segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

The Soviet Story

Por que será que o comunismo não é considerado uma ideologia tão doentia e assassina quanto o nazismo, mesmo tendo matado muito mais, e inclusive colaborado com o nazismo e inspirado este?
Por que será que a expressão "justiça social" não é considerada tão perversa quanto a expressão "raça ariana", mesmo sendo ambas justificativas para o genocídio de milhões?

21 comentários:

Chesterton disse...

Essa foi a maior fraude do século 20.

Chesterton disse...

mais leituras

http://ray-dox.blogspot.com/2006/08/authoritarianism-research-by-john-j.html

Diogo disse...

Interessante.

Algumas das imagens do vídeo linkado pelo X, foram feitas e usadas como propaganda nazista, contra os bolcheviques.

http://br.youtube.com/watch?v=soxB7rBZ88Q

http://br.youtube.com/watch?v=Bz7K8PGky2k

marcelo augusto disse...

Algumas coisas interessantes aqui.

São crimes condenáveis, sejam os cometidos pelos nazistas, sejam aqueles levados a cabo pelo regime stalinista.

Quando um grupo de pessoas, por mais que estejam equivocadas e injustificadas, acredita feroz e fanaticamente que possuem o ápice da excelência e que são detentoras de verdades absolutas, tendo em mãos um conhecimento que lhes dá poder sobre o passado, o presente e o futuro, mais propensas elas estarão a exigir toda a excelência e todas as verdades para a causa que acreditam ser o inexorável destino da humanidade. Daí que extermínios em escala industrial surjam como meios de levar os seguidores ao amanhecer do novo dia prometido.

Parece que a aurora da terra prometida virá acompanhada do cheiro de milhões de cadáveres.

São atitudes difíceis de serem postas claramente sobre a mesa para que tenhamos um panorama geral de suas origens, causas, efeitos, e etc. A maioria das explicações que li a respeito -- sejam à esquerda, sejam à direita -- quase sempre me levaram a desconfiar do real objetivo de quem as fazia, pois, freqüentemente, tendiam a ser mais uma demonstração de amor ou ódio pela causa em questão do que uma explicação sensata das razões que levavam um grupo de pessoas a exterminar um outro.

Talvez, esses movimentos de massa (ideologias, religiões, seitas, e afins) sejam apenas uma tentativa consoladora para nos ocultar a desagradável realidade à qual estamos sujeitos e do nosso verdadeiro inexorável destino: a morte. É estranho que tais tentativas que tentam nos dar algum consolo perante a morte acabem se tornando sua alimentadora. Fruto da profunda fraqueza humana perante o deslumbre causado pela posse de múltiplos bens materiais e do insignificante deleite por eles proporcionados. No fundo não passam de tolices quando avaliadas à fria luz de nosso inevitável desaparecimento deste mundo.

Não seria de se espantar se essas coisas fossem o motivo para tantas ilusões e loucuras que tentam nos dar um prolongamento de nossas vidas neste mundo, daí que surjam devaneios como Paraíso dos Justos, Walhalla dos Guerreiros Tombados, Jardim das Delícias povoado por odaliscas eternamente virgens, ou bordéis celestiais dos mais variados... Sem chegar a esse ponto, as pessoas, no geral, tentam integrar suas existências em um grande desígnio que, de certa forma, lhes reservem um lugar especial diante da real indiferença a que estão submetidas. Logicamente que é tentador seguir esse caminho e se tranqüilizar com um sentimento artificial de que o ser humano possui um papel especial no universo que o rodeia. Mas, religiões reveladas, "dialética científica da história", ou "Reich de Mil Anos", essas utopias, cuja função real é nos consolar de nossa condição de animais efêmeros, se verificam não raro opressivas e assassinas. Por uma terrível inversão, nascidas da angústia da morte, acabam por se tornar motivos para que matem aqueles que não compartilham (ou não querem compartilhar) desses ideais. Sempre desconfio dessas visões de mundo, pois são visões que, geralmente, necessitam ser postas à prova para prová-las aos outros e, sobretudo, ao fiel seguidor. E haveria melhor meio de provar a excelência de uma doutrina/dogma/ideologia/religião do que estar disposto a matar e a morrer em nome da causa? As carnificinas insensatas que se confundem no passado, no presente e, provavelmente, no futuro da história humana me parecem fortemente ligadas a esse mecanismo psicológico mais que evidente: Uma reles saída ilusória da essência fundamental de nossa passageira e breve condição.

