião. (Assimilação é piada. Os muçulmanos europeus praticam sua religião de origem, vestem-se como em seu pais de origem, falam a língua de seu país de origem, ensinam a seus filhos o idioma e religião de origem; cortam o clitóris de suas filhas e as vestem com burcas. Para que vêm à Europa então?) 

Já na Alemanha, tive algumas experiências negativas, não com os imigrantes, mas com o povo nativo. Os funcionários de  trens, hotéis e de atendimento aos turistas em geral foram muito antipáticos e não apenas muitas vezes se recusavam a falar inglês, mesmo entendendo o idioma, como pareciam ter viva antipatia aos turistas, e aos norte-americanos em particular. (Aliás, há muito anti-americanismo na Europa, e por motivos políticos, o que é curioso: eles acham que os EUA são "de direita". Mal sabem eles que os EUA são o centro do progressismo mundial!)

Confesso que os turcos de Berlim foram em média mais simpáticos do que os alemães nativos, não obstante eu abomine a sua religião, suas vestimentas, seu idioma e sua mania de não se assimilar. Mas estou sendo um pouco injusto. É claro que também houve experiências boas com alemães nativos, e os jovens em geral me parece que são bem mais simpáticos. Mas as pessoas de maior idade, especialmente os funcionários que atendem estrangeiros, tendem a uma rudeza e arrogância sem par. Após uma dessas experiências, até lamentei que os americanos tivessem jogado a bomba atômica no Japão em vez de na Alemanha. Perguntei-me se o espírito hitleriano não estaria ainda vigente em algumas pessoas, ou se, na realidade, fizesse parte do caráter do povo local. É verdade; hoje a Alemanha é ulta-esquerdista, ultra-ecológica e de um regime ultra-politicamente correto que dista muito do nazismo, mas também Hitler era vegetariano. Não seria o que há hoje um fanatismo no sentido contrário? Não cheguei a presenciar, mas parece que em Berlim e Hamburgo são bem comuns os protestos violentos de grupos de esquerda, que queimam carros (à moda árabe), quebram vitrinas e entram em confronto com a polícia. E a Alemanha, claro, é o principal motor da União Europeia. O que Hitler não conseguiu, os alemães estão conseguindo com a UE: dominar a Europa.

No meio do inferno multicultural, um oásis: um fim de semana na casa de campo de uma tradicional família francesa. Vinhos e comidas típicas, e esse ritmo de vida mais tranquilo que tanto faz falta nos EUA. É triste que isso tudo esteja por acabar, graças à imigração. Para alguns, o fim da Europa é motivo de discussão política, mas para mim é pessoal. Também eu, tempos atrás, quase fiz parte de uma família europeia, e poderia hoje estar vivendo na Europa, não fossem os percalços da vida. A Europa agora é para mim um paraíso perdido; em breve, o será para todos. Aliás, a família francesa entendia o problema da imigração e em particular do islamismo, mas tinha uma atitude fatalista que observei em muitos europeus. Vacas ao matadouro.

De fato, acho que a conclusão da viagem é que, salvo milagre papal, revolução, ou algum outro fato imprevisto, o destino do Velho Mundo está mais ou menos traçado. Resta apenas saber se a Europa vai virar um imenso favelão latino-americano (temo que esse vá ser o futuro da Espanha), ou um novo califado islâmico. Ah sim: há também a opção de uma ou várias guerras civis eclodindo aqui e ali, uma espécie de neo-feudalismo com europeus encastelados defendendo-se dos bárbaros, ou então novas tiranias gerando novos holocaustos. Quem sabe até um ressurgimento do nazismo alemão? Pela minha experiência por lá, isso não está de todo descartado. "Primo Levi, motherfucker. Did you read it?"

The rape of Europa

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O problema são os mexicanos

No outro dia conversei com um taxista. Simpático. Era negro, vinha da Somália. Muçulmano. Morava nos EUA desde os 10 anos de idade. Falou sobre a cidade, sobre o emprego, e finalmente perguntei sobre a sua família.

Resposta: era casado e tinha sete filhos. Todos nascidos nos EUA e, portanto, cidadãos legítimos do país.

Como ele parecia relativamente jovem, é possível que pudesse ter ainda mais sete. Considerando que os americanos nativos tem em média dois filhos (os europeus tem 1), acho que é perdoável o primeiro pensamento que me passou pela cabeça: "America is fucked".


Bem, outro pensamento poderia ser de alívio: "não faltarão taxistas na América", ou algo assim.

Maldade minha. É possivel que algum de seus filhos estude muito e vire físico nuclear, ou ao menos presidente dos EUA. De qualquer modo, casos como esse mostram que a imigração seguida da reprodução bem mais rápida do que a dos nativos poderá ser um problema bastante grave nos países ocidentais nas próximas décadas. (A Europa está no mesmo barco).

Porém, devemos também ver as coisas com clareza. A maioria dos blogueiros autodenominados "racialistas" são obcecados pela raça negra. Vivem postando notícias sobre as disfunções e problemas dessa comunidade. Mais afro-obcecados do que eles, só o Olodum.

Mas a verdade é que a população afro-americana permanece estável, tendo até diminuído proporcionalmente. E os seus elementos perigosos estão cada vez mais na cadeia (um em quatro jovens homens negros está na cadeia nos EUA; aliás, os afro-americanos que estão na prisão vivem mais tempo do que os que estão fora dela). Por isso, black flash mobs à parte, o crime violento diminuiu nos bairros negros, tanto que muitos estão se gentrificando.

