Uma das maiores desgraças causadas pelo "politicamente correto", que nada mais é do que a aplicação prática dos princípios ultra-igualitários esquerdistas ao discurso, é ter tornado as pessoas extremamente sensíveis à mais ligeira provocação.
Além da censura midiática que proíbe a discussão honesta sobre certos assuntos, há a censura (ou até autocensura) que se cria entre os indivíduos, que cada vez ficam com mais medo de ter problemas, ou até mesmo um processo nas costas, devido a alguma frase infeliz dita ou escrita por aí. Isto até piorou com a Internet: às vezes, até uma frase inocente publicada no Facebook ou Twitter pode gerar infinitas dores de cabeça.
Um exemplo, já mencionado aqui, foi o caso do ator brasileiro Rodrigo Lombardi, que foi criticado por ter elogiado o dançarino e cantor negro Sammy Davis Jr., só que de uma forma considerada preconceituosa pelos bem-pensantes. A intenção do ator não apenas era a de elogiar, como Sammy Davis está morto e não se importa mais sobre o que disserem sobre ele. Isso, naturalmente, não impediu muitos progressistas de quererem a cabeça do "racista".
Toda hora há casos novos. Agora tem o comercial de lingerie com a Gisele Bündchen, que o governo quer proibir. Antes, um humorista foi censurado por fazer piada com King Kong e teve que se retratar. Uma jovem acusada de criticar os nordestinos no Twitter teve que abandonar a faculdade. Vez por outra um jogador de futebol é acusado de "racista" por chamar outro de "negão" ou de "macaco". Segundo um jornalista do Globo, "todo castigo é pouco para os racistas": ele chega a afirmar que seria preferível que o racista tivesse agredido o outro jogador com um soco do que chamá-lo de "macaco", que hoje em dia parece ser a maior ofensa jamais criada contra qualquer pessoa de cor. (Também o saudoso Clodovil uma vez foi processado por racismo por ter chamado uma deputada negra de "macaca de tauilleur"). O que é estranho é que, no tempo dos Trapalhões, não lembro que houvesse tanto escândalo com palavras como "macaco", "cabeça-chata", "fresco", e por aí vai.
Hoje no Canadá, ocorreu o oposto: um jogador de hóquei negro está sendo criticado por ter chamado um adversário de "bicha" ou "viado" (faggot). Detalhe: parece que o adversário é mesmo viado, ou ao menos está empenhado na causa do casamento gay. Outro detalhe: o jogador que realizou o insulto já tinha por sua vez recebido insultos racistas anteriormente, o que não impediu que agora seja criticado por ser homofóbico.
Isso nos leva a uma importante questão filosófica: o que é pior nestes dias, ser "racista" ou ser "homofóbico"? Se um gay ataca um negro e vice-versa, quem leva a pior? Nos EUA, um violento caso de negros que agrediram um branco no McDonald's foi ocultado pela mídia, até que se descobriu que a vítima branca era um travesti. Sendo, portanto, um ataque "homofóbico" (e não simplesmente contra um branquelo que merecia mesmo apanhar), o ataque passou a ser registrado e mesmo criticado. O que parece provar que: a) os gays venceram a batalha e a "homofobia" é mais forte do que o "racismo, e b) que o único grupo que não tem direito a reclamar são os brancos heterossexuais cristãos. Apanhem calados!).
O mais curioso de tudo é que há almas delicadas até no campo de hóquei. Bater até quebrar ossos pode, o que não pode é insultar...
De acordo com a Associacão Canadense de Gays e Lésbicas contra a Difamação (sim, existe isso), "o discurso de ódio e insultos homofóbicos não têm lugar no campo de hóquei."
Pôrrameu, são jogadores de hóquei, o esporte mais violento do mundo! Se um jogador de hóquei não pode nem chamar o outro de "viado", onde diabos iremos parar?!?
