segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

A idiotice da "reação desproporcional"

Uma das frases em voga ultimamente, que praticamente só é aplicada a Israel, embora possa eventualmente vir a ser aplicada em outros casos (não duvido que venha a ser utilizada pelas ONGs de direitos humanos ao criticar a ação da polícia contra os bandidos) é a tal da "reação desproporcional".

A narrativa é a seguinte: os palestinos, apesar de terem lançado mais de 6 mil foguetes antes, durante e depois de um fingido "cessar-fogo", são muito ruins de pontaria e "só" conseguiram matar uma dezena de judeus (e duas crianças palestinas), embora o trauma causado em crianças (muitos mísseis caem em ou próximos a escolas) também deva contar como um de seus efeitos negativos. Aí Israel realiza uma ofensiva, destrói vários campos de treinamento e lançamento de foguetes e mata 200 militantes do Hamas. E lá vem os progressistas chorar pelos seus terroristas mortos e gritar, "reação desproporcional!"

(Curiosidade: de acordo com dados de organizações de direitos humanos palestinas, as lutas fratricidas entre Hamas e Fatah mataram em apenas uma semana 161 pessoas, mas por esses palestinos ninguém chorou - o que prova que o problema mesmo para os progressistas não é quem morre, mas quem mata).

Na verdade, qualquer reação de Israel que não fosse agüentar em silêncio seria considerada "desproporcional", mas não vem ao caso. É desproporcional? É. É sim.

Os progressistas, obcecados com a idéia de igualdade, acham que na guerra também deveria haver uma espécie de igualdade de mortos. Eu mato um, aí o inimigo tem o direito de matar um. Com os mortos contados pela ONU e certificados pelo Jimmy Carter. Ou seja, no fundo o que eles gostam mesmo é do tal "ciclo de violência" que tanto dizem lamentar.

Ora, a idéia da guerra é justamente ser desproporcional. Vencer o inimigo, custe o que custar. Woody Allen, no filme "Love and Death", paródia do "Guerra e Paz" de Tolstói, explicou isso direitinho: "Soldado, nós estamos em guerra contra os franceses. Se nós matarmos mais franceses, nós ganhamos. Se eles matarem mais russos, eles ganham".

Mas na mente do progressista, todos devem ser iguais. Todos, até o inimigo que quer matá-lo e esquartejá-lo. Tanto que já vi muitos esquerdistas torcendo para Irã ter logo a sua bomba nuclear, afinal, "não é justo que Israel e EUA e alguns países europeus tenham a bomba, e Irã não tenha." Não, não é justo. Ainda bem!

Se os palestinos tivessem uma bomba nuclear, pode ter certeza que a teriam já usado. Sob aplauso dos progressistas de plantão.

O poeta Robert Frost uma vez definiu o liberal como alguém que é tão compreensivo que tenta ficar neutro até numa briga em que ele mesmo participa.

Já vi esquerdistas americanos, por exemplo, que estavam tão incomodados com a invasão do Iraque que sonhavam com a invasão dos EUA por inimigos poderosos, "para aprender uma lição". Quer dizer, os infelizes torciam pela possibilidade de que sua família, amigos, vizinhos ou colegas fossem bombardeados ou fuzilados para que o governo do país em que eles moram aprendesse uma lição.

Acho que nunca na História da humanidade aconteceu coisa semelhante. O número de idiotas aumentou muito nos últimos tempos. Talvez seja culpa do "aquecimento global"...

9 comentários:

marcelo augusto disse...

Bah... Reação desproporcional... Isso é conversa furada!

Da mesma forma que o Hamas ataca usando os meios de que dispõe (foguetes Qassam, ataques suicidas, tratores e túneis para comprar leite), Israel responde, igualmente, usando os meios a seu dispor, ora.

Não querem ser atacados por Israel? Então, que não o ataquem. Simples.

No entanto, a análise do Pedro Doria está muito boa: O Hamas se utiliza politicamente do conflito para se firmar no poder e os partidos políticos de Israel fazem algo semelhante, com a diferença de que seus cidadãos são minimamente prejudicados, Já os palestinos...

Stefano disse...

Mr.X, como diz o Reinaldo Azevedo, você "matou a cobra e mostrou a cobra". Muito bom. Mais claro e didático, só em versão quadrinhos.

