segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Analfabetismo político

Foi Bertolt Brecht quem disse certa vez que o pior analfabeto era o analfabeto político. Lamentavelmente, o que ele queria dizer com analfabeto era "não doutrinado na ideologia socialista". Para Brecht, o alfabeto era o beabá marxista.

Hoje, não há mais esse problema. Todos, desde criancinhas, são educados pela mídia, pelas escolas, pelo establishment enfim, a repetir os dogmas políticos esquerdistas da atualidade. Não há quem não aprenda desde os tenros seis anos a importância da "justiça social" e da "saúde pública e gratuita para todos".

O problema é que essa doutrinação não torna as pessoas menos analfabetas, ao contrário. Se eu ensinar que 2+2 = 5 não estarei educando ninguém.

Ou, como disse certa vez Reagan: o problema dos esquerdistas (liberals no dialeto local) não é que eles sejam ignorantes, é que que eles 'sabem' muitas coisas erradas.

Eles acham que saúde pública é "de grátis", que Stalin matar 20 milhões de pessoas de fome em nome da coletivização é bacana, que todas as culturas são iguais e podem ser substituídas umas pelas outras, que tudo o que basta para que os povos convivam em paz é a boa-vontade, e que qualquer problema pode ser resolvido com aumento de impostos.

A loucura é tanta que é possível que hoje em dia um caipira ignorante esteja melhor informado sobre como o mundo real funciona do que um estudante de marxniversidade.

Não é à toa que os Governos persigam tanto aqueles que querem realizar homeschooling*.

* Foi Hitler quem promulgou as leis contra homeschooling na Alemanha que ainda valem e foram utilizadas contra as famílias dos links acima. Lenin ("dê-me uma criança por 4 anos e farei dela um Bolchevique para sempre") tornou o ensino caseiro ilegal na Rússia em 1919, a proibição durou até 1992.


Mió sê afarnabeto, uai.

40 comentários:

c* disse...

brectht também disse :

"primeiro comer, a moral, depois" ....

c* disse...

"brecht"

DD disse...

Hum, eu acho essa tara pelo homeschooling um pouco exagerada. Voltaremos à época dos tutores? Quantos terão condições, de fato, de educar seus filhos em casa?

O negócio é impedir que o sistema público de ensino seja invadido por vagabundos, canalhas, doutrinadores comunistas e aventureiros da pedagogia. Dar fim ao currículo unificado, com a sua exigência de "respeito aos direitos humanos" (i. e., respeito à enrolação socialista), também seria uma boa ideia. Ah, claro, e que o sistema volte a ser regido pelo mérito.

Didi Iashin disse...

DD,
as mães americanas fora do eixo "Costa Leste/Costa Oeste" têm condições de fazê-lo. Para isso, elas ficam em casa (stay-at-home-moms), e muitas delas parecem não ficar muito chateadas por não terem uma "carreira".
Impedir que o sistema público seja invadido por "vagabuindos", é meio impossível, uma vez que esse é o trunfo dos "caras". Hoje, eu vi a recepção dos bixos na PUC. Depois, eles todos saem pelas ruas bradando contra a "ditadura", a "censura", a "violência". O que os veteranos fazem com os calouros é sádico. E isso, duvido que tenham aprendido em casa.

DD disse...

Didi Iashin:

Eu defendo o direito de escolha: estudar em casa ou fora dela. Só acho que, no Brasil, país dos órfãos, isso não pega. Donde surge a necessidade de criar mecanismos contra a degeneração do sistema de ensino, porque é onde a maioria terá que estudar mesmo. E isso inclui, óbvio, que as cafajestadas dos alunos sejam exemplarmente punidas, evitando o comportamento de gangue.

Só estou sendo prático.

Klauss disse...

DD,

pior que é o contrário.

Não é uma tara pelo Homeschooling, mas o problema é CRIMINALIZAR o Homeschooling!

E pior de tudo: sempre se criminaliza o Homeschooling qd a educação é uma merda!!!

Opta pelo Homeschooling só quem sabe que pode dar educação muito melhor que a do Estado (o que com um poquinho de cultura não parece ser tão difícil). Claro que no Brasil, legalizar o homeschooling não faria, socialmente, nenhuma diferença substancial. Mas a meia-dúzia de famílias que a pratica ao menos não seria perseguida pelo MPF.

Anônimo disse...

"Hoje, eu vi a recepção dos bixos na PUC. Depois, eles todos saem pelas ruas bradando contra a 'ditadura', a 'censura', a 'violência'. O que os veteranos fazem com os calouros é sádico."
Ah, vê se cresce.
Tiago

Didi Iashin disse...

"Ah, vê se cresce."

