domingo, 28 de dezembro de 2008

Os vivos e os mortos

Nelson Rodrigues observou certa vez que nos comove mais a morte de um cachorro vira-lata na porta da nossa casa do que cem mil mortos em um terremoto na África. Feliz ou infelizmente, ele tem razão. Aquilo que nos é próximo nos causa mais dor. É da natureza humana.

Portanto, não deixo de achar curioso ou até forçado o vendaval de comentaristas lamentando tão profundamente a morte de 200 palestinos, tenham sido eles terroristas ou não. Afinal, esses zeloso seres que tanto amam a humanidade não lamentaram da mesma forma os 300 mortos em Mumbai, nem os 1.000 mortos de cólera no Zimbabwe, nem os 100.000 mortos na Chechênia, nem os milhares que morreram em atentados terroristas no Iraque, nem os 5.000 que morreram na recente guerra de traficantes no México, nem as centenas que morrem toda semana nas favelas do Rio de Janeiro. O que há nos palestinos que os toca tanto?

Toda guerra é um horror. Toda morte é uma tragédia. E, embora eu lamente pelas vítimas inocentes, que sempre existem, não posso deixar de acreditar que os militantes do Hamas escolheram esse destino. Ontem mesmo não estavam prometendo "guerra total"? Pois agora a tiveram.

Porém, pessoalmente, devo confessar certa insensibilidade. Entristece-me a morte de inocentes palestinos, sim, e não há nenhuma hipocrisia aqui. Mas me tocou mais a morte dos 300 indianos e turistas de Mumbai, ou os mortos nos atentados no metrô de Londres, ou os mortos nos atentados de Madri. Por quê? Por um motivo também egoísta. Tais mortos são, se não na distância, ao menos na afinidade, mais parecidos a mim. Imagino que, fossem diversas as circunstâncias, poderia ter acontecido comigo ou com algum conhecido. Enquanto que eu jamais poderia me imaginar em um campo de treinamento do Hamas bombardeado por Israel.

(E observem que os alvos do ataque foram cuidadosamente selecionados, não foi - como parecem pensar muitos - um ataque randômico a áreas civis. Foi uma operação planejada ao longo de vários meses.)

Um dos melhores blogueiros do mundo em língua inglesa, Richard Fernandez, acredita que o problema entre Israel e os palestinos são justamente os "acordos de paz". Os diplomatas bebem champanhe e celebram o "processo de paz", mas é tudo mentira. Não há processo de paz nenhum, nunca houve. Acreditar nesse delírio em vez de ver as coisas como elas são é justamente o que faz a violência continuar e a prolonga através das gerações. Já imaginou a ONU pedindo pros Aliados moderarem os seus ataques contra os nazistas? A II Guerra não teria acabado jamais:

There are some things which can’t be settled by diplomacy, ever. Not if people choose not to. War settles things which are non-negotiable. The destruction of Israel is not for our discussion or debate. That’s not my opinion. It’s Hamas’. What you want and what I want is not what they want. War is a terrible thing. But if the Peace Process people were around in World War 2, Patton’s grandchildren would still be on the Rhine, forever on the verge of beating the Nazi armies before the UN called for restraint. The Nazi armies would recover and a new Battle of the Bulge would be fought on odd or even years. America would still be dropping the odd atomic bomb on Japan every so often. And three generations of Germans, Japanese and Americans would know nothing but this horrible stop and go; this parody of “peacemaking”.

Terrible as it was, the best thing about World War 2 was that it ended in 1945. And as a result the relations between Germans and Americans and Japanese are far better than between the Israelis and Palestinians. Why? Because the war ended. When does this war end? Never, if the peace process people have anything to do with it. What they’ve given us isn’t peace, but a slow, prolonged, poisonous and endless war.
Oceania está em guerra contra a Eurásia. Oceania sempre esteve em guerra contra a Eurásia.

13 comentários:

Stefano disse...

Por que será que Israel é o único país do mundo SEMPRE culpado pela reação 'desproporcional' aos ataques violentos de seus inimigos?

Mr X disse...

Stefano,
Acho que é uma doença. Pra alguns Israel é sempre culpado. Já vi culparem Israel até pelos ataques em Mumbai.

Ronald W. disse...

