Uma das coisas mais irritantes do progressismo é que não quer apenas mudar o futuro, mas também reformar o passado. Os tempos anteriores são assim medidos com a régua dos supostamente iluminados tempos atuais, nos quais teríamos chegado a uma melhor compreensão do mundo. Mal sabem esses idiotas que, daqui a cem anos, é o progressismo que será examinado por futuros arqueólogos como uma estranha aberração mental que (quase) levou o Ocidente à perdição.
Por exemplo, uma organização esquerdista italiana filiada à ONU publicou um artigo de uma certa Valentina Sereni querendo tirar Dante das escolas italianas, afirmando que a Divina Comédia é antisemita, homofóbica e islamofóbica. Será que é mesmo? Bem, Maomé, fundador do islamismo, aparece num dos últimos cantos do Inferno com seu ventre aberto de cima a baixo e torturado por demônios. As cúpulas da cidade infernal de Dite são chamadas de mesquitas. Quanto aos judeus, também são jogados nas chamas acusados de praticar usura. Já os sodomitas vão para o sétimo círculo do inferno -- seu pecado é considerado pior do que o assassinato.
Mas é inútil catalogar essas descrições dantescas com a linguagem politicamente correta de hoje em dia. Pela mesma medida, Dante poderia ser acusado de papófobo, já que coloca mais de um Papa no Inferno. Honestamente, esses idiotas deveriam é preocupar-se com a queda na qualidade da educação. É pouco provável que o italiano médio de hoje em dia sequer consiga ler a Divina Comédia.
O mesmo ocorreu no Brasil com Monteiro Lobato, recentemente acusado de racista. Não entendi porque, já que, do que eu lembro, Tia Nastácia era apresentada positivamente. Talvez, para essas pessoas, politicamente corretas e educativas são as letras de funk ou de rap...
Nem a Bíblia escapou dessa ânsia positivamente soviética de reescrever -- há uma tradução atual na qual Deus é chamado de Ele/Ela...
Na verdade, eu acho que os autores do passado sabiam mais das coisas do que os modernosos imbecis, com sua suposta superioridade moral. Aliás, pecado de soberba. Que ardam no Inferno!
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quarta-feira, 14 de março de 2012
sábado, 29 de outubro de 2011
Compre o livro do Blog do Mr X!
Está à venda na Amazon e na loja online do Create Space um livro com o melhor do Blog do Mr. X!
Ué! Por que comprar algo que é grátis online? Dez razões:
1) É um ótimo presente para dar para alguém que se quer bem. Afinal, você não pode dar um blog de presente, certo? E o Natal está quase chegando aí.
2) É um ótimo presente para dar aos inimigos, especialmente aquele seu vizinho petista safado. E já estamos no dia das bruxas.
3) É uma concentração do melhor do blog. Ao longo do tempo escrevi alguns textos que alguns talvez julguem interessantes, mas também escrevi muita bosta. O livro tem uma coletânea apenas dos melhores textos, editados para maior clareza. Tem até alguns textos inéditos, jamais publicados aqui!
4) Pode-se ler na privada ou na praia, locais onde é meio complicado utilizar o notebook ou mesmo o iPad.
5) Pode-se não ler, mas simplesmente colocar o livro na estante ou na mesa da sala para impressionar as visitas e escandalizar os parentes. Modéstia à parte, a capa ficou bem bacana.
6) Você estará ajudando o dono do blog a continuar. Convenhamos, não vou fazer isto pra sempre. O Adsense do Google não dá dinheiro algum. Porém, se cada um dos leitores comprar um livro (ou mais, para dar aos amigos, vizinhos, alunos...), garante-se o leitinho das crianças, e o blog talvez continue por mais algum tempo.
7) O livro não tem o Augusto Nascimento nem a Bárbara nem o Tiago nem nenhum troll ou mesmo comentarista. Tá, na verdade esse é um aspecto negativo. Até pensei em incluir os melhores comentários no livro, mas ia dar muito trabalho.
8) Você estará colaborando com o self-publishing, movimento que coloca o autor diretamente em controle do material.
9) É uma oferta por tempo limitado; o livro é uma edição comemorativa que vai ficar disponível apenas por alguns meses. Amanhã você pode não ter essa chance!
10) O preço é baratinho: apenas 25 dólares. Tá bom, é uma facada. Mas não é diferente do preço dos lançamentos literários no Brasil. É o mesmo preço do livro do Chico Buarque em reais. Tem que pagar o frete, mas livro não paga imposto!
P. S. A Amazon é mais conhecida, mas se você comprar no site do Create Space (que também faz parte do grupo Amazon) eu ganho mais royalties. Mas você tem que se registrar no site antes de comprar.
P.S.2. Sim, vai ter uma edição pro Kindle, mas ainda não está disponível. Provavelmente daqui a um mês. Aviso quando sair. Livro em papel é ultrapassado, já?
Ué! Por que comprar algo que é grátis online? Dez razões:
1) É um ótimo presente para dar para alguém que se quer bem. Afinal, você não pode dar um blog de presente, certo? E o Natal está quase chegando aí.
2) É um ótimo presente para dar aos inimigos, especialmente aquele seu vizinho petista safado. E já estamos no dia das bruxas.
3) É uma concentração do melhor do blog. Ao longo do tempo escrevi alguns textos que alguns talvez julguem interessantes, mas também escrevi muita bosta. O livro tem uma coletânea apenas dos melhores textos, editados para maior clareza. Tem até alguns textos inéditos, jamais publicados aqui!
4) Pode-se ler na privada ou na praia, locais onde é meio complicado utilizar o notebook ou mesmo o iPad.
5) Pode-se não ler, mas simplesmente colocar o livro na estante ou na mesa da sala para impressionar as visitas e escandalizar os parentes. Modéstia à parte, a capa ficou bem bacana.
6) Você estará ajudando o dono do blog a continuar. Convenhamos, não vou fazer isto pra sempre. O Adsense do Google não dá dinheiro algum. Porém, se cada um dos leitores comprar um livro (ou mais, para dar aos amigos, vizinhos, alunos...), garante-se o leitinho das crianças, e o blog talvez continue por mais algum tempo.
7) O livro não tem o Augusto Nascimento nem a Bárbara nem o Tiago nem nenhum troll ou mesmo comentarista. Tá, na verdade esse é um aspecto negativo. Até pensei em incluir os melhores comentários no livro, mas ia dar muito trabalho.
