sábado, 13 de dezembro de 2008

Darwin de chuteiras

Houve, dizem, três grandes revoluções científicas na Era Moderna: Einstein, Freud, Darwin. Einstein estava em grande parte certo, embora tenha dançado com a questão da física quântica. Freud influenciou a literatura e as artes, mas do ponto de vista científico errou quase tudo. E Darwin? Poucos hoje questionam Darwin. E, no entanto, é possível que ele estivesse apenas chutando em vez de fazer ciência de verdade. (Dica do Chesterton)

* * *

Um evento que é costumeiramente considerado prova da seleção natural é a história das traças Biston betularia, que mudaram de cor predominante do branco para o preto durante o início da Revolução Industrial. De fato, tal mudança ocorreu, e pode talvez ser explicada pelo processo de seleção natural, já que a camuflagem branca ou preta permitia a sobrevivência de uma ou outra traça de acordo com a variação ambiental. Um pequeno porém: não houve o surgimento de nenhuma espécie ou mesmo uma cor nova: tanto a traça branca quanto a preta já existiam, tudo o que ocorreu foi uma variação nas suas respectivas populações. E mesmo isso é debatido.

* * *

Por que os religiosos odeiam Darwin e vice-versa? Talvez porque o Darwinismo venha sendo distorcido como uma teoria de negação de Deus, quando esta teoria nada tem a ver com religião. Acho a teoria da evolução fascinante. No entanto, confesso ter alguns problemas com ela. Biólogos como Richard Dawkins explicam o surgimento de novas espécies como se fosse uma "corrida armamentista" entre predadores e presas. No entanto, o paradoxo é que a corrida armamentista entre os homens é fruto do design, não pode ser concebida como algo aleatório como é na seleção natural.

* * *

Talvez o nome "evolução" esteja errado. Se a evolução é de fato cega, se não tem nenhum propósito e é apenas um "relojoeiro cego", não há então uma verdadeira evolução. Quer dizer, não há um movimento de seres simples a seres cada vez mais complexos, mas apenas a randômica sobrevivência de um ser aqui e outro ali de acordo com o ambiente e mutações genéticas sem causa ou propósito. Se amanhã a raça humana for extinta por um asteróide, as baratas sobreviverão. Não quer dizer que sejam mais "evoluídas" do que nós. Não quer dizer que devam evoluir até tornar-se superbaratas gigantes. A complexidade não é necessariamente melhor do que a simplicidade.

33 comentários:

Chesterton disse...

O que mais me intriga é o seguinte. Se a vida é algo assim tão banal, fruto do acaso, sem nenhum significado transcendente, e os que assim pensam crêm que a ciência deve ser o norte da humanidade, que é capaz de explicar tudo ao ponto deles acreditarem que todo resto é ilusão e superstição, como é que esse maravilhosos genios nunca chegaram nem perto de criar a vida? Não há aí uma tentativa de difamação de uns arrogantes?

Chesterton disse...

interessante o último parágrafo, os evolucionistas admitem que estamso evoluindo e muitos acham que continuaremos a evoluir. Já os demais animais nesta ótica não evoluiram, só mudaram características instintivas.

marcelo augusto disse...

Algumas observações deste humilde leitor:

[..] é possível que ele [Darwin] estivesse apenas chutando em vez de fazer ciência de verdade.

Não, Charles Darwin não estava apenas chutando quanto à sua primeira estruturação da teoria da evolução. Ele havia estudado com afinco o registro geológico de eras passadas e o significado disso em termos de mudanças no planeta. Claro, naquela época não havia os grandes detalhes que temos hoje a partir desses registros. Ele conhecia as tentivas anteriores à dele (Aristóteles, Maupertuis, Diderot, Erasmus Darwin, Lamarck, Owen e outros) para estruturar uma explicação para a mudança entre os diferentes seres vivos e os mecanismos relacionados a tal fenômeno. Com isso, Darwin pôde evitar muitos dos erros que seus antecessores cometeram (vide a transferência dos caracteres adquiridos de Lamarck). Sem contar o registro fóssil que davam as evidências iniciais de que as espécies não são estáticas e que havia um funcionamento por trás disso tudo que permitia a umas serem mais bem sucedidas evolutivamente do que outras. (Uma pena que Darwin e Mendel nunca tenham se encontrado!)

