segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Bumpy night

Pacote do Paulson rejeitado no Congresso. Por 40% dos Democratas e 60% dos Republicanos. A Nancy Pelosi, house speaker, fez antes da votacao um discurso irado criticando o Bush e os Republicanos, e os Republicanos nao gostaram nem um pouco. A crise beneficia os Democratas: alegria de palhaco e' ver o circo pegar fogo.

Dolar subindo, petroleo descendo.

A bolsa ja depencou e vai despencar mais.

McCain caindo, Obama subindo.

(Pareceria ilogico que em um momento de crise os americanos queiram colocar no poder alguem que tem tanta experiencia em economia quanto eu em bale' aquatico. Mas na hora do aperto, o pessoal parece preferir quem promete almoco gratis).

Fasten your seatbelts, it's going to be a bumpy night...

domingo, 28 de setembro de 2008

Marxismo e pós-modernismo em queda

Não é só a economia americana que está em queda. No Gene Expression, uma interessante série de gráficos mostra como termos como marxismo, pós-modernismo, feminismo, pós-colonialismo, orientalismo, e todas esses ismos tão em voga entre os acadêmicos - estão morrendo. Após o pico, no final dos anos 90, a curva inicia lentamente a descender.



Pareceria indicar que - finalmente! - as idéias estão se renovando. Ou então apenas que novas idéias idiotas (i.e. "aquecimento global") estão tomando o seu lugar.

Poema do domingo

L'Infinito

Sempre caro mi fu quest'ermo colle,
e questa siepe, che da tanta parte
dell'ultimo orizzonte il guardo esclude.
Ma sedendo e mirando, interminati
spazi di là da quella, e sovrumani
silenzi, e profondissima quiete
io nel pensier mi fingo; ove per poco
il cor non si spaura. E come il vento
odo stormir tra queste piante, io quello
infinito silenzio a questa voce
vo comparando: e mi sovvien l'eterno,
e le morte stagioni, e la presente
e viva, e il suon di lei. Così tra questa
immensità s'annega il pensier mio:
e il naufragar m'è dolce in questo mare.

* * *

Sempre caro me foi este ermo outeiro,

e aquela sebe, que em tão grande parte

do horizonte final o olhar exclui.

Mas sentado, a mirar intermináveis

espaços além desses, sobre-humanos

silêncios e sossegos profundíssimos,

me afundo no pensar, onde por pouco

meu coração não se amedronta. E, como

ouço o vento roçar contra estas plantas,

o silêncio infinito comparando

vou a tal voz: e sobrevêm-me o eterno,

as mortas estações, mais a presente

e viva, e o seu rumor. Assim, por esta

imensidade o meu pensar se afoga:

e o naufragar me é doce neste mar.


(Tradução: Renato Suttana)



Giaccomo Leopardi (1798-1837)


sábado, 27 de setembro de 2008

Mr X na América!

Caros leitores, vosso amigo Mr X está em Los Angeles, Califórnia, onde deverá ficar por pelo menos um ano em um projeto ultra-secreto ligado a uma universidade local. Mais, não posso dizer.

Sempre quis conhecer a Califórnia, e nos EUA havia estado apenas de visita, anos atrás. Lamentavelmente, fui chegar aqui logo em plena crise econômica (a mais séria desde 1929 dizem alguns), e com um muçulmano comunista safado prestes a tomar de assalto a presidência. Põe azar nisso.

Ao menos poderei acompanhar as eleições americanas ao vivo, e quem sabe até visitar o famoso colega do prestigioso blog, agora meu vizinho.

Lamentavelmente, a postagem nos próximos dias será provavelmente algo errática. Aliás, estou até considerando se deveria continuar com o blog, e, caso continuar, se seguir da mesma forma que está indo, ou fazer algumas modificações substanciais. Uma das coisas que pretendo mudar é o meu pseudônimo: em vez de Mr X, algo que ao menos tenha mais cara de nome de gente. Mas, não sei ainda. Sei apenas que, por ora, por questões de trabalho não poderia utilizar meu nome real, que aliás é tão anônimo como qualquer outro pseudônimo.

