segunda-feira, 8 de junho de 2009

Battlestar Galactica, feminismo e felicidade

Por indicação do Bruno, estou assistindo à recente série "Battlestar Galactica" (a série na verdade acabou recentemente, assisto em DVD). Quando pré-adolescente, ainda peguei as reprises da série original dos anos 80, e gostava bastante. Decidi assistir esta versão nova também, embora seja completamente diferente da série original, que tinha um formato mais cômico.

A nova série é interessante, não obstante algumas curiosidades. Uma delas é a implausibilidade de certas storylines: por exemplo, a raça humana está sendo dizimada, morrem milhões, e o pessoal da nave Galactica está preocupado com eleições e com os direitos humanos de prisioneiros... É o mesmo tipo de discurso que se faria em uma administração Obama, mas, se começassem a cair bombas atômicas em todas as cidades americanas, com mortes aos milhões, duvido que qualquer um nos EUA se preocupasse muito com isso. Acho que até o Obama mudaria o discurso. (Quando a própria sobrevivência está na reta, a preocupação com esse tipo de coisa torna-se infinitamente menor.)

Bom, mas a maior diferença da série nova é mesmo a questão do feminismo, se é que podemos chamar assim. Na série original, Starbuck, o melhor piloto da frota, era um homem; aqui virou uma mulher. O presidente da federação das colônias é uma mulher. Um dos sargentos mais durões é uma mulher. Até a principal "vilã" cylon é uma mulher. Enfim, praticamente todos os personagens mais "machos" da série, ao menos até o momento, são mulheres.

O ator Dirk Benedict, que fazia o papel principal no seriado original, escreveu um divertido comentário sobre isso. Para ele, isso é o resultado do feminismo: hoje, o único modo de colocar um personagem realmente macho na TV é transformando-o em mulher.

Mas será que o feminismo foi bom para as mulheres?

Nelson Rodrigues, na mesma célebre entrevista em que diz que "mulher gosta de apanhar", observa:

Eu acho mulher tá vivendo completamente errada e nunca, e realmente ela nunca foi tão infeliz, nunca experimentou uma angústia, angústia tão forte. Se nós compararmos a mulher de agora, mulher moderna, emancipada, com liberdade sexual, com liberdade econômica, nós verificamos que realmente essa liberdade, essas liberdades, não a fazem feliz e, pelo contrário, essas liberdades frustram. É muito difícil encontrar uma mulher feliz, uma equilibrada, uma mulher tranqüila.

Estávamos nos anos 60, pleno auge do feminismo. Hoje, apesar de todas as conquistas que se seguiram, ocorre algo paradoxal: segundo uma pesquisa recentemente divulgada, as mulheres de hoje consideram-se bastante mais infelizes do que há 30, 40 anos atrás. E não só isso: pela primeira vez, revertendo tendência, as mulheres consideram-se mais infelizes do que os homens (a pesquisa completa, realizada aliás por duas mulheres perplexas, pode ser baixada aqui).

O que explicaria isso?

Eu não tenho uma resposta, até porque não sou de modo algum misógino - au contraire - ou antifeminista, e sou mesmo a favor de liberdade total para as mulheres. Mas talvez aí alguém possa saber. Enquanto vocês discutem, concluo aqui com duas histórias curiosas.

Uma doutoranda feminista israelense, com a ajuda do seu professor esquerdiota - o qual, vejam a coincidência, foi mais tarde acusado de abuso sexual - escreveu uma tese afirmando que os soldados israelenses seriam racistas por não estuprarem mulheres árabes. Isso mesmo. Isto é, teriam tanto preconceito racial que nem mesmo as veriam como objetos de desejo sexual... O estupro, do ponto de vista da estudante, seria mais positivo. Feminista que gosta de estupro?

Mais estranho ainda é o caso da holandesa Joanie de Rijke. Vejam que loucura: a moça, jornalista esquerdófila, feminista, decidiu ir ao Afeganistão para entrevistar os talibãs - sozinha. Naturalmente, foi seqüestrada, estuprada repetidas vezes, e finalmente liberada em troca de alguns milhares de dólares. Mas, em vez de ter aprendido alguma coisa, o que a idiota fez ao retornar? Insistiu que "os talibãs não eram monstros", que eram apenas uma cultura diferente, que "a respeitaram" e que, apesar de tê-la estuprado, não o fizeram por mal, mas apenas porque "não conseguiam controlar sua testosterona". (?!?)

Fiquei encucado. Será que Joanie gosta de apanhar?

Starbuck, por outro lado, é sexy e não leva desaforo pra casa.

17 comentários:

Cláudio disse...

Cara, você está provocando seus pimpolhos, só pode ser. :-)

Quanto ao feminismo (ou politicamente correto) dos programas de TV, algumas vezes beira o ridículo: em um episódio do NCIS, a agente Ziva (que é do Mossad) lutou pau-a-pau com um marine de quase dois metros que já havia matado nego com a unha. Que equiparem a capacidade intelectual ou mesmo física para pessoas dos mesmo tamanho acho natural; agora aquilo foi uma aberração que desafiou as leis da física.