Isso tudo parece um tema menor e sem importância, mas não é mesmo. Todas essas novas leis anti-racismo e anti-homofobia, bem como a simples existência do "politicamente correto", tem uma função bem clara no projeto progressista: a censura.
Sim, a esquerda, que tanto chora sobre a "censura" que sofreu durante a "horrível ditadura militar", é a maior censuradora hoje em dia!
Atenção, isso não quer dizer que eu seja a favor de insultos. A ética comanda que, por uma questão de civilidade, os insultos (raciais, sexuais ou de qualquer outra ordem) sejam evitados; mas, em certos ambientes como o esportivo, eles são bastante comuns, e não deveriam ser objeto de qualquer tipo de ação legal. Jogador de futebol e torcedor estão ali para xingar e serem xingados mesmo: só falta agora quererem proteger de insultos a mãe do juiz...
Faz tempo que casos de injúria e difamação são corretamente levados em conta pela lei, e não pareceria haver necessidade de leis novas. Observe ainda que a censura esquerdista vai muito além disso, não permitindo nenhum tipo de discurso que seja sequer contrário aos grupos protegidos pelo progressismo mundial.
Por exemplo: um cidadão foi acusado de "racismo" por sugerir em artigo de jornal (mas sem usar qualquer insulto) que a cultura branca européia fosse mais avançada do que a cultura indígena nativa brasileira. O que parece algo óbvio -- afinal, os povos europeus eram ou não mais avançados tecnologicamente, artisticamente, etc? -- hoje virou caso de polícia. (O acusado também afirmou que os índios enterrariam ossos em certas propriedades para dizer depois que estas seriam "terras indígenas"; isso, lamentavelmente, também não é mais do que a verdade, já comprovada em vários casos).
Não sei como acabou o caso: o Ministério Público queria do pobre homem uma indenização inicial de 30 milhões de reais.
Quanto aos gays, é ainda pior, e acontece no mundo todo. No outro dia, um estudante inglês foi suspenso por simplesmente dizer que "o homossexualismo é errado." Percebam que ele não insultou ninguém nem disse nada de extraordinário: o mero fato de achar que atos homossexuais sejam pecado já é um crime ou ao menos uma falta em muitos países.
Até mesmo ser contrário ao "casamento gay", o que há pouco era apenas questão de opinião, está virando um discurso proibido. E isso que o "casamento gay" é uma questão que afeta, segundo estatísticas, 0.55% da população americana (é o número de parceiros do mesmo sexo que vivem juntos). Tempestade num copo d'água?
Essa censura toda termina tendo também, acredito, um efeito psicológico nefasto. Impedida de se pronunciar de forma civilizada, a crítica às minorias termina se transformando em ódio e rancor. Mesmo eu, que tenho contato com pessoas de todas as cores, religiões e orientações sexuais sem jamais ter insultado ninguém, toda vez que ouço alguma proibição politicamente correta, tenho vontade de urrar insultos racistas e homofóbicos aos quatro ventos. Imagine então alguém que foi suspenso da escola ou perdeu o emprego por ter dito alguma frase proibida: será que o seu ódio vai ser maior ou menor?
Com mil raios e trovões! Deixem o mundo se expressar em paz! Seus sacripantas, pândegos, anacolutos, embusteiros, antropopitecos, antropófagos, babuínos, ungulados, psicopatas, piromaníacos, sodomitas, bucaneiros, cabeçudos, colocintos, carcamanos, chucrutes, tecnocratas, terroristas, zapotecas, visigodos, iconoclastas, selvagens, astecas, esquizofrênicos, ornitorrincos, frouxos, macacos, parasitas, otomanos, ruminantes, canalhas, covardes, mercenários, ectoplasmas, doríferos, coleópteros, zulus!!