Um pequeno porém: não houve o surgimento de nenhuma espécie ou mesmo uma cor nova: tanto a traça branca quanto a preta já existiam, tudo o que ocorreu foi uma variação nas suas respectivas populações.

Não houve o surgimento de uma nova espécie, pois a evolução é parcimoniosa e não ocorre em escalas de tempo tão curtas. Houve, sim, apenas a seleção de um trato/fenótipo (pigmentação da mariposa) que dava ao indivíduo (a mariposa) vantagens adaptativas, como menor exposição aos predadores, o que, por sua vez, contribuía para que a mariposa escura sobrevivesse em maior quantidade, passando, assim, seus genes adiante.

O surgimento de uma nova espécie é um fênomeno evolutivo demorado (em termos de gerações) e intricado, levando até mesmo alguns bons milhões de anos para que uma espécie surja.

E mesmo isso [o caso das mariposas] é debatido.

O caso das mariposas é o exemplo canônico da ação da seleção natural. Se puderes mostrar um texto que debata o caso das mariposas, eu fico agradecido.

Se o caso das mariposas não serve para exemplificar simplificadamente um dos mecanismos da evolução -- a seleção natural --, há um outro: O caso de microorganismos resistentes aos antibióticos de primeira geração. A essência é praticamente a mesma do caso das mariposas.

Biólogos como Richard Dawkins explicam o surgimento de novas espécies como se fosse uma "corrida armamentista" entre predadores e presas.

O termo "corrida armamentista" é apenas uma metáfora para ilustrar que ambos os indivíduos -- presa e predador -- estão sendo, digamos, filtrados pelos mecanismos da evolução, o que leva as espécies a terem seus tratos/fenótipos selecionados de acordo com a melhoria da adaptação que eles proporcionam.

[...] Se a evolução é de fato cega, se não tem nenhum propósito e é apenas um "relojoeiro cego", não há então uma verdadeira evolução. Quer dizer, não há um movimento de seres simples a seres cada vez mais complexos[...].

Eis um argumento teleológico. A evolução não possui uma finalidade pré-definida. Os indivíduos, que melhor apresentarem adaptações às diversidades de seus respectivos ambientes, terão suas características selecionadas para serem passadas adiante (via reprodução), já que indivíduos com melhores adaptações possuem maiores chances de se reproduzir.

[...] mas apenas a randômica sobrevivência de um ser aqui e outro ali de acordo com o ambiente e mutações genéticas sem causa ou propósito.

Se déssemos uma causa ou propósito à evolução das espécies, estaríamos cometendo uma teleologia, o que, nesse caso, não é ciência, pois ciência é conhecimento em construção, livre dos dogmas estáticos que ditam muitas das ideologias por aí. O grande mérito da ciência é que ela consegue revisar os próprios conceitos diante das evidências que surgem.

[...] Se amanhã a raça humana for extinta por um asteróide, as baratas sobreviverão. Não quer dizer que sejam mais "evoluídas" do que nós. Não quer dizer que devam evoluir até tornar-se superbaratas gigantes. A complexidade não é necessariamente melhor do que a simplicidade.

Dependendo do impacto, há a possibilidade de não sobrar nada! Tudo viraria pó!

Creio que alguns mamíferos pequenos e seres vivos sem grandes exigências adaptativas possam sobreviver em casos desse tipo (vide o ocorrido com os dinossauros).

Memento Quia Pulvis Es, Et In Pulverem Reverteris.

marcelo augusto disse...

Ah sim: O artigo do Thomas E. Brewton (Darwin's Sand Castle) é pura falácia e demonstração gratuita de obscuridade científica (sobretudo quanto à biologia).

Nem irei me dar o trabalho de comentá-lo, apontando os devidos erros.

Até!

Mr X disse...

Marcelo Augusto,
Você é biólogo?

Abs,

Pax disse...

Sugestão de leitura... mais uma vez, no blog do Antonio Cicero

http://antoniocicero.blogspot.com/search/label/Epistemologia

Anônimo disse...

O surgimento de uma nova espécie é um fênomeno evolutivo demorado (em termos de gerações) e intricado, levando até mesmo alguns bons milhões de anos para que uma espécie surja.

chesterton- isto nã é argumento científico. Veja bem, você pode ter toda razão, cmas como cientista não pode alegar isso.

Pax disse...

Lê lá o artigo Chesterton... "a ciência é a tentativa de explicar o mundo como se Deus não existisse".

