quarta-feira, 18 de março de 2009

A gente somos inútil!

Em nenhum país o nanny-state (Estado-babá) está tão evoluído quanto na Inglaterra, onde o governo controla praticamente todo aspecto da vida do cidadão. Estado-babá é a expressão mais correta: trata-se, de fato, de infantilizar todos os cidadãos, tratá-los como incapazes para melhor controlá-los. George Orwell estava certo, sua utopia totalitária só errou de ano e de modo: não é uma ditadura, é uma democracia na qual o povo se acorrenta por sua livre e espontânea vontade.

Uma recente notícia ilustram bem o caso. Os extintores de incêndio poderiam ser proibidos e retirados de vários prédios, pois seu uso inadequado em mãos inexperientes poderia causar mais danos do que soluções, dando uma falsa sensação de segurança. A recomendação em caso de incêndio é apenas fugir e chamar os bombeiros. Pode parecer surpreendente, mas é apenas a seqüência lógica do que já se faz com as armas de fogo. Se assaltado, não reaja, não use de meios próprios de autodefesa (os quais aliás você não tem o direito de possuir): apenas chame a polícia.

Que os políticos queiram cada vez mais controle sobre a vida (e sobre o bolso) do cidadão não espanta nem pode espantar ninguém com mais de 18 anos e alguma experiência de vida. O que espanta é a docilidade - eu diria até o alívio - com que tais esquemas são recebidos por grande parte da população. "A gente somos inútil", eles parecem querer dizer.

Em um comentário em outro blog, um jovem americano de 22 anos tem uma tese interessante sobre as causas do crescente estatismo mundial:

"We’ve all been sheltered by parents who try to protect us from risk and icky bad things, and so we think we’re special, and naively believe that most of the world’s problems really can be solved, and by government at that."

De fato, em um sentido mais amplo, podemos observar que o Estado-babá atual é resultado da prosperidade e segurança observadas até recentemente no mundo desenvolvido, e que acabaram por criar uma aversão a riscos que se aproxima da tolerância zero. A medicina moderna pode curar a maioria das doenças, portanto estar doente ou até fora do peso ideal já é visto como algo terrível. A violência urbana é relativamente pouco freqüente, portanto as pessoas querem manter o mesmo nível de vida sem risco em todas as facetas. A aversão a riscos - sempre existentes na liberdade - leva as pessoas a preferirem a segurança.

O curioso é que no Brasil, onde não se chegou a tais níveis de prosperidade ou segurança (o sujeito pode morrer de bala perdida na próxima esquina), onde a falha do Estado em proporcionar segurança, educação, saúde e qualquer coisa aproximando-se de um serviço meramente medíocre é palpável cada momento, o curioso é que mesmo assim o Estado é visto sempre como salvação. Aqui acho que a explicação é outra. Gostamos do Estado-babá simplesmente porque não conhecemos outra coisa. Não há infantilização, somos infantis por natureza. Ao contrário dos americanos, asiáticos ou europeus, nunca crescemos, nunca deixamos de ser crianças.

Unhéééé!

19 comentários:

Pax disse...

É uma questão interessante. Essa crise nos mostrou que deixar o estado fraco deu no que deu, os interesses particulares pularam as cercas de toda e qualquer responsabilidade. Hoje mais de 60% das ações do Citi estão na mão do governo dos EUA.

De outro lado, os estados fortes demais, como dos países comunistas, deram no que deram.

Já disse e repito, mais cedo ou mais tarde o Mr X, enorme e desengonçado Mr X de 2,12m de altura e um blog desalmado e sua trupe de seguidores, se voltarão para um Estado médio, numa boa Social Democracia, onde todos terão escolas, hospitais e segurança pública dignos.

O tempo dirá, ou então todos virarão pó e seus herdeiros, numa evolução genética, tomarão os devidos lugares de pais tão tacanhos.

Amém.

ps.: estou reduzindo minha participação aqui porque o tal "Anonimo" assumiu o papel de Ombudsman do blog.

Didi Iashin disse...

Daqui a pouco você vai espirrar e só vai poder assoar o nariz quando o Estado-Supernanny te disser que pode (isso não é meu, é do Isaac Asimov, no livro Fundação).
Repito: vejam o filme Demolition Man, do Sylvester Stallone. Aquele filme é PROFÉTICO!

Mr X disse...

Qual Estado fraco, Pax? Até aqui nos EUA o Estado não pára de crescer, gastando exponencialmente o dinheiro que não tem.

Eu acho que o Chest está certo, o Brasil já É uma social-democracia, onde tem escola, hospital e segurança pública, só falta o "dignos".

Existe outra coisa também, que as pessoas acham que o Estatismo é inimigo das Grandes Empresas, mas na verdade, nem sempre é bem assim. As Grandes Empresas muitas vezes preferem um Estado maior, pois se aliam ao Estado para obter vantagens, licitações fajutas ou até monopólio. Quem sofre na mão do Estado é a classe média, são as pequenas e médias empresas, os indivíduos trabalhadores que não tem conexão com o Poder.

P.S. Pax, nada disso, você é o Ombudsman oficial do blog, te pago pra isso! Já pro batente, rapaz!

Chesterton disse...