Repito: HUMILHAÇÃO, SADISMO, CRUELDADE.

Anônimo disse...

Conversa fiada.
Tiago

DD disse...

Entendi o Tiaguinho:

O comunismo é como um trote, só que dura uns 70 anos.

Didi Iashin disse...

Como é que era, mesmo ...?
É só um trote, mas como dói ...!

Augusto disse...

Tiago é o Mr X!!!
Entregou-se no diálogo com a Didi.
Acho que foi o Claudio, tempos atras, que levantou esta hipótese.

DD disse...

Que sacanagem!

Mr X disse...

Hein? Não entendi a lógica. Não me confundam com comunista. O Tiago é o Pax (lá do antigo blog do PD). Acho.

Anônimo disse...

Gonçalves Dias, nosso grande poeta brasileiro, ensinou que a "vida é combate, que os fracos abate, que os fortes, os bravos só pode exaltar."
Tiago

Rolando disse...

What about homecollege?

A cultura do diploma é muito pior naqueles que possuem nível superior. Outro dia comentei sobre os livros bastante objetivos e bons de ler do Eduardo Bueno, da série Terra Brasilis, e a pessoa, formada em história, declarou: ele não é historiador. Como se por essa falha de formação ele não poderia ter escrito um livro de história.

E a panelinha que impõe que para advogar, além do curso de direito, ter de passar no exame da OAB? Conheço muito nego com conhecimento jurídico mais vasto que certos advogados e que não é formado.

Da mesma forma que para ser um bom jornalista/economista/administradornão seria necessário o diploma na área, o mesmo ocorre com 90% das profissões. Há muitos e muitos anos, tive um excelente professor de literatura no cursinho. Leitor voraz e apaixonado, sabia muito tanto de literatura brasileira quanto eurolatina. Era formado em direito. Não podia dar aula em faculdade, por isso dava em cursinho. Sabia muito mais de latim que muito doutor em letras.

Esquecemos, no mundo, mas principalmente no Brasil, que universidade, como o nome já diz, é o conhecimento universal. A partir do estudo superior em algumas áreas a pessoa teria a capacidade ou os meios para alcançar outros conhecimentos de outras áreas de forma autônoma.

Mas não, curso superior no Brasil é tal qual um curso profissionalizante. Pior é ver gente que faz mestrado e doutorado não por enriquecimento profissional e pessoal, mas para usar e esfregar o título por aí.

Didi Iashin disse...

Puxa, eu não sabia que vocês eram tão maus, a ponto de confundir Mister Equis com essa ... coisa emissora de CO2 que´é o Tiago.
Sacanagem, gente!
Pessoalmente, curso universitário devia ser oferecido apenas para medicina em geral e engenharia. As demais áreas (incluindo Direito, Administração, Contabilidade, Jornalismo - que acabam formando profissionais)deveriam estar em escolas técnicas. Eu sempre achei um absurdo uma pessoa estar na USP estudando ... Sânscrito! Graduação em SÂNSCRITO??? Dá licença, isso é sacanagem. Assistência Social, Sociologia, Filosofia (eu não entendo uma faculdade "formando" um filósofo), Letras ...

DD disse...

Oh, Didi Iashin. Fiz uma disciplina no Sânscrito. Muito boa! Claro, a graduação eu deixo para os excêntricos.

Foi o meu melhor trabalho. Ficou tão bom que parece um material profissional. Se quiser saber um pouco mais sobre Literatura Sânscrita Épica, passo-lhe o pdf.

Sério.

Mr X disse...

Minha teoria atual é que a educação (universitária ao menos) é supervalorizada. Primeiro, se todos tem um diploma, então o diploma não significa nada, até porque não vai ter emprego para todo mundo. Segundo, que há pessoas que são demasiado burras para estar na universidade. Sério. Deveriam estar fazendo curso de jardinagem no SENAC. Terceiro, como o amigo Rolando acima falou, em certos cursos não deveria ter nem mesmo exigência do diploma. Literatura e jornalismo são dois que vêm à mente.

Mas o problema no Brasil não é a educação universitária, é a educação primária e secundária, cada vez pior e mais ideologizada. O homeschooling não pode ser pior do que isso.

Anônimo disse...

"Primeiro, se todos tem um diploma, então o diploma não significa nada, até porque não vai ter emprego para todo mundo. Segundo, que há pessoas que são demasiado burras para estar na universidade."
E o que isso tem a ver com supervalorizar a educação universitária? Por essa lógica, dinheiro é supervalorizado: nem todo mundo pode ser um milionário e há pessoas que são muito burras/ preguiçosas/azaradas/prejudicadas para ganhar dinheiro.

Anônimo disse...