Teu problema é fugir da tentativa de explicar o mundo e colocar Deus à frente da razão.

Uma coisa não exclui a outra, não é necessário. Pelo contrário, é contraproducente.

Vai, faz uma força, você é capaz da dissociação. E o desengonçado também. Quer dizer, assim espero.

Deixei meu comentário sobre o comentário lá do Olavo no PD. Vejam lá.

Chesterton disse...

concordo com você, mas ele se referia especificamente a "ciência" darwiniana. Ele sustenta a iniciativa de reais cientistas.

Marcelo Augusto disse...

Aos questionamentos. :)

Marcelo Augusto,
Você é biólogo?


Não.

Chesterton:

O surgimento de uma nova espécie é um fênomeno evolutivo demorado (em termos de gerações) e intricado, levando até mesmo alguns bons milhões de anos para que uma espécie surja.

chesterton- isto nã é argumento científico. Veja bem, você pode ter toda razão, cmas como cientista não pode alegar isso.


Eu não sou cientista. Apenas busquei me informar sobre a teoria da evolução. Isso que escrevi não é algo criado por mim, mas, sim, aceito no meio científico.

[]'s

Chesterton disse...

Sem dúvidas, os cientistas estão aceitando qualquer coisa...estranho né?

Marcelo Augusto disse...

Chesterton, não é uma questão de simplesmente aceitar cegamente um proposição. Para que cientistas cheguem a tal estágio de considerar uma dada proposição como algo que está em sincronia com as evidências e o método científico, muito trabalho precisa ser feito. Algumas vezes, passam-se gerações e mais gerações de cientistas/pesquisadores para que uma determinada área da ciência tenha um veredito sobre um certo problema (vide o caso do Teorema de Fermat, que foi posto e (supostamente) resolvido pelo próprio Fermat em 1637. Só que a solução dele se perdeu, pois a margem da folha em que ele escrevia não tinha mais espaço para que a prova matemática dele fosse escrita. Apenas no final do século XX é que esse teorema seria novamente provado. Nisso, passaram-se mais de 300 anos!).

E é essa a essência da construição do conhecimento cientígico. Se os cientistas concordam com uma determinada idéia, é pelo fato de ela ter sido filtrada por diversas verificações e escrutínios dos mais diversos.

Chesterton disse...

A matemática como ciência é abstrata, e como instrumento muito útil para o método científico. Mas não vejo ligação entre matemática pura e evolucionismo, e os matemáticos, assim como outros hard scientists, frequentemente estão em atrito com os "das humanas". Eu ainda estou para ver a ciência dentro do evolucionismo, não por que um ou outro estão errados, mas sim porque um não alcança o outro.

Anônimo disse...

Alguém sabe me dizer porque alguns caranguejos têm uma tenaz super desenvolvida? não vale dizer que são todos de esquerda...

Enrique disse...

Eu devo admitir, não acompanho o Blog a muito tempo, mas preciso perguntar: Mr. X, você é criacionista?

Chesterton disse...

Anonimo, tb não pode dizer que foi muita masturbação na infância....

Marcelo Augusto disse...

A matemática como ciência é abstrata[...].

Ela é abstrata por trabalhar com conceitos que não são materialmente palpáveis. As próprias figuras geométricas que desenhamos em uma folha de papel não são, de fato, a idéia e forma fiéis e perfeitas dessas figuras. São apenas representações. O mesmo vale para o uso da notação em matemática: Serve para representar idéias (teoremas, axiomas, provas e etc.). No entanto, a matemática pura trabalha, sim, com fatos e evidências científicas e são esses dois fatores básicos que a ciência se foca.

Mas não vejo ligação entre matemática pura e evolucionismo [...].

Olhe isso. Uma ESS, estabelecida por John Maynard Smith, é um caso especial do Equilíbrio de Nash -- Nobel de economia. Há, sim, relação entre evolução biológica e matemática.

Eu ainda estou para ver a ciência dentro do evolucionismo[...].

Cada um enxerga até onde a visão permite.

[...] não por que um ou outro estão errados, mas sim porque um não alcança o outro.

Falácia. Vai ver a teoria da evolução é uma ciência bolivariana. :) :)

[]'s

Chesterton disse...

Não posso comentar sobre a teoria dos jogos, pois meus conhecimentos são primários (tenho 1 livro a respeito e teria que lê-lo novamente), teria que pedir ajuda de especialistas. Mas me parece que evolucionismo virou moda.
Se você vê mais longe, "show me the lights".

