quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Verdades e mentiras

Bom dia, amigos. Feliz Ano Novo a todos.

Este blog começa o ano sem promessas e sem resoluções fatídicas. Permanecerá mais ou menos igual, com seus defeitos e qualidades. Não tem a pretensão de mostrar a "verdade", como por exemplo pretende o presidente boliv(ar)iano Evo Morales, que recentemente anunciou:

"Por primera vez el Estado va tener su propio periódico que vamos a distribuir cada día con la verdad", dijo el mandatario durante un discurso que pronunció en la zona cocalera del Chapare donde se reunió con sus seguidores para evaluar su gestión.

Eis o problema dos esquerdistas. Eles nos dizem estar sempre do lado da "verdade", do "bem", dos "fracos e oprimidos". Mas são apenas palavras que não resistem a um exame ligeiramente mais detalhado.

Seria bom se, em vez de subir no alto da torre de marfim das boas intenções e da suposta imparcialidade, nossos amigos dissessem claramente de que lado estão.

Este blog, por exemplo, não é imparcial. É a favor de Israel contra os palestinos, é a favor da Índia contra o Paquistão, é a favor dos EUA contra os terroristas islâmicos, é a favor da economia de mercado contra o controle estatal, é a favor da manutenção de certos valores tradicionais contra a anarquia destrutiva do vale-tudo ultra-liberal.

Da mesma forma, quem é contrário a qualquer ataque contra o Hamas, quem defende o Hamas como representante legítimo dos palestinos, quem apóia seus atos e sua ideologia é, logicamente, a favor do Hamas - ou seja, é a favor do terrorismo islâmico fundamentalista.

Vejam bem, não estou dizendo que não se possa criticar as ações do governo israelense ou mesmo acreditar que a estratégia atual seja contra-producente. Eu mesmo acredito que, dependendo de como for concluída, possa terminar sendo um tiro no pé como foi a operação inconclusa contra o Hezbollah.

Mas há alguns esquerdistas que acreditam que Israel não deveria esboçar qualquer reação; chegam mesmo a afirmar que Israel não seria um "Estado legítimo". Nada mais claro: estão do lado dos terroristas.

Em termos ideológicos, não há demasiada diferença entre o Hamas e a Irmandade Muçulmana e o Lashkar-e-Toiba e a Al-Qaeda. Os que apóiam o Hamas, portanto, são a favor do terrorismo islâmico, e fariam um favor a si mesmo e aos seus leitores se assumissem isso. Por exemplo, o já citado Idelber lamenta as vítimas do ataque israelense em Gaza, mas nem uma palavra sequer foi escrita no seu blog sobre os judeus barbaramente torturados na Índia por terroristas paquistaneses, nem sobre as vítimas constantes de mísseis palestinos em Sderot, talvez porque não fechasse com a teoria que sempre vê os muçulmanos apenas como eternas vítimas.

Além disso, o que acontece é que muitos esquerdistas têm a incrível capacidade de manter na cabeça dois pensamentos totalmente contraditórios ao mesmo tempo - o que Orwell chamava de "duplipensar". Defendem os terroristas, mas ao mesmo tempo dizem ser contrários ao terrorismo.

Nesse sentido, foi instrutiva uma recente capa do jornal espanhol El País: a manchete principal dizia "Israel realiza massacre em Gaza" ou algo parecido, em tons claramente anti-israelenses. Mas, bem ao lado, uma manchete menor comentava o vertiginoso crescimento das células do terrorismo islâmico na Espanha, e informava como quem não quer nada que mais de 100 muçulmanos espanhóis teriam ido participar de missões suicidas no Iraque.

Ora, o terrorismo do Hamas é o mesmo terrorismo dos muçulmanos radicais que se explodem no Iraque, e que, se deixarem, um dia se explodirão novamente na Espanha.