8) Você estará colaborando com o self-publishing, movimento que coloca o autor diretamente em controle do material.
9) É uma oferta por tempo limitado; o livro é uma edição comemorativa que vai ficar disponível apenas por alguns meses. Amanhã você pode não ter essa chance!
10) O preço é baratinho: apenas 25 dólares. Tá bom, é uma facada. Mas não é diferente do preço dos lançamentos literários no Brasil. É o mesmo preço do livro do Chico Buarque em reais. Tem que pagar o frete, mas livro não paga imposto!
P. S. A Amazon é mais conhecida, mas se você comprar no site do Create Space (que também faz parte do grupo Amazon) eu ganho mais royalties. Mas você tem que se registrar no site antes de comprar.
P.S.2. Sim, vai ter uma edição pro Kindle, mas ainda não está disponível. Provavelmente daqui a um mês. Aviso quando sair. Livro em papel é ultrapassado, já?
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sábado, 15 de outubro de 2011
Machado de Assis era branco ou negro?
Machado de Assis era branco ou negro? Um polêmico comercial levantou de novo a questão. A primeira versão do comercial, com um branco de aparência claramente européia no papel do escritor, foi duramente criticada por muitos espectadores, que acusaram o comercial de "racista", já que Machado era mulato.
Em seguida, o governo brasileiro entrou em ação mais uma vez (parece que a especialidade do governo Dilma é a propaganda!). Sob pressão do público e da Secretaria da Igualdade Racial, o comercial foi retirado e substituído por um outro em que o velho Machadão é interpretado por um ator mais escuro do que o Muçum. Se foi um erro colocar Machado no comercial como caucasiano, também acho que o segundo ator foi uma escolha equivocada, que acentua demais a cor da pele. Era tão difícil encontrar um mulato claro que atuasse decentemente?
Confesso: na escola, para mim, Machado sempre tinha sido "branco", ou, ao menos, ninguém tinha chamado a atenção para a sua composição racial. Essa moda começou bem depois, quando eu já estava na universidade e o "politicamente correto" funcionava a todo vapor. Era então necessário chamar a atenção para a raça dos escritores, talvez até mais do que para a sua literatura. (Pergunto-me se algum desses críticos leu algum livro do Machado. Será que a própria secretária de inclusão racial já o leu?)
Machado de Assis era português por parte da mãe (50% branco), e seu pai era pelo menos metade branco, se não mais. Digamos que fosse meio-meio, o que daria 25% para Machado de Assis. Portanto, Machado de Assis era ao menos 75% branco, talvez um pouco mais, talvez um pouco menos, já que não sabemos muito sobre o seu pai. Isso importa? Provavelmente não. Gênio é gênio e é raro em qualquer raça ou país. Abaixo está a foto de Machado de Assis que encontrei na qual ele parece mais "afro". Se não poderia ser confundido com o Pelé, tampouco é europeu.
O curioso é o seguinte: embora a sociedade do período fosse mais "racista", isto é, acreditasse abertamente em diferenças raciais (leiam "Os Sertões", por exemplo, ou Silvio Romero), Machado de Assis chegou ao topo da sociedade de seu tempo. Autodidata e pobre, subiu na vida por seu próprio esforço e tornou-se um homem extremamente bem-sucedido, um intelectual reconhecido e celebrado por todos, podemos mesmo dizer que um membro da elite (ao menos intelectual) do período.
Paradoxalmente, hoje ninguém o faria esquecer que era "negro". Estudaria pelo sistema de cotas ou seria convidado a morar em um quilombo. Talvez, ao invés de escrever romances inspirados no melhor da literatura inglesa e francesa do período, se dedicasse a criar letras de funk e rap (inspirado no que se faz nos EUA, é claro).
Talvez o verdadeiro problema então seja mesmo a incrível decadência dos ideais e da cultura brasileira (e mundial, pois somos apenas macaquitos copiões). Na época havia outros talentosos escritores mestiços: Lima Barreto, Mario de Andrade, Cruz e Sousa. Hoje, o que temos?
Mesmo se ficarmos na cultura popular, até há poucas décadas tínhamos pessoas como o Cartola, sambista que apesar da baixa instrução escreveu letras sentimentais primorosas (outro exemplo seria o Lupicínio Rodrigues). Hoje? O grande sucesso no Brasil das classes baixas e nem tão baixas é uma canção que, pelo que entendo, se chama "Dou o c* até de cabeça para baixo". Tem inclusive uma dança associada, como se pode ver no vídeo, que ainda celebra a harmonia multiracial políticamente correta, com uma garota branca e outra japonesa realizando a "performance". É o Brasil atual!
Dentro do seu túmulo, Brás Cubas sorri feliz: "Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria!"
Em seguida, o governo brasileiro entrou em ação mais uma vez (parece que a especialidade do governo Dilma é a propaganda!). Sob pressão do público e da Secretaria da Igualdade Racial, o comercial foi retirado e substituído por um outro em que o velho Machadão é interpretado por um ator mais escuro do que o Muçum. Se foi um erro colocar Machado no comercial como caucasiano, também acho que o segundo ator foi uma escolha equivocada, que acentua demais a cor da pele. Era tão difícil encontrar um mulato claro que atuasse decentemente?
Confesso: na escola, para mim, Machado sempre tinha sido "branco", ou, ao menos, ninguém tinha chamado a atenção para a sua composição racial. Essa moda começou bem depois, quando eu já estava na universidade e o "politicamente correto" funcionava a todo vapor. Era então necessário chamar a atenção para a raça dos escritores, talvez até mais do que para a sua literatura. (Pergunto-me se algum desses críticos leu algum livro do Machado. Será que a própria secretária de inclusão racial já o leu?)
Machado de Assis era português por parte da mãe (50% branco), e seu pai era pelo menos metade branco, se não mais. Digamos que fosse meio-meio, o que daria 25% para Machado de Assis. Portanto, Machado de Assis era ao menos 75% branco, talvez um pouco mais, talvez um pouco menos, já que não sabemos muito sobre o seu pai. Isso importa? Provavelmente não. Gênio é gênio e é raro em qualquer raça ou país. Abaixo está a foto de Machado de Assis que encontrei na qual ele parece mais "afro". Se não poderia ser confundido com o Pelé, tampouco é europeu.
