segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O povo americano é burro?

Um dos mais interessantes artigos escritos ultimamente sobre a corrida presidencial americana alerta para o motivo pelo qual os Democratas estão perdendo terreno: seu desdém pelo povo e o que ele pensa realmente. Muitos Democratas acham que seus políticos são iluminados, e o povo é que é demasiado burro para compreender as idéias que seriam melhores para si mesmos. Por isso precisa ser guiado, para o seu próprio bem.

Li no outro dia em um blog de esquerda reclamando da subida de McCain-Palin nas pesquisas com estas palavras: "o povo americano é muito burro mesmo!". A mesma idéia é vendida na (péssima) cobertura brasileira das eleições americanas: que o povo que vota em McCain-Palin é burro, atrasado, reacionário, ignorante, beligerante, caipira.

Essa atitude só piora o problema para os obamistas. Em algumas pesquisas, hoje McCain está quase dez pontos à frente. Como diz o Reinaldo Azevedo: "Vamos ver se o tal povo continua errado — isto é, insistindo em não fazer o que os “progressistas” acham certo."

Aqui outras imagens do concurso de Photoshopagem de Sarah Palin.

O problema da miséria

Que atitude devemos ter frente à miséria? Não é agradável, de fato, saber que ela existe e està à nossa porta pedindo esmola. Mas o que fazer a respeito?

É certamente um dos grandes dilemas da humanidade. Haverá sempre pobres? Jesus Cristo dizia que sim. Marx dizia que não. Em quem confiar?

Um dos grandes problemas que nos legou o pensamento marxista e pós-marxista (mesmo para quem jamais leu uma linha sequer de Marx) é essa idéia de que as classes sociais são estanques e de que é preciso "distribuir a riqueza" para criar maior "justiça social". Há até os que acham que os pobres estão certos em assaltar e seqüestrar os ricos, pois assim se "distribui a riqueza".

Ora, na verdade, a pobreza é o estado natural da humanidade, e não a riqueza. A riqueza se cria através do trabalho (ou, vá lá, do crime). O homem das cavernas, para todos os efeitos atuais, era um miserável. (Pobreza e riqueza são sempre relativas, o pobre de hoje é rico em relação ao pobre da Idade Média).

Mas a idéia de "distribuir a riqueza" é uma grande ingenuidade, por dois motivos: um, a riqueza é dinâmica, está sempre se criando e passando de um a outro; e dois, as pessoas nascem e morrem, e portanto nascem novos pobres a cada minuto.

Existe um plano, o tal do Global Poverty Act, que pretende que os EUA doem cerca de 845 bilhões de dólares aos países pobres para "reduzir à metade a pobreza no mundo até 2015". A idéia pode até ser bem-intencionada, mas é risível. Mesmo que o dinheiro não fosse parar na mão de atravessadores ou ditadores corruptos, e se acabasse com a pobreza da humanidade hoje, amanhã mesmo nasceriam novas pessoas que iriam querer o seu quinhão.

Sergio de Biasi coloca a coisa assim:
Distribuir toda a riqueza das elites pelo resto da humanidade produz um benefício quase ridículo em termos objetivos. Para dar um exemplo caricatural, a riqueza do Bill Gates distribuída por todos os seres humanos da Terra te dará mais uns cinco ou seis dólares. Concentrada nas mãos dele produz o Windows. O que tem mais valor para você?
A riqueza está sempre sendo gerada; a pobreza também.

Os pobres sempre estarão entre nós. Mas, como a pobreza é sempre relativa e a tecnologia e o crescimento econômico beneficiam a todos (claro que sempre a uns mais do que a outros), os pobres de hoje vivem em média melhor do que os pobres de ontem, e é razoável esperar que no futuro o sofrimento dos pobres será menor. Mas será que é o máximo que podemos esperar?

Continua sendo um problema conviver com a miséria à nossa porta. Quiséramos que o mundo fosse diferente, e talvez isso explique a eterna ilusão da busca pela tal "justiça social".


domingo, 7 de setembro de 2008

Poema do domingo


Tenho uma folha branca
e limpa à minha espera:
mudo convite

tenho uma cama branca
e limpa à minha espera:
mudo convite

tenho uma vida branca
e limpa à minha espera:




Ana Cristina César (1952-1983)

Quem é mesmo o opressor?