Portanto, o problema mesmo para os EUA serão os mexicanos. Esses sim estão lentamente substituindo a população caucasiana, já sendo maioria em alguns estados. Provavelmente tornar-se-ão maioria da população total dos EUA em algumas décadas, e transformarão o país totalmente, de forma irreversível. Se a razão pelas diferenças é cultural ou genética, já nem importa: os EUA se mexicanizarão.

Arriba, arriba! Faz algum tempo passei uns dias no México, em Tijuana. O contraste entre esta cidade e a vizinha San Diego do outro lado da fronteira é imenso. Tijuana é pobre, feia e perigosa. San Diego, apesar de uma quantidade grande de homeless, é uma cidade com um centro bonito e locais repletos de turistas.

No entanto, indo para os subúrbios próximos a San Diego, já se nota a mexicanização. É como se eu ainda estivesse em Tijuana.

Mas o que me preocupa sobre a invasão mexicana não é que grande parte deles sejam violentos, perdendo apenas para os afro-americanos. Não é que muitos de seus jovens participem de gangues extremamente violentas, e matem pesoas a esmo.

Tampouco preocupa tanto que nos dados policiais eles sejam chamados de "brancos", confundindo as estatísticas -- este homem que matou uma criança de dois anos, de acordo com a polícia, é um homem branco

Também não é tão preocupante assim que, do mesmo modo que há uma diferença nos resultados escolares de brancos e afro-americanos, haja uma diferença inexplicável, ainda que menor, entre os resultados dos brancos e asiáticos com os dos hispânicos.  

Não importa que os hispânicos tenham aprendido bem a lição do vitimismo, e acusem a sociedade americana de maltratá-los, explorá-los ou não dar oportunidade aos "sin papeles", quando eles não querem voltar ao México de jeito nenhum e até garantem que as terras do sul dos EUA lhes pertencem.

E muito menos me preocupa o fato de que muitos dos membros dos cartéis mexicanos vivam cruzando a fronteira, e que mesmo este jovem decapitador de 14 anos treinado a matar desde criança pelos traficantes seja um cidadão americano legítimo.

Não, nada disso importa. Meu problema mesmo com essa invasão é o seguinte: as mexicanas são feias! Desculpem, não quero ser preconceituoso (peço perdão se há algum leitor mexicano aqui). Há algumas bonitas. A recepcionista do hotel em que fiquei (mestiça, acho que com traços não só indígenas como africanos) certamente era. Não teria me importado se ela tivesse me dado bola. Mas, em geral, o que dizer de um país cujo maior sex symbol é a Frida Kahlo? É claro que isso tem a ver com o gosto pessoal. Gosto de loiras nórdicas, de eslavas esguias ou então de mediterrâneas curvilíneas. Até acho algumas africanas e mulatas atraentes; mas as mexicanas, na minha opinião, são raras as bonitas. (Antes que alguém mencione Salma Hayek, observo que ela é de origem libanesa).

Bem, o fato é que isto vai ser um grave problema para os Estados Unidos no futuro, quando eles quiserem repor suas equipes de cheerleaders.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

A guerra começou

Estive pensando bastante sobre o caso do atirador norueguês. Minha primeira impressão, como comentei no post abaixo, foi a de pensar que a direita conservadora se ferrou; que o ataque será utilizado pela esquerda para taxar todo conservador, mesmo o mais fresco e bunda-mole, como um assassino em potencial.

E, no entanto, agora penso que talvez não seja bem assim. A esquerda sempre alimentou o mito do bicho-papão reacionário neonazista. Até os libertários centristas do "Tea Party" eram considerados como perigosos racistas. Mas, agora, tendo acordado um monstro verdadeiro, é possível que a reação seja a oposta.

Por que a esquerda demoniza os conservadores e tem medo de criticar o Islã? Porque o Islã é violento, e ninguém quer morrer. Já criticar cristãos e conservadores é fácil; raramente se escuta sequer uma queixa.

Mas agora que os políticos de esquerda e seus filhos foram colocados na linha de fogo por um maluco norueguês, talvez haja menos ênfase no multiculturalismo. É possivel mesmo que a Noruega adote uma  política de maior controle migratório. Osaba Bin Laden não conseguiu expulsar os odiados soldados americanos da Arábia Saudita, não obstante toda a crítica aos seus atentados?

Eu sempre pensei que haveria, cedo ou tarde, uma reação violenta contra a imigração e o multiculturalismo. Mas imaginei uma guerra civil como a da ex-Iugoslávia, só que ocorrendo em diversos países europeus. Não pensei no surgimento de um terrorismo de direita; mas, após o diabólico plano do norueguês, este parece ser uma possibilidade cada vez mais concreta.

Por que o terrorista matou jovens esquerdistas, e não imigrantes muçulmanos? A resposta é simples. Seu alvo não eram os imigrantes, mas aqueles a quem ele responsabilizava pela imigração, o governo do Labour Party. E de certa forma ele tem razão: os imigrantes são apenas massa de manobra. São as elites políticas as que promovem a modificação demográfica do continente.

Em uma guerra entre nativos ocidentais e muçulmanos, não tenho dúvida que muitos dos atuais governos ocidentais tomariam o lado dos muçulmanos. Não foi o que ocorreu na Iugoslávia, com os americanos bombardeando os sérvios para ajudar os terroristas muçulmanos albaneses? Então o que teríamos não seria uma  guerra declarada entre dois estados ou facções, mas terrorismo e ataques de um lado e de outro, até que vença o pior.

