terça-feira, 7 de setembro de 2010
A fórmula de Deus
Segundo Hawking, a ciência estaria próxima de encontrar uma espécie de Grande Teoria Unificadora, isto é, uma teoria que explicaria a origem do universo e o comportamento de todas as partículas. Trata-se da M-Theory, que os físicos de plantão (Bruno?) talvez possam explicar para os leigos já que eu não entendo patavinas.
De qualquer modo, o aspecto físico é o que menos importa. O aspecto metafísico é que dá pausa para reflexão.
O que eu sempre me perguntava desde criança era o seguinte: ou-quei, o Universo segue certas leis, por exemplo a lei da gravidade que informa que os objetos na Terra caem a uma velocidade (aceleração) de 9.8 m/s2. A questão é por quê? Por que tal aceleração e não outra? Aliás, por que existe a gravidade? Por que as coisas não podem flutuar? Por que o Universo tem essas leis e não outras?
Aparentemente, segundo Hawkings, as leis do universo são essas simplesmente porque não poderiam ser outras. Uma fórmula matemática perfeita demonstraria que as coisas são assim porque é o único modo em que o Universo poderia existir. Para Hawkings, Deus não está morto como sugeria Nietzsche: Ele apenas jamais nasceu. O Universo criou-se a si mesmo. Ou, melhor dizendo, o Universo é seu próprio Deus.
Tal idéia é bizarra para a nossa mente, que não consegue conceber conseqüências sem causa. Como assim, o Universo criou-se a si mesmo? Como? Por quê? Se nada existia antes, por que algo passou a existir? O Universo tem consciência?
O argumento de Hawkings parece aproximar-se um pouco do panteísmo dos antigos gregos. Ou seja, não há nada de novo sob o sol. Mas é uma boa desculpa para continuar com o velho mas sempre interessante debate entre ciência e religião.
E afinal, Deus existe ou não? Saberemos em breve, amigos. Muito em breve.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Life's but a walking shadow
Totsumo também sobreviveu ao segundo bombardeio - embora desde então reclamasse de uma ligeira surdez - e viveu até os 94 anos. Morreu recém agora em janeiro de 2010.
Se estão corretas as previsões de que ao menos uma bomba nuclear vai explodir em algum lugar do planeta nos próximos dez anos, é bom saber de alguém que sobreviveu não apenas a um, como a dois ataques.
Destino? Sorte (ou azar) incrível? Ou desígnio de Deus?
Existe também a história de Juliane Köpcke, única sobrevivente de um avião que explodiu em pleno ar ao ser atingido por um raio. O avião, que então sobrevoava a floresta amazônica, partiu-se em vários pedaços. A moça, ainda presa ao assento, caiu de uma altura de mais de três mil metros. No entanto, de modo inexplicável, sofreu apenas ligeiras escoriações, a quebra da clavícula, e um ferimento no braço que terminou infectado por larvas. Depois disso, ainda teve que caminhar durante dez dias pela selva amazônica, sem comida, até encontrar um povoado. Perdeu a família no acidente, mas está ainda viva e trabalha em um zoológico.
Há os que achem que a História seja apenas um acúmulo de eventos sem sentido. E há os que, no caos, tentam adivinhar algum tipo de ordem secreta.
Talvez as nossas mentes estejam criadas (ou tenham evoluído) para procurar um sentido em tudo, e por isso nos custa tanto aceitar que a vida não tenha - ou tem? - sentido algum.
Há os que acham que nada serve a coisa nenhuma. E há os que acreditam que tudo tem algum papel no Universo, até mesmo a menor das pedrinhas.
Tendo as duas possibilidades, prefiro - à maneira de Pascal - acreditar nessa segunda hipótese. Mas eu realmente não sei.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
O crepúsculo dos deuses ateus
Um curioso artigo - escrito pelo que parece ser um ateu mal-humorado - observa que, embora Dawkins acredite que a religião seja um "erro da evolução", o fato é que, em termos estritamente evolutivos, os religiosos são mais bem-sucedidos do que os ateus. As famílias religiosas têm muitos filhos; espalham seus genes e transmitem sua religião pelo mundo. Os secularistas ateus preferem viver no presente e não costumam ter muitos filhos. Adivinhe qual grupo é mais apto para sobreviver? É curioso, aliás, que a nova campanha publicitária de Dawkins seja para que a religião não seja transmitida pelos pais aos filhos. Quais filhos? Aqueles chamados Maomé, hoje o nome mais popular entre os bebês de Londres?