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quinta-feira, 29 de setembro de 2011
terça-feira, 19 de maio de 2009
Fracasso anunciado
Um dos mais tristes e patéticos espetáculos da política internacional é assistir a presidente americano após presidente americano meter a colher no conflito Israel vs. palestinos, esperando sair com um acordo de paz que lhe trará glória eterna - e inevitavelmente fracassando.
Obama não é diferente. Lá vai ele com seu carisma messiânico, dialogando hoje com Netanyahu, amanhã com o Hamas. Vai fracassar. Pior: dadas as atuais circunstâncias, corre o risco de gerar uma hecatombe nuclear na região que vai dar saudade imensa das guerrinhas em Gaza.
Primeiro, nunca entendo o que os EUA tem a ver com a história toda. Se americanos (e europeus) se metessem menos, o conflito teria terminado há muito tempo, de modo mais satisfatório para ambos os lados. A eterna negociação só acrescenta lenha à fogueira.
Segundo, a situação é mais simples do que parece. Os palestinos não querem tanto um Estado, quando o fim de Israel. Se quisessem um Estado, já o teriam. Spengler, que tem agora novo e excelente blog, dá a letra.
Obama não é diferente. Lá vai ele com seu carisma messiânico, dialogando hoje com Netanyahu, amanhã com o Hamas. Vai fracassar. Pior: dadas as atuais circunstâncias, corre o risco de gerar uma hecatombe nuclear na região que vai dar saudade imensa das guerrinhas em Gaza.
Primeiro, nunca entendo o que os EUA tem a ver com a história toda. Se americanos (e europeus) se metessem menos, o conflito teria terminado há muito tempo, de modo mais satisfatório para ambos os lados. A eterna negociação só acrescenta lenha à fogueira.
Segundo, a situação é mais simples do que parece. Os palestinos não querem tanto um Estado, quando o fim de Israel. Se quisessem um Estado, já o teriam. Spengler, que tem agora novo e excelente blog, dá a letra.
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
O futuro de Israel
Benjamim Netanyahu foi confirmado o novo primeiro-ministro israelense, faltando apenas saber se vai governar com um governo de coalizão (caso a Livni aceite) ou com maioria reduzida.
Enquanto isso, Obama e seus aliados europeus estão preocupados, pois temem que o "processo de paz" possa ser prejudicado. Por "processo de paz", naturalmente, entenda-se a destruição de Israel. Afinal, os terroristas podem continuar atacando à vontade, é apenas Israel quem deve ceder a todas as suas demandas, sem receber nada em troca além de vagas promessas que jamais foram cumpridas.
O mais estranho de tudo isto é o seguinte: Israel, bem ou mal, é um aliado de EUA e Europa. Quer dizer, não representa ameaça militar alguma aos países civilizados. Os países muçulmanos, ao contrário, representam cada vez mais uma séria ameaça, ainda mais agora que parece estar ocorrendo uma corrida nuclear na região iniciada pelo Irã. E, no entanto, por algum motivo que escapa ao meu entendimento - salvo que seja devido aos petrodólares, mas nenhum político seria tão venal, ou seria? - americanos e europeus negam apoio a Israel e querem porque querem puxar o saco dos árabes. Em meio de uma crise terrível, EUA e Europa conseguem achar algunsmilhões bilhões de dólares DO CONTRIBUINTE para dar aos palestinos.
O futuro de Israel é preocupante. Afinal, com amigos assim, quem precisa de inimigos?
Enquanto isso, Obama e seus aliados europeus estão preocupados, pois temem que o "processo de paz" possa ser prejudicado. Por "processo de paz", naturalmente, entenda-se a destruição de Israel. Afinal, os terroristas podem continuar atacando à vontade, é apenas Israel quem deve ceder a todas as suas demandas, sem receber nada em troca além de vagas promessas que jamais foram cumpridas.