Entendam bem: não tenho a menor simpatia por esse facínora escandinavo. Acho que deveria ser torturado e executado sem piedade, em vez de pegar os 21 anos que são o máximo da pena na Noruega (ainda pior do que o Brasil), em uma prisão confortável com televisão e ginásio, tudo pago pelo contribuinte.

Poém, como eu já comentei alguma outra vez, os sistemas humanos em geral não tendem à harmonia e a moderação, mas ao extremismo e à violência súbita. Estes horríveis atentados talvez sejam apenas o início de um processo muito maior e muito mais terrível.

A guerra começou.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Qual o limite da tolerância?

Tolerância, caridade e bondade são sentimentos nobres. É correto ajudar os mais pobres e desvalidos, na medida do possível. Porém, até que ponto? Quando a caridade e a bondade começam a ameaçar a própria sobrevivência, faz sentido continuar? 

Tem um texto aqui (é minha sugestão de tradução ao Dextra) que compara a política de imigração americana com uma "mulher dos gatos". Você sabe, essas mulheres que moram sozinhas e terminam acolhendo em sua casa dezenas, às vezes até centenas de gatos, terminando por colocar em risco a própria saúde e aquela dos gatos. Qual o ponto em que uma pessoa caridosa que gosta de ajudar animais perdidos termina se transformando em uma louca "mulher dos gatos"? 

Fiquei pensando nisso devido ao caso DSK. Como todos sabem, no fim descobriram que a "muçulmana fiel" não apenas estava mentindo em relação aos pormenores do caso, como era prostituta e estava envolvida com um traficante de drogas. Além da mentira em relação a DSK, Naffisatou Diallo também mentiu ao pedir asilo político nos EUA. Informou às autoridades que tinha sofrido estupro grupal e toda uma série de horrores em seu país natal. Mentira, tudo mentira.

Faz parte da natureza humana mentir se isso pode ser de algum modo benéfico. O problema é que o sistema de asilo político estimula a mentira. Se você dá asilo político a mulheres que sofreram estupro, é garantido que de uma hora para outra surgirão milhares de "estupradas". Pode apostar, 90% das historinhas contadas por aqueles que pedem asilo político são falsas, assim como 90% das historinhas contadas por mendigos são falsas. Poxa, se o Battisti pode vir com sua lorota de "perseguição política" na Itália, porque uma africana não pode inventar histórias bem mais convincentes?

Lembro do filme Viridiana, concebido como crítica ao cristianismo, mas que para mim é mais do que tudo uma crítica ao esquerdismo, que não tem o senso moral do cristianismo. No filme tem uma cena em que o protagonista ajuda um cachorro vira-lata maltratado por um carroceiro, comprando-o por uns trocados. Logo depois que ele vai embora, passa um outro carroceiro arrastando um outro cachorro. A moral é clara: não dá pra ajudar a todos...

O extremo oposto, é claro, é não ter piedade de ninguém. Eutanasiar os deficientes físicos e mentais, escravizar os negros e os índios, esterilizar os miseráveis, exterminar os judeus e todos aqueles que possam ser uma ameaça à sociedade, à elite, ao governo ou ao patrimônio genético. Uma forma de solução, sem dúvida, ainda que radical. Pessoalmente, não sou um nazista. Por quê? Há uma resposta complicada e uma simples, vou dar a simples. Sergey Brin e Larry Page são os criadores do Google. São também judeus. Se você acha que os criadores do Google devem ser colocados em campos de concentração, parabéns, você é um nazista. Já eu prefiro algo menos radical.

Porém, confesso que não sei qual seria a medida certa entre uma sociedade confiante mas relativamente tolerante e uma sociedade perdida como a nossa. Notem que o "bonzismo" (isto é, a bondade ingênua) a que me refiro não se limita à questão da imigração, mas perpassa todos os aspectos. Por exemplo, o crime: não é de hoje que o criminoso é visto como um coitadinho, recebendo penas cada vez menores. No Brasil, naturalmente, mas em muitos outros países de dito primeiro mundo também. Estes dias, nos EUA, uma mãe que matou a própria filha foi liberada por suposta falta de provas (ou incompetência da acusação); porém, é curioso que ela nem tenha querido saber quem "realmente" matou a criança. Na Inglaterra, casos em que criminosos violentos são soltos após uma semana de cadeia ou uma mera pena de "trabalhos comunitários" são praxe. 

Não vou agora tentar explicar, só observar o seguinte: seria bom se existisse um equilíbrio e moderação nas questões humanas, mas raramente isso ocorre. Massacres, extermínios, guerras, estupros coletivos, escravidão, corpos crucificados e cabeças cortadas penduradas como aviso, tudo isso são a norma do mundo dito "civilizado". Vivemos apenas em um período de relativa exceção.

A História se move como um pêndulo. Temos momentos de tranquilidade, e depois momentos de extremismo. Vivemos agora sob o que se poderia chamar de um extremismo de esquerda global. Não é exatamente ditatorial, mas, fale a verdade, quantas pessoas que não são de esquerda você conhece? E, mesmo nos sites de direita, há temas nos quais não se pode tocar. No entanto, sente-se no ar uma crescente insatisfação. E há temor em relação ao futuro: quase ninguém tem uma visão otimista sobre este. É bastante claro que o pêndulo está para virar.