Conclui o artigo:
Even if it was granted that the modern world, with its feminism and secularism, produced all the happiness one can imagine, it cannot last. A baby born today may live to see the extinction of the Lithuanians (projected to be a population of 760,000 by 2100, possibly all assimilated into other ethnicities). Any philosophy that guarantees that those that adopt it will be gone within a few generations can only be embraced by nihilists. The patriarchal and god-fearing will inherit the earth, one way or another.Eu não sei se Deus existe, mas, se as leis da Evolução de Darwin beneficiam os religiosos, Deus realmente deve ter um apurado senso de ironia.
domingo, 13 de setembro de 2009
Poema do domingo
Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
Ricardo Reis (1887 - ?)
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Se Deus não existe, tudo é permitido?
A frase, que não foi escrita por Dostoevsky, embora seja mais ou menos o que Ivan Karamázov diz no famoso livro, ainda que de modo mais extenso e rebuscado. "Não existe virtude sem imortalidade", conclui Ivan. Para ele, sem a crença dos homens na imortalidade da alma e na existência de Deus, não haveria motivo para nenhuma moral e tudo seria permitido, "até o canibalismo".
Será mesmo?
Fábio Marton discorda. Mas de onde vem a moral? É algo biológico? Inato? Cultural? Ou vem mesmo de Deus, exista ele ou não?
Como Dostoyevsky cita canibalismo, lembrei-me do caso que li sobre o horrível General Butt Naked (ou General Peladão), soldado mercenário da guerra civil da Libéria, que liderava um batalhão de soldados que andavam nus por acreditar que isso o protegia das balas (vídeo documentário aqui - alerta para imagens fortes). Ele dizia ser um seguidor do Diabo, de quem afirmava ter recebido um telefonema quando criança. Confessou ter matado milhares de pessoas, inclusive crianças (sacrificava uma antes de cada operação militar), praticava canibalismo (comia o coração de algumas crianças e prisioneiros) e jogava futebol com as cabeças de soldados inimigos. Hoje é um pastor evangélico. Conversão real ou mera fuga da justiça? Digam o que quiserem, desde então não comeu mais nenhuma criancinha.
Deus e o Diabo podem não existir, mas a crença neles existe, e tal crença é responsável por diversos atos, dos mais nobres aos mais cruéis. Os conceitos de Bem e de Mal vêm diretamente da religião e da filosofia, não de qualquer medida científica. Mas só o que a ciência mede existe?
E será que os religiosos realmente agem virtuosamente apenas por medo do Inferno e/ou esperança do Céu? Não existe virtude sem imortalidade da alma?
E os ateus, tem uma moral própria? Podem ter? Qual moral pode-se criar a partir do mero materialismo, a não ser uma moral utilitária, "o maior bem para o maior número de pessoas". Mas, qual é o "maior bem"?
O Claudio Avolio observa como a mesma "moral" secular bananeiro-esquerdista que proíbe revistas com dicas para heterossexuais festeiros, subsidia revistas com dicas para gays festeiros. Uma revista é proibida em nome ao suposto respeito ao direito das minorias, a outra é apoiada financeiramente em respeito ao direito das minorias. Uma moral algo contraditória, para dizer o mínimo.
Por outro lado, também é verdade que, não obstante todo seu ódio pela religião e pelos religiosos, ao contrário dos anarquistas espanhóis, Dawkins nunca matou nenhum padre. O ateísmo, por si só, jamais poderia fazer mal a uma mosca. Assim como a religião. O problema são os homens. Os homens matam e morrem em nome de idéias - políticas, sociais e, por que não, religiosas. Mas acreditar que a religião é o grande mal da humanidade é uma besteira. De acordo com o psicólogo evolucionista Satoshi Nakazawa, pode-se matar também em nome da ciência. Aliás, ele também acredita que Deus foi criado pela evolução.
Já eu às vezes acho que Deus existe, e o Inferno é aqui mesmo.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Darwin existe?