O curioso é o seguinte: embora a sociedade do período fosse mais "racista", isto é, acreditasse abertamente em diferenças raciais (leiam "Os Sertões", por exemplo, ou Silvio Romero), Machado de Assis chegou ao topo da sociedade de seu tempo. Autodidata e pobre, subiu na vida por seu próprio esforço e tornou-se um homem extremamente bem-sucedido, um intelectual reconhecido e celebrado por todos, podemos mesmo dizer que um membro da elite (ao menos intelectual) do período.
Paradoxalmente, hoje ninguém o faria esquecer que era "negro". Estudaria pelo sistema de cotas ou seria convidado a morar em um quilombo. Talvez, ao invés de escrever romances inspirados no melhor da literatura inglesa e francesa do período, se dedicasse a criar letras de funk e rap (inspirado no que se faz nos EUA, é claro).
Talvez o verdadeiro problema então seja mesmo a incrível decadência dos ideais e da cultura brasileira (e mundial, pois somos apenas macaquitos copiões). Na época havia outros talentosos escritores mestiços: Lima Barreto, Mario de Andrade, Cruz e Sousa. Hoje, o que temos?
Mesmo se ficarmos na cultura popular, até há poucas décadas tínhamos pessoas como o Cartola, sambista que apesar da baixa instrução escreveu letras sentimentais primorosas (outro exemplo seria o Lupicínio Rodrigues). Hoje? O grande sucesso no Brasil das classes baixas e nem tão baixas é uma canção que, pelo que entendo, se chama "Dou o c* até de cabeça para baixo". Tem inclusive uma dança associada, como se pode ver no vídeo, que ainda celebra a harmonia multiracial políticamente correta, com uma garota branca e outra japonesa realizando a "performance". É o Brasil atual!
Dentro do seu túmulo, Brás Cubas sorri feliz: "Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria!"
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terça-feira, 30 de novembro de 2010
Leite derramado
Uma mera curiosidade: alguém aí experimentou o leite derramado pelo Chico Buarque?
Confesso que li Estorvo e Budapeste. Do primeiro não gostei. (Depois ainda assisti o filme, que é pior ainda.) Budapeste era mais interessante, embora pouco memorável, tanto que nem lembro da trama. Porém, não era ruim.
Leite derramado, no entanto, pelo título e pela descrição não me impressionou muito. Velho moribundo de uma elite em decadência... Cronologia desordenada... Revisão da história do Brasil... Sei lá, tudo tem um ar de já visto -- e já feito melhor. Das críticas que li, esta aqui me parece a mais equilibrada, colocando tudo no seu contexto.
Entretanto, não vejo muito motivo na polêmica sobre o Jabuti. É, de fato, um pouco estranho o método de escolha do vencedor, mas se o regulamento é assim, paciência. As pessoas já deviam saber quando inscreveram.
É verdade que muitos também reclamam que o prêmio dado a Chico Buarque (e não só o Jabuti, como também o Portugal Telecom) tenha sido político. Com certeza -- só que grande parte dos prêmios literários tem algum motivo político por trás. Mesmo - ou especialmente - o Nobel.
Pessoalmente, não entendo essa mentalidade. É como se os jurados estivessem dizendo que escrever bem não é suficiente, que o escritor deve também ter algum tipo de posicionamento político engajado... Bobagem. Boa literatura e política raramente se misturam. Shakespeare e Homero eram de direita ou de esquerda? Pouco importa.
E então, alguém leu?
Confesso que li Estorvo e Budapeste. Do primeiro não gostei. (Depois ainda assisti o filme, que é pior ainda.) Budapeste era mais interessante, embora pouco memorável, tanto que nem lembro da trama. Porém, não era ruim.
Leite derramado, no entanto, pelo título e pela descrição não me impressionou muito. Velho moribundo de uma elite em decadência... Cronologia desordenada... Revisão da história do Brasil... Sei lá, tudo tem um ar de já visto -- e já feito melhor. Das críticas que li, esta aqui me parece a mais equilibrada, colocando tudo no seu contexto.
Entretanto, não vejo muito motivo na polêmica sobre o Jabuti. É, de fato, um pouco estranho o método de escolha do vencedor, mas se o regulamento é assim, paciência. As pessoas já deviam saber quando inscreveram.
É verdade que muitos também reclamam que o prêmio dado a Chico Buarque (e não só o Jabuti, como também o Portugal Telecom) tenha sido político. Com certeza -- só que grande parte dos prêmios literários tem algum motivo político por trás. Mesmo - ou especialmente - o Nobel.
Pessoalmente, não entendo essa mentalidade. É como se os jurados estivessem dizendo que escrever bem não é suficiente, que o escritor deve também ter algum tipo de posicionamento político engajado... Bobagem. Boa literatura e política raramente se misturam. Shakespeare e Homero eram de direita ou de esquerda? Pouco importa.
E então, alguém leu?
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terça-feira, 4 de agosto de 2009
Telescreen
Em post anterior, parecíamos ter concluído que Huxley teria acertado mais do que Orwell. No entanto, o que dizer desta notícia, segundo a qual o governo da Inglaterra vai instalar câmeras de circuito fechado dentro das residências de milhares de "famílias-problema", para verificar que não briguem, façam exercício, comam saudavelmente e que as crianças façam seus deveres?
O Governo é como o escorpião da fábula, meter-se cada vez mais na vida privada faz parte da sua Natureza. É dever do cidadão de bem resistir e dizer "chega".
O Governo é como o escorpião da fábula, meter-se cada vez mais na vida privada faz parte da sua Natureza. É dever do cidadão de bem resistir e dizer "chega".
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sábado, 1 de agosto de 2009
"1984" versus "Brave New World"
George Orwell ou Aldous Huxley, quem acertou mais? (clique na figura para ampliar.) Ou, para uma comparação mais elaborada entre as duas obras e seus acertos e erros, leia o artigo do Theo a respeito.
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sábado, 6 de junho de 2009
Mr. Casmurro
Não é para copiar o Not Tupy não, mas estou entrando em depressão, e corro o sério risco de virar um Dom Casmurro da blogosfera. Não, não é por causa da Capitu, essa vadia ordinária que me trocou por um Escobar comunista, ecologista, vegetariano, metrossexual e islâmico. É por culpa da estupidez humana mesmo.
As reações exaltadas a qualquer discurso de Obama, por exemplo, me parecem esdrúxulas, aberrantes. A revista Time chama Obama de profeta e diz que seu discurso no Cairo foi o mais importante jamais feito na História. A Newsweek vai ainda mais longe e afirma que Obama é Deus.
