Olá. Só avisando aos ex-leitores de todas as correntes que em breve teremos blog novo com posts novos. Um pouquinho diferente do que era antes, mas melhor. Só que, como ando ocupado com outros afazeres ainda vai demorar uns dias. Aguardem. Enquanto isso, podem ir comentando por aí se quiserem. Ou não. Abs.
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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Potpourri do Ano Novo
Ainda de ressaca. Sem paciência ou capacidade para textos mais coerentes, mas ao mesmo tempo pensando em várias notícias ocorridas recentemente, vai aqui uma série de breves comentários sobre a nossa vida atual.
* * *
O beijo. Um casal lésbico virou a nova imagem símbolo da Marinha americana. Reparem como elas imitam a famosa cena do marinheiro beijando a moça no V-Day. Reparem ainda como escolheram duas jovens bonitas, não as gordas masculinizadas mais típicas entre as lésbicas da vida real. Como peça de propaganda, é ótima. Mas é estranho observar como até o exército americano, considerado até faz pouco reduto conservador, é na verdade tão progressista quanto o resto da sociedade americana.
* * *
É claro, a promoção do gayzismo vem de cima. Agora vários formulários oficiais do governo americano já não tem mais "Mother" e "Father" para você completar, mas apenas "Parent 1" e "Parent 2." É o futuro. Em breve, no Brasil também. Aguardem.
* * *
É possível falar de raça sem ser nazista? Quero dizer, é possível discutir sobre o tema sem necessariamente obcecar sobre os judeus ou sobre os negros e propor um estado fascista totalitário com eugenia e segregação racial? Estou meio de saco cheio de falar sobre esse tema, pois só gera discórdia e não tenho qualquer interesse em fomentar ódio racial ou propor alternativas políticas pra o que existe agora; se me interesso pelo tema é mais pelo caráter científico e social da coisa mesmo. Mas, pelo que percebi até agora, não me encaixo muito no perfil psicológico de "realista racial". Aliás, até que gosto da diversidade racial e cultural reinante no Brasil, muito embora não queira que o mundo inteiro se torne um Brasil. Deixem a Europa ser a Europa. (Por outro lado, acho que a África se beneficiaria com uma maior presença de brancos e asiáticos. Será que os chineses vão recolonizar?)
* * *
Fui, acreditem, numa festa de samba quando estive no Brasil. Diversidade racial reinante entre o público. Negros, brancos, asiáticos, mulatos, algumas turistas italianas e uma polaquinha galega que dançava melhor do que ninguém (branco não sabe sambar, pois não?). Diverti-me, confesso, talvez porque estava bem acompanhado. Se tem algo que o negros tem de bom é sua alegria e vitalidade. Clichê, eu sei, mas provavelmente verdadeiro. Os países nórdicos tem alto nível de suicídio, bem como o Japão. Entre os países africanos, deve ser muito baixo. Uma vez alguns estudiosos acharam que o baixo rendimento escolar dos negros americanos era devido à sua "baixa auto-estima", causada por anos de sofrimento e escravidão. Foram fazer um estudo, descobriram que era o povo com maior auto-estima do mundo! (provavelmente atrás apenas dos argentinos).
* * *
Genética ou cultura? Os negros brasileiros são em geral simpáticos. Entre porteiros, vigias, ascensoristas, atendentes e demais trabalhadores honestos (naturalmente, não falo aqui de criminosos) raramente vi algum mal-humorado ou ressentido contra os brancos. Nos EUA, ao contrário, há muitos. É o que chamam de "chip on the shoulder." Lamentavelmente, também no Brasil começa a ser fomentado esse tipo de atitude. Agradeça aos esquerdistas.
* * *
Os estereótipos existem por alguma razão. São exageros, certo, porém baseados em experiências relevantes, ou sequer existiriam. No entanto, o indivíduo é soberano. Em uma aula que ministrei uma vez, a melhor aluna era uma negra (mulata, de origem caribenha), enquanto o aluno asiático era preguiçoso e vagabundo (crescera no Brasil, talvez isso explique). Não devemos deixar de ver as árvores por causa da floresta.