Achei interessante, mas teimo em discordar.
Este jovem finlandês, por exemplo, matou nove pessoas em uma escola em nome do ateísmo, do ódio à humanidade, e de uma suposta "revolução contra o sistema". Os assassinos de Columbine também se declararam ateus e mataram uma garota só porque esta dissera acreditar em Deus.
Casos extremos, sem dúvida. Mas já bastam para provar que não só da religião nasce o fanatismo ou a morte. Pode nascer do mero niilismo - "nada faz sentido, portanto, por que não matar?"
Querendo descobrir mais sobre a tal Ida Magli, a quem não conhecia, descobri que é uma grande crítica do Islã e das religiões monoteístas, embora, curiosamente, elogie a figura de Jesus e seja crítica da eutanásia, da imigração, da União Européia, e de várias políticas associadas com a esquerda. Ao mesmo tempo, é crítica dos EUA e do capitalismo. Escreveu, há poucos meses, também um bizarro texto no qual sustenta que há um "complô judaico" por trás da atual crise econômica e da própria criação da União Européia - e que são, na verdade, os judeus com seu amor pelo "mercado" e pelo "dinheiro" os culpados pelo caos financeiro, bem como, em última análise, pela própria destruição da Europa.
Bem, o Tambosi disse que ela era "polêmica". Abstenho-me de comentar, ou talvez o faça em outro post. O fato é que não a colocaria como exemplar da razão absoluta. Aliás, ninguém o é.
Uma coisa que sempre me espanta, aliás, é o fanatismo de certos ateus. É um pouco bizarro o ódio que estes têm aos religiosos, sejam da espécie que forem. É o ódio da criança que não acredita mais em Papai Noel e pretende destruir as ilusões das outras. Ora, por que não os deixam acreditar em Papai Noel?
Se a religião é uma fonte de conflitos humanos, e é certo que seja, convenhamos ao menos que não é a única fonte.
O próprio problema do Islã, por exemplo, não seria tão grave se o islamismo, além de religião, não fosse um sistema político e social completo, governado sob as leis da sha'ria e fundado sob a ocupação territorial. Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, disse Jesus. Maomé quis o que era de César também, e aí radica a diferença.
Muitos acreditam que a teoria da seleção natural substituiu Deus ou as religiões, mas não é exatamente verdade. A teoria da seleção natural não explica o surgimento da vida. Tampouco explica por que existem tais leis da seleção natural, quero dizer, por que são estas e não outras? Por que o Universo segue Leis? Poderiam ser outras em vez das que existem? E, já que estamos, por que existe o Universo, em vez do Nada Absoluto?
São perguntas para as quais não temos resposta. Talvez a ciência descubra um dia, mas talvez não. A ciência é limitada, como os humanos.
quarta-feira, 25 de março de 2009
Ainda sobre religiões e ateísmo
MrX, eu concordo com o Kbção quando diz que "há uma moral agnóstica que contrapõe,..etc". Chama-se moral do Kbção e deve ser ótima mas tem um problema: é humana. Esse é o problema das morais agnósticas..."vareiam" do Kbção(para o bem) ao tolo do Singer(para o mal). Já a minha moral que não é minha, pertençe ao Deus de Abraão de Isaque e de Jacó e não tem sombra de variação. Posso partir que ela permaneçerá igual para os meus filhos.
Então dei-me conta de uma coisa, a razão pela qual o ateísmo puro e simples não pode substituir as religiões, por mais esforço que façam Dawkins, Hitchens e cia. A moral agnóstica muda de indivíduo para indivíduo, ou no máximo de geração para geração e, portanto, não permanece no tempo. A religião permanece.