Confesso que essa simbologia religiosa me preocupa um pouco, me faz lembrar um culto suicida. E se Obama mandar eles tomarem cianureto, será que tomam?
Obama parece estar em permanente campanha: promessas de paz, promessas de um mundo sem armas atômicas, promessas de resolução de problemas econômicos. Todas as suas realizações estão no futuro.
Obama é um excelente vendedor de enciclopédias, isso é verdade. Fala uma coisa a um e outra, oposta, a outro. Um dia é "bushista" e no outro "marxista", pró-árabe no Egito e pró-judeu em Jerusalém, mas não importa o que ele fala, o importante é que todos comprem a enciclopédia.
Ou talvez a melhor comparação seja a que fiz um outro dia aqui no blog: Obama é um pastor da Igreja Universal. Ele fala, promete o Paraíso, e encanta a todos os fiéis. Mas o Paraíso sonhado nunca chega e, enquanto isso, dá-lhe cobrar dízimo, isto é, imposto.
Mas Obama nem é o problema. Ele não existiria sem seus mentores e sem o povo que o elegeu. Ele é apenas o sintoma maior de uma coisa que não sei definir bem. Uma futilidade, uma ignorância, uma superficialidade imensa que parece ter tomado conta do mundo ou, ao menos, do que chamamos até agora de mundo ocidental. É como se quiséssemos voluntariamente ignorar toda a História do planeta até aqui, e achar que de agora em diante irão valer novas regras, recém-inventadas. "Vamos importar milhões de muçulmanos para a Europa e sustentá-los com dinheiro estatal. Vamos legalizar o casamento gay, a poligamia e o incesto. Vamos imprimir mais dinheiro para pagar as dívidas. Vamos soltar psicopatas nas ruas após poucos meses de prisão. Vamos liberar as drogas e proibir as armas. Não se preocupe, vai dar tudo certo, sou eu que estou dizendo."
Já desisti de argumentar com esquerdistas pois é muito cansativo e, no fim das contas, alienante e inútil. Acho que concordo com o Bezmenov: esses estão perdidos, uma vez que o pessoal sofreu lavagem cerebral, não há mais o que fazer por eles, non ragionam di lor, ma guarda e passa.
Ou será que é mera casmurrice minha? De fato, às vezes me sinto como se tivesse 90 anos em lugar dos meus joviais trinta e tantos...
Estou pensando seriamente em me aposentar e, em vez do blog, dedicar-me à apicultura. Outra solução seria passar a ler os blogs obamistas, onde tudo é lindo e maravilhoso e haverá paz no Oriente Médio em duas semanas. É uma idéia.
As reações exaltadas a qualquer discurso de Obama, por exemplo, me parecem esdrúxulas, aberrantes. A revista Time chama Obama de profeta e diz que seu discurso no Cairo foi o mais importante jamais feito na História. A Newsweek vai ainda mais longe e afirma que Obama é Deus.
Confesso que essa simbologia religiosa me preocupa um pouco, me faz lembrar um culto suicida. E se Obama mandar eles tomarem cianureto, será que tomam?
Obama parece estar em permanente campanha: promessas de paz, promessas de um mundo sem armas atômicas, promessas de resolução de problemas econômicos. Todas as suas realizações estão no futuro.
Obama é um excelente vendedor de enciclopédias, isso é verdade. Fala uma coisa a um e outra, oposta, a outro. Um dia é "bushista" e no outro "marxista", pró-árabe no Egito e pró-judeu em Jerusalém, mas não importa o que ele fala, o importante é que todos comprem a enciclopédia.
Ou talvez a melhor comparação seja a que fiz um outro dia aqui no blog: Obama é um pastor da Igreja Universal. Ele fala, promete o Paraíso, e encanta a todos os fiéis. Mas o Paraíso sonhado nunca chega e, enquanto isso, dá-lhe cobrar dízimo, isto é, imposto.
Mas Obama nem é o problema. Ele não existiria sem seus mentores e sem o povo que o elegeu. Ele é apenas o sintoma maior de uma coisa que não sei definir bem. Uma futilidade, uma ignorância, uma superficialidade imensa que parece ter tomado conta do mundo ou, ao menos, do que chamamos até agora de mundo ocidental. É como se quiséssemos voluntariamente ignorar toda a História do planeta até aqui, e achar que de agora em diante irão valer novas regras, recém-inventadas. "Vamos importar milhões de muçulmanos para a Europa e sustentá-los com dinheiro estatal. Vamos legalizar o casamento gay, a poligamia e o incesto. Vamos imprimir mais dinheiro para pagar as dívidas. Vamos soltar psicopatas nas ruas após poucos meses de prisão. Vamos liberar as drogas e proibir as armas. Não se preocupe, vai dar tudo certo, sou eu que estou dizendo."
Já desisti de argumentar com esquerdistas pois é muito cansativo e, no fim das contas, alienante e inútil. Acho que concordo com o Bezmenov: esses estão perdidos, uma vez que o pessoal sofreu lavagem cerebral, não há mais o que fazer por eles, non ragionam di lor, ma guarda e passa.
Ou será que é mera casmurrice minha? De fato, às vezes me sinto como se tivesse 90 anos em lugar dos meus joviais trinta e tantos...
Estou pensando seriamente em me aposentar e, em vez do blog, dedicar-me à apicultura. Outra solução seria passar a ler os blogs obamistas, onde tudo é lindo e maravilhoso e haverá paz no Oriente Médio em duas semanas. É uma idéia.
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terça-feira, 28 de abril de 2009
A incompetência universal do funcionário público
Se tem uma coisa que é universal é a preguiça e incompetência do funcionário público, o burocrata profissional.
No outro dia, por exemplo, tive que ligar para o Social Security Service, apenas em busca de uma informação. Depois de uma sessão interminável de gravações em que, antes que eu pudesse falar qualquer coisa, coletaram todos os dados pessoais e faltou só perguntarem a cor das cuecas, atendeu uma mulher entendiada e burra que não conseguiu me dizer nada de útil. Não respondia às minhas perguntas: apenas repetia a mesma frase decorada do manual, como se fosse ela também uma gravação. Eventualmente tive que ir pessoalmente onde me esperariam mais algumas horas de tortura.
Em outros países também tive contato com funcionários públicos, e a incompetência ou mau humor, salvo raras exceções, é sempre a mesma.
Isso não é coisa nova, existe desde tempos imemoriais. Os autores que melhor entenderam a mente do funcionário público foram os russos, e estou falando dos russos pré-comunismo. Toda a obra de Dostoevsky e Gogol é um hino ao funcionalismo público.