O que é necessário é ter pulso firme. Logo depois da Grande Revolução de Outubro, houve experiências pedagógicas desastrosas bem parecidas com o que hoje passa por educação no Ocidente. Stalin colocou ordem na bagunça, eliminou o analfabetismo e fez com que a URSS tivesse, como afirmou o autor burguês John Gunther, uma educaçãouniversitária superior à americana. Se alguém arrebentasse a cara desses intelectuais, os problemas da educação estariam resolvidos no Brasil.
Tiago

Anônimo disse...

Freqüentar uma Universidade (ou faculdade) é visto como um direito inalienável. Faz parte do direito à educação, cravado na Constituição, dizem.
Não é bem por ai.
Freqüenta-la é um privilégio, que só os mais aptos, os mais bem preparados, deveriam ter acesso. Universidade é um lugar para a formação de uma elite intelectual, formação de líderes, de pessoas capazes de levar desenvolvimento para suas áreas de atuação.
Por isso que acho essa história de cotas uma grande bobagem, um grande engôdo.
seria muito mais interessante que tivéssemos um ensino básico (1º e 2º graus) e técnico de qualidade, do que um monte de universitários de 2ª ou 3ª linhas. Por que as faculdades que existem por ai ... Quanta porcaria.
Ale

DD disse...

Bem, eu fiz Letras.

[Espaço para risadas.]

Uma perda de tempo colossal. À minha disposição, ao menos, havia uma biblioteca bastante razoável.

Da minha experiência, digo que o pessoal mais ligado às áreas de Filologia e Letras Clássicas ainda conserva um pouco de vergonha na cara e algum respeito pelo que estuda. São raros, mas estão lá. O resto está lá para fazer proselitismo político, ascender na carreira burocrática, ostentar melancolia, arranjar um passeio pela Europa, fumar maconha ou redigir mais um enfadonho mestrado sobre Garelice Introspector. Sem falar, é claro, nos loucos de hospício.

Passei uma temporada no curso de Filosofia e pareceu-me que, por lá, as coisas eram ainda piores. As antas de lá eram muito mais presunçosas. O pessoal de Letras, ao menos, sabe que é loser e irrecuperável.

A salvação está nos grupos de estudo.

Mr X disse...

"URSS tivesse... uma educaçãouniversitária superior à americana"

É Tiago, deve ser por isso que todos os que tinham meios estavam indo estudar em Moscou, e não em Harvard, Yale, Columbia...

Está certo que hoje também a universidade americana está em crise, mas, décadas atrás, era inegavelmente a melhor do mundo.

Anônimo disse...

Tem aquela velha piada: O sujeito foi pra Cuba e tarde da noite sem ter o que fazer, solitário, foi dar uma volta, encontrou uma garota de programa e levou pro quarto. Depois do fato consumado, conversando com a menina, se espantou que a mesma era forma em física, mas como pagavam muito pouco a um professor de fisica resolver ser garota de programa e que todas as suas "colegas" tinham nível superior, mas pelos mesmos motivos viraram puta.
De volta ao Brasil, numa conversa com vários "cumpanheiros" contou a história. Indignados, a petralhada vociferou: Estais enganado, o sucesso de Cuba é tão grande que até as putas tem nível superior!

Didi Iashin disse...

Posso estar alimentando o troll, mas ...
Será que o Tiago entende, realmente, o que escreve? Para ele, um troço chamado REALIDADE não existe. Definitivo: ele vive no mundo de Avatar.

Anônimo disse...

Stalin transformou um país pobre agrícola e ignorante em uma superpotência econômica, industrial e científica (o primeiro país a lançar um satélite artificial e o primeiro a colocar um homem em órbita!). Mas a URSS não estava interessada em favorecer os exploradores do Ocidente, ela, na verdade, preferia ajudar os oprimidos através da Universidade de Amizade dos Povos.
O autor burguês americano John Gunther visitou as escolas soviéticas e admitiu que os universitários soviéticos comuns sabiam mais matemática que o exigido para se ingressar no famoso MIT americano. O rigor e o sucesso do ensino de ciências na URSS é inegável. Vivam os trabalhadores!
Tiago

Chesterton disse...

volto a afirmar com todas letras, Tiago é Josef Mario, grande gozador.

Rolando disse...