Além disso, a moral agnóstica é obra do homem e, portanto, falível e passível de ser desrespeitada por qualquer um que não concorde. A moral religiosa é obra de Deus. Bem, mesmo que você não acredite em Deus, o argumento se mantém: ao apelar a um ser ou uma ordem superior, a moral religiosa coloca-se acima do homem e sua falibilidade e incompetência, coisa que é negada pelo relativismo dos ateus e especialmente dos esquerdistas, que não acreditam em um "bem maior", portanto medem o bem de acordo com seus próprios mesquinhos ideais. Ou, como explica Lawrence Auster:
Embora possa se adaptar, a religião muda devagar, e raramente conforme a moda do momento. Vejam o caso das camisinhas do Papa. A esquerda chia porque o Papa recomenda abstinência e fidelidade, ou seja, coisa que a Igreja recomenda há mais de dois mil anos...Having gotten rid of the traditional, religious-based idea of the moral good, liberals embrace the liberal idea of the moral good, which is compassion, equality, diversity, inclusion, stopping global warming, etc. Unlike believing in the traditional moral good, believing in the liberal moral good does not involve hypocrisy, because for a person to be good in the liberal sense no actual moral behavior, with its inevitable failures, is required: the person merely needs to affirm that he believes in compassion, equality, diversity, inclusion, and stopping global warming. By signing on to liberalism, one is simply and truly good. This is the source of liberals' inordinate self-esteem. Believing in a liberal good that is not higher than the self but identical to the self, liberals feel themselves to be perfectly good, even as they look with contempt and hatred at conservatives who hypocritically affirm, and seek to impose on society, some false higher good that they themselves don't follow.
É claro que nada impediria que o Kbeção, a partir de sua moral individual, criasse uma religião própria, digamos, o Kbecismo. Aí esta poderia ser transmitida de geração para geração, com seus ritos e regras, hinos e métodos.
O homem é um animal moral, e tem necessidade de regras morais que permaneçam no tempo. Eis porque as religiões permanecem.
Ou será que é Deus que escreve certo por linhas tortas?
segunda-feira, 2 de março de 2009
Por que precisamos de Deus?

Deus existe?
Se não existe, por que tantos acreditam nele?
A ciência torna Deus irrelevante?
Se é irrelevante, por que certos "evangelistas ateus" gritam tanto para convencer os crentes a descrerem?
Será que até os ateus precisam de religião?
Crer ou não crer é escolha ou necessidade?
A ciência pode explicar Deus?
Deus pode explicar a ciência?
As respostas - ou melhor, as perguntas - em um brilhante artigo de Roger Scruton, filósofo inglês que acabo de descobrir.
sábado, 24 de janeiro de 2009
O lobby ateu

Dizem alguns - normalmente abaixando a voz e falando em tom sinistro - que existe um tal "lobby judeu". Olha, pode ser. Não há nada de mais num lobby, é apenas um grupo que tenta influenciar a legislação de acordo com os seus interesses; é, em suma, parte do exercício da democracia. Também existe o "lobby cristão" e o "lobby muçulmano", que tem muito mais grana (do petróleo) nas mãos. E "lobby ateu", será que existe também?
Isso já não sei, mas sei que existe uma campanha mundial promovendo o ateísmo. Já lançaram vários livros sobre o tema, e recentemente o instituto do Grande Sacerdote do Ateísmo, Richard Dawkins, lançou uma campanha com cartazes nos ônibus londrinos. O slogan era:
DEUS PROVAVELMENTE NÃO EXISTE.
PORTANTO PARE DE SE PREOCUPAR E APROVEITE SUA VIDA.
Não tenho problemas com a primeira parte, mas confesso que a segunda parte me incomoda um pouco. Parar de se preocupar? Aproveitar a vida?
Ora, todo mundo sabe que os crentes se preocupam menos do que os ateus. Pense um pouco, quem se preocupa mais: quem acredita que existe Céu e Inferno onde os justos são premiados e os maus são punidos, que existe um Deus que vela por nós, que existe uma razão por trás de tudo... ou quem acha que o Universo é apenas um amontoado de átomos inúteis, que as coisas acontecem por puro caos, que você pode morrer a qualquer momento sem motivo ou razão, que o mal quase sempre triunfa sobre o bem e que não existe nem Céu nem Inferno, mas apenas o Vazio Eterno?
Por outro lado, a frase "APROVEITE SUA VIDA" me parece algo banal e superficial. É essa a "grande mensagem" que os ateus militantes têm a passar ao mundo? "Aproveite sua vida"?
Aproveitar em que sentido? Hedonismo, festas e orgias? Viver dez anos a mil em vez de mil anos a dez, como diria Janis Joplin? Ora, os antigos gregos já sabiam que grandes prazeres sempre trazem grandes sofrimentos. A conta por "aproveitar a vida" sempre chega com juros, cedo ou tarde, nem que seja na forma de cirrose, divórcio, insanidade ou dívidas.