Chesterton disse...

De qualquer modo, SEM ler o livro (vou encomendar), parece que teremos sapos aos montes e não uma evolução dos sapos em seres inteligentes, e a matemática serve de instrumento para a tese (na propaganda mostra que ela é bem simples). Obrigado pela dica, anyway.

chesterton disse...

Unir psicologia, teoria matemática e evolucionismo não torna o darwinismo uma ciência. Pode muito bem tratar-se de mais um castelo nas nuvens. Mas é filosofia, e estou gostando dos textos.

Pax disse...

É Chesterton, velho e bom Chesterton,

"Se você se conhece e conhece o teu inimigo, não há o que temer 100 batalhas". Sun Tzu.

Leia esse aqui também, pra pode começar.

http://www.amazon.com/God-Delusion-Richard-Dawkins/dp/0618918248/ref=pd_bbs_sr_1?ie=UTF8&s=books&qid=1229265988&sr=8-1

Pax disse...

E assista aqui, velho e bom Chesterton. Chama o desengonçado pra ver também

http://www.youtube.com/watch?v=oKk78OgZ6Vs

Chesterton disse...

Já conheço , Pax.

Mas de qualquer maneira, não são inimigos, apenas adversários. Esta união de teorias abstratas e evolucionistas me lembra bem desse cartoon

http://mises.org/story/1966

Mr X disse...

Ola Enrique e pessoal,

Nao, nao posso dizer que seja criacionista, mas as vezes me divirto questionando a teoria da evolucao. E' um bom passatempo.

Chesterton disse...

o problema não é ser ou não ser, mas observar que os evolucionistas querem, tanto quanto os criacionistas, impor suas verdades. A diferença é que esses pretendem dar a suas crenças um cunho de verdade cientificamente comprovada.

Cláudio disse...

Uma premissa que passou despercebida na pergunta feita ao Mr.X: se você questiona a teoria da evolução como tal, automaticamente isso te tornar um criacionista. Essa polarização que acaba por calar perguntas ("vou ficar na minha senão vão achar que eu sou criacionista") e inibir a contestação é intrinsecamente anticientífica. Estamos cada vez mais distantes de descobrir o mistério do surgimento da vida porque a políticagem tomou conta deste assunto.

Marcelo Augusto disse...

Chesterton:

[...] parece que teremos sapos aos montes e não uma evolução dos sapos em seres inteligentes, e a matemática serve de instrumento para a tese (na propaganda mostra que ela é bem simples).

É uma forma bem tacanha de atacar a obra sem antes lê-la ou, no mínimo, conhecer um pouco mais sobre teoria dos jogos. No mais, se não tiveres uma formação razoável em matemática e teoria das probabilidades, não aconselho que compres o livro.

Unir psicologia, teoria matemática e evolucionismo não torna o darwinismo uma ciência.

De fato, o dito darwinismo (bem como outros termos esdrúxulos tipo evolucionismo, dawkinsnismo, gravitacionismo, e afins) não é uma ciência, mas apenas um jargão inventado. A teoria da evolução, esta, sim, é.

o problema não é ser ou não ser, mas observar que os evolucionistas querem, tanto quanto os criacionistas, impor suas verdades.[...].

Não se trata de uma questão simplista de impôr verdades goela abaixo. É separar aquilo que é cientificamente comprovado e aceito como tal pelos cientistas, daquilo que é pura crendice e obscurantismo científico, que dá uma interpretação bem torta e incorreta dos fenômenos evolutivos.

A diferença principal entre as duas é que a teoria da evolução possui evidências materiais (registros fóssil e geológico) de que os seres vivos sofrem transformações ao longo do tempo. Já o criacionismo é matéria de pura fé religiosa. Criacionistas não possuem evidências de suas proposições.

Até.

Chesterton disse...

E nem sei dos criacionistas, dos radicais da Biblia, não é a eles que me refiro.
Mas a atitude "desenterrar uns ossinhos", datá-los e tirar conclusões "científicas" é exatamente o que o cartoon sacaneia. "Then a miracule occurs...". Adoro antropologia, mas não vemos antropologistas saindo por aí dizendo:
- Ei, encontrei uns ossos antigos , logo, Deus não existe.
Evolucionismo está se tornando (se é que já não é), junkscience.