* * *

Deixando de lado o terrorismo, pensemos em um outro tema muito amado pelos progressistas: o "aquecimento global". Há uns cinco anos atrás, cometi a imprudência de realizar em uma mesa de bar um comentário cético sobre o tal aquecimento, que foi recebido com extremo choque pelas pessoas presentes (e olhe que não se tratavam de esquerdistas). Como é que eu ousava contestar tal "verdade científica estabelecida"? Pois bem, hoje sei que eu poderia repetir a experiência com maior sucesso: o ceticismo do público em relação ao "aquecimento global" aumentou muito nos últimos anos. Por quê? Simplesmente porque o prometido aquecimento catastrófico não veio, e no lugar dele está fazendo um frio do cão. É difícil argumentar contra a experiência sensorial, por mais que se fale em "consenso científico".

(E, além disso, essa posição de "consenso científico" é algo ingênua. Parece assumir que os cientistas não podem ser influenciados pela política ou pelas verbas a certos tipos de pesquisa em favor de outros, ou simplesmente estar errados. Por exemplo, alguns anos atrás um cientista explicou o estranho fenômeno dos círculos concêntricos que apareciam nas plantações inglesas como sendo causados por um fenômeno natural chamado de "vórtex de plasma". Escreveu um paper repleto de citações, fórmulas, tabelas e publicou-o numa prestigiosa revista científica. Pouco tempo depois, revelou-se que os criadores dos círculos eram dois velhinhos sacanas que estavam se divertindo muito...)

Enfim, não esperem aqui a "verdade", apenas opiniões mais ou menos polêmicas, sempre abertas a réplicas e tréplicas. Como Sócrates, só sei que nada sei. Aliás, nem disso tenho certeza...

10 comentários:

Anônimo disse...

Eu prefiro a frase: só sei que pouco sei.

chesterton disse...

apoiado , Mr, nesses tempos em que bom senso é chamado de extremo-direitismo.

chesterton disse...

Mr, X, faz um post só para essa gata do exercito israelense, quem sabe ela descobe e dá bola para mim

http://img220.imageshack.us/my.php?image=soldadahl5.jpg

Anônimo disse...

Seus comentários sobre o assunto, como já disse em outro post, estão BÓTIMOS!
Não comento o tema pelo desgosto pelas mortes, pelos feridos, pelo pavor e choque das crianças, embora a maioria desses mortos sejam militantes do Hamas.
Mas não se trata apenas dos mortos e feridos, mas também da destruição de muitas estruturas úteis para a vida civil em Gaza.
Apesar disso, apoio Israel irrestritamente e acho que ante os inúmeros fatores envolvidos, não teve outra alternativa.
Gostei muito das imagens das soldadas israelenses que o Chesterton postou. Jovens, muitas delas bonitas, saudáveis, de aparência igual às que vemos em qualquer parte. Talvez até façam alguns mudar de opinião sobre o "monstro nazi-sionista" pintado por alguns devairados.
Um abraço, Mister.

Madeleine

Stefano disse...

Caro Mr.X, Feliz 2009 para você e os amigos do blog!

KEEP UP THE GOOD JOB!!!!

Didi Iashin disse...

Meus amigos,
hoje pela manhã, quando vi a manchetona no Estadão, informando a morte de um dos chefes do Hamas, eu fui tomada por uma onda de orgulho feroz pelos israelenses e saí cantando (prá dentro, que eu não sei a letra ...) o Haktiva, o hino de Israel.
Chega um momento em que a gente deve tomar um partido, achar o seu lado. E eu já achei o meu: Sou Israel, SIM!
Shalom e Mazal Tov per tutti!

marcelo augusto disse...

Sobre o aquecimento global -- considero que o termo mais apropriado seria um processo que levará à uma radical mudança climática, o que não necessariamente implica em ficar mais quente ou mais frio, mas que poderá proporcionar fenômenos atmosféricos em escalas extremas --, há um paralelo interessante: A chuva ácida foi vista com certo ceticismo logo no seu começo e mesmo após a segunda metade do século XX. Ronald Reagan chegou a demonstrar ceticismo perante as evidências científicas da chuva ácida e as conseqüências disso no meio ambiente (como poluição dos rios e exaustão do bioma fluvial).

Mr X disse...

Marcelo Augusto,

Prevejo que nos próximos anos vamos ter bem mais com que nos preocupar do que o "aquecimento global" (ou "mudança climática").

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