sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Como ajudar os pobres? (2)

Vale tudo para deixar de ser pobre? Em certos filmes brasileiros recentes nota-se o uso justificado de atos imorais ou não-convencionais por parte de personagens de baixa extração social. Em "Quanto vale ou é por quilo" (2005), sugere-se que o seqüestro é uma boa forma de distribuição de renda. Em "O céu de Suely" (2006), a protagonista rifa o próprio corpo para comprar uma passagem de ônibus para Porto Alegre. Em "Estômago" (2007), um nordestino pobre obtém o sucesso cozinhando carne humana.

Já no filme "O homem que copiava" (2003), de Jorge Furtado, o herói do filme falsifica dinheiro, assalta um banco, mata seu amigo de infância e o pai da sua namorada e finalmente sobe na vida. Mas ele não aparece em momento algum como um personagem "malvado". Todos os seus crimes são justificados pelo roteiro: o protagonista rouba e falsifica por necessidade; o amigo de infância é um traficante de drogas que se vira contra ele; o pai da namorada é um tarado que abusa da menina e portanto merece morrer, etc.

Aí ao ler uma divertida crítica do filme, uma das poucas que encontrei que comenta essa perturbadora amoralidade do protagonista, encontro o seguinte comentário ao final:

Eu vi esse filme. Gostei pra carai!!! O cara tah certo, manu. Se eu tivece a chance de fazer dinhero falso, eu fazia na ora, porra!!! A burgesia me esfola o dia intero, pq é q eu num vo mi vingah? Eu só tenho medo de ir preso, esses coxinha fdp num daum arrego naum, bro. Mais porra, a gente naum tem escola decente, naum tem oportunidade de cresceh na vida, sacoh??? O unico jeito de subir na vida eh assim, na malandragem. Ou entaum virar pagodero ou jogador de futebol. Aih a mulherada cai em cima, neh!!!! Mais quando nois eh pobre assim, nem pensar! E voce aih, querendo da uma de bonzinho. Se liga, ô cuzaum! Vai nas perifa veh como eh a vida de verdade, valeu??

Não sei se é uma paródia, mas acho que representa bem uma certa parcela do Brasil, que cresce adaptando o velho "jeitinho brasileiro" ao discurso pseudo-(?) marxista em voga.

9 comentários:

Chesterton disse...

Jorge Furtado largou a faculdade de medicina no primeiro ano e começou afilmar lixões. Dizem que é arte, mas continua cheirando mal, muito mal. Depois saiu criticando quem recebia dinheiro do governo para fazer filmes, mas não devolveu o que recebeu.
Para quem tem saudades de POA

http://www.radioguaiba.com.br/aovivo/New/aovivoFmWMP.htm

Mr X disse...

O Diogo Mainardi uma vez o chamou de "Jorge Furtando"... :-D

O Pax também é de Porto Alegre, certo? Somos três gaúchos longe dos pagos... :-/

Pax disse...

Sou das missões.

Mr X disse...

Missões secretas?

Sei que o Pax tem a missão de me incomodar... :-P

E sobre o post, ninguém vai comentar? Humpf.

Chesterton disse...

A última coisa que pobre precisa para melhorar de vida é dinheiro caindo dos céus.

Gabriel disse...

Dar ao bandido status de vítima e de consequencia de uma sociedade egoista e malvada é típico da babaquice nacional. Mas não se pode misturar as coisas. Uma coisa é Filme politicamente incorreto, algo que tem no mundo inteiro, ou melhor, para dar referencia, tem em Hollywood e no cinema europeu. Se não fosse assim, todos os filmes seriam chatos pra caramba.

Mr X disse...

Lá isso é.

Diogo disse...

Mas essa é a graça do capitalismo: QUASE todo novo-rico tem sua história de pequenos, ou grandes, falcatruas e ilegalidades.

Seja sonegando imposto na importação de artigos de luxo, ou, simplesmente, fazendo remessas ilegais para o exterior.

Mr X disse...

Na verdade, todo mundo está quebrando alguma lei em algum momento. Mesmo que não saiba.