Para constar:

algum conhecimento eu obtive na universidade. Pode ser que também tenha sido um mero amadurecimento produzido pelo avanço da idade. Mas de fato, em quatro anos de curso, eu vi muito "enrolation embromation". Dava para passar de 4 para 3 anos sem perder nenhuma matéria. Tenho colegas formados em direito e dizem a mesma coisa: 5 anos é pura enganação. Tem professores bons, daqueles que deixam o livre-arbítrio de aprender ou não para você, mas tem também muito professor zé ruela e preguiçoso. Juro que na escola tive professores muito melhores. E, embora felizmente não fossem todos, tinha um ou outro doutrinador (marxista, em linguagem clara). Mas era fácil: na prova desancava o capitalismo, elite, mídia, governantes que não da esquerda, e a nota alta estava garantida. Mas por incrível que pareça, tive uma professora de sociologia que, embora nos enfiou muito de Escola de Frankfurt, era abertamente não-petista. E com ela tive de ler o Capital e expor trabalho sobre Marx com a maior liberdade. Outro colega, mauricinho mas comunista de butique, também pôde expor sob a ótica dele sem nenhum problema.
O importante para ela era você ler, entender e elaborar sua própria crítica, não repetir como papagaio o que a pelegada gosta de ouvir.

E quero deixar claro que não vejo nenhum problema a pessoa ser formada em Letras, nem ter a mesma formação que eu. O que eu não suporto é o corporativismo profissional. Do tipo "só vale se tiver diploma na área". Fui tido como grande traidor na faculdade ao defender a não-obrigatoriedade do diploma em minha área (e em quase todas as outras, incluindo direito). Mas dá um desânimo quando converso com alguém e ele logo reclama que o Congresso ainda não regulamentou sua profissão. O povo adora regulamentação. Não querem enxergar que a maioria dos profissionais, tanto no Brasil como nos EUA, não segue estritamente sua área de formação. Por isso, volto a insistir que a Universidade tem que resgatar o seu caráter de conhecimento universal, enriquecimento intelectual, tal como foi sua proposta inicial no Renascimento.

E temos que parar de ver curso técnico como coisa de segunda categoria. Por esse preconceito, temos excrecências no Brasil como curso de Serviço Social e Arquivologia na universidade. A sociedade não precisa que meio mundo seja bacharél em direito, engenharia, comunicação ou história.

Rolando disse...

em vez de bacharél, leia-se bacharel.

Desculpem o orgulho preciosista.

Mr X disse...

Pois é Rolando, nesse sentido acho melhor o sistema americano, em que Direito e Business são cursos de Pós-Graduação que duram três anos, e o sujeito pode realizar um curso de graduação (undergraduate) de formação clássica. E ai também se afunila e ficam só os mais inteligentes e estudiosos mesmo.

Aliás, nos EUA na maioria dos cursos o importante é a pós-graduação, que aqui eles a chamam graduation, enquanto o que se chama no Brasil de graduação seria undergraduate nos EUA.

Mas é verdade que aqui nos EUA também tem muita enrolation, especialmente na área de Humanas, onde não faltam nem mesmo Tiagos PhDs elogiando os seus amados Stalins...

Mas na Ciência os EUA ainda mandam, tanto que todos os chineses vêm estudar aqui.

Anônimo disse...

"Mas o problema no Brasil não é a educação universitária, é a educação primária e secundária, cada vez pior e mais ideologizada."
Se você se desse ao fato de consultar os fatos em vez de fazer sua propaganda fascista habitual, perceberia que em todos os testes padronizados os EUA estão entre os piores colocados entre os países desenvolvidos e atrás de um monte de países não-desenvolvidos. Só pela derrubada violenta da ordem existente e da criação de um Estado-de-todo-o-Povo será possível garantir saúde e educação de qualidade para todos os brasileiros.
Tiago

Didi Iashin disse...

Rolando,
a partir do momento em que você tem curso universitário para corretor de imóveis, culinária e turismo (para formar guias turísticos), tem alguma coisa de muito errado no sistema de ensino.
E, convenhamos, bacharel em Sânscrito é algo de se morrer de rir, pois não? Eu escapei da Lingüística. Muita "reflexão" a fazer ... E eu não sou espelho!

Iconoclastas disse...

rola muita supervalorização do diploma mesmo, mas um gabinete deste aqui não nos cairia mal...

Mr X disse...

Tá certo, depende de onde vem o diploma. Não serve de nada se for da Universidade Bolivariana. Já da Escola de Chicago...

H. Dir disse...

DD, gostaria de conhecer seu trabalho sobre o sânscrito. Pergunto, em homenagem ao sujeito que é anônimo e tiago ao mesmo tempo: que fazer?

Anônimo disse...

É, o único sujeito que não usa pseudônimo é anônimo.
Tiago

H. Dir disse...

É, a única palavra que aparece duas vezes no seu textinho é anônimo.

Anônimo disse...

Ela só aparece uma vez, em baixo, porque eu não vou abrir uma conta no Google só para me comunicar com fascistas.
Tiago

DD disse...

H. Dir:

Mande-me um e-mail: libertasarbitrii@yahoo.com.br