Não demorará muitas décadas, e teremos um retorno do extremismo de direita, ou então um domínio do islamismo (que, a seu modo, é também inimigo do progressismo e apenas seu aliado de conveniência), ou quem sabe do pan-eslavismo russo (não acredito muito nisso, mas pode ser), ou então uma supremacia global asiática (eles sim estão bem posicionados para isso), ou então um retorno glorioso do Positivismo (tá, essa foi só pra contentar o AN), ou então uma guerra bem f****a entre todas essas correntes. O fato é que o progressismo não vai durar, não tem como.

Pode-se tentar o "bonzismo" quanto se quiser. Mas, no fim, Maquiavel e os deuses do bom senso sempre vencem. 

quinta-feira, 24 de março de 2011

¡Bienvenido a Améxica!

Uma carta escrita por um professor de escola pública do Arizona causou alvoroço ao ser lida por um deputado do Congresso americano. Nela, o professor descreve a atitude de sua turma, constituída por 98% de hispânicos (filhos de imigrantes mexicanos, muitos deles ilegais). Alguns trechos, traduzidos: 
"Os alunos recusaram-se a recitar a Pledge of Allegiance, afirmando que eram mexicanos e que os brancos racistas dos EUA teriam roubado suas terras."

"Quase ninguém havia trazido o material, portanto dei-lhes papel e lápis para que escrevessem, mas amassaram os papéis e atiraram papéis e lápis uns contra os outros."

"Apenas 10 alunos de todas as turmas em que ensino conseguiram completar o ensaio sobre Mark Twain."
"Quase todos os ensaios se pareciam entre si."
"Pedi que parassem de falar espanhol entre si pois era falta de educação, mas responderam que os americanos é que deviam aprender o espanhol pois eles estavam tomando a terra de volta para o México."

"Ninguém quer estudar, estão mais interessados em tornar-se membros de gangues."
Bem, não quero ser preconceituoso com nossos primos mexicanos, mas parece mesmo uma escola brasileira como as que descrevi há pouco.

É certo que a decadência da educação americana não pode toda ser atribuída à imigração latina. De fato, a própria carta do professor tem vários erros de inglês (i.e. "conquer nation", em vez de "conquered"; "invaders language" em vez de "invader's language"). Será que ele é um redneck caricato (como os criticados pelo leitor AN)? Afinal, se erros seriam problemáticos, mas compreensíveis, em um estudante latino (ainda que nascido nos EUA), em um professor de inglês são inaceitáveis.

Mas a verdade é que desde alguns anos vem ocorrendo uma notável decadência no inglês escrito e falado pelos americanos, e a educação pública piorou, muito embora o gasto nesta tenha aumentado continuamente (o argumento do autor Robert Weissberg é que o que piorou não foi a qualidade das escolas, mas a qualidade dos alunos). Outros culpados apontados são a mídia, a falta de disciplina, a falta de interesse dos jovens, a incompetência estatal, a concorrência dos mais bem-preparados asiáticos (que hoje dominam em muitas universidades americanas), etc. Provavelmente, vários fatores somados explicam o descalabro.

De qualquer forma, como observou alguém que comentava na matéria, os mexicanos acham que vão dominar os EUA, "mas como é que esses estudantes se tornarão os novos reis do Vale do Silício, de Wall Street ou de Hollywood, se não conseguem nem terminar um ensaio sobre Mark Twain"?

Mais provável mesmo é que, salvo as exceções de praxe, se tornem uma eterna subclasse de faxineiros e jardineiros, o que aliás estaria perfeito para a elite globalista local, que poderia contratá-los a preço de banana para limpar as suas mansões. Talvez seja exatamente o que tanto uns como outros queiram.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Imigração e QI: uma discussão perigosa!

Eis, como presente de fim de ano, o post mais polêmico já publicado neste blog. A imigração e o que fazer com ela é a grande questão do mundo moderno. Quem acha que isso é só problema dos países ricos está enganado: recentemente, na Argentina, tumultos com imigrantes bolivianos levaram a conflitos na rua e à morte de três pessoas.

O mundo não é mais o que era. A globalização econômica é uma realidade, e a evolução dos transportes permitiu um movimento massivo de pessoas pelo planeta que antes não era possível. 

Nem todos sentem-se à vontade com esse novo mundo, e preferem manter as suas fronteiras fechadas. A Suiça agora aprovou medidas mais duras contra os imigrantes. Talvez outros países sigam pelo mesmo caminho. 

Seria fácil acusar esses países de xenofobia, mas o fato é que os imigrantes também trazem seus problemas. Alguns dizem que o problema seja cultural, de assimilação. E, de fato, diferentes culturas têm modos diversos de viver que nem sempre se acomodam com o país hóspede, causando conflitos. 

Mas também há alguns que avançam um outro argumento, mais problemático. É o caso do alemão Thilo Sarrazin, que escreveu um polêmico livro sobre o tema que virou best-seller, com mais de um milhão de cópias vendidas. Segundo Sarrazin, que não é nenhum "nazista de almanaque" mas um ameno Social-Democrata, além do problema do fundamentalismo islâmico, os imigrantes de baixo QI de países muçulmanos estariam tornando a Alemanha mais burra.  

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A imigração, ontem e hoje

Séculos atrás, brancos europeus invadiram a América e instalaram colônias, suplantando e/ou misturando-se com a população local de índios e trazendo escravos da África para trabalhar.

Hoje, está havendo uma colonização ao contrário. Árabes, africanos e índios (na forma de mestiços latinos) estão colonizando EUA e Europa. É a vingança dos colonizados.