Frase de um jovem palestino irritado com o incompetente governo do Hamas:
"We want them to find an agreement with Israel so we can go and work in Israel," he says. "Everyone here wants to go to Israel to find a job. We want to live! We want to live!"
Infelizmente, o pedido do jovem provavelmente não será atendido. O ignorante fundador do Hamas, que tem uma hilariante teoria sobre a evolução das espécies, continua querendo a destruição de Israel. Apoiado por milhares de idiotas úteis, que pouco se importam com nosso anônimo amigo palestino que quer apenas viver.

(Tudo neste artigo aqui. Recomendo a leitura).

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

No llores por mi, Argentina (llora por ti)

Não estou mais em Buenos Aires, portanto não assisti à patética queima e destruição de vagões de trens suburbanos por piqueteiros supostamente irritados com a baixa qualidade dos serviços.

A Argentina dos Kirchner vai de mal a pior. Um demolidor e deprimente artigo do cientista político boliviano José Brechner acaba com todas as possíveis ilusões já desde o título: "La Argentina no tiene futuro".

Cien años atrás el mundo veía a la Argentina como el país latinoamericano con mayor proyección internacional. El único que por el nivel educativo de sus inmigrantes, podía llegar a competir con los grandes. Hoy la Argentina es el fiasco más dramático del continente. Hecho que demuestra, que no son solamente las personas instruidas las que generan el progreso y desarrollo de una nación, sino que el sistema empleado para lograr su avance económico es tanto o más importante que la erudición de sus habitantes.

La Argentina no sólo eligió el camino económico equivocado, sino que carece de principios éticos. Para reencauzarse, necesita por lo menos 20 años continuos de coherencia política y económica, sin sobresaltos, bajo el imperio de la ley. Con sus actuales gobernantes y con el fantasma del peronismo, la misión es imposible. A Perón no terminan de enterrarlo, y cuando se vive en el pasado no hay lugar para al futuro.

Abandono intelectual

Surpreende um pouco a sanha com que a dita Justiça brasileira persegue os meninos David e Jonatas, de 14 e 15 anos, e a família que decidiu ensiná-los em casa ao lugar de levá-los à escola. Quando há tantos garotos de 14 e 15 anos por aí cheirando cola, pedindo esmola ou assaltando, quando a maioria dos estudantes sai da escola sem saber nem mesmo entender um texto ou realizar simples equações, quando mesmo entre universitários o nível de redação em língua portuguesa é assombrosamente baixo, é bizarro que a família dos garotos, que lhes ensina de matemática a hebraico, seja acusada de "abandono intelectual".

Talvez as razões sejam as seguintes:

1. O fato de que o sucesso dos garotos (eles acabam se ser aprovados) nada mais demonstre do que a total falência da educação pública atual;

2. O que importa para os governos não é a educação real, mas os números. Estatísticas que podem ser utilizadas para mostrar o "avanço social". Número de alunos matriculados, etc. Não interessa que os tais alunos saiam da escola semi-analfabetos, o que importa são os números.

3. Menos alunos na escola significa menos alunos com o cérebro lavado na cartilha politicamente correta marxista que hoje substitui grande parte do ensino.

P. S. Olavo de Carvalho comenta:

David e Jonatas, sob ameaça de ver seu pai enviado à prisão por crime de “abandono intelectual”, submetidos pelo Ministério da Educação a exame capcioso propositadamente dificultado com o intuito de reprová-los, humilharam quem os pretendia humilhar: passaram nas provas, embora quase metade das matérias a cair só lhes fossem reveladas uma semana antes. O pai das crianças agora exige que exame idêntico seja imposto aos alunos de escolas públicas. Não passariam nele nunca, porque não passam em provas incomparavelmente mais fáceis. Eu exijo mais: exijo que o sr. ministro da Educação faça o mesmo exame. Se não passar, que vá para a cadeia por três crimes: (a) abandono intelectual de si próprio; (b) discriminação e crueldade para com crianças, por tratar os dois meninos com manifesta e perversa desigualdade em comparação com os alunos de escolas públicas e por obrigá-los a prestar exame sob condições de intimidação psicológica intolerável; (c) estelionato, por fingir-se profissionalmente habilitado a julgar o que está acima de sua capacidade.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

As duas Américas

Acabo de assistir na TV ao discurso de Sarah Palin, e fiquei pensando que realmente existem duas Américas.