Não que eu seja workaholic. De fato, sou preguiçaholic e, se pudesse, tampouco trabalharia. Mas o problema do burocrata não é apenas a falta de estímulo para o trabalho honesto, é o modo torto de pensar. O burocrata segue regulamentos, não o bom senso.
Por exemplo, ontem mesmo foi realizada uma sessão de fotos em NY com um Boeing voando a poucos metros dos prédios da cidade. O idiótico exercício, cujo objetivo era tirar novas fotos para o catálogo do Air Force One do Obama, foi feito sem que o público fosse avisado, por ordens superiores. O resultado, foi, naturalmente, o pânico.
E tem gente que acha que o Estado, que nada mais é do que um número gigantesco desses mesmos funcionários, pode resolver todos os nossos problemas, cuidar da nossa saúde e educação, quem sabe até da nossa alimentação.
No outro dia, por exemplo, tive que ligar para o Social Security Service, apenas em busca de uma informação. Depois de uma sessão interminável de gravações em que, antes que eu pudesse falar qualquer coisa, coletaram todos os dados pessoais e faltou só perguntarem a cor das cuecas, atendeu uma mulher entendiada e burra que não conseguiu me dizer nada de útil. Não respondia às minhas perguntas: apenas repetia a mesma frase decorada do manual, como se fosse ela também uma gravação. Eventualmente tive que ir pessoalmente onde me esperariam mais algumas horas de tortura.
Em outros países também tive contato com funcionários públicos, e a incompetência ou mau humor, salvo raras exceções, é sempre a mesma.
Isso não é coisa nova, existe desde tempos imemoriais. Os autores que melhor entenderam a mente do funcionário público foram os russos, e estou falando dos russos pré-comunismo. Toda a obra de Dostoevsky e Gogol é um hino ao funcionalismo público.
Não que eu seja workaholic. De fato, sou preguiçaholic e, se pudesse, tampouco trabalharia. Mas o problema do burocrata não é apenas a falta de estímulo para o trabalho honesto, é o modo torto de pensar. O burocrata segue regulamentos, não o bom senso.
Por exemplo, ontem mesmo foi realizada uma sessão de fotos em NY com um Boeing voando a poucos metros dos prédios da cidade. O idiótico exercício, cujo objetivo era tirar novas fotos para o catálogo do Air Force One do Obama, foi feito sem que o público fosse avisado, por ordens superiores. O resultado, foi, naturalmente, o pânico.
E tem gente que acha que o Estado, que nada mais é do que um número gigantesco desses mesmos funcionários, pode resolver todos os nossos problemas, cuidar da nossa saúde e educação, quem sabe até da nossa alimentação.
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sábado, 25 de abril de 2009
Libertário ou conservador?
...Ou, quem sabe, objetivista?
Confesso algo que vai chocar alguns leitores: nunca li um livro completo da Ayn Rand. Tenho em mãos o "Atlas Shrugged" e pretendo tentar novamente a empreitada, ainda que o tamanho do volume seja algo intimidador (Estava entre ler a Ayn ou o "Ulysses" de Joyce. O "Ulysses" é menor).
Por outro lado, assisti no outro dia uma palestra de um certo Dr. Bernstein, filósofo objetivista. Foi muito interessante, mas não me convenci. Parece-me que os randianos, a partir de um suposto racionalismo, no fundo transformam o capitalismo em uma espécie de religião. Talvez seja uma solução: já que não é possível eliminar completamente a religião e a espiritualidade da vida humana, uma alternativa seria transformar o capitalismo em religião ou, vá lá, filosofia de vida.
Mas voltando à pergunta inicial: este blog é libertário ou conservador? Ou objetivista? Ou nenhuma das alternativas?
Tendo rejeitado os sonhos progressistas de mudança social através do Estado, o blog iniciou sob os auspícios de Milton Friedman e Isaiah Berlin, ou seja, na mais perfeita promoção do mais perfeito libertarianismo. Porém, ultimamente, tenho lido mais blogs ligados ao tradicionalismo conservador, um pouco por interesse antropológico, um pouco por desconfiar da utopia libertária quase tanto quanto da esquerdista. (Não gosto de utopias, sejam de esquerda ou de direita).
Acho que meu problema é que não creio totalmente no primado da razão e nos ideais do iluminismo; quer dizer, não tenho certeza que o homem seja um "animal racional" e, portanto, desconfio de todos aqueles que apelam ao racionalismo de forma tão exaltada, ou enxergam um "sistema" a partir do qual todos serão mais felizes. Embora não seja religioso praticante (escrevi um post falando sobre religião e fui chamado de carola e papa-hóstias - na verdade, a hóstia sempre foi a minha parte preferida da missa) - acho que acredito no ponto de vista da tradição judaico-cristã, de uma humanidade eternamente imperfeita.
Ou, na frase de Immanuel Kant, "com a madeira torta da humanidade não se pode construir nada de perfeitamente reto."
Talvez eu seja apenas... um pessimista?
Confesso algo que vai chocar alguns leitores: nunca li um livro completo da Ayn Rand. Tenho em mãos o "Atlas Shrugged" e pretendo tentar novamente a empreitada, ainda que o tamanho do volume seja algo intimidador (Estava entre ler a Ayn ou o "Ulysses" de Joyce. O "Ulysses" é menor).
Por outro lado, assisti no outro dia uma palestra de um certo Dr. Bernstein, filósofo objetivista. Foi muito interessante, mas não me convenci. Parece-me que os randianos, a partir de um suposto racionalismo, no fundo transformam o capitalismo em uma espécie de religião. Talvez seja uma solução: já que não é possível eliminar completamente a religião e a espiritualidade da vida humana, uma alternativa seria transformar o capitalismo em religião ou, vá lá, filosofia de vida.
Mas voltando à pergunta inicial: este blog é libertário ou conservador? Ou objetivista? Ou nenhuma das alternativas?
Tendo rejeitado os sonhos progressistas de mudança social através do Estado, o blog iniciou sob os auspícios de Milton Friedman e Isaiah Berlin, ou seja, na mais perfeita promoção do mais perfeito libertarianismo. Porém, ultimamente, tenho lido mais blogs ligados ao tradicionalismo conservador, um pouco por interesse antropológico, um pouco por desconfiar da utopia libertária quase tanto quanto da esquerdista. (Não gosto de utopias, sejam de esquerda ou de direita).
