sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Um bicho às terças sextas


Se Darwin estivesse vivo, teria completado 200 anos no dia 12 de fevereiro passado, tornando-se um fenômeno da evolução da espécie humana. Já em novembro, completar-se-ão (gostaram da mesóclise?) 150 anos desde a publicação de "A Origem das Espécies", aquela que dizia que "o homem descende do macaco." ;-)

Pois parece que os macacos estão ficando excitados. Em Connecticut, um chimpanzé de estimação chamado Travis (Brickle?) que tinha sido criado desde pequeno como se fosse um ser humano, agrediu a própria dona e causou graves mutilações em uma vizinha, devorando partes de seu rosto e mãos.

O macaco bebia vinho em taça, tomava banho sozinho, havia participado de vários comerciais e sabia até navegar na Internet. Mas nesse dia, pirou: nem Xanax adiantou.

Chimpanzés - que tem 98% do DNA igual ao humano - são em geral animais dóceis, mas ainda assim são sempre animais selvagens. Quando ficam muito irritados, podem agredir de forma particularmente cruel: tendem a atacar particularmente o rosto e os genitais.

Macacos me mordam. Ou, pensando bem, melhor não.

P. S. Em minhas andanças pela internet, de vez em quando costumo ler o blog de um certo Lawrence Auster (que é aliás primo do romancista Paul Auster). Sujeito muito inteligente, mas tão conservador que quase faz o Olavo parecer um comunista. Ele não acredita na teoria da evolução, e diz que Darwin estava errado. Bom, eu não vou de novo me meter a discutir esse espinhoso tema novamente, mas uma das coisas que eu acho curiosa é a seguinte: se a evolução ocorre por meio de mutações genéticas randômicas, como é que tais mutações randômicas sempre aumentam a complexidade do ser, em vez de diminuí-la? A maioria das mutações - ou seja, genes defeituosos - não deveria ser negativa, portanto diminuindo as chances da espécie sobreviver? Há algum biólogo na sala? E afinal, descendemos ou não do macaco?

18 comentários:

Anônimo disse...

Vc está desconsiderando a nossa amiga, a boa e velha seleção natural. Não é apenas sobre aleatoriedade.

E não, não descendemos dos macacos. Em algum ponto tivemos um antepassado em comum mas isso é tudo

Chesterton disse...

eu não me contento com nenhuma explicaçáo até o momento. Tem mais coisa aí....

Fabio disse...

Équis, vamos lá: a maioria das mutações são deletérias, mas quando são benéficas ninguém pensa em mutação. Por exemplo Eintein ou Michael Phelps, que tem características que seus pais não tinham (apenas especulando, ninguém fez tesde de DNA neles para comprovar isso).

Sobre a evolução levar sempre ao mais complexo, simplesmente não é verdade. A cobra perdeu as pernas e ouvidos, nós perdemos os pelos e o rabo, o pinguim deixou de voar.

E nós descendemos de um bicho extinto que não é o chimpanzé, mas se ainda existisse certamente seria chamado de macaco.

Vitor disse...

O Fabio falou tudo.

Um exemplo é o câncer. É o tipo de mutação que é deletéria, mas a evolução não consegue atuar sobre ele, pois ele tende a se manifestar no final da vida, quando normalmente o indivíduo já gerou descendentes.

Mutacões que tendem a eliminar os indivíduos cedo são mais difíceis de ser passadas aos descendentes.

Chesterton disse...

fabio, cuidado com exemplos de Phelps e Einstein, pois o gen pode estar presente nos pais de forma adormecida, ou não ter expressão (na vida prática). Atletas então, é mais dificil ainda , pois o condicionamento é mais importante que a genética. Phelsp só foi para as piscinas depois que a mãe dele foi informada pela professora que ele era uma besta em sala de aula.
Além de tudo, não há nenhuma evidencia de que eles tenham sofrido mutações.
Cancer não são mutações, pelo menos da forma evolutiva. É um defeito de transcrição da célula que não passa para a prole.
Algumas mutações favorecem ao cancer, mas a doença em si é outra coisa. E mesmo assim não são determinísticas, isso é , todos os portadores da mutação não vão apresentar a doença. Ela é multi\fatorial.

Minha gente, até depois do carnaval, bom feriado pagão para todos.

Fabio Marton disse...

Eu falei especulando, Chest. Ninguém fez o teste de pegar um sujeito excepcional e testar pra ver se os genes dele estavam ou não em seus pais. Mutações que são passadas adiante são as nas gônadas, mas não nas outras células de uma pessoa adulta. A prova de mutações desse tipo são as pessoas com defeitos de nascença e doenças genéticas em regiões afetadas por mutagênicos como radiação ou agente laranja. No entanto, ninguém relataria como efeito do agente laranja um filho cabeludo de pai calvo, ou um filho inteligente de pais burros, ainda que isso também pudesse ser efeito de mutação.