Alguns dirão que o termo "colonização" é exagerado, já que, ao menos por ora, os imigrantes (legais ou ilegais) estão em posição subserviente. Tudo bem, mas na prática o resultado é o mesmo: uma redução da população nativa e mistura com os novos imigrantes. Imagine que, em vez dos europeus terem descoberto a América, milhares de índios em pirogas tivessem atravessado o Atlântico e ido parar na Europa: é, mais ou menos, o que está acontecendo hoje.

A imigração sempre existe e sempre existiu e sempre existirá, desde que os primeiros hominídeos abandonaram a África e tribos da Ásia atravessaram o estreito de Bering para chegar à América. É natural que as pessoas queiram melhorar de vida e saiam de países pobres para países onde podem ter maiores oportunidades (O Marcelo Augusto tem um bom post sobre isso).

E a vida dos imigrantes sempre foi difícil. Os italianos que chegaram à Argentina e Brasil foram enganados e vilipendiados. Na Argentina, eram ironizados pelo seu sotaque e pelas suas vestimentas. Nos EUA, há incontáveis relatos sobre a difícil vida dos vários grupos de imigrantes que chegaram ao país.

Qual o problema agora? A imigração que ocorre hoje é diferente por qual razão?

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Ciganos

Estive de viagem e agora estou com muito trabalho, portanto o tempo para postar é curto. Estou preparando um longo post sobre a questão mais importante de nossos dias - a imigração - mas vai ficar pronto só depois.

Porém, já que no post sobre a burca falou-se um pouco sobre o caso dos ciganos na França, comento um pouco sobre o tema.

Os ciganos, ou como se diz hoje no mundo politicamente correto, roma, são um povo curioso. Oriundos de uma das castas inferiores indianas, chegaram à Europa a partir do século XIV. Nômades, vivem em acampamentos, e ganham seu pão através da música, da adivinhação, da venda de artesanato e de pequenos trabalhos, mas também através da mendicância, do roubo e da prostituição.

Não é exagero. Já vi ciganos roubando turistas e quase fui depenado por eles também. Raramente realizam roubos violentos, mas são especialistas na arte de bater carteiras sem que a vítima se aperceba. Talvez seja mito que deformem as suas próprias crianças para torná-las pedintes mais dignos de pena, que prostituam suas meninas ou que roubem bebês; mas que estão envolvidos na mendicância e no roubo não é novidade alguma. Isso talvez explique parte do ódio que boa parte da população têm a eles.


Ainda assim, a visão que temos dos ciganos está longe de ser totalmente negativa. Foram temas populares na literatura e na pintura européia. O cinema em alguns casos os romantizou, e houve certamente ciganos famosos e talentosos como o grande Django Reinhardt.

Bem, mas a questão é que grande parte dos rom habitando a França e a Itália são imigrantes em acampamentos ilegais provindos da Romênia e da Bulgária, e foram estes os rom que foram expulsos. Não sei se expulsão é bem a palavra, pois eles foram pagos: 300 euros por adulto, e 75 euros por criança. O que gerou um problema: vários participaram do esquema apenas para poder embolsar o trocado e retornar poucas semanas depois, já que como cidadãos da Comunidade Européia teriam direito a entrar e ficar pelo menos por três meses legalmente na França. Segundo um oficial romeno, tudo o que ocorreu foi que os franceses pagaram umas férias a eles. (Outro problema é que tampouco os romenos os querem de volta à Romênia.)

De qualquer modo, parece-me que o caso dos ciganos ilegais é um problema bem menor frente às outras ameaças imigratórias que pairam sobre a Europa, e sobre as quais falarei em um segundo momento.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O último a entrar apague a luz

Devem os países ricos acolher refugiados de países pobres, vítimas de violência, guerra, genocídio ou mera pobreza?

A caridade cristã indicaria que sim. Quem tem deve ajudar quem não tem. Mas, na prática, a situação é um pouco mais complicada.


quinta-feira, 13 de maio de 2010

Imagens do futuro

Enquanto, nos EUA, uma estudante muçulmana confirmava a David Horowitz que apóia o genocídio de judeus, o cartunista Lars Vilk era atacado na Suécia por maometanos ferozes durante uma conferência sobre "liberdade de expressão" na Universidade de Uppsala. A Universidade, amedrontada, posteriormente afirmou que não mais convidará o polêmico artista, que tinha desenhado Maomé como um cachorro.

Observem que os policiais suecos são formados em grande parte por mulheres loiras (prendam-me, por favor), armadas apenas com spray de pimenta. Parece-me que os suecos estão muito pouco preparados para o que está por vir (A cidade de Malmö é hoje 25% muçulmana; amanhã será 50%).

Que pena. Sempre gostei dos filmes de Ingmar Bergman.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Arizona

Escrevo hoje sobre uma questão complexa, a imigração ilegal aos EUA. Como todos devem saber, o estado do Arizona criou uma nova lei contra os imigrantes ilegais. Ou melhor: a única coisa que fez foi tomar para si o cumprimento de uma lei que deveria ser responsabilidade federal: considerar os ilegais como... ilegais.

É claro que, nestes dias que correm, quase todos os preferem chamar de "indocumentados" e os consideram vítimas de "preconceito", como se fosse apenas a maldade dos Republicanos que os impedisse de ter os mesmos direitos que qualquer outro cidadão. Em recente protesto nas ruas contra a medida, um estudante de Ciências Políticas afirmou: "essa lei criará um estigma contra os indocumentados!". Lamento informar ao rapaz, mas há tempos que existe um estigma contra eles. Todos os que pagam imposto, bem como os imigrantes legais, não estão nem um pouco contentes com quem fura a fila, não paga nada e ainda assim recebe os mesmos direitos do que os outros.