Além de anonimo o Anonimo não tem imaginação. Poderia arrumar um apelido para que possamos dialogar com a triste figura.

d. quixote tupiniquim disse...

A minha explicação é outra: Vagabundiar !!
Quanto mais ficamos vagabundos, mais queremos:
1 - ser funcionário público
2 - ser funcionário de escritório (aí chupamos o estado ou os trabalhadores, tanto faz).
3 - não ser funcionário nenhum e receber seguro alguma-coisa, pensão alguma-coisa, auxílio alguma coisa, bolsa alguma-coisa ou até "bailout anything" (no caso de vcs aí dos states).
Enfim, queremos vagabundiar E AINDA ter um "notii" da hora com placa "treisgê" pra ficar vagabundiando ainda mais.


Um abraço,
D.Q. Tupiniquim

Pax disse...

Essa balela que o Chesterton, velho e bom Chesterton diz que o Brasil é uma Social Democracia é puro jogo diversionista. Quer é fugir do tema. Sabe muito bem que meus modelos estão em outras paragens.

Não, não temos uma Social Democracia. Na verdade até mesmo Democracia aqui é suspeita. Onde se compra voto não se pode dizer que é um estado democrático real.

Aqui só pagamos impostos como nas sociais democracias e boa parte desse dinheiro, quase R$ 200 bilhões, são desviados.

Só temos a parte ruim da social democracia. O Estado vira as costas para o povo.

E você está errado Mr X. Vá pras Sociais Democracias consolidadas e veja que o nível de corrupção é dos menores que há na face deste planeta.

ps; Ok, você me dá um salário, mas falta aquela questão básica do pagamento, lembra?

Pax disse...

200 bi todo santo ano, ano sim, outro também.

Só pra deixar mais claro.

Chesterton disse...

Onde se compra voto não se pode dizer que é um estado democrático real.

chest- é, o brasileiro não sabe votar...

Aqui só pagamos impostos como nas sociais democracias e boa parte desse dinheiro, quase R$ 200 bilhões, são desviados.

chest- pelo estado, claro.

O Estado vira as costas para o povo

chest -e voce quer mais estado...

Pax disse...

Não é só pelo Estado não, Chesterton, você sempre tangencia o real, não gosta de ver de frente. O empresariado também desvia muita grana. Veja Dantas, Naji Nahas e trupe.

Sim, quero mais estado com essa carga tributária. Claro que quero. Não nasci pra otário que gosta de enriquecer canalha.

Chesterton disse...

desvio é por definição grana dos impostos aplicada em outros lugares ou desviada ilicitamente. Dantas roubou dinheiro dos impostos? Então ele passou pelo estado. Nahas pelo que sei não roubou nada do erário p[ublico.

Mr X disse...

Pax,

E porque nao menos carga tributaria (e menos Estado), assim voce tem mais dinheiro no fim do mes pra pagar saude, educacao e seguranca que escolher?

(Nao que as opcoes privadas sejam muito melhores no Brasil, mas essa eh outra historia)

Mr X disse...

Sera que na Suecia nao tem corrupcao? O que os suecos tem que nos nao temos? (Alem das belas suecas)

http://www.sexyswedishbabe.com/

Chesterton disse...

Olha, off topic, mas gostaria de deixar aqui registrado. Obama me parece muito com Janio Quadros.....sei não.

Diogo disse...

"Olha, off topic, mas gostaria de deixar aqui registrado. Obama me parece muito com Janio Quadros.....sei não."

Hlksdjfhaljkl.

Tenho que concordar com o "reacionário" Chest.

Diogo disse...

"Existe outra coisa também, que as pessoas acham que o Estatismo é inimigo das Grandes Empresas, mas na verdade, nem sempre é bem assim. As Grandes Empresas muitas vezes preferem um Estado maior, pois se aliam ao Estado para obter vantagens, licitações fajutas ou até monopólio. Quem sofre na mão do Estado é a classe média, são as pequenas e médias empresas, os indivíduos trabalhadores que não tem conexão com o Poder."

Perfeito. Um Retrato do Brasil.

Stefano disse...

O post e o debate estão ótimos, mas não acredito na teoria da 'infantilidade da consciência brazuca'...Isto não explicaria outras virtudes desse povinho xexelento do qual faço parte, como a violência ilimitada e seus 50.000 assassinatos/ano, a ignorância crônica e impermeável, a corrupção e a preguiça inatas (os defeitos eu deixarei para o próximo comentário).

Pax disse...

A informação que temos, inclusive medida por institutos internacionais, é que nesses países a corrupção é muito, mas muito reduzida, Mr X.

E lá, pegou, dançou. Não é como aqui que o cara é pego e vai dançar carnaval. Lá dança atrás das grades mesmo.

E não, não acredito nesse estado mínimo neoliberal não. Quem se ferra são os pobres, que ficam fadados à sua miséria per secula seculorum.

Anônimo disse...

MrX olha isto. Tudo a ver com seu post. Querem proibir os brinquedos nas lojas de fast food.
http://oglobo.globo.com/blogs/juridiques/

Mr X disse...

É, é o próximo passo. Batatinhas fritas e hambúrgueres serão como o cigarro no futuro, pode apostar.