Mr. X, eu adorei esse comentario do Dino la no weblog do PD:
PD, não se faça de ignorante, o Hamas e outros congêneres, você bem sabe, é fruto da política imperialista ocidental e israelense de fomento de partidos religiosos para combaterem os partidos pan árabes, nacionalistas e até marxistas, se alguém é responsável por sordidez, deve ser quem planejou enfraquecer movimentos nacionalistas seculares através destas ações.

Diogo disse...

Stefano, por favor, vitimização também não.

Isso só demonstra a importância que o mundo, bem ou mal, dá a Israel.

Noves fora o anti-semitismo fóssil que ainda impera aqui e ali, está mais do que na hora de Israel assumir seu papel de protagonista no mundo político comtemporrâneo,e encarar a imagem [verdadeira ou não] que está se criando em torno de si.

Anônimo disse...

Mr.x ,Israel é o centro do mundo e os Judeus são o povo no qual estão enxertados todos os Cristãos. Por isso Israel não sai do noticiário nem nunca sairá. Os ódios dirigidos ao povo judeu são insuflados pelo diabo que é o principe da terra. O diabo não conhece fronteiras nem mesmo se detem na frente dos que se dizem cristãos da boca pra fora mas não têm intimidade com Cristo. Muito pseudo cristão odeia os Judeus. Quando a conversão(a Cristo) é genuina esse sentimento não existe mais, mesmo que o convertido seja um palestino.

Anônimo disse...

Xizo,
permita transcrever-te palavras de Pilar Rahola sobre o que é jihadismo. Acho que vem a propósito do que está se discutindo. Tomo o excerto final do artigo:

Este es el decálogo para entender el fenómeno totalitario más importante desde el nazismo.

Primero, es planetario, es bélico y su trinchera es el mundo global.

Segundo, se alimenta de causas nacionales, pero no cree en ellas. Su finalidad es la República Islámica mundial.

Tercero, no presenta organizaciones clandestinas al uso, sino una filosofía general que permite la autonomía de sus seguidores, una especie de franquicia del terrorismo.

Cuarto, se nutre de jóvenes de barrios pobres, sin perspectivas ni esperanzas, necesitados de sentido en su vida.

Quinto, mezcla con perversa inteligencia épica, religión y nación, de manera que da trascendencia tanto terrenal como espiritual.

Sexto, lleva miles de muertos en todo el mundo.

Séptimo, su estrategia es la desestabilización permanente.

Octavo, mueve mucho dinero.

Noveno, es minoritario en el islam, pero su movimiento genera millones de simpatizantes.

Décimo, usa el nombre del islam, pero es el principal asesino de musulmanes en todo el planeta.

Este fenómeno es el que ha asesinado a decenas de personas en la India. Y en Bali, y en Jerusalén, y en Nueva York, y en Buenos Aires, y en Yemen, y en Londres y en Madrid...

Abs.

Madeleine

Stefano disse...

Caro Diogo, o papel e a imagem de Israel são sistematicamente distorcidos e falsificados pela mídia internacional, cada vez mais esquerdosa e obtusa. Não importa que os selvagens palestinos lancem mais de 400 mísseis contra aquele país em pouco mais de um mês, o "coitadismo" está e esteve sempre ao seu lado. Israel é vitima, sim, mas não porque eu queira...

Chesterton disse...

Stefano, por favor, vitimização também não.

Isso só demonstra a importância que o mundo, bem ou mal, dá a Israel.

Noves fora o anti-semitismo fóssil que ainda impera aqui e ali, está mais do que na hora de Israel assumir seu papel de protagonista no mundo político comtemporrâneo,e encarar a imagem [verdadeira ou não] que está se criando em torno de si.

chest- Diogo, só pode fazer isso derrotando militarmente todo grupo palestino que se armar. Isto é cadáver para caramba. O mundo está pronto para aceitar isso? Apoiando israel?

Stefano disse...

Eu sou bem burrinho e simplista, e acho que o mundo não tem de "aceitar" coisa nenhuma quando se trata do legítimo direito de defesa de uma nação...

marcelo augusto disse...

Vocês precisam assistir à animação Cannon Fodder:

http://www.youtube.com/watch?v=e99BDD9c5XQ

É baseado no 1984 de Orwell. Muito bom!

Chesterton disse...

stefano, tem todo meu apoio.

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