Sim, é verdade que a maioria desses imigrantes são apenas pessoas que desejam melhorar de vida, que saem de um país pobre e terceiromundista em busca de maiores oportunidades, e não há como não ter simpatia em alguns casos. Por outro lado, se todos têm o direito de chegar e se estabelecer no país, quando é que a coisa pára? Afinal, há seis bilhões de pessoas no planeta...

Em recente pesquisa feita no México, 50% da população afirmou que desejava emigrar para o país do norte. Nesse caso não seria mais fácil anexar o México? Ao menos os EUA aumentariam seu território e teriam acesso a praias de água mais cálida.

Tem mais. Se alguém chega ilegalmente, que já desde a entrada burla as leis do país, que tipo de cidadão será no futuro? Acrescente ainda que muitos ilegais estão envolvidos em (outros) crimes, e tem-se uma receita para o caos social.

Obama, curiosamente, não gostou da lei. (Obama é presidente dos EUA ou do México?) Muitos outros políticos Democratas tampouco gostaram. Os muçulmanos não gostaram. Nem a The Economist gostou, para não falar do New York Times.

A lei ilustra ainda uma outra tendência: os Estados querendo cada vez mais legislar em causa própria, contra o que veêm como tirania federal. Vem mais por aí. O Estado da Flórida quer repelir nas suas fronteiras a obrigação do Plano de Saúde de Obama. E o mesmo estado do Arizona instituiu uma outra lei, esta exigindo que os candidatos à presidência apresentem seu certificado original de nascimento. O que complicaria as coisas para Obama em 2012. (Arizona parece estar na vanguarda da luta anti-Obama.)

Simpatizo mais com os mexicanos do que com os muçulmanos, e, como estrangeiro, não posso ser um nacionalista xenófobo. Além disso, acho a cultura popular americana um pouco vazia (prefiro a cultura européia). Mas, por mais que se queira distorcer as palavras, imigrantes ilegais... são ilegais. E em épocas em que não há dinheiro ou empregos, não há como convencer a população local a recebê-los de braços abertos.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

História de um vira-casaca

É curiosa a história de Charles Johnson e seu blog Little Green Footballs. Após os ataques de 11 de Setembro de 2001, tornou-se o mais celebrado blogueiro anti-jihad dos EUA e, talvez, do mundo.

Oito anos depois, tendo comprado briga com metade da blogosfera, virou obamista e critica quase todos os blogueiros conservadores que antes eram seus aliados, acusando-os de racistas ou teocráticos. Nem Robert Spencer, do Jihad Watch, ou o Pajamas Media, site neocon que ele próprio ajudou a criar, escaparam de sua crítica purista. Hoje, seus maiores inimigos não são mais os jihadistas, mas sim os malvados cristãos criacionistas.

Para quem quer entender a polêmica, este artigo do Gates of Vienna explica melhor o que aconteceu. Mais aqui no Atlas Shrugs. (O respeitável Victor Davis Hanson, ao contrário, saiu em defesa de Charles.)

Polêmica à parte, Charles Johnson, na verdade, nunca foi exatamente um conservador, mas sim um liberal assaltado pela realidade (dos ataques de 9/11). Após oito anos sem atentados, reverteu ao seu estado natural. O mesmo aconteceu com muita gente boa. Outro exemplo é Andrew Sullivan. Passado o susto, passou o conservadorismo.

(Na verdade, o liberalismo e o Islã parecem opostos, mas talvez sejam aliados sem sabê-lo. Assim como o lado B do pacífico flower-power hippie é Charles Manson, o outro lado do multiculturalismo é o conflito tribal e o fundamentalismo islâmico. É a tolerância que permite a chegada dos intolerantes.)

Será que um novo atentado islâmico acordará mais uma vez os liberais? Ou os muçulmanos ficaram espertos e preferem a "jihad lenta" da imigração e da mudança de leis?

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O incrível fim da civilização européia


Houve uma civilização que, nos últimos 500 anos, espalhou-se pelo globo dominando quase todas as outras culturas, da Ásia à América à África. Muitas vezes seu domínio foi impiedoso e cruel, outras vezes iluminado e emancipador. Tal civilização ainda tinha em si os ecos da cultura greco-romana, mas era fundamentalmente monoteísta, seguindo um culto originado entre os hebreus. Talvez mais do que uma única civilização deveríamos falar em um conjunto de povos, que no entando tinham certas características que os uniam, e formavam de fato algo que podemos chamar uma "civilização". Havia três características que se mantinham sempre uniformes. Essa civilização era:

Européia.
Branca.
Cristã.

Não critico, não elogio, não julgo, apenas observo: tal civilização está hoje desaparecendo. Ou, se não desaparecendo, ao menos em evidente decadência. Recuou de praticamente todas as posições coloniais em que dominava (em uma das últimas, a África do Sul, onde por anos ainda dominou com o injusto apartheid, hoje os brancos fogem, assediados pela violência e pela perseguição governamental. A África do Sul e sua desgraça post-apartheid, o fim da promessa da "democracia racial", aliás, daria um outro post).

Mas se fosse só isso, tudo bem. O problema é que em seus próprios países de origem a cultura européia encontra-se assediada por outras culturas. A seguir a tendência demográfica, em vários países, nas próximas décadas, os brancos europeus serão minoria na própria Europa (nos Estados Unidos, ex-colônia européia, já quase são).

