A maioria das teorias conspiratórias apresenta alguém - pode ser uma só pessoa, mas em geral é um pequeno grupo - que controla o mundo. Presidentes, ditadores, terroristas: todos são meras marionetes dessa elite de
verdadeiros governantes.
A teoria, a princípio, é interessante e plausível. Quer dizer, alguém acredita mesmo que Barack Obama seja "o homem mais poderoso do
mundo"? É claro que não. Ele está ali porque a elite que o financia entendeu que um homem negro, articulado, Democrata, seria o personagem ideal para o papel de vingador Politicamente Correto. Mas é apenas um papel. Outros o colocaram ali, e podem livrar-se dele quando seja necessário, talvez apresentando um certificado de nascimento escondido em algum cofre.
Outro exemplo: observem a foto abaixo e perguntem-se: mas os sujeitos abaixo não eram inimigos políticos? Não era um de "esquerda" e outro de "direita"? Um da "elite" e outro do "povo"?

Claramente, ambos, hoje aliados, também apenas representaram papéis, meramente papéis. Collor fingiu abraçar a ideologia dominante dos anos 90 (ainda que seu confisco da poupança teria horrorizado Adam Smith). Lula hoje faz o papel de presidente-operário social-democrata "moderado", salvador das classes minoritárias mas com bom-senso econômico (nem uma coisa nem outra é verdadeira, mas o importante é representar o papel). Há quem argumente que ambos presidentes eram e são apenas fantoches da mesma cleptocracia dominante. Note que as figuras de fundo não mudam. No Brasil, as ideologias quase sempre são só disfarces para o roubo. Alguém acredita mesmo que um operário ignorante realmente tome todas as decisões financeiras e políticas da nação?
Em um romance de Kurt Vonnegut, um presidente americano tinha no banco de trás de sua limusine um volante de brinquedo. Era para se lembrar que tudo o que ele podia fazer é
fingir que estava dirigindo, isto é, governando.
Mas, se os presidentes não governam o mundo de fato, ou nem mesmo seus países, então, quem o faz?
A teoria mais popular é que os que governam o mundo são os
banqueiros.
Não acredito muito nisso, mas casos como os da família Fugger ou Rothschild realmente podem dar essa impressão. Os
Fugger, banqueiros alemães desde o fim da Idade Média, e que - atenção! - não eram judeus, mas católicos (embora Jakob Fugger tivesse uma coleção de valiosos manuscritos que incuía antigos textos
hebreus), estiveram financiando grande parte dos eventos do século XVI, inclusive a descoberta da América. Jakob Fugger, através de seu representante Fernando de
Noronha, foi o primeiro indivíduo a investir no Brasil. Jakob Fugger teve tanta fortuna e poder que era conhecido em algumas nações apenas como "O Rico". Abaixo o vemos em pintura de Albrecht Dürer:

Os Fugger foram poderosos, mas mesmo seu poder tinha limites. Como todos os indivíduos humanos, tiveram seu apogeu e decadência. Os Rothschild
também. Hoje são apenas
sombra do que foram.
Será que os banqueiros são também marionetes de outras forças? Ou estabelecem uma relação simbiótica com outros poderes, como os líderes políticos e o clero? Nesse caso, teríamos três formas de poder (o político, o financeiro e o religioso/ideológico), que muitas vezes coincidem entre si nos objetivos, mas
nem sempre. Seriam tais desacordos que fazem mover o mundo.
Outra teoria popular é que os verdadeiros governantes são os
maçons. De fato, tal organização esteve presente não apenas fundação da América, como em grande parte dos eventos mundiais, e mesmo em eventos brasileiros como a Independência ou a Revolução
Farroupilha. Um número considerável de líderes mundiais foi membro da maçonaria. Mas, e daí? Isso realmente quer dizer alguma coisa? Grande parte dos líderes mundiais também era fã do
xadrez. E se tudo o que ocorre no mundo fosse na verdade uma
conspiração mundial de enxadristas?
Talvez a primeira pergunta que temos que nos fazer é: o mundo é mesmo governado,
ou não? Antes de afirmarmos que há uma pequena elite que está por trás de todos os grandes eventos, devemos considerar a teoria de que
não haja ninguém em especial, ou ao menos
ninguém com controle total. Há diversas forças e influências que combatem entre si. Há grupos poderosos que têm, de fato, enorme influência, mas nem sempre conseguem ter seus desejos atendidos.
Essa parece-me a teoria mais correta. O mundo é caótico. A vida é caos. E nós, meros plebeus sem qualquer poder político ou econômico, somos apenas espectadores, pequenos vermes que mal conseguimos governar nossas próprias vidas enquanto rastejamos por este Vale de Lágrimas.