* * *
Depois do show de samba, fui num restaurante vegetariano "new age". Stuff White People Like à quarta potência. Não havia um único negro, sequer um mulato claro, entre os comensais. Cultura ou genética? De fato parece haver poucos negros vegetarianos ou veganos; por outro lado, os rastafaris jamaicanos são vegetarianos. Parece que o vegetarianismo/veganismo tem mais função de status atualmente, e portanto é mais comum entre os brancos de classe média-alta que querem posar de alternativos.
* * *
Obama será reeleito? É a grande pergunta do ano nos EUA. Minha impressão é que sim, será. Os Republicanos não se decidiram ainda por nenhum candidato, e todos tem sérios defeitos. O mais cotado é o Mitt Romney, que tem o problema (para a ala cristã) de ser mórmon. Meu candidato preferido é o Ron Paul, que não tem muita chance, embora esteja indo bem nas pesquisas. Porém, ainda acho que Obama será reeleito.
* * *
Vi muitas pessoas tatuadas no Brasil. Não lembro que fosse assim antes. Nos EUA, naturalmente, ou o menos em Los Angeles, 90% das pessoas tem alguma tatuagem, por pequena que seja (ok, exagero um pouco, mas são muitos mesmo). Quando é que as tatuagens ficaram populares e deixaram de ser uma marca de criminosos ou gente vulgar? Para mim, ainda refletem uma certa vulgaridade. Jamais namorei com uma moça tatuada. Porém, é cada vez mais difícil encontrar uma que não o seja, mesmo que apenas no calcanhar.
* * *
Há mais e mais estrangeiros interessados no Brasil, seja para investir, seja para visitar. Acho isso bom. Leio matérias mostrando que há europeus (em especial, portugueses) vindo morar no Brasil, já que na Europa há crise e desemprego crescentes, e o euro periga. Eu digo, que venham. Conheci na Europa mais de uma pessoa de trinta e tantos anos que morava com os pais e jamais tinha trabalhado na vida. Uma tristeza. Na Espanha o nível de desemprego chegou a 25%, um quarto da população. Milhares de jovens europeus se formam e não tem o que fazer da vida. Dica ao governo Dilma: ofereça facilidades para que venham ao Brasil. Jovens inteligentes e qualificados nunca serão em demasia, e faz mais sentido do que mandar brasileiros inteligentes para estudar fora (pois muitos não voltam). Mas os muçulmanos, esses que fiquem lá pela Europa mesmo, ou melhor ainda, que voltem para as Arábias.
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Feliz 2012 a todos. Ainda é cedo para falar sobre isto, mas: o blog vai mudar. Nada mais será como antes.
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O beijo. Um casal lésbico virou a nova imagem símbolo da Marinha americana. Reparem como elas imitam a famosa cena do marinheiro beijando a moça no V-Day. Reparem ainda como escolheram duas jovens bonitas, não as gordas masculinizadas mais típicas entre as lésbicas da vida real. Como peça de propaganda, é ótima. Mas é estranho observar como até o exército americano, considerado até faz pouco reduto conservador, é na verdade tão progressista quanto o resto da sociedade americana.
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É claro, a promoção do gayzismo vem de cima. Agora vários formulários oficiais do governo americano já não tem mais "Mother" e "Father" para você completar, mas apenas "Parent 1" e "Parent 2." É o futuro. Em breve, no Brasil também. Aguardem.
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É possível falar de raça sem ser nazista? Quero dizer, é possível discutir sobre o tema sem necessariamente obcecar sobre os judeus ou sobre os negros e propor um estado fascista totalitário com eugenia e segregação racial? Estou meio de saco cheio de falar sobre esse tema, pois só gera discórdia e não tenho qualquer interesse em fomentar ódio racial ou propor alternativas políticas pra o que existe agora; se me interesso pelo tema é mais pelo caráter científico e social da coisa mesmo. Mas, pelo que percebi até agora, não me encaixo muito no perfil psicológico de "realista racial". Aliás, até que gosto da diversidade racial e cultural reinante no Brasil, muito embora não queira que o mundo inteiro se torne um Brasil. Deixem a Europa ser a Europa. (Por outro lado, acho que a África se beneficiaria com uma maior presença de brancos e asiáticos. Será que os chineses vão recolonizar?)