Fico a me perguntar: Quantas neuroses sublimadas em religiões enganadoras? Quantas ideologias mortíferas nascidas do pavor pela morte? Quantas frustrações sexuais condensadas em ódios absurdos? Quantas falsas respostas para perguntas verdadeiras?

Perante tanta indiferença do mundo e das coisas, talvez eu possa, humildemente, me perguntar: Quem sou eu..? Um caminhante efêmero, que terá desaparecido bem antes que essas rochas se esboroem, enquanto o mar eterno continuará quebrando nessa praia; uma frágil construção originária das leis da matéria e dos jogos do acaso que, no entanto, supera radicalmente sua condição ao se verificar capaz de captar sua própria natureza... Espero manter a consciência, neste momento tão sutil, do que a vida tem de simultaneamente insignificante e precioso. Que essa verdade sempre renovada afaste os consolos ilusórios, a satisfação a perder de vista de um ego sempre carente, ou o deslumbre pelas insignificantes posses materiais! Longe das religiões enganadoras, das ideologias mortíferas e dos ódios absurdos, que permaneçam a consciência da beleza, a emoção, o amor, o conhecimento: tudo que faz a vida, realmente, valer a pena.

Pax disse...

Interessante o texto do Marcelo Augusto acima.

Mais ainda foi ler pensando: vou trocar comunismo por catolicismo me lembrando da Santa Inquisição.

Se encaixa quase que perfeitamente.

Pois é...

Chesterton disse...

Pax, e depois você quer acusar o RA de desonestidade intelectual? Piada do dia.

marcelo augusto disse...

Reinaldo Azevedo é algo que não leio. Só fico sabendo de suas tolices através de amigos que me enviam links sobre alguma bobagem que ele escreveu.

Sobre a desonestidade intelectual de Reinaldo Azevedo -- aliás, nem sei se isso pode ser assim chamado --, o colunista da Revista Veja fez rasgados elogios a um stalinista de carteirinha na edição da semana passada (creio): Graciliano Ramos.

Título da coluna: Graciliano, O Grande.

Janer Cristaldo excreveu a respeito dois bons artigos sobre o ocorrido. Aqui. Procurem por RECÓRTER TUCANOPAPISTA TECE LOAS A ESCRITOR STALINISTA (I) e por RECÓRTER TUCANOPAPISTA TECE LOAS A ESCRITOR STALINISTA (II).

Se Reinaldo Azevedo fosse seguir sua (pato)lógica anti-esquerdista, Graciliano Ramos deveria ser posto na condição de porco fedorento que merece apodrecer para sempre na lata de lixo da história por causa de suas convicções políticas e por simpatizar com assassinos em massa.

É interessante -- e, ao mesmo tempo, assustador -- que um fanático que segue uma dada corrente ideológica possua em seu íntimo a tendência de se rebelar contra a própria ideologia e procurar abrigo no ideário diametralmente oposto à posição de seus outrora ideais.

Talvez, essa seja uma qualidade inerente ao fanatismo.

Vale lembrar que para um indivíduo com esses traços psicológicos, o conteúdo pregado por uma ideologia não é importante, já que a relevância está na essência, ainda que ele não perceba isso conscientemente na maioria dos casos. Por exemplo, nazismo e stalinismo possuem muito em comum em termos de essência (o conteúdo pregado é diferente, mas ambas as estruturas ideológicas são semelhantes). Portanto, não é de se espantar que um seguidor de uma dada ideologia -- quando sente que esta não mais satisfaz as suas expectativas e não mais lhe proporciona um bem-estar psicológico -- acabe por trocá-la por uma outra, ainda que a troca encontre-se diamentralmente oposta àquilo que ele, o fiel seguidor, antes, acreditava.