Acho que meu problema é que não creio totalmente no primado da razão e nos ideais do iluminismo; quer dizer, não tenho certeza que o homem seja um "animal racional" e, portanto, desconfio de todos aqueles que apelam ao racionalismo de forma tão exaltada, ou enxergam um "sistema" a partir do qual todos serão mais felizes. Embora não seja religioso praticante (escrevi um post falando sobre religião e fui chamado de carola e papa-hóstias - na verdade, a hóstia sempre foi a minha parte preferida da missa) - acho que acredito no ponto de vista da tradição judaico-cristã, de uma humanidade eternamente imperfeita.
Ou, na frase de Immanuel Kant, "com a madeira torta da humanidade não se pode construir nada de perfeitamente reto."
Talvez eu seja apenas... um pessimista?
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sábado, 18 de abril de 2009
Spengler tira a máscara

Dica do Bruno. Spengler, o brilhante colunista do Asia Times que citei tantas vezes aqui, abandonou o pseudônimo e revelou sua identidade até então secreta. Trata-se de David P. Goldman, Phd em música e em Literatura Alemã, ex-consultor financeiro, judeu praticante (nenhuma surpresa aí, embora sua grande admiração por Bento XVI pudesse indicar um catolicismo filojudaico), e atual editor associado do jornal First Things.
Uma pena, acho. Acaba com a caráter misterioso e algo mágico de suas colunas e, talvez, com a sua liberdade para escrever textos mais radicais.
Mr X avisa que não vai revelar a sua verdadeira identidade ainda, mas poderá fazê-lo daqui a algum tempo, quem sabe quando for convidado para ser o editor de algum importante periódico. ;-)
Bom fim de semana a todos.
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domingo, 15 de fevereiro de 2009
Sociedade dos Poetas Mortos
Tenho percebido que grande parte dos poetas que publiquei aqui morreram suicidas. O último, Mario Sá-Carneiro, suicidou-se com apenas 25 anos. Por que os poetas se suicidam? É a depressão que cria a poesia, como quer o clichê, ou é a poesia que leva à depressão? Segundo uma recente pesquisa científica, os poetas de fato tem uma expectativa de vida inferior à média. Mas, segundo outra pesquisa, tem pouco a ver com a poesia, e mais com outros aspectos, como o isolamento e caráter autocentrado.
Talvez seja a visão romântica que nos faz generalizar. Yeats, um dos maiores se não o maior poeta do século XX, morreu de morte morrida aos 74 anos. Mario Quintana esteve a um passo de completar os 90. Robert Frost sobreviveu a quase toda a sua família, inclusive vários dos filhos, e morreu com 88 anos.
Talvez seja a visão romântica que nos faz generalizar. Yeats, um dos maiores se não o maior poeta do século XX, morreu de morte morrida aos 74 anos. Mario Quintana esteve a um passo de completar os 90. Robert Frost sobreviveu a quase toda a sua família, inclusive vários dos filhos, e morreu com 88 anos.
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
O Evangelho segundo Saramago
Esta raiva que no fundo há em mim, uma espécie de raiva às vezes incontida, é porque nós não merecemos a vida, disse Saramago, Não a merecemos, Não se percebeu ainda que o instinto serve melhor aos animais do que a razão serve ao homem, Fez-se silêncio, tão denso e profundo que parecia que apenas os dois corações soavam, mais forte e rápido o dele, o dela inquieto com a sua própria agitação, e Saramago continuou, Desde muito novo orientei-me para a consciência de que o mundo está errado, Não importa aqui qual foi o grau da minha militância todos esses anos, O que importa é que o mundo estava errado, e eu queria fazer coisas para modificá-lo, O espaço ideológico e político em que se esperava encontrar alguma coisa que confirmasse essa idéia era, é claro, a esquerda comunista, Para aí fui e aí estou, Sou aquilo que se pode chamar de comunista hormonal. O nevoeiro afastou-se para onde estivera antes, via-se uma pouca de água ao redor do barco, lisa e baça, sem uma ruga de vento ou uma agitação de barbatana passando. Então o Diabo disse, É preciso ser-se Prêmio Nobel para gostar tanto de sangue.
(Dica do Nei. Será que Saramago é o Paulo Coelho dos intelectuais?)
(Dica do Nei. Será que Saramago é o Paulo Coelho dos intelectuais?)
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Machado de Assis não era comunista, e Capitu traiu Bentinho sim
Desculpem se saio um pouco dos temas habituais do blog, mas preciso dizer uma coisa.
Não suporto o Roberto Schwarz nem toda essa leitura sociológica de Machado de Assis, que o vê como um crítico do capitalismo e das "elites" e não sei mais o quê. (Aqui uma delas).
Ora, Machado de Assis não era comunista nem socialista nem anarquista. Machado de Assis não criticava o capitalismo, ou as elites, nem a sociedade brasileira da época: Machado criticava tudo e todos. Os vícios que via na classe alta eram os mesmos que via nas classes baixas. Era um pessimista moral, não social; não acreditava que uma "ordem social diversa" ou a "justiça social" fosse resolver os problemas. Aliás seu "humanitismo" (ver Quincas Borba) é uma cruel sátira do próprio conceito de utopia e de "justiça social".
Por exemplo, vejamos o conto Pai contra Mãe. Certamente pode-se dizer que há ali uma crítica do sistema escravocrata. Mas, passada a escravatura, a pena de Machado continua observando a exploração do homem pelo homem, como se nao houvesse existido mudança qualquer. Passa-se do Império à República e tampouco muda nada. Ou seja, seu problema não é com a sociedade escravocata, nem imperial, nem capitalista. É com a humanidade mesmo.
E outra coisa: Capitu traiu Bentinho sim. A explicação que me convenceu foi a seguinte: durante a vida de Machado, e mesmo muitas décadas depois, nenhum crítico ou colega escritor afirmava que Capitu não tivesse traído Bentinho. A visão canônica, ou melhor, óbvia, era que Capitu havia traído, sim. Afinal era o que o narrador dizia. Bentinho era um corno assumido. Essa visão de que o narrador tinha um "ponto de vista" enganador apareceu só muitos anos depois, parece que foi uma professora feminista que inventou essa idéia. Desde então nunca nos livramos dessa discussão. Pois bem, eu encerro ela aqui: a safada traiu, sim. Tinha olhos enganadores, lembram?
