quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Privacidade para uns mas não para outros

Há pouco, hackers invadiram o e-mail pessoal da candidata a vice Sarah Palin e publicaram parte de seu conteúdo na rede (a conta foi cancelada pouco depois).

Curiosamente, são as mesmas pessoas que ficam histéricas quando o governo Bush invade a privacidade de terroristas islâmicos.

Não foi encontrado nada nos e-mails, é claro. Mas, em apenas três semanas, investigou-se dez vezes mais sobre Sarah Palin do que sobre Barack Obama, o qual não autorizou a publicação de sua tese de graduação ou notas escolares, recusa-se a divulgar sua história médica, divulgou um certificado de nascimento duvidoso apenas através de um blog, e jamais contou quais são exatamente as suas relações com o terrorista Bill Ayers ou o picareta Tony Rezko. Ninguém parece ter curiosidade em saber nada.

Loucademia universitária

Antigamente as universidades eram consideradas templos do saber. Hoje mais parecem usinas de produção de loucura. Abaixo, trechos de uma dissertação de mestrado de Antropologia sobre a "sexualidade camponesa". Está disponível online para quem quiser ler, mas não cito a fonte diretamente para não embaraçar ainda mais seu autor (erros de português em vermelho):

Rapidamente já éramos oito homens no meio da caatinga. Neste ínterim, começaram todos a se tocar, a se acariciar, em silêncio, ouvi-se apenas os sussurros, os insetos e os pássaros nas moitas. Corpos suados, homens despidos, naquela penumbra da noite, em que não dava para saber, pois a intenção era experimentar o acontecimento, quem era o “ativo” ou o “passivo” no intercurso sexual, quem era André, Tadeu, Juca, Joaquim, Ivo, Mário etc. Apenas corpos, exalando um cheiro intenso de esperma. Pura criação. Ao término, quando os pais-de-família ejacularam, André finalmente quebra o silêncio e diz: vão na frente. Depois eu, Tadeu, Mário, Ivo e Paulo [antropólogo] vamos depois!

Nesse contexto, quanto mais mal-dito eu ia me tornando, via rumores, mais os homens goiabeirenses me procuravam, na maioria das vezes, excitados, falando sobre o tamanho dos seus pênis e de suas performances sexual para com as mulheres e animais.

Não se trata de identidade homossexual, não se trata de identidade cultural, mas das infinitas possibilidades do corpo. Os mal-ditos viados de Goiabeiras, é válido ressaltar que eles não assumem nada, engendram uma máquina de guerra estética, alicerçada por uma ética e por uma estética dos afectos, que faz ricochetar os ditames do parentesco, como veremos. Este corpo-receptáculo para o gozo, receptor do sêmen do Outro, faz acontecer ritos iniciático, no âmbito das sexualidades, com muitos jovens imberbes no vilarejo. Gerações passam por este corpo-receptáculo mal-dito. Meninos-homens que experimentam os prazeres da carne com o mesmo e concomitantemente com suas esposas e animais.

Por que o camponês no Brasil parece cumprir uma missão divina (cristã e acadêmica) em que a sexualidade, na grande maioria das pesquisas, é para a reprodução da espécie? Esta dissertação tem como principal propósito da vazão ao corpo, fazê-lo gozar.

O que explica esse disparate pornográfico, entremeado com citações a Barthes e Foucault?

O problema é a educação. Uso essa frase feita com um outro sentido: o problema não é a falta, mas o excesso de educação. De um certo tipo de educação, é claro.

Parafraseando Rousseau, o homem não nasce esquerdista. É a sociedade que o transforma. Ninguém nasce acreditando na necessidade da "justiça social" e na vilania da cultura branca ocidental judaico-cristã; são as escolas, mídia e universidades que transmitem essa ideologia às pessoas. Imagino o professor que corrigiu o trabalho. Citar o "Outro", assim mesmo em maiúsculas? Confere. Utilizar expressões bacanas mas sem sentido como "máquina de guerra estética"? Confere. Criticar a moral cristã ou burguesa? Confere. Falar sem pudores sobre o homossexualismo ou até a pedofilia (meninos-homens) e o bestialismo (animais)? Confere. Citar intelectuais franceses? Confere.

Não tenho dúvidas que o aluno que escreveu a dissertação acima tirou nota máxima, com louvor. Repetiu a cartilha à perfeição.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Um bicho às terças

Sem tempo de preparar um bicho às terças exclusivo, deixo vocês com uma coletânea de gatos do Youtube. Aliás, dúvida cruel: o que seria do Youtube sem os vídeos de gatos?

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

O novo rei da coca

Ia falar sobre a crise boliviana, mas fiquei com preguiiiiça... Aí só linko para uma matéria aparentemente (mas só aparentemente) não relacionada, que mostra que Chávez se tornou o maior traficante de cocaína das Américas... E um dos homens mais ricos do mundo.

domingo, 14 de setembro de 2008

Horrores da China

Assisti as Olimpíadas chinesas e nada tenho contra o povo chinês. Porém, o Partido Comunista que os governa é realmente abominável.