Vejam o exemplo de Saulo, um ardente perseguidor dos cristãos, e que depois se tornou Paulo, um cristão fanático. O mesmo vale para comunistas que viraram anti-comunistas e etc. No final das contas, o que importa para um seguidor é fazer parte de algo, supostamente, maior, desde que isso proporcione um bem-estar psicológico a ele (auto-estima, expectativas de um novo futuro, auto-confiança, orgulho de seguir a ideologia, ressalte os valores em comum dos seguidores, crie "demônios" a serem combatidos e, em alguns casos, até mesmo eliminados, e etc.). Considero que um seguidor, que se diz oprimido e sem o espaço que pensa ser seu, busque não a liberdade em seu sentido amplo, mas, sim, uma forma de retaliar aqueles que considera seus opressores.

É estranho que muitas das ideologias recentes -- principalemente as do Iluminismo até os dias de hoje -- tenham pregado tanto sobre a liberdade do homem e de livrá-lo das amarras do obscurantismo. Eu duvido muito que um crente fiel dessas ideologias (nem tanto as iluministas) queira, realmente, lutar pela liberdade. Ele luta, acima de tudo, por orgulho e poder, sobretudo o poder de oprimir os outros, pois, como a história nos mostra, o oprimido quer imitar os seus opressores. Ele quer, orgulhosamente, retaliar. E no orgulho há apenas medo e intolerância; é um sentimento suscetível e intransigente. Quanto menos expectativas e auto-estima um indivíduo possui, mais forte e imperativa torna-se a necessidade por orgulho.

O âmago do orgulho é a auto-rejeição.

Mr X disse...

Em defesa do RA, um escritor pode ser bom ou mau a despeito de sua ideologia política. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Em tempo: acho que jamais li Graciliano então não posso opinar.

Aliás, eis aí um direitista (?) que acho chato, o Janer Cristaldo (fora um que outro bom artigo que escreve, não consigo suportá-lo).

Mr X disse...

Aliás, não entendi ainda quel é a "desonestidade intelectual" do RA.

Quanto à Inquisição, acho que em 500 anos matou menos gente que o tráfico carioca em um mês. Aliás, talvez menos gente do que o trânsito carioca também...

marcelo augusto disse...

Um adendo:

Onde há "excreveu", leia-se "escreveu".

Reinaldo Azevedo é um ex-esquerdista (deve ter lido as obras canônicas do stalinismo, trotskismo, comunismo, socialismo e afins). E olhem só onde hoje ele se encontra e o conteúdo de seus escritos.

Em defesa do RA, um escritor pode ser bom ou mau a despeito de sua ideologia política. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Sim, eu concordo. Mas o Reinaldo Azevedo, muitas das vezes, segue ferozmente sua (pato)lógica anti-esquerdista e nega quaisquer qualidades que haja na esquerda. Não importa o que vier desse lado do espectro ideológico e ele logo saca rapidamente o argumento de que as esquerdas mataram milhões de pessoas e etc e tal.

É muita "forçação" de barra atribuir os crimes do regime stalinista a todos os esquerdistas do mundo. Uma tentativa bem rasteira de estigmatizar uma corrente ideológica.

Seria o mesmo que atribuir aos católico contemporâneos todas as mortes causadas pela Inquisição. (Apesar de eu considerar realmente estranha a atitude dos cristãos de carregarem um instrumento de tortura como enfeite/adereço/etc.) Ou dizer que todo o direitista tem um quê de nazista.