Uma é a América da West Coast e East Coast. New York e San Francisco. Locais descolados e liberais. Hollywood e intelectuais. Arte e cinema. É um bom lugar para se viver, namorar e se divertir sem se preocupar tanto com o futuro. É a América que vota em Obama.

E há outra América. Chamada de "flyover country", porque os aviões de turismo quase só a sobrevoam. É uma América de cidades pequenas, famílias conservadoras e cristãs. Gente careta e pacata. Armas e religião. É um lugar para se trabalhar e criar os filhos. É a América que se identifica com Sarah Palin.

Talvez a América de Obama seja mais divertida e interessante. Eu sei que preferiria mil vezes morar em New York do que caçando ursos em um povoado do Alaska. E, no entanto, sem a outra América, a tal "América profunda", ou "middle America", que acredita em criacionismo e acha que o aborto é um pecado, o país não seria a potência que é. Não sei o que seria, sei que seria alguma outra coisa.

Isto é o que o resto do mundo (e mesmo grande parte do povo americano que mora na América descolada) não entende. Que essa América careta e trabalhadora é a base que permite todo o resto.

E talvez as duas Américas sejam, na verdade, inseparáveis uma da outra. Falam muito nas tais "culture wars". Mas no fundo, como genialmente observa Richard Fernandez do Belmont Club, a América sempre foi um palco de luta entre visões opostas e contraditórias, desde a época da Guerra Civil passando pelas marchas dos Civil Rights e chegando até mesmo aos riots de Los Angeles. É a natureza do país. A luta e a divisão constante. A dialética, como diriam os marxistas.

E, a julgar pelo discurso desta noite, a eleição deste ano será decidida entre Barack Obama e Sarah Palin. São os grandes personagens desta eleição; os outros são meros figurantes.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Melhores primeiras frases

O blog pode ter que fazer uma pausa de alguns dias. Deixo, inspirado por isto aqui, uma breve lista pessoal das melhores primeiras frases de obras literárias. E os seus começos preferidos, quais são? Coloque nos comentários...

1. "Quando certa manhã Gregor Samsa acordou, após um sono intranqüilo, encontrou-se em sua cama transformado em um monstruoso inseto." (Franz Kafka, A Metamorfose).

2. "Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte." (Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)

3. "Tudo isto aconteceu, mais ou menos." (Kurt Vonnegut, Matadouro Nr. 5)

4. "Todas as famílias felizes são iguais; as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira." (Leon Tolstoi, Anna Karenina)

5. "Você está começando a ler o novo romance de Italo Calvino, 'Se um viajante uma noite de inverno'." (Italo Calvino, Se um viajante uma noite de inverno)

5. "Devo à conjunção de um espelho e de uma enciclopédia o descobrimento de Uqbar." (Jorge Luis Borges, Tlön, Uqbar, Orbis Tertius)

6. "Num lugar da Mancha, de cujo nome não quero lembrar-me, vivia, não há muito, um fidalgo, dos de lança em cabido, adarga antiga, rocim fraco, e galgo corredor." (Miguel de Cervantes, Dom Quixote)

7. "Nel mezzo del cammin di nostra vita
Mi ritrovai per una selva oscura
Ché la diritta via era smarrita" (Dante Alighieri, Divina Comédia)

8. "Pessoas que tentem achar um motivo nesta narrativa serão processadas; pessoas que tentem achar uma moral nela serão banidas; pessoas que tentem achar uma história serão fuziladas." (Mark Twain, As aventuras de Huckleberry Finn)

9. "A raça humana, à qual muitos de meus leitores pertencem, esteve brincando de jogos infantis desde o seu começo, e provavelmente continuará assim até o seu fim, o que é um incômodo para aqueles poucos que crescem." (G. K. Chesterton, O Napoleão de Notting Hill)

10. "No princípio Deus criou os céus e a terra." (Bíblia)

O aborto e a caixa de Pandora


Já escrevi algumas vezes anotações meio contra o aborto, e a comentarista "Pandora" discordou de mim, convencendo-me que nada é tão simples. Hoje, ao ler algumas reminiscências pessoais da neo-neocon referentes ao assunto, fiquei pensando que realmente pode ser simples para alguém que está de fora decidir de maneira dogmática (seja à esquerda, seja à direita) sobre o que fazer no caso de uma gravidez inesperada, mas que nada é tão simples assim para uma jovem adolescente angustiada e grávida (e nesse sentido a Bristol Palin teve a sorte de ter apoio e compreensão da família, nem sempre é o caso).