O mais estranho de tudo isto é o seguinte: Israel, bem ou mal, é um aliado de EUA e Europa. Quer dizer, não representa ameaça militar alguma aos países civilizados. Os países muçulmanos, ao contrário, representam cada vez mais uma séria ameaça, ainda mais agora que parece estar ocorrendo uma corrida nuclear na região iniciada pelo Irã. E, no entanto, por algum motivo que escapa ao meu entendimento - salvo que seja devido aos petrodólares, mas nenhum político seria tão venal, ou seria? - americanos e europeus negam apoio a Israel e querem porque querem puxar o saco dos árabes. Em meio de uma crise terrível, EUA e Europa conseguem achar alguns
O futuro de Israel é preocupante. Afinal, com amigos assim, quem precisa de inimigos?
P.S. Por outro lado, a situação não é exatamente novidade para Israel. Em 1983, Bob Dylan cantava em "Neighborhood bully" sobre como Israel é SEMPRE o culpado. Aqui.
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Os rojões da paz
O acadêmico Idelber chama os foguetes Qassam dos palestinos de "meros rojões". Sei que prometi não citar mais a figura, mas ainda estou incrédulo. Rojões! Será que o Hamas só queria convidar os israelenses para uma festa junina? Por outro lado, rojões podem ser bem perigosos. Vejam esta foto exclusiva aqui, de um terrorista do Hamas em uma operação ultra-secreta:
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Vã filosofia
Parece que nosso amigo Bernardes escreveu um post comentando o último artigo deste blog. Pediria que algum leitor leia e resuma pra mim, pois é muito longo e chato pra caray. (Alguém deveria ensiná-lo a usar parágrafos.)
Comento só o final do texto, pois percebi ele tenta ridicularizar a minha dedução de que ele seria "estudante de Filosofia ou História" e não de Letras ou Biologia:
Ainda bem que não tive o azar de estudar Filosofia, ou jamais poderia afirmar uma conclusão dessas sem citar Lakatos e Wittgenstein pelo menos três vezes.
Comento só o final do texto, pois percebi ele tenta ridicularizar a minha dedução de que ele seria "estudante de Filosofia ou História" e não de Letras ou Biologia:
Ao final do seu comentário o rapaz ainda apela mais uma vez para a arma olaviana, sentencia que não sou estudante de Letras e de Biologia porque acentuei erradamente a palavra "pupila/púpila". (...) Constatação brilhante, a altura da interpretação que ele promove ao longo do texto. [Atenção Léo, à altura é com crase, mas não vou usar isso contra você].Além de distorcer, o que ele não informa é que eu estava absolutamente correto na minha intuição Sherlock-Holmesiana. De acordo com seu próprio perfil no Blogger, o rapaz tem 27 anos e é formado em Filosofia pela Universidade Federal da Bahia... (Ah, e como suspeitei é fã do Nassif e do nosso já conhecido Idelber... Essas figurinhas são tão fáceis de catalogar...)
Ainda bem que não tive o azar de estudar Filosofia, ou jamais poderia afirmar uma conclusão dessas sem citar Lakatos e Wittgenstein pelo menos três vezes.
quarta-feira, 23 de abril de 2008
A guerra contra as palavras

Não existem mais terroristas, existem apenas "militantes".
Não existe "terrorismo islâmico", mas sim "atos anti-islâmicos".
Não existem imigrantes ilegais, existem "cidadãos sem documentação", ou simplesmente "los sin-papeles".
Não existe mais roubo, existe "erro administrativo".
Não existe mais "invasão de propriedade privada", existe "ocupação de terras improdutivas".
Não existe mais amante, existe "namorada".
Não existe mais negro, existe "afro-brasileiro".
Não existem mais países miseráveis, existem "nações em vias de desenvolvimento".
Não existe mais "aborto", existe "paternidade planejada" (aliás, a organização abortista americana desse mesmo nome está envolvida em um grave escândalo de racismo).
A guerra contra as palavras faz parte da estratégia cultural dos revolucionários. Para acabar com o sistema, acabe primeiro com qualquer possibilidade de comunicação simples, clara e direta.
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