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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Devem os ricos pagar mais impostos?

Chega de falar sobre imigração, raça, cultura, decadência européia e todos esses temas que me deprimem profundamente. Vamos falar de um tema sobre o qual todos concordam: impostos. Todo mundo, até o Noam Chomsky, gostaria de pagar menos impostos, certo?

Bem, aparentemente, nem todos. O bilionário socialista Warren Buffet diz que quer pagar mais impostos e que acha que todos os bilionários deveriam fazer o mesmo. Os apenas milionários também entraram na onda e apoiam os projetos de Obama para aumentar os impostos sobre os ricos (e os nem tão ricos).

Bem, nada impede que eles doem toda a sua fortuna ao governo Obama, se assim quiserem, mas porque essa ênfase em uma mudança da lei? 

Há ainda um estereótipo que vê os ricaços americanos como sendo sagazes capitalistas, conservadores e fãs de Ayn Rand, mas isso está bem longe da verdade. O fato é que hoje a grande maioria dos bilionários, de Al Gore a Bill Gates, são socialistas, Democratas e estatistas. Por que isso ocorre? Essas pessoas não dão ponto sem nó, portanto deve haver uma grande vantagem em ser estatista. Provavelmente, ajuda a limitar o surgimento de possíveis concorrentes. Se você está no topo, você não quer mais competição, certo? 

Mas o que o povo acha de tudo isso? Políticos populistas querem nos fazer acreditar que os mais pobres querem sempre mais impostos sobre os ricos, mas isso não é sempre verdade.

Um artigo muito interessante da Economist, ao qual eu já fiz alusão no post anterior, fala sobre essa questão. A tendência era achar que o cidadão de classe média quer menos impostos aos ricos pois sonha em um dia ser rico também; quanto mais impostos aos mais ricos, menos estímulo tem o cidadão de classe média a se esforçar mais e subir de vida. Isso faz sentido, mas talvez essa não seja toda a verdade. O artigo descreve um curioso experimento que foi realizado por estudiosos:  

Os autores realizaram uma série de experimentos onde estudantes receberam aleatoriamente somas de dinheiro, separadas por 1 dólar, e informaram sobre a "redistribuição de renda" que se seguiria. Então cada um recebeu mais 2 dólares, que eles deveriam dar seja à pessoa diretamente acima deles, seja à pessoa diretamente abaixo deles na "classe social". Em concordância com a teoria da "aversão ao último lugar", as pessoas que estavam a um degrau da classe mais baixa eram as mais propensas a darem o dinheiro às pessoas acima delas: recompensando os "ricos" mas garantindo que ao menos alguns continuassem mais pobres do que eles.  

Segundo o estudo, portanto, não é que as pessoas necessariamente imaginem que um dia serão ricas, o que não querem é estar entre os mais pobres dos pobres, querem sempre ter alguém abaixo de si. Coisas da natureza humana. 

O que fazer? Pessoalmente, e nesse ponto concordo com o Ron Paul, sou a favor da abolição do imposto de renda, e que o único imposto existente seja sobre as vendas, de modo que os ricos (ou aqueles que consumem mais) pagarão de acordo com o que consomem, sem burocracias e sem firulas. É claro que com essa medida advogados, contadores e milhões de burocratas perderiam seus empregos, sem contar que o Estado diminuiria de tamanho e se intrometeria menos na privacidade do indivíduo, e portanto tal medida é inadmissível.


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Eleições, mentiras e videotape

Ia parar de blogar por um tempo, mas um post do ressuscitado Fábio Marton no Not Tupy me inspirou. É sobre a necessidade da mentira na democracia. Será que democracia sempre implica em demagogia? Talvez seja um dos males deste sistema que é o pior com exceção de todos os outros. Como o político depende do voto do povo, precisa se disfarçar de Zé Povinho, mesmo que esteja muito distante físicamente, espiritualmente e financeiramente deste. Marton discute especialmente a questão do aborto, sobre a qual ambos candidatos precisam mentir para não desagradar 70% do eleitorado, mas esta é apenas a mentira mais óbvia. Um tema mais interessante é a questão do uso do dinheiro público. 

Há eleições em breve nos EUA e no Brasil, e o contraste entre os dois países não poderia ser mais grotesco. Nos EUA, há eleições parlamentares nas quais os Republicanos perigam ganhar em uma lavada histórica. Há uma atmosfera muito grande de rejeição aos Democratas estatistas, à gastança excessiva e ao elitismo dos políticos em geral. Já no Brasil, o grande vencedor entre os deputados foi Tiririca, que prova que "o grande mérito no Brasil é subir na vida sem ter mérito algum", e a eleição no segundo turno é entre dois candidatos estatistas, que lutam para decidir qual é mais contrário às privatizações. (Um dos poucos políticos que defende as privatizações, curiosamente, é o ex-comunista Roberto Freire, presidente de um partido que se declara "Popular Socialista").