P.S. Não estou assistindo a série Capitu, mas até que achei bacana este projeto. Vocês podem participar também. Eu gravei um dos trechos, mas não vou dizer qual.
P.S. 2. O Pax tem razão, virei direitão reacionário depois que minha Capitu trocou-me por um comunista ecologista pró-palestino. Desde então odeio essa corja, grrr.

Não suporto o Roberto Schwarz nem toda essa leitura sociológica de Machado de Assis, que o vê como um crítico do capitalismo e das "elites" e não sei mais o quê. (Aqui uma delas).
Ora, Machado de Assis não era comunista nem socialista nem anarquista. Machado de Assis não criticava o capitalismo, ou as elites, nem a sociedade brasileira da época: Machado criticava tudo e todos. Os vícios que via na classe alta eram os mesmos que via nas classes baixas. Era um pessimista moral, não social; não acreditava que uma "ordem social diversa" ou a "justiça social" fosse resolver os problemas. Aliás seu "humanitismo" (ver Quincas Borba) é uma cruel sátira do próprio conceito de utopia e de "justiça social".
Por exemplo, vejamos o conto Pai contra Mãe. Certamente pode-se dizer que há ali uma crítica do sistema escravocrata. Mas, passada a escravatura, a pena de Machado continua observando a exploração do homem pelo homem, como se nao houvesse existido mudança qualquer. Passa-se do Império à República e tampouco muda nada. Ou seja, seu problema não é com a sociedade escravocata, nem imperial, nem capitalista. É com a humanidade mesmo.
E outra coisa: Capitu traiu Bentinho sim. A explicação que me convenceu foi a seguinte: durante a vida de Machado, e mesmo muitas décadas depois, nenhum crítico ou colega escritor afirmava que Capitu não tivesse traído Bentinho. A visão canônica, ou melhor, óbvia, era que Capitu havia traído, sim. Afinal era o que o narrador dizia. Bentinho era um corno assumido. Essa visão de que o narrador tinha um "ponto de vista" enganador apareceu só muitos anos depois, parece que foi uma professora feminista que inventou essa idéia. Desde então nunca nos livramos dessa discussão. Pois bem, eu encerro ela aqui: a safada traiu, sim. Tinha olhos enganadores, lembram?
P.S. Não estou assistindo a série Capitu, mas até que achei bacana este projeto. Vocês podem participar também. Eu gravei um dos trechos, mas não vou dizer qual.
P.S. 2. O Pax tem razão, virei direitão reacionário depois que minha Capitu trocou-me por um comunista ecologista pró-palestino. Desde então odeio essa corja, grrr.

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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
O culto ao primitivismo
Tem um fenômeno atual sobre o qual quero falar há tempos, mas não sabia muito bem como. É sobre o que eu chamaria de "culto ao primitivismo". Acho que o interesse dos intelectuais de esquerda pelos muçulmanos tem um pouco disso: o interesse pelas culturas exóticas em detrimento da alta cultura ocidental, considerada "careta" ou "ultrapassada" ou demasiado ligada ao "patriarcalismo" ou ao "cristianismo" ou a "brancos europeus mortos". O Harold Bloom já criticava essa visão distorcida no seu livro "O Cânone Ocidental".
Eis aqui um poeta palestino que nunca vai aparecer no nosso poema aos domingos:
Mas o fenômeno se dá também dentro das culturas nacionais. Hoje no Brasil Machado de Assis é um "burguês reacionário", o negócio é estudar as letras de funk ou celebrar a "cultura da periferia"...
Curiosamente, ao mesmo tempo em que os ocidentais abandonam o "cânone Ocidental", os orientais o estudam ao máximo. Aqui nas universidades americanas sei de estudantes asiáticos que escrevem teses sobre Shakespeare e Milton, não sobre a poeta comunista feminista Ling Ching Ping. O Spengler observa que o número de chineses estudando e praticando música clássica hoje é 6 vezes superior ao número de americanos, embora as melhores escolas de música ainda estejam nos EUA (ainda que hoje com cada vez mais orientais).
Enquanto os ocidentais estudam a "grande poesia palestina" e escrevem teses sobre letras de rap, os chineses estudam o melhor de Shakespeare e praticam Mozart oito horas por dia.
Adivinhe quem vai sair em vantagem no final?
Eis aqui um poeta palestino que nunca vai aparecer no nosso poema aos domingos:
You're blinded by our differences.Bem, ele até que consegue rimar "zionist" com "terrorist", mas não é exatamente um Auden ou Yeats que digamos...
My life makes no sense to you.
I'm the persecuted Palestinian.
You're the American red, white and blue.
You blame me for defending myself
Against the ways of Zionists.
I'm terrorized in my own land
And I'm the terrorist?
Mas o fenômeno se dá também dentro das culturas nacionais. Hoje no Brasil Machado de Assis é um "burguês reacionário", o negócio é estudar as letras de funk ou celebrar a "cultura da periferia"...
Curiosamente, ao mesmo tempo em que os ocidentais abandonam o "cânone Ocidental", os orientais o estudam ao máximo. Aqui nas universidades americanas sei de estudantes asiáticos que escrevem teses sobre Shakespeare e Milton, não sobre a poeta comunista feminista Ling Ching Ping. O Spengler observa que o número de chineses estudando e praticando música clássica hoje é 6 vezes superior ao número de americanos, embora as melhores escolas de música ainda estejam nos EUA (ainda que hoje com cada vez mais orientais).
Enquanto os ocidentais estudam a "grande poesia palestina" e escrevem teses sobre letras de rap, os chineses estudam o melhor de Shakespeare e praticam Mozart oito horas por dia.
Adivinhe quem vai sair em vantagem no final?
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sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Nelson Rodrigues e a decadência cultural do Brasil
Estou lendo "A Cabra Vadia" e "O Reacionário", livros de crônicas e memórias de Nelson Rodrigues. A maior parte são textos publicados entre 1968 e 1970, e tocam bastante o tema político e cultural da época. Na verdade, assisti sim algumas peças, mas nunca tinha tido tanto interesse em Nelson Rodrigues, talvez por associá-lo a alguns filmes muito ruins do cinema nacional, bem como às colunas do insuportável Arnaldo Jabor que sempre o cita. Mas as suas crônicas são o que há. São ainda em grande parte atuais, especialmente a gozação que ele faz das esquerdas. Eis um trecho:
Somado a esse fato, e provavelmente relacionado a ele também também, ocorreu uma incrível decadência cultural. Nos anos 50 e 60 apesar de tudo ainda existiam ótimos escritores e intelectuais no Brasil: Guimarães Rosa, Nelson Rodrigues, Otto Lara Resende, Sabato Magaldi, Lúcio Cardoso, Manuel Bandeira, etc. Na música, Tom Jobim, Vinicius de Moraes. Hoje o maior intelectual do Brasil é Paulo Coelho. E o grande fenômeno musical é a dança do créu.
