sábado, 3 de janeiro de 2009

Duas observações sobre a guerra

Cada vez que ouço falar em "reação desproporcional", tenho vontade de dar um desproporcional chute na bunda de quem fala isso.

Ora, todo mundo sabe que hoje os inimigos do Ocidente apelam para a GUERRA ASSIMÉTRICA, que tem entre seus aspectos:

1) Mistura proposital entre civis e militares (não há mais distinção, seja nas vítimas que alvejam, com preferência por "soft targets" como hotéis, hospitais, metrô, etc., seja nos seus “soldados” que não usam uniforme para se diferenciar);

2) Método de guerrilha e terrorismo, não combate militar tradicional, inclusive com grupos que podem ser financiados por um país mas estar combatendo em outro (i.e. Hezbollah no Líbano financiado pelo Irã, terroristas iraquianos financiados por sauditas e iranianos, terroristas na Índia financiados pelo Paquistão, etc.);

3) Apelo aos “direitos humanos” e “convenção de Genebra” e todas as facilidades do mundo ocidental, mas atenção, SEM SEGUIR ELES PRÓPRIOS TAIS DIRETIVAS (O Hamas tortura, mata civis, seqüestra, etc., sem que ninguém diga nada);

4) Apoio direto da mídia ocidental esquerdista (de fato, as operações não tem em vista vencer o inimigo no campo de batalha, mas sim na mídia);

Isso ocorre pelo menos desde o Vietnã, não é nenhuma novidade, quem não sabe isso não sabe nada sobre guerra moderna.

Então, falar em “proporcionalidade” não é apenas burrice, é intencionalmente estar de lado dos terroristas.

* * *

Mas por que há tanta cobertura internacional sobre cada espirro de um palestino em Gaza causado por Israel, e tão pouca sobre os contínuos massacres e guerras na África, na Ásia, ou mesmo no restante do mundo árabe?

Será que tem algo a ver com os sauditas que colocam dinheiro na mídia ocidental? Será que tem a ver com a ideologia anti-ocidental dos esquerdistas?

Ou é porque, num nível mais primário, os ocidentais tem mais interesse naquilo que envolve países ocidentais (e Israel é naturalmente um país ocidental, ao contrário dos gazeteiros), enquanto assume-se que africanos e árabes são no fundo selvagens cuja ação natural é matar-se entre si?

(E daí a notícia mesmo - "man bites dog" - seria se houvesse paz e desenvolvimento na África, ou se os árabes parassem de se explodir em louvor ao seu deus lunar em tudo que é canto).

Realmente, é uma guerra desproporcional.
As feiosas do Hamas não tem como competir.


7 comentários:

|3run0 disse...

Eu postei isto aqui no Pedro Dória, mas a thread já tinha degenerado em um comício de lunáticos, então posto aqui de novo


[...] Existem diversas razões pelas quais este conflito em particular prende tanto a atenção, e polariza tanto os debates. É também um assunto que atrai uma proporção acima do normal de idiotas e onanistas intelectuais; mas certamente dá origem a debates interessantes, para quem tiver paciência de procurar. Creio que isto tudo se deve, pelo menos em parte significativa, ao seguinte:

Este é um conflito bastante emblemático, se situando na fissura de diversos embates ideológicos: Israel é um baluarte da civilização ocidental, exemplo de capitalismo liberal bem sucedido, cercado de bárbaros que querem sua destruição; ou será o estado judeu um entreposto colonialista de inspiração nazista, construido sobre a opressão alheia, viciado em violência e causa única da miséria a sua volta? Serão os palestinos nobres vítimas lutando honradamente por seus direitos, ou maniacos homicidas mais interessados em matar judeus que construir um estado próprio? Estas são, obviamente, opiniões extremas (que, quando expressas, geralmente indicam um interlocutor com quem não vale a pena debater). Mas no contínuo que existe entre os extremos, em muitos dos tópicos importantes em nossa época (sobre a natureza e significado moral do ocidente, do Islã, do capitalismo, da globalização, do multiculturalismo, da (in)tolerância, do relativismo moral, etc.), os dois lados em que os vários debates tendem a se dividir se alinham quase exatamente com opiniões pró-israelenses ou pró-palestinas.