Eu poderia me extender um pouco mais sobre o que penso acerca do Reinaldo Azevedo e seu blog, mas prefiro me dedicar a hobbies mais produtivos do que avaliar o mundo de alguém que considera o Papa infalível (esta é de um primitivismo ímpar), que religião boa é a católica, que vive em um mundo onde não há crimes e corrupção no PSDB, e que todo petista é um porco fedorento vagabundo que deveria apodrecer para todo o sempre em uma jaula. Sem dizer que o blog de baixa qualidade que ele mantém é extremamente previsível em termos de conteúdo: Entrem lá neste exato momento e verão posts que versam sobre a corrupção do PT; como José Serra é um político maravilhoso; como o Lula é um apedeuta vagabundo e corrupto; como a Revista Veja faz jornalismo de qualidade; como o último livro dele é a oitava maravilha do mundo (talvez, futuramente, seja mais influente para a humanidade do que um A Origem das Espécies); e outras coisas nessa mesma veia poética.

Um último ponto: O último livro dele é algo interessante! É um exercício de democracia, acima de tudo. Tentem imaginar uma publicação semelhante há 35 anos atrás. Algo como O País dos Milicadas. Quase impossível. O que me indago é se o Reinaldo Azevedo escreveria algo na mesma veia poética caso o governo federal em questão fosse tucano. O País dos Tucanalhas? Será? É nessas horas que eu afirmo que não ler esses caras -- sejam os de esquerda, sejam os de direita -- não é uma questão de ser de direita ou de esquerda, mas, isso, sim, uma questão, pura e simples, de não ser trouxa.

Aos incautos, adianto logo que não sou petista ou tucano.

Chesterton disse...

Marcelo, não há qualidades no comuno-marxismo, muito menos no jeito petista de governar. Sorry, mas o desonesto aqui é você.

Gunnar disse...

Cheese

RA é desonesto quando usa dois pesos e duas medidas para avaliar questões nas quais a lógica (que, na maior parte do tempo, domina com maestria) não está do seu lado.

marcelo augusto disse...

Marcelo, não há qualidades no comuno-marxismo, muito menos no jeito petista de governar.

Se por esquerda entender-se o regime stalinista, então, de fato, há muito pouco que se pode aproveitar em termos de avanços das liberdades individuais.

Mas dizer que a esquerda não contribuiu para os ganhos civis através do debate político, é, isso, sim, agir com desonestidade. Há méritos de ambos os lados.

Sorry, mas o desonesto aqui é você.

Um ataque ad hominem!!

Isso me faz lembrar de um outro ataque ad hominem que recebi. Lá estava eu andando durante uma tarde de verão. Eu havia acabado de tomar banho e passei um perfume que ganhei. Passei ao lado de um ônibus do MST quando, lá de dentro, ouço repetirem insanamente: "Playboy!!! Mauricinho!!! Viado!!!! Burguês!! Tua mãe deve ser uma perua burguesa!!!!" Eles deviam estar me elogiando ao modo deles, talvez.

Playboy? Eu... que sempre fui CDF na escola, ser chamado de maurinho ou playboy é algo realmente ofensivo. :)

E tudo isso por causa do banho e do perfume. Vai ver que, na cabeça doentia e ofuscada pelas loucuras latifundiárias, tomar banho e passar um perfume sejam práticas pequeno-burguesas na mente dessa gente doida.

Chesterton disse...

ad hominem? É uma simples constatação. Seria ad hominem se eu dissesse que vocë [e desonestoporque outro dia te peguei numa falcatrua. Eu disse que você foi desonesto ao avaliar o caráter do RA.
Um bom exemplo de ad hominem está aqui, quando você escreveu:
"Reinaldo Azevedo é um ex-esquerdista (deve ter lido as obras canônicas do stalinismo, trotskismo, comunismo, socialismo e afins)."
Negar a honestidade de alguem porque foi uma coisa ou outra é ad hominem puro-sangue.

Chesterton disse...

caraca, M.A. , você definitivamente não sabe o que é ad hominem.

marcelo augusto disse...

Chesterton, aprenda a ler um pouco as entrelinhas e a entender o contexto.