Uma das políticas mais criminosas deste é a tal "one-child policy", que decreta que cada casal só pode ter um filho, sob pena de multa, perda de emprego, prisão ou até seqüestro da criança. Não apenas é uma afronta à liberdade das pessoas (cadê os "direitos reprodutivos"?), mas tem centenas de efeitos demolidores.

Um deles: como na cultura local os filhos homens são mais valorizados, o resultado é que grande parte das mulheres que nascem são imediatamente abortadas. Assim como na Índia, ocorre um verdadeiro "fetocídio" de milhões de mulheres, causando inclusive desequilíbrio entre os gêneros.

Algumas não são abortadas, mas têm um destino talvez pior: são abandonadas e terminam em orfanatos estatais chineses como os do vídeo abaixo (visto no blog do Conde), onde bebês são amarrados ou presos em bancos que lembram instrumentos de tortura para escravos. Assistam e chorem.

Mais: como mostra estre outro vídeo aqui, as crianças com defeitos físicos são imediatamente abortadas por ordem do Estado sem que a mãe tenha qualquer tipo de escolha. Isso tem um nome: eugenia. Os nazistas já faziam. Certos esquerdistas radicais querem fazer também.

Poema do domingo

Cut

What a thrill -
My thumb instead of an onion.
The top quite gone
Except for a sort of hinge

Of skin,
A flap like a hat,
Dead white.
Then that red plush.

Little pilgrim,
The Indian's axed your scalp.
Your turkey wattle
Carpet rolls

Straight from the heart.
I step on it,
Clutching my bottle
Of pink fizz. A celebration, this is.
Out of a gap
A million soldiers run,
Redcoats, every one.

Whose side are they on?
O my
Homunculus, I am ill.
I have taken a pill to kill

The thin
Papery feeling.
Saboteur,
Kamikaze man -

The stain on your
Gauze Ku Klux Klan
Babushka
Darkens and tarnishes and when
The balled
Pulp of your heart
Confronts its small
Mill of silence

How you jump -
Trepanned veteran,
Dirty girl,
Thumb stump.

Sylvia Plath (1932-1963)

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Educação sexual


A educação sexual nas escolas serve para alguma coisa? Pesquisas indicam que tanto os jovens que tiveram aulas de educação sexual quanto os que não tiveram têm o mesmo nível de gravidez adolescente e o mesmo nível de conhecimento sobre uso de camisinha, DSTs e métodos anti-concepcionais. Se moças continuam engravidando, em geral não é por não saber a história das abelhas e das flores. Sexo sempre se aprende, não necessariamente na escola.

Mas alguns desses famosos "especialistas" argumentam que o problema é que a educação sexual começa tarde demais, e deveria ser ministrada a crianças de cinco anos. Estranho, nunca soube de crianças de cinco anos grávidas. De nove, acho que sim.

O curioso é que há dois approaches de educação sexual - o que promove a abstinência, favorecido pelos conservadores, e o chamado "comprehensive sex education", que promove os anti-concepcionais, favorecido pelos liberais - mas nenhum parece funcionar muito. As garotas continuam engravidando e os garotos continuam pegando doenças. Na verdade, os programas pró-abstinência até reduzem por um período a atividade sexual, embora seu efeito não seja muito duradouro. É algo melhor do que o método "comprehensive" (abrangente), que não tem efeito nenhum.

E o mais curioso de tudo: a maioria dos jovens americanos é a favor dos programas pró-abstinência e acredita que eles funcionam... Ué!

A perereca da professora.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

9/11

Sete anos.

Progressismo transnacional

O comunismo como sistema político-econômico já era. O islamismo é fogo de palha, violento mas sem chance de prosperar em escala global. O grande espectro que ronda o mundo é este aqui: o globalismo, ou progressismo transnacional. É o que argumenta este senhor chamado John Fonte.

Se você se perguntou alguma vez porque a esquerda moderna tem idéias que não batem com as velhas idéias socialistas, mas ao mesmo tempo tampouco fecham com o liberalismo clássico, a resposta é esta: porque o pensamento mudou. Aliás é um pensamento que não é nem de esquerda nem de direita pois tem gente dos dois lados que o apóia, e, de fato, o embate nem mesmo é entre esquerda e direita, mas sim entre a democracia liberal e o tal progressismo internacional, que é ideologia que norteia a União Européia, o Obama, o Lula, o Zapatero, a maioria dos jornalistas e centenas de intelectuais do Alabama ao Chuí.

O que diabos é isso? Tampouco sabia, até ler este link a respeito. Algumas das idéias-chave dessa neo-ideologia:
O que importam são os Grupos, não os Indivíduos. Você é Negro ou Cristão ou Latino ou Sunita ou Índio Amazônico, não um indivíduo. Você não pode escolher seu grupo, alguém o decide para você.

O objetivo é igualdade de resultados, não de oportunidades. O sistema ideal de avanço social é baseado não em mérito, mas em cotas. Isso permite maior controle por parte de uma "elite esclarecida".