Dilma mente sobre o aborto: mente também Serra quando diz que não irá privatizar? (Mas temo que Serra não minta, que seja mesmo contrário à privatização). Se eu sou contrário ao aborto e a favor das privatizações, deveria considerar a primeira uma mentira danosa e a segunda uma mentirinha válida? Não. Do ponto de vista dos princípios, seria melhor que ambos candidatos, em vez de tentar se acomodar ao desejo do público, tentassem convencer o eleitorado da validade de suas próprias idéias, que são as que colocarão em prática no final.

Tanto nos EUA quanto no Brasil, é patente a busca de identificação do candidato com o povo: o que muda é que, nos EUA, o "povo" é a classe média revoltada com a falta de melhoria econômica que quer menos gastança do governo, e no Brasil o povo é a maioria da população que quer mais governo e mais benefícios para si. 

Atire a primeira pedra quem nunca pecou ou recebeu dinheiro do Governo. Muitos criticam o bolsa-família como compra de votos, mas, de fato, não é um saco de farinha ou um auxílio no fim do mês um benefício econômico mais tangível do que vagas promessas de melhoria econômica através do liberalismo?

Todos gostam de receber dinheiro do "governo", isto é, dos impostos. O que incomoda é que outros recebam sem merecer. Mas quem é que define quem merece o quê?

Caiu em minhas mãos, por acaso, um texto de um cineasta e professor universitário declarando-se a favor da Dilma. Seu argumento é que o PT deu dinheiro ao cinema e às universidades. Que, por mera coincidência, constituem o seu ganha-pão. O cineasta é autor de filmes experimentais de "vídeo-arte", tão chatos que só poderiam ser produzidos com dinheiro público mesmo. Mas o sujeito é tão cara-de pau (ou tão esperto) que chegou a realizar um vídeo com dinheiro público no qual mostrava justamente como gastava o dinheiro do prêmio viajando para a Europa e EUA e comendo nos melhores restaurantes. A obra-prima pode ser assistida aqui. A crítica, naturalmente, elogiou:
O que o espectador presencia então é praticamente um homem em sua missão: queimar R$13 mil e fazer um filme deste seu processo. No meio tempo ele cruza o oceano duas vezes, se hospeda em belos hotéis, passeia por Europa e EUA, come do bom e do melhor. Tudo, conforme o logotipo da patrocinadora no início e no final deixa bem claro, às nossas custas. No final da sessão em que eu estive presente, uma mulher levantou revoltada: "Vagabundo! É o meu dinheiro também!"

Desse grito (desejado e conseguido pelo filme) começam as inúmeras e necessárias perguntas que ele levanta: vagabundo por quê? O cineasta fez um filme com o dinheiro do prêmio, que era o que se exigia dele. Apresentou seu resultado final, com a duração pedida, dentro do orçamento proposto. Qual o problema, portanto? Que ele tenha se beneficiado pessoalmente deste dinheiro? Bom, pelo menos nós vimos como ele o fez. Quantos belos jantares e viagens foram pagas nos outros filmes produzidos com este prêmio e nós nem sabemos? Quantas contas de motel? Então, supomos que a revolta não pode ser no campo da ética, já que antiético seria fugir com o dinheiro sem fazer o filme ou escamotear prestações de conta escondendo tais gastos, coisas que Migliorin não fez.
É claro, o cineasta poderia ter sido ainda mais "ético" e devolvido o dinheiro, ou realizado um outro vídeo de protesto pagando do seu próprio bolso, mas isso talvez seria "provocativo" demais: também não devemos exagerar. No fundo, o videoartista não difere muito de tantos outros cineastas brasileiros, que adoram criticar o governo e a sociedade enquanto são financiados por este e esta.

Seria fácil dizer que o eleitor americano é mais politizado e consciente do que o brasileiro, mas não sei se é isso mesmo: eles estão, como todos, apenas defendendo o que é seu. Não querem dividir o dinheiro ganho com seu trabalho com as minorias parasitárias do welfare e com imigrantes ilegais, especialmente em uma época de crise econômica que só foi piorada pelos Democratas. E têm razão. Talvez a diferença seja apenas que essa equação (dinheiro público = dinheiro do contribuinte) ainda não tenha sido compreendida pela maioria dos brasileiros, mesmo os de classe média e alta.


domingo, 9 de maio de 2010

Prosa do domingo

É curioso observar como o seguinte trecho de "Os Bruzundangas", de Lima Barreto, continua atual, provando que o Brasil não evoluiu desde 1908, ou então que o autor tinha raros poderes de previsão futurística.