Alguém tem alguma sugestão?

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

O mundo está ficando pior ou melhor?

Crise econômica no mundo. Ditadura teocrática maluca prometendo genocídio atômico de um outro país sem que ninguém faça nada. Estudantes matando outros estudantes em orgias de sangue em troca de quinze minutos de fama no Youtube.

O mundo está ficando pior ou melhor? Confesso que não sei. Às vezes me preocupo. E preferiria pensar que no passado tudo era mais simples.

E, no entanto, será que era mesmo? Setenta anos atrás ocorria o maior genocídio da História. Trinta anos atrás qualquer mal-entendido entre russos e americanos ameaçava explodir o mundo inteiro. Assasinos psicóticos sempre houveram. O mal sempre existiu, em toda a sua banalidade.

Por outro lado, a ciência, a tecnologia e a medicina nunca evoluíram tanto. A prosperidade espalhou-se pelo mundo. Não obstante os lamentos dos anti-capitalistas, radicais ecologistas, malucos socialistas, idiotas fundamentalistas e demais descontentes de plantão, a pobreza diminuiu muito nos últimos cem anos em todo o mundo. Há menos pobres e até menos desigualdade social. Maior longevidade e melhor qualidade de vida.

E, no entanto, nuvens cinzentas pairam (como sempre) no horizonte. E ninguém sabe bem o que vai acontecer.

O mundo está ficando pior ou melhor? Talvez esteja como sempre esteve.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Um bicho às terças



O jaburu é a ave símbolo do Pantanal. Também é um apelido para mulher feia, o que é injusto, já que o bicho nem é assim tão horrível. É ainda o nome da residência do vice-presidente em Brasília, o que poderá causar mal-entendidos quando alguma mulher ocupar o cargo.

Aparentemente há uma confusão entre o tuiuiú (Jaburu mycteria) e o jaburu (Mycteria americana), cujos nomes às vezes são trocados ou usados indiferentemente embora sejam, segundo a Wikipedia, espécies diversas ainda que parecidas.

O pássaro é um ciconiforme e alimenta-se de peixes e caramujos, embora também coma insetos e pequenos vertebrados terrestres de forma ocasional. O seu período de reprodução coincide com a baixa das águas, momento em que muitos peixes ficam presos nas lagoas e baías, facilitando sua pesca.

O casal fica unido pelo menos durante o ciclo reprodutivo, executando danças em dueto e batendo seus longos bicos, maiores nos machos do que nas fêmeas. Nessas ocasiões, a pele vermelha do papo fica mais ressaltada, devido ao aumento da irrigação sangüínea.

Mamãe jaburu põe entre 4 e 5 ovos. Os filhotes saem do ninho aos 3 meses de idade, acompanhando os pais no ninho nas suas primeiras semanas de vida. Os filhotes não tem ainda o papo vermelho e são realmente meio feinhos.

É o bicho às terças de hoje.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Islamismo ou esquerdismo: qual é pior?

O islamismo é violento e radical. Oprime as mulheres e declara guerra aos infiéis. Quer a expansão da religião pela violência e a criação de teocracias totalitárias, bem como a destruição de EUA e Israel.

Já o esquerdismo quer, a princípio, a paz no mundo e a igualdade social. Mas baseia-se em uma visão distorcida e irreal do mundo, em que os defeitos da humanidade podem ser "corrigidos" através de um sistema político-social mais justo. Nesse mundo ilusório, paz resulta do "diálogo" e um mundo sem pobreza pode ser obtido por decreto, "distribuindo a riqueza". O esquerdismo, assim, causa mais problemas do que soluções, enfraquece os valores da sociedade e a torna mais vulnerável a inimigos externos, como o islamismo ou potências imperialistas.

Portanto, pergunto-me qual o maior inimigo da civilização ocidental: será o islamismo ou será o esquerdismo? Responda em exclusiva pesquisa!