Nelson Rodrigues tinha um conselho aos jovens: "Envelheçam". Eu tenho outro: "Leiam as crônicas de Nelson Rodrigues".
O brasileiro simples formou do esquerdista patrício uma imagem inteiramente irreal. O pai de família imagina que um socialista tem uma barricada em cada bolso. Eu próprio, no 31 de março e 1 de abril, andei tecendo fantasias hediondas. Imaginava que o sangue jorraria e que as ratazanas iam sair dos ralos para bebê-lo. E não se derramou nem groselha.Ou ainda:
Só muito tempo depois eu descobriria a verdade, que é a seguinte: - as nossas esquerdas não têm nenhuma vocação do risco. E possuem a vocação inversa da segurança. Ainda ontem, falava eu da sábia distância que vai do Antonio's ao Vietnã. Aí está tudo dito. E, assim, sem arredar pé do Antonio's, e bebendo cerveja em lata, as esquerdas não morrerão jamais.
O leitor há de perguntar, com irritação e escândalo: "Mas elas não fazem nada?" Responderei: - "Fazem." Insistirá o leitor: - "E fazem o quê?" Direi: - "Autopromoção". É a pura verdade. A esquerda não sai por aí, derrubando bastilhas e decapitando marias antonietas, porque está ocupada em se autopromover.
Temos uma massa de intelectuais. Numericamente, não estamos atrás de ninguém, nem da União Soviética. Na Rússia há, registrados, seis mil e tantos escritores (e o sujeito que não foi registrado não é escritor. Mesmo que tenha escrito A divina comédia, não é escritor).Nelson Rodrigues era um profeta que via o óbvio. Mas o que aconteceu no fim foi o seguinte: as esquerdas não só sobreviveram, como venceram. Estão no poder e dominam 99% do discurso.
Pode parecer que, numericamente, a União Soviética está à frente dos Estados Unidos. Dos Estados Unidos, talvez. Do Brasil, não. Vocês se lembram da última passeata. Antes do desfile, fui ver a concentração. Levei comigo o Raul Brandão, pintor de grã-finas e igrejas. E espiamos o espaço reservado aos intelectuais. Parecia uma massa de Fla-Flu. Jamais nos ocorrera que a "inteligência brasileira" fosse tão abundante. No seu horror, o Raul Brandão perguntava: "Tudo isso é intelectual?"
Fomos olhar, outra vez, a tabuleta. Lá estava escrito, acima de qualquer dúvida ou sofisma: - "Intelectuais." Portanto, os intelectuais eram intelectuais. E então, passo a passom, tratamos de identificar os nossos poetas, os nossos ensaístas, os nossos dramaturgos, os nossos sociólogos, os nossos professores. Eis a lamentável e quase grotesca verdade: - depois de buscas ingentes, não identificamos ninguém. (...)
Quem devia estar ali era a Academia Sueca, apalpando, farejando, a "literatura brasileira". Se pose é um dado válido, todo mundo ali era Proust, era Joyce, era Balzac, era Cervantes. Uns ficavam de perfil, outros de frente, outros de três-quartos, outros punham as mãos nas cadeiras. Atrás de mim, o Brandão gemia: - "Como são inteligentes!" Eram, sim, inteligentíssimos.
Somado a esse fato, e provavelmente relacionado a ele também também, ocorreu uma incrível decadência cultural. Nos anos 50 e 60 apesar de tudo ainda existiam ótimos escritores e intelectuais no Brasil: Guimarães Rosa, Nelson Rodrigues, Otto Lara Resende, Sabato Magaldi, Lúcio Cardoso, Manuel Bandeira, etc. Na música, Tom Jobim, Vinicius de Moraes. Hoje o maior intelectual do Brasil é Paulo Coelho. E o grande fenômeno musical é a dança do créu.
Nelson Rodrigues tinha um conselho aos jovens: "Envelheçam". Eu tenho outro: "Leiam as crônicas de Nelson Rodrigues".
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terça-feira, 2 de setembro de 2008
Melhores primeiras frases
O blog pode ter que fazer uma pausa de alguns dias. Deixo, inspirado por isto aqui, uma breve lista pessoal das melhores primeiras frases de obras literárias. E os seus começos preferidos, quais são? Coloque nos comentários...
1. "Quando certa manhã Gregor Samsa acordou, após um sono intranqüilo, encontrou-se em sua cama transformado em um monstruoso inseto." (Franz Kafka, A Metamorfose).
2. "Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte." (Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)
3. "Tudo isto aconteceu, mais ou menos." (Kurt Vonnegut, Matadouro Nr. 5)
4. "Todas as famílias felizes são iguais; as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira." (Leon Tolstoi, Anna Karenina)
5. "Você está começando a ler o novo romance de Italo Calvino, 'Se um viajante uma noite de inverno'." (Italo Calvino, Se um viajante uma noite de inverno)
5. "Devo à conjunção de um espelho e de uma enciclopédia o descobrimento de Uqbar." (Jorge Luis Borges, Tlön, Uqbar, Orbis Tertius)
6. "Num lugar da Mancha, de cujo nome não quero lembrar-me, vivia, não há muito, um fidalgo, dos de lança em cabido, adarga antiga, rocim fraco, e galgo corredor." (Miguel de Cervantes, Dom Quixote)
7. "Nel mezzo del cammin di nostra vita
Mi ritrovai per una selva oscura
Ché la diritta via era smarrita" (Dante Alighieri, Divina Comédia)
8. "Pessoas que tentem achar um motivo nesta narrativa serão processadas; pessoas que tentem achar uma moral nela serão banidas; pessoas que tentem achar uma história serão fuziladas." (Mark Twain, As aventuras de Huckleberry Finn)
9. "A raça humana, à qual muitos de meus leitores pertencem, esteve brincando de jogos infantis desde o seu começo, e provavelmente continuará assim até o seu fim, o que é um incômodo para aqueles poucos que crescem." (G. K. Chesterton, O Napoleão de Notting Hill)
10. "No princípio Deus criou os céus e a terra." (Bíblia)
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