Talvez toda discussão sobre o aborto deveria partir dos seguintes pressupostos:

1. A vida, cientificamente, começa na concepção. Pode-se ser contra ou a favor do aborto, mas deve-se aceitar que se está terminando com a vida de um ser que, se não ocorresse o aborto, se transformaria em um bebê.

2. O aborto pode ser ou não ser legal, mas é traumático e de preferência não deve ser utilizado simplesmente como um método de controle de natalidade, havendo outros métodos à mão (da abstinência à camisinha, conforme a religião).

3. O feto é um ser vivo, que está dentro do corpo de uma mulher. Portanto, não é nem só "o corpo da mulher" que está em jogo como quer a esquerda, mas tampouco apenas "uma vida independente" como quer a direita religiosa. São as duas coisas, juntas e inseparáveis, e por isso é tão difícil discutir o tema.

Será que o futuro filho de Bristol Palin é o Messias?

O comentário da semana, encontrado em um blog americano por aí:
Bristol Palin, a filha grávida da vice de McCain, é na verdade virgem: o seu filho é a Segunda Vinda do Messias, que deverá lutar contra o Anti-Cristo.
(O Anti-Cristo, como todos os que lêem este blog já sabem, é Barack Obama).

Um bicho às terças



A candidata a vice Sarah Palin tem vários aspectos positivos, mas não acredito que a caça de alces seja necessariamente um deles.

Gosto de alces. Acho-os animais simpáticos e elegantes.

Os alces (Alces alces) vivem na região ártica do planeta: Alasca, Canadá, Sibéria e países escandinavos. Os machos são animais polígamos e, como a foto acima demonstra, procuram impregnar o maior número possível de fêmeas. Em muitos casos, costumam disputar as fêmeas a chifradas. Naturalmente, apenas os machos têm chifres ou galhada. Não se sabe se isso tem algo a ver com o comportamento das fêmeas enquanto os maridos estão longe de casa.

Após o período de reprodução, a galhada cai para que o animal possa conservar energia durante o inverno. Os galhos crescem novamente na primavera. Se o animal é castrado, seja por causas naturais ou artificiais, estes caem e em seu lugar crescem galhos deformados.

Os alces alimentam-se de plantas, inclusive plantas aquáticas. São, por sinal, ótimos nadadores, e podem inclusive mergulhar a profundidades consideráveis.

Os principais predadores naturais dos alces são os lobos. Também tigres siberianos e governadoras do Alasca costumam caçá-los.

Pouca gente sabe, mas no início de sua carreira, Woody Allen caçou um alce. Vídeo com o relato abaixo.



segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Novela das oito


Estas eleições americanas começam cada vez mais a se parecer com uma novela mexicana. Após uma série de boatos maldosos difundidos, afirmando que o filho mais recente de Palin (que tem síndrome de Down) fosse na verdade seu neto, foi revelado hoje que Bristol Palin, a filha de 17 anos de Sarah, está grávida e vai ter a criança.

Embora isso acabe definitivamente com os primeiros e absurdos boatos, cria sem dúvida alguns problemas para a campanha Republicana. Sarah Palin não é perfeita, afinal.

Não se sabe ainda como essa história se refletirá nos votos. Criará rejeição nos mais conservadores, ou ajudará os moderados a ter maior empatia?

De minha parte, ressalto apenas o incrível ódio que a esquerda parece ter da pobre Sarah Palin. Mal ela foi nominada e saem quinhentas histórias e acusações sobre a pobre mulher, desde acusá-la de negligenciar o parto do seu filho a ser uma radical contra a pílula e a camisinha (não é verdade, basta dizer que ela faz parte de uma organização chamada Feminists for Life).

Curiosamente, os maiores ataques contra a gravidez da filha adolescente de Palin não vêm de cristãos conservadores, que aceitam o fato sem muitos problemas, mas sim por parte dos ditos progressistas, que em teoria são a favor de cada um decidir o que quiser em matéria sexual.

Tais ataques reverterão contra os próprios Democratas, tanto que o próprio Obama já pediu que se deixasse a família de Sarah Palin de fora do furacão de críticas.

Atualização: Depois da Obamania, vem a Palinmania. Buscas no Google pelo nome de Sarah Palin, que anteontem davam apenas alguns milhares, hoje chega a quatro milhões. E o interesse da mídia apenas começou.