Mas talvez o "aproveitar a vida" esteja sendo dito no sentido epicurista, a felicidade da vida contemplativa, dos prazeres amenos da moderação? Talvez.
Mas olhe a mensagem dos religiosos, dos evangélicos por exemplo. Não é "aproveite a vida", é "não roube, não mate, não use drogas, case virgem, não seja infiel, honre seus pais, ame seu próximo, doe para a caridade e o dízimo para a Igreja, e afaste-se de Satanás, irmão!" Não será uma vida tão exilarante, mas em geral costuma tornar o cidadão mais responsável do que aquele meramente preocupado em "aproveitar a vida", seja lá o que isso for.
O que aconteceria se a campanha ateísta funcionasse e todos os que vissem o anúncio saíssem por aí a "aproveitar a vida"? Seria o caos, amigos.
Mas talvez seja eu que me preocupo demais.
Vou lá "aproveitar a vida". Até.
Atualização: Acho que alguns leitores não entenderam bem o que eu quis dizer com este post. Na verdade, nem eu acho que entendi direito o que quis dizer. Mas não era uma crítica ao ateísmo em si, como à superficialidade essa da campanha do ônibus e, por extensão, à superficialidade de muito da vida moderna. Mas não entrava neste caso uma crítica direta aos ateus. E a frase sobre Satanás era uma brincadeira, embora eu - naturalmente - acredite na existência do Diabo. ;-)
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Conflito em Israel é a prova da existência de Deus?
Por si só, a região não justifica toda essa luta. O país é menor do que o Sergipe. Não tem petróleo. Aliás, não tem nem água. Não tem riquezas minerais. A terra é ruim.
Mesmo em número de mortes, o conflito Israel vs. palestinos é pouco relevante para justificar toda essa atenção midiática e toda essa emoção popular. Mata muito menos do que qualquer conflito na África hoje em dia, menos do que a cólera no Zimbabwe, menos até do que os tiroteios nas favelas do Rio de Janeiro.
Nem mesmo em termos de vítimas palestinas as ações de Israel são tão relevantes. Os países árabes mataram mais palestinos do que Israel. O Líbano, ano passado, matou algumas centenas. A Jordânia, no Setembro Negro, matou 20 mil, que é dez vezes mais os que Israel matou em 40 anos. Até os próprios palestinos se mataram entre si às centenas.
Será que haveria então alguma Razão Superior para todo esse barulho? O colunista que assina como Spengler acredita que sim. Segundo ele, só a existência de Deus poderia explicar que haja tanto barulho por esse pedaço de terra meramente simbólico.
Bem, sou demasiado ignorante nesses assuntos para meter-me a discutir questões teológicas. Mas um comentarista anônimo escreveu o seguinte poucos posts atrás:
Mr. X, Israel é o centro do mundo e os Judeus são o povo no qual estão enxertados todos os Cristãos. Por isso Israel não sai do noticiário nem nunca sairá. Os ódios dirigidos ao povo judeu são insuflados pelo diabo que é o principe da terra. O diabo não conhece fronteiras nem mesmo se detem na frente dos que se dizem cristãos da boca pra fora mas não têm intimidade com Cristo. Muito pseudo cristão odeia os Judeus. Quando a conversão (a Cristo) é genuina esse sentimento não existe mais, mesmo que o convertido seja um palestino.
O diabo existe? Não sei, mas a incrível história de Walid Shoebat parece confirmar de algum modo a parte final do comentário do leitor. Walid é um ex-terrorista palestino que converteu-se ao cristianismo e hoje é um dos maiores defensores de Israel. Vale a pena visitar seu site e conferir alguns de seus textos e entrevistas. Magdi Allam é outro ex-muçulmano convertido ao cristianismo - pelo Papa em pessoa - que tornou-se um dos grandes defensores de Israel.
Será que Deus existe? Será que o ódio irracional contra Israel é insuflado pelo Demônio? Será que existe algum Plano Divino para nos tirar desta enrascada?
Não sei. Só sei que a situação por lá está uma confusão dos diabos... Talvez só Deus pra resolver. ;-)