Chesterton disse...

separar aquilo que é cientificamente comprovado e aceito como tal pelos cientistas

chest- o problema é que os cientistas mudam muito de opinião, a verdade de hoje pode ser a mentira de amanhã. Aqui caímos de novo no conceito de consenso. A opinião da maioria, caracteristica do SUBJETIVISMO(lembre-se a verdade é aquilo que os individuos ou a sociedade decide que é, reza o SUBJETIVISMO).
Esse carater transitorio da ciência é a chave para a sua constante evolução, mas tira toda pretensão de autoridade suprema dos cientistas. O bom cientistas é humilde, avesso a publicidade, faz a ciência por hobby e de preferência deve tirar seu sustento de outro lugar.

Diogo disse...

"Talvez o nome "evolução" esteja errado."

"A complexidade não é necessariamente melhor do que a simplicidade."

Caro X, percebi um certo relativismo filosófico aí.

Cuidado.

Leo Martins disse...

Chesterton disse: "Ei, encontrei uns ossos antigos , logo, Deus não existe."

Chest, alguns comentários que, caso você não entenda ou discorde, precisam de esclarecimento. Sem esse entendimento, é discutir na torre de Babel:
1a) A teoria evolutiva não nega a existência de Deus;
1b) Teoria científica alguma nega a existência de Deus;
1c) Teorias científicas tentam explicar fenômenos naturais através de causas naturais; o fenômeno é sobrenatural? A explicação envolve causas sobrenaturais? Se sim, então está fora da discussão científica (o que não quer dizer que não exista discussão);
2a) Dependendo da pessoa, a ciência pode ser a fonte única de conhecimento ou pode ser completamente irrelevante; a importância que damos à ciência não tem relação com o conteúdo da ciência.
2b) Há escolas filosóficas que assumem que somente o conhecimento científico é válido (positivismo?), e há escolas que dizem que o conhecimento científico é tão importante quanto chupar picolé e mais irrelevante que tirar potoca do nariz (pós-estruturalismo?). O conhecimento científico, em si, nada diz sobre qual escola está correta. (por outro lado é natural que cientistas, religiosos e vendedores de sorvete dêem importância ao que fazem.)
2c) Ou seja, uma teoria científica não clama para si o monopólio da verdade; apenas tenta explicar os fenômenos naturais seguindo definidas e aborrecidas regras.

(a numeração é prá destacar a equivalência das afirmações; as interrogações representam minha ignorância mesmo)

Você pode detestar xadrez, mas caso queira jogá-lo esqueça o bastão de baseball.
E quanto aos ossos, você vai gostar de saber que Cuvier, um dos pais da paleontologia e diz a lenda com conhecimento monstruoso de fósseis e ossadas, não "acreditava" na evolução orgânica (Lamarckismo), mas aceitava a extinção de espécies. Cuvier morreu vinte anos antes da publicação da Origem das Espécies, mas sua crítica à indução Lamarckista do genótipo provou-se correta.

E gostei da referência ao artigo no Mises. Note a frase "Such miracle steps, upon which the validity of the arguments depend, sneak in logical errors, or invoking them would not have been necessary."

abraço, Leo

Gunnar disse...

Caro Cheese

Um grande erro dos anti-evolucionistas, seja por ignorância ou desonestidade intelectual mesmo, é considerar que "evolução" significa "caminhar rumo à complexidade".

Na verdade, a evolução é exatamente o que você descreveu: a sobrevivência do mais apto. Às vezes, isso significa acréscimo na complexidade, gerando novas características que conferem aos seus portadores vantagens na luta pela sobrevivência. Porém, de fato, há casos de animais que ficaram "mais simples" na corrente evolutiva - como é o caso dos mamíferos aquáticos, que tiveram as antigas patas reduzidas a estruturas rústicas e atrofiadas, com função de nadadeira.

Acho que é meio perigoso falar de "mais evoluído" ou "menos evoluído". Dever-se-ia dizer "mais apto a sobreviver". No caso de um asteróide colidindo com a Terra ou de uma paupérrima casa de periferia, onde os habitantes humanos passam fome e as baratas se esbaldam no lixo, cabe às baratas o título de "mais apto".

Chesterton disse...

Leo, a teoria da evolução não nega Deus, mas os darwinistas negam. E estes tem pretensão de ciência.
2a- cientismo-positivismo.
2b - sim.
2c- os cientificistas (cienticistas) acreditam que sim.

Abraçopara você tb Leo.