A República dos Estados Unidos da Bruzundanga tinha, como todas as repúblicas que se prezam, além do presidente e juízes de várias categorias, um Senado e uma Câmara de Deputados. (...)
O país vivia de expedientes, isto é, de cinqüenta em cinqüenta anos, descobria-se nele um produto que ficava sendo a sua riqueza. Os governos taxavam-no a mais não poder, de modo que os países rivais, mais parcimoniosos na decretação de impostos sobre produtos semelhantes, acabavam, na concorrência, por derrotar a Bruzundanga; e, assim, ela fazia morrer a sua riqueza.
Naquele ano, isto há dez anos atrás, surgiu na sua Câmara um deputado que falava muito em assuntos de finanças, orçamentos, impostos diretos e indiretos e outras cousas cabalísticas da ciência de obter dinheiro para o Estado. A sua ciência e saber foram logo muito gabados, pois o Tesouro da Bruzundanga, andando quase sempre vazio, precisava desses mágicos financeiros, para não se esvaziar de todo. Chamava-se o deputado Felixhimino Ben Karpatoso. Se era advogado, médico, engenheiro ou mesmo dentista, não se sabia bem; mas todos tratavam-no de doutor. O doutor Karpatoso tinha uma erudição sólida e própria em matéria de finanças. Não citava Leroy-Beaulieu absolutamente. Os seus autores prediletos eram o russo-polaco Ladislau Poniatwsky, o australiano Gordon O'Neill, o chinês Ma-Fi-Fu, o americano William Farthing e, sobretudo, o doutor Caracoles y Mientras, da Universidade de Caracas.(...)
Para o orçamento de 1908, o doutor Karpatoso escreveu o seguinte trecho profundo: "Os governos não devem pedir às populações que dirigem, em matéria de impostos, mais do que elas possam dar, afirma Ladislau Poniatwsky. A nossa população é em geral pobríssima e nós não devemos sobrecarregá-la fiscalmente". Não impediu isto que ele propusesse o aumento da taxa sobre o bacalhau da Noruega, pretextando haver produtos similares nas costas do país.
No orçamento do ano seguinte, ainda como relator da receita, ele dizia: "É missão dos governos modernos, em países de fraca iniciativa individual (o nosso o é), fomentar o aparecimento de riquezas novas, no dizer de Gordon O'Neill. A província das Jazidas, segundo um sábio professor francês, é um coração de ouro sob um peito de ferro. O pico de Ytabhira, etc.". E lembrava à Câmara que indicasse medidas práticas para o aproveitamento do ouro e do ferro da província das Jazidas. A Câmara e o Senado ouviram-no e votaram algumas centenas de contos para uma comissão que estudasse o meio prático de aproveitar o ferro da rica província central. A comissão foi nomeada, montaram o escritório de pesquisas na capital, em lugar semelhante ao Largo da Carioca, e o pico de Ytabhira ficou intacto.
A fama do doutor Karpatoso subia e a sua elegância também. Fez uma viagem à Europa, para estudar o mecanismo financeiro dos países do Velho Mundo. Voltou de lá naturalmente mais sábio; o que, porém, ele trouxe de fato, nas malas, e foi verificado pelos elegantes do país, foram fatos, botas, chapéus, bengalas (...) e foi tido como o parlamentar mais chic do Congresso Nacional.

Lima Barreto (1881-1922)

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A explicação



Por que Obama ganhou? Simples, segundo Mark Steyn. Hoje em dia quase metade da população americana (43%) não paga imposto de renda e é portanto sustentada pela outra metade que paga impostos cada vez mais altos.

Essa metade parasitária (mais alguns esperançosos de entrar nela também) votou em Barack Obama.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Perguntas cretinas em busca de respostas imbecis

É justo tirar de A, rico que trabalha, para dar a B, pobre desempregado? Não estaríamos dessa forma incentivando A a trabalhar menos e B a continuar desempregado?

É justo que A, que tem mais, pague mais do que B pelos mesmos serviços (água, luz, telefone, escola, etc)?

Se A, B, C e D tomam cerveja no bar, deve-se calcular a conta: pela quantidade que cada um bebeu, dividindo o total em partes iguais, ou de acordo com o quanto cada um ganha por mês?

Se E cresce cada vez mais tirando proporcionalmente de A, B, C e D e fica com o bolo de dinheiro para redistribuí-lo, cobrando ainda uma comissão para fazer isso, será que E é realmente neutro nesta história?

Se E tira de A para dar a B até que A vira B, de onde vai surgir o novo A que vai alimentar os dois novos Bs?

* * *

Em eventos relacionados, o economista Greg Mankiw avalia o plano de impostos dos dois candidatos e explica porque o plano de O. o faria trabalhar menos e ficar mais tempo com seus filhos.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

CPMF, CSS, PQP...

Ontem foi aprovada no Brasil a nova CPMF, agora chamada de "CSS", ou "Contribuição Social para a Saúde". Sei.

Se eu não soubesse que fazem parte da mesma organização política, juraria que tinha sido combinado: foi mais ao menos o mesmo tempo em que a Cristina Kirchner anunciou em Buenos Aires que os pesados novos impostos ao campo seriam utilizados para "construir novos hospitais e financiar programas sociais".

Há quem acredite.

Há quem acredite em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa também.