Chesterton disse...

Mr X, na verdade naquele episódio da morte da sequestrada houve o mesmo lero-lero. É uma constante. E, como já disse por lá, o PD não fala no caso iraniano, isto é, os israelenses estão dando uma demonstraçãozinha bacana, assim que eliminam a comncorrencia do poente, partirão para o nascente.

Anônimo disse...

Xizo,
abaixo os 'comments' de um amigo brasileiro que mora em Israel, respondendo a algumas perguntas que lhe fiz.


28.12.08
Realmente nao existe nenhuma "proporcao ou equilibrio" entre os lados. Isto eh bem sabido
pelos nossos vizinhos. E esta foi a escolha deles.
Eh triste mesmo e nosso coracao se estrangula vendo as cenas de destruicao, dor, miseria
destas pessoas que nao tem esperanca p/ nada em sua moribunda vida. Ao mesmo tempo me lembro
das fotos, videos destas mesmas multidoes em marchas patrioticas triunfantes, crianças e bebes
armados c/ cinturoes suicidas - todos - sem excecao - exigindo nossa destruicao. Assim que...
vao a pqp. O hamas acabou c/ a tregua e este eh o resultado. O "golias" se conteve ateh nao
poder mais, e estas pulgas continuavam picando sem parar.
A campanha eleitoral foi suspensa, o governo convocou esta manha uns 10.000 reservistas. Meus filhos,
nao estao nesta (ainda).
Eh isto. Triste e amargurado pela miseria dos nossos vizinhos e dizendo "gracas a deus" que estamos
fazendo algo para acabar c/ as picadas.
Isto tbem. eh recado p/ nossos outros amigos e companheiros lah do norte.
Bom domingo e nao hesites em insistir por informacao e de me enviar qualquer material
sobre o que queiras esclarecer.


29.12.08
A intencao principal, dentro das prioridades determinadas, nao eh aniquilar o governo do
hamas ou acabar c/ o lancamento de misseis. Isto talvez possa ser conseguido como "side-effect".
A prioridade eh cobrar deles um preco que seja tao alto, que leve a comunidade internacional
obrigar a chegada de uma tregua. Os termos teriam que ser mais favoraveis a nos, do que hoje
em dia.
Os ataques terrestres ainda nao iniciaram e este serah um ato curto e violento.
A sensibilidade aqui pela perda de vidas humanas eh muito grande e nao temos nenhuma intencao de reconquistar a faixa de Gaza e dominar 1,5 milhao de habitantes. Eh bem sabido que lancamento de misseis nao eh possivel parar soh com ataques aereos, e uma acao
terrestre serah o proximo passo.
Nao ha duvida que o hamas foi o detonador deste round. Sua principal intencao era conseguir
melhores condicoes para seu governo e populacao. Do nosso lado, nao tinhamos nenhum interesse
de fornecer municao (de propaganda) p/ eles. Mas apos tantos ataques, nao tivemos + alternativa....
Vai ser longo e duro p/ a sofrida populacao civil. Isto ateh a comunidade internacional - principalmente
europeus - comecarem a ficar apavorados com possiveis convulsoes internas, devido aa grande populacao muculmana de seus paises. O que eles ainda nao digeriram eh que a reconquista islamica da Europa jah eh um fato e que os codigos morais e culturais do Ocidente sao completamente invalidos para esses
confrontos (Israel/hamas).
____________

Mad Mada

Anônimo disse...

Reação desproporcional eles vão ter quando Israel atacar o Irã, logo depois da posse do bundão do Obama.
Pangloss.

Anônimo disse...

Xizo,
esqueci de te dizer que teu texto está 'bótimo'.
Vjjj,

Madeleine

Diogo disse...

Sei lá, penso que alguns estão viajando:Israel não tem cacife para atacar o Irã.

Principalmente em material humano, a longo prazo.

Quanto a "reação desproporcional", pura retórica.

Já houve tempos em que aldeias inteiras da Bielorússia [para ficar só num exemplo], foram dizimadas por "colaborarem" com sabotadores/terrorristas/guerrilheiros.

Aliás, o Hamas não queria destruir Israel?

Pois então. Agora segurem a onda...

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