Veja só sob quais circunstâncias eu disse se tratar de um ataque ad hominem: Tu me chamas de desonesto gratuitamente. Em seguida eu afirmo ser isso um ataque ad hominem. Logo depois, eu mostro o cômico e caricato exemplo do MST!

Quanto ao ex-esquerdismo de Reinaldo Azevedo, isso é algo que o próprio afirma. E dizer que ele, que tanto critica as esquerdas por seus extermínios em escala industrial, já simpatizou com o regime do Koba e suas vertentes.

A situação do Reinaldo Azevedo é interessante: Um esquerdista que se tornou um anti-esquerdista feroz. (É o Saulo que se torna Paulo.) Talvez, isso se enquadre na situação que citei em um dos meus comentários anteriores:

"É interessante -- e, ao mesmo tempo, assustador -- que um fanático que segue uma dada corrente ideológica possua em seu íntimo a tendência de se rebelar contra a própria ideologia e procurar abrigo no ideário diametralmente oposto à posição de seus outrora ideais."

Não sei se o Reinaldo Azevedo era tão feroz quanto esquerdista quanto é como anti-esquerdista, mas é interessante o quanto essa descrição acima se enquadra bem naquilo que ele se tornou.

Quanto à sua -- vá lá! -- desonestidade intelectual, eu prefiro dizer que é mais provável se tratar de cinismo, há o exemplo do caso "Diogo Schelp Versus Jon Lee Anderson".

Reinaldo Azevedo disse que Jon Lee Anderson iria se sentir infelicíssimo por não mais aparecer nas páginas da Revista Veja, fora a defesa deslavada que fez do péssimo jornalismo de Diogo Schelp. É uma tremenda tolice afirmar que um jornalista do calibre de Lee Anderson vá sentir falta de aparecer nas paginas de uma revista mixuruca. Tolice maior é vender a fajutice jornalística de Schelp como exemplo máximo de bom jornalismo.

Reinaldo Azevedo sabe que Lee Anderson (ao contrário dele) nunca precisou e jamais precisará da Revista Veja para sobreviver -- ele faz parte do time da tradicional New Yorker, sem contar os livros que já escreveu. Azevedo também sabe que aquela matéria produzida por Schelp não é bom jornalismo, mas propaganda anti-esquerdista e, como toda propaganda, vem carregada de exageros e não-fatos.

Esse é apenas um exemplo. Há muitos outros.

Anônimo disse...

Tô de boca aberta, embasbacada com a profundidade das análises que o Marcelo expôe aqui. Com um comentarista como ele, o blog ganha em qualidade.
X, deverias até chamá-lo para colaborar.
Como tu, também não agüento o Cristaldo. Cá comigo o chamo de o Homem Pum. E em elevador fechado, tal o mal estar que provoca.

Saludos da Mad Mada

Anônimo disse...

Porra, o Marcelo até que começou bem. seus comentários nos posts sobre o debate evolução/criacionismo foram muito bons. Nesta caixa ele também começou acima da média, mas, ao tentar falar sobre algo que ele próprio confessou que pouco conhece, começou a por os pés pelas mãos. Pô, Marcelo, primeiro tu dizes que não lê o blog do cara, depois vem com uma analisezinha de manual sobre as opiniões dele que me decepcionaram, rapá. Vou te falar uma coisa, talvez o único ponto de contato entre mim e o RA seja não o anti-esquerdismo (termo perjorativo por aqui), mas a concordância de que tanto teórica quanto pragmaticamente as teses da esquerda são uma falácia. Antiamericanismo bocó, relativismo cultural e moral, racialismo, antiliberalismo, coletivismo enragée, anti-imperialismo complexado, maniqueísmo e uma certa aura de religião, é uma mistura indigesta para um liberal.Além disso, sou ateu e tenho uma visão oakeshotiana da política. Enquanto o blogueiro de Veja é católico, conservador nos costumes e ainda acredita na política como frerramenta de mudança do mundo (sob a visão dele, é claro!). Mas algumas coisas precisam ser ditas:

1. Cansei de ler posts dele descendo o sarrafo na tucanada;

2. Ele botou pra foder no Azeredo por causa do embrião do mensalão, surgido em Minas;

3. Ele está à direita de Serra e faz questão de ressaltar isso;

4. Ele critica sim o apedeuta, mas reconhece seus talentos;

5.Ele não desanca o petê nem as pessoas que dele fazem parte, mas um modo de fazer política. E Vossa Senhoria não há de negar que o jeito petista de fazer política é moral e maquiavelicamente escroto, não?