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Fui, acreditem, numa festa de samba quando estive no Brasil. Diversidade racial reinante entre o público. Negros, brancos, asiáticos, mulatos, algumas turistas italianas e uma polaquinha galega que dançava melhor do que ninguém (branco não sabe sambar, pois não?). Diverti-me, confesso, talvez porque estava bem acompanhado. Se tem algo que o negros tem de bom é sua alegria e vitalidade. Clichê, eu sei, mas provavelmente verdadeiro. Os países nórdicos tem alto nível de suicídio, bem como o Japão. Entre os países africanos, deve ser muito baixo. Uma vez alguns estudiosos acharam que o baixo rendimento escolar dos negros americanos era devido à sua "baixa auto-estima", causada por anos de sofrimento e escravidão. Foram fazer um estudo, descobriram que era o povo com maior auto-estima do mundo! (provavelmente atrás apenas dos argentinos).
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Genética ou cultura? Os negros brasileiros são em geral simpáticos. Entre porteiros, vigias, ascensoristas, atendentes e demais trabalhadores honestos (naturalmente, não falo aqui de criminosos) raramente vi algum mal-humorado ou ressentido contra os brancos. Nos EUA, ao contrário, há muitos. É o que chamam de "chip on the shoulder." Lamentavelmente, também no Brasil começa a ser fomentado esse tipo de atitude. Agradeça aos esquerdistas.
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Os estereótipos existem por alguma razão. São exageros, certo, porém baseados em experiências relevantes, ou sequer existiriam. No entanto, o indivíduo é soberano. Em uma aula que ministrei uma vez, a melhor aluna era uma negra (mulata, de origem caribenha), enquanto o aluno asiático era preguiçoso e vagabundo (crescera no Brasil, talvez isso explique). Não devemos deixar de ver as árvores por causa da floresta.
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Depois do show de samba, fui num restaurante vegetariano "new age". Stuff White People Like à quarta potência. Não havia um único negro, sequer um mulato claro, entre os comensais. Cultura ou genética? De fato parece haver poucos negros vegetarianos ou veganos; por outro lado, os rastafaris jamaicanos são vegetarianos. Parece que o vegetarianismo/veganismo tem mais função de status atualmente, e portanto é mais comum entre os brancos de classe média-alta que querem posar de alternativos.
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Obama será reeleito? É a grande pergunta do ano nos EUA. Minha impressão é que sim, será. Os Republicanos não se decidiram ainda por nenhum candidato, e todos tem sérios defeitos. O mais cotado é o Mitt Romney, que tem o problema (para a ala cristã) de ser mórmon. Meu candidato preferido é o Ron Paul, que não tem muita chance, embora esteja indo bem nas pesquisas. Porém, ainda acho que Obama será reeleito.
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Vi muitas pessoas tatuadas no Brasil. Não lembro que fosse assim antes. Nos EUA, naturalmente, ou o menos em Los Angeles, 90% das pessoas tem alguma tatuagem, por pequena que seja (ok, exagero um pouco, mas são muitos mesmo). Quando é que as tatuagens ficaram populares e deixaram de ser uma marca de criminosos ou gente vulgar? Para mim, ainda refletem uma certa vulgaridade. Jamais namorei com uma moça tatuada. Porém, é cada vez mais difícil encontrar uma que não o seja, mesmo que apenas no calcanhar.
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Há mais e mais estrangeiros interessados no Brasil, seja para investir, seja para visitar. Acho isso bom. Leio matérias mostrando que há europeus (em especial, portugueses) vindo morar no Brasil, já que na Europa há crise e desemprego crescentes, e o euro periga. Eu digo, que venham. Conheci na Europa mais de uma pessoa de trinta e tantos anos que morava com os pais e jamais tinha trabalhado na vida. Uma tristeza. Na Espanha o nível de desemprego chegou a 25%, um quarto da população. Milhares de jovens europeus se formam e não tem o que fazer da vida. Dica ao governo Dilma: ofereça facilidades para que venham ao Brasil. Jovens inteligentes e qualificados nunca serão em demasia, e faz mais sentido do que mandar brasileiros inteligentes para estudar fora (pois muitos não voltam). Mas os muçulmanos, esses que fiquem lá pela Europa mesmo, ou melhor ainda, que voltem para as Arábias.
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Feliz 2012 a todos. Ainda é cedo para falar sobre isto, mas: o blog vai mudar. Nada mais será como antes.
