terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Gran Torino e a imigração


Não sei se o filme "Gran Torino", de e com Clint Eastwood, já estreou no Brasil. Talvez tenha um título diverso, como "Gran Torino - Comunidades em conflito" (a moda hoje no Brasil é manter o título original e acrescentar algum subtítulo explicativo, tipo "Milk, a voz da igualdade", ou "Pulp Fiction, tempos de violência", etc).

A pedido do Nei, comento aqui alguns aspectos do filme que achei interessantes. Vou tentar não revelar aspectos da trama para aqueles que não viram o filme. O filme, como todos sabem, ou não, fala de um americano durão e supostamente xenófobo e racista que vive em um bairro decadente onde agora moram apenas imigrantes. Um garoto vietnamita (ou hmong) tenta roubar seu carro "Gran Torino" como rito de iniciação em uma gangue. A partir daí, estabelece-se uma relação entre os dois, e Clint Eastwood (ou seu personagem no filme) o ensina a trabalhar, a ser responsável, etc. É, de certa forma, uma fábula sobre a assimilação.

Não acho que seja um filme contra a imigração, e nem mesmo diria que é um filme necessariamente conservador, ainda que fale de valores supostamente conservadores. Mas não é anti-imigração, ao contrário, é até liberal, quase esquerdista nesse aspecto. O filme trata a questão da imigração como algo inevitável, e sua mensagem é, no fundo, de aceitação do diferente. Os que saem pior representados no filme nem são os imigrantes, mas os filhos americanos do Clint Eastwood - abobalhados obamistas que renegam o pai, isto é, os valores tradicionais americanos. É, de certa forma, um filme sobre o que os EUA foram e o que são.

Hoje a palavra "xenofobia" é excessivamente usada. Hoje é "xenófobo" até quem meramente ousa mencionar a palavra imigração. Basta alguém sugerir que deva haver algum tipo de controle sobre quem entra e sai no país, e pronto - já virou xenófobo. A Suiça inteira, nos últimos dias, virou um país de xenófobos. Curiosamente, nos EUA, e acredito que na Europa também, há inumeravelmente mais ataques realizados por imigrantes ilegais contra brancos nativos do que crimes de brancos nativos contra imigrantes ilegais. Não seriam esses crimes também "xenofobia" ou hate crimes?

É sintomático, no entanto, que no filme tenha-se escolhido membros da comunidade asiática para representar os "diferentes". A comunidade asiática é, em geral, bem-vista. São pessoas inteligentes e esforçadas. Aqui na Califórnia há muitos asiáticos. Na universidade, são alguns dos melhores estudantes. Se o imigrante fosse latino ou árabe, acredito que o filme ficaria mais forçado. Se fosse brasileiro então, ficaria definitivamente inverossímil, ao menos nestes tempos que correm.

Talvez o filme, no fundo, seja uma metáfora sobre um processo mais amplo, que seria a transição de pólo econômico e cultural mundial da América e Europa para a Ásia. Embora o triunfo da Ásia esteja ainda longe de acontecer, a verdade é que hoje basicamente os EUA pagam aos chineses para construir praticamente tudo o que é feito no mundo. O filme, não por acaso, é situado em Detroit, cidade antigamente famosa pela sua indústria automobilística. A época do carro "Gran Torino", no começo dos anos 70, marcaria seu auge e início de decadência. Hoje a indústria automobilística americana está em uma crise tremenda, com as três grandes montadoras de pires na mão.

Uma curiosidade: o roteirista do filme, Nick Schenk, trabalhava como caminhoneiro e escrevia o roteiro nas horas vagas. Talvez isso explique por que, com todos os seus possíveis defeitos, é um roteiro que soa mais autêntico do que grande parte dos filmes atuais de Hollywood. Apesar de ter sido um sucesso de público, fazendo mais dinheiro do que os dois maiores vencedores do Oscar, Slumdog Millionaire e Benjamin Button, o filme foi totalmente esnobado pela Academia, não recebendo nem uma única nominação - politicamente incorreto demais, talvez.

5 comentários:

Hilário Pinton disse...

Todo filme do Clint é bom. Ou ele acaba com os meliantes ou dá uma lição sobre a vida para esses democratas viadinhos.

Anônimo disse...

Não sei se o filme está passando no Brasil, mas quem quiser assistir clique no link abaixo. Tem o torrent e a legenda BR. A qualidade tanto do vídeo como da legenda é razoável.
http://www.4shared.com/get/77353397/8fb97761/Gran_Torino.html;jsessionid=65E86628CBE0FC19694F058ED1978AB8.dc113

Nei

Fernando Richter disse...

X, não é moda recente colocar um subtítulo em filmes estrangeiros... Isso é velho demais. Paulo Francis diria que "Milk" talvez acabasse virando: "Milk - segura o saçarico da nega"... Algo por aí...

Mr X disse...

Pois e', mas antes a moda era fazer traducoes estramboticas que nada tinham a ver com o original. Tipo "Noivo neurotico, noiva nervosa" para "Annie Hall". :-)

Anônimo disse...

Deixa de mentir, X.

Você não está na Califórnia! Qualé!

Eita fetiche maluco esse seu, hein?

Você viu o filme na internet, o anônimo de 25/02 já deu a dica...

Deixa de mentir, meu. É feio!