Gunnar disse...

Tudo que tenho a dizer para esse camarada é FAIL.

Quem disse que a evolução aumenta a complexidade? Nós perdemos rabo, pêlos e outros apetrechos feios.

Mamíferos marinhos perderam patas. Animais de cavernas ou das profundidades oceânicas têm estruturas de visão atrofiadas.

Etc e etc.

Falácia do espantalho.

bitt disse...

O que eu não consigo entender é a implicância com a teoria da evolução. Darwin partiu de uma série de observações e fez algumas deduções bastante plausíveis. Foi a mesma coisa q Mendel fez com as ervilhas, para chegar na hereditariedade. E ninguém contesta o Mendel`. É pq ele era padre?

Mr X disse...

Aí é que tá, Bitt. As teorias do Darwin não fazem sentido nenhum sem o Mendel. Mas o Mendel só veio depois. Como se explica isso?

Só pode ser a Mão Divina (não confundir com a Mão Invisívelⓒ).

SeiLah disse...

A teoria da evolução é mais ou menos como a teoria do Big Bang. Uma boa explicação.

Anônimo disse...

MrX, antes de partir para coisas mais complexas, eu só queria entender que raio de evolução foi essa que fez o caranguejo(só alguns) ficar com uma daz tenazes muito maior que a outra. E Chesterton não tá valendo a sua explicação de caráter sexual...

Marcus disse...

O Marcelo Gleiser disse certa vez em uma entrevista algo que me chamou muito à atenção: que o Big Bang não era uma teoria, mas um modelo. Os cientistas obeservam os diversos fenômenos no universo e tentam encaixar no modelo. Se fenômenos não podem ser explicados pelo modelo, deve-se adaptá-lo ou mesmo abandoná-lo por completo.
Creio que com a Evolução acontece o mesmo. Mas o problema é que muita gente tem a teoria como uma outra religião. Qualquer pessoa que venha apontar alguma coisa que falta ser explicada pela teoria automaticamente é chamada extremista religioso, mesmo que a questão seja científica.
Para mim há alguns pontos que eu gostaria de ver resolvidos, por exemplo:
1) Como seria a forma de vida mais primitiva?
2) Essa forma de vida não deveria ser facilmente produzida dadas as mesmas condições na época da sopa primordial?
3) Da maneira que vejo, mutações genéticas só se tornariam vantagens competivas depois de alterações completas, por exemplo os mamíferos com a transformação de suas patas em nadadeiras. Isso não aconteceu de uma hora para outra, mas aos poucos. Esse "aos poucos" não trouxe vantagem nenhuma, só fazendo no máximo os indivíduos paracerem esquisitos. Normalmente indivíduos "esquisitos" não tem dificuldades de se reproduzir porque seus possíveis parceiros os rejeitam?

Mr X disse...

Da maneira que vejo, mutações genéticas só se tornariam vantagens competivas depois de alterações completas, por exemplo os mamíferos com a transformação de suas patas em nadadeiras. Isso não aconteceu de uma hora para outra, mas aos poucos. Esse "aos poucos" não trouxe vantagem nenhuma, só fazendo no máximo os indivíduos paracerem esquisitos.

Essa é minha dúvida principal. Sendo a mutação aleatória, não tem objetivo nenhum. A transformação de patas em nadadeiras é útil, mas porque ocorreria, se a mutação não se guia pela "utilidade", mas pelo mero acaso (é a seleção natural que escolhe) e os estágios intermediários não representam avanço nenhum, podem até ser retrocesso?

Acho que ainda há muito o que estudar nessa área.

Mr X disse...

Claro, não sou biólogo. Marcelo Augusto, cadê você?

Mr X disse...

E tem outra, acabo de descobrir que tem muitos "darwinistas" atuais que não aceitam a seleção natural como causa da evolução - quer dizer, o principal legado de Darwin.

Gabriel disse...

Não sou biologo, mas sobre a questão da complexibilidade, que sempre aumenta e não diminui, eu acho que há, sim casos em que orgãos são "atrofiados" pelo fato de o bicho não precisar/ prejudicar-se com seu funcionamento. Dessa forma, quando ocorrem mutações que prejudiquem esse orgão, o bicho pode passar seus genes adiante sem problema, pois a ausencia de tal orgão não lhe prejudica, ou ainda é uma vantagem em relação aos demais da espécie.

Cláudio disse...

Eu não discuto o assunto, mas nada me impede de botar lenha na fogueira:

http://www.olavodecarvalho.org/semana/090220dc.html

Chesterton disse...

Eu ia fazer o que o Claudio fez....Olavão mandando bem.