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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Poema do Ano Novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Open thread 2009

O ano de 2008 trouxe crise econômica, o fim da guerra do Iraque, a eleição de Obama, a queda vertiginosa do superávit de exportações do Brasil e um inverno rigoroso tanto no hemisfério norte como no sul.
O que acontecerá em 2009? As previsões de aquecimento global catastrófico continuam, muito embora quase todas as previsões para 2008 tenham sido completamente erradas.
Já um professor russo prevê o fim dos EUA e sua divisão em seis regiões. A China controlaria a Califórnia, onde me encontro. O que não é o pior dos mundos, considerando que o Texas seria controlada pelo México e Nova Iorque pela União Européia. Mas não precisam desesperar-se: isso só vai acontecer em 2010.
E vocês, o que acham que ocorrerá em 2009? Será um ano pior ou melhor?
P.S. Na foto, uma soldada israelense (dica do Chest).
Voiture brulèe

Há alguns anos atrás passei o final de ano em Estrasburgo, França, onde tomei conhecimento da curiosa tradição de queimar carros no Ano Novo. O amigo francês que me contou a respeito o disse com a maior naturalidade, como se fosse um hábito tão normal como soltar rojões ou abrir garrafas de champanhe.
Este ano parece ter havido um recorde: 1147 carros queimados. Embora as notícias falem em "jovens vândalos", todos sabem que os que queimam carros são em sua maior parte imigrantes ou descendentes de imigrantes, em sua grande maioria muçulmanos. No entanto, não posso culpar a religião muçulmana pelo hábito: não consta que Maomé tenha inventado tal prática, nem que ela seja comum em qualquer país muçulmano além da França.
O mais curioso de tudo é que a tradição efetivamente já foi aceita pelas autoridades. Afinal, segundo o governo, "foi uma noite tranqüila, sem violência". Sites sobre automóveis dão conselhos sobre o que fazer para não ter seu carro queimado. Aliás, parece até que ultimamente uma pequena percentagem dos carros passaram a ser queimados pelos próprios proprietários, graças a uma lei que oferece maiores indenizações aos seus donos.
É o multiculturalismo em ação.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Verdades e mentiras
Bom dia, amigos. Feliz Ano Novo a todos.
Este blog começa o ano sem promessas e sem resoluções fatídicas. Permanecerá mais ou menos igual, com seus defeitos e qualidades. Não tem a pretensão de mostrar a "verdade", como por exemplo pretende o presidente boliv(ar)iano Evo Morales, que recentemente anunciou:
Eis o problema dos esquerdistas. Eles nos dizem estar sempre do lado da "verdade", do "bem", dos "fracos e oprimidos". Mas são apenas palavras que não resistem a um exame ligeiramente mais detalhado.
Seria bom se, em vez de subir no alto da torre de marfim das boas intenções e da suposta imparcialidade, nossos amigos dissessem claramente de que lado estão.
Este blog, por exemplo, não é imparcial. É a favor de Israel contra os palestinos, é a favor da Índia contra o Paquistão, é a favor dos EUA contra os terroristas islâmicos, é a favor da economia de mercado contra o controle estatal, é a favor da manutenção de certos valores tradicionais contra a anarquia destrutiva do vale-tudo ultra-liberal.
Da mesma forma, quem é contrário a qualquer ataque contra o Hamas, quem defende o Hamas como representante legítimo dos palestinos, quem apóia seus atos e sua ideologia é, logicamente, a favor do Hamas - ou seja, é a favor do terrorismo islâmico fundamentalista.
Vejam bem, não estou dizendo que não se possa criticar as ações do governo israelense ou mesmo acreditar que a estratégia atual seja contra-producente. Eu mesmo acredito que, dependendo de como for concluída, possa terminar sendo um tiro no pé como foi a operação inconclusa contra o Hezbollah.
Mas há alguns esquerdistas que acreditam que Israel não deveria esboçar qualquer reação; chegam mesmo a afirmar que Israel não seria um "Estado legítimo". Nada mais claro: estão do lado dos terroristas.