Links sobre minorias

O discurso que Sarah Palin foi impedida de fazer no protesto contra o presidente iraniano anti-semita: "Iran is responsible for attacks not only on Israelis, but on Jews living as far away as Argentina. Anti-Semitism and Holocaust denial are part of Iran's official ideology and murder is part of its official policy. Not even Iranian citizens are safe from their government's threat to those who want to live, work, and worship in peace. Politically-motivated abductions, torture, death by stoning, flogging, and amputations are just some of its state-sanctioned punishments. It is said that the measure of a country is the treatment of its most vulnerable citizens. By that standard, the Iranian government is both oppressive and barbaric. Under Ahmadinejad's rule, Iranian women are some of the most vulnerable citizens."

Lula e o enfático apoio ao casamento gay, surpreendentemente ignorado pela mídia.

O racismo no Brasil, ou como um país miscigenado pode estar virando mais racista graças às políticas identitárias: "Em coisa de 6 anos, desde a ascenção ao poder dessa mistura de Partido Democrata com Partido Comunista da União Soviética que é o PT, os "pardos" desapareceram alegremente numa ilusão de carnaval. Um genocídio conceitual, temos agora um país 50% preto, 50% branco, e já pouco importa que 80% dos brancos sejam algo pretos - como eu - e o evidente vice-versa."

Aliás, Thomas Sowell também fala sobre racismo e cotas racias em sua última coluna. "Part of the problem is the "multicultural" ideology that says all cultures are equally valid. It is hard even to know what that means, much less take it seriously as a guide to living in the real world. Will time and energy spent on rap music and wearing low-riding baggy pants like guys in prison— as badges of identity— provide as good a future for young people as learning math, computers and the English language?"

domingo, 21 de setembro de 2008

Poema do domingo

Araras versáteis

Araras versáteis. Prato de anêmonas.
O efebo passou entre as meninas trêfegas.
O rombudo bastão luzia na mornura das calças e do dia.
Ela abriu as coxas de esmalte, louça e umedecida laca
E vergastou a cona com minúsculo açoite.
O moço ajoelhou-se esfuçando-lhe os meios
E uma língua de agulha, de fogo, de molusco
Empapou-se de mel nos refolhos robustos.
Ela gritava um êxtase de gosmas e de lírios
Quando no instante alguém
Numa manobra ágil de jovem marinheiro
Arrancou do efebo as luzidias calças
Suspendeu-lhe o traseiro e aaaaaiiiii...
E gozaram os três entre os pios dos pássaros
Das araras versáteis e das meninas trêfegas.

* * *

Dez chamamentos ao amigo

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse

Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.

Hilda Hilst (1930-2004)

sábado, 20 de setembro de 2008

De inveja feminina e instinto suicida

Hillary Clinton e Sarah Palin foram convidadas para uma marcha contra a presença do presidente iraniano genocida em Nova York (ele vai fazer um discurso nas Nações Unidas). Hillary, despeitada, recusou-se a participar ao lado de Sarah Palin. Assim, os organizadores, por pressão Democrata, desconvidaram Sarah Palin, pois afinal sua presença isolada poderia "politizar" a marcha. (Curioso, a marcha só se politiza se políticos conservadores participam...)

Enquanto isso, pacifistas partidários de Obama querem oferecer um suntuoso jantar ao genocida iraniano, em plena Nova York, palco dos maiores atentados islâmicos jamais realizados na história do universo...

...e ativistas de esquerda na Alemanha impedem com fogo, pedras e violência a realização de uma manifestação contra a construção de uma mesquita. Os "fascistas" foram considerados aqueles que apanharam e foram impedidos de se manifestar.

Às vezes acho que os progressistas não têm tanto uma idelogia quanto pulsões suicidas. Querem morrer. O problema é que querem levar todos juntos nessa.

Morte aos velhos


No livro "Diario de la guerra del cerdo", o escritor Bioy Casares imaginava uma sociedade hipotética em que os jovens começavam a matar os velhos.

Pois a Baronesa Warnock, britânica especialista em ética médica (é o que diz o jornal, e devemos sempre acreditar no que dizem os jornais), sugere que os velhinhos com Alzheimer e outras doenças degenerativas têm o "dever de morrer". É isso mesmo: ela disse dever, não direito.