No mais, o que você queria? Que o cabôco crtiticasse a Veja ou seu prórpio livro? Concordo com o Gunnar, por vezes, abusando de sua capacidade argumentativa, ele faz verdadeiros contorcionismos lógicos em defesa de suas teses (no debate sobre o criacismo e na defesa dos dogmas católicos, principalmtente). No entanto, aqueles que o acusam de desonesto intelectualemente poderiam ao menos dizer onde, quando, como, né?

Kbção

marcelo augusto disse...

Kbção, de fato, minha avaliação sobre o Reinaldo Azevedo não é a Oitava Maravilha do Mundo, pois, como eu mesmo afirmo, não o leio e nem tenho vontade para isso. O blogueiro é previsível demais em suas postagens.

O (muito) pouco que sei sobre o cidadão foi em alguns escassos posts que li em seu blog.

No entanto, ressalto que a situação dele é interessante: Um esquerdista que se tornou anti-esquerdista. Não é o primeiro (e nem o último) dos muitos casos em que uma pessoa "troca" de ideologia e procura abrigo no ideário diametralmente oposto. Isso é algo que considero bastante interessante do ponto de vista psicológico -- aliás, muito do que escrevi acima foi bem mais sobre esse fenômeno social do que sobre o Reinaldo Azevedo. Diria que de 100% do que aqui escrevi, 85% foi sobre assuntos não-Azevedianos.

Dos 15% restantes, que foram sobre assuntos Azevedianos, muito do que está aí tem lá seu naco de sensatez. Como, por exemplo, o embate do ano passado entre Diogo Schelp e Jon Lee Anderson. Afirmar que este último iria se sentir infeliz por não aparecer nas páginas de uma revista do calibre de Veja é pura tolice. Apenas sendo muito cínico para dizer isso.

Sobre a desonestidade intelectual, eis um termo que se tornou flexível em todas as direções. Eu não deveria usá-lo. Ressalto minha desconfiança em relação a ele em uma ou duas passagens acima.

Sim, eu discordo de muitos dos clichês das esquerdas e das direitas. Considero que o importante é o debate político e que os ganhos civis são oriundos desses debates.

Mas, tu tens razão: É mais salutar me abster de escrever sobre o que desconheço.

Obrigado pelos elogios quanto aos comentários sobre evolução. :)

Anônimo disse...

Marcelo, meu caro, esse fenômeno, sujeitos que pulam de um extremo a outro no espectro ideológico é mais comum do que imaginamos. Dá até pra imaginar as causas. A doença infantil do esquerdismo já foi epidemia no mundo e por aqui também. Basta dizer que figuras tão díspares quanto Olavo de Carvalho e Paulo Francis já rezaram da cartilha de São Marx. Olavão foi militante comunista e o Francis foi trotskista nos tempos do Pasquim. O Reinaldo também foi miltante da causa. Nos EUA tem o David Horowitz, que virou neocon. Nenhum problema nisso. A não ser o fato de que estes vira-casacas costumam carregar vários cacoetes, seja qual for o time que torçam. O mesmo maniqueísmo, os mesmos estratagemas, as mesmas categorias de pensamento, apenas com o sinal onvertido. Trocaram uma religião por outra.

Kbção

Anônimo disse...

O Olabvão é o maior exemplo disso. Já caras como Roberto Campos e Francis souberam se despir da fome de absolutos e se tornaram caras verdadeiramente críticos da antiga crença, sem necessariamente substituí-la por outra, tão dogmática quanto.

Kbção