Um úlitmo ponto: Ser pró-palestina ou pró-israel não são, ou deviam ser, posições mutualmente incompatíveis. Mas no clima de fla-flu ideológico que este tópico assume (tanto neste blog quanto sob os ceus de Gaza e do Negev), é infelizmente o que acaba acontecendo.

PS: Quanto a guerra em si, prestem atenção no Egito! Talvez a estrategia de medio prazo do Hamas passe pelo Cairo mais do que por Sderot. Notem que o governo Egipcio foi informado com antecedencia sobre os ataques, e está (na medida do possível) pondo a culpa no Hamas pela guerra, e exigindo um fim do foguetório juntamente com o fim dos ataques à Gaza.

O Hamas, patrocinado pelo Irã, é o braço palestino da Irmandade Muçulmana, que é o maior grupo de oposição à gerontocracia do Mubarak. Os membros do Hamas podem ser malucos, mas não são estúpidos. Sabem que seus foguetinhos certamente não vão destruir Israel; mas sabem também que o Egito é um pais populoso e bastante bem armado, com uma população insatisfeita e já bastante radicalizada, que fica ultrajada (de forma bastante seletiva) quando israelenses matam palestinos. O Mubarak, porém, tampouco é estúpido. Ele e seu esclerótico governo me parecem estar querendo cortar as asas do Hamas antes que este último tente vôos mais, digamos, nilóticos.

|3run0 disse...

PS: A operação terrestre começou hoje a noite. Até onde vi, o único jornal que a antecipou (cerca de 12 horas antes do seu inicio) foi o Times de Londres.

Mr X disse...

Não achei que eles fossem entrar, pensei que se acertaria um cessar-fogo antes.

Tenho um certo pé atrás com a operação terrestre... É mais bem mais complicado do que as operações da força aérea, periga repetir os mesmos erros do Líbano '06.

Vamos ver.

Bruno,
Você não concorda que há um certo preconceito inconsciente na (falta de) cobertura de guerras africanas ou intra-árabes?

|3run0 disse...

Em parte sim. De certam maneira, muita gente no mundo (reporteres ou não) já se convenceu que guerras tribais intermináveis são o estado normal de lugares como o Congo, e perdeu o interesse. Creio que isto se deve sim, em grande parte, a preconceito racial (combinado com doses cavalaresde amnésia histórica)

Mas acho que um fator mais importante para a importancia relativamente maior dada ao Oriente Médio é que, como eu disse, a briga da tribo A com a tribo B em Burkina Faso não reflete nenhum conflito ideológico que interessa a quem lê o Guardian.

Não gosto muito da ideia de uma operação terrestre. Pessoalmente, acharia muito melhor se Israel tivesse se limitado à Blitz inicial, e depois declarado um cessar-fogo condicional à cessação do foguetório. A situação agora é tal que os dois lados estão mais preocupados em continuar lutando para dar uma impressão de vitória na imprensa do que para atingir qualquer objetivo concreto.

A minha impressão é que as IDF queriam evitar um ataque por terra (note a dicrepância entre a publicidade dada as movimentações das forças terrestres, e o segredo e desinformação relacionados ao ataque aéreo), mas faltou combinar com o adversário. De certa maneira, os israelenses ainda operam baseados na hipótese de que o Hamas (e congêneres) se preocupam, ou podem ser dissuadidos, pelo sofrimento de civis palestinos.

marcelo augusto disse...

Lindas, Lindas!!!! Queria uma dessas para mim! Seria muito bom aprender a atirar tendo uma delas como instrutora. :)

Achei uma brasileira do AFA lindíssima: aqui.

Eu deveria ter feito uma graduação tendo um público feminino maior. :)

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