Chesterton disse...

epa, os inimigos (ou prisioneiros) são humanos? Como assim "direitos humanos"?

Enrique Villalobos disse...

Esse caso da holandesa eu nem conhecia!

Mas, como fiz no próprio artigo, é a Síndrome de Estocolmo.

Bizarro.

Mr X disse...

Na verdade, o post era pra provocar a confetti, hihi. ;-)

Aliás, ela é aparentemente a única leitora feminina restante, pô. Chato. Será que eu disse algo errado? :-/

Ah, os prisioneiros no episódio mencionado eram humanos, estavam presos desde antes do ataque dos cylons. Mas não duvido que não se preocupem com os direitos humanos (?) dos cylons também, são heróis muito sensíveis. Mas a série é bacana pra quem gosta de sci-fi.

Anônimo disse...

Não, voce disse tudo 100% certo, Mr X.

Mr X disse...

Ah, se querem ver uma coisa divertida, leiam esta bizarra discussão em um blog feminista, no qual várias mulheres afirmam que "estupro não tem nada a ver com sexo (ah não?!), é apenas uma forma de mostrar a dominação dos homens sobre os não-homens". (hein?)

http://www.amptoons.com/blog/archives/2005/01/12/equity-feminism-and-rape/

Gosto de mulheres, mas acho as feministas radicais loucas e sapatonas. Ops. :-P

Didi Iashin disse...

"apenas uma forma de mostrar a dominação dos homens sobre os não-homens". (hein?)"
HEIN, MESMO!!
Ei, eu também sou uma florzinha do seu jardim, Mister Equis; sou Didi mas sou mocinha (hehehehe)
Desde os meus quinze anos, eu lia sobre o movimento feminista e dizia, para mim mesma: essa droga veio apenas para nos OBRIGAR a ter sexo com quem aparecer, sob o risco de sermos taxadas de atrasadas, "burguesas conservadoras" (brindaram-me com essa ...), cafonas e, em casos mais loucos, sermos chamadas de lésbicas (por não aceitar o "convite" de um macho).
Essa tese da israelense é o que há de LOUCURA!! E a holandesa deve ter fumado demais, para sair com uma bobagem dessas. Viram? PÔ, é legal ser estuprada (eu sei escrever a palavra!!!), é até meio - digamos - excitante! Uai, não dizem por aí que mulher deseja o estupro para não ter que lidar com seus próprios desejos?
PAREM O MUNDO QUE EU QUERO DESCER!!
Mas parem, mesmo, pois eu não sou machinha de descer de veículo em movimento.

Mr X disse...

Oi Didi. :-)

Mr X disse...

Talvez a tal agente Ziva tenha usado o Krav Maga:

http://en.wikipedia.org/wiki/Krav_Maga

Ah, tem exageros, mas que há mulheres que dão pau em homens é verdade. No outro dia li sobre dois malandros que tentaram assaltar uma garota, sem saber que ela era campeã mundial de caratê. A mocinha deu uma surra nos dois, tanto que no fim das contas quem acabou apresentando queixa à polícia, por lesões corporais, foram os dois meliantes. :-D

Désir La Vie disse...

Mr.X

Mesmo que invadindo o seu espaço, não posso deixar de lhe dizer:

Você é absurdamente idiota!

Pena que agora são 03.25 da manhã, e tenho que acordar cedo. Pois minha vontade era de deixar uma carta, não um comentário.

Você distorce tudo e mais um pouco. És um louco, só pode.

E só pra constar: não sou sapata, nem louca, tampouco radical.

Mr X disse...

:-(

Kct disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Kct disse...

Estou de pleno acordo com o Cláudio, o primeiro nos comentários. Acho que o único cara que ainda não vi apanhar de mulher no cinema foi o Shwazenager, que aliás, costuma insinuar que daria umas porradas na mocinha se fosse necessário.
Gostava da série dos anos 80, de toda aquela mística em torno da origem dos antigos egípcios. Até o capacete dos pilotos dos caças era parecido com antigos ornamentos egípcios!
Eu gosto das meninas, mas vamos lá, não convencem como guerreiras.

|3run0 disse...

Que bom que vc está gostando X. Acho que a sua ideia tem mérito; mas o Adama (senior) não é exatamente um maricas...

Mr X disse...

Ah é. Mas o Apolo acho que é meio gay. Por que ele não pega a Starbuck de uma vez? ;-)

|3run0 disse...

Sem querer dar spoiler, mas espere e verá. O Apollo foi um personagem que demorou algumas temporadas para encontrar propósito.

A Roslyn, por outro lado é o que há. Eu votaria nela.

Mr X disse...

Eu não só votaria como faria algumas outras coisas também. Haha. :-P