Ser uma vítima é politicamente significante. Grupos com o status de vítimas devem ter influência e representação desproporcional, às expensas da cultura "dominante".

A assimilação é ruim. Imigrantes não devem se assimilar, mas manter sua cultura e seus hábitos de origem. É o sistema que se deve adaptar a eles, não eles ao sistema. A migração de pessoas através das fronteiras nacionais é um método para finalmente eliminar as próprias fronteiras e a identidade nacional nos países-alvo.

Uma democracia ideal é uma coalizão onde o poder político é dividido entre grupos de acordo a seus números. Não importa o voto do indivíduo, mas a pressão do grupo. De fato, muitas das novas leis são criadas por entidades não-eleitas e sem qualquer consulta popular, e não-cidadãos (ilegais) tem o mesmo direito que cidadãos.

A identidade nacional é uma coisa ruim. Devemos pensar que somos cidadãos do mundo, não cidadãos do país em que vivemos, e devemos minimizar os interesses nacionais, especialmente se vivemos em nações poderosas.
Tudo neste ótimo link aqui. E mais aqui. (E coisas parecidas, claro, em português nas colunas do nosso célebre anti-globalista local aqui.)

Alguns acham que essa história de "governo mundial" (fim último dos internacionalistas) é teoria de conspiração paranóica. De fato, está muito longe de tornar-se real. Mas, assim como existem islâmicos que sonham e lutam por um "califato mundial", a ideologia do progressismo transnacional existe, mesmo que seus planos por ora sejam utópicos ou até delirantes. Ou será que não?

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O povo como ele é

A esquerda fala sempre em nome do "povo" ou da "classe trabalhadora". Mas às vezes parece que o "povo" de que falam é um povo abstrato, idealizado, ou morador de algum outro planeta.

Por exemplo, o povo brasileiro é em sua grande maioria contrário ao aborto, a favor da pena de morte e da diminuição da maioridade penal, odeia (salvo exceções) o cinema brasileiro, gosta de sertanejo mais do que de Caetano Veloso. E no entanto os partidos de esquerda sempre falam em defender os valores do povo, mesmo quando planejam políticas completamente contrárias ao gosto popular.

A mesma coisa ocorre nos EUA. Uma articulista (canadense, para pior) observa que os Democratas seriam bem melhores para o povo americano mais humilde (working class). Dito isso, passa a chamar esse mesmo povo de lixo (white trash), caipira (hillbillies), ignorante, barulhento (rural, loud, proudly unlettered), sexualmente inadequado, recalcado e trouxa por votar em McCain-Palin. E depois se surpreende que esse povo não vote nos Democratas...

(Aqui uma análise da coluna pelo humorista Lileks).

Eita pôvo burro, sô.

O fim do início do fim


O grande acelerador de partículas Hadron começou a funcionar. O blog, por se acaso, se despede. Afinal, o experimento de hoje pode causar o início do fim do mundo.

(Parece que é tudo culpa de um tal de Higgs Boson. Alguém o conhece?)

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Um bicho às terças



A minhoca (Lumbricus terrestris) é um animal bastante curioso. Faz parte da família dos anelídeos, justamente por ter seu corpo dividido em segmentos ou anéis. Seu corpo consiste basicamente de um tubo digestivo coberto por um tubo muscular.

Más línguas dizem que as minhocas não tem coração, mas não é verdade. As minhocas, de fato, podem chegar a ter até doze pares de corações. Alguns argumentam que não se tratem realmente de corações, já que não bombeiam o sangue: são apenas reservatórios, e o sangue é deslocado através das contrações da própria minhoca.

As minhocas são ainda hermafroditas, portanto é errado falar em minhoco e minhoca. O mesmo animal tem os dois sexos. As minhocas copulam trocando o esperma com um colega e injetando seus óvulos no esperma do vizinho. Mas algumas espécies não precisam nem de outro coleguinha: podem reproduzir-se a si próprias através da partenogênese, isto é, fertilizando-se a si mesmas.

As minhocas podem ainda regenerar os anéis perdidos: corte uma minhoca ao meio e metade dela sobreviverá, voltando a ser uma minhoca inteira (isto não é uma sugestão, mas uma observação: não tente fazer isso em casa).

As minhocas são utilizadas na pesca como iscas. Os passarinhos também gostam bastante de comer minhocas. E os sapos também. De fato, são uma excelente fonte de proteína, e há até mesmo seres humanos que comem minhocas. Aqui uma receita.

As minhocas alimentam-se de plantas em decomposição e, em alguns casos, de terra mesmo. Com sua movimentação subterrânea transportam oxigênio e misturam os nutrientes do solo, de modo que um solo com minhocas se torna muito mais fértil, beneficiando a agricultura. Disse o próprio Charles Darwin: "É duvidoso que existam outros animais que tenham tido um papel tão importante na história do mundo quanto estas modestas criaturas."

A minhoca também tem a sua nobreza.

A minhoca gigante de Gippsland.