Disse mais: disse que tais pessoas estariam "desperdiçando as vidas dos outros", bem como "os escassos recursos da saúde pública." Portanto, se tais pessoas não podem nem cuidar de si mesmas, deveriam ter a clareza de compreender que são apenas um gasto de tempo e esforço para seus familiares e para os médicos, e, caso não possam cuidar de si mesmas, deveriam ser "abatidas" (put down foi a expressão que ela usou - expressão mais utilizada com cães doentes).

Embora ela afirme que o procedimento seria estritamente voluntário (ninguém seria abatido contra a sua vontade), ao indicar que a saúde financeira do Estado ou a conveniência dos familiares é mais importante do que a vida do cidadão, coloca o velhinho numa sinuca de bico: o próprio ato de querer continuar vivo é um erro, um peso para os outros. Mais: é difícil saber se alguém que sofre de Alzheimer ou outro tipo de doença degenerativa está realmente o bastante lúcido como para saber o que está decidindo.

A mesma especialista, "uma das mais importantes nomes da filosofia moral britânica" (é o jornal que garante!), já havia sugerido anteriormente que os aposentados que não quisessem ser um peso para as suas famílias e para o Estado deveriam poder escolher a morte. (É impressionante como para essas pessoas o Estado é mais importante do que o indivíduo; é quase uma espécie de Deus).

Detalhe: a Baronesa Warnock tem 84 anos. Não consta que queira fazer parte do programa de extinção voluntária.

Mais terríveis do que as idéias da filósofa demente são os comentários abaixo. Embora a grande maioria seja contra, alguns afirmam coisas como esta:

"A compaixão é inútil se não for pragmática. O orçamento da saúde não é infinito. Portanto, escolhas devem ser feitas. Cada 1.000 gastos com um velhinho demente, que provavelmente teve a vida mais longa do que muitos, são 1.000 a menos gastos com crianças doentes".

Ou ainda: "O dinheiro público deveria ser utilizado em investir no futuro das pessoas, não em manter os semi-mortos vivos".

Em nome do pragmatismo e dos recursos limitados da saúde pública, já há gente querendo executar os velhinhos. Eis onde nos leva o "Estado de bem-estar social". E eis aí os perigos da eutanásia. Começa-se com os doentes terminais. Logo passa-se aos velhinhos com Alzheimer. Depois é a vez dos aposentados que o Estado já não pode sustentar. Os paraplégicos. Os portadores de Down. Os ciganos. Os judeus.

Enfim, acho que vocês entendem a idéia.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Os ativistas profissionais

Uma das coisas mais irritantes dos tempos atuais são os ativistas profissionais. Imbecis que se auto-promovem em nome de uma causa. Pode ser a causa palestina, a desigualdade social, o aquecimento global, os direitos humanos dos bandidos, não importa desde que seja uma causa politicamente correta. O importante é se auto-promover.

A cunhada do Tony Blair, idiota útil e ativista profissional, está em Gaza. Chama aquilo lá de "campo de concentração". Pois eis uma foto da moça no tal "campo de concentração". É o primeiro campo de concentração com supermercado que vejo. Aliás, bem mais fornido do que o da esquina aqui de casa:


Se burrice matasse, teríamos um genocídio... Outra notícia, esta publicada no jornal O Globo:
A organização de defesa de direitos humanos Projeto Legal entrou nesta quarta-feira, na Vara de Infância e Juventude, com uma ação civil pública, com pedido de liminar, contra o governo estadual para exigir que os adolescentes infratores atendidos pelo Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase) sejam identificados somente por seus nomes. Segundo a entidade, atualmente, os jovens são chamados por números, o que resultaria em danos psicológicos.
Pois eu digo que ler notícias sobre ativistas de "direitos humanos" de organizações com nomes imbecis, que em geral só protegem traficantes, ladrões ou terroristas, está me causando sérios danos psicológicos. A quem será que posso recorrer?