Em termos ideológicos, não há demasiada diferença entre o Hamas e a Irmandade Muçulmana e o Lashkar-e-Toiba e a Al-Qaeda. Os que apóiam o Hamas, portanto, são a favor do terrorismo islâmico, e fariam um favor a si mesmo e aos seus leitores se assumissem isso. Por exemplo, o já citado Idelber lamenta as vítimas do ataque israelense em Gaza, mas nem uma palavra sequer foi escrita no seu blog sobre os judeus barbaramente torturados na Índia por terroristas paquistaneses, nem sobre as vítimas constantes de mísseis palestinos em Sderot, talvez porque não fechasse com a teoria que sempre vê os muçulmanos apenas como eternas vítimas.
Além disso, o que acontece é que muitos esquerdistas têm a incrível capacidade de manter na cabeça dois pensamentos totalmente contraditórios ao mesmo tempo - o que Orwell chamava de "duplipensar". Defendem os terroristas, mas ao mesmo tempo dizem ser contrários ao terrorismo.
Nesse sentido, foi instrutiva uma recente capa do jornal espanhol El País: a manchete principal dizia "Israel realiza massacre em Gaza" ou algo parecido, em tons claramente anti-israelenses. Mas, bem ao lado, uma manchete menor comentava o vertiginoso crescimento das células do terrorismo islâmico na Espanha, e informava como quem não quer nada que mais de 100 muçulmanos espanhóis teriam ido participar de missões suicidas no Iraque.
Ora, o terrorismo do Hamas é o mesmo terrorismo dos muçulmanos radicais que se explodem no Iraque, e que, se deixarem, um dia se explodirão novamente na Espanha.
Deixando de lado o terrorismo, pensemos em um outro tema muito amado pelos progressistas: o "aquecimento global". Há uns cinco anos atrás, cometi a imprudência de realizar em uma mesa de bar um comentário cético sobre o tal aquecimento, que foi recebido com extremo choque pelas pessoas presentes (e olhe que não se tratavam de esquerdistas). Como é que eu ousava contestar tal "verdade científica estabelecida"? Pois bem, hoje sei que eu poderia repetir a experiência com maior sucesso: o ceticismo do público em relação ao "aquecimento global" aumentou muito nos últimos anos. Por quê? Simplesmente porque o prometido aquecimento catastrófico não veio, e no lugar dele está fazendo um frio do cão. É difícil argumentar contra a experiência sensorial, por mais que se fale em "consenso científico".
(E, além disso, essa posição de "consenso científico" é algo ingênua. Parece assumir que os cientistas não podem ser influenciados pela política ou pelas verbas a certos tipos de pesquisa em favor de outros, ou simplesmente estar errados. Por exemplo, alguns anos atrás um cientista explicou o estranho fenômeno dos círculos concêntricos que apareciam nas plantações inglesas como sendo causados por um fenômeno natural chamado de "vórtex de plasma". Escreveu um paper repleto de citações, fórmulas, tabelas e publicou-o numa prestigiosa revista científica. Pouco tempo depois, revelou-se que os criadores dos círculos eram dois velhinhos sacanas que estavam se divertindo muito...)
Enfim, não esperem aqui a "verdade", apenas opiniões mais ou menos polêmicas, sempre abertas a réplicas e tréplicas. Como Sócrates, só sei que nada sei. Aliás, nem disso tenho certeza...
Este blog começa o ano sem promessas e sem resoluções fatídicas. Permanecerá mais ou menos igual, com seus defeitos e qualidades. Não tem a pretensão de mostrar a "verdade", como por exemplo pretende o presidente boliv(ar)iano Evo Morales, que recentemente anunciou:
"Por primera vez el Estado va tener su propio periódico que vamos a distribuir cada día con la verdad", dijo el mandatario durante un discurso que pronunció en la zona cocalera del Chapare donde se reunió con sus seguidores para evaluar su gestión.
Eis o problema dos esquerdistas. Eles nos dizem estar sempre do lado da "verdade", do "bem", dos "fracos e oprimidos". Mas são apenas palavras que não resistem a um exame ligeiramente mais detalhado.
Seria bom se, em vez de subir no alto da torre de marfim das boas intenções e da suposta imparcialidade, nossos amigos dissessem claramente de que lado estão.
Este blog, por exemplo, não é imparcial. É a favor de Israel contra os palestinos, é a favor da Índia contra o Paquistão, é a favor dos EUA contra os terroristas islâmicos, é a favor da economia de mercado contra o controle estatal, é a favor da manutenção de certos valores tradicionais contra a anarquia destrutiva do vale-tudo ultra-liberal.
