terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Certas pessoas querem demais

Os ecologistas australianos estão furiosos.

É que o primeiro-ministro australiano prometeu cortar as emissões de CO2 da Austrália entre 5% e 15%. Os ecologistas acharam pouco: queriam 40%.

Pensem bem: em um tempo em que a economia mundial dá todos os sinais de ir para o brejo, certos ecologistas malucos querem que ela piore ainda mais.

Quando o desemprego aumentar, o custo de vida subir, e eles tiverem que pagar muito mais pela mesma coisa, será que continuarão pensando igual? As elites liberais que tem bolso pra isso, talvez. As "massas ignorantes" certamente não.

No outro dia assisti ao filme Wall-E, em que se imagina uma Terra destruída cheia de lixo, abandonada pelos humanos, os quais viraram gordalhões viciados em tecnologia. O curioso é o seguinte: no final do filme, os humanos retornam à Terra para recolonizá-la. Plantar, colher e viver do produto das plantas e animais é então visto de forma positiva e até romântica.

Ora, mas realizar agricultura também significa "mexer com a Natureza", seria apenas o reinício do mesmo processo que - no filme - destruiu o planeta.

Mas o filme pode também ser interpretado de outra forma. Os gordalhões abobados representam uma sociedade próspera que perdeu o real contato com a Natureza, e acha que esta significa apenas animais fofinhos e paisagens coloridas. A subsistência humana é algo tão garantido que não concebem que a vida possa ser bastante dura.

Ora, quem realmente estuda a Natureza sabe o difícil que é para os animais selvagens conseguirem alimento e sobreviverem no dia a dia. É uma tarefa extremamente àrdua à qual muitos não sobrevivem, e também foi assim para os humanos nas sociedades do Neolítico. A atual tecnologia é a única coisa que permite a subsistência razoavelmente fácil de bilhões de pessoas. Acabar com esse sistema é decretar que vários milhares devam morrer de fome para que o ecologista chic com seu iPod se sinta melhor por "estar salvando o planeta". Quer dizer - esqueça o iPod.

O Zimbabwe, hoje um país economicamente paralisado, certamente cortou suas emissões de CO2. Milhões estão morrendo de fome e de cólera. Mas quem se importa? O importante mesmo para a ONU é que o ditador Mugabe instituiu uma lei que coletaria 4 milhões de dólares anuais em "imposto sobre o carbono"...

Ora, o que deveria ser feito com certos ecologistas é abandoná-los na Floresta Amazônica, com nada nas mãos salvo o "Manual do Escoteiro Mirim". Aí veríamos quantas horas eles agüentariam antes de querer voltar correndo para os confortos da civilização poluidora.

Digo e repito: certos ecologistas não amam a Natureza (de fato, mal a conhecem). Apenas odeiam os humanos...



4 comentários:

Gunnar disse...

Mr X, Mr X...


quando a humanidade vai perceber que ecologia não é inimiga da economia, e sim sua maior aliada?

quando a humanidade vai perceber que é de uma burrice (inclusive contábil!) não considerar o capital natural como dotado de valor?

quando a humanidade vai perceber que a maior parte dos processos que repões nossos estoques de capital natural NÃO podem ser replicados pela tecnologia?


Sugiro que leia Capitalismo Natural, de Paul Hawken, Amory Lovins e L. Hunter Lovins.

Ah sim, sobre os cortes na emissões eu nem digo nada, isso aí pra mim é arroz de festa da turma de mr Al Bore.

Diogo disse...

Ecoando o assunto, achei muito interessante um vídeo postado no Casa do Kct:

http://casadokct.blogspot.com/2008/12/sistema-de-estacionamento-de-bicicletas.html

Mudando o foco do vídeo [estacionar], percebe-se escrito na engenhoca Eco Cycle(sic).

Puxa vida, imagina quanta energia, CO2 e o escambau não gastam para produzir, e manter esse troço.

Se isso for o Capitalismo Natural, FU.E.U.

Já pensou implantar na China?

marcelo augusto disse...

Preparem-se todos para uma corrida silenciosa.

Gunnar disse...

Esses japas piram.

Onde quer que eu vá, seja teatro, supermercado ou balada, um poste e um bom cadeado resolvem o problema de estacionamento da minha bicicleta.