O curioso é que foi a própria civilização branca européia cristã que impingiu esse destino a si mesma, em nome da diversidade cultural, do estado de bem-estar, do aborto, da eutanásia, do homossexualismo, do ecologismo, do ateísmo, do esquerdismo, etc etc etc. Parece que estou falando de coisas díspares, mas não estou não: a "diversidade" é obtida com a imigração massiva de muçulmanos, africanos e asiáticos, que em geral têm mais filhos do que os nativos, e vão suplantando a população local. O estado de bem-estar social se encarrega de sustentar os imigrantes e suas crianças, ao mesmo tempo em que paralisa a economia. O aborto, a eutanásia e o homossexualismo, não importando seus possíveis méritos, conduzem todos a uma taxa de natalidade cada vez menor. Ecologismo, ateísmo e esquerdismo também levam, por motivos diferentes, a uma tendência a ter menos filhos, ao menos segundo pesquisas recentes que mostram que os religiosos e conservadores reproduzem-se mais.

A continuar nesse ritmo, a Europa não chega ao fim do século como tal.

Não é incrível que se tenha chegado a tal ponto?

O que explica o sucesso anterior da Europa, e o seu atual fracasso?

Alguns acreditam que o grande segredo do êxito da civilização européia tenha a ver com o fato de ser branca, ou seja, a raça (segundo as teorias racialistas). Mas não acredito muito nisso. Meu principal contra-exemplo é a Argentina. Eis um país que acabou com quase todos seus índios e negros, que é 90% europeu (espanhóis, italianos e ingleses), e no entanto, é hoje uma das mais incríveis histórias de desastre da América Latina. E, além disso, é a própria elite branca quem está implantando essas políticas suicidas na Europa. Fariam isso se fossem espertos?

Outros acreditam que o motivo seja a religião. De fato, apogeu e decadência de um e outro coincidem. O cristianismo está em franco retrocesso na Europa, com cada vez menos seguidores e importância. Será que a morte de Deus equivale à morte de uma civilização?

Outros ainda acreditam que o culpado seja o marxismo, que criou uma geração que odeia os próprios valores tradicionais ocidentais europeus - ou seja, quer destruir-se a si mesma.

Alguns acham que é simplesmente a exaustão: duas guerras mundiais com milhões de mortos, guerras que trucidaram os melhores jovens de uma geração, de fato, não são de se menosprezar. É possível que a civilização européia esteja morrendo de cansaço e de culpa.

Ou talvez seja apenas um ciclo. As civilizações, como as plantas, como as estrelas, nascem e morrem.

O fato é que é um fenômeno deveras surpreendente, se pensarmos que há meros cem anos os europeus e seus descendentes ainda dominavam completamente o mundo, ainda que a ferro e fogo e exploração.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O fim do Primeiro Mundo

Eu ia comentar mais sobre as diversas teorias que explicam por que certos países são de "primeiro mundo" e outros não, mas cheguei à conclusão que é irrelevante. O Primeiro Mundo está acabando.

A divisão do planeta em Primeiro Mundo, Segundo Mundo e Terceiro Mundo sempre foi, de qualquer modo, uma catalogação estúpida: o que havia de "segundo" no mundo soviético?

Mas mesmo a divisão de hoje entre "países desenvolvidos" e "países em desenvolvimento" é também ridícula, baseando-se na falsa idéia de que haja uma progressão no desenvolvimento das sociedades, que todos os países eventualmente evoluirão em direção a uma sociedade melhor. Bem, querem saber? Não necessariamente.

Aliás, se há alguma mudança à vista atualmente é justamente a involução ou terceiromundização do primeiro mundo - uma terceiromundização literal, no sentido de que a) estão adotando políticas cada vez mais bananeiras e b) inteiras populações de países do dito terceiro mundo estão sendo transplantados para os países do primeiro, com conseqüências imprevisíveis.

Vejam as fotos, por exemplo, desta manifestação dos tamis contra o governo do Sri Lanka... Em Londres. O que eles estão fazendo lá? Alguém sabia que havia tantos tamis em Londres?

Vejam bem. Não sou necessariamente contrário à imigração, e nem poderia ser, já que sou, no momento, também um imigrante. Mas acredito, simplesmente, que esta deva ter, como tudo na vida, critérios lógicos e limites. O que está ocorrendo hoje é uma coisa tão absurda que custa explicá-la.

Hoje, o multiculturalismo é visto como uma coisa tão boa que até países que nunca foram multiculturais estão importando minorias. Tomemos a Finlândia, por exemplo. A Finlândia, assim como a Suécia, sempre foi um país de famigerados loiros de olhos azuis, desde o tempo dos vikings. Hoje o país tem pencas de imigrantes somalis, iraquianos, paquistaneses. E falar mal do Islã pode dar cadeia para um finlandês.

A quem beneficia essa imigração islâmica massiva? Por que ela existe? O que ganham os finlandeses com ela?

Quer dizer, a imigração sempre existiu e sempre existirá, mas esta é possivelmente a primeira vez na História Universal em que são importados imigrantes, não para trabalhar e ser eventualmente assimilados aos costumes locais, mas, ao contrário, para receber auxílio social e impor seus costumes.

Grande parte dos muçulmanos europeus, afinal, vive do welfare. Nos EUA, 45% dos cidadãos - que, não coincidentemente, correspondem aproximadamente às "minorias" - não paga imposto, apenas recebe. Em breve se cruzará o limiar dos 50%, causando um ciclo de dependência sem fim, no qual não valerá mais a pena enriquecer, já que o dinheiro irá quase todo para os impostos, para sustentar a classe não-trabalhadora (O que não diria Marx dessa ironia!)

Aqui um excelente artigo novo de Bill Whittle sobre o tema, onde ele sugere aos ricos que abandonem o país e vão produzir riqueza em algum outro lugar!

A imigração ilegal não é problema para os ricos e ultraricos esquerdistas, que moram separados dessa "gentalha" e podem usá-los como empregados baratos, como explica aqui Thomas Sowell. Não, a imigração é problema para a classe trabalhadora, que é quem arca com as conseqüencias sociais e ainda tem que sustentar os ilegais com seus impostos.

No entanto, uma parte da elite tem interesse na imigração ilimitada. Acredito que trata-se de um esquema para criar uma sociedade autoritária. Ter pessoas que dependem de você pelo welfare não é apenas ter votos garantidos: é ter absoluto poder sobre elas. No Brasil, a classe dependente do assistencialismo já existia há tempos. No Primeiro Mundo, foi preciso criá-la através da imigração e da designação de minorias protegidas.

A esquerda, no fundo, é aristocrática. Deseja uma sociedade de castas, na qual eles mandam e os inferiores obedecem. A esquerda não gosta da meritocracia, dos self-made man, do mercado livre. Gosta dos empregos públicos, das recomendações, do compadrio, das licitações arranjadas, dos amigos dos amigos.

E utiliza todos os meios possíveis para obter poder e controlar a sociedade através de um povo cada vez mais dependente e um governo cada vez mais autoritário.

Vamos ver no que tudo isso ainda vai dar.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Gran Torino e a imigração


Não sei se o filme "Gran Torino", de e com Clint Eastwood, já estreou no Brasil. Talvez tenha um título diverso, como "Gran Torino - Comunidades em conflito" (a moda hoje no Brasil é manter o título original e acrescentar algum subtítulo explicativo, tipo "Milk, a voz da igualdade", ou "Pulp Fiction, tempos de violência", etc).

A pedido do Nei, comento aqui alguns aspectos do filme que achei interessantes. Vou tentar não revelar aspectos da trama para aqueles que não viram o filme. O filme, como todos sabem, ou não, fala de um americano durão e supostamente xenófobo e racista que vive em um bairro decadente onde agora moram apenas imigrantes. Um garoto vietnamita (ou hmong) tenta roubar seu carro "Gran Torino" como rito de iniciação em uma gangue. A partir daí, estabelece-se uma relação entre os dois, e Clint Eastwood (ou seu personagem no filme) o ensina a trabalhar, a ser responsável, etc. É, de certa forma, uma fábula sobre a assimilação.

Não acho que seja um filme contra a imigração, e nem mesmo diria que é um filme necessariamente conservador, ainda que fale de valores supostamente conservadores. Mas não é anti-imigração, ao contrário, é até liberal, quase esquerdista nesse aspecto. O filme trata a questão da imigração como algo inevitável, e sua mensagem é, no fundo, de aceitação do diferente. Os que saem pior representados no filme nem são os imigrantes, mas os filhos americanos do Clint Eastwood - abobalhados obamistas que renegam o pai, isto é, os valores tradicionais americanos. É, de certa forma, um filme sobre o que os EUA foram e o que são.

Hoje a palavra "xenofobia" é excessivamente usada. Hoje é "xenófobo" até quem meramente ousa mencionar a palavra imigração. Basta alguém sugerir que deva haver algum tipo de controle sobre quem entra e sai no país, e pronto - já virou xenófobo. A Suiça inteira, nos últimos dias, virou um país de xenófobos. Curiosamente, nos EUA, e acredito que na Europa também, há inumeravelmente mais ataques realizados por imigrantes ilegais contra brancos nativos do que crimes de brancos nativos contra imigrantes ilegais. Não seriam esses crimes também "xenofobia" ou hate crimes?

É sintomático, no entanto, que no filme tenha-se escolhido membros da comunidade asiática para representar os "diferentes". A comunidade asiática é, em geral, bem-vista. São pessoas inteligentes e esforçadas. Aqui na Califórnia há muitos asiáticos. Na universidade, são alguns dos melhores estudantes. Se o imigrante fosse latino ou árabe, acredito que o filme ficaria mais forçado. Se fosse brasileiro então, ficaria definitivamente inverossímil, ao menos nestes tempos que correm.

Talvez o filme, no fundo, seja uma metáfora sobre um processo mais amplo, que seria a transição de pólo econômico e cultural mundial da América e Europa para a Ásia. Embora o triunfo da Ásia esteja ainda longe de acontecer, a verdade é que hoje basicamente os EUA pagam aos chineses para construir praticamente tudo o que é feito no mundo. O filme, não por acaso, é situado em Detroit, cidade antigamente famosa pela sua indústria automobilística. A época do carro "Gran Torino", no começo dos anos 70, marcaria seu auge e início de decadência. Hoje a indústria automobilística americana está em uma crise tremenda, com as três grandes montadoras de pires na mão.

Uma curiosidade: o roteirista do filme, Nick Schenk, trabalhava como caminhoneiro e escrevia o roteiro nas horas vagas. Talvez isso explique por que, com todos os seus possíveis defeitos, é um roteiro que soa mais autêntico do que grande parte dos filmes atuais de Hollywood. Apesar de ter sido um sucesso de público, fazendo mais dinheiro do que os dois maiores vencedores do Oscar, Slumdog Millionaire e Benjamin Button, o filme foi totalmente esnobado pela Academia, não recebendo nem uma única nominação - politicamente incorreto demais, talvez.