Da mesma forma, quem é contrário a qualquer ataque contra o Hamas, quem defende o Hamas como representante legítimo dos palestinos, quem apóia seus atos e sua ideologia é, logicamente, a favor do Hamas - ou seja, é a favor do terrorismo islâmico fundamentalista.
Vejam bem, não estou dizendo que não se possa criticar as ações do governo israelense ou mesmo acreditar que a estratégia atual seja contra-producente. Eu mesmo acredito que, dependendo de como for concluída, possa terminar sendo um tiro no pé como foi a operação inconclusa contra o Hezbollah.
Mas há alguns esquerdistas que acreditam que Israel não deveria esboçar qualquer reação; chegam mesmo a afirmar que Israel não seria um "Estado legítimo". Nada mais claro: estão do lado dos terroristas.
Em termos ideológicos, não há demasiada diferença entre o Hamas e a Irmandade Muçulmana e o Lashkar-e-Toiba e a Al-Qaeda. Os que apóiam o Hamas, portanto, são a favor do terrorismo islâmico, e fariam um favor a si mesmo e aos seus leitores se assumissem isso. Por exemplo, o já citado Idelber lamenta as vítimas do ataque israelense em Gaza, mas nem uma palavra sequer foi escrita no seu blog sobre os judeus barbaramente torturados na Índia por terroristas paquistaneses, nem sobre as vítimas constantes de mísseis palestinos em Sderot, talvez porque não fechasse com a teoria que sempre vê os muçulmanos apenas como eternas vítimas.
Além disso, o que acontece é que muitos esquerdistas têm a incrível capacidade de manter na cabeça dois pensamentos totalmente contraditórios ao mesmo tempo - o que Orwell chamava de "duplipensar". Defendem os terroristas, mas ao mesmo tempo dizem ser contrários ao terrorismo.
Nesse sentido, foi instrutiva uma recente capa do jornal espanhol El País: a manchete principal dizia "Israel realiza massacre em Gaza" ou algo parecido, em tons claramente anti-israelenses. Mas, bem ao lado, uma manchete menor comentava o vertiginoso crescimento das células do terrorismo islâmico na Espanha, e informava como quem não quer nada que mais de 100 muçulmanos espanhóis teriam ido participar de missões suicidas no Iraque.
Ora, o terrorismo do Hamas é o mesmo terrorismo dos muçulmanos radicais que se explodem no Iraque, e que, se deixarem, um dia se explodirão novamente na Espanha.
* * *
Deixando de lado o terrorismo, pensemos em um outro tema muito amado pelos progressistas: o "aquecimento global". Há uns cinco anos atrás, cometi a imprudência de realizar em uma mesa de bar um comentário cético sobre o tal aquecimento, que foi recebido com extremo choque pelas pessoas presentes (e olhe que não se tratavam de esquerdistas). Como é que eu ousava contestar tal "verdade científica estabelecida"? Pois bem, hoje sei que eu poderia repetir a experiência com maior sucesso: o ceticismo do público em relação ao "aquecimento global" aumentou muito nos últimos anos. Por quê? Simplesmente porque o prometido aquecimento catastrófico não veio, e no lugar dele está fazendo um frio do cão. É difícil argumentar contra a experiência sensorial, por mais que se fale em "consenso científico".
(E, além disso, essa posição de "consenso científico" é algo ingênua. Parece assumir que os cientistas não podem ser influenciados pela política ou pelas verbas a certos tipos de pesquisa em favor de outros, ou simplesmente estar errados. Por exemplo, alguns anos atrás um cientista explicou o estranho fenômeno dos círculos concêntricos que apareciam nas plantações inglesas como sendo causados por um fenômeno natural chamado de "vórtex de plasma". Escreveu um paper repleto de citações, fórmulas, tabelas e publicou-o numa prestigiosa revista científica. Pouco tempo depois, revelou-se que os criadores dos círculos eram dois velhinhos sacanas que estavam se divertindo muito...)
Enfim, não esperem aqui a "verdade", apenas opiniões mais ou menos polêmicas, sempre abertas a réplicas e tréplicas. Como Sócrates, só sei que nada sei. Aliás, nem disso